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Cachoeira do Sul
23 de janeiro de 2020
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CONVERSA DE ESQUINA

 

CONVERSA DE ESQUINA

Mons. Elcy

Esta é uma fábula.

Dois cachorros se encontraram na esquina da Avenida Brasil com a Rua Ivo Becker. Os dois eram moradores de rua. Depois de demarcarem território, do jeito canino de marcar, entabularam uma conversa, partilhando conhecimentos. Um conhecia a cidade de palmo a palmo e o outro, mais jovem, desconhecia a maior parte, era inexperiente no pedaço, carente de orientação. Naquele local foi a primeira vez que marcou território.

Os dois partilharam ideias relacionadas aos humanos porque os racionais, uns eram e outros não eram amigos; acarinhavam os cães ou os agrediam; uns pareciam tontos sem saber para onde iam, outros pareciam agitados, enquanto ainda outros quase se arrastavam pelas calçadas; os mais gordos caminhavam evitando as balanças das farmácias e os mais magros se pesavam em cada balança que viam. Os primeiros caminhavam para emagrecer e os segundos caminhavam para se fortalecer.

As conclusões, de um cachorro e as de outro, eram unânimes: os humanos eram seres estranhos, inconstantes no comportamento, imprevisíveis nas atitudes; os que eram confiáveis já não são e os que são logo não serão!

A prudência canina recomendava distância segura e aproximação cautelosa, análise efetiva do humor e suspeita radical dos movimentos humanos; pois se eram parceiros constantes podiam deixar de ser confiáveis quando o comportamento azedasse.

É certo que a vida de cachorro urbano, morador de rua, não é fácil. Estar alerta é questão de sobrevivência; bastam ver o trânsito com sua loucura, as leis protetoras esquecidas e os humanos perigosos!

Eu, que sou um ser humano, me pergunto:

“Será que é dessa forma que me veem os cães de rua ou nem tanto?”

“Qual será o veredicto feito por cada cão urbano que cruzar meu roteiro?”

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