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Cachoeira do Sul
10 de agosto de 2020
Portal da Diocese de Cachoeira do Sul Rs

CARTA PASTORAL AOS PADRES E COORDENADORES DE GRUPOS ECLESIAIS

 

DOM EDSON BATISTA DE MELLO

Por Mercê de Deus e da Santa Sé Apostólica

Bispo de Cachoeira do Sul

CARTA PASTORAL

Aos que essa Carta Pastoral virem, saudação, paz e bênção em Nosso Senhor Jesus Cristo!

Do Patamar da Basílica de São Pedro, o Papa Francisco realizou na tarde do dia 27 de março, o momento de oração com toda a Igreja pelo fim da pandemia de corona vírus (Covid-19). Foi proclamado o Evangelho de São Marcos 4, 35-41, que relata o momento em que Jesus está em uma embarcação junto aos seus discípulos, quando surge uma grande tormenta. No Evangelho, Jesus encontra-se dormindo no barco. Os discípulos o acordam e dizem: “Mestre, não te importa que pereçamos?”. Jesus desperta, repreende o vento e o mar, e diz-lhes: “Como sois medrosos! Ainda não tendes fé?”. O texto, frisa o Pontífice, narra que a situação ocorre ao entardecer. “Vivemos semanas que parecem o entardecer”. É possível pressentir e notar nos gestos e no olhar de homens e mulheres o temor diante da pandemia, uma semelhança com os discípulos do evangelho que foram surpreendidos pela tempestade. O atual momento, segundo o Papa, fez com que a humanidade compreendesse que todos estão no mesmo barco, frágeis, mas que também todos são chamados a rezar juntos e serem encarecidos de mútuo encorajamento. “Tal como os discípulos, dizemos a uma só voz: ‘Vamos perecer’. Assim, também nós percebemos que não podemos continuar a estrada cada qual por conta própria. Só conseguiremos juntos”.

 

Nestas palavras de encorajamento e de esperança do Papa Francisco, nos dirigimos a vós, caríssimos irmãos e irmãs em Cristo. Esse tempo que vivemos é uma grande oportunidade, dada por Deus, a cada um de nós, para refletirmos sobre o real sentido da nossa missão. Talvez, em nossos projetos pastorais estaríamos visitando casas, escolas, hospitais, comunidades, pedindo a participação de pessoas nas celebrações; enfim, Igreja em saída, como nos pede o Papa Francisco. Mas pensamos que, talvez seja o momento de fazermos tudo isso, começando por aquilo que é o mais importante: dobrarmos nossos joelhos e fazermos tudo isso acontecer antes, na oração. Disso não estamos dispensados. Aliás, esse devia ser o fundamento primeiro. Assim como Maria fez, se colocou aos pés de Jesus para escutá-lo, enquanto Marta se ocupava muito com os afazeres (cf. Lc 10, 38-42).

Pensamos também que seja uma grande ocasião de recomeçarmos com um retorno as fontes, de onde nasceu o cristianismo: a Igreja nas casas. Parece que até foi profetizado isso, pelos nossos bispos, quando em Assembleia ano passado, aprovaram as diretrizes 2019-2023 e no capítulo 3º dedicaram a Igreja nas casas. Também a Pastoral Familiar nos fez relembrar a Campanha da Fraternidade de 1994 e lançou para a Semana Nacional da Família, no ano passado, o mesmo lema: A Família, como vai? Fomos convocados a estar mais em casa e em família. Talvez para que nos déssemos conta do bem mais precioso, depois de Deus, a Família!

Como pensar a vida em comunidade a partir de então? Seguem algumas orientações pastorais que emergem desse contexto que vivemos:

1º) Junto a todo esse contexto da pandemia que nos coloca em atitude de alerta e prevenção, pedimos aos grupos, movimentos, pastorais e serviços que realizariam retiros anuais: durante esse ano de 2020 se abstenham de concretizá-los, por alguns motivos: a) Colocaria em risco a vida de pessoas, em aglomerações ,como sabemos que acontece durante um retiro; b) As paróquias, mais do que nunca, precisarão do apoio de todos os grupos e pessoas para se manterem financeiramente. É momento de somarmos forças e fazermos da nossa Paróquia a extensão de nossa casa, onde todos somos responsáveis. O grupo que pertenço, só existe porque há uma Paróquia que dá sustentação. Mas, agora, é momento de nos unirmos num gesto de amor e partilha com a Igreja Mãe a que pertencemos.

2º) Nesse sentido, de não acontecer retiros, para integrar novos membros ao grupo/movimento, pensamos que seja oportuno que se dê uma atenção maior aos membros, que já pertencem ao grupo/movimento, após terem passado por uma experiência pessoal de encontro, com Jesus Cristo, num retiro. Quem sabe seja o momento de resgatar alguns, que por ventura, se afastaram. Assim sendo, poderão acontecer dias de encontro e formação, após liberação, pelo poder público, além de um novo decreto episcopal, como forma de fortalecer os membros que já participam do grupo.

3º) Há de se considerar, também, tantos outros modos de formação e de oração, que os grupos poderão fazer, através dos meios de comunicação existentes, principalmente, a internet.

Por fim, pensamos que seja um tempo de ousarmos, com prudência; aproveitando-nos de novos areópagos, que emergem nesse tempo. Não é percamos a esperança. O Papa Francisco, em sua homilia do dia 08/05/2020 afirma: “O Senhor consola sempre na proximidade, com a verdade e na esperança. São os traços da consolação do Senhor. Na proximidade, jamais distantes”. E com essas palavras encerramos essa carta, que desejamos, nos possa aproximar ainda mais na oração, na Verdade que é Cristo e fortalecendo nossa esperança.

Cúria Diocesana, 13 de maio de 2020.

Seguem as assinaturas do Bispo Diocesano, do Vigário Diocesano e do Coordenador Diocesano de Pastoral

 

 

 

 

 

 

 

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