
Artigos do Bispo
Dom Irineu
Conversando com o povo de Deus (434). Mães, nós vos amamos.
Maio, mês de Maria. Maio, mês da Mamãe. Eu não pedi para nascer. Quando acordei para a vida eu estava no colo de uma senhora, que me dava de mamar. Disseram que era a minha mãe. Ao lado estava um senhor feliz da vida porque tinha nascido um homem. Disseram que era meu pai. Eu não pedi para nascer. Eu não escolhi a mamãe, eu não escolhi o meu pai. Eles queriam um filho ou filha. Só Deus quis a mim, assim como eu sou: de origem alemã, cor branca, teuto-brasileiro, nascido debaixo de um pinheiro em Linha Pinheiral, Santa Cruz do Sul, RS, Brasil. Filho de colonos. Por quê? Não sei. Sim sei, porque Deus me ama e tem um projeto comigo.
Bendito seja Deus pelo dom da vida, pelos pais que me deu. Neste segundo domingo, celebramos o dia da mamãe. Bendito seja pela mãe que me deu. Até os dozes anos vivi com ela, quando fui para o internato dos padres franciscanos holandeses em Taquari. Dizia: “Eu quero ser padre, se não der certo o estudo não se perde”. Mas mamãe não acreditava muito na minha vocação. “Pode ir”, dizia ela. “Dentro de uma semana você estará de volta. Os padres não vão agüentar um menino travesso como você”. Nos primeiros dias chorei de saudades nos cantos. Molhei o travesseiro. Mas agüentei. Em casa tinha só a irmã para brigar, aqui no seminário eu tinha 200 colegas, entre grandes e pequenos. O contato com a família acontecia através de uma carta mensal. Telefone nem pensar. O primeiro grande encontro foi em Pentecostes, quando papai e mamãe me vieram visitar. Foi no dia de Pentecostes, chamado também de Dia dos Pais. Que felicidade. Depois era esperar pelas férias de dois meses: dezembro e janeiro. Assim castiguei mamãe durante sete anos. Coitada. Mas ela agüentou porque era para a felicidade de seu filho, que queria ser padre.
Mas as coisas pioraram. Entrei no noviciado e mudei de nome. Mamãe tinha um filho novo, com nome novo: Frei Rodolfo. Naquele tempo era assim. Fiquei três anos sem poder visitar a mãe. Antes de seguir para Divinópolis, MG, pude tirar uma semana de férias. E então foram quatro anos sem férias. Ordenado sacerdote em 15/07/1962, pude em janeiro vir a Santa Cruz para celebrar a minha primeira missa solene e ficar com a minha família, com a minha mãe, durante um mês! Depois mais um ano em Minas, em Belo Horizonte, por um ano... Fiquei então três anos perto dela, em Lajeado e Passo Fundo, quando os meus superiores me mandaram para Roma para fazer doutorado em Teologia. Quatro anos sem vir para o Brasil. Coitada da mamãe. Mas ela não se podia opor, era para o bem do filho.
Depois então fiquei 15 anos em POA, quando voltei para Roma para mais seis anos! Mas Deus foi bom, foi ótimo, porque neste período consegui visitá-la todos os anos. Quando fui eleito Conselheiro Geral pela América Latina na Ordem dos Franciscanos eu disse à Mãezinha do Céu: “Eu aceito. Eu confio a vida de minha mãe a você. Cuide dela”. E ela cuidou. Mamãe faleceu depois que eu voltei definitivamente para o Brasil, em 1993. Bendito seja Deus pela mãe que me deu. Obrigado mamãe porque você disse sim à concepção. Obrigado porque você respeitou sempre a minha vocação e a apoiou. Em você, eu homenageio todas as mães. A mãe negra, a mãe mulata, a mãe índia, a mãe branca, mães de todas as religiões. Que Maria, a Mãe do Redentor e Mãe nossa, abençoe e proteja a todas as mães. “Dai-me mães santas e eu transformarei o mundo”, dizia o Papa São Pio X. Mães, nós vos amamos!
Conversando com o povo de Deus(435) Acordo Brasil e Santa Sé (1).
O Acordo firmado sob a égide do Papa Bento XVI e do nosso presidente Lula, no dia 13 de novembro de 2008, no Vaticano, através de seus representantes o Ministro do Exterior do Brasil e do Secretário de Estado do Papa, é um acordo de mútua cooperação entre o Estado Brasileiro e a Santa Sé. Estabelece, em termos jurídicos, as relações entre a Igreja Católica e o Brasil. Recolhe num único texto legislativo, o estatuto jurídico da Igreja Católica no Brasil, dando-lhe força de um tratado internacional.
A Igreja Católica e o Estado, até a proclamação da República, estavam unidos pelo Padroado. A religião católica era a religião do oficial estado. Com a proclamação separou-se religião e estado. Mas a situação não podia ficar sem uma regulamentação jurídica. Em 07 de janeiro de 1890, no Decreto 119A de Deodoro da Fonseca reconhecia-se a existência da Igreja Católica no Brasil, contrariamente do que tinha acontecido na França, que a decretou extinta. Mas aos poucos começou-se a sentir necessidade de elaborar mais leis complementares para regularizar as atividades de mútua incidência. O que o Acordo assinado em Roma procura fazer? Reunir todas as leis já existentes num Acordo bilateral, porque dispersas e por isso, muitas vezes, ignoradas.
Este Acordo não impede que outras Igrejas, outras religiões façam o mesmo. Por ele não se volta a unir novamente a Igreja ao Estado. A Igreja Católica não se torna a religião oficial do Estado Brasileiro. Não se está privilegiando uma Igreja. Mas está se regulamentando juridicamente o relacionamento de uma Igreja, do qual participam mais de 70% de brasileiros.
Este é um acordo internacional, regulamentado pelo direito internacional. Não é qualquer acordo. Por isso, ele foi pensado, estudado. Não só pela Santa Sé, através principalmente da Nunciatura Apostólica e da Secretaria de Estado do Vaticano, mas também pelo Governo Brasileiro, através de seus Ministérios, principalmente: Ministério do Exterior, da Justiça, da Educação e outros. Escrito, discutido, corrigido e reescrito. Isso durou anos. Depois de aprovado pelo Brasil e pela Santa Sé, o Acordo foi assinado oficialmente sob a égide do Papa e do Lula. Portanto, é um Acordo bem estudado. Pensou-se em tudo. Nas conseqüências. Nas reações. Na justiça, etc.
Mas todo Acordo internacional precisa ser aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado para que se torne lei. Fui informado de que o Acordo começou a ser estudado na Câmara Federal por duas Comissões: a da Justiça da Câmara e da CREDN.
Chegou o momento de pressionar os nossos deputados federais e senadores pedindo que apóiem a aprovação do mesmo. Até agora só o Deputado Vieira da Cunha me respondeu, garantindo o seu apoio e o Senador Pedro Simon também. É preciso que aqueles que estão convencidos do bem que este Acordo fará para o Brasil e a Igreja se manifestem publicamente. É preciso desfazer alguns preconceitos ou mal entendidos como a faculdade de poder ensinar a religião católica e outras, no ensino fundamental público. (Continua)
Conversando com o povo de Deus (436) Acordo do Brasil com a Santa Sé(2).
Tomo a liberdade de reeditar o Conversando com o povo de Deus (411), publicado no JP de 29 e 30/11/2008, já que o assunto voltou à discussão:
“Gostaria de resumir para os meus amigos leitores este Acordo entre estes dois Estados, conforme as explicações dadas pela Nunciatura Apostólica a todos os Bispos do Brasil. Penso que é um assunto muito importante, não só para católicos como para outras confissões religiosas também. O Acordo recolhe num texto só o estatuto jurídico da Igreja Católica no Brasil. Ele tem a força de um tratado internacional. Estes acordos são assinados pela Santa Sé com muitas nações católicas ou não. Depois do Concílio Vaticano II foram assinados mais de cem. Até com nações não Católicas. Quando digo: Santa Sé, digo Vaticano com Estado.
O Acordo com o Brasil não foi chamado de Concordata, porque esta regula em todos os seus aspetos, a situação jurídica da Igreja Católica. No caso do Acordo com o Brasil não se regulamenta os feriados religiosos. Além disso, a palavra Concordata pode ferir por questões históricas o princípio da justa e positiva laicidade do Estado. A recíproca autonomia.
A Igreja Católica não recebeu privilégios, nem houve discriminação pelo Acordo de outras confissões religiosas. A Igreja Católica não busca privilégios. O Acordo apenas confirma, consolida e sistematiza e explicita o que já existia. A Igreja Católica que representa no Brasil mais de 70% da população defende a liberdade religiosa para todos. Outras confissões poderão fazer o mesmo que fez a Igreja Católica. Só não poderão celebrar o Acordo internacional já que elas não são como a Santa Sé (Estado), membros da Comunidade internacional como tal.
Os pontos mais importantes do Acordo são a reafirmação da personalidade jurídica da Igreja Católica e de suas instituições: a CNBB, Dioceses, Paróquias Institutos Religiosos. Também o reconhecimento da filantropia e de benefícios tributários, no pleno respeito às leis e em condições de paridade com as outras entidades civis da mesma natureza; a colaboração com o Estado no campo cultural; o direito da assistência religiosa aos internados em institutos de saúde e similares ou detidos nos princípios, que, livremente o requeiram; a importância de assegurar paridade às escolas católicas com as demais, segundo o princípio de efetiva igualdade e liberdade religiosa; o ensino católico, como de outras religiões, nas escolas públicas de ensino fundamental; o reconhecimento dos efeitos civis, não só do casamento religioso, mas também das sentenças eclesiásticas em matéria matrimonial; a destinação de espaços para fins religiosos no planejamento urbano; a clara exclusão do vínculo empregatício entre padres e Dioceses, entre religiosos e seus Institutos; o direito dos Bispos de pedir visto para os missionários estrangeiros, etc.
O reconhecimento da personalidade jurídica da Igreja Católica não é uma nova prerrogativa. Este já existe desde 1890 quando aconteceu a extinção do padroado. Havia algumas dúvidas de interpretação que surgiram quanto à personalidade jurídica das paróquias e demais entidades jurídicas eclesiásticas, especialmente, nos cartórios, em ambientes bancários e prefeituras”.
Recordo que o Tratado Internacional precisa de ratificação de nossos Deputados Federais e Senadores. Converse com o Deputado ou Senador de sua cidade ou região. Ou então mande um e-mail, pedindo o seu apoio para a aprovação do mesmo. Um tratado Internacional não admite emendas. Ou se aprova ou se o rejeita integralmente. Não há meio termo. (Continua)
Conversando com o povo de Deus (437) Acordo do Brasil com a Santa Sé (3)
“Continuemos com o resumo iniciado na semana passada. O ensino da religião católica, previsto no Acordo, nas escolas públicas de ensino fundamental se concilia com a laicidade do Estado Brasileiro como também com a Constituição. Esta no art. 210 determina: O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental. É inegável que o ensino religioso não deve ser de uma religião genérica, que não existe. Cada fiel tem o direito de receber, se quiser, a educação religiosa conforme a sua fé. Por isso, no Acordo, foi mencionado expressamente, além do ensino religioso católico, também o de outras confissões religiosas. Isto já acontece no Rio de Janeiro, cuja lei foi confirmada como constitucional pelo Tribunal de Justiça do Estado. Esta lei é democrática e leiga, porque só será ministrada aos que o requeiram. (este artigo é o que causa mais polêmica. Os críticos são na maioria evangélicos, mas há também católicos leigos e padres. Mas me parece sem razão).
O reconhecimento dos efeitos civis do casamento religioso já está no Código Civil. Acrescentou-se a homologação das sentenças eclesiásticas em matéria matrimonial. O processo de homologação de sentenças estrangeiras é pacificamente reconhecido pelo Brasil.
O não reconhecimento do vínculo empregatício trabalhista entre os padres e as Dioceses não fere a legislação trabalhista brasileira? Não, porque já está clara e unanimemente definido pelo magistério da doutrina jurídica e pela jurisprudência trabalhista, solidamente amparada nos preceitos da Constituição. Isso vale também para pastores, rabinos e outros. Exceção a este artigo é o desvirtuamento religioso, isto é quando se trata de instituições, segundo juízo provado, que se dedicam a explorar o sentimento religioso do povo com fins lucrativos. O artigo trata também do voluntariado exercido na Igreja. Este artigo me parece muito importante para a vida prática da Igreja.
O Acordo garante à Igreja a imunidade tributária e atribui os mesmos tratamentos das entidades filantrópicas. Isto não fere o princípio de igualdade de todos perante a lei? Não, porque os termos do Acordo são os mesmos reconhecidos pela Carta Magna do Brasil. O STF, em 18/12/2002, estende na sua interpretação, a imunidade dos prédios destinados ao culto também ao patrimônio, à renda e aos serviços relacionados com as suas finalidades essenciais, que são atividades de caráter caritativo e social. O que vale também para qualquer culto religioso, não só católico.
O art. 14 do acordo prevê na previsão relativa ao planejamento urbanístico o incluir de espaços a fins religiosos. Isto não é contra a Constituição que estabelece a autonomia dos municípios de matéria de planejamento urbanístico, porque o artigo não comporta nenhuma imposição, mas somente um empenho da União. Além disso, o Estatuto das Cidades confirma a competência da União de legislar sobre normas gerais de direito urbanístico.
Os art. 7º e 8º garantem proteção dos lugares de culto e liturgias da Igreja Católica e o direito de dar assistência religiosa nos estabelecimentos de saúde, prisionais e similares. Quais são os fundamentos jurídicos? Estes artigos são contemplados pela Constituição no art. 5. Estas normas são válidas para todas as confissões religiosas.
Este Acordo entrará em vigor depois de aprovado pelo Senado Federal e Câmara dos Deputados. Oxalá que isso aconteça quanto antes para um relacionamento seguro e claro, pacífico e proveitoso entre o Estado brasileiro e a Igreja Católica, para o bem de todo o povo brasileiro, sem prejudicar a ninguém”. Reedição do Conversando (412), publicado no JP no de 06 e 07/12/2008.
Que nossa Senhora Aparecida do Brasil ilumine e abençoe os nossos Deputados Federais e Senadores. Amém.
Conversando com o povo de Deus (438) Peregrinando (1)
O homem é um ser peregrino. Caminhante. Quem de nós vive ainda na mesma casa em que nasceu? No mesmo local? Ainda que assim seja, a gente sente necessidade de peregrinar, de viajar. Assim o Pe. Edson sonhou um dia de fazer uma viagem à Roma e à Terra Santa. Mais começou a sonhar com ele. E no dia 18 de maio esse sonho se tornou realidade. De madrugada saiu da Igreja S. José, Cachoeira um ônibus com 29 peregrinos cachoeirenses, que em POA se tornariam 33. O Pe. pensou em tudo. Poderíamos ser assaltados. E lá se iriam os nossos dólares! Por isso, conseguiu que o nosso ônibus fosse escoltado por agentes da segurança. Ele mesmo comprou os seus dólares só no aeroporto! O seguro morreu de velho!
A nossa guia, tours líder, Rosemeire da UNITUR nos estava esperando em POA para nos levar e trazer de volta. Isso nos deu segurança. De POA a S. Paulo tudo ok, tudo dentro do horário. Algumas pessoas, dentre eles o eclesiástico, nunca tinham viajado de avião. Haviam passado por dias de preocupação. Problemas de estômago, etc. Ainda bem que o avião da Air France caiu só em 31/O5. Mas aos poucos viram que não havia motivos para maiores preocupações.
De S. Paulo a Roma, 11 horas de vôo. Mas saímos com 3 horas de atraso. A tripulação estava um tanto “estressada”. Uma viagem é sempre uma aventura. Quem não tem espírito de aventura que não viaje. O principal é chegar seguro ao fim da viagem e não o tempo que se precisa.
Em Roma nos estava esperando o guia italiano com o ônibus. “Estamos em Roma”. Que impacto. A Roma dos Césares. A Roma do Papa. A Roma eterna. E eu revendo a cidade onde morara 4 anos e depois mais 6. Fomos, por acaso do atraso, diretamente para visitar o imponente Coliseu, de 50 metros de altura, o maior estádio esportivo do império romano, onde lutavam os gladiadores na presença do imperador, onde cristãos foram lançados às feras. Aqui todos os anos na 6ªfª Santa, o Papa participa da Via Sacra. De um lado fica o arco de triunfo de Constantino Magno e um pouco adiante o de Tito e Fórum Romano. Do outro lado, na colina, fica o palácio de Nero, o grande inimigo dos cristãos, que deu a culpa a eles de terem incendiado Roma.
Algumas observações: o cansaço nosso depois de 11 horas da viagem. O grande número de vendedores ambulantes ao redor do Coliseu, de diversas nacionalidades e principalmente de Bangladesch. Quando chega a policia eles desaparecem num abrir e fechar de olhos. Até real eles estavam aceitando. Uns até algumas palavras em português sabem dizer. Depois, queríamos almoçar. Queríamos, digo. Na hora do controle faltava um casal. Tinha se perdido do grupo. E agora? Entre rezas e procuras, com alguma angústia tudo foi resolvido. “No céu há maior alegria por um só pecador convertido do que por 99 que não precisam de conversão”, disse Jesus. Enfim, tiramos a barriga da miséria almoçando a la italiana. E fomos para o Hotel Pinetta perto do Hospital Gemelli, que atendeu o Papa João Paulo II na sua enfermidade. Lá, enfim, conseguimos tirar as nossas malas do ônibus. Receber o número do quarto, tomar um banho e descansar um pouco até o jantar. Ninguém é de ferro!
Este foi o primeiro dia de nosso turismo religioso em Roma. E todos viram quer foi muito bom, não obstante alguns percalços. O lema de nossa peregrinação foi: “Com Maria, discípulos e missionários de Jesus”. (Continua).
Conversando com o povo (439) Peregrinando (2)
“Bispo, você vai continuar a falar sobre a nossa viagem?”, perguntou alguém, no 1º encontro dos peregrinos, anteontem à noite na casa de retiros. “Vai”, respondi eu. A sua pergunta foi para mim um sinal de que eu não deveria interromper a série. De fato, eu estava com vontade de conversar sobre “Mudanças Climáticas e Justiça Social”, tema do simpósio internacional realizado de 08 a 10 desta semana, em Brasília, do qual participei como convidado.
Dia 20 de maio de 2009, data histórica. Às 9h30min, um grupo de cachoeirenses, já estava na Praça S. Pedro, esperando ver o Papa, pelas 11h... Sim, era preciso assegurar um lugar privilegiado para vê-lo, fotografá-lo e filmá-lo. Mas esperar tanto tempo no sol, por que tanto sacrifício? Quando se trata de realizar um grande desejo, tudo se torna um peso leve e um jugo suave. O tempo passou rápido com números folclóricos apresentados por grupos de diversos países. Eram ensaios na realidade para apresentar para o Papa. Gente vestida com as vestimentas típicas de sua terra. A gente pensou, porque não viemos pilchados? Fica para a próxima vez! Quando apareceu o Papa desfilando em carro aberto foi aquela explosão. O povo ovacionando. As pessoas gritando: “Viva o Papa”. Se acotovelando, cada um procurando o melhor lugar. A nervosia fez com que alguns de nós acabassem filmando só os pneus do carro do Papa. Outros ficaram na hora sem bateria para filmar. Uma confusão. Diversos dos nossos diziam: “Mas o importante é que passou perto de mim. Quase o pude tocar. Ele sorriu para mim e abanou”. Para nós ele é o representante máximo de Jesus Cristo aqui na terra. O sucessor de S. Pedro. O chefe da Igreja Católica. A maior Igreja cristã. Eu me imaginava num campo de futebol. No meio da torcida vibrante. Eu como bispo, pude ficar atrás do Papa com outros bispos a poucos metros de distância. Muitas vezes as pessoas perguntam: “Você gosta de ser bispo?” Nestas ocasiões de maneira especial! O Papa desceu do carro aberto e assentou-se e falou, em italiano, para todos. Foi aquele silêncio. Ele nos contou a sua viagem de paz à Jordânia e Israel. E concluiu: “Na Terra Santa é possível sair do espiral da violência”. A viagem papal foi vista de maneira positiva tanto da parte de Israel como dos árabes. Depois o Papa resumiu a sua fala em inglês, francês, alemão, espanhol, polaco e outras línguas. O secretário apresentou ao Papa os peregrinos do Brasil, citando nominalmente só “os peregrinos de Cachoeira do Sul, guiados por seu bispo Dom Irineu”. Depois de terminado tive a possibilidade de apertar a mão do Papa e pedir uma bênção especial para a minha diocese. Uma bela foto marca este instante histórico.
Após fomos recebidos, franciscanamente, por Dom Cláudio Hummes, um gaúcho que foi candidato a Papa, numa ampla sala, onde falou sobre a sua missão de ajudar o Papa através da Congregação do Clero. Fez questão também de ouvir os leigos. Ele estava com o seu Secretário pessoal Pe. Manoel, que foi o orientador da tese de mestrado do Pe. Edson na PUC em POA. Estava conosco também o cachoeirense Ir. Cléo Gofas, seminarista dos Legionários de Cristo, que em Roma está terminando a filosofia. Todos nós achamos o encontro o máximo.
De tarde visitamos Fontana di Trevi (A fonte da sorte), Panteón (O templo de todos os deuses), Piazza Navona (Lá fica a embaixada brasileira), onde nós se demos conta que tínhamos perdido uma ovelha do grupo. De novo! A guia e a Irmã religiosa ficaram para achar a ovelha perdida. Quem procura acha. Acharam. Os outros foram visitar a casa dos Palotinos, onde fica o corpo do fundador, S. Vicente Palotti. Este foi o segundo dia de nossa peregrinação. (Continua)
Conversando com o povo de Deus (440) Peregrinando (3)
Dormi mal. Quem já não dormiu mal? Mas depois veio a recompensa. Recebi dois beijos porque tinha conseguido a visita, fora de programa, no dia anterior, à Igreja de S. Vicente Palotti. Reparti com o Pe. Edson, que se empenhou muito também para que isso acontecesse.
Ah, sim! Me esqueci também de contar que, ontem, dia 20/05, visitamos a Basílica de S. Paulo fora dos Muros. Lá repousam os restos mortais do grande apóstolo, o maior dos missionários, aquele que abriu o mundo grego-romano pra o cristianismo, aquele que escreveu as chamadas epístolas paulinas. Foi tocante poder rezar de mãos dadas diante da sua sepultura. Aqui na Basílica temos também os medalhões dos 265 Papas da história. Papa Bento XVI também já está lá.
Iniciamos o dia 21 com o novo motorista Roberto. A missa foi na catacumba de S. Calisto, na capela de Santa Cecília. Comovente. O passado não fala, clama. Calisto foi um escravo, que se tornou diácono, presbítero e depois Papa. Eu sempre pensava que os cemitérios em todo mundo fossem ao ar livre. Não, em Roma nós temos quilômetros e quilômetros de cemitérios subterrâneos: catacumbas. Roma se presta a isso por causa de sua terra vulcânica. São galerias subterrâneas, que chegam 20 metros de profundidade, em cujas paredes se faziam as tumbas. Às vezes, serviu também de refúgio para os cristãos perseguidos. As catacumbas são o lugar de sepultura dos cristãos. Se tornaram o santuário dos mártires, onde eles eram venerados. Na catacumba de S. Calisto estão sepultados 56 mártires e 18 santos dos quais conhecemos o nome, entres estes 16 Papas e vários bispos. As relíquias dos mesmos, durante a idade média foram levadas pelos Papas para a cidade. “O sangue dos mártires é semente de novos cristãos”. E o cristianismo conquistou o império romano.
De lá fomos a Santa Maria Maggiore (Maior), a primeira igreja do mundo que foi dedicada a N. Sra. Ela apareceu ao Papa, pedindo que lhe fizesse uma Igreja e ela iria indicar o local. O sinal foi: em pleno verão europeu, em agosto, caiu neve no local. E o Papa mandou construir a Igreja aí. Ela é uma das 04 Basílicas Papais de Roma, S. Pedro, S. Paulo, e S. João do Latrão. Lá a tradição mostra o Sagrado Presépio de Jesus. Lindíssima.
Depois visitamos a Basílica de S. João do Latrão. Os Papas moraram aqui de Constantino Magno depois de 313 a 1500 e pouco, quando foram para o Vaticano. Esta Igreja é considerada a Igreja mãe de todas as Igrejas do mundo. Aqui se celebraram diversos concílios ecumênicos. Aqui S. Francisco e os seus companheiros foram ao Papa Inocência eu, pedindo a aprovação de sua regra de vida. Aqui do lado, o Pe. Hélvio fez o seu curso de Direito canônico. A uma quadra daqui morei quatro anos. Aqui do lado fica o local da Escada Santa trazida de Jerusalém. Aqui...
De tarde visitamos a Basílica S. Pedro. A maior basílica do mundo. Fantástica. Maravilhosa. La Pietá. A cúpula. A obra monumental de Miguel Ângelo. O que não foi capaz de produzir o gênio humano! Depois vão dizer que o ser humano é apenas matéria. Que com a morte termina tudo. Aqui jazem os restos de S. Pedro, a quem Cristo disse: “Tu és Pedro e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. A quem foi dito: “Pedro tu me amas mais do que estes? Tu sabes que te amo. Então, apascenta os meus cordeiros”. “Pedro, eis que Satanás te quis moer como trigo... Tu uma vez confirmado, confirma os teus irmãos na fé”. Na cripta visitamos os túmulos dos Papas entre eles o saudoso Papa João Paulo II. “Santo súbito”, pedia o povo no dia de seu sepultamento. Este foi o terceiro e o último dia em Roma. E todos acharam que foi o máximo. No outro dia seguimos para TEl-Aviv.
Conversando com o povo de Deus (441) Peregrinando (4)
Estamos finalmente na Terra Santa. A viagem de Roma a Tel-Aviv durou três horas e dez minutos. As malas todas chegaram. Que bom. Todos passaram bem pela alfândega, só o mais jovem por ser menor... de 50 anos foi detido e interrogado. Como estava de vermelho, a turma pegou o pé dele, dizendo que era por causa da camiseta! Adivinha quem foi o tal do menor!
Por causa do atraso na saída de Roma, por causa dos problemas com o Pe. Edson na alfândega, o programa previsto da tarde ficou para o outro dia. Seguimos de ônibus com o motorista Owade e a nossa guia judia, Siva, até o nosso hotel Astória em Tiberíades, cidade construída em honra do imperador Tibério, junto do lago de Tiberíades, chamado também de mar da Galiléia e de Genesaré. Mar para o povo porque tem 21km de comprimento por 11 de largura com 45 metros de profundidade. Fica a 210m abaixo do nível do mar. Dia 22/05, 6ª.fª, estávamos finalmente na Terra de Jesus de Nazaré. E este foi o 4º dia de nossa viagem.
Dia 23, iniciamos a nossa visita ao Monte Tabor. Primeiro uma parada pra apreciá-lo de longe. Belo. Majestoso. Depois ao chegarmos ao sopé do Monte tivemos que subir de vã. Por quê? Sempre foi assim! Lá Jesus se transfigurou diante de Pedro, João e Tiago, mostrando toda a sua glória. O NT fala de uma alta montanha e do monte santo. Os cristãos durante a história construíram aqui uma Igreja, primeiro no tempo bizantino. Destruído em 614 pelos persas, foi reconstruído pelos cruzados entre 1099 a 1292. Destruído pelos muçulmanos ela foi reconstruída pelos franciscanos em 1924, que são os principais zeladores dos Lugares Santos.
De lá seguimos para Nazaré, lá Jesus viveu a maior parte de sua vida. A missa foi lá na Igreja S. José construída sobre a casa e a carpintaria, onde Jesus viveu, exerceu a profissão de marceneiro com o seu pai adotivo. Que emoção. Pe. Edson pregou e chorou. As lágrimas foram mais eloqüentes que as suas palavras. Depois visitamos a cripta, onde fica um pequeno poço da antiga Igreja, no qual os catecúmenos eram batizados por imersão. Almoçamos na “Fontana di Maria”, perto dali Maria buscava a água para a cozinha! E depois a visita á maravilhosa Basílica da Anunciação. Aqui Maria escutou a saudação do anjo: “Ave Maria cheia de graça. O Senhor é convosco... Sereis mãe do Filho do Altíssimo... Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a vossa palavra”. Aqui Deus Filho se fez homem. Aqui foi início de nossa redenção. Deus quis depender do sim de uma mulher. Assim Deus nos amou.
A última etapa foi Haifa, porto marítimo, a 69 km de Tiberíades,onde visitamos o Monte Carmelo, que nos fala fortemente do profeta Elias, o profeta do Deus único, que venceu a aposta de fogo com os 400 sacerdotes de Baal. Veja 1Reis 18,ss. Aqui surgiu a Ordem dos Carmelitas, que espalharam pelo mundo a devoção do escapulário de N. Sra. do Carmo. Todos nós levamos muitos escapulários para a família e amigos. O carmelita caçapavano D. Antônio Cheuche passa meses aqui em estudo, oração e meditação. Aqui também se encontra o famoso Templo e Mausoléu de Bahai com os seus jardins subindo o monte. Fantástico. Tão paradisíaco que até me esqueci do tombo que eu levei em fevereiro do ano 2.000, ao sair do Hotel na escada para o mar! Voltamos alegres e espiritualizados para o nosso hotel. Este foi o quinto dia.
Associo-me a todos aqueles que estão prestando uma merecida homenagem ao JP pelos seus 80 anos de existência. Diz o Salmo 89,10 que os homens mais fortes chegam aos 80. Data de agradecimento e de grandes sonhos. Que Deus abençoe e proteja a todos: Direção, Funcionários e Leitores.
Conversando com o povo de Deus (442) Peregrinando (5)
Dia 24/05, domingo, visitamos o Monte das Bem-aventuranças, que começa à beira do lago de
Tiberíades (de Genesaré ou da Galiléia) e sobe até 200 metros. Lá no alto se construiu o Santuário das Bem-aventuranças, não porque aqui Jesus pronunciou o Sermão da Montanha, foi mais perto do lago, mas porque é o lugar mais bonito. Tem se uma vista fantástica do lago-mar. Lá celebramos a missa debaixo de uma árvore. Outros locais estavam ocupados por outros peregrinos, como o próprio Santuário. “Vendo as multidões, Jesus subiu a montanha e sentou-se. Os discípulos se aproximaram e ele começou a ensinar: “Bem-aventurados (Felizes) os pobres no espírito, os que choram, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os pacíficos” (Mt 5, 1ss). Tocante.
Depois descemos até a Igreja do Primado junto do lago. Aqui Jesus assou peixes para os apóstolos, após a pesca milagrosa. Na Igrejinha há uma pedra que lembra isso. A mensa Christi (A mesa de Cristo). Aqui Pedro recebeu de Jesus o primado, que lhe tinha sido prometido em Cesaréia de Felipe: ”Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. Aqui Jesus diz a Pedro: “Apascenta os meus cordeiros” por 03 vezes (Jo 21,1-17). Aqui estiveram os Papas Paulo VI em 1964 e JP II, em 24/05/2005. Exatamente há 04 anos atrás. Ao lado há um conventinho franciscano, onde em 1992, fiz um retiro individual de 03 dias.
De lá seguimos 2,5km até Cafarnaum(a 16km de Tiberíades). Cidade que ficava no caminho do mar, de lá se vai para Damasco. Cidade onde se cobravam impostos. Cidade estratégica que Jesus escolheu como centro missionário. Aqui S. Pedro tinha a sua casa, na qual Jesus se hospedava. Sobre ela foi construída uma igreja bizantina octogonal e hoje temos sobre as ruínas da mesma o Memorial de S. Pedro. Além disso, temos as ruínas de uma majestosa sinagoga construída sobre a aquela do tempo de Jesus. Aqui em Cafarnaum aconteceram tantas coisas: a cura da sogra de Pedro, do paralítico descido pelo telhado e o perdão de seus pecados, muitas outras curas como a da hemorroíssa e a ressurreição da filha de Jairo, o discurso sobre o pão da vida. ”Eu sou o pão da vida”. Aqui se encontram restos de moinhos para moer os grãos e de fazer azeite, o candelabro de sete braços, etc. Destaco ainda que é a cidade não só de Pedro, mas também de André, e Mateus, o cobrador de impostos. O almoço foi em Tabga, onde experimentamos o peixe de S. Pedro, que me lembrou de tanta coisa. Lindo ver da mesa, comendo, os peixes enormes vindo pedir restos de comida.
