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Cachoeira do Sul
23 de janeiro de 2020
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O Garimpeiro

O GARIMPEIRO

Mons. Elcy

Com chapéu de abas largas, sob um sol escaldante, o garimpeiro movia, em círculos, sua bateia sobre as águas rasas do riacho. A esperança era sua virtude profissional. Esperava, a qualquer momento, ver a pepita de ouro brilhando ou a pedra de diamante luzindo. Sonhava, sonhava muito enquanto trabalhava!

Os depósitos de aluvião continham cascalhos, areia, pedras e muita terra lamacenta. A lavagem tirava a terra e a peneira, sobre a bateia, selecionava o cascalho e as pedras; era o momento no qual brilhavam os olhos da garimpeiro, por alguma pedra para ser lapidada, alguma pepita amarela para ser identificada ou até um diamante para lhe compensar a busca!

Era um trabalho que compensava a atenção pela descoberta ou configurava a decepção lhe frustrando os sonhos!

A busca era insistente, concentrada e recheada de muita esperança que se renovava a cada bateia movida na dança circular dos cascalhos.

Enquanto o processo se mantinha, o garimpeiro pensava na família que ficara distante e era a razão do seu maior esforço. Queria dar-lhe melhor conforto, melhores recursos e maior segurança. Assim, cantarolando, se imaginava, na busca, encontrar o que sonhara e que repassaria aos familiares tão logo o sonho se concretizasse!

A garimpagem é uma ciência. Tem sua própria tecnologia. Carece de uma aprendizagem com metodologia própria, mas não se fecha em si. Pode ser aplicada pedagogicamente a outras disciplinas em diversas atividades e experiências construtoras da vida!

Quando penso nos dons e carismas prodigalizados por Deus a cada pessoa, penso na garimpagem dos mesmos, para não deixá-los abandonados no aluvião de nossos arcanos. Sem a devida busca, sem mover a bateia de nossas pesquisas, sem o esforço concentrado, podemos deixar enterrados os talentos conferidos pelo Criador a cada filho seu!

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