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Cachoeira do Sul
23 de janeiro de 2020
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CREPÚSCULO DA VIDA

Mons Elcy

Não me entristecem as limitações que a senilidade insere no fichário de planejamento de minha idade avançada. Me liberto de algumas amarras que o Estatuto do Idoso me oferece. Nos aeroportos não me posiciono nas enervadas filas de espera e vou direto à placa dos “Idosos”! Meu carro, na cidade, estaciona nas áreas reservadas e exclusivas, basta colocar a targeta no para-brisa, indicando que sou velho e enxuto.

As limitações aceitas podem ser trabalhadas positivando-as. Não subo mais em coqueiros; troquei as corridas por caminhadas; visito e obedeço ao meu médico; tomo remédio na hora certa; medito mais profundamente; faço as orações mais personalizadas em Deus. Tudo isto plenifica o idoso, portanto a mim!

Sinto que meu corpo não mais me obedece com eficácia, mas mantenho claro um planejamento capaz de matar o Bicho Preguiça, que pode se instalar no quintal da minha existência. Procuro concretizar atividades físicas para manter meu direito constitucional de “ir e vir”, conforme reza a Constituição. Silencio mais que converso. Ouço mais do que falo. Leio, ativando a memória, me capacitando a escrever textos. Revejo meus dias para não esquecer que fui e sou feliz com minhas limitações e dons. Minha fé, como minha respiração, é eficaz. Minha Igreja é minha casa de encontros. Minha cidadania extrapola minha Terra Natal.

Estou aprendendo a conviver com a terceira ou a quarta idade. Poucos têm esta bênção privilegiada de Deus.

Não é só a aurora do amanhecer que é bela, o crepúsculo do entardecer, também é!

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