De lá fomos para o local da multiplicação dos pães. A Igreja contém mosaicos bizantinos no pavimento, lindíssimos e de um valor histórico incalculável. Aqui Jesus deu de comer com cinco pães e dois peixes a uma multidão de cinco mil pessoas sem contar mulheres e crianças. Milagre que prepara o discurso sobre o pão da vida. Lugar importantíssimo para a nossa fé eucarística.
Depois de 5km de viagem chegamos na saída do rio Jordão do lago de Tiberíades, onde recordamos o batismo de Jesus e o nosso. Todos tiramos os sapatos, arregaçamos as calças e entramos na água. Todos foram batizados com o batismo de recordação. (Pe. Edson), “que esta água derramada sobre a tua cabeça recorde o teu batismo recebido como criança e te lembre do compromisso de testemunhar Jesus Cristo”. Todos levaram uma garrafinha de água como recordação. Observação, Jesus não foi batizado aqui mesmo, mas entre Jericó e o Mar Morto, mas lá é zona militar. Este foi o sexto dia.
Conversando com o povo de Deus (443) Peregrinando (6)
Dia 25/05, 2ª, despedimo-nos do Hotel Aurora, junto do lago de Tiberíades e iniciamos a nossa viagem a Jerusalém. Atravessamos o lago de barco em 40 minutos. Relembrando, 46 vezes os Evangelhos nos falam de mar e só 5 vezes em lago. Ele tem 21 km por 11 km, com a profundidade de 45 metros. Durante a travessia foi celebrada a missa. Uma missa diferente. Já que o bispo tinha consumido o vinho de missa, por engano, a missa foi celebrada como Jesus a celebrou. O vinho tinha sido comprado em Caná da Galiléia, onde Jesus transformou a água em vinho, e pão de mesa. Uma missa comovente. Imagina você em cima do lago, lembrando-se da tempestade no mar(Lc 8,22), das pescas milagrosas, de Pedro andando sobre as águas. Neste lago, junto dele aconteceram tantas coisas importantes para a nossa fé. Muitos choraram de emoção.
Saímos do barco e entramos no shopping judeu. Afinal, a gente também tem que comprar umas recordações para familiares e amigos. Lá nos estava esperando o ônibus. A organização é uma beleza, tudo funciona maravilhosamente bem. A próxima etapa foi Jericó a 104 km. Seguimos ao longo do Rio Jordão, que nasce ao sopé do monte Hermon, lança-se no Lago de Tiberíades e sai pra correr até o Mar Morto. Ele faz a divisa entre Israel e a Jordânia. Do lado esquerdo da estrada asfaltada fica o rio, mas a gente não pode se aproximar porque é zona militar. Jericó pertence aos palestinos, por isso, a nossa guia nos deixou antes de entrarmos na cidade. Lá visitamos a “árvore de Zaqueu”, nela ele subiu para ver Jesus que passava, que se auto-convidou dizendo: “Hoje devo ficar em sua casa”(Lc 19). Quem de nós não gostaria de receber a visita de Jesus? Mas muitos têm medo, porque a sua visita muda a nossa vida, e a gente não quer mudar. Ninguém comprou nada dos palestinos. Hum. Tínhamos sido avisados que haveria muitos meninos e que não se estava seguro, mas nada disso aconteceu. De lá seguimos para o sopé do Monte das Tentações, onde Jesus jejuou durante 40 dias, depois foi tentado pelo demônio(Lc 4-13). Jesus venceu as tentações do prazer, do poder e do ter. Com Jesus, querendo também nós podemos vencer. Aqui, alguns comovidos com os palestinos, os pobres de Javé, compraram algumas lembranças. Jericó é lembrada 6 vezes no NT. Aqui Jesus curou também dois cegos, curou o cego Bartimeu. Jesus indo de Nazaré a Jerusalém e vice-versa passava por Jericó. Aqui ficam as ruínas das velhas muralhas de Jericó. O almoço foi no restaurante Naim, onde encontramos um palestino gremista, que viveu muitos anos em Canoas. Tomamos um vinho de Belém.
De lá fomos para Jerusalém. A primeira parada foi no Monte Korpus, de onde se tem uma vista maravilhosa da Cidade Santa. Santa para 3 religiões. Lá rezamos pela paz entre judeus e palestinos e fizemos um brinde à paz. E seguimos 6 km até Ain Karen, onde ficava a casa de Zacarias e Isabel, onde nasceu João Batista. No muro do pátio encontra-se o cântico do Benedictus de Zacarias, proferido por ele após o nascimento de seu filho (Lc 1,68). Lá encontramos dois freis: Paulo e Vagner, franciscanos do RS, que estudam teologia em Jerusalém. Descemos a pé até a Fonte da Virgem, aonde Maria grávida, durante 3 meses, veio buscar água para Isabel. Por falta de tempo, segundo a guia, e por causa da subida forte, deixamos de visitar a Igreja da Visitação, onde no muro do pátio está escrito em diversas línguas o Magnificat: “O Senhor fez em mim maravilhas (...” Lc 1,46-56). Por que dois lugares de veneração? Para distinguir bem a visitação de Maria, do nascimento de S. João Batista. De noite visitamos algo da cidade de Jerusalém: o Parlamento, o Bairro Judeu, Porta Jafa, o Muro das Lamentações. Assim terminamos o sétimo dia, indo descansar no Caesare Hotel.
Conversando com o povo de Deus (444) Peregrinando (7)
Iniciamos o dia 26/05, 3ª, às 8.30m com a missa na Betânia, na casa de Lázaro, Marta e Maria, cuidado pelos franciscanos. Eles são os grandes benfeitores da Terra Santa. Foram eles que compraram os terrenos, que edificaram as Igrejas e mantém os lugares santos em ótimas condições como também tem escolas e obras de misericórdia. Muitas vezes a guia judia Ziva os elogiava por sua obra benemérita. Bem, aqui Jesus se hospedou com os seus discípulos nas vindas a Jerusalém. Era uma família amiga. Jesus cultivava as amizades. Lázaro e suas irmãs eram seus amigos. Aqui Jesus disse a Marta: “Marta tu te preocupas com muitas coisas, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte”. Jesus fala contra o ativismo exagerado. Aqui em Betânia, na casa de Simão o leproso, no banquete, uma mulher derramou um frasco de alabastro cheio de perfume, de muito valor, sobre cabeça de Jesus (Mt 26,6). Aqui Jesus disse a Lázaro no sepulcro: “Lázaro sai para fora”. Jesus é a ressurreição e a vida. “E muitos creram nele” (Jo 11,11). A missa celebrada foi a da Amizade, presidida pelo Pe. Edson. “Não vos chamo mais servos mas amigos”, disse Jesus. O nosso grupo estava se tornando cada vez amigo!
Massada fica a 396m acima do Mar Morto. Construído por Alexandre Janeio, mas totalmente reconstruído por Herodes o Grande, que fez do pico quase inacessível um refúgio fortificado. Muralhas com torres de vigia. Para a provisão construiu cisternas com 40 mil metros cúbicos de água. Água provinda da chuva e também se necessário fosse, carregada no lombo dos burrinhos ou a mão mesmo. Tinha dois palácios com uma vista fantástica. A fortaleza, como fortaleza somente foi usada depois da destruição de Jerusalém (70 d.C.) pelos zelotas fugidos de Jerusalém. Resistiram durante 3 anos ao exército romano de 100 mil soldados. Por fim, quando os romanos entraram em Massada, encontram 960 cadáveres e só uma mulher viva com cinco crianças, os demais se tinham suicidado. Israel soube fazer de Massada um símbolo do heroísmo para o Israel moderno. Aqui fazem o juramento à bandeira. “Massada nunca mais”. Aqui muitos realizam a cerimônia pela qual o judeu é declarado adulto com 13anos. É a confirmação ou crisma deles. A nossa turma, nem todos tiveram coragem de subir pela Estrada da Serpente, outros nem pelo teleférico, outros tremeram, mas foram. Jesus nunca esteve aqui, mas faz parte da história de seu povo. Valeu.
Qumran é um lugar deserto. Aqui viveram os essênios. Aqui se descobriu os assim ditos Documentos do Mar Morto. Os essênios com a invasão romana tinham escondido os escritos do AT e outros, em vasos de cerâmica, colocados em grutas. Um dia um beduíno cuidando de suas cabras atirou uma pedra para dentro de uma gruta e ele ouviu o estampido de algo que se quebrou. Foi ver e encontrou os rolos, que foi a descoberta do século! Livros do AT escritos antes de Cristo. Que mostram que os textos que temos hoje são fiéis ao original. Aqui também almoçamos
O ultimo programa da tarde foi o banho no mar Morto. Morto porque não tem vida, não tem peixe. Fica a 400m abaixo do nível do mar. É o lugar mais baixo do mundo. Tem 76 km de extensão por 16 km de largura e com 430m de profundidade. Tem 30% de salinidade, por isso, a gente não afunda, e a água levanta tanto a gente que se deve cuidar para não capotar. Com esses cuidados dá para ler jornal, tomar uma cervejinha, comer um chocolate. A água na boca faz a gente cuspí-la, e se entrar na vista arde muito, mas é recomendável para certas doenças, de pele por exemplo. Basta olhar a paisagem com as estátuas de sal para compreender a história da mulher de Lot (19,26). Assim terminou o oitavo dia e foi muito bom.
Conversando com o povo de Deus(445) Peregrinando (8)
Em Jerusalém morei 8 meses. Como é bom reviver!Dia 27/05, às 9h, iniciamos a nossa Via Sacra, que começa na antiga Torre Antônia, onde Jesus foi condenado por Pilatos, a pedido dos judeus, é hoje escola muçulmana e ela vai sinuosamente pela Via Dolorosa até o Santo Sepulcro. Os nossos peregrinos foram desafiados pela falta de ambiente de oração na rua, no meio de negócios, lojas, gente caminhando, até carros passando. Depois encontramos a equipe da TV Globo filmando a novela: “Viver a vida”. Alguns aproveitaram para pousar ao lado do artista! Na escada ao lado, antes de entrar na Basílica, foi tirada uma foto do nosso grupo. Depois continuamos a Via Sacra entrando na Basílica e depois de subir uma escada de 4,5m estávamos no Calvário, onde rememorados as estações: Jesus é despojado de suas vestes, Jesus é crucificado e Jesus morre na cruz. Lá o mais comovente é poder tocar debaixo do altar, através de uma placa de prata a rocha do Calvário, onde estava fixada a cruz. Através de um vidro se pode ver também a rocha fendida pelo terremoto. Depois se desce e se vê o local onde o corpo de Jesus foi preparado para a sepultura por José de Aritmatéia e Nicodemos. Fomos celebrar a missa numa capela vizinha dos franciscanos. Só nós. Portas fechadas. Silêncio total. Foram momentos de emoção muito fortes, que nos fizeram esquecer as distrações da Via Sacra. Depois entramos na fila para visitar o Santo Sepulcro, em grupos de cinco. Aqui Jesus foi sepultado. Aqui ele ressuscitou. Este é o local mais importante de nossa fé cristã. “Se Jesus não ressuscitou vã é a nossa fé. Somos então os mais miseráveis dos homens”, escreve S. Paulo (1Cor15,17). Ele ressuscitou, proclamam os anjos, o testemunham as santas mulheres e os apóstolos. O testemunham S. Paulo, e mais de quinhentos irmãos estando juntos. O testemunharam bilhões de pessoas durante esses dois mil anos. Nisso acreditam ainda hoje mais de um bilhão de cristãos. Cinco comunidades cristãs repartem a propriedade do Santo Sepulcro, porque crêem. Eles são capazes de brigar entre si para manter a sua participação. Por nada não se briga. Almoçamos num restaurante palestino cristão, simples com um tratamento muito bom. Estávamos com gente nossa!
De tarde visitamos a gruta, onde Jesus ensinou aos seus discípulos o Pai-Nosso(Mt 7,9). Este se encontra escrito em muitas línguas na parede do mosteiro, que lá foi construído. O nosso está num português com uma ortografia que hoje não se usa mais. Pena que não o fotografei.
Depois de descer a pé ao longo do cemitério judeu chegamos a Dominus Flevit, onde Jesus vendo a maravilhosa Cidade Santa de Jerusalém chorou sobre ela: “Eis que eu quis reunir-te como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo das asas, mas tu não quiseste”. “Não ficará pedra sobre pedra”(Lc 19,41).
De lá seguimos a pé até a Basílica do Getsêmani (da Agonia ou de Todas as Nações), passando pelo Jardim das Oliveiras milenares. Quem sabe, talvez alguma do tempo de Jesus! Aqui na Basílica vê-se no teto um mosaico com o escudo do Brasil, e na frente do altar vemos uma rocha, sobre a qual Jesus suou sangue: “Pai, afasta de mim este cálice (do sofrimento), mas não se faça a minha vontade, mas sim a tua (Mt 26,39). Aqui também Judas traiu Jesus com um beijo. È uma igreja com pouca iluminação. Mística. Gostosa para rezar. Não visitamos nas cercanias a Basílica da Assunção. Há duas tradições. Uma que Maria morreu em Éfeso e outra que foi aqui em Jerusalém. Este foi o nono dia de nossa peregrinação. E foi muito bom!
Conversando com o povo de Deus (446) Peregrinando (9)
Dia 28/05, 5ª, começamos com a visita ao Muro das Lamentações, assim chamado porque aqui o judeu vem rezar diante dos restos do muro do Templo de Herodes, lamentando a destruição do mesmo, rezando salmos, colocando os seus pedidos nos buracos do muro, certamente pedindo a vinda do Messias. O primeiro Templo foi construído pelo rei Salomão em 970 a.C. e destruído por Nabucodonosor da Babilônia em 587 e reconstruído em 520. Foi saqueado pelo sírio Antíoco IV em 170, que instala em 167 no local o culto de Júpiter. Os Macabeus, em 164, reconquistam Jerusalém e purificam o Templo. Em 20 a.C. Herodes o Grande começa a reconstrução do mesmo, que demorou cerca de 90 anos e empregou no início 20 mil operários. Este é o Templo que Jesus conheceu e que é destruído pelo General Tito em 70 d.C. O imperador Adriano, em 134, termina por arrasá-lo. Jesus tinha profetizado: “Não ficará pedra sobre pedra”. Os cristãos tinham se refugiado na cidade vizinha de Pela conhecedores da profecia de Jesus (Mt 24,1-3). O imperador a reconstruiu como cidade romana e a chamou de Aelia Capitolina. Os judeus foram proibidos de morar na cidade, devendo ficar afastados dela ao menos 8 km. Os cristãos nunca construíram qualquer igreja neste local porque o Templo tinha sido rejeitado por Jesus por causa de sua infidelidade. Em 638 os muçulmanos invadiram Jerusalém e eles construíram duas Mesquitas: de Omar (da Rocha) e a El Aqsa, que no momento não se podem visitar. Os judeus costumam rezar homens separados das mulheres. Os homens com a cabeça coberta, chapéu preto ou com o quipá, além do manto branco com listras azuis (Talit) e as filactérias (Tefelin). Rezam com caixinhas presas no braço esquerdo e na fronte com tiras de couro contendo textos bíblicos. As mulheres cobrem-se com o véu. Aqui esteve o Papa Bento XVI há poucos dias atrás. Aliás, a visita do Papa foi comentada muito positivamente pelas pessoas com as quais a gente conversou.
Seguimos para visitar o Cenáculo, onde Jesus instituiu a Eucaristia (Tomai e comei isto é o meu corpo. Tomai e bebei isto é meu sangue), o sacerdócio (Fazei isto em memória de mim), e proclamou o grande mandamento do amor (amai-vos uns aos outros assim como eu vos amei). Aqui Jesus lavou os pés dos discípulos. Aqui Jesus apareceu aos apóstolos e lhes deu o poder de perdoar os pecados. Aqui aconteceu a descida do Espírito Santo (Pentecostes). Aqui começou a Igreja, presidida sucessivamente por três membros da Família de Jesus, que se chamavam não de cristãos, mas de nazarenos. Na parte inferior os judeus veneram a sepultura do rei Davi, erradamente, porque ele foi enterrado no Ofel, a primitiva Sion, cidade de Davi (1Reis 2,10). Os muçulmanos fizeram do Cenáculo uma pequena mesquita. Hoje, aqui na parte superior o máximo que se pode fazer é ler uns textos bíblicos. Ninguém pode realizar aqui o seu culto! Os franciscanos possuidores do local foram expulsos pelos muçulmanos.
Visitamos nesta manhã ainda a Basílica da Dormição de Maria Santíssima. Aqui, segundo uma das tradições, ela viveu e morreu (dormiu). E na Basílica da Assunção, perto do Getsêmani, ela foi enterrada e depois assunta ao céu. Os católicos alemães adquiriram em 1898 o local da Dormição, hoje cuidada por monges beneditinos.
Depois fomos a Gallicantu (canto do galo), de propriedade francesa, onde Jesus ficou preso e S. Pedro negou por três vezes o seu Mestre. “Não o conheço”. “Antes que o galo cante tu me terás me negado três vezes” (Lc 22,61). S. Pedro saindo chorou amargamente a sua traição. O que comoveu a muitos foi quando a guia Ziva disse: “Sobre estas pedras da escadaria que conduz ao vale do Cedron Jesus e seus apóstolos passaram muitas vezes”. De lá fomos a Belém, onde almoçamos num restaurante de cristãos. Esta foi a manhã do décimo dia. E foi muito bom.
Conversando com o povo de Deus (448) Fim da peregrinação (11)
Saímos dia 12 de maio de Cachoeira do Sul e hoje, dia 30, iniciamos a nossa viagem de retorno. Tomamos o último café em Jerusalém e às 10h partimos do Caesare Hotel em direção ao aeroporto. Adeus Jerusalém. Adeus Cidade Santa. Cidade onde se desenvolveram os acontecimentos mais importantes de nossa fé. No Cenáculo, a Última Ceia com a instituição da Eucaristia, do Sacerdócio e do lava-pés, a descida do Espírito Santo com o perdão dos pecados, no Horto das Oliveiras agonia de Jesus, no Gallicantu, onde Pedro negou a Jesus, depois a Via Dolorosa, na Basílica do Santo Sepulcro o Calvário, a sepultura e onde aconteceu a Ressurreição. Cidade das três religiões: judaísmo, cristianismo e islamismo. Cidade de Davi. Cidade de Maomé, onde ele, segundo os muçulmanos, subiu ao céu. Ó Cidade santa. Adeus.
A nossa guia judaica, por intercessão de Rosmeire, que nos acompanhou desde o Brasil, como Tours Leader, foi nos concedido que na ida para o aeroporto parássemos em Emaús (Lugar das águas deliciosas). Esse pedido foi feito especialmente pelos casais do Emáus. E que sorte conseguimos até celebrar a missa, graças à boa vontade de uma Irmã francesa, pertencente à Comunidade das Beatitudes, que guardam este lugar. O objetivo da Comunidade formada por irmãs, e por leigos também, é contribuir à reconciliação mútua entre cristãos e judeus por meio de estudo e da oração. Foi uma missa muito animada. Animada por cantos do Emáus. Vibrante, com muitos gestos e alegria. Foi a missa mais animada da peregrinação. Para quem não sabe, Emáus é um movimento semelhante ao cursilho, mas para jovens coordenados pelos tios e tias cursilhistas. Deu para entender?
O que aconteceu em Emaús? No domingo, dia da ressurreição de Jesus, de tardezinha, dois discípulos, Cléofas e Simeão, caminhavam de Jerusalém para casa, Emaús. Discutiam sobre os últimos acontecimentos: Jesus condenado à morte e executado. Aí um Senhor se aproximou e perguntou a eles sobre o que estavam falando. E eles se admiravam de que ele não soubesse do assunto. Eles disseram que esperavam que Jesus fosse o Messias, mas que até agora nada acontecera de especial. A única coisa tinha sido que umas mulheres do grupo foram ao sepulcro e uns anjos tinham aparecido para lhes dizer que ele estava vivo. Que os apóstolos foram verificar e de fato o sepulcro estava vazio, mas a ele não viram. Aí aquele Senhor lhes explicou que o Messias tinha que passar pelo sofrimento, o que já tinha sido profetizado. Convidaram aquele Senhor para passar a noite na sua casa. Ele aceitou e no abençoar o pão e parti-lo se lhes abriram os olhos. Era Jesus. E ele desapareceu. Imediatamente voltaram para Jerusalém para contá-lo aos onze. E eles disseram: “Ele pareceu também a Simão Pedro”.
Quanto ao local exato há três tradições. Uma na atual Latrun, de que estamos falando, a outra em Abu Gosh, e a terceira em Qubeibe, de propriedade dos franciscanos. Por que estas diferenças? É porque havia mais de uma localidade com este nome e quando chegaram os Cruzados eles não tiveram mais certeza do local exato.
Embarcamos em Tel-Aviv para Roma, às 16h, num vôo de 3 horas de duração. Em Roma para S. Paulo, às 22h, num vôo de 11horas. Em S. Paulo a Porto Alegre, às 7h50, num vôo de 1 hora e 50 minutos. O calendário marcava o dia 30 de abril, sábado. Ás 10h já estávamos, no ônibus especial, partindo para Cachoeira do Sul, aonde chegamos às 13h, com chuva e o abraço dos familiares e pessoas amigas. Com o Pe. Edson almocei numa família amiga sua e agora também minha. Às 15h atirei-me sobre a cama pra um pequeno descanso e acordei à 1h da madrugada. Que viagem! “Foi bom demais”. Obrigado a todos.
Conversando com o povo de Deus (449) A 3ª Romaria da Família (1)
Mês de agosto, mês vocacional para a Igreja Católica no Brasil. Primeiro domingo, o dia do padre. Primeira semana, semana da vocação sacerdotal. Segundo domingo, o dia do Pai, semana da vocação familiar. Iniciamos no Brasil a semana da família, que terminou no 3ºdomingo, na nossa diocese de Cachoeira, com a 3ª Romaria da Família no parque do Santuário. Iniciou às 9h diante da Catedral e depois de 4 km e pouco se chegou ao Pavilhão do Santuário, onde foi celebrada a Santa Missa. Depois do almoço, houve uma palestra sobre “Proteja e Valorize a Família”, pelo Pe. Vitor Hugo. Três Testemunhos de três famílias: o da família de um seminarista, o da família dizimista, o do ex-drogado, que vai ser pai de família, e por fim a “Bênção do Santíssimo” com a bênção das famílias. Quero colocar sinteticamente a minha reflexão sobre a família, feita por ocasião de minha homilia.
“Caríssimos Irmãos (ãs), A família foi instituída por Deus. “Não é bom que o homem esteja só”. Por isso, Deus criou a mulher e depois disse: “Dominai a terra e sujeitai-a. Crescei e multiplicai-vos”. Deus colocou o primeiro casal no Jardim do Éden e disse: Cultivai-o. O casal tinha que trabalhar já antes do pecado. Podia comer de todas as frutas, menos uma. O da ciência do bem e do mal. Deus colocou limites. O dominai sobre a natureza, portanto, tem os seus limites.
Veio a desobediência instigada pelo demônio. O trabalho se tornou pesado. O prazer de gerar filhos se tornou doloroso. Para a mulher, além dos inconvenientes da gravidez temos a dor do parto. O sustentar os filhos se tornou uma tarefa penosa. “É com o suor do teu rosto que ganharás o pão de cada dia”. A terra produz espinhos, os insetos comem a plantação, a chuva em demasia e a seca a castigam. O educar os filhos é um desafio enorme porque são marcados pelo pecado original. Entrou o desequilíbrio. A concupiscência. Eles querem ser felizes, exigindo liberdade e muitas vezes uma liberdade total. Exigem, muitas vezes, uma participação total nos bens dos pais. Pensam que a sua felicidade está no ter, poder e prazer. Mas doutro lado, os filhos perpetuam os pais, através das semelhanças genéticas, do sobrenome, dos netos e bisnetos! Os filhos são as flores do jardim da família. Nela os filhos aprendem a amar a Deus, a igreja, a Pátria, a amar os irmãos, o próximo, a conviver na família e na sociedade. Por isso, o Conc. Vat. II chama a família de: “A Igreja doméstica”, a Igreja do lar. Ela é a célula mater (mãe) da sociedade. Se as famílias vão mal, a sociedade vai mal. Para que a família possa cumprir com a sua missão Deus a instituiu monogâmica, um só homem com uma só mulher, unidos pelo amor para toda a vida. Eis a família ideal. Mas por causa da dureza do coração dos casais Moisés permitiu o divórcio. Mas Jesus di que no início não foi assim. O plano de Deus é outro, por isso, Jesus disse: “O que Deus uniu não separe o homem”. As famílias de 2ª união devem procurar suprir as suas deficiências com amor, carinho e com muita paciência, com a ajuda de Deus e da comunidade, confiantes na infinita misericórdia de Deus. A Igreja tem um carinho todo especial para com estes casais.
A Santíssima Trindade é uma família: Pai, Filho, Espírito Santo. Deus não vive na solidão, mas em comunhão. Criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança, instituindo a família. A família vem de Deus. Ela é indestrutível. Por mais que as forças do mal a queiram destruir não o conseguirão”. (Continua)
Conversando com o povo de Deus (450) A 3ª Romaria da Família (2)
Quero neste momento, citar algumas frases de pessoas ilustres sobre a família. Para o Papa: “A família é insubstituível e não existe sem o matrimônio entre um homem e uma mulher; não deve ser confundida com outras formas de convivência”. O Documento de Aparecida afirma que a “família é o patrimônio da humanidade, por isso deve ser protegida para o bem da humanidade”. Um leigo, o Presidente do México, Felipe Calderón diz que “a família é a primeira mais decisiva fonte onde se transmite os valores humanos, onde se experimenta e ensina os valores para alcançar a paz na sociedade, onde se podem desenvolver as virtudes humanas pra o exercício da justiça e honestidade”. (Jan/2009).
Os grandes desafios da família nos dias de hoje são a fidelidade conjugal, as separações, as uniões livres, o abandono dos filhos, as guerras, o trabalho dos cônjuges, o desemprego, a incapacidade de cuidar dos filhos e um crescente egoísmo, que prefere não “gastar” com filhos por entendê-los como um peso. Os filhos incomodam, por isso, muitos não querem mais filhos, preferem cachorros, gatos. etc.
Retomando, a família vem de Deus, mas foi ferida pelo pecado, por isso, Jesus Cristo a remiu. Ele quis nascer numa família. Viveu durante cerca 30 anos com a família. O seu primeiro milagre foi nas bodas de Caná, onde transformou a água em vinho. Ensina que aqueles que crêem nele e na sua palavra se tornam mãe, e irmão e irmã dele. Declara: “Vós todos sois irmãos”. A Igreja deve formar a grande família de Deus.
Vamos ver como as leituras da festa da Assunção de N. Sra ao céu, podem ajudar as nossas famílias. Maria é mãe de família. Maria é esposa. Ela nos mostra o caminho do céu, o caminho da glória. Ela é a mãe de Deus Filho que se encarnou nela. Por isso, Deus Pai a tornou Imaculada e porque viveu a sua maternidade plenamente ela foi elevada ao céu com o corpo e alma. Por isso, ela é hoje, nesta primeira leitura, do Apc.11,19s, chamada: a mulher vestida de sol, com a lua aos pés, na cabeça uma coroa de 12 estrelas. Ela é N. Sra. da Glória. Assim como aconteceu com ela, assim acontecerá conosco.
Na segunda leitura 1Cor15,20, S. Paulo nos fala da ressurreição. Cristo ressuscitou dos mortos. Se Cristo ressuscitou também nós cristãos ressuscitaremos. Maria é a primeira a participar desta ressurreição. Ela dormiu e foi elevada ao céu com corpo e alma. Em Jerusalém temos a Basílica da Dormição e a Basílica da Assunção.
No evangelho segundo Lc. 1,39s, ela vai contar a novidade da maternidade divina à sua prima Santa Isabel. Ela vai também para ajudar. Maria leva Jesus no seu ventre e por isso o encontro faz com que o pequeno João Batista no seio de sua mãe pule de alegria e Isabel fique cheio do E. Santo e proclama Maria: “Bendita és tu entre as mulheres”. “Bendita és tu que porque acreditaste”. É o que rezamos na Ave Maria. Então Maria prorrompe no cântico conhecido como o Magnificat. “O Senhor fez em maravilhas”. A maravilha da maternidade. “Todas as gerações me chamarão bem-aventurada”. Até hoje se realiza isso. Deus quer que as famílias se visitem e se entre ajudem como Maria o fez.
“Proteja e valorize a família”. Como? Pais e Filhos amai a vossa família. Esta é o dom mais precioso que vós tendes. Pais, amai os vossos filhos, doando-se por eles. Educai vossos filhos para o amor a Deus e ao próximo. Educai-os para o limite. Não se pode fazer tudo o que se quer. Não terceirizeis a educação deixando-a pra a TV. Não terceirizeis o ensino e a formação, deixando-a exclusivamente pra a escola. Não terceirizeis a religião deixando-a para que os padres, religiosos e catequistas a ensinem. Filhos,amai vossos pais e sede lhes obedientes. Amai-os, de modo especial, quando são idosos e doentes. Não os deixeis na solidão e no desamparo. O que vós fazeis aos pais, os vossos filhos farão também a vós. Famílias não deixem de fazer o ECC, o EC, o Cursilho. Vocês são a grande esperança de um mundo melhor. Sem a minha família eu não seria sido nem franciscano, nem sacerdote, nem bispo. A Igreja vos ama, por isso ela procura proteger e valorizar a família, promovendo a semana da família e a romaria.
Conversando com o povo de Deus (451) O mes da Biblia (1)
Setembro para os católicos é o mês da Bíblia. Ele tem como objetivo conscientizar-nos da necessidade de lermos a Bíblia. Você é católico? Você tem a Bíblia em casa? Se você é evangélico, já sei que você tem a Bíblia e le diariamente. Agora, se você for católico é muito possivel que não a tenha. Ou se você a tiver não a le. Outros a tem, mas muitos a tem como enfeite de sua biblioteca. Nada mais. Por isso, podemos afirmar que a Bíblia é o livro mais vendido no mundo, mas não o mais lido. Poucos católicos a tem e a leem, fazendo dela de fato luz, orientaçao, força, fonte de benção e vida. Nem sempre na catequese de 1ª comunhão ou crisma se consegue que todos a tenham, nem os movimentos e setores de pastoral.
A gente se pergunta: por que isso? No inicio, todas as Bíblias eram copiadas a mão. Foi só com Gutemberg, pouco antes de Lutero, 1517, que foi descoberta a imprensa. Com isso, a tradução de Lutero para o alemão, poude ser colocada facilmente nas mãos do povo. Lutero fez dela o dogma da fé: “ sola Scriptura”. Só o que vem da Escritura vem de Deus. Os católicos, já que a Escritura era interpretada contra os mesmos, se fecharam e deram toda força para o Catecismo Católico, cuja doutrina vem da Bíblia, interpretada pela Tradição e o Magistério. Resumindo mais ainda: a doutrina dos evangélicos vem a nós da Bíblia interpretada por Lutero, Calvino e outros e através da sua tradição secular.A doutrina católica vem da Bíblia interpretada pela Tradição (Santos Padres, Concilios, Liturgia) e pelo Magistério (Papas e bispos). Entendeu?
