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Cachoeira do Sul
31 de maio de 2020
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A Revelação do Espelho

REVELAÇÃO DO ESPELHO

Mons. Elcy

Muitas vezes me deparo diante de mim mesmo e quase tenho um susto. Não me vejo continuamente e preciso de um espelho para me refletir. Me olho e logo esqueço como sou. É quase um mistério, não mistério porque grandioso, mas porque não entendo como posso me esquecer tão rapidamente da minha imagem. Então, fiz um propósito: parar algum tempo diante do espelho e rir da minha cara, do meu corpo já marcado pelos anos, da pele que não se estica mais, das rugas que vão se somando.

O espelho foi uma invenção interessante e deficiente. Ele não mostra a realidade total porque nos faz ver ao contrário do que outros nos vêm. É por isso que, vendo uma filmagem de nós mesmos, levamos um susto capaz de arrancar da garganta um sonoro “óhhh”.

As bailarinas, ao se exercitarem diante do grande espelho da Academia, se iludem com o que vêm e não são capazes de imaginar como são vistas por quem as assiste!

Existe um outro modo de ver, além da visão dos olhos. É a visão do coração. Na realidade a gente só vê bem com o coração. Nossos olhos mandam para o cérebro traços de luz que refletem nos objetos e nem todos vêm do mesmo modo, porque não é objeto que visualizamos, mas apenas a radiação luminosa. Até a beleza que alguém elege, difere da beleza que outra pessoa escolhe. Para mim vejo como belas as pessoas que se parecem com minha mãe, primeiro rosto que vi ao nascer: olhos verdes, rosto redondo (as magras que me perdoem), mas mamãe era gordinha, etc.

Então, procuremos ver mais com o coração do que as vistas e não analisemos, com padrões pessoais, porque as vistas enganam. Só Deus vê a realidade total. Nós somos deficientes visuais, mesmo quando nos vemos, diante de um espelho qualquer.

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