31 de maio de 2020
Portal da Diocese de Cachoeira do Sul Rs

A CULPA DA SERPENTE

A TERAPIA DO PERDÃO

Mons. Elcy

A análise do comportamento humano, diante da sedução ao erro, nos alerta para evitar atitudes de irresponsabilidade transferindo a própria culpabilidade para outrem. Lembro, aqui, a clássica cena bíblica da sedução da serpente envolvendo Eva no descumprimento de um mandamento divino.  Tudo bem; ela não resistiu aos argumentos da serpente e comeu o fruto proibido; como se não bastasse convenceu a Adão para fazer o mesmo; mas, poderia ter assumido sua culpa pessoal e se penitenciado diante de Deus. Não assumiu. Transferiu o erro culpando e responsabilizando a serpente pela desobediência. Adão que fora incitado por Eva, também a culpou do seu pecado. Foi um verdadeiro jogo de empurra, fruto do orgulho que excluiu a humildade de reconhecer a própria fraqueza, reconhecimento esse que, tenho certeza, teria tocado o coração de Deus movendo-o ao perdão.

Quem não assume a realidade da sua fraqueza, dificilmente é capaz de se aceitar; não se aceitando, fica incapacitado de se perdoar e muito menos de buscar em Deus o perdão. O pior se concretiza na omissão do perdão ao próximo. A experiência do próprio perdão se vértebra na experiência da misericórdia de Deus que perdoa sempre quando nos penitenciamos. Esta experiência tem consequência. Jesus nos exorta a perdoarmos as pessoas que nos ofenderam. É um ato ativo que nos liberta da energia negativa que atua em nós, quando erramos. Nos liberta na certeza da palavra de Jesus quando, na oração do Pai nosso, nos ditou: “perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”.

Aceitar-se, perdoar-se e perdoar o outro é um caminho de libertação que traz consigo a sanidade espiritual e física.

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