Porque há tantas Igrejas de Cristo se ele fundou uma só? Por causa da interpretação subjetiva dos seus fundadores, mas todos eles estão convencidos que foi o Espirito Santo que lhes deu a interpretação certa. Assim existem dezenas de igrejas cristas e vao aumentando cada dia.
Há diferença entre a Bíblia católica e evangélica? Não e sim. Não, enquanto todas as duas procuram fazer a sua tradução do original hebraico e grego. Por isso, um católico pode usar a Bíblia dos protestantes. O que não pode é aceitar a sua interpretação. Sim há diferença, enquanto os católicos admitem uns livros do AT a mais. A Bíblia evangélica não tem notas no roda-pé. Os católicos sim, para ajudar a interpretação do texto, situa-lo no seus contextos, ajudam sem duvida uma melhor compreensão. Outra diferença é que eles tem uma só tradução, o que favorece pastoralmente o uso da Bíblia e os católicos tem muitas traduções, cada pouco surge uma nova, procurando uma tradução cada vez mais fiel e compreensivel. Mas isso confunde o povo e dificulta o uso comum. A Bíblia mais cientifica é a Bíblia de Jerusalém e a mais popular e a da Paulus, mas no futuro a oficial será a da CNBB. Por isso, há padres que adotaram no momento a Bíblia da edição popular, para acostumar o povo a ler a Bíblia pedem que ele a traga para a missa e se leem juntos as leituras da missa. É uma maneira. É importantíssimo que o povo aprenda com os padres a fazer a leitura orante da Bíblia, que o Papa tanto pede. (continua)
Conversando com o povo de Deus (452) O mês da Bíblia(2).
Jesus disse: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, estarei no meio deles”. Grande e forte é a presença de Cristo, no Espírito Santo, na sua comunidade. Por isso, é importante fazê-la em comunidade. E fazê-la iniciando com a oração ao Divino Espírito Santo. A Bíblia foi inspirada por ele. Cristo no-lo mandou para que nos ensinasse e recordasse todas as coisas que ele tinha ensinado. Rezemos portanto que ele nos inspire. Depois vamos ler pausadamente, bem devagar, pronunciando bem as palavras, prestando muita atenção. Por exemplo, no próximo domingo, dia 13/set, o Evangelho é de Marcos 8,27-35. Tentemos fazer a leitura orante que o Papa e o Documento de Aparecida tanto pedem. Este evangelho foi este escrito por quem? S. Marcos. Jesus partiu com quem e para onde? Com os seus discípulos para Cesaréia de Felipe. Onde fica? No norte de Israel, perto do Líbano. Era uma cidade romana. Foi lá que Jesus perguntou aos discípulos? Não, foi no caminho: “Quem dizem os homens que eu sou?”. Qual foi a resposta? Que ele era João Batista ou Elias ou um dos profetas. Poderia se interpretar a resposta como se seus discípulos acreditassem na reencarnação? Não. Como João Batista por exemplo poderia se ter reencarnado em Jesus? Ele tinha batizado Jesus. Fazia pouco que ele tinha sido morto. Elias, segundo a tradição judaica, não tinha morrido. Subira ao céu vivo em carro de fogo. Reencarnar é morrer e depois nascer de novo num outro ser humano. Estes profetas não nasceram de Maria.
Depois Jesus perguntou diretamente para os apóstolos. Teriam eles a mesma opinião? Não. Pedro, sempre Pedro que toma a iniciativa, em nome dos demais disse: “Tu és o Messias” e não um dos profetas. Chama a atenção que Jesus proibiu que eles proclamassem que ela era o Messias? Por que será? De repente Jesus muda, aparentemente, de assunto, ensinando que ele, o Filho do homem, devia sofrer, ser rejeitado, morto e que no terceiro dia ressuscitaria. Pedro ficou tão escandalizado com Jesus, que o chamou à parte e lhe disse que o Messias, que ele tinha proclamado, não podia passar pelo sofrimento. Mas Jesus chamando os outros discípulos repreendeu Pedro diante dos seus colegas e chamou-o de Satanás “Tu não pensas como Deus e sim como os homens”. E Jesus acrescenta, agora falando para a multidão também: “Se alguém me quer seguir tome a sua cruz... Se alguém quer salvar a sua vida vai perdê-la... Mas quem a perde vai salvá-la”.
O que Jesus quer ensinar a Pedro, aos discípulos, a multidão e a nós hoje? Cada um procure dar a sua resposta. Quem é Jesus de Nazaré para mim? Tu és Messias. Tu és o meu Redentor. O caminho, a verdade e a vida. O meu amigo. Mas não basta conhecê-lo intelectuamente. É preciso comprometer-se com ele e o seu evangelho. Isso implica em cruz, sofrimento, em doar a sua vida gratuitamente, em morrer todos os dias a si mesmo, ao seu egoismo e orgulho, vaidade e individualismo, inveja e prepotência. Terminemos orando: “Jesus tu és o meu Messias, que passou pelo sofrimento para chegar à glória da ressurreição, ajudai-me a ser como você, assumindo a minha cruz de cada dia e perdendo a minha vida em favor da minha família e da minha comunidade, e da sociedade em que vivo”.
Eis uma maneira, não a única, de fazer a leitura orante da Bílbia.
Conversando com o povo de Deus (453) O Congresso da Paz em Krakóvia
Estando já em Roma fui convidado para participar do Congresso pela Paz em Krakóvia, Polônia, realizado nos dia 6-7 e 8 de setembro. Krakóvia é a cidade onde João Paulo II foi arcebispo antes de ser eleito Papa. Este Congresso foi promovido pela Comunidade Santo Egídio de Roma e pela Arquidiocese. Ele é realizado todos os anos em lugares diferentes. No ano passado foi em Cipre. Ele tem o objetivo de continuar o chamado “Espírito de Assis” inaugurado pelo falecido Papa João Paulo II, quando o mesmo em 26 de outubro de 1967 convidou os líderes das principais religiões e igrejas do mundo para em Assis, terra de S. Francisco, rezar pela paz. A comunidade continua promovendo estes encontros com pleno sucesso. Chegando dois dias antes do início pude aproveitar para visitar o coração religioso da Polônia, Chestokova, o santuário de N. Sra, onde senti a força admirável da fé deste povo, força que venceu o comunismo. Vi igrejas cheias também em segunda-feira.
O nosso Congresso começou domingo de manhã no Santuário da Divina Misericórdia com uma missa solene presidida pelo Cardeal de Krakóvia, Dom Estanislau, que foi secretário particular do Papa falecido, concelebrada por cardeais, bispos, sacerdotes com a presença de líderes religiosos das igrejas cristãs: luteranos, ortodoxos, anglicanos e líderes religiosos judeus, muçulmanos, budistas e outros. No fim da missa vimos por um telão e ouvimos o Papa atual, diretamente de Viterbo, Itália, saudando os Congressistas e nos abençoando.
De tarde, foi a abertura oficial no grande teatro da cidade com os discursos das entidades religiosas convidadas como também de embaixadores. O presidente da Comunidade Européia, o português Barroso também falou num inglês fluente. Tive oportunidade de apertar-lhe a mão. Esteve em POA com o Felipão, me disse ele.
Dia 7, 2ª fª, foi o dia dos painéis. Onze de manhã e onze de tarde. Cada um podia escolher o seu.
Eu participei do painel 5 sobre a “América Latina no mundo globalizado”, onde tive oportunidade de falar em italiano 15 minutos sobre assunto. Eis alguns dos 22 temas: Não esqueça Auschwitz; Memória e Profecia: legado de JP II; Vivendo juntos num mundo pluralista; África, terra de oportunidades; O poder da prece na história; O martírio e a resistência ao mal. Para isso, havia tradução simultânea, menos para o português. Cada um recebia um aparelho e regulava o canal desejado. Podia se ir ao banheiro sem perder nada!
A hospedagem era nos diversos hotéis da cidade. Os ônibus e as vãs transportavam os participantes para os diversos locais dos encontros. Eles falam em pullman e pulmino. As línguas que mais se escutavam eram polaco, italiano, inglês, francês, espanhol, alemão. Dava para entortar a língua tentando falar diversas línguas. Os jovens polacos dos hotéis sabiam só polaco e inglês. Muitos dos velhos falam alemão e francês. A Polônia entrou na União Européia (EU), mas não usa ainda o euro como moeda. Trocar só no centro. Acabei não trocando, já que as refeições e a bebida eram gratuitas.
O dia mais importante foi o último dia, terça, quando visitamos Auschwitz, o campo de extermínio, e de tarde-noite a oração pela paz em grupos religiosos em lugares diferentes. E o soleníssimo encerramento na Praça Pública com mais de 5 mil pessoas presentes. Disso falaremos na próxima vez. (Continua)
Conversando com o povo de Deus (454) Auschwitz terra de horror e terra de santidade.
Na semana passada falamos da abertura do Congresso da Paz, dos painéis e prometi falar mais um pouco sobre Auschwitz. Dia 7 de setembro, terça, visitamos o campo de extermínio. Antes da guerra havia sido um quartel do exército polonês. No início os nazistas o usaram como campo de prisioneiros, mas depois começaram a usá-lo também como campo de extermínio de judeus, ciganos e adversários políticos. Dividido em diversos grupos lingüísticos, eu escolhi o italiano, percorremos com uma guia alguns setores do campo. Na entrada do mesmo estava escrito em alemão: O trabalho liberta (Die Arbeit macht frei). Os prisioneiros iam de manhã para o trabalho nos campos ao som de uma banda de música formada por prisioneiros. Mostraram-nos o paredão de fuzilamento, onde foi colocado uma coroa de flores em memória dos caídos. Depois visitamos o local onde Frei Maximiliano Kolbe foi morto. Ele ofereceu a sua vida em lugar de um pai de família inocente, que tinha sido escolhido, para morrer em lugar de um polonês fugitivo. Em 1980, na praça S. Pedro, ele foi canonizado pelo Papa JP II, e quem estava na canonização foi o pai de família que ele havia salvado a vida!
Em seguida visitamos uma câmara de gás. Os prisioneiros, homens, mulheres e crianças eram iludidos dizendo que iriam tomar um banho. Estando todos desnudados fechavam-se as portas e ligava-se o gás. Para abafar a gritaria dos moribundos colocavam-se uns caminhões perto com os motores ligados. Depois de 20 minutos, reinava o silêncio. Todos estavam mortos. Então se abriam as portas para arejar a câmara e seguida vinha um grupo de choque, formado por judeus prisioneiros, para arrancar os dentes de ouro das bocas, cortar os cabelos das mulheres, tirar anéis, recolher objetos preciosos. Passamos por salas onde havia montanhas de malas de mão com o nome das vítimas, sapatos, sapatinhos de crianças, material de toilette das mulheres, montes de cabelos, que eles lavavam e vendiam. Impressionante. Ninguém de nós falava. Boca fechada, mordendo os dentes, e os olhos lacrimejando. Logo foi nos mostrado um crematório. Uma prensa para imprensar os corpos para que coubessem mais gente de uma vez só. As cinzas eram usadas para os campos e outras finalidades. O comandante do campo morava a 300 metros com a sua mulher e seus 5 filhos. Como pode?
Em seguida fomos a Brickenau, porque Hitler não contente, mandou construir um outro campo de extermínio para apressar a eliminação de judeus e ciganos principalmente. Chegando de ônibus tem-se uma vista terrificante de arame farpado que se estende por quilômetros, com muitas casernas ainda de pé, com as câmaras explodidas. Quando chegaram os aliados em 1945 era necessário apagar todos os vestígios que pudessem incriminar.
Éramos umas cinco mil pessoas caminhando em silêncio, ao som de uma música impactuante, que provinha das caixas de som ao longo de um caminho de um quilômetro. Ninguém falava. Aqui morreram milhões de pessoas. E quanto sofrimento antes de morrer. Chegados ao local do monumento aos mortos. Seguiu a homenagem aos mesmos. Diante de uma 20 lajes, separadas uma da outra uns dois metros, sobre elas foi colocada uma coroa de flores pelos diversos representantes das religiões, igrejas e continentes. Eu, com uma cubana, que levava a coroa de flores, e um padre de El Salvador e outro de Argentina representamos a América Latina. Que emoção na hora do ajoelhar e colocar as flores! “Dai-lhes, Senhor o descanso eterno e a luz perpétua os ilumine. Descansem em paz”. Depois falou um rabino que nos contou que o Papa JPII lhe perguntou sobre quantos eram eles antes de Auschwitz e quanto depois. Ele respondeu antes 45, depois 05. Quantos filhos o Senhor tem? Três. Agora o que importa são vocês. A vida continua. O rabino continuou, é preciso recordar o passado para que todos possam dizer: “Auschwitz nunca mais”. Você sabe que a segunda guerra mundial de 1939 a 1945 matou 70 milhões de pessoas? Guerra entre cristãos. Por que? Para que? Seis milhões de judeus, quinhentos mil ciganos mortos por que, para que?
Conversando com o povo de Deus (455) 15ª Romaria, vinde participar
A nossa diocese foi criada pelo Papa JP II, em 17/07/1991 e instalada em 29/09, tendo como o seu primeiro bispo D. Ângelo. Ela está completando 18 anos. Passamos para a maioridade! E a nossa Romaria diocesana foi iniciada em 1995. Estamos, portanto, celebrando 15 anos. Pertencíamos à diocese de Santa Maria e a padroeira era N. Sra. Medianeira. D. Ângelo sentiu a necessidade de uma Romaria própria para a nova diocese de Cachoeira. Era necessário ter uma padroeira. Era necessário fazer uma Romaria diocesana para unir a diocese, dar-lhe uma alma, uma espiritualidade. Era o seu sonho e contou o sonho para um grupo de padres e cursilhistas. Eles começaram a sonhar com ele. E sonho foi se tornando realidade. Os grandes nomes que ajudaram na realização do mesmo foram Mons. Breno Simonetti, Pe. Atílio Rosa, Pe. Elcy Arboitte, Diácono Arbelo e os leigos: Joaquim Casarin e Teolide, Luiz Martins e Gládis, Celso Ariosto e Ana, Breno Rizzatti e Nilza, Djalmo Furlan e Luciméri, João Carlos Loreto e Ilda, Marcelo Loreto, Rocco Mainieri, Getúlio Pereira dos Santos e Lucilena, Geraldo Ribeiro e Assunção, Diógenes Capra e Marilaine, Partinobre Quintana de Freitas e Mara. Depois centenas de pessoas se prontificaram a colaborar todos os anos com a relização da Romaria. Neste sonho entrei também eu.
Como se escolheu o nome da padroeira? Por votação. Democraticamente. O bispo consultou toda a diocese e foi vitorioso o nome de Maria, Mãe do Redentor. Escolheu-se este nome por ser mais ecumênico do que outros como Mãe de Deus, N. Sra. Aparecida, N. Sra da Assunção, etc. Também os evangélicos aceitam o título de Maria, Mãe de Jesus o Redentor. Para nós católicos existe uma só N. Sra, mãe de Jesus e mãe nossa.
A 1ª Romaria foi no atual parque. O altar ficou lá onde hoje tem uma cruz de cedro com madeira vinda de Mato Grosso, doada por Antônio Simões e lapidada pelo artesão Roje Gomes. Daí para frente havia um banhado, que foi aterrado e drenado. Obra do Batalhão Ferroviário de Lajes. Desde o início o exército colaborou sempre generosamente com a Romaria e assim continua até hoje.
Quando eu cheguei a Cachoeira, em 09/09/2000 encontrei a estrutura da cobertura do atual altar. Nos anos seguintes foram feitos: o reboco da estrutura, o altar de mármore com o pavimento, o pavilhão, o portão de entrada, a capelinha e outros melhoramentos. Houve novidades todos os anos. O povo unido a benfeitores de fora realizaram essa maravilha que é hoje em dia o Parque do Santuário Maria, Mãe do Redentor. Ele é hoje em dia um postal da cidade de Cachoeira.
Dia 11 de outubro, venham participar da 15ª Romaria diocesana. Iniciaremos a procissão às 9h diante da Catedral e caminharemos 4 km e 250m até o Parque do Santuário, rezando e louvando a Mãe que nos deu este admirável Redentor. Agradeceremos as graças e bênçãos que ela conseguiu de Jesus por sua intercessão. Pediremos para as nossas famílias: crianças, adolescentes, jovens, pais de família, avós. Pediremos pelas nossas comunidades e nossa sociedade. Pediremos para que nós possamos ser como Maria, discípulos e missionários de seu filho Jesus neste mundo mau, violento, corrupto, e desrespeitador da vida. Você que não pode participar da Romaria, participe em casa, acendendo uma vela às 11h diante da imagem de N. Sra. e rezando Ave Maria... Assim você estará unido a nós que estamos no Santuário celebrando a missa, às 11h. Imagina os 170 mil católicos da nossa diocese homenageando à N. Sra e pedindo a ela as suas bênçãos, ela como Mãe poderá não atender? Maria, Mãe do Redentor rogai por nós. Abençoai-nos. Protegei-nos. E defendei-nos. Amém. Para mais noticias sobre a Romaria acesse o site: www.diocesenet.com.br
Conversando com o povo de Deus (456) Maria, a Mãe do Redentor.
Os nossos irmãos evangélicos nos questionam sobre a nossa veneração a Maria. Alguns nos dizem: “Deixe N. Sra. de lado. Há um só mediador entre Deus Pai e nós, que é Jesus Cristo. Vocês adoram Maria fazendo dela uma deusa. Dia 12 de outubro, dia de N. Sra. Aparecida, não deve ser feriado nacional, porque milhões de brasileiros, nós evangélicos, não a aceitamos como padroeira do Brasil”. E até dizem alguns: “Você que foi tão devota de N. Sra, tanto trabalhou, orou, agora você descobriu que está com câncer. Será que Deus não está dizendo que você deve mudar de religião?”
S. Paulo escreve: “Há um só mediador entre Deus (Pai) e os homens: Jesus Cristo” (1Tim 2,5). Este Jesus admite a intercessão de sua mãe. “Meu Filho eles não tem mais vinho”. Jesus atende ao pedido da mãe, mandando encher as talhas de água e as transforma em vinho. Por isso, rezamos: “Maria, Mãe do Redentor, rogai por nós”. Nas bodas (casamento) de Caná, Maria não só intercede junto de Jesus, mas leva os serventes a Jesus: “Fazei tudo o que ele vos disser”. Por isso, nós usamos a expressão: Por Maria, a Jesus.
Nós não adoramos N. Sra. Ela não é deusa, mas é a mãe de Jesus, nosso Redentor. Por isso, a veneramos e homenageamos. Nós a saudamos com anjo Gabriel: “Ave Maria cheia de graça. O Senhor é convosco”. Com a prima Isabel a proclamamos: “Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre Jesus”. A chamamos de “Santa Maria”, porque Deus a preservou de todo pecado. Ela é “cheia de graça”. Foi a primeira santificada pelos méritos de seu Filho. “Mãe de Deus” (Jesus é Deus Filho que tomou um corpo em Maria. Segundo o Anjo Gabriel, o seu filho será chamado Filho do Altíssimo). Pedimos: “Rogai por nós pecadores” (junto de vosso Filho), “agora e na hora de nossa morte” (que é o momento mais decisivo. Lembremo-nos do Bom ladrão). Nós amamos Maria assim como Jesus a amou. Respeitá-la como Jesus a respeitou. Não queremos falar mal dela. Desfazê-la. Aliás, é ela que mostra o rosto feminino de Deus. O rosto materno de Deus. Gosto demais do canto do Pe. Zezinho: “Como é bonita uma religião que se lembra da mãe de Jesus, mais bonito é saber quem tu és, não és deusa, não és mais que Deus, mas depois de Jesus, o Senhor, neste mundo ninguém foi maior”. Maria é chamada de N. Sra. porque é a mãe de N. Sr. É chamada de Rainha porque é a mãe de Jesus Rei do céu.
Quanto ao sofrimento dos seus devotos, os Evangelhos nos mostram Maria, que sofre devendo fugir pra o Egito para salvá-lo de Herodes. Mostram-nos Maria, sofrendo debaixo da cruz. Simeão, por ocasião da apresentação de Jesus no tempo, tinha profetizado que uma espada transpassaria o seu coração. Jesus não sofreu a crucificação, ele que era sem pecado? Ele não disse? “Quem quiser ser o meu discípulo, tome a sua cruz e me siga”. “Felizes sereis se vos perseguirem por causa de mim”.
O tema da nossa 15ª Romaria é: Maria modelo para o discipulado e a missão. Maria foi discípula de Jesus durante 30 anos. Ela o escutou. Ela o seguiu. Assim nós também devemos escutar e seguir Jesus. Escutá-lo na Bíblia, na missa, na oração, na vida, na prática do amor. Maria foi missionária. Ela evangelizou, aceitando a vontade de Deus em sua vida. Marcou uma presença forte no início do cristianismo. As missões vão acontecer em toda a diocese, pregadas pelos franciscanos. Maria vai nos ajudar nesta preparação, para que sejamos cada vez mais discípulos e missionários de seu Filho, pois Ele é o único caminho que nos conduz para a autêntica felicidade.
Que Maria, a Mãe do Redentor, abençoe e proteja de maneira especial as nossas famílias. Ajude-as na educação dos filhos para a oração, para os limites, para o respeito. É preciso colocar Cristo no coração dos filhos. Maria Mãe do Redentor abençoai-nos.
Conversando com o povo de Deus (457) 15ª Romaria com chuva.
“Que pena que choveu!” E daí? O que N. Sra. nos quis ensinar com isso? Que ninguém de nós determina o tempo, a chuva. Ninguém é manda chuva. É preciso adaptar-se à chuva. Usar a sua inteligência e criatividade. Prevenir-se melhor para o futuro. Mas a chuva mostrou também a utilidade do pavilhão. Mostrou a solidariedade entre as pessoas. As futuras coisas que devemos melhorar. “A chuva é melhor que a seca”, dizia-me um devoto. Outro: “De 2000 para cá nunca choveu, um dia tinha que chover”. Uma coisa que me comoveu foi que o pessoal que trabalhou na Romaria, todos estavam contentes, não obstante a chuva, porque sentiam a presença e a bênção de Maria.
“Romaria assim rendeu pouco”. Claro, poderia ter rendido mais. Mas a finalidade da Romaria não é em primeiro lugar arrecadar dinheiro. É para a manutenção do Santuário e para ajudar numa eventual construção. Neste ano não construímos nada de novo. Preocupamos-nos de maneira especial com o conforto dos romeiros. Para o bem da verdade, devo dizer que praticamente se vendeu tudo, não obstante a chuva que veio pelas 11h20min no momento em que D. Hélio, bispo de Santa Maria, estava fazendo a sua bela homilia. A procissão foi um sucesso. Muito mais gente que no ano passado. O Capitão Soligo me disse, pessoalmente, mais de 60 mil pessoas (Havia também evangélicos, espíritas e outros). Chegando ao pórtico de entrada muitos voltaram para casa. Mas assim mesmo no Parque do Santuário havia mais gente que no ano passado. Com a chuva muitos outros da cidade voltaram, mas o pessoal que veio de ônibus e de carro a grande maioria ficou para a bênção da Saúde, presidida pelo amado D. Ângelo realizada às 14h20min antecipadamente.
É necessário dizer também que a Romaria não é só no dia. Ela começou há cinco meses atrás. Começou com a escolha do tema: “Maria, modelo para o discipulado e missão”. A Comissão da Romaria foi reorganizada. Semanalmente ela realizou as suas reuniões. Foi necessário preparar o material de propaganda: autdoors, cartazes, santinhos. Foi necessário fazer a lista dos doadores de 07 novilhos, 1.100kg de galeto, 400 kg de arroz. Organizar as tendas das 04 paróquias com pastel, salada de fruta, doces e etc. A tenda das lembranças. O serviço do transporte, da segurança, da saúde, da procissão, do som, dos banheiros, etc. Um batalhão de voluntários trabalhou se doou, se sacrificou. Cerca de 500 pessoas. A Comissão de Liturgia convidou o Pe. Enio Rigo de Santa Maria, por duas vezes, para falar sobre a liturgia do dia da Romaria. Toda a cerimônia, leitura, cantos, música, tudo foi muito bem pensado, ensaiado e executado. Todos os padres, diáconos estavam presentes. Três bispos. Uma multidão de pessoas que ninguém conseguiu contar!
A preparação espiritual da Romaria começou em 03 de setembro com a visita da Imagem da Mãe do Redentor às 09 paróquias do “interior”. Nas 04 paróquias da cidade de Cachoeira se realizou a novena a partir do dia 02 de outubro. Todas as 13 paróquias receberam uma Imagem menor da Mãe do Redentor para que a levassem para as comunidades-capelas. Pediu-se que o povo recebesse a Mãe de Jesus solenemente com foguetes, com procissão. Que o sermão do padre fosse sobre o tema da Romaria. Que desse oportunidade de confissão. Fizesse a coleta de víveres para os pobres e de dinheiro para a Romaria.
Por tudo, isso eu bispo da diocese de Cachoeira do Sul afirmo, que não obstante a chuva a 15ª Romaria foi um sucesso e a chuva que caiu tornou-se um sinal de bênçãos. Maria, a Mãe do Redentor, e Mãe nossa, caminha conosco para sermos cada vez mais discípulos e missionários de seu Filho. “Fazei tudo o que ele vos disser”. O meu sincero agradecimento a todos. Só Deus sabe o nome de todos os voluntários.
Conversando com o povo de Deus (458) – Assuntos da atualidade: Anglicanos, e Saramago
De certo você foi surpreendido pelo anúncio da passagem de anglicanos para a Igreja Católica. Há mais de um ano um grupo de anglicanos pediu ao Papa para serem aceitos plenamente na Igreja Católica, mas com a condição de poder conservar elementos do específico patrimônio espiritual e litúrgico anglicano. O Papa mandou estudar a questão com muito cuidado e agora através de uma Constituição Apostólica determinou como seria essa aceitação. A Igreja Católica é uma Igreja séria que não trabalha com precipitações, só para conseguir adeptos, por isso demorou um pouco. A Constituição cria para estes anglicanos um “ordinariato pessoal”, dependente diretamente do Papa, como é a Prelazia da Opus Dei. Eles terão os seus sacerdotes, os seus seminários e os seus seminaristas.
O motivo do pedido de adesão foi realizado por um grande número de anglicanos, entre 20 e 30 bispos, por se sentirem insatisfeitos com algumas modificações feitas na Igreja Anglicana como a ordenação de mulheres para o sacerdócio e episcopado, a ordenação de clérigos que levam uma vida de convivência homossexual e a bênção de casais do mesmo sexo.
Os sacerdotes anglicanos casados continuarão casados, convivendo com as suas esposas e a sua família. Serão ordenados por um bispo católico. Os bispos casados serão recebidos como presbíteros. Isso por razões históricas, pois tradicionalmente o episcopado está ligado ao celibato.
O Arcebispo de Cantuária (Canteburry) mostrou o seu acordo com a solução dada pelo Papa. “Graças ao diálogo entre as duas Igrejas, a Constituição do Papa reconhece a substancial convergência na fé, doutrina e espiritualidade entre a Igreja Católica e a tradição anglicana”, afirma Rowan Williams da Igreja Anglicana. Isso acontece quando o Pe. Marcos Maciel de Caçapava com mais três jovens passou para a Igreja Anglicana Tradicional, uma dissidência no Brasil. Engraçado, não é?
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O escritor português Saramago, prêmio nobel da literatura ao lançar o seu novo romance CAIM disse algumas coisas chocantes, como: “A Bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldades e do pior da natureza humana. Sem a Bíblia, um livro que teve muita influência em nossa cultura e até em nossa maneira de ser, os seres humanos seriam provavelmente melhores”. “Os católicos não lêem a Bíblia, por isso não se metam com o meu livro”. “Que os judeus se possam irritar com o livro admito, mas pouco me importa”. “Será muito difícil para eles explicar e justificar os atos de barbárie de que a Bíblia está repleta”. “Deus não existe fora da cabeça das pessoas que nele crêem”. “Durante a história as religiões, todas elas, sem exceção, fizeram à humanidade mais mal que bem. Por isso, devemos acabar com elas. Não vamos conseguir, mas ao menos tentemo-lo pela a análise e a crítica implacável. A liberdade do ser humano assim o exige”. “O cérebro humano é um grande criador de absurdos. Deus é o maior deles”. Assim pensa Saramago, e você também? Bilhões de pessoas durante a história, entre elas muito cientistas, artistas, gênios, escritores maiores que Saramago, acreditaram na Bíblia como palavra de Deus e continuam acreditando, e eu também. Creram e crêem num ser supremo, eu também. A existência de Deus não depende de Saramago. Ou ele existe ou não existe, independentemente de minha fé, do meu ateísmo, ou dos meus argumentos. A sua fé foi abalada? A minha não. Continuarei a proclamar na missa a palavra de Deus, dizendo: “Palavra do Senhor” ou “Palavra da Salvação”. Continuarei a proclamar que Creio em Deus Pai, criador do céu e da terra. Creio em Jesus Cristo, nosso Salvador, que nos fins dos tempos voltará para julgar os vivos e os mortos. Também a Saramago! Creio no Espírito Santo, Santificador. Creio na Igreja Católica. Creio na ressurreição e na vida eterna. Amém.
Conversando com o povo deus (459) Finados
Finados o que significa? Vem de fim. Dia dos que findaram a caminhada da vida terrestre. Dia dos falecidos. Como Jesus fala da morte? Lázaro, meu amigo não está morto, mas dorme. Jesus compara a morte com um dormir. Aliás, cemitério significa dormitório, onde os mortos dormem. Jesus ressuscitou Lázaro e o filho da viúva de Naim. Esta ressurreição é um voltar à vida de antes. E ambos morreram de novo. Creio em Jesus que ressuscitou ao 3º dia. Creio na ressurreição da carne. O que significa? Jesus não voltou à fase anterior, mas inaugura uma nova fase. Ele não pode mais morrer. Ele é o vivente. Seu corpo é um corpo glorioso, transformado, não está mais sujeito à dor, não precisa mais comer, o faz somente para mostrar que não é um fantasma. Ele aparece e desaparece. Aparece atravessando paredes sem dificuldade. Depois de 40 dias ele volta definitivamente ao Pai, terminando assim a sua presença visível entre nós. Pede que nós continuemos a sua missão: Ide por todo o mundo e fazei meus discípulos todos os povos, ensinando-os o que ele tinha ensinado: instaurar o reino de Deus, de amor e fraternidade, amizade e solidariedade, justiça e verdade, paz e vida, partilha e alegria. Mas um dia chegaremos ao fim de nossa caminhada no corpo. Mas nós não queremos morrer. Lutamos. Resistimos. Por quê? Há um desejo em cada um de nós, que nós não colocamos, o desejo da eternidade. Por que então a morte? Isso mostra que a morte não fazia parte do plano inicial de Deus. O homem e mulher tinham recebido de Deus o dom da imortalidade. Adão e Eva revoltaram-se contra Deus. Comeram do fruto da árvore da ciência do bem e do mal. Até hoje os homens continuam se revoltando. E a morte entrou no mundo. O que é a morte?O fim de tudo? Um salto mortal no abismo (Miguel Unamuno)? Não. A vida não é tirada, mas transformada. Deixamos aqui o invólucro, o corpo. Saímos do espaço e tempo e entramos na eternidade, na vida eterna. Esta será uma vida sem dor, sem guerra, sem violência, sem vícios, sem casamento (Sereis como anjos, diz Jesus), sem morte.
Mas antes disso será o julgamento particular. Num abrir e fechar de olhos a criatura humana estará diante de seu Deus, que é a suma luz, crentes e “saramagos”, nesse momento verá com clareza toda a sua vida vivida. O bem e o mal que fez. Quem sabe, talvez lhe será dada a última chance de escolha entre o bem e o mal. Por Deus ou contra Deus. Os maus (os que morrem em pecado mortal e nele persistem) irão para a condenação (inferno) e os bons pra o reino de Deus, que lhes foi preparado desde o inicio (céu) e para os que morreram em pecados veniais irão passar pela purificação (o purgatório). Nada de impuro, nada imperfeito, trevas podem entrar no céu.
