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Cachoeira do Sul
6 de agosto de 2020
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O CARRINHO DE MÃO

 

CARRINHO DE MÃO

Mons Elcy

         Desde que nossos ancestrais começaram a fabricar e usar instrumentos para auxiliá-los na caça, na pesca, na plantação e na construção dos seus abrigos, iniciou-se um caminho irreversível: da pedra lascada à pedra polida, dos metais às alavancas, da eletricidade aos motores, da informática à robótica: era o caminho do progresso.

         O carrinho de mão é a simbiose, aplicada, da roda e da alavanca. Embora a robótica tenha invadido os canteiros de obras ele continua gloriosamente necessário e atual: insubstituível!  Ele é feito de uma roda, dois varais e uma caçamba, mais parecida com uma caixa, onde se transporta o que for preciso.

         Eu conheci um destes carrinhos. Ajudou a construir minha casa. Sua caixa metálica foi-se consumindo no trabalho. A cal, as pedras e os tijolos, nele transportados, foram destruindo sua caçamba; um braço quebrou e um pé se soltou…  Foi declarado inútil pelos construtores. Tive pena de vê-lo atirado num canto. Quis premiá-lo pelos serviços prestados: Levei-o até o jardim, ajeitei seu braço quebrado, amarrei seu pé, pintei sua caixa esburacada enchendo-a de terra boa e coloquei, na terra, sementes de flores. Quando a primavera chegou ele revestiu-se de flores e foi festejado e admirado!

         Lembrei-me de nossos idosos que, depois de construírem o progresso, são jogados nos cantos e abandonados. Como o carrinho, poderiam fazer florir a vida da comunidade. Nos tempos bíblicos, o conselho dos anciãos mantinha a pureza da fé e a beleza dos costumes. Se fizéssemos, com eles, o que foi feito com o carrinho, poderíamos ter maior beleza nos jardins da humanidade.

         Pense na tua gente e jamais deixe nos cantos da vida aqueles que podem enfeitar tua família: os teus idosos!

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