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Cachoeira do Sul
13 de novembro de 2019
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PASTORAL DIACONAL

Origem



No Novo Testamento os diáconos apareceram pela primeira vez na igreja de Jerusalém. Conforme vemos em Atos 6:1-6, as viúvas helenistas estavam sendo esquecidas na distribuição diária. Uma murmuração começou a surgir. Fazia-se necessário tomar prontas medidas para restaurar a paz e a harmonia entre os crentes.

Foi então que “o Espírito Santo sugeriu um método pelo qual os apóstolos poderiam ficar isentos da tarefa de repartir com os pobres ou tarefas similares, pois deviam ser deixados livres para pregar a Cristo.” Assim surgiu o ofício cristão do diaconato. “Sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria”, foram escolhidos para auxiliarem os apóstolos. A decisão agradou a igreja. Após a imposição das mãos, saíram eles para cumprir sua função. Sabemos que fizeram um bom trabalho pelos resultados que se seguiram: “crescia a palavra de Deus e, em Jerusalém, se multiplicava o número dos discípulos, também muitíssimos sacerdotes obedeciam a fé” (Atos 6:7).

O termo no Novo Testamento

Em Atos 6:2 lemos: “Então os doze convocaram a comunidade dos discípulos e disseram: Não é razoável que nós abandonemos a palavra de Deus para servir às mesas”. Aqui encontramos a palavra diakonein que significa “servir”, particularmente “servir as mesas”. Este é o significado original da palavra “diácono”, embora a própria palavra não seja aqui usada. O conceito de servir expresso por esta palavra é bastante esclarecedor. Representa um serviço feito em genuíno amor, uma atividade significativa para a edificação da comunidade.

No Novo Testamento o termo diakonía aparece 34 vezes, e a forma verbal diakonéo, “servir”, aparece 37 vezes, e o substantivo diáconos, 29 vezes. Num sentido geral o termo diáconos é aplicado para:
a) O “servo” de um rei (Mateus 22:13);
b) Ministros (Romanos 13:4; literalmente “diáconos de Deus”, isto é, aqueles através dos quais Deus leva avante sua administração na Terra);
c) Paulo e outros apóstolos (1 Coríntios 3:5; 2 Coríntios 6:3; 1 Tessalonicenses 3:2);
d) Professores da religião cristã (chamados “diáconos de Cristo” em 2 Coríntios 11:23; Colossenses 1:7; 2 Timóteo 4:6);
e) Cristo, chamado de “ministro da circuncisão” (literalmente, “diácono” – Romanos 15:8), como dedicando-se para a salvação dos Judeus;

No sentido técnico de um “cargo da igreja cristã” a palavra diakonos só aparece duas vezes no Novo Testamento, em Filipenses 1:1 e em 1 Timóteo 3:8-13. Mais adiante analisaremos mais atentamente essas passagens. Vale ressaltar que em nenhum momento o uso da palavra transmite a ideia de inferioridade.

Função e objetivo do ofício

É geralmente aceito que a origem do diaconato se deu com a escolha dos “sete” como auxiliares dos apóstolos. Mas não podemos saber com certeza qual era especificamente o trabalho desses oficiais. Sua obra pode ser deduzida mais pela função que assumiram mais tarde. Ao que parece esses oficiais atendiam as necessidades individuais dos membros bem como os interesses financeiros da igreja. Sua atuação foi muito importante para manter a igreja unida. As igrejas primitivas eram sociedades de caridade, tomando conta das viúvas e órfãos, dispensando hospitalidade aos estrangeiros e aliviando as necessidades dos pobres. A tarefa dos diáconos era atender as necessidades dos pobres e dos doentes.

A escolha de homens para efetuarem os negócios da igreja, de modo que os apóstolos pudessem ficar livres para seu trabalho especial de ensinar a verdade, foi grandemente abençoado por Deus. O fato de terem sido estes irmãos ordenados para a obra especial de olhar pelas necessidades dos pobres, não os excluía do dever de ensinar a fé. Ao contrário, foram amplamente qualificados para instruir a outros na verdade; e se empenharam na obra com grande fervor e sucesso. Dentre os objetivos do trabalho dos diáconos podemos destacar os seguintes:

(1) Promover a paz nas igrejas. Algo que tornou necessária a criação do diaconato , como vemos no capítulo 6 de Atos, foi a proteção e a promoção da paz interna na igreja. Não sabemos até que ponto a igreja de Jerusalém estava dividida. Certo é que a murmuração tomava proporções perigosas. Os diáconos pelo seu zelo e amor desprendido conseguiram curar a ferida e restaurar a harmonia. O grande e principal dever do diácono nas igrejas neotestamentárias é defender e promover a camaradagem entre os irmãos.

(2) Deixar desembaraçados os ministros. Numa igreja em franco crescimento como a de Jerusalém, havia muito serviço a ser feito. Os diáconos foram escolhidos como auxiliares dos apóstolos a fim de que estes pudessem se dedicar mais à oração e ao ministério da Palavra. Se os diáconos foram necessários numa igreja de organização simples e rudimentar como a igreja de Jerusalém, quanto mais são necessários hoje nas grandes igrejas.

(3) Promover o bem-estar dos crentes. Outro objetivo claro na eleição dos primeiros sete diáconos foi a promoção do bem-estar dos que faziam parte da igreja. Os membros precisavam e ainda precisam saber que são amados e apreciados de uma maneira real. Necessitam ser atendidos em suas necessidades básicas de alimento, vestuário e moradia. Algumas vezes necessitam instrução e encorajamento. Os diáconos nisto podem prestar excelente serviço.

(4) Dar um testemunho mais eficaz. Vê-se claramente que se criou o diaconato para que a igreja pudesse testemunhar mais eficazmente do poder do evangelho. Esta será sempre a empolgante finalidade de toda atividade eclesiástica. O plano deu certo, pois “a palavra de Deus crescia, e em Jerusalém se multiplicava muito o número dos discípulos, e grande parte dos sacerdotes obedeciam a fé” (Atos 6:7). Estas palavras nos fazem ver que há uma promessa divina para toda igreja que conservar e usar devidamente o ofício do diaconato.

(5) Reforçar a liderança. A maior justificativa para a criação do diaconato está no fato de contribuir ele no sentido de fortalecer a liderança. Não importa qual a habilidade diretora que o diácono possui ele deve lembrar-se que está contribuindo para maior eficiência da liderança de sua igreja local. Nem todos os diáconos lideram. Mas todos eles devem ser exemplares, e podem desenvolver-se em força e excelência

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