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Cachoeira do Sul
22 de fevereiro de 2020
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O JARDINEIRO

O JARDINEIRO
Mons. Elcy
Ele gostava do que fazia. O Jardineiro dava nome a cada plantinha do seu jardim. Conhecia sua história, desde que fora semente ou enxertia. Foi ele que uniu os dois tecidos, o enxerto e o porta enxerto, formando um único indivíduo. Foi ele que cavou a terra, que adubou o solo, que arrancou as ervas daninhas, que regou as plantas, que podou as roseiras. Seu cuidado era feito de carinho, de atenção ao desenvolvimento de cada ser e da proteção dos insetos predadores. Cada planta tinha seu perfume próprio e o jeito próprio de ser regada. Algumas plantinhas preferiam meia sombra, outras completamente encobertas e algumas desejavam ver o sol sem nada que as encobrisse. Tudo isso, o jardineiro sabia e por saber dava assistência individualizada a cada planta, em cada hora do dia, em cada ciclo sazonal.
Ele falava com suas flores, louvava sua beleza, aspirava seu perfume, acarinhava suas folhas. Como seres vivos elas reagiam, florindo mais, perfumando mais e alegrando mais, a quem lhes dedicava tanto amor! Alguém dissera que ele não viveria sem elas e elas morreriam se ele as deixasse.
Eu gosto quando ouço chamar, a escola das criancinhas, de Jardim da Infância. Penso até que, na lida com as criança e as flores, se estabelece uma semelhança. É o carinho que sai pelas mãos, a alegria que o rosto revela, o encanto que os olhos expressam, são os mesmos no Jardim da Infância e no jardim das flores. Como naquele, também nesse, o cuidado se concretiza: na defesa do que seja daninho, no adubo que vitaliza, na água que anima a vida, na poda que extirpa vícios, nas sombras que amenizam o calor e até na estaca que ajuda a planta se tornar reta, lhe estabelecendo limites!

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