O que é o céu? É a vida no paraíso eterno (Ainda hoje estarás comigo no paraíso). Na Jerusalém celeste. Na moradia celestial (Na casa de meu Pai há muitas moradas). Na participação do banquete eterno ou então nas núpcias eternas do Cordeiro. Na felicidade de Deus. Na vida eterna. Céu é participar do repouso e da paz de Deus. “Dai-lhes Senhor o descanso eterno... Descanse em paz”. È participar do reino de Deus. É ver Deus face a face. Todas as imagens são apenas aproximativas. O céu é a plenitude. “Nenhum olho viu, nenhum ouvido ouviu o que Deus preparou para os que o amam”.
No fim da história da humanidade, ninguém sabe quando será, acontecerá a 2ª vinda de Cristo para julgar vivos e mortos. Então os nossos corpos ressuscitarão. O corpo também participará da glória eterna.
O que estamos fazendo hoje nesse cemitério depositando flores, acendendo velas, rezando missa? Isso não é só uma homenagem aos mortos, um gesto de amor e gratidão, mas a expressão de uma fé. Nós cremos com Judas Macabeu que os mortos sobrevivem e que a nossa oração pode ajudá-los. Colocamos os falecidos debaixo da cruz de Cristo para que o seu sangue redentor os lave de seus pecados. Podemos mesmo receber a indulgência plenária para eles. No dia da ressurreição as sepulturas de nossos cemitérios ficarão vazias. Será a vitória definitiva e total sobre a morte.
Conversando com o povo de Deus ( 460 ) Eu creio em Deus, em que Deus?
Havia um ferreiro que, após uma vida de excessos, resolveu consagrar sua vida a Deus. Durante muitos anos trabalhou com afinco, praticou a caridade, mas apesar de toda sua dedicação nada parecia dar certo na sua vida. Muito pelo contrário, seus problemas e dívidas acumulavam-se cada vez mais.
Uma bela tarde, um amigo que o visitara, e que se compadecia de sua situação difícil, comentou:
“É realmente estranho que, justamente depois que você resolveu se tornar um homem temente a Deus, sua vida começou a piorar. Eu não desejo tirar a sua fé, mas apesar de toda sua crença em Deus, de toda a sua prática religiosa nada tem melhorado”.
O ferreiro não respondeu imediatamente. Ele já havia pensado nisso muitas vezes, sem entender o que acontecia em sua vida. Entretanto, como não queria deixar o amigo sem resposta, encontrou uma explicação. Eis que o ferreiro disse:
“Eu recebo nesta oficina o aço ainda não trabalhado e preciso transformá-lo em espadas. Você sabe como isso é feito? Primeiro eu aqueço a chapa de aço num calor absurdo, até que fique vermelha. Em seguida, sem qualquer piedade, eu pego o martelo mais pesado e aplico golpes até que a peça adquira a forma desejada. Logo, ela é mergulhada num balde de água fria e a oficina inteira se enche com o barulho do vapor. Tenho que repetir esse processo até conseguir a espada perfeita. Uma fez apenas não é suficiente”.
O ferreiro deu uma longa pausa, pensou e continuou: “Às vezes, o aço que chega até minhas mãos não consegue agüentar esse tratamento. O calor, as marteladas e a água fria terminam por enchê-lo de rachaduras. E eu sei que jamais se transformará numa boa lâmina. Então, eu simplesmente o coloco num monte de ferro velho que você viu na entrada de minha ferraria”.
Mais uma pausa e o ferreiro concluiu: “Sei que Deus está me colocando no fogo das aflições. Tenho aceito as marteladas que a vida me dá, e às vezes sinto-me tão frio e insensível como a água que faz sofrer o aço. Mas a única coisa que peço é: ‘Meu Deus, não desista, até que eu consiga tomar a forma que o Senhor espera de mim.Tente da maneira que achar melhor, pelo tempo que quiser, mas jamais, me coloque no monte de ferro velho das almas’.
Deus quer fazer de nós, meu amigo, uma pessoa melhor... Não nos preocupemos com as marteladas da vida, ou as provas de fogo a que somos submetidos. Ele está trabalhando o nosso caráter. Ainda bem, que ele nunca vai desistir de nós! Uma boa semana, meu amigo”.
Jesus disse isso em outras palavras: “Todo ramo que dá fruto, ele poda para que dê mais fruto ainda”. Meu irmão (ã), quem de nós não se perguntou como o ferreiro? Como o seu amigo? Por que depois que nos aproximamos da religião, nos acontecem essas desgraças todas? “Era uma pessoa tão boa não merecia sofrer como ele sofreu”. Jó não se perguntou, Eu que não tenho pecado, por que Deus me está castigando? Os seus amigos também não entendem. Por que o justo Jesus de Nazaré teve que passar pelo castigo do açoite, da coroação de espinhos e da crucificação? Por que Maria , a mãe de Deus, a Imaculada, teve a sua vida traspassada por uma espada de dor? (Lc 2, 35). Por que o sofrimento de tantos mártires?
Conversando com o povo de Deus(461) Os jovens e a violência
A juventude católica está refletindo sobre a violência contra os jovens. Eu gostaria de estender a reflexão. Quais são as causas da violência em geral? O homem quer a paz e acaba praticando a violência. A primeira causa nós encontramos já com os primeiros filhos de Adão e Eva. Caim mata Abel. Por quê? A inveja. Quando Caim viu que Abel, o justo, era mais amado por Deus do que ele, por inveja o matou. A ganância inventou o furto. A ganância inventou a guerra. A ganância inventou o tráfico de drogas. O crack. A destruição da Amazônia. Da natureza.
Outra causa que podemos apontar é o orgulho e a prepotência de homens e nações. Querer mostrar ao outro a sua superioridade. É não querer levar desaforo para casa.
A adoração do Deus Prazer, procurando gozar o máximo e a qualquer custo levou ao vício da bebida e do sexo, das drogas lícitas e ilícitas, ao furto, à violência. Penso nos prazeres ilícitos de fim de semana, que levam tantos à morte. Quantos acidentes mortais de jovens.
A urbanização é outro fator de geração de violência. Vive-se apertado, comprimido nos ônibus, nas ruas, por toda a parte. Vive-se recalcado na família, na escola. Perigo de trânsito. Daí a necessidade de libertar-se das tensões e recalques. Daí a violência.
A pobreza e a fome também levam à violência. Aliás, a pobreza já é uma violência e que produz mais violência.
Outra causa é a nossa sociedade de consumo. A sociedade do supérfluo. E a prova é que precisamos de horas de propaganda de artigos pra que os compremos. Por quê? Porque a natureza não sente a necessidade. Logo é preciso impingir estes bens de consumo pela propaganda, suscitando o desejo de possuir. “Por que os ricos podem ter tudo isso e eu não? Só porque nasceram em berço esplêndido? A única maneira de possuí-los é através da violência”.
A falta de fé é outro fator de violência. A falta de prática religiosa. Deus não é mais o centro da vida das pessoas. Hoje se adora o Deus Prazer, o Deus Ter, o Deus Poder. Ou numa palavra é o Deus Dragão voraz e escravizador ao qual se sacrificam as melhores energias, toda a vida. Escutando os jovens, para eles a violência é gerada pelas famílias desestruturadas, pelas escolas alienadas, pela sociedade opressora. Pelo sistema. Por isso, a maioria das mortes violentas são de jovens e por isso também eles são violentos. Pena, que eu não ouvi nenhuma reflexão de que os jovens também têm a sua culpa, a sua parte, nesta violência que está aí.
Consultemos a Bíblia. Jesus nos diz: Eu vos dou a minha paz, não como o mundo a dá. Mas o que mundo sem Deus dá, é a paz imposta ao vencido na guerra. Obriga-o a pagar pesados impostos. Temos a paz do mais fraco, que a aceita enquanto não pode vencer o opressor. Há também a paz dos cemitérios, dos mortos. A paz de Cristo é interior, é espiritual. A verdadeira paz existe onde a pessoa está reconciliada com Deus, consigo e o próximo. Paz é alegria. É felicidade. É amizade com Deus.
O que fazer? É preciso botar Cristo no nosso coração, na nossa mente e de nossos irmãos. Dizer que Deus, as religiões fizeram mais mal do que bem é ser cego para a história como Saramago. É preciso rezar com S. Francisco: “Senhor fazei de mim instrumento de vossa paz”.
Mas isto não basta. A paz também é construção nossa. A oração nos ajudará, dando-nos força, luz, perseverança. É preciso dar-nos as mãos, jovens e adultos, vivendo o perdão, a justiça, o respeito pelo próprio corpo e pelo próximo e pela natureza, ... a honestidade, por favor.
Conversando com o povo de Deus(461) Os jovens e a violência
A juventude católica está refletindo sobre a violência contra os jovens. Eu gostaria de estender a reflexão. Quais são as causas da violência em geral? O homem quer a paz e acaba praticando a violência. A primeira causa nós encontramos já com os primeiros filhos de Adão e Eva. Caim mata Abel. Por quê? A inveja. Quando Caim viu que Abel, o justo, era mais amado por Deus do que ele, por inveja o matou. A ganância inventou o furto. A ganância inventou a guerra. A ganância inventou o tráfico de drogas. O crack. A destruição da Amazônia. Da natureza.
Outra causa que podemos apontar é o orgulho e a prepotência de homens e nações. Querer mostrar ao outro a sua superioridade. É não querer levar desaforo para casa.
A adoração do Deus Prazer, procurando gozar o máximo e a qualquer custo levou ao vício da bebida e do sexo, das drogas lícitas e ilícitas, ao furto, à violência. Penso nos prazeres ilícitos de fim de semana, que levam tantos à morte. Quantos acidentes mortais de jovens.
A urbanização é outro fator de geração de violência. Vive-se apertado, comprimido nos ônibus, nas ruas, por toda a parte. Vive-se recalcado na família, na escola. Perigo de trânsito. Daí a necessidade de libertar-se das tensões e recalques. Daí a violência.
A pobreza e a fome também levam à violência. Aliás, a pobreza já é uma violência e que produz mais violência.
Outra causa é a nossa sociedade de consumo. A sociedade do supérfluo. E a prova é que precisamos de horas de propaganda de artigos pra que os compremos. Por quê? Porque a natureza não sente a necessidade. Logo é preciso impingir estes bens de consumo pela propaganda, suscitando o desejo de possuir. “Por que os ricos podem ter tudo isso e eu não? Só porque nasceram em berço esplêndido? A única maneira de possuí-los é através da violência”.
A falta de fé é outro fator de violência. A falta de prática religiosa. Deus não é mais o centro da vida das pessoas. Hoje se adora o Deus Prazer, o Deus Ter, o Deus Poder. Ou numa palavra é o Deus Dragão voraz e escravizador ao qual se sacrificam as melhores energias, toda a vida. Escutando os jovens, para eles a violência é gerada pelas famílias desestruturadas, pelas escolas alienadas, pela sociedade opressora. Pelo sistema. Por isso, a maioria das mortes violentas são de jovens e por isso também eles são violentos. Pena, que eu não ouvi nenhuma reflexão de que os jovens também têm a sua culpa, a sua parte, nesta violência que está aí.
Consultemos a Bíblia. Jesus nos diz: Eu vos dou a minha paz, não como o mundo a dá. Mas o que mundo sem Deus dá, é a paz imposta ao vencido na guerra. Obriga-o a pagar pesados impostos. Temos a paz do mais fraco, que a aceita enquanto não pode vencer o opressor. Há também a paz dos cemitérios, dos mortos. A paz de Cristo é interior, é espiritual. A verdadeira paz existe onde a pessoa está reconciliada com Deus, consigo e o próximo. Paz é alegria. É felicidade. É amizade com Deus.
O que fazer? É preciso botar Cristo no nosso coração, na nossa mente e de nossos irmãos. Dizer que Deus, as religiões fizeram mais mal do que bem é ser cego para a história como Saramago. É preciso rezar com S. Francisco: “Senhor fazei de mim instrumento de vossa paz”.
Mas isto não basta. A paz também é construção nossa. A oração nos ajudará, dando-nos força, luz, perseverança. É preciso dar-nos as mãos, jovens e adultos, vivendo o perdão, a justiça, o respeito pelo próprio corpo e pelo próximo e pela natureza, ... a honestidade, por favor.
Conversando com o povo de Deus(461) Os jovens e a violência
A juventude católica está refletindo sobre a violência contra os jovens. Eu gostaria de estender a reflexão. Quais são as causas da violência em geral? O homem quer a paz e acaba praticando a violência. A primeira causa nós encontramos já com os primeiros filhos de Adão e Eva. Caim mata Abel. Por quê? A inveja. Quando Caim viu que Abel, o justo, era mais amado por Deus do que ele, por inveja o matou. A ganância inventou o furto. A ganância inventou a guerra. A ganância inventou o tráfico de drogas. O crack. A destruição da Amazônia. Da natureza.
Outra causa que podemos apontar é o orgulho e a prepotência de homens e nações. Querer mostrar ao outro a sua superioridade. É não querer levar desaforo para casa.
A adoração do Deus Prazer, procurando gozar o máximo e a qualquer custo levou ao vício da bebida e do sexo, das drogas lícitas e ilícitas, ao furto, à violência. Penso nos prazeres ilícitos de fim de semana, que levam tantos à morte. Quantos acidentes mortais de jovens.
A urbanização é outro fator de geração de violência. Vive-se apertado, comprimido nos ônibus, nas ruas, por toda a parte. Vive-se recalcado na família, na escola. Perigo de trânsito. Daí a necessidade de libertar-se das tensões e recalques. Daí a violência.
A pobreza e a fome também levam à violência. Aliás, a pobreza já é uma violência e que produz mais violência.
Outra causa é a nossa sociedade de consumo. A sociedade do supérfluo. E a prova é que precisamos de horas de propaganda de artigos pra que os compremos. Por quê? Porque a natureza não sente a necessidade. Logo é preciso impingir estes bens de consumo pela propaganda, suscitando o desejo de possuir. “Por que os ricos podem ter tudo isso e eu não? Só porque nasceram em berço esplêndido? A única maneira de possuí-los é através da violência”.
A falta de fé é outro fator de violência. A falta de prática religiosa. Deus não é mais o centro da vida das pessoas. Hoje se adora o Deus Prazer, o Deus Ter, o Deus Poder. Ou numa palavra é o Deus Dragão voraz e escravizador ao qual se sacrificam as melhores energias, toda a vida. Escutando os jovens, para eles a violência é gerada pelas famílias desestruturadas, pelas escolas alienadas, pela sociedade opressora. Pelo sistema. Por isso, a maioria das mortes violentas são de jovens e por isso também eles são violentos. Pena, que eu não ouvi nenhuma reflexão de que os jovens também têm a sua culpa, a sua parte, nesta violência que está aí.
Consultemos a Bíblia. Jesus nos diz: Eu vos dou a minha paz, não como o mundo a dá. Mas o que mundo sem Deus dá, é a paz imposta ao vencido na guerra. Obriga-o a pagar pesados impostos. Temos a paz do mais fraco, que a aceita enquanto não pode vencer o opressor. Há também a paz dos cemitérios, dos mortos. A paz de Cristo é interior, é espiritual. A verdadeira paz existe onde a pessoa está reconciliada com Deus, consigo e o próximo. Paz é alegria. É felicidade. É amizade com Deus.
O que fazer? É preciso botar Cristo no nosso coração, na nossa mente e de nossos irmãos. Dizer que Deus, as religiões fizeram mais mal do que bem é ser cego para a história como Saramago. É preciso rezar com S. Francisco: “Senhor fazei de mim instrumento de vossa paz”.
Mas isto não basta. A paz também é construção nossa. A oração nos ajudará, dando-nos força, luz, perseverança. É preciso dar-nos as mãos, jovens e adultos, vivendo o perdão, a justiça, o respeito pelo próprio corpo e pelo próximo e pela natureza, ... a honestidade, por favor.
Conversando com o povo de Deus (462) Retiro em Vale Vêneto
Do dia 16, à noite até o meio-dia do dia 20/11, o bispo com os seus padres e diáconos fez o retiro anual pregado por Dom Gílio Felício, bispo de Bagé, em Vale Vêneto. Retiro, o que é isso? Vem de retirar-se. “E Jesus se retirou para a montanha para rezar”. Retirado, a gente reza melhor. O bispo com os padres e os diáconos se retirou. Eles deixaram as paróquias, o bispado. Desligaram-se das preocupações, compromissos, de tudo e vieram para longe para não serem perturbados por ninguém. Nem pelo telefone, nem pelos jornais e TV. Convidaram um pregador para conduzir o retiro. O horário é bastante light. Para fazer um bom retiro é preciso estar bem descansado. Por isso, o primeiro compromisso foi o café às 7.30, em silencio. Almoço e jantar também com fundo musical. Para a gente se encontrar consigo e com Deus o silêncio é fundamental. É um silêncio fecundo. Claro existe também o silêncio “vagabundo”, que é prejudicial. A casa de retiro das Irmãs do Imaculado Coração de Maria fica num ambiente paradisíaco. Como é bom escutar o canto dos sabiás, o chilrear das andorinhas, o martelar dos sapos, o chuá-chuá da corrente de água que passa no meio da casa.
Bem, o êxito do retiro depende 80% do quem o faz e 20% do pregador. Este é aquele que conduz o retiro com as meditações ou palestras. Ele indica os livros a ler, ou trechos da Bíblia para depois partilhar em grupo. Fizemos juntos o programa do retiro com os horários. Às 8.15 laudes (oração da manhã) com meditação. Tempo para leitura. Às 10h cafezinho. As 11.30 meditação e depois almoço e sesta. Às 14.30, hora média com mais uma meditação. Tempo para leitura. As 16.00 lanche e as 16.30 outra meditação. Missa concelebrada às 18h e depois o jantar. Às 20h Adoração do Santíssimo, no 1º dia, confissão dos padres, via sacra, e terço no 2º e 3º dia. Estou escrevendo estes pormenores porque a maioria das pessoas nunca fez um retiro ou também para os que já fizeram mas gostariam de saber como é o retiro de padres e diáconos.
D. Gílio começou dizendo que vai abordar o relacionamento do padre com Deus, com os irmãos e com a natureza. Estamos no ano sacerdotal, ano dedicado aos sacerdotes, que iniciou em 19 de junho e termina oficialmente em 19 de junho de 2010. O padroeiro dos padres é S. João Maria Vianney. Pediu que lêssemos a Encíclica do Papa João XXIII sobre ele e o livro “Pároco de Ars” de Walter Nigg. Falou-nos da falta de auto-estima que muitos padres têm de si por incrível que pareça. É preciso reavivar a consciência de que o sacerdote é o vigário de Cristo, é outro Cristo, é propriedade de Deus, consagrado. O mundo de hoje vive uma crise de identidade, de valores, de ralacionamento com a natureza, com a vida. Os presbíteros só formando uma família presbiteral unida ao bispo poderão enfrentar a situação. Esta família cultiva a amizade e promove a pastoral da amizade. Vive a alegria. Os sacerdotes mostram a identidade de sua igreja, quando constroem uma comunidade que escuta e acolhe, que celebra, e que vive a caridade, optando pelos pobres. A cruz faz parte da vida do sacerdote como de todo cristão. Fez parte da vida de Cristo. Cristo continua sendo crucificado nos dias de hoje nos inocentes, nos famintos, nos índios, nos afro-brasileiros, na mulher oprimida. Na cruz a salvação. Na cruz a glória. Eis alguns breves pensamentos extraídos das colocações de Dom Gílio. O espaço é limitado.
Agradeço a Deus por estes dias abençoados. Tempo de avaliação da caminhada. Tempo de projeção. Tempo de reflexão. Levo as seguintes perguntas: O que Deus quer de mim hoje? Qual o meu compromisso como bispo? Qual é a minha prioridade?
Conversando com o povo de Deus (....) Castigo de Deus?
Algumas considerações. “Chove chuva, chuva chove chovendo, sua Guaíba (Jacui, digo eu) vai enchendo”, escreveu um dia o poeta gaúcho Mário Quintana. No dia 26/11 viajei a POA, passando por cima da ponte Fandango. Nunca vi tanta água dos dois lados da BR153. A estrada estava transformada em uma taipa. Amedrontadora a passagem sobre a ponte. As águas invadindo casas, cobrindo plantações de arroz, matando animais. Que dilúvio. “Desde 1941 não houve mais enchente assim. Desde o mês de novembro 1986, não havia chovido tanto num mês de novembro”. Parece cíclico ou não?
Dizem alguns que os cachoeirenses atiram o lixo por toda parte menos na lixeira. Vêm as chuvas, o lixo entope os bueiros, as bocas de lobo, leva o lixo para os arroios e as águas sobem inundando ruas e casas. O culpado é Deus por ocaso?
O ano de 2009 não somente é pródigo em enchentes, mas também em tormentas, tornados, granizo, em chuvas demasiadas e violentas que estragaram as plantações. Quanto vai ser possível plantar arroz, colher fumo? Castigo de Deus? Deus fez chover 40 dias e 40 noites, mas antes pediu que o justo Noé com a sua família construísse uma arca (Arca de Noé) e nela entrasse levando um casal de todos os animais e o resto da humanidade pecadora pereceu. A Bíblia também nos narra que os filhos de Jacó foram ao Egito comprar trigo porque estava fazendo seca em Israel, porque no Egito depois de 07 anos de vacas gordas, vieram os 07 anos de vacas magras, mas José do Egito tinha mandado construir silos para guardar as sobras. Assim o trigo não faltou para os egípcios, nem para os estrangeiros. O que Deus nos quer ensinar com isso? Que devemos ser inteligentes como José do Egito? Quero acrescentar ainda que Jesus, quando lhe vieram informar que a torre de Siloé tinha caído e matado diversas pessoas, disse: “Vocês acham que aqueles que morreram eram mais culpados do que vocês? Se não fizerem penitência e se converterem perecerão todos”.
Há os que dizem que Deus está castigando o mundo de hoje porque o excluiu totalmente. O mundo adora os deuses do ter, poder e prazer. Escolheu o caminho da morte, veja o aborto, o sexualismo, as drogas, as guerras, a violência numa palavra. Quem ainda se pergunta pela lei de Deus? Tudo é permitido. Você decide.
Há os que dizem que aquilo que está acontecendo é conseqüência da agressão que o homem pratica em relação à natureza através do desmatamento irresponsável, da eliminação da mata ciliar, do uso indiscriminado dos agrotóxicos, da emissão de gases, a destruição da camada de ozônio. A poluição da terra, das águas e do ar. Castigo da natureza? A natureza se vinga sim. Mas quem criou as leis da natureza com causa e efeito? Deus. Deus na sua infinita sabedoria deu ao homem a liberdade de escolher entre o caminho da vida e o caminho da morte. Seguir as leis naturezas ou agredi-las.
O que dizer? Todas as respostas têm um que de verdade, mas nenhuma explica tudo. O mais importante de tudo isso é perguntar-se para que Deus permite tudo isso? Para que usando a nossa inteligência aprendamos uma nova maneira de viver, passando de uma economia construída sobre a ganância e o consumo para uma economia solidária e de sobriedade. Para que mostremos nesse momento a nossa solidariedade para com os atingidos. Somos ou não somos irmãos? Não podemos ficar nos lamentando e acusando os outros. Perguntemos-nos seriamente: Em que posso ajudar? Que o Bom Deus abençoe a todos.
Visita Ad Limina de 27/11 a 10/12/2009
Visita ad limina significa visita aos túmulos dos apóstolos, isto é, de S. Pedro e Paulo, fundamentos da Igreja Católica. De cinco em cinco anos, os bispos de mundo inteiro são convidados pelo Papa, segundo o Direito canônico, para esta visita, que hoje consta da visita também às Basílicas de Santa Maria Maior e S. João Latrão, onde os bispos concelebram a missa, rezando pela Igreja universal e suas dioceses locais. Além disso, são previstos dois encontros com o Papa, um em particular e outro com todos. São previstos encontros com as diversas Congregações e Conselhos ou Dicastérios, para nós seriam Ministérios, que ajudam o Papa no governo da Igreja. Já no início de 2009 foi mandado um relatório qüinqüenal (2003-2007) sobre a situação religiosa, econômica, social e política de nossa diocese de Cachoeira do Sul. Relatório que foi lido pelos diversos Dicastérios (22), e que foi depois discutidos nos diversos encontros).
A visita dos bispos do Brasil está sendo feita por regionais, que no Brasil são 17. Nós do RS, CNBB Sul 3, 18 dioceses, e SC, Sul 4, com 10, fomos convidados para fazermos a visita em conjunto. Somos 20 bispos pelo RS e 10 por SC.
Quem paga? A viagem até Roma, ida e volta, fica por conta das dioceses, já que o bispo está participando em nome da sua diocese. A estadia aqui na casa Santa Marta, dentro do Vaticano, a diária é de 100 euros, paga pelo Vaticano. Os deslocamentos de “pullminos” é oferta do pessoal da “Obra da Igreja”. As fotos, livros, lembranças, bênçãos, cafezinhos (cappuccino), metrô, bus, taxi, roupas, jantar fora é do bolso dos bispos. Mas posso afirmar que os bispos não são gastadores, não. Também com os preços daqui.
Iniciamos a nossa viagem com a TAM juntos, menos alguns, que já tinham viajado anteriormente, em POA, dia 26/11, às 13.00. Depois de um vôo de 1.35 estávamos em Guarulhos, SP. Lá fizemos o check-in na Alitalia para Roma. Saímos às 17.25 e chegamos a Roma, dia 27, às 7.45, depois de cerca 11h de vôo ininterrupto. A pessoa humana tem uma resistência fantástica e um poder de adaptação inimaginável. No aeroporto ficamos sabendo que o bispo de Bagé tinha fica retido no aeroporto de S.P. por falta de passaporte. Este tinha sido enviado em POA distraidamente numa mala direta para Roma. Assim o passaporte veio com as suas malas, mas ele ficou retido em S.P., conseguindo chegar a Roma só no dia 30/11, 2ªfª. Imaginem como ficou o bispo azarado. Como ficamos nós os seus colegas...
Ao sairmos do aeroporto nos esperava uma guia brasileira com o ônibus, gentileza da Unitur, que nos levou até a Casa Santa Marta, dentro do Vaticano. Tiramos as malas mas não conseguimos ocupar os quartos, que estavam sendo desocupados. Eu que não dormira no avião, pingando de sono, não pude tirar uma soneca antes do almoço das 13.00. Aproveitamos para caminhar e comprar cartões para telefonar. Acabamos batendo no apartamento do Cardeal D. Cláudio Hummes, fora do Vaticano, onde fomos calorosamente acolhidos e tomamos um cafezinho.
Voltando à casa Santa Marta, como é bom passar pela guarda suíça, eles batem continência como se a gente fosse um general. Ocupamos então os nossos quartos que, durante o conclave para eleição do novo Papa, são ocupados pelos cardeais eleitores. Depois do almoço deu enfim para dormir um pouco. O resto da tarde foi dedicado para acertar o planejamento e celebrar a missa. Bispo sem missa diária não se sente bem. Assim terminou o primeiro dia de nossa visita ad limina. Voltaremos em 2010, pois o Natal e o Ano Novo estão chegando.
Conversando com o povo de Deus (465). É Natal mais uma vez.
Natal é o aniversário do nascimento de Jesus, Filho de Deus, que se encarnou. Fez-se um de nós para nos salvar. O sentimento da necessidade de salvação é universal. O homem se sente incapaz de se libertar a si mesmo, de suas alienações, de suas fraquezas, de seus vícios e pecados. Este sentimento era muito difuso em Israel, assim os profetas mantiveram este desejo com as suas profecias. “Ele virá”. “Eis que uma virgem conceberá, profetizara Isaías, e dará à luz a um filho que será chamado Deus conosco”. E o anjo na noite santa de Natal anuncia aos pastores: “Vos anuncio uma grande alegria, eis que vos nasceu o Salvador”. E o coro dos anjos prorrompe cantando: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens que Deus quer bem”. A humanidade se preparou para a vinda do Messias Salvador durante milênios. Nós nos preparamos com a celebração dos 04 domingos do advento. Coroa do advento com 04 velas, cada domingo se acende mais uma. Tempo do advento, tempo de alegria e de oração vigilante na expectativa da vinda. Tempo em que no Brasil se realiza a Campanha da Evangelização, cuja coleta no domingo de Ramos teve o objetivo de recolher fundos necessários para a evangelização. Você já deu a sua colaboração? Nunca é tarde. O mundo dos negócios se prepara com a oferta de presentes do Papai Noel.
Papai Noel, alegria das crianças e adultos, teve a sua origem em São Nicolau, que no Natal, vestido de bispo com mitra, distribuía presentes para as crianças. O menino Jesus através de S. Nicolau distribuiu os presentes. Para os que crêem, Jesus continua hoje distribuindo presentes através do Papai Noel. Você pensa em Jesus, que o ama, vendo o Papai Noel?
Jesus nasceu em Belém, mas não sabemos exatamente o dia, pois a Bíblia não no-lo diz. A data foi colocada pelos cristãos, no dia 25 de dezembro, dia do deus Sol, adorado pelos romanos, querendo dizer que o verdadeiro sol é Jesus Cristo. Ele é a luz do mundo. Quem o segue não anda nas trevas. Ele é a sua luz? O Natal, hoje, não é mais só dia 25, já está sendo celebrado muito antes nas escolas, nas empresas, nos grupos religiosos ou não. Acontece o churrasco da confraternização, da revelação do amigo secreto com os presentes, com os votos de um Feliz Natal. Que bonito. Feliz Natal, o que de fato as pessoas pensam desejar? Feliz jantar com peru? Boa sorte? Bons negócios? Gozo de prazeres materiais? Bom feriadão?
Para S. Francisco de Assis o Natal era a festa das festas, porque Deus Pai nos amou tanto, que mandou-nos o seu próprio Filho, que assumiu a nossa natureza humana com o cosmos (ecologia). Que humilhação da parte de Deus, que só o amor explica. Cristo com a sua encarnação mostrou o valor da pessoa humana e da natureza. Ele nos divinizou. Por isso, Francisco queria não só a fraternidade entre nós, mas de maneira especial neste dia com os pobres, porque Jesus se fez pobre. Eles deveriam receber nesse dia de Natal uma refeição melhor. Mas não só, mas também os animais deviam receber uma porção maior de comida no Natal, e de maneira especial, o boi e o burro que tinham esquentado Jesus no presépio. Irmãos (ãs) celebremos o Natal com alegria e generosidade em família, mas sem excluir os pobres e os animais de um presente.
Feliz Natal de muita paz, união e fraternidade. Somos todos irmãos (ãs). Deus criou a nós e o mundo.
Conversando com o Povo de Deus (470) Visita Ad Limina de 27/11 a 10/12/2009 (1)
Começarei somente hoje a publicar a Visita dos Bispos a Roma. Por quê? Porque houve muitos assuntos antes mais prementes, como o Natal, o Ano Novo e a Mensagem do Papa sobre a Paz e a Criação.
Visita ad limina significa visita aos túmulos dos apóstolos, isto é, de S. Pedro e Paulo, fundamentos da Igreja Católica. De cinco em cinco anos, os bispos de mundo inteiro são convidados pelo Papa, segundo o Direito canônico, para esta visita, que hoje consta da visita também às Basílicas de Santa Maria Maior e S. João Latrão, onde os bispos concelebram a missa, rezando pela Igreja universal e suas dioceses locais. Além disso, são previstos dois encontros com o Papa, um em particular e outro com todos. São previstos encontros com as diversas Congregações e Conselhos ou Dicastérios, para nós seriam Ministérios, que ajudam o Papa no governo da Igreja. Já no início de 2009 foi mandado um relatório qüinqüenal (2003-2007) sobre a situação religiosa, econômica, social e política de nossa diocese de Cachoeira do Sul. Relatório que foi lido pelos diversos Dicastérios (22), e algo disso foi depois discutido nos diversos encontros.
A visita dos bispos do Brasil está sendo feita por regionais, que no Brasil são 17. Nós do RS, CNBB Sul 3, 18 dioceses, e SC, Sul 4, com 10, fomos convidados para fazermos a visita em conjunto. Éramos 20 bispos pelo RS e 10 por SC.
Quem paga? A viagem até Roma, ida e volta, fica por conta das dioceses(1.200,00 USA), já que o bispo está participando em nome da sua diocese. A estadia aqui na casa Santa Marta, dentro do Vaticano, junto da Basílica São Pedro, a diária é de quase 100 euros, paga pelo Vaticano. Os deslocamentos de “pullminos” é oferta do pessoal da “Obra da Igreja”. As fotos, livros, lembranças, bênçãos, cafezinhos (cappuccino), metrô, bus, taxi, roupas, jantar fora é do bolso dos bispos. Mas posso afirmar que os bispos não são gastadores, não. Também com os preços altos daqui.
Iniciamos a nossa viagem com a TAM juntos, menos alguns, que já tinham viajado anteriormente, em POA, dia 26/11, às 13.00. Depois de um vôo de 1.35 estávamos em Guarulhos, SP. Lá fizemos o check-in na Alitalia para Roma. Saímos às 17.25 e chegamos a Roma, dia 27, às 7.45, depois de cerca 11h de vôo ininterrupto. A pessoa humana tem uma resistência fantástica e um poder de adaptação inimaginável. No aeroporto ficamos sabendo que o nosso colega de Bagé tinha fica retido no aeroporto de S.P. por falta de passaporte. Este tinha sido enviado em POA distraidamente numa mala direta para Roma. Assim o passaporte veio com as suas malas, mas ele ficou retido em S.Paulo. Imaginem como ficou o bispo azarado. Como ficamos nós os seus colegas... Graças a Deus conseguimos através de um sacerdote que viajou para o Brasil mandar-lhe o passaporte.
Ao sairmos do aeroporto nos esperava uma guia brasileira com o ônibus, gentileza da Unitur, que nos levou até a Casa Santa Marta, dentro do Vaticano. Tiramos as malas, mas não conseguimos ocupar os quartos, que estavam sendo desocupados. Eu que não dormira no avião, pingando de sono, não pude tirar uma soneca antes do almoço das 13.00. Aproveitamos para caminhar e comprar cartões para telefonar. Acabamos batendo no apartamento do Cardeal D. Cláudio Hummes, fora do Vaticano, onde fomos calorosamente acolhidos e tomamos um cafezinho.
Voltando à casa Santa Marta, como é bom passar pela guarda suíça, eles batem continência como se a gente fosse um oficial do exército. Ocupamos então os nossos quartos que, durante o conclave para eleição do novo Papa, são ocupados pelos cardeais eleitores. Depois do almoço deu enfim para dormir um pouco. O resto da tarde foi dedicado para acertar o planejamento e celebrar a missa. Bispo sem missa diária não se sente bem. Assim terminou o primeiro dia de nossa visita ad limina. (Continua)
Louvado sejas, meu Senhor (inspirando em S. Francisco de Assis no Cântico das Criaturas) pela Visita ad limina e à Alemanha. Louvado sejas pelos cartões de Natal e Ano Novo e presentes recebidos, incluo o do JP. Louvado sejas pelas alegrias e tristezas, sucessos e fracassos de 2009. Louvado sejas,meu Senhor, pela férias de 05 dias passadas no HCB de Cachoeira do Sul. Louvado sejas pela acolhida da Provedoria do Hospital, destaco o Dr. Florence, pelos médicos cirurgiões: Dr. Lauderi e dr. Eduardo, Dr. Fernando anestesista e Dr. Rudinei, pelo grupo atencioso das enfermeiras(os) e da pastoral hospitalar(Guardo o nome de todas(os)). Louvado sejas pelas visitas e telefonemas dos padres, diáconos, seminaristas, religiosas(os), diocesanos. A doença também é fonte de bênção, de solidariedade, união, comunhão e amizade. De reflexão: “Quem sou eu?”
Conversando com o povo de Deus (468) Visita ad limina (2)
Continuamos a série da visita dos Bispos do RS e SC a Roma. Dia 28/11/2009, sábado, às 9h iniciamos a nossa visita ao Conselho pela Pastoral da Saúde (1). Depois de uma breve oração recebemos as boas vindas. Depois aconteceu a apresentação dos membros do Conselho, entre eles há uma médica carioca, a Ir. Juliana. D. Liro fez a nossa apresentação e um resumo do que estamos fazendo nas nossas dioceses. Eles nos colocaram o trabalho que realizam editando uma revista, publicando livros sobre a drogadição, realizando viagens para realizar palestras e encontros para estimular a Pastoral da Saúde. Acentuaram a importância da Pastoral da Saúde nos hospitais. “Há mais doentes nos hospitais, que fiéis em nossas igrejas”. A Igreja tem que estar presente de maneira especial junto de seus fiéis que sofrem. Lembraram-nos da necessidade de constituir associações de médicos católicos e enfermeiros, da necessidade da educação sexual e do estudo da bioética. E elogiaram o grande trabalho que a Igreja católica realiza no Brasil.
Depois, às 11h, fomos visitar a Congregação pela Doutrina da Fé (2), que tem como presidente um cardeal, que é o sucessor do Card. Ratzinger. O esquema inicial é o mesmo do anterior. Pedimos diversas explicações entre eles sobre o grupo de anglicanos que quer voltar à união, sobre os pontos de nossa fé que devemos acentuar, sobre o diálogo com outras religiões e filosofias, etc. Colocamos também a necessidade de um estudo sério sobre a canonização do Padre Cícero. Foi uma conversa franca, alegre e fraterna. Ao chegar em casa recebi a notícia, que 2ª fª, seria recebido pelo Papa às 11.45. Assim terminou o 2º dia.
Domingo, dia 29/11, programa livre. Eu fui matar as saudades de minha capelania, do tempo em que eu trabalhei em Roma, de 1985 a 1991, em Bosco Marengo, Roma. Lá encontrei as Irmãs Franciscanas, um pouco envelhecidas, como eu também, e diversas famílias que participavam da missa aos domingos e cujas casas eu benzi no tempo da quaresma. Concelebrei com os 03 freis, + Aloísio e + Irineu Gassen e Fr. Nestor. Recordar é reviver. Depois almoçamos juntos na Cúria Geral dos Franciscanos com o Card. + Cláudio Hummes e o Fr. Romano Dellazari, professor de exegese na PUC, que faz a sua pós-graduação. De noite, fui comer uma pizza com o Pe. Manuel, ex-professor da PUC e ex-pároco da paróquia N. Sra. Aparecida, em Ipanema, POA e que trabalha como secretário particular do Card. Dom Cláudio. Assim terminou o 3º dia.
Segunda, dia 30/11, às 7.30, nós 30 bispos, celebramos a missa no altar do Túmulo de S. Pedro, que fica na cripta da Basílica. É a 2ª vez que tenho esta graça, a 1ª foi em novembro de 2002. S. Pedro, aquele que Jesus constituiu o chefe da Igreja, foi de Jerusalém para Antioquia e de lá para Roma, onde foi crucificado de cabeça para baixo e depois sepultado, lá onde estávamos celebrando a missa. Tudo isso parece um sonho. Emocionante.
Depois visitamos, às 9.30, o Conselho “Cor Unum” (3), que realiza projetos de caridade com doações recebidas de entidades e de fiéis. Não tem nada a haver com o Óbolo de S. Pedro. O Conselho recebe pedidos para pequenos projetos para indígenas, agricultores e outros. Foi fundado por Paulo VI. A fé deve produzir frutos de caridade. “A fé sem as obras é morta”. Existe a caridade particular e a caridade social.
Por causa da minha visita ao Papa, ás 11.45, não pude comparecer aos encontros, às 11.00, com o Tribunal da Signatura Apostólica (4) e depois com a Penitenziaria Apostólica (5). De noite, os bispos do RS tiveram um encontro com a Comunidade Santo Egídio, que tem um pequeno grupo também em Cachoeira, pela qual fomos convidados para a oração das Vésperas e um encontro com jantar. Estivemos na sala, onde, em 04 de outubro de 1992, por intermediação da Comunidade Santo Egídio, foi assinada a paz em Moçambique, entre a Renamo (comunista) e a Fremlino. Eles promovem também todos os anos o Congresso Internacional pela Paz. Eu tive a graça de participar do mesmo no ano passado em Cracóvia, Polônia. Sobre o encontro com o Papa falarei num outro Conversando. Assim terminou o 4º dia.
Conversando com o povo de Deus (477) Visita ad limina (8)
Continuemos... Dia 08/12, dia da Imaculada Conceição. Em Cachoeira é feriado municipal porque é a data da padroeira do município, mas aqui é feriado religioso em toda a Itália. O Papa foi a Piazza di Spagna colocar uma coroa de flores diante da imagem de N. Sra. da Conceição e depois fez o mesmo dentro do Vaticano, na gruta de N. Sra. de Lourdes. Os meus colegas bispos aproveitaram para uma excursão, gentileza dos Legionários de Cristo, para o Monte Subiaco, onde S. Bento viveu e fundou a ordem dos beneditinos. Lembre-se que o Papa atual é um grande admirador deste santo, por isso, escolheu o nome de Bento XVI. Lá celebraram a missa e depois na volta passaram nos Legionários onde jantaram. Eu tive que ficar em casa porque o meu joelho começou a doer muito. Vocês sabem jogador de futebol que sente uma lesão pede para sair do jogo para não piorar a lesão! O que houve? Não sei. Só sei que aconteceu de repente: dor e dificuldade em caminhar. Menisco? (Hoje, dia 10/03/2010, eu sei: foi ruptura do menisco). Este foi o 12° dia.
Graças ao comprimido paracetamol, dormi bem e hoje de manhã, dia 09, já pude, não obstante, a dificuldade de caminhar acompanhar a visita à Congregação da Causa dos Santos (18) e à Comissão para a América Latina (19). Na Congregação fomos informados como estavam as causas de canonização, último estágio, dos beatos: Pe Manuel e de Adílio Daronch de Frederico Westphalen. Falta um milagre para a canonização, assim também para a beata Albertina de Tubarão. A boa notícia foi que a Serva de Deus Bárbara Feix tem todas as condições para ser canonizada no próximo ano em maio talvez (2010). Seria um ponto alto também na celebração dos 100 anos da arquidiocese de POA.
Quanto ao Servo de Deus João Aloísio Pozzobon de Santa Maria ainda não chegou à Congregação o milagre necessário. O processo do Servo de Deus, Pe. João Batista Reus está mais atrasado por ter sido mal encaminhado. Em Caxias, há a causa do servo de Deus Pe. João Schiavo. No momento corre o processo sobre autenticidade do milagre apresentado. Em termos de Brasil o processo mais adiantado para a canonização é o da Ir. Dulce, a nossa Teresa de Calcutá.
O milagre é fundamental porque é o sinal que Deus dá, que de fato a pessoa praticou em sua vida heroicamente as virtudes cristãs e confirma que a Igreja é santa. O milagre de cura deve ser atestado pela ciência. Em Roma há também um médico brasileiro que participa desta equipe. Os médicos só atestam que o fato não se explica pela medicina. O santo mostra a experiência global de que viver o evangelho numa cultura é possível. Também nos recorda a nossa vocação à santidade.
Na Comissão para a América Latina (CAL) (20) fomos lembrados de que nós bispos devemos ter uma grande preocupação em escolher os melhores padres como a formadores, selecionar bem os candidatos ao seminário, não aceitar candidatos rejeitados por bispos ou superiores religiosos. AL recebeu grande ajuda de padres da Europa e agora é hora também de nós pensarmos nas missões. A CAL está também ajudando seminários pobres, estudantes, e sacerdotes pobres.
Encerramos assim as visitas às 22 Congregações e Conselhos, faltando duas: Conselho das Comunicações Sociais (21) e Conselho para a Unidade dos Cristãos (22). Não pude ir porque estava com a viagem marcada para a Alemanha. Valeu. Foi um banho de fraternidade, de ensinamentos, de comunhão, de partilha, de diálogo. Nós bispos voltamos com um novo vigor, nova energia, com novos sonhos. Esta foi a minha segunda e última Visita ad limina, que se realiza de cinco em cinco anos. Digo última por motivo de idade. Aos 75 anos o bispo se torna emérito. Vai para a reserva! Esse foi 13º dia e último. Obrigado por ter me seguido até o fim. +++++++++++++++++++ Recebi do Senador Pedro Simon o seu discurso pronunciado na Sessão Especial do Senado Federal, em comemoração aos 46 anos da Campanha da Fraternidade, em 26/02/2010. “Se juntássemos todos os documentos das CF, teríamos o melhor de todos os programas de governo” A economia e a política têm uma só constituição internacional a globalização. Uma só religião verdadeira o consumismo. “E o Sen. Cristovam Buarque, em seu aparte, disse: Eu também tinha pensado em falar sobre a CF de 2010, talvez a mais profunda de todas”. A CFE não interessa só às Igrejas Cristãs do CONIC, mas à toda sociedade brasileira.
Conversando com o povo de Deus (478) Pedofilia é só coisa de padres?
Escrevi de Itaici, em 27/04/2002, durante o encontro da CNBB, o assunto dos jornais era a pedofilia do clero, assim como está acontecendo em março de 2010, o seguinte:
“Hoje quero falar sobre isso. A pedofilia não tem a sua raiz na formação dos seminaristas ou no celibato. O problema pode se encontrar também entre pediatras, psicólogos, médicos, professores, militares, outras religiões, etc. O problema sempre existiu desde que existe o homem. As pessoas têm tendências heterossexuais, homossexuais, ou de pedofilia. Às vezes, também misturadas. O padre é gente, como tal ele tem umas dessas tendências. Mas o padre se compromete livremente ao celibato, que exclui não só o casamento, mas também a genitalidade. A pedofilia é pecado grave, não só no caso dos padres. É um crime. Jesus disse: “Ai daquele que escandalizar um só desses pequeninos. “Seria melhor que lhe atassem uma pedra ao pescoço e o atirassem ao mar”. A criança é sagrada. É intocável. O pecador deverá pagar por seu pecado. Deverá ser entregue à justiça. A Igreja o suspenderá de suas funções sacras. Deverá ser encaminhado para um tratamento psicológico ou psiquiátrico. Mas não se pode esquecer que ele é um ser humano, não podemos condená-lo ao inferno. Ele continua filho de Deus. Amado por Deus. É nosso irmão. Odiamos o seu pecado, mas devemos amar o pecador. Rezar por ele, para que se converta e tenha depois as forças para não recair. “Não julgueis para não serdes julgados”, disse Jesus. O acusado tem direito à defesa. E ele deverá ser considerado inocente até que provem o contrário. Por isso, o Card. Castrillón (Hoje falecido) exige que se faça em cada caso um autêntico processo para confirmar as provas de culpabilidade diante de um tribunal, e para garantir os direitos das vítimas e dos culpados.
O padre vive no contexto de um materialismo avassalador, de uma abertura sexual sem limites, permissivista e de um pansexualismo escancarado nas mídias. Nessa sociedade os padres são chamados a serem anjos de carne e osso. Não obstante isso, os casos de pedofilia denunciados no Brasil não chegam, no momento, a seis e isso entre quase 17 mil padres. Qual é o grupo humano que tem tão poucos pecadores como o clero? Uma pesquisa da Universidade de Pensilvânia afirma que 0,3% do clero dos Estados Unidos é pederasta. (As autoridades austríacas, 2010, falam de 17 casos em meio católico contra 510 em outros ambientes). Chama a atenção, segundo o Cardeal de Nova York, que são adultos, acompanhados de seus advogados, que fazem as acusações e que jamais lhe foi dado fazer um contato direto com os acusadores. Por quê? Por que os juizes condenam a diocese a pagar somas vultosas pelo pecado do padre?
Por que a mídia divulga até a exaustão esses episódios? Para D. Sinésio, as denúncias fazem parte de uma articulação mundial, liderada pelos americanos, para desmoralizar a Igreja, já que ela se opõe aos seus projetos de dominação econômica e militar (Invasão do Iraque). Eu acrescentaria que a mídia brasileira procurou desviar a atenção para coisas secundárias porque temas como: “Exigências éticas e evangélicas para a superação da miséria e da fome”, “Análise da conjuntura nacional”,(Hoje temos CFE sobre Economia e Vida) o questionamento sobre a ALCA, a aplicação da lei eleitoral 9840, não lhes interessavam. Concluo com D. Dadeus: “Faz mais barulho uma árvore que tomba do que uma floresta inteira que cresce no silêncio”. Eis o que escrevi em 2002 e que continua válido ainda hoje. ****************** Dia 10/03/10, tive a oportunidade de presidir, na Matriz de Sobradinho, a missa de exéquias do Sr. Olímpio Pedro Franceschet, casado com Dª Lidia, pais de 9 filhos, dos quais um se chama Pe. Osvaldo. Faleceu com 82 anos, quase 55 anos de catequista (Morreu na reunião dos catequistas, colhido por um enfarte fulminante), 60 anos de casado, homem dedicado à comunidade (Fez da Igreja a sua segunda casa), participante ativo na Cooperativa, na diretoria do Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Um guerreiro. Estavam presentes na missa 16 padres, um diácono e o bispo. E a Igreja lotada. Uma apoteose. Assim recompensa Deus a aqueles que o amam.
Conversando com o Povo de Deus (479) Você vai participar ou vai viajar na Semana Santa?
Dia 28, com o Domingo de Ramos, iniciamos a Semana Santa. Cor litúrgica vermelha. Benção de Ramos para recordar a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém e para aplaudi-lo também como nosso rei. Levamos para casa os ramos como símbolos da presença de Jesus protetor em nosso lar. Leitura da Paixão (torturas) e morte de Cristo na cruz. Ele é, de fato, o servo de Javé sofredor, profetizado, pelo sofrimento salva a todos. Também o nosso sofrimento, unido ao de Cristo, é salvífico. Vamos aclamar neste Domingo Jesus nosso líder e salvador? Dia também da coleta da Campanha da Fraternidade. “O que fizerdes ao menor dos meus é a mim que o fizestes”, disse Jesus.
Quarta Feita Santa, as 18h30 na Catedral, com a presença de 25 padres e 07 diáconos, o bispo presidirá a Missa do Crisma, quando serão bentos os santos óleos do batismo e da unção dos enfermos e consagrado o óleo santo do Crisma. O cristão é um ungido.
Quinta Feira Santa, inaugura-se o Tríduo Sacro. Cor branca. Dia da Ceia do Senhor Jesus com seus Apóstolos. Leonardo Da Vincci imortalizou num quadro este fato. Não há mulheres! É uma razão teológica invocada para aceitar só homens para o episcopado e sacerdócio. Nesta Ceia Jesus instituiu a Missa. “Isto é meu Corpo”. “Isto é meu Sangue”. E institui também o sacerdócio. “Fazei isso em memória de mim”. Segundo a teologia católica, a Eucaristia só é valida, só realiza a presença real de Cristo, se for celebrada por um homem sacerdote, validamente ordenado pelo Bispo sucessor dos Apóstolos. Na Última Ceia também foi instituído, por Cristo o grande mandamento do amor pelo lava pés. Devemos lavar os pés uns dos outros. Servir. Quem não vive para servir não serve para viver. Você já participou da Missa da Ceia do Senhor? No fim da Missa se translada solenemente o Santíssimo e o altar é desnudado.
Sexta Feita Santa. Cor vermelha. Dia da Paixão (sofrimento e tortura) e da morte de Jesus, a cujo sofrimento e morte unimos os nossos sofrimentos e os do mundo inteiro. Dia de jejum e abstinência de carne por amor. A leitura da Paixão é do evangelista São João. O clima da celebração é despojamento, silêncio e luto. A liturgia consta de 03 partes: 1- liturgia da palavra, 2- adoração da cruz (significa que adoramos Jesus o salvador do mundo que pendeu da cruz). 3- e o rito da comunhão. Hoje é o único dia do ano que não há missa para lembrar que ela é a atualização do sacrifício de Cristo na Cruz. Quem matou Jesus? Também eu. Cada fez que eu ajo contra ele, sua palavra, seus irmãos e a criação de Deus eu o crucifico de novo. “Era eu aquele irmão (ã) que tu maltrataste”. Cristo continua sendo crucificado na sua Igreja por muitos órgãos da mídia. Acusações de pedofilia, por exemplo. Você já pensou nisso? Em muitos lugares celebra-se a Via Sacra, às 15h, hora em que Jesus morreu na cruz e em outros lugares faz-se a procissão do Senhor Morto. Hoje também se faz a coleta em favor da manutenção dos Lugares Santos.
Sábado Santo. Vigília Pascal. Cor branca. Noite em que eram batizados os catecúmenos, depois de dois anos de catequese. As cerimônias e as leituras relembram a catequese recebida. 1- A celebração da luz. Cristo ressuscitou. Ele é a luz do mundo e nós somos convocados como batizados a ser luz com ele. 2- A liturgia da palavra, através dela nos são contadas as maravilhas que Deus realizou em favor de Israel, e que hoje, Ele realiza em favor de nós. Morremos com ele no batismo e ressuscitamos com ele. 3- Liturgia batismal. Benze-se a água batismal, se houver batizado ou então somente a água para aspersão. Todos renovam as promessas do batismo. Segue a Liturgia Eucarística. Você já participou da Missa de sábado de aleluia?
Domingo. Cor branca. Sim Cristo ressuscitou. Atestam-no o sepulcro vazio e as aparições. Ele ressuscitado continua vivo presente na sua palavra, nos sete sacramentos, de modo especial, na Eucaristia, no sacrário, na sua igreja. Está presente onde se vive o amor, a partilha, a honestidade, o respeito pela vida, o bem.
Meu irmão (ã) não viaje, participe todos os dias e você não se arrependerá. Assim você ressuscitará para uma vida nova com mais alegria e a paz.
Conversando com o Povo de Deus (481) A História da Igreja no RS
Neste ano de 2010 a Igreja no RS celebra os 100 anos da fundação da arquidiocese de POA e os 100 anos das dioceses sufragâneas de Pelotas, Uruguaiana e Santa Maria. Por isso, pretendo conversar com você sobre a história religiosa da Igreja no RS, mas para isso é preciso também abordar a história civil. O nosso estado pelo Tratado de Tordesilhas (7/6/1494) pertencia à Espanha. Aqui se falava espanhol e guarani. Os jesuítas que vieram para cá, em 1626, para evangelizar os índios guaranis, tapes e guenoas, vinham do Paraguai.
Mas o Papa Inocêncio XI, em 1676, fundou a diocese do Rio e na Bula da criação escreveu que os limites “seguirão ao sul, até a margem esquerda do Rio da Prata”. Isso motivou os portugueses a fundar a Colônia dos Sacramentos, à esquerda do Rio da Prata, e Laguna, em SC, como ponto de apoio para tomar posse de SC e RS, por terra. Assim surgiram no Rio Grande de S. Pedro, cidades como Vacaria, S. Francisco de Paula, Viamão e outras. O rei de Portugal havia dado ordem de doar uma sesmaria, ou seja, 3.600 hectares pra cada homem com posses suficientes para se estabelecer aqui no sul. Assim o nosso estado nasceu latifundiário. E continua sendo, principalmente na fronteira. A posse efetiva do Rio Grande se deu só em 1737 com a fundação do forte do porto de Rio Grande e outros que se espalharam pelo estado. O RS nasceu militar. (Durante a história, o RS deu 04 Presidentes militares ao Brasil). Num forte havia também sempre um padre, ao redor deles surgiram povoados, que depois passaram à cidade (freguesia) e paróquia. As primeiras duas paróquias foram de Rio Grande e Viamão.
Dois terços do RS pertenciam às Missões, dirigidas pelos padres jesuítas, a divisa passava lá onde se situam hoje as cidades de Vacaria, Rio Pardo e Bagé. Os paulistas vinham caçar os índios dos padres para levá-los como escravos para S.Paulo. Era necessário ocupar o outro terço do território. Para isso Portugal procurou os açorianos. Vieram para cá, a partir de 1752, cerca de mil casais, que se estabeleceram à beira da Lagoa dos Patos e dos rios. Fundaram cidades como Pelotas, Rio Pardo, Taquari e outras. O presidente da República Costa e Silva é filho de açorianos de Taquari. Eles trouxeram juntos os seus padres. Para cada 60 famílias um padre. Eles trouxeram para cá, o minifúndio. Recebiam 24 hectares para o cultivo familiar. Eis uma novidade. Assim também foi em Cachoeira do Sul. Primeiro vieram as 110 famílias militares portuguesas de S. Paulo, em 1750, que receberam uma sesmaria e depois os açorianos. Por isso, Cachoeira tem para a direção sul latifúndios e na direção norte o minifúndio. Outra novidade dos açorianos são as irmandades com as suas festas e procissões, com a devoção ao Divino Espírito Santo. As famílias açorianas produziram muitos padres e religiosos. Os açorianos vieram da ilha de Açores, mas também com o Tratado de Madrid, em 1750, da Colônia dos Sacramentos (Uruguai).
Com este Tratado Portugal trocava com a Espanha a Colônia dos Sacramentos com as Missões, mas com a cláusula que deveriam estar desocupados. Portugal despovoou, mas a Espanha não despovoou as Missões. Assim aconteceu a guerra. Os portugueses com a ajuda dos açorianos contra os jesuítas e os índios, liderados por Sepé Tiaraju, que foi morto. (“Alto lá esta terra tem dono”). O resultado da luta foi a destruição total dos Sete Povos e o despovoamento total da região. Em 1777, foi anulado o Tratado de Madri, mas em 1801, pelo Tratado de Santo Ildefonso foi ratificada definitivamente a troca da Colônia dos Sacramentos pelas Missões. Desde este ano o RS tem os atuais limites, mas a custa de muito sangue humano.
A civilização dos Sete Povos das Missões encantou o mundo e continua a encantar. Foi algo de maravilhoso o que os índios construíram sob a liderança dos jesuítas. Uma visita às ruínas das Missões, de maneira especial a de S. Miguel, é obrigatória para quem quer conhecer um pouco dessa história. E o espetáculo comovente de luz e som? Imperdível. Uma visita também a Caaró, onde foi martirizado o Pe. Roque Gonzales. Missões terra dos 03 mártires, Pe. Roque, João e Afonso, canonizados pelo Papa João Paulo II em Assunção, Paraguai, em 16/05/1988.
Conversando com o Povo de Deus (483) A história da Igreja no RS (3)
Depois dos índios, portugueses (lusitanos e açorianos), e negros, vieram para o RS, em 1824, os alemães pobres sem terra ou com poça terra. A primeira leva veio para S. Leopoldo. A maioria era protestantes. Estes, na sua maioria, se localizaram no lado direito do Rio dos Sinos desde Taquara até Estância Velha e os católicos na margem esquerda. Os protestantes vieram com os seus pastores, mas os católicos vieram sem padres. Os católicos, apesar de o Brasil ser católico oficialmente, se sentiram muito isolados. O bispo lá no Rio, as grandes distâncias, os padres daqui não falavam alemão. A 1ª capela surgiu em S. Leopoldo só em 1830. Durante 25 anos os alemães só conheceram celebrações de batismos e casamento feitas por padres. O culto eles mesmo faziam. O professor dava aula em alemão, ensinava catecismo, e a história sagrada, realizava os enterros, e aos domingos o culto, usando o livro trazido da Alemanha, o “Goffinebuch”.
A pedido do governo imperial o Papa Pio IX criou em 1848, a diocese de POA, separando-a do Rio, mas a posse do novo bispo, Dom Feliciano, só aconteceu em 1853.
Em 1849 vieram 03 padres jesuítas, que falavam o alemão, que iniciaram o seu trabalho com as missões populares. Eles encontraram muita ignorância religiosa, brigas nas comunidades, dificuldades de convívio entre católicos e protestantes, casamentos mistos, os vícios do jogo e da bebida, do trabalho aos domingos, os homens tinham verdadeiro pavor da confissão e não gostavam de rezar. Por onde os missionários passavam deixavam erguida uma cruz com os dizeres: “Salva a tua alma”. Desse trabalho surgiram, na “mata virgem”, duas paróquias a de Dois Irmãos (1857) e a outra de S. José do Hortênsio (1854), paróquia de Dom Ivo Lorscheider. A primeira paróquia criada foi a de S. Leopoldo (1846). As paróquias “brasileiras” ligadas ao padroado do império e as paróquias “germânicas” sustentadas pelas próprias comunidades, como também as escolas. O governo não oferecia escola, nem professores. Como eles poderiam aprender o português? Os jesuítas favoreceram a criação de novas colônias totalmente católicas como Cerro Largo e Itapiranga, Bom Princípio e outras. As paróquias “alemães” deram à Igreja do RS numerosas vocações. Em 1944, 75% dos padres no RS eram alemães ou de origem, sem falar das vocações religiosas masculinas e femininas. Atualmente a maioria dos bispos do RS tem sobrenome germânico. Resumindo os alemães trouxeram o espírito de fé e o espírito comunitário, construindo eles mesmos, a sua igreja (capela), escola e cemitério. Tendo ao lado do padre a figura do professor, que era um diácono não ordenado na realidade. Os alemães, na sua grande maioria, protestantes, vieram para o município de Cachoeira em 1857 e fundaram a Colônia de Santo Ângelo, hoje Agudo. De lá vieram para a cidade, onde marcaram uma presença forte no ensino e no agronegócio e na indústria.
Em 1875 vieram ao Brasil os primeiros italianos, de Piemonte e Lomabardia e principalmente do Vêneto e foram instalados na Serra Gaúcha, de 600 a 900 m de altitude, já que a parte baixa tinha sido ocupada pelos alemães. Os índios que habitavam a região alta foram expulsos. Os italianos fundaram as cidades de Garibáldi e Bento Gonçalves, e dali muitas famílias se espalharam por todo o estado. Estima-se que até o ano 1914 saíram da Itália para o Brasil um milhão e destes de 80 a 100 mil foram introduzidos no RS, surgindo assim um Riogrande altamente “italianizado”. Hoje, 30% da população gaúcha é de origem italiana. Em 1877 foi criada a 4ª Colônia, perto de Sana Maria. De lá muitos italianos vieram para Cortado e também para a cidade de Cachoeira do Sul, 1880. Eles contribuíram muito para o progresso da cidade. Os italianos, todos católicos, vieram para o RS com uma fé profunda que se exprimia na oração: nas 03 refeições do dia, na reza diária do terço, aos domingos na comunidade; na construção de capelas e igrejas, no campanário à parte, nos capitéis para agradecer graças, na devoção à N. Sra, Caravaggio, por exemplo. Antes de pedir escola ou professor pediam um padre. Assim como, entre os católicos alemães, do meio italiano surgiram muitos padres, bispos, religiosos (as). De Cortado, diocese de Cachoeira do Sul, saiu Dom Luiz Scortegagna, bispo auxiliar e depois bispo titular de Vitória E. Santo, e de Segredo Dom Hélio Rubert, bispo de Santa Maria. Em Dona Francisca, que pertenceu ao município de Cachoeira, nasceu o beato Adílio Daron beatificado com o Pe. Manuel, em Frederico Westphalen, em 2007. Os italianos eram pessoas de família, de grandes famílias, na qual a mãe tinha um papel proeminente. La mamma. Gente dinâmica e trabalhadora. Tiveram mais facilidade em aprender o português e adaptar-se à nova realidade que os alemães.
Conversando com o Povo de Deus (484) A história da Igreja no RS (4)
Poloneses. De 1869 a 1920 entram cerca de 60 mil poloneses no Brasil, 95% foi para o Paraná. Muitos eram católicos. Curitiba é a 2ª cidade fora da Polônia com o maior número de habitantes poloneses, superada só por Chicago. Os primeiros imigrantes poloneses chegaram ao RS de 1891 a 1894. Vinham como imigrantes russos, austríacos e prussianos, em decorrência do domínio exercido sobre a Polônia naquele tempo. “Polacos sem bandeira”. Eles muito contribuíram para a realidade étnica, cultural, e econômica. Os principais núcleos no RS são: Dom Feliciano, Mariana Pimentel, Guarani das Missões, Ijuí, S. Marcos e Erechim e POA, 4º distrito. Criou-se um preconceito contra o polonês, que se reflete na literatura, nos casamentos, nos processos crime. Há historiadores que dizem que os primeiros teriam chegado em 1875, fixando-se em Linha Azevedo, atual município de Carlos Barbosa. Em 1923 o número deles eram ao redor de 61.200 indivíduos, a segunda do Brasil. Nunca se esqueceram de suas tradições católicas, construindo suas capelas e escolas. A partir de 1900 chegaram padres que falavam polaco, principalmente padres da Congregação dos Vicentinos. A fé em Deus os fez superar todos os obstáculos. Os poloneses foram o 3º maior grupo migratório do RS. Lembremo-nos que Papa João Paulo II era polonês. Teve um encontro com os seus compatriotas em Curitiba.
Franceses. A única colônia francesa é a colônia Santo Antônio no município de Pelotas. Dedicaram-se ao cultivo de videiras e alfafa. Introduziram também o pêssego. Os franceses vieram para Pelotas, Rio Grande, e Canguçu via Montevidéu, atraídos pelos bons negócios. A maioria deles eram agricultores. Os freis franceses capuchinhos chegaram ao RS em 1896, indo para Garibáldi, onde se estabeleceram para atender os imigrantes italianos, a pedido do 3º bispo do RS Dom Cláudio Ponce de Leão. Seu apostolado baseou-se em missões populares, paróquias, escola vocacional, jornal e educação. Hoje quase todos são de origem italiana e seguem a orientação de seus fundadores. Hoje assumiram a Pastoral da AIDS e outras pastorais sociais. Os irmãos maristas trouxeram da Europa a espiritualidade do francês, São Marcelino Champagnat, assim também os Lassalistas fundados por S. João Batista de La Salle e as Irmãs de S. José de Chambéry. Vieram para o Brasil também franceses engenheiros. Temos também suíços de língua francesa. Temos um lugar chamado Linha Francesa Alta e a outra Linha Francesa Baixa, em Bom Princípio, hoje Barão. Não encontrei estatísticas sobre o número de franceses vindos ao Brasil. A cultura civil e religiosa francesa tiveram uma grande influência sobre a Igreja no RS.
Libaneses e Sírios. Atualmente as estatísticas, sobre o número de pessoas de ascendência árabe no Brasil são muito divergentes. O imperador Dom Pedro II, encantado com a cultura do Oriente Médio, convidou os cristãos perseguidos pelos muçulmanos turcos a emigrarem para o Brasil. Muitos vieram para o Brasil. Vinham, com o passaporte turco. A emigração começou por 1880. Em 1930 viviam no Brasil cerca de 100 mil árabes. Comerciantes, mascastes. Famílias numerosas. De 1975 a 1991 chegaram também muitos muçulmanos por causa das guerras no Oriente Médio. Atualmente são cerca de 1,5 milhão. São reconhecidos pela maneira de vestir e pelas mesquitas. Para Cachoeira do Sul vieram da Síria 20 famílias católicas: os Germanos, Mafhouz, Amim, Thomaz e outros. Das famílias saíram padres e religiosos e o bispo Dom Antônio Cheuiche, de família libanesa, de Caçapava do Sul. Os católicos na sua maioria são do rito maronita. Tem em POA a Igreja N. Sra. do Líbano.
Japoneses. Eles vieram para Brasil a partir de 1904. Vinham no início para fazer o pé de meia e voltar. Eles formam hoje no Brasil a maior comunidade japonesa do mundo fora do Japão. Ao RS chegaram só no dia 20/08/1956 e vieram para ficar. Eram apenas 23 jovens. E hoje, depois de quase 50 anos temos cerca de 1,5 mil japoneses e 3 mil descendentes em todas as regiões do Estado. A principal vocação dos japoneses entre nós foi e continua sendo a agricultura. Eles nos ensinaram o hábito do consumo diário de produtos hortigranjeiros. Mas à medida que o tempo foi passando, eles começaram a contribuir para o desenvolvimento do Estado também em outras áreas. Os japoneses eram budistas (zen-budistas) e xintoístas. Hoje através da catequese dos padres e casamentos, 60% dos seus descendentes são católicos.
Conversando com o povo de Deus (485) A História da Igreja no RS (5)
Até agora vimos a formação étnica do RS: índios, portugueses(lusitanos e açorianos), alemães, italianos, poloneses, franceses, árabes (libaneses e sírios) e japoneses. Claro há outros pequenos grupos, mas não tiveram tanta influência pra a história da Igreja. Hoje vamos dar um passo para frente.
Em 1840 Dom Pedro II assumia o trono. Pelo padroado ele nomeava os bispos, autorizava as ordenações e o ingresso dos noviços nas congregações, nomeava párocos e até organizava missões, construía seminários e os mantinha. Era uma Igreja dependente do Estado. O imperador tinha pouco recurso. Por isso, também que a formação de novas dioceses necessárias eram retardadas. Era preciso reagir. Os bispos mesmos reformam seminários e abriram novos. Em POA o seminário foi instalado na própria residência do 1º Bispo. Os bispos se ligaram cada vez mais ao Papa e procuravam aplicar assim as exigências do Concílio de Trento: formação do clero e catequese para o povo. O que alguns chamam de “romanização da Igreja”. Ela foi necessária para uma Igreja livre, que aconteceu com o fim do padroado em 1890. Observação: a catequese até hoje é um problema. Quanta ignorância religiosa entre adultos.
A separação da diocese do Rio aconteceu oficialmente em 07/05/1848 pelo Papa Pio IX, criando a diocese de POA, mas o novo bispo Dom Feliciano José Rodrigues Prates, nascido em Gravataí, ordenado no Rio, tomou posse só 03/07/1853. Para ele o padre é tirado do meio povo e colocado acima do povo. Para ele todos olham como exemplo de virtude e santidade. O povo deve conhecer o Catecismo e a História Sagrada. Os outros bispos foram: Dom Sebastião Dias Laranjeiras, baiano. Dom Cláudio José Ponce de Leão, dois como arcebispo, também baiano. Dom João Becker, nasceu em San Wendel, diocese de Trier, Alemanha, foi antes bispo de Florianópolis, que pertenceu à Arquidiocese de POA até 1927. Dom Vicente Scherer, nasceu em Bom Princípio, foi o nosso primeiro cardeal gaúcho. Dom Cláudio Colling, nascido em Harmonia, tinha sido anteriormente bispo auxiliar de Santa Maria, depois bispo titular de Passo Fundo. Dom Altamiro Rossato, filho de Tuparandi, redentorista, tinha sido antes arcebispo bispo de Marabá, PA. Dom Dadeus Grings, filho de Nova Petrópolis, primeiro foi bispo de S. João da Boa Vista, SP. POA teve só 8 bispos em 167 anos.
Todo o RS pertencia à diocese de POA. Em 10/08/1910 Pio X criou a arquidiocese de POA com as dioceses sufragâneas de Pelotas, Uruguaiana e Santa Maria.
Pelotas. Era um grande centro industrial e comercial, com contatos com o exterior, com muitas paróquias e centros religiosos. Naquele tempo a Região Sul era a mais rica. Como os tempos mudam! A prática religiosa não era das mais fervorosas. Igrejas vazias, poucas comunhões por semana. A fé parecia extinguir-se. Os bispos foram os seguintes: Dom Francisco de Campos Barreto, campinense, e que 1920 se tornou arcebispo de Campinas, onde fundou o Instituto das Irmãs de Jesus Crucificado, que fundaram depois a Escola N. Sra. das Dores em Cachoeira do Sul, que hoje foi transformada na moradia do bispo e cúria! Dom Joaquim Ferreira de Mello, cearense, que fundou o seminário. Dom Antônio Zattera, filho de Banto Gonçalves, que fundou a Universidade Católica. Dom Jaime Chemello, natural de S. Marcos, que foi Vice e Presidente da CNBB. Dom Jacinto Bergmann, de Alto Feliz, bispo de Tubarão, SC, desde 2004 e nomeado para Pelotas em 2009. São cinco bispos em 100 anos.
Uruguaiana. Ela compreendia toda a região da Campanha e a região Missioneira. Região da agro-pecuária e latifúndios. Os bispos foram os seguintes, depois arcebispo de Diamantina, Brasília e por fim Arcebispo do Ordinário Militar do Brasil Dom Hermeto José Pinheiro, alagoense. Dom José Newton de Almeida Batista, de Niterói, RJ. Dom Luís Felipe de Nadal, filho de Guaporé, falecido num acidente aéreo, piloto de avião e tradicionalista gaúcho. “O bispo folclórico”. Hoje diríamos: Bispo Pop. Dom Augusto Petró, de Santo Antônio da Patrulha, antes bispo de Vacaria e Passo Fundo. Dom Pedro Ercílio Simon, filho de Ibiaçá. Veio de Cruz Alta, depois de 2 anos foi transferido para Passo Fundo. Dom Ângelo Domingos Salvador, franciscano capuchinho, filho de Vacaria, foi antes bispo auxiliar de Salvador da Bahia, bispo de Coxim, bispo de Cachoeira do Sul. Atualmente emérito. Dom Aloísio Alberto Dilli, franciscano OFM, filho de Poço das Antas. São sete bispos em 100 anos.
Santa Maria. Os bispos foram: Dom Miguel de Lima Valverde, baiano, depois nomeado arcebispo de Olinda e Recife. Dom Ático Eusébio da Rocha, também baiano. Foi depois para Cafelândia (SP) e finalmente arcebispo de Curitiba. Dom Antônio Reis, filho de Santa Cruz do Sul, tio de nosso Mons. Beno Reis, pároco em Arroio do Tigre. Dom Vitor Sartori, de Caxias do Sul, bispo de Montes Claros, bispo de Santa Maria. Entre parêntesis: Foi pároco da paróquia S. Francisco, em POA, onde mais tarde eu também fui pároco. Dom Érico Ferrari, de Nova Palma, morreu em acidente de jeep. Dom Ivo Lorscheider, de Caí, de bispo auxiliar de POA pra bispo titular de Santa Maria, foi Vice e Presidente da CNBB. Dom Hélio Adelar Rubert, filho de Segredo/Sobradinho. De bispo auxiliar de Vitória, ES para bispo titular de Santa Maria. Durante o episcopado de Dom Ático o Pe. Manuel Gomez Gonzales, espanhol e o coroinha Adílio Daronch, cachoeirense, foram martirizados em Feijão Miúdo, Três Passos. Os restos mortais estão enterrados em Nonoai. Eles foram betificados em 2007 em Frederico Westpahlen. São sete bispos em 100 anos. Destas quatro dioceses nasceram mais 14.
Conversando com o Povo de Deus (486) A Hist. da Igreja no RS (6)
As dioceses de POA, Pelotas e Uruguaiana e Santa Maria deram à luz às demais diocese do RS. A arquidiocese de POA gerou as dioceses de Caxias, Vacaria, Novo Hamburgo, Santa Cruz do Sul, Osório e Montenegro. Seis. Santa Maria gerou: Passo Fundo (que por sua vez gerou Erexim), Frederico Westphalen, Cruz Alta, e Cachoeira do Sul. Cinco diretamente. Uruguaiana gerou Bagé e Santo Ângelo. Duas. Pelotas gerou Rio Grande. Uma. São no total 18 dioceses. Bispos titulares, 18. Bispos auxiliares, 03. Bispos eméritos (aposentados/na reserva), 07.
Caxias do Sul desmembrou-se de POA. O principal motivo da criação desta nova diocese era a de melhorar a situação dos seminaristas italianos, que se sentiam discriminados em S. Leopoldo. A diocese foi criada pelo Papa Pio XI em 08/09/1934. Os bispos de Caxias: são Dom José Baréa, Nova Treviso. Dom Benedito Zorzi, de Nova Pádua, e Dom Nei Paulo Moretto, de Caxias do Sul, foi o 1º bispo de Cruz Alta, de lá foi transferido para Caxias do Sul, primeiro como coadjutor e depois como titular. Nestes 76 anos teve apenas três bispos.
Vacaria desmembrou-se de POA. Não tinha clero diocesano, só religiosos, nem tinha seminário. Por isso, Dom João Becker pediu ao Papa a criação de uma Prelazia. No mesmo momento em que Caxias era criada diocese, Vacaria era criada Prelazia, em 1934, com 08 paróquias. Passou a diocese em 1957. Bispos: Dom Frei Cândido Bampi, franciscanos capuchinho, de Caxias do Sul. Dom Augusto Petró, depois transferido para Uruguaiana, nascido em Santo Antônio da Patrulha. Dom Henrique Gelain, de Flores da Cunha. Dom Orlando Dotti, franciscano capuchinho de Antônio Prado. Foi antes bispo de Caçador e Barra. Dom Pedro Sbalchiero Neto, primeiro bispo coadjutor, depois titular, filho de Sananduva, saletiano. Dom Irineu Gassen, franciscano OFM, Formosa/Santa Cruz do Sul. Nestes 76 anos Vacaria teve cinco bispos.
Bagé, em 25/07/1960, desmembrou-se de Uruguaiana. Têm as características da Campanha, grandes extensões vazias e cidades com a população concentrada nas cidades. Esperava-se da criação da nova diocese um maior despertar de vocações. Bispos: Dom José Gomes, depois transferido para Chapecó, SC, natural de Erexim. Dom Ângelo Félix Mugnol, de Farroupilha. Dom Laurindo Guizzardi Carrlista, nascido em Nova Bassano, depois transferido para Foz do Iguaçu. Dom Gílio Felício, nascido em V. Sério/Lageado, criado em Santa Cruz do Sul. Primeiro foi bispo auxiliar em Salvador da Bahia. É o primeiro bispo negro do RS. Bispos cinco.
Frederico Westphalen, em 1962 desmembrou-se de Santa Maria. Não obstante o nome da cidade sede da diocese, a população na sua maioria é descendente de italianos vindos da 4ª Colônia, perto de Santa Maria. A população é formada por índios (é a diocese que tem mais índios), lusos, italianos, poloneses e alemães. Os grupos dominantes não simpatizavam com o catolicismo. Bispos: Dom João Hoffmann, nascido em Joaneta/S. Leopoldo, foi transferido depois para Erechim. Dom Bruno Maldaner, nascido em Pinhal Alto, Nova Petrópolis, foi antes bispo auxiliar de S. Paulo. Dom Zeno Hastenteufel, Linha Rodrigues da Rosa, Montenegro, depois foi transferido para Novo Hamburgo. Dom Antônio Carlos Rossi Keller, nascido em S. Paulo, tomou posse em 2008. Em 2007, na cidade de Frederico Westphalen, foram beatificados Pe. Manuel Gomez Gonzales e o coroinha Adílio Daronch. Os restos mortais estão no Santuário dos Mártires em Nonoai. Foram mortos em Feijão Miúdo, Três Passos. Todos estes lugares ficam hoje na diocese de Frederico, naquele tempo era de Santa Maria... Bispos quatro.
Santo Ângelo, criada em 22/05/1961, desmembrada de Uruguaiana. Terra missioneira. Terra dos Sete Povos. Terra de muita história. Povoada agora pelos imigrantes alemães e italianos, principalmente. É uma realidade totalmente diferente da Campanha. Outra cultura. Por isso, a necessidade da separação. Bispos: Dom Aloísio Lorscheider, franciscano ofm, nascido em Picada S. Geraldo/Estrela, depois foi nomeado Arcebispo de Fortaleza, onde o papa o nomeou cardeal, e por fim transferido para N. Sra. Aparecida do Norte. Foi também Vice e Presidente do CELAM, Secretário Geral e Presidente da CNBB. Primo de Dom Ivo José Lorscheider. Dom Estanislau Amadeu Kreutz, nascido em Santo Cristo. Dom José Clemente Weber, de Venâncio-Aires. Foi antes bispo auxiliar de POA. Bispos três.
Erexim, esta diocese com sede na cidade de Erechim, foi criada em 1971, é desmembrada de Passo Fundo. A diocese é formada basicamente a partir da imigração européia. Gente de fé profunda. Gente dinâmica. A região progrediu muito. Erechim era o pólo regional. Por isso, veio a proposta para sediar a sede em Erechim. Dom João Hoffmann, veio transferido de Frederico Westphalen para Erechim. Foi o primeiro bispo das duas dioceses. Nasceu em Joaneta São Leopoldo, como já vimos. Dom Girônimo Zanadrea, nascido em São Valentim, primeiro bispo coadjutor, depois titular
Conversando com o Povo de Deus (487) A História da Igreja no RS (7)
A diocese de Cruz Alta foi criada em 27/05/1971, desmembrada de Santa Maria. O primeiro bispo nomeado foi Dom Walmor Battù Wichrowski, filho de Ijui, que tinha sido bispo auxiliar de Santos, depois bispo de Nova Iguaçu, e bispo auxiliar de Santa Maria. Mas por motivos de desentendimentos surgidos com membros da nova diocese renunciou antes de tomar posse. Essas coisas também acontecem na Igreja. Durante o ano de 1971 a diocese, sem bispo, ficou sob a jurisdição de Dom Érico Ferrari, bispo de Santa Maria. No final de 1972, O Papa nomeava o Pe Nei Paulo Moretto, filho de Caxias do Sul, como novo bispo de Cruz Alta. Tomou posse em 28/01/1973. Foi transferido 03 anos depois para Caxias do Sul. Sucedeu Dom Jacó Hilgert, nascido em Harmonia, de 1976 a 2002. Dom Pedro Ercílio Simon, Ibiaçá, foi o seu bispo coadjutor de 1991-95. Dom Frederico Heimler, salesiano, nascido em Unterlammerthal, Alemanha, veio de Umuarama, PR, onde fora bispo coadjutor. São cinco Bispos em 39 anos.
A diocese de Rio Grande, criada em 02/06/1971, desmembrada de Pelotas. Rio Grande foi a primeira capital do Rio Grande do Sul, tinha o maior porto da região, por aí entraram os nossos imigrantes, desejava também ser sede diocese como Pelotas! A Catedral escolhida foi o templo mais antigo do RS, a igreja matriz de S. Pedro. O primeiro bispo foi Dom Frederico Didonet, nascido em Ivorá. O segundo é Dom José Mário Stroeher, desde 1986, vindo de POA, onde tinha sido bispo auxiliar. Nasceu em Feliz. São dois Bispos em 39 anos.
A diocese de Novo Hamburgo, foi criada em 02/02/1980. Muitas são as razões favoráveis para a criação da nova diocese. Em primeiro lugar a Arquidiocese tinha quase 3 milhões habitantes. Mentalidade diferente. Realidade diferente do RS. É preciso descentralizar a pastoral. Bispos: Dom Aloísio Sinésio Bohn, filho de Montenegro, de bispo auxiliar de Brasília para Novo Hamburgo, transferido depois para Santa Cruz do Sul. Dom Boaventura Kloppenburg, franciscano ofm, filho de Molbergen, Alemanha, de bispo auxiliar de Salvador da Bahia para Novo Hamburgo. Dom Osvino José Both, natural de Três Arroios, Erechim. Foi bispo auxiliar de POA e foi transferido depois para Brasília como Arcebispo do Ordinariado Militar do Brasil. Atualmente é bispo Dom Zeno Hastenteufel, transferido de Frederico Westphalen. São quatro Bispos em 30 anos.
A diocese de Cachoeira do Sul, criada em 17/07/1991 pelo Papa João Paulo II, com apenas 11 paróquias, foi desmembrada de Santa Maria, já que Candelária preferiu continuar pertencendo a Santa Cruz do Sul. O bispo Dom Ângelo Domingos Salvador, franciscano capuchinho, tomou posse sem casa própria: foi morar junto dos padres da Catedral. Vivia de sua aposentadoria. São coisas que acontecem! Dom Ângelo, filho de Segrêdo/Vacaria. Tinha sido bispo auxiliar de Salvador da Bahia, bispo de Coxim, e depois de Cachoeira do Sul ele foi transferido em 1999 para Uruguaiana. Em 09/09/2000 sucedeu Dom Frei Irineu Sílvio Wilges, franciscano ofm, filho de Pinheiral/Santa Cruz do Sul. São dois Bispos em dezenove anos.
A diocese de Osório foi criada em 1999 com 14 paróquias de POA e 06 de Caxias do Sul. É uma diocese litorânea. Dom Thadeu Gomes Canellas, nascido em Gravataí, foi o seu primeiro bispo. Antes foi bispo auxiliar de POA. Sucedeu-lhe Dom Jaime Pedro Kohl dos Pobres Servos da Divina Providência, filho de Linha Carolina/Poço das Antas. São dois Bispos em 11 anos.
A diocese de Montenegro foi a primeira diocese do RS criada pelo Papa Bento XVI em 06/09/2008, com 32 paróquias, 30 municípios, com 335 mil habitantes. É a filha mais nova da Arquidiocese de POA. Região rica em vocações e considerada também a de maior qualidade de vida do RS e da AL. O Papa nomeou Dom Paulo de Conto, filho de Relvado, para ser o primeiro bispo da diocese. Ele já foi bispo de Cáceres, MT e de Criciúma, SC. Muita se espera dessa nova diocese. Bispo, um.
Conversando com o povo de Deus (488). Por que ir à missa?
Hoje eu vou interromper os artigos sobre a “História da Igreja no RS”. Pretendo voltar na próxima semana. Obrigado. Hoje vamos falar sobre o ir à missa.
Um dia destes um leitor escreveu para o editor do Jornal do Dia, jornal católico de Porto Alegre e que hoje não existe mais, reclamando que não faz sentido ir à missa todos os domingos. O editor publicou a sua reclamação na Coluna do leitor. Escrevia ele:
“Eu tenho ido à Igreja por 30 anos e durante este tempo eu ouvi uns 3000 sermões. Mas, eu não consigo lembrar-me de nenhum deles para a minha vida... Assim eu penso que eu estou perdendo meu tempo e os padres e pastores estão desperdiçando também o seu, preparando e fazendo homilias”.
Esta carta iniciou uma grande controvérsia para a alegria do Editor-Chefe do Jornal. Controvérsia que se estendeu por várias semanas, uns a favor e outros contra, até que alguém escreveu o seguinte:
“Eu estou casado já há 30 anos. Durante este tempo minha esposa deve ter cozinhado umas 32.000 refeições. Mas, por minha vida, eu não consigo lembrar-me do cardápio de nenhuma destas 32000 refeições. Mas uma coisa eu sei. Todas elas me alimentaram e me deram aquela força de que eu precisava para fazer o meu trabalho.
Se minha esposa não tivesse me dado estas refeições, eu estaria hoje, fisicamente morto. Da mesma maneira, se eu não tivesse ido à Igreja para alimentar minha fome espiritual, eu estaria hoje morto, espiritualmente.
A fé vê o invisível, acredita no inacreditável e recebe o impossível. Graças a Deus pelo alimento físico diário e pelo alimento espiritual dominical. Quando o mal está batendo na sua porta, simplesmente diga: Deus, por favor, atenda por mim”.
Já participei de muitas missas. Quantas? Não sei. Já celebrei muitas missas. Quantas? Não sei. Já fiz muitos retiros na minha vida. Quantos? Não sei. Mas o primeiro foi lá no Seminário de Taquari em 1949. Até hoje gosto da missa diária. Para mim é um verdadeiro alimento. Como me faz bem! Agora, uma coisa é assistir um missa e outra é participar. Entrar na missa e deixar a missa entrar dentro de si. Encontrar-se com a pessoa de Jesus Cristo. Tornar-se um com ele. “Não sou eu mais que me movo, mas é ele que se move em mim. Não sou mais eu mais que vivo, mas é ele que vive em mim”. Com Jesus Cristo dou ação de graças a Deus Pai. Com ele digo: Isto é também o meu corpo entregue e Isto é o também meu sangue derramado por vós. Com ele intercedo junto do Pai pelo meu povo.
Mas eu queria contar que de 25 a 27 de maio, participei de um retiro pregado pelo Frei Raniero Cantalamessa, padre capuchinho, que foi pregador do falecido Papa João Paulo II e agora também do Papa Bento XVI. O retiro foi na PUC. Havia entre 500 a 600 pessoas participando das 8.30 às 18h, durante 03 dias. Apesar de ter feito já tantos retiros na minha vida em tantos lugares diferentes, inclusive na Terra Santa, este foi para mim o melhor. Não é por nada que o Frei Cantalamessa é o pregador da Casa Pontifícia. Conseguiu abrir-nos novos horizontes. Deu-nos novo alimento, nova força, nova alegria, novo entusiasmo. Louvado sejas meu Senhor por mais este retiro. As crianças que fazem o seu retiro de preparação para a primeira Eucaristia e os jovens para a crisma, a gente vê como este os transforma.
Conversando com o povo de Deus (489) A História da Igreja no RS (8)
Hoje quero conversar com vocês sobre a Vida Religiosa no RS. Quando chegaram os imigrantes ao RS a partir de 1824 encontraram uma Igreja com falta enorme de padres. Encontraram uma religião luso-brasileira decadente, com poucos padres, mal formados, pouco dedicados à evangelização. Uma religião festiva, exterior, mas sem a prática dos sacramentos. “Comungar, confessar, ah, isso não”. Alunos que não sabiam fazer o sinal da cruz, nem rezar o Pai-Nosso. A elite era positivista, comtiana, maçônica, que tomava a Igreja como uma peça de museu, um capítulo concluído da história. Dom Cláudio José Ponce de Leão, terceiro bispo do RS, e SC, 1890 a 1912, inconformado com esta situação bateu às portas da Europa, solicitando padres e religiosas e religiosos. Os seus sucessores continuaram esta política. A Europa tinha muitos padres e religiosos, mas a situação não era favorável. Na Itália caíram os Estados Pontifícios, Na Alemanha havia o Kulturkampf, na França um clima hostil. Diante disso, se começou a pensar nas missões. De salvar a Congregação no Brasil. Também os imigrantes alemães e italianos, e poloneses pediam assistência religiosa. O RS era também um estado necessitado de escolas. Mas como é que o governo gaúcho positivista foi permitir a vinda de religiosos para fundar colégios? A Constituição positivista de 1891 deixava o ensino universitário e secundário para a iniciativa privada. A Igreja soube aproveitar esta chance.
Os jesuítas chegaram em 1848, em 1900 eram 100. As Ir. Franciscanas da Caridade PCC vieram em 1872. As Ir. do Imaculado Coração de Maria em 1856, hoje elas tem em Cachoeira a Casa da Criança e a casa Cristo Rei. Em 1886 chegaram os Palotinos, eles atualmente são responsáveis pela paróquia Santo Antônio entre nós. Os Capuchinhos franceses e os Carlistas italianos vieram em 1896. Dom Angelo Domingos Salvador, nosso primeiro bispo era capuchinho. As Ir. de Santa Catarina chegaram em 1895. Elas têm em Cachoeira o Col. Imaculada. Em 1898 vieram as Ir. de S. José de Moutiers. Em, 1900, os Maristas franceses, que na nossa cidade tem o Colégio Roque. Em 1991, os Salesianos italianos. O bispo de Cruz Alta, Dom Frederico Heimler é salesiano. Em 1907, foi a vez dos Lassalistas franceses e Claretianos espanhóis. Em 1908 as Filhas de N. Sra. Do Horto, italianas. Em 1910 As Ir. da Companhia de Santa Teresa de Jesus. Em 1911, os Carmelitas. Dom Antônio Cheuiche, filho de Caçapava do Sul, era carmelita. Os Franciscanos OFM chegaram em 1918 de S. Paulo. Em 1926 vieram os franciscanos holandeses. Deram à Igreja 5 bispos( entre os quais o bispo que lhes escreve), dos quais dois cardeais: D. Aloísio Lorscheider e D. Cláudio Hummes. Em 1923, Ir. de Notre Dame, alemãs. Trabalham na nossa diocese em Caçapava do Sul. Em 1928 vieram da Alemanha para Arroio do Tigre as Ir. Franciscanas de Bonlanden. Em POA foram fundadas as Ir. Franciscanas de N. Sra. Aparecida (As aparecidinhas) em 1928. Trabalham entre nós em Agudo. Em 1935 chegaram de São Paulo as Ir. Missionárias de Jesus Crucificado. A casa do bispo era o colégio das irmãs. As Ir. Franciscanas Catequistas, fundadas em 1915, em Rodeio, SC, chegaram em 1949. Atualmente estão presentes entre nós em Sobradinho. Os Pobres Servos da Divina Providência, italianos vieram em 1959. Dom Jaime Kohl é desta Congregação.
De 1875 a 1930, só do clero secular vieram 132 padres da Itália. Ao dobrar o século havia mais de 520 padres, religiosos e religiosas europeus no RS.
Vieram também Congregações de vida contemplativa como as Carmelitas, Cartuxas, Cistercienses. As Clarissas Coletinas vieram em 1953, as Clarissas Capuchinhas (1979). Existem no RS atualmente mais de 65 famílias religiosas.
Os religiosos encheram o RS de orfanatos, patronatos, colégios, geralmente com internato, universidades. Encheram o RS de hospitais, asilos, e leprosários. Abriram Seminários e casas de formação para conseguir novas vocações. E estas surgiram abundantemente na zona colonial entre os oriundos alemães, italianos e poloneses e outros emigrantes. As vocações lusas eram em grau ínfimo. Assim o Rio Grande do Sul de Estado menos religioso do Brasil se tornou o mais religioso. Tornou-se o celeiro de vocações, capaz de exportar para outros estados e ultimamente para o exterior.
No início os colégios eram mais para os filhos de colonos, mas aos poucos por causa de excelência do ensino também a elite lusa, nem sempre católica, começou a estudar nos colégios religiosos. Assim o catolicismo influenciou os futuros políticos tanto lusos como os filhos de imigrantes. O crescimento da região colonial começou a dominar no Estado, os seus filhos entram nos postos-chaves dos partidos, mas os grandes políticos continuam sendo de em geral de origem lusa.
Conversando com o povo de Deus (490). A história da Igreja no RS. A vinda das Congregações(9).
Esqueci-me de acrescentar na conversa da semana passada, que os redentoristas (CSSR) chegaram em 1920 a Pelotas, e em 1928 a Cachoeira do Sul. O convento dos mesmos foi comprado, em 1994, pela Diocese e transformado em Centro de Formação. O ex-arcebispo de POA, Dom Altamiro Rossato viveu diversos anos no convento como missionário.
Quero concluir a “História da Vida Religiosa no RS”, dizendo que além das Congregações católicas vieram também não-católicos como os Metodistas em 1886, que fundaram o Colégio Americano em POA e outros no interior do Estado. Os Luteranos (IELB) fundavam o Instituto Concórdia em 1902. Os Episcopalianos em 1912 o Colégio Cruzeiro, IPA. Os colégios deles, influenciados pela ética religiosa e pela cultura anglo-saxônica, enfatizavam mais os aspetos pragmáticos e operacionais. Por isso, os alunos saídos de suas fileiras se achavam mais habilitados para a nova realidade emergente. Aqui em Cachoeira do Sul muitas famílias mandavam os seus filhos estudar no Colégio Luterano, Rio Branco. Mas ambos os colégios católicos e não-católicos tinham o mesmo objetivo: preparar as elites para o novo tipo de vida diferente do RS agrário tradicional. As virtudes que deviam brilhar eram a pontualidade, a moderação, o controle, o apreço pelo trabalho, o cálculo exato, a persistência, o método, que deram a sua contribuição para o capitalismo iniciante.
A industrialização e a urbanização, que a Igreja ajudara a construir, voltam-se contra a Igreja rural. Elas levam à secularização, que é a libertação do homem do controle religioso, do controle do metafísico sobre a razão e a linguagem. A religião que dominava tudo, que impregnava tudo, torna-se cada vez mais algo privado. Os colégios católicos não conseguiram mais formar líderes cristãos. E foram-se tornando colégios para todos os que queriam estudar, nem exigem mais que os professores sejam católicos. O Estado começou ele mesmo construir colégios de ensino gratuito, competindo com os colégios confessionais. Começou a intervir cada vez mais nos colégios privados através de leis que dificultam o funcionamento dos mesmos. Assim os colégios católicos começam a se restringir aos filhos de “papai”. Eles se tornam classistas. Para que ainda colégio católico? Também os hospitais estaduais aumentam cada vez mais. As vocações religiosas, principalmente femininas, diminuem violentamente por causa da queda violenta da natalidade. Os casais não querem ter mais de dois filhos. A sociedade de consumo não permite, dizem eles.
Num primeiro momento, pensou-se em reconstruir o mundo da cristandade, através das rádios católicas, da TV católica, do jornal católico. Mas aos poucos se viu que o caminho não era por aí. Não era possível competir com o capitalismo. Além disso, a mídia católica tinha que se sustentar regendo-se por princípios capitalistas. Viu-se que é melhor aceitar o mundo que está aí procurando como fermento dar testemunho de vida cristã. A Igreja também cria a consciência da existência da pobreza de nosso povo. Está convencida de que os projetos capitalistas e neoliberais não são capazes de libertar as grandes massas de oprimidos. As Ordens e Congregações religiosas começam a pensar em re-fundação. Com a Igreja da América Latina fazem a opção preferencial pelos pobres. O resultado foi que hoje nós encontramos as religiosas(os) inseridos em meios populares, trabalhando pela promoção da mulher, da mulher negra, da mulher prostituta, da mulher indígena, na pastorais sociais, como a pastoral da criança, do menor, da juventude, do idoso, da saúde, da sobriedade, da carcerária, da AID’S e da terra, engajados nas CEB’s, nos assentamentos, na luta pela paz, justiça e ecologia, na educação política. Hoje nós encontramos religiosas na pastoral paroquial até cuidando de paróquias como “Vigárias”, por falta de sacerdotes. Há irmãs que são teólogas, dentistas, psicólogas, enfermeiras, assistentes sociais. Sem dúvida o número dos religiosos diminuiu muito e vai continuar a diminuir. Está se perdendo em número, mas há um aumento de qualidade. Há um novo fervor. O RS está exportando missionários para outros estados e países.
O grupo político que teve mais sensibilidade para o momento social novo foi o partido dos trabalhadores. É esta a realidade no ano em que celebramos os 100 anos da criação da Arquidiocese de POA, com as dioceses sufragâneas de Pelotas, Uruguaiana e Santa Maria.
Conversando com o povo de Deus (491) A História da Igreja no RS (10) Fim.
Espero concluir hoje está série conversando sobre a celebração dos 100 anos da arquidiocese de POA e das dioceses sufragâneas Pelotas, Uruguaiana e Santa Maria. Quero recordar que desde 1676 o RS dependia do bispado do Rio. Em 07/05/1848 foi criada a diocese de POA. Em 15/08/1910 foi criada a Arquidiocese com as 03 dioceses sufragâneas, acima citadas. Todas elas têm o seu programa de festejos. Destas dioceses nasceram as demais 14.
Iniciemos por POA. Dia 02/06/2010, as atividades comemorativas começaram com a “Caminhada da Solidariedade” pelas ruas do centro da cidade com centenas e centenas de religiosos, padres, diáconos, ministros, crianças e adolescentes envolvidos em projetos sociais com o Arcebispo D. Dadeus Grings na frente, até o Gasômetro. Lá aconteceu a abertura da Expofeira: “Cem anos de Solidariedade”. Havia 480 entidades que trabalham com a caridade. 182 tendas. Os visitantes eram 3.500 por hora. Houve também a presença de autoridades estaduais e municipais. É preciso que os católicos e demais pessoas conheçam o trabalho maravilhoso de caridade que a Igreja realizou durante estes cem anos em favor da promoção dos necessitados. Isso deve ser uma alegria vendo as maravilhas que Deus fez através de nossa Igreja e um impulso para fazer mais e melhor. Houve palestras, oficinas, shows musicais no local. Na festa de Corpus Christi houve a presença do Arc. de Brasília Dom João Braz de Aviz. A procissão começou no teatro Por do Sol e terminou com a Bênção do Santíssimo no Gasômetro. Os padres receberam todos a estola do centenário em maio. Todas as Paróquias têm suas atividades específicas. Eis algumas das muitas programações.
A diocese de Uruguaiana já iniciou a sua celebração de preparação há 10 anos atrás com D. Ângelo com um plano diocesano bem elaborado. D. Aloísio, o novo bispo, continuou esta caminhada. A diocese iniciou este ano centenário como Ano Pastoral, Ano Santo, com o lema: “Agradecidos e reconciliados para um novo tempo”. Dentro desse ano há alguns destaques. A vinda da imagem de S. Francisco de Borja, doada pela família João Goulart, imagem que tinha sido roubada na guerra do Paraguai e depois doada à família Goulart em exílio no Uruguai, pelo Presidente Stroessner, foi por sua vez doada pela viúva Maria Teresa à Igreja da matriz de S. Borja. No dia 15/08 haverá, data dos 100 anos, a celebração solene com inauguração da placa comemorativa em todas as igrejas paroquiais. Haverá o lançamento da Revista comemorativa, do Jornal Diocesano com novo formato e um CD. O ápice das celebrações acontecerá no 18/10 co a 19ª Romaria de N. Sra. Conquistadora que terminará no novo Santuário em construção com a missa solene com a bênção Papal com direito à Indulgência Plenária.
A diocese de Pelotas. Dom Jacinto Bergmann afirma: Queremos celebrar os 100 anos de história de fé, esperança e caridade com mais compromisso com a catequese, a liturgia e caridade, alicerçados na Eucaristia celebrada e vivida no domingo santificado ao Senhor e enviados para a missão evangelizadora de todos os povos”. Neste centenário já houve show “O amor torna tudo novo”, com o cantor religioso Antônio Carlos. O lançamento do selo comemorativo dos Correios. No dia 1º de abril as paróquias receberam a logomarca do centenário, nela se encontra a idéia força: “100 anos: Mais compromisso, Eucaristia e Missão”. Na ocasião foi declarado também o início do Ano Eucarístico.
A diocese de Santa Maria, a nossa mãe (POA, a nossa avó. Rio a nossa bisavó) tem a sua programação. A abertura do Centenário aconteceu dia 15/08/2009 no Santuário de N. Sra. Aparecida em S. Paulo com uma peregrinação com representantes de todas as paróquias. O povo canta o Hino e reza oração do centenário. As santas Missões da diocese estão chegando ao fim. Visa-se organizar 100 novas comunidades. Dez mil Bíblias estão sendo colocadas nas mãos do povo. O jornal “O Santuário” tem o objetivo de chegar a 10 mil assinaturas. Em preparação ao dia 15/08, dia da criação das dioceses em todas as paróquias haverá tríduo de preparação, com colocação de uma placa comemorativa em todas as igrejas matrizes das paróquias. As paróquias estão realizando a sua peregrinação ao Santuário Basílica da Medianeira. A diocese foi homenageada na Assembléia Legislativa em 10 de junho e o será na Câmara de vereadores no dia 10/08. Eis algumas celebrações, que tiveram como tema: “Casa e Escola de Comunhão dos discípulos missionários de Jesus”.
A celebração conjunta da arquidiocese de POA, que compreende todo o RS, começará em POA dia 15 de agosto, quando os bispos do RS estarão celebrando na Catedral a missa, a grande ação de graças, presidida pelo Arcebispo D. Dadeus Grings. A conclusão das celebrações do Centenário será na 67ª Romaria da Medianeira 14/11/10 com a presença de todos os bispos do RS e as relíquias do Pe. São Roque González e de São Pio X.
“Os fatos passados são também a base para que a história possa ser escrita nos tempos atuais e futuros, enquanto Jesus Cristo, Senhor da história, na unidade com o Pai e o Espírito Santo assim quiserem”. A Igreja católica continua viva e atuante na história do RS para a maior glória de Deus e o bem do povo.
Conversando com o povo (492) Você já viu bispo falar de futebol?
O futebol tem tal força de fascínio e de atração, que nem bispo resiste. O meu colega D. Hélio Rubert, bispo de Santa Maria, escreveu na “Palavra do Pastor”, dia 19/06 sobre a Copa do Mundo 2010. Eu resisti até hoje, mas me dobrei. O que faz com que o mundo todo se fanatize ou quase? Por que cada um torce por seu país? Até o Bill Clinton apareceu lá torcendo por seu país. “A bola emociona os EUA”. A Itália e a França estão envergonhadas com a sua eliminação. Pergunto: deve ser porque a mídia nos está aplicando uma overdose de futebol? Quantos jornalistas, quantos repórteres, quantos assessores a Globo e a Bande mandaram? Quantos jornalistas e repórteres e comentaristas a Zero Hora enviou? Até Luiz Fernando Veríssimo está lá na África do Sul. Só se fala mais da copa, de manhã, de tarde e de noite. Tivemos no início, futebol, ao vivo, três vezes ao dia. Ontem e hoje (24 e 25/06) duas vezes. O importante para a mídia é repetir, repetir, repetir.
Hoje joga o Brasil contra Portugal. Os meus funcionários pediram para deixar o serviço antes das 11h. O Brasil vai parar. Empresários, advogados, médicos, bancários, professores, trabalhadores, operários, pobres e ricos, drogados, apenados, intelectuais e analfabetos todos vidrados na TV, torcendo para o Brasil. Eu estou escutando e vendo o jogo pela TV e escrevendo o “Conversando”. Os onze jogadores representam a todos nós. Se eles perderam é se como eu e você, sem ter jogado, pernas de pau, tivéssemos jogado. A alegria da vitória deles é a nossa vitória, é a vitória do Brasil e a derrota deles é nossa derrota e a do Brasil. (Estou voltando a escrever. O jogo terminou empatado. Ficamos em primeiro lugar e Portugal em segundo, mas não convencemos).
A conquista do campeonato mundial dará ao país vencedor, ao seu povo, um sentimento de orgulho pessoal e nacional. Consciência de sua capacidade, de sua força, de sua inteligência. Mostra a importância do trabalho em conjunto, de um trabalho sério. Sem trabalho duro nada se consegue, como também a necessidade de um líder que escolha os jogadores certos e orienta o seu trabalho. O que pode ser uma indicação para escolhermos bem o presidente e governador. Um presidente, um governador Dunga!
O futebol está produzindo novos deuses: Messi, (Argentina), Santa Cruz, (Paraguai) Robben, (Holanda), Cacá, (Brasil). As nações campeãs do passado já caíram: Itália, França. Os deuses caíram. Novas nações estão se classificando: Paraguai, México, Coréia do Sul, Japão, Eslováquia, EUA.
Mas tudo o que é demais cansa. Parece que há gente já insatisfeita com a mídia. Colorados e gremistas, que tinham esquecido as suas rivalidades (O que foi muito bom. O Brasil está acima das rivalidades regionais) estão começando a reclamar. Depois o Dunga, o Lúcio, o Nilmar passaram pelo Inter. Vitor do Grêmio não foi convocado. Mas não é só isso, o grande drama do povo Nordestino está merecendo um destaque maior. Nelson Jobim diz: “Algo parecido só no Haiti”. “Lula se impressionou com destruição deixada pela chuva”. No Congresso Federal a Câmara aprovou o fim do 13º salário. A nação esqueceu os seus problemas verdadeiros. A mídia está fazendo do futebol nesse tempo o ópio do povo ou não? Se o Brasil for eliminado na próxima partida voltaremos aos nossos problemas. “O baile terminou, músicos a pé e agora José?”. Mas se ganhar o circo continua.
Que o campeonato das vuvuzelas se esteja realizando na África do Sul é muito bom para os africanos. Por alguns dias ficam o centro do mundo. E nós, muitas informações culturais nos são dadas pela mídia. Para eles, sem dúvida, ter condições para situar uma copa, mostra a capacidade organizativa dos africanos. A própria religião se fez presente. Os bispos da África compuseram uma bela oração, que não reproduzo por falta de espaço. A religião é a favor do esporte. “Mens sana in corpore sano”. Mente sadia em corpo sadio. É também um momento de confraternização dos povos. “Vós todos sois irmãos”.
Nesta Copa das vuvuzelas correm muitos interesses econômicos da FIFA, do mercado de jogadores, da mídia, de empresários e outros. Por que essa briga entre a Globo com o Dunga? Estou recebendo e-mails para boicotar a Globo! Já o Filipão teve problemas com ela por causa do Romário. Os interesses do Brasil devem estar acima de dos interesses particulares.
Que outras lições você tira desta Copa para a vida?
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Sábado dia 26 teremos o fim das missões populares pregada pelos padres Franciscanos em Cortado. As missões estão cada vez mais perto de Cachoeira. Neste ano ainda será a vez da Paróquia da Penha. E as outras ficarão para o próximo ano.
Conversando com o povo de Deus (493) Não matarás.
Aprendemos no catecismo que Deus deu, no monte Sinai, os 10 mandamentos para Moisés e os conhecíamos de cor e salteado. Primeiro mandamento amar a Deus sobre todas as coisas. 2º, não tomar o seu santo em vão. 3º, guardar domingos e festas. 4º, honrar pai e mãe e o 5º, não matar e assim por diante. O que é matar? Eu pensava que era proibido matar pessoas com uma facada, paulada ou com um tiro de revólver. E a autoridade poderia condenar alguém à morte? E o carrasco poderia matar o condenado? Podia se fosse por justiça. E na guerra pode-se matar? Nem me colocava a pergunta. Nas aulas de história, contavam-se as muitas guerras havidas. Os grandes heróis eram os generais, que mataram muita gente, que sujaram as suas mãos com o sangue. Os nossos países, com os seus limites, são o resultado de muitas mortes. Muito sangue inocente derramado.
Hoje, os teólogos moralistas nos ensinaram a distinguir entre guerra justa e injusta. A justa é permitida. O que é uma guerra justa? Quem vai determinar? A ONU? Os EUA? Existe o legítimo direito de auto defesa. Portanto, o país atacado pode defender-se. Uma guerra preventiva é justa? Por exemplo, a invasão dos EUA no Iraque e no Afeganistão? A provável futura invasão do Irã e da Coréia do Norte por causa da suspeita de que queiram fabricar uma bomba atômica?
No momento atual, no Brasil, vivemos num clima de insegurança por causa da violência. Assaltos muitos com mortes. A juventude clama contra extermínios dos jovens. A juventude também assalta e mata, mata e é morta. Mas existe também o suicídio. O matar-se aos poucos através da bebida alcoólica permitida e do fumo, através da droga e do crack principalmente. Suicidam-se ao saírem das boates embebedados e drogados indo para os rachas.
O carro hoje em dia se tornou uma arma. Arma com a qual eu mato, “sem querer” os outros e me mato. Eu não quero matar ninguém, nem me matar, mas eu sei que a bebida e a droga, como a alta velocidade podem levar a um acidente fatal. Não quero, mas quero. Assim milhares de pessoas morrem em acidentes automobilísticos pelo mundo afora. Há estatísticas falando de mais de 40 mil acidentes por ano no Brasil, fora os feridos e os que ficam deficientes. E há também aqueles que morrem atropelados nas vias públicas das cidades pela desatenção dos motoristas e pedestres. Para diminuir esse flagelo é que se inventaram as faixas, o asfalto zebrado. Isso funciona na Europa muito bem. Em Roma, eu fico sempre impressionado, com a gentileza dos motoristas, que fazem questão de parar, que fazem sinal para passar. Não precisa pedir não.
Aqui em Cachoeira do Sul, também foram pintadas as faixas, mas que motoristas as observavam? Questão de falta de costume, de distração. Por isso, está de parabéns o JP, com a campanha: “Sinal pela Vida”, por ocasião dos seus 81 anos de existência. Não deixe de ler o JP do dia 28 de junho, pg. 01 e 06. Sempre estranhei que uma cidade do porte de Cachoeira pudesse ter tantos acidentes automobilísticos e alguns até fatais. Como nossos motoristas e pedestres não estão acostumados à faixa, pede-se aos pedestres que, quando quiserem atravessar parem na calçada, façam o sinal positivo e certifiquem-se que os motoristas pararam e então atravessem com o passo rápido. Os motoristas devem saber que na faixa a precedência é sempre dos pedestres. Me dá vontade de rir lendo essas instruções, parece coisa de criança. Mas é totalmente necessário, porque em criança não o aprendemos. Motoristas sigam as instruções, pois não te é lícito matar. Pedestres, sigam as instruções porque não te é lícito suicidar-se. Vida sim, morte não. A Igreja Católica também é parceira nesta campanha.
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“O baile terminou, músicos a pé e agora José?” O Brasil foi eliminado pela Holanda, músicos a pé e agora José? Voltaremos aos nossos problemas, também no transito. Foi bom enquanto durou (Galvão).
Conversando com o povo de Deus (494) Que devo fazer para herdar a vida eterna?
Conversemos sobre a liturgia do domingo próximo (11/07/10). A 1ª leitura é do Deuteronômio 30,10-14. Deus elegeu, entre todos os povos, o povo de Israel, povo insignificante no contexto mundial, como o seu povo. Coisas do amor, coisas inexplicáveis para a razão. Mas a escolha tem conseqüências. Amar a Deus com todas as forças. Se for infiel deve voltar atrás. Por isso Moisés pede ao povo: “observa todos os mandamentos do Senhor. Converte-te para Ele com todo o teu coração”. Mas o povo acha os mandamentos muito difíceis. Deus responde que não. Nem estão longe do homem. Lá no céu ou no outro lado do mar. Não. “Estão na tua boca, no teu coração para que os possas cumprir”. Hoje ainda vemos judeus no muro das lamentações com uma caixinha na testa ou no braço com textos da Lei. Ele deve ter sempre a Lei de Deus diante de seus olhos (Dt 6.8). Quando nós praticamos a Lei de Deus com amor, ela se torna um peso leve e um jugo suave, fonte de vida, paz e alegria. Pe. Atilinho, Vigário paroquial da catedral, você que celebra domingo, os seus 25 anos de sacerdócio, certamente experimentou isso na sua vida.
O Evangelho é de Lucas 10, 25-37. Mas no tempo de Jesus, além dos 10 mandamentos, havia um mundo de 613 preceitos. Assim um mestre da Lei, pergunta a Jesus para prová-lo: “que devo fazer pra herdar a vida eterna?” Jesus responde perguntando: “O que está escrito na Lei?”. E ele responde: “Amarás o Senhor teu Deus de todo coração... e ao próximo como a ti mesmo”. Jesus o elogiou dizendo: “Faça isso e viverás”. Mais tarde Jesus dirá completando o amor ao próximo: “Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei”. Até a morte.
Agora vem a parte que dos quatro evangelistas só Lucas narra. O mestre da lei não se entrega. Quer ver se pode por Jesus à prova de outra maneira. “Quem é o meu próximo?”. Próximo para o judeu era o outro judeu. A palavra hebraica para próximo tinha como sinônimos a palavra vizinho e amigo. Jesus não dá uma definição, mas conta uma parábola. A parábola do bom samaritano. Certo homem, judeu negociante, descia de Jerusalém, 750m acima do nível do mar, para Jericó, 370m abaixo do nível. Caiu nas mãos de assaltantes. Já naquele tempo os havia. Arrancaram-lhe toda a mercadoria que levava par vender, o bateram, deixando-o meio morto. Um sacerdote e depois um levita, ambos judeus, desceram pelo mesmo caminho quando viram o homem meio morto passaram pelo outro lado, o mais longe possível. Certamente disseram para si: “Onde está a polícia? A gente paga imposto para que?” Todos os três eram judeus. Vem agora o samaritano, habitante da Samaria, gente odiada pelos judeus, tida como só meio judeu, meio paganizada, negociante como o judeu assaltado, portanto o seu competidor, este samaritano se aproxima. Não passa longe. Se aproxima. Viu. Se compadeceu. E começou a fazer curativos, derramar sobre as feridas azeite, que serve para suavizar e vinho, que serve para desinfetar. Depois o botou sobre a garupa do cavalo e o levou para uma pousada. Lá cuidou dele. E no outro dia, pagou o dono da pousada, pediu que cuidasse bem dele e que na volta iria pagar o que teria gastado a mais. O amor não tem limites. E aí Jesus pergunta ao Mestre da Lei: “Quem dos três foi o próximo do assaltado?” E ele respondeu: “O que usou de misericórdia com ele”. E Jesus responde: “Vai e faze o mesmo”.
Gostei da pedagogia de Jesus. Ele faz o outro mesmo descobrir a resposta. E Jesus não responde à pergunta, quem é o meu próximo, mas como fazer-se próximo do necessitado. É este que me pede proximidade, vizinhança, amizade. Aliás, Jesus é o bom samaritano, que se fez próximo, vizinho e amigo nosso. Que deu a sua vida para que nós tivéssemos vida e vida em abundância. Que nos diz: “Vai faze o mesmo”. Quais são os assaltados de hoje? Os aidéticos, os dependentes químicos, os famintos, os sem terra, os sem teto, os sem assistência de saúde, os desempregados, os doentes, as crianças, os jovens, os flagelados do Nordeste? Pe. Atilinho, parabéns pelos seus 25 anos de sacerdócio. Parabéns pelos seus 25 anos de bom samaritano. Ensina-nos a ser bons samaritanos.
Conversando com o povo de Deus (495) Você gosta de ser bem acolhido?
A liturgia do próximo domingo nos ensina sobre o único necessário: acolher a Deus em nossa casa. Acolhê-lo em nosso coração. Em Gênesis 18, 1-10, Abraão acolhe a Deus, que o visita através de três homens. Sentado debaixo de um carvalho de Mambré (venerado até hoje) descansando do calor do dia, ele vê chegar três homens. Ele corre ao encontro e prostrado pede que fiquem com ele. Oferece água para lavar os pés – Imagina como faz bem uma água para se refrescar! - pão para comer, coalhada, leite e um assado de um terneiro tenro. Como faz bem uma boa comida quando a gente está com fome. Como faz bem a gente ser bem tratado! Ele mesmo não comeu, ficou de pé. Abraão não pediu a identidade dos três. Fico admirado com a hospitalidade de Abraão. Que gentileza! É assim que nós acolhemos os nossos hóspedes? Alguns oferecem a própria cama e vão dormir no chão. Que gesto divino! O gaúcho tinha fama de ser muito hospitaleiro. Será que ainda o é? Como acolhemos os nossos empregados, nossas cozinheiras? Vocês acham que Abraão cobrou algo pela hospitalidade? Ele exerce a gratuidade. Você é capaz de fazer um trabalho gratuito? Graças a Deus há muita gente exercendo o voluntariado. Abraão foi generoso, mas Deus foi ainda mais generoso. Prometeu-lhe um filho. “Voltarei, disse um dos três, no ano que vem, e Sara a tua mulher terá um filho”. Era o que ele mais desejava. Na tradição houve pensadores cristãos que quiseram ver nestes homens a santíssima trindade. Deus passa na nossa vida, é preciso acolhê-lo, pois, senão nossa vida fica vazia.
O evangelho é de Lucas 10,38-42. Jesus é acolhido num certo povoado por Marta. O evangelista João chama este povoado de Betânia. Ela tinha uma irmã chamada Maria. João acrescenta que elas tinham um irmão chamado Lázaro, que Jesus ressuscitou dos mortos. Narra Lucas que Maria sentou-se aos pés de Jesus e toda absorvida o escutava, enquanto Marta estava toda ocupada com muitos afazeres. Marta não agüentou mais e foi a Jesus e disse: “Manda que a minha irmã venha me ajudar”. Ela espera de Jesus apoio. Qual não deve ter sido o seu espanto, quando Jesus lhe diz: “Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. (Já naquele tempo existia o ativismo). Porém, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte”. Hospedar e cuidar do hóspede é bom, mas realmente necessário é acolher a pessoa de Jesus, escutá-lo. Jesus estava falando e Marta não o escutava. Quem fala quer ser escutado. Uma mesa bem provida é bom, mas mais importante é acolher a pessoa de Jesus e suas palavras no coração. Então saberemos pôr a mesa do modo certo. Saberemos cozinhar de um modo novo. Quando domingo escutamos a Palavra de Jesus, a mastigamos e ruminamos, ela torna o domingo e a semana nova, diferente. Nós a vivemos sob uma nova luz, com um novo impulso, com uma nova vibração e calor. Enxergaremos Deus vindo nos três viajantes, como Abraão. Enxergaremos em Jesus aquele que tem palavras de vida eterna. Enxergaremos no próximo Deus presente apelando à minha paciência e caridade. “Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Jesus”. A tradição cristã viu em Marta a vida ativa da Igreja e em Maria a vida contemplativa. Uma precisa da outra. Uma vida sem contemplação, uma evangelização sem ela é vazia e infecunda.
Conversando com o povo de Deus (496) Você acredita na oração?
A liturgia do domingo, dia 25 de julho, dia do motorista e do colono, nos fala sobre a oração. Motorista e colonos também rezam? A fé e a oração foram muito importantes para os imigrantes, que vieram para o Brasil. Eu como filho de colono posso testemunhar como a oração era parte integrante da minha família e da comunidade. Testemunho também a fé e oração dos motoristas. Os dizeres que encontramos nos caminhões são a prova disso. Aliás, não há povo sem religião, não há religião sem oração.
Mas vamos à 1ª leitura da missa do domingo. É do livro do Gênesis (livro das origens do mundo e do homem e da mulher), 18,20-32. O Senhor Deus disse a Abraão que Ele iria destruir as cidades de Sodoma e Gomorra por causa de seu pecado (de perversão sexual e lesa-hospitalidade). Abraão começa a interceder pelos 50 justos que talvez vivam nas duas cidades. Argumenta diante de Deus. Não é justo que o justo morra com o ímpio. E Deus respondeu que Ele pouparia as cidades por causa dos 50. Mas Abraão acha que talvez haja só 45 justos. Por isso, pede de novo. “Se houver só 45, o Senhor as destruirá? Não as destruirei”, respondeu Deus. “E se houver só 40? Não as destruirei”. E Abraão continua pechinchando como autêntico judeu de hoje. “E se houver só 30 – 20 -10 justos?” E Deus responde sempre a mesma coisa. “Por causa destes justos eu não as destruirei”. A leitura de hoje termina aqui sem saber se havia 10 justos. Mas continuando a leitura na Bíblia ficamos sabendo que as cidades foram destruídas. Deus salvou só a família de Lot. Havia só uma família justa! Assim Deus fez justiça não castigando o justo com o mau. No NT ficamos sabendo que Deus Pai aceita a morte de um só justo, Jesus Cristo, pela salvação de todos. Pela intercessão de Abraão ficamos cientes de que podemos interceder em favor de nossos irmãos (ãs). Ficamos cientes da importância dos poucos justos para o bem do mundo. Por isso, não desprezemos as avós que vão à missa e rezam por todos, principalmente para os netos, nem os (as) monges, e contemplativos (as) que rezam por toda a humanidade. Verdadeiros pára-raios da humanidade pecadora.
O Evangelho é de Lucas 11,1-13. Jesus reza e provoca num discípulo a vontade de rezar como Ele, por isso pede: “Senhor, ensina-nos a rezar como João Batista também o fez”. E Jesus ensina o Pai Nosso. “Pai, santificado seja o teu nome”. Jesus não ensina chamar a Deus de Deus, de Javé, de Jeová, de Senhor, mas de Pai. Em hebraico: Abá – Papai. Ele é o nosso Papai e nós somos os seus filhos (as). Devemos rezar numa atitude filial. Como crianças, cheios de confiança e humildade. Se ele é Pai somos todos irmãos (ãs). O nome significa a pessoa de Deus. Ofender o nome é ofender a pessoa. O nome de Deus deve ser respeitado, reconhecido, amado. “Venha o teu reino”. O reino do Pai é um reino onde Ele reina. É um reino de amor e de bem, de justiça e de partilha, de paz e de solidariedade, de verdade e de honestidade, de perdão e reconciliação. “Dá-nos a cada dia o pão de que precisamos”. O pão material, o pão da casa, da saúde e do emprego, também o pão da palavra e da Eucaristia. Jesus não nos ensina a pedir riquezas, ganhar na mega-sena, que o Brasil fique campeão, mas o necessário para o dia a dia. “... e perdoa-nos os nossos pecados, pois nós também perdoamos a todos os nossos devedores”. Não há felicidade sem perdão. Sem perdoar-nos mutuamente. O Pai só nos perdoa na medida em que nos perdoamos. “e não nos deixes cair em tentação”, na provação, apostando da fé, da religião, da fidelidade ao Pai. Em Mateus (6,9-13) o Pai Nosso é mais desenvolvido, tem sete pedidos, em Lucas só cinco. Jesus neste evangelho de Lucas nos ensina também que quem bate será aberto, quem procura acha, quem pede recebe. Nem sempre logo. Por isso, é preciso rezar com insistência e perseverança. Por quê? Ele nos atenderá sempre por que é bom dando-nos o Espírito Santo com os seus dons. O dom do consolo, da fortaleza, da coragem, do discernimento. Assim o Pai atendeu a oração de seu filho Jesus, mandando-lhe um anjo que o confortasse na paixão e morte (Lc 22,43).
Parabéns colonos e seus descendentes, pelo vosso dia, vós produzis o alimento. Parabéns motoristas porque vós o distribuis. Jesus rezou e nos ensinou a rezar e S. Paulo escreve: “Orai sem cessar”. Que Deus Altíssimo e Bom Senhor Pai, Filho e Espírito Santo abençoe a todos.
Conversando com o povo de Deus (500) É verdade que o número dos que se salvam é pequeno?
Mês de agosto é o mês vocacional. Neste quarto domingo a Igreja reflete no Brasil sobre a vocação do leigo. Leigo na Igreja é todo o batizado que não seja da hierarquia (bispo, sacerdote, diácono) ou religioso (a). Leigos são os médicos, enfermeiros, empresários, advogados, professores, políticos, militares, trabalhadores, operários, etc. São a grande maioria da Igreja. A sua vocação é fazer presente no mundo do trabalho a mensagem de Jesus Cristo por sua vida e palavra. Lembramos também hoje o leigo que exerce na Igreja o ministério da Eucaristia, da Palavra e da Esperança. O último domingo é dedicado à vocação do (a) catequista.
Nesse domingo, dia 22, a nossa mãe Igreja, no mundo inteiro, nos propõe como 1ª leitura o profeta Isaías, 66,18-21. O que o texto diz para o povo de Israel? O povo acaba de voltar do exílio. Depois da alegria, vem o desânimo. Recomeçar tudo de novo não é fácil. Deus manda o profeta para animá-los. Ele prediz, que de Jerusalém nascerá um povo novo formado de todas nações e línguas, vindos de todos os recantos da terra. Virão a cavalo, a camelo, a mula, em liteiras e carroças trazendo oferendas para a casa do Senhor. Virão para adorar o Deus único, vivo e verdadeiro e verão a glória de Deus. Para nós o texto diz que Deus é Deus de todos. Ele quer formar com a união de todos um povo novo. Isso acontece com Jesus Cristo.
O evangelho é de Lucas 13,22-30. Jesus, não se diz quem o acompanhava, atravessava cidades e povoados. Todos têm direito a ouvir a sua mensagem. Também os povoados, isto é, os simples. Ia ensinando-lhes. Ia para Jerusalém. Nenhum profeta pode morrer fora da Cidade Santa. Quando alguém lhe perguntou. Não se diz o seu nome. “São poucos os que se salvam?” Pergunta de curiosidade. Pergunta dirigida, que já espera uma resposta de que sejam poucos. Mas Jesus não responde. Não interessa o número. Interessa sim o “esforço para entrar pela porta estreita”, que conduz à vida. Esforço de conversão. A porta é estreita porque ela significa praticar a justiça, deixar o caminho da iniqüidade, fazer a vontade de Deus. Fazei isso porque chegará a hora em que o dono da casa fechará a porta e vós, meus irmãos judeus, ficareis do lado de fora. Aí vós ireis bater e gritar: “Senhor, abri-nos a porta”. “Não sei de onde sois”, responderá ele. Como não nos conheceis? Nós comemos e bebemos convosco, Jesus. Nós ouvimos a sua pregação feita em nossas praças. E Jesus dirá: De fato, vós comestes e bebestes comigo, ouvistes a minha pregação, mas não vos convertestes, por isso: “Afastai-vos de mim vós que praticais a injustiça”. Jesus descreve a exclusão do reino como algo sofrido. “Haverá choro e ranger de dentes”. E porque vós, judeus, se não convertestes, virão homens do Oriente e do Ocidente, do sul e do norte e tomarão lugar à mesa do reino de Deus juntos com os patriarcas Abraão, Isaac e Jacó e os profetas do AT. E assim os últimos ( os pagãos, nós hoje), “serão os primeiros” e vós judeus,(que deveríeis te sido os primeiros) sereis os últimos. O que o texto diz para nós hoje? Para mim. Que não basta ser católico para ter a salvação garantida. Nem ser bispo, padre, diácono, ministro ou catequista. Nem basta ser participante de muitas missas, romarias e rezas ou de movimentos como cursilho, ECC, EC, Emáus, RCC etc. para entrar no Reino, mas é preciso acrescentar a isso a prática da justiça. A fé sem as obras é morta. Mateus (7,14. 21-23) acrescenta: Não basta ter expulsado demônios, feito milagres, profetizado em nome de Jesus. Nem todo aquele que diz ‘Senhor, Senhor’ entrará no reino... mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai”. No juízo final Jesus nos dirá (Mt 25,31-46): Vinde benditos de meu Pai porque tive fome e me destes de comer. Sede e me destes de comer. Estive nu e me vestistes. Doente e prisioneiro e me visitastes.
A 2ª leitura é de Hebreus 12, 5-7. 11-13. Deus permite o nosso sofrimento para nos corrigir. Deus é como o pai que corrige o filho a quem ama. No momento a correção produz dor, porém depois porém produz paz e justiça. Não digamos, portanto, que todo sofrimento é castigo ou que não tem sentido. Tudo concorre para o bem dos que amam a Deus, escreve São Paulo (Rm 8,28).
Quem levará a mensagem deste domingo para o mundo do trabalho, para a sociedade na qual vive? Eis a vocação específica do leigo.
Conversando com o povo de Deus (501) Só os verdadeiramente grandes são humildes.
No último domingo, dia 29, a Igreja no Brasil celebra a vocação da(o) catequista. Jesus é o sumo catequista que passou por este mundo ensinando as riquezas do Reino de Deus. Jesus preparou os apóstolos para continuar a sua obra. “Ide e ensinai a todos os povos os que vos ensinei”. O Papa e os bispos, auxiliados pelos sacerdotes e os diáconos continuam essa missão. São os primeiros responsáveis pela catequese. Mas na ordem prática, os pais, a família, são os primeiros catequistas. Muitas mães, já antes do nascimento do bebê, falam com ele sobre Deus. O consagram a N. Sra. Pedem a bênção para ele. Depois de nascido o levam para o batismo, para a Igreja. O ensinam a rezar, o catequizam pela sua vida religiosa. Mas para que as crianças façam a sua primeira comunhão e os jovens recebam o sacramento da crisma a Igreja exige que passem por uma catequese dada por um(a) catequista, completando e aperfeiçoando a catequese familiar. É destes catequistas, que realizam um trabalho gratuito que hoje falamos. A eles a nossa perene gratidão. Que Deus lhes dê o cêntuplo já nesta vida e depois a vida eterna. O que seria da Igreja sem elas(es)? Quem de nós não se lembra de sua catequista?
Nesse domingo, Jesus nos ensina que todos devemos realizar na Igreja a nossa vocação com modéstia e humildade. Na 1ª leitura do Eclesiástico 3,19-21.30-31, o pai diz ao filho, trabalhe com mansidão e serás amado. Se fores grande, pratique a humildade e encontrarás a graça diante de Deus, Ele te revelará os seus mistérios, Ele é glorificado pelos humildes. Aos altaneiros, orgulhosos e auto-suficientes Ele não revela os seus mistérios, Ele não se sente glorificado neles.
No Evangelho de Lucas 14,1.7-14, o evangelista coloca Jesus, num dia de sábado, convidado à um banquete por um dos chefes dos fariseus. A liturgia de hoje deixa fora a discussão sobre o sábado e se centra sobre a humildade. Lucas escreve que Jesus notou que os convidados o observavam. Uma pessoa importante atrai o olhar do público. Mas Jesus também os observava e viu que os convidados escolhiam os primeiro lugares. Quem de nós quer ficar longe da mesa de honra? Só mesmo na Igreja nós gostamos de ficar nos últimos lugares. Jesus então lhes contou uma parábola. Quando você for convidado para um casamento, não era o caso neste momento, Jesus diz que não se deve ocupar o primeiro lugar, porque poderia vir um mais importante e o dono dizer: “Dá lugar a ele”. E você vai ficar como? Envergonhado e acabarás de ir ocupar o último lugar. Seja esperto. Vai sentar-te no último lugar. Assim quando vem o dono te dirá: “Amigo, vem mais para cima”. Que honra para você. Mas se ele não disser isso? Assim mesmo é válido. Porque Jesus não quer dizer que a melhor maneira de alimentarmos o nosso orgulho, vaidade e a ambição disfarçada é o caminho da humildade. Não, devemos ser humildes mesmos. Por isso ele arremata: Quem se eleva será humilhado. Quem se humilha será elevado. Jesus é o exemplo máximo de humildade. Jesus sendo de condição divina, ele se apresentou entre os judeus como simples homem. Abriu mão de todos privilégios tornando-se apenas o homem que obedece a Deus e aos homens. Jesus serviu até o fim, perdendo a honra passando por um criminoso (Filip. 2,6-8). Por isso, o Pai o ressuscitou e o elevou como Senhor do universo e da história. Assim nós somos convidados a abrir mão de todo e qualquer privilégio, até mesmo da boa fama, para pôr-se a serviço dos outros. Você conhece pessoas além de Jesus que foram humildes? Os santos todos. Teresa de Calcutá, S. Francisco de Assis, eis alguns. E tantos cientistas. Só quem é verdadeiramente humilde é grande. Jesus continua humilde no pão e vinho consagrados, no irmão que sofre, na sua palavra e presente em nossa(os) catequistas.
E Jesus conclui, dizendo a quem o tinha convidado. Quando deres um banquete, convida os pobres. Mas por quê? Porque eles não te poderão convidar. Pois se convidares os ricos eles vão te convidar também e aí tu já terás recebido a tua recompensa. Mas no caso dos pobres não. Assim tu serás feliz e receberás na ressurreição dos justos a recompensa.
Conversando com o povo de Deus (502). Palavra de Deus ou palavra humana? (1)
Não tendo tido tempo para adiantar os próximos dois “Conversandos”, por motivo de viagem, resolvi partilhar algumas reflexões que me foram pedidas por um amigo sobre a : “Mensagem dos Bispos do Brasil sobre a Palavra de Deus e a Animação Bíblica de toda a Pastoral” (`12/05/2010).
Estava previsto um documento sobre – Discípulos e Servidores da Palavra de Deus e a Missão da Igreja no Mundo – mas já que a esperada Exortação Apostólica pós-sinodal do Papa Bento XVI sobre a Palavra de Deus não saiu, a 48ª Assembléia Geral dos Bispos do Brasil, reunida em Brasília, optou por uma Mensagem.
A mensagem inicia citando o profeta Amós 8,11: “Dias virão em que o povo sentirá fome da Palavra”. De fato, não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus (Mt 44). O povo de Deus espera antes de tudo que nós lhe partilhemos o pão da Palavra de Deus. Isso é comprovado pelo povo de nossas paróquias, pela sua participação nos cursos e grupos bíblicos, principalmente pela prática da leitura orante da Bíblia com os seus diversos métodos, pela fome de sermões verdadeiramente bíblicos.
O objetivo da Mensagem é preparar a comunidade para acolher com entusiasmo a Palavra viva de Deus e ser assim discípula missionária de Jesus Cristo.
O que se entende por palavra de Deus? Deus sempre falou. A sua primeira palavra foi a criação. Livro que os homens, mesmo analfabetos, leram e continuam a ler. Deus falou diretamente aos primeiros pais, a Abraão. Indiretamente através de anjos. Deus fala também através da consciência. Faça o bem e evite o mal. Falou através dos acontecimentos, da história, dos acontecimentos, da vida. Libertação do Egito. O exílio babilônico. Fala através dos Profetas. Deus fala através dos 10 mandamentos, as 10 palavras, através da Lei de Moisés. “Deus falou outrora de muitos modos a nossas pais através dos profetas. Ultimamente nos falou através de seu Filho”(Hb 1,1).
A Bíblia é a Palavra de Deus? A palavra de Deus é Jesus Cristo. No princípio a Palavra estava junto de Deus, a palavra era Deus e se fez carne, em Maria e recebeu o nome de Jesus, que para nós é o Cristo. A palavra é uma pessoa, que se revela em primeiro lugar pela sua vida. O ápice desta revelação é a sua morte na cruz por amor. “Não há maior amor do que dar a sua vida por alguém”.
Jesus fez e também falou palavras humanas. Falou em aramaico. Mas Jesus não escreveu nada a não ser na areia (Jo 8,6). Foi a Igreja, guiada pelo Espírito Santo, que começa a colocar por escrito em aramaico(1º evangelho de Mateus) e em grego o que Jesus fez e disse. É possível colocar tudo isso por escrito? Não. João 21,25 escreve que Jesus fez ainda muitas outras coisas que escritas não caberiam no mundo inteiro. Mas tudo foi transmitido (Tradição) por via oral, pela celebração dos sacramentos, pela nova maneira de viver (Atos 4,32). Os romanos diziam dos cristãos: “Vede como eles se amam”.
Como surgiram os livros do NT? Aos poucos as comunidades e os apóstolos começaram a sentir a necessidade de fixar por escrito o que Jesus fez e disse. Surgiram muitos escritos. Mas foram aceitos só os atuais livros que temos no NT. Os outros foram rejeitados como apócrifos, porque não correspondiam à sua fé. Assim temos os livros canônicos, normativos, e os apócrifos.
Quando foram escritos? O primeiro escrito do NT são as duas cartas aos Tessalonicenses de S. Paulo, pelo ano 50/51 d. C. Se Jesus morreu no ano 33, temos 17 anos sem nenhum escrito, só tradição oral. As cartas de S. Paulo são de 50 a 64, provável ano de seu martírio. Os evangelhos o de Marcos é do ano 64, Lucas e Mateus grego entre 70 e 80, João entre 95 a 100. S. Paulo não leu nenhum dos 04 evangelhos. Por isso, para nós católicos é fundamental ler a Bíblia dentro da tradição para entendê-la. Já S. Pedro escrevia (2Pedro 1,20) que nenhuma profecia é de interpretação particular. Por isso, para nós é totalmente incompreensível que hoje venha alguém dizer que vocês católicos interpretaram erradamente a Bíblia. A Bíblia é nossa. Ela nasceu dentro de nossa Igreja e por isso, só ela sabe interpretá-la. Jesus disse aos apóstolos que ele enviaria o Espírito Santo para recordar tudo o que ele mandou e ensinar outras (Jo 14,26). “Quem vos ouve a mim ouve” (Lc 10,24 ), disse Jesus aos apóstolos. A Pedro Jesus disse: “Confirme os teus irmãos na fé”. Por isso, A Mensagem dos Bispos afirma que a Palavra deve ser interpretada pelo Magistério do sucessor de Pedro e dos bispos em comunhão com ele. (Continua).
Conversando com o povo de Deus (503). Palavra de Deus ou palavra humana? (2)
(Continuação) A Bíblia é a Palavra de Deus? É Palavra de salvação? A Bíblia é a Palavra de Deus na palavra humana. Ela foi escrita em hebraico e grego. Foi escrita em diversos gêneros literários. Segundo a ciência dos autores daquele tempo. Palavra humana, mas inspirada pelo Espírito Santo, para ensinar verdades religiosas. Não ciência, por isso não devemos procurar ciência na Bíblia. A história da criação do mundo e do homem não quer ensinar que ele foi criado em 06 dias de 24 horas, nem em 06 períodos de bilhões de anos. Mas Deus através do autor sagrado quer ensinar que Ele é o único que criou tudo o que existe e que tudo que criou é bom. Portanto, deixemos à ciência o que é da ciência e a Deus de Deus. Então nunca haverá oposição entre as duas. A Bíblia só se torna Palavra de Deus se eu tenho fé. Para o descrente ela é uma palavra humana e basta. É preciso que nela eu descubra a Palavra de Deus. Ela me deve levar a um encontro com Cristo, a uma experiência de Cristo. Então sim ela se torna Palavra de Deus. Palavra da salvação. Caso contrário ela continua para mim também uma palavra humana. Por isso, na liturgia eucarística as leituras devem ser bem proclamadas. Muitas vezes são mal lidas por pessoas sem carisma para isso. A Igreja instituiu o ministério do leitorado para isso. Por que não o usamos? Em muitas oportunidades graças ao folheto dominical as pessoas são capazes de conhecer as leituras. É preciso também que o sermão seja verdadeiramente um aprofundamento bíblico. Se o sermão não leva as pessoas a se encontrar com Cristo ele de nada valeu. Podem dizer da gente que o sermão foi bonito, brilhante, mas se não levou a um encontro com Cristo, foi uma palavra vazia. Há também as pessoas que dizem: “A missa tem que ser mais animada, mais alegre”. Se não levar a uma intimidade com Cristo foi apenas um show.
A Mensagem dos Bispos pede que a Palavra de Deus seja a alma de toda a pastoral, de todas as pastorais. Por isso recomenda a leitura orante acentuando de maneira especial o método da lectio divina dos quatro passos.
O 1º passo, chamado leitura (letcio). Inicia-se com a invocação do Espírito Santo, pois foi sob a inspiração do E. Santo que os autores sagrados escreveram a Bíblia. Depois se proclama o texto escolhido. Leitura lenta, calma, pausada. Então em silêncio releio o texto. Pergunto-me o que o texto diz? O que quis comunicar no tempo de Jesus e no tempo da Igreja primitiva? Segue a 2ª proclamação do texto. Pode seguir uma curta partilha sobre o que o texto diz. Assim se evita uma leitura moralista, ideológica, ou fundamentalista.
O 2º passo, chamado meditação (meditatio). Agora eu me pergunto, individualmente, em silêncio, o que o texto diz para mim/para nós hoje? Começamos a dialogar com o texto para descobrir a Palavra de Deus. O que ele nos tem a dizer.
O 3º passo, chamado oração (oratio). É hora de se perguntar, o que texto nos faz dizer a Deus? Que sentimentos brotam de nosso coração? De amor, de gratidão e de louvor, de compromisso e de súplica? É o momento de partilhar com os que estão mais perto de você a oração que você fez, do que ele lhe disse.
O 4º passo é chamado contemplação/ação (contemplatio/actio.). Finalmente nos perguntamos: o que texto sugere para fazer e como fazer? É o momento de contemplar o mistério de Deus e perceber nele como a realidade toda seria transformada pela Palavra de Deus. Tiremos um tempo para que cada um, individualmente faça a sua contemplação. Depois com uns três irmãos faça a partilha. Quem saber o grupo chegue a um compromisso comum.
Façamos da Palavra de Deus a alma de todas as pastorais como também de nossa vida. Se você tirar o tempo para fazer a experiência da lectio divina, você não vai se arrepender. Escrevo e assino. Amém.
Conversando com o povo de Deus (504) Sejamos administradores espertos.
Mês de setembro mês da propaganda eleitoral. (Voto não tem preço, tem conseqüências enormes. Eu mesmo com 74 anos vou votar e você?). Mês de setembro mês da Semana Farroupilha. (Em Caçapava do Sul, dia 11, a imagem de Maria, Mãe do Redentor, padroeira da diocese, puxou o desfile da inauguração da Semana, resgatando a religiosidade mariana do povo que fez a revolução). Mês de setembro mês de preparação para a nossa 16ª Romaria Diocesana. (Desde maio a comissão central está se reunindo uma vez por semana. A visita da imagem da santa Padroeira às paróquias da diocese iniciou no começo do mês com Cortado, Agudo e Cerro Branco. No fim da semana passada foi a vez de Caçapava e Santana da Boa Vista. Neste fim de semana será a vez de Arroio do Tigre. Na próxima Sobradinho, Segredo e Ibarama. No dia 1º de outubro se iniciará a novena nas 04 paróquias de Cachoeira do sul. Dia 10 de outubro teremos a grande Romaria com o tema Maria e a Juventude). Mês de setembro mês da Bíblia para nós católicos do Brasil. Somos convidados a adquirir a Bíblia. Uma vez adquirida precisamos lê-la. Meditá-la. Todos os dias. O concílio Vaticano II nos pede que ela seja a alma da teologia. Hoje se insiste que ela deve ser a alma de toda a pastoral, de todos os movimentos. Na Bíblia nós encontramos Jesus Cristo, via, verdade e vida. Encontramos nosso amigo, nosso redentor, salvador, aquele que deu a sua vida por mim. Na Bíblia aprenderemos a ser administradores espertos.
Neste dia 19 de setembro, 25º domingo do tempo comum, a Igreja nos propõe a leitura do profeta Amós 8,4-7. Há muita injustiça nesse séc. VIII aC e muita exploração. Os maus comerciantes não suportam os dias santos de guarda (lua nova e o sábado) que lhes proíbem o comércio. Não vêem o tempo passar para poder vender as suas mercadorias, aumentando pesos e adulterando balanças, vendendo o refugo do trigo, dominando os humildes com dinheiro e um par de sandálias. Naquele tempo se fazia isso e hoje não se faz mais? Por isso, Deus jurou “nunca me esquecerei o que eles fizeram”. Deus é o dono da terra, das riquezas, de nossa vida, nós somos os seus administradores e nada mais. É necessário que sejamos bons administradores sendo justos e honestos, amando os humildes e os pobres da terra. Eles também são filhos de Deus.
O evangelho é segundo Lucas 16,1-13. Jesus fala aos discípulos, não a multidão. Conta a parábola do homem rico que tinha um administrador esbanjador. Ele o chamou e disse que não poderá continuar a ser o seu administrador. E agora o que fazer? Resolveu chamar os devedores e perguntou ao primeiro: “Quanto deves?” Ele respondeu: ”100 barris de óleo”. “Escreve 50”. E você: “Quanto deves?” “100 sacos de trigo”. “Escreve 80”. E Jesus elogiou a esperteza do administrador desonesto que fez isso para que alguém o recebesse em sua casa, porque não queria trabalhar, nem mendigar. Jesus diz em outras palavras: “Sede administradores espertos para o bem, assim como foi esperto o administrador para o mal. Imitai-lhe a esperteza. Usai o dinheiro injusto para fazer amigos que vos receberão no céu. Parece que não existe dinheiro totalmente justo. E acrescenta:” Sede fiéis e justos administradores nas pequenas coisas e sereis também fiéis e justos nas grandes. “Ninguém pode servir a dois senhores”. Por isso, discípulos meus, administradores meus, vocês não podem colocar o dinheiro, os interesses materiais, em primeiro lugar. Não podem servir ao dinheiro e depois a mim.
O que o texto quer dizer para mim? Sejamos bons administradores, sendo fiéis e justos também nas pequenas coisas, sendo espertos em fazer o bem, de maneira especial, aos humildes e pobres, que um dia nos receberão na casa do Pai. “Estive com fome, com sede e me destes de comer, de beber, estive na prisão e me visitastes (Mt 25,35). Atualizando, “ Fui jovem entregue à bebida, ao fumo e à droga e me ajudastes. Fui violento e me acalmaste. Fui idoso e doente e me visitaste. Desempregado e me conseguiste emprego, etc. “Quando te vimos assim? Todas as vezes que o fizeste ao menor dos meus, foi a mim que o fizestes”.
Conversando com o povo de Deus (505) “Eu voto em branco”.
Como o tempo passa. Imagina, que dentro de uma semana, já estaremos votando. E o bispo não disse nenhuma palavra sobre as eleições. Então vamos lá. Há pessoas dizendo: “Voto porque é obrigatório”. “Votarei, mas, votarei em branco” Por que isso? Por causa da enorme decepção com os políticos. O voto é uma arma poderosa que a democracia nos dá para eleger os nossos governantes e se errarmos podemos acertar na próxima vez. Quem não vota ou vota em branco desperdiça essa chance. Portanto, vote. Há mais de 20 anos atrás se fez a grande campanha para as “Diretas já” e se conseguiu, agora você não quer votar ou quer votar em branco? O que é isso?
“Os políticos são todos corruptos”. Não. Eles são espelhos do que é a nossa sociedade. Nós somos uma sociedade corrupta. “Eu voto em quem me dá mais”. Isso não é venda de voto? Um prefeito, não de Cachoeira, me disse, tempos atrás: “Quem não usar o método da compra de votos não se elege”. Isso significa que o próprio povo exige dos candidatos que sejam desonestos. Não se esqueça. Voto não tem preço, mas tem conseqüências.
Você já escolheu os seus candidatos? Faça-o logo e não deixe para a última hora. Tome nota do nome dos candidatos, de modo especial, dos senadores e deputados federais e estaduais para se lembrar em quem votou e depois cobrar deles.
Em quem você vai votar? “Tanto faz. È tudo igual”. Não. Precisamos sim de alguns critérios. Eis alguns: Voto nele porque é da minha igreja, do meu partido, da minha cidade ou região, porque sempre nos ajudou, porque prometeu ajudar a minha igreja, é meu amigo, meu parente, porque é muito simpático, porque fala bem, porque é rico e assim não precisa roubar, porque é honesto, é de ficha limpa, competente, bom administrador, porque é comprometido a lutar contra as mordomias dos governantes, porque é um homem de sensibilidade social, defende a dignidade da vida humana desde o nascimento até a sua morte, porque defende a família segundo o plano de Deus, porque defende a liberdade da educação (Os pais devem poder escolher a escola que quiserem, a privada ou pública, e ambas devem ser gratuitas), porque defende a subsidiariedade do Estado em relação aos grupos, associações e famílias, porque ele se compromete na construção de uma cultura de Paz, na busca do bem comum, no respeito ao meio ambiente.
Quem de nós vai olhar para todos esses critérios e depois escolher? Ninguém. Nenhum candidato é perfeito. Mas, eu como católico, ecumênico, vou olhar se um de minha igreja tem mais honestidade, ficha limpa, competência administrativa do que de outra igreja, e se defende a ética católica da defesa vida, da família, se defende a doutrina social da igreja, o respeito pelo ambiente, a que partido pertence, caso contrário voto num candidato de outra igreja. Meu irmão (ã), antes de escolher, informe-se bem, peça as luzes do Espírito Santo para discernir o melhor candidato e depois vote segundo a sua consciência tranquilamente.
Neste domingo, dia 26 de setembro, dia da Bíblia, a 1ª leitura é de Amós 6,1ª, 4-7: Ai de que viveis comendo carnes de cordeiros e novilhos, cantando ao som de harpas, bebendo vinhos finos e não vos preocupais com a miséria da casa de José, ireis para o exílio na primeira fila. Assim aconteceu em 722 aC. O evangelho é de Lucas 16,19-31: Ai do rico mau, cujo prazer é comer e vestir-se luxuosamente e se esquece do pobre Lázaro que pede só poder comer das sobras que caíam da sua mesa. Os dois morrem. O pobre vai para o céu o rico para o inferno. Lázaro goza da alegria e o rico mau de sofrimento. Por quê? Porque não amou o próximo como a si mesmo. Os cachorros podiam comer das sobras, Lázaro não. “Eu estive com fome e não me deste de comer”. “Quando, Senhor, te vimos com fome?” “Todas as vezes que não o fizeste ao menor dos meus foi a mim que não o fizeste” (Mt 25,35). O rico e o político somente se podem salvar, se fizerem a opção preferencial pelos pobres. “Eles são os juízes da vida democrática de uma nação” Doc. Da CNBB, n. 72.
Concluindo: A Igreja Católica não tem partido, nem candidato. Mas quer que você católico vote segundo a sua consciência, escolhendo os candidatos segundo os critérios dados por sua igreja.
Conversando com o povo de Deus (506) 16ª Romaria diocesana, Maria Mãe do Redentor
Domingo dia 03/10 vote nos melhores candidatos para presidente, governador, senadores (2) e deputados federal e estadual. Que a nossa padroeira o ilumine. Mas dia 10, não viaje, não marque outro compromisso, se marcou, desmarque, porque é o dia de nossa 16ª Romaria, Maria Mãe do Redentor. A Romaria é da Juventude, por isso o tema já vivenciado nas nossas 350 comunidades, em 13 paróquias, é: “Maria e a Juventude” e o lema: “Com Maria ao encontro de Jesus”. Por que a Juventude? Porque a Igreja da América Latina e do Caribe retomou a opção preferencial pelos jovens já feita nas Conferências anteriores. Os jovens são a maioria da população. Uma Igreja sem jovens é uma igreja capenga. A missão de todo batizado é ser missionário. É evangelizar. É mostrar o rosto de Jesus. O seu rosto jovem. As crianças mostram o rosto de Menino Jesus. Os adolescentes, Jesus adolescente. Os adultos o rosto de Jesus adulto. Como? Como discípulos e missionários de Jesus. É preciso levar jovem a uma experiência intima com Jesus, como o seu amigo, a via, a verdade e a vida, o seu redentor. O único que verdadeiramente o pode fazer feliz, libertando de todas as escravidões da bebida e do fumo, das drogas e do sexo irresponsável e do prazer idolatrado. Jesus o leva a ser missionário. Jovem evangelizando jovem.
Maria pode ajudar os jovens a conhecer melhor Jesus Cristo? Sim. Quem conhece melhor o seu filho, senão a mãe. Sim, Maria de Nazaré, a jovem, o levou 09 meses no seu ventre, o amamentou, o alimentou e educou com José seu esposo. Ela conviveu com ele durante cerca 30 anos. Na festa de casamento de Caná da Galiléia, ela notou logo que faltou vinho e disse ao seu Filho: “Eles não tem mais vinho”. “Eu com isso”. Ela que o conhecia bem diz aos serventes: “Fazei tudo o que ele vos disser”. Jesus atende a sua intercessão e diz aos serventes: “Enchei as talhas com água” e água virou vinho. Maria ensina aos jovens e a nós, que para ser amigo de Jesus e ser feliz é preciso fazer o que nos disser. Assim ele tornará a vida dos jovens (água) no vinho da alegria e felicidade. Onde encontramos a palavra de Jesus? Na Bíblia. A Bíblia é Jesus. O AT é preparação para Jesus Cristo. É preciso portanto ler atentamente a Bíblia, de maneira especial o NT, os evangelhos, com fé, invocando o Espírito Santo para penetrar nos sentido da mesma. Ler em comunidade. Melhor ainda usando o método da leitura orante da Bíblia, de preferência a lectio divina dos quatro passos.
Na Bíblia encontramos como Maria procurou seguir seu Filho, ser toda para ele. Em primeiro lugar ela aceita a maternidade. Diz sim a Deus. Sem o seu sim o Redentor nosso não poderia vir ao mundo. Ela visita a sua prima Isabel grávida de João Batista e a ajudou durante 03 meses. Foi proclamada feliz por sua prima Isabel porque acreditou. Ela é exemplo de fé e solidariedade para a nossa juventude. Quando Jesus nasceu ela não entendeu toda a extensão da visita dos pastores de Belém, nem a vinda dos magos do Oriente, as palavras do velho Simeão no Templo, as palavras ditas por seu Filho a ela e a José no templo, mas ela guardava tudo no seu coração e o meditava. Os jovens também nem sempre entendem os seus pais, a religião, e muitas vezes nem sempre a si mesmos. Maria e José eram observantes da lei de Moisés, deixaram circuncidar Jesus no oitavo dia e depois de 40 dias o levaram ao templo. Aos sábados freqüentavam a sinagoga e por ocasião da Páscoa costumavam ir a Jerusalém. No dia em que os jovens descobrirem que a religião é fonte da verdadeira vida seguirão o exemplo de Maria, José e Jesus. Quando o Filho não encontra mais tempo nem para comer por causa das multidões que acorrem Maria no seu cuidado de mãe, procura levar o seu filho de volta pra Nazaré. Na cruz, ela se encontra junto de Jesus. Este a entrega ao seu amigo João. “Mãe, eis aí o teu filho”. E a João ele diz: “Eis aí a tua mãe”. Desde aquele momento Jesus a leva para a sua casa. Jovens, desde aquele momento Jesus nos deu a sua mãe, levem-na para a casa e cuidem dela e ela cuidará de vocês.
O Documento de Aparecida, 2007, sugere 08 linhas de ação. Entre elas que se renove a opção preferencial pelos jovens nas dioceses, paróquias e movimentos. Que se estimulem os movimentos que tem uma pedagogia orientada para eles. Que se lhes proponha o Cristo vivo que garante a dignidade da pessoa humana, que estimula a opção vocacional, que introduza os mesmos na lectio divina da Bíblia. Que se implemente uma catequese atrativa para os jovens. Que a Pastoral da Juventude os ajude a se formar através da Doutrina Social da Igreja para ação social e política. Que a mesma os ajude a se capacitar para o mundo do trabalho, evitando a droga e a violência. Que se assegure aos jovens a participação em romarias, peregrinações e jornadas nacionais e internacionais. Pais, apoiai vossos filhos. Apoiai a juventude. Colocai-os debaixo do manto protetor de Maria. Até a Romaria!
Conversando com o povo de Deus (507). Maria e a Juventude.
A diocese de Cachoeira do Sul com as suas 13 paróquias em 13 cidades celebra dia 10/10/10 a 16ª Romaria tendo como tema: “Maria e a Juventude”. Lema: “Com Maria ao encontro de Jesus”. Por que esse interesse pela Juventude? Porque a Conferência dos Bispos da América Latina e Caribe reunida em Aparecida, 2007, reafirmou a opção preferencial pela juventude. Por que isso? Porque a juventude é a maioria da população. Porque a juventude em número crescente, está se entregando à violência, à droga (crack), ao sexo irresponsável, á procura do prazer pelo prazer. Juventude sem ideais, sem vida, sem vibração, sem esperança. Parece que nada mais vale à pena. Juventude difícil nas escolas. desaparecida de nossas igrejas. Já nos tempos dos romanos se falava mal da juventude e no tempo de minha adolescência eu escutava dizer: “Essa juventude de hoje não presta?” Vamos desanimar? Não.
Por isso, a nossa diocese e as paróquias se empenham na pastoral da juventude. O suficiente? Não. A Romaria pode ajudar. Dar um novo impulso. O nosso povo gosta de romarias, de maneira especial das romarias marianas. O RS que tem cerca de dez milhões de habitantes, nem todos católicos, dois milhões participam anualmente de romarias. Só a romaria do Círio de Nazaré em Belém do Pará, segundo noticiário da TV de 07/10, recebe dois milhões de peregrinos. Há também os Santuários de N. Sra. Aparecida e de S. Francisco do Canindé, do “Padinho” Cícero, que durante o ano recebem milhões de romeiros. A profecia de Maria continua se realizando. “E todas as gerações me chamarão bem-aventurada”, (porque fui escolhida para ser a Mãe do Redentor).
Será que Maria pode ajudar nossa juventude