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Cachoeira do Sul
17 de novembro de 2019
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Diante dos Anos

DIANTE DOS ANOS

Mons. Elcy

Coloquei meus 83 anos, ao sol, para me aquentar. Nesta idade o termostato interno não regula aquecimento algum. Estava ao sol observando os passantes.

Muitos estavam saindo dos templos e das lojas passando ao largo. Dar atenção a um idoso não é frequente. Do idoso e dos passantes nada ou pouco se espera em proveito próprio. Se fosse uma criança, sentada num banco de praça qualquer, algum dia, quando adulto, poderia beneficiar o transeunte originário da loja ou do templo. O velho poderia pedir alguma coisa ou lamuriar-se de algum desconforto, tão frequente na longa idade.

Sentado, então, num banco de praça, via as pessoas apressando o passo à visão dos cabelos brancos. Minha biblioteca interna estava cheia de histórias e conhecimentos acumulados em muitos anos, exatos 83. Poderia repartir minha riqueza se alguém parasse: os contos, as fábulas, a história e a ciência armazenada nos meus arquivos mentais. Ninguém parava para ouvir.

Os velhos a gente respeita se afastando? Eles representam pouco; se isso for verdade, é porque ninguém se aproxima para ouvi-los; o muito que têm, fica neles, por falta de quem os ouça! Os jovens perdem muito quando se isolam dos anciãos. Fazendo assim facilitam a burrice e o engodo!

A sabedoria não vem só do estudo, mas da vida. Até o método científico se enraíza na ação experimental. As conclusões lógicas se concretizam na experiência. A vida ensina o que é bom para a vida. Quando não teimosos, buscamos em quem muito viveu, como se deve viver.

Jamais lamentei o tempo empregado na escola da vida. Meus maiores professores não só frequentaram faculdades, mas se exercitaram no esforço de bem viver, adquirindo ciência e sabedoria. No meu alforje, os conteúdos mais preciosos, os recebi dos muitos tesouros alheios, somados aos poucos meus!

Assim, a sabedoria é a soma dos que foram, dos que são, para que sejamos fonte aos que virão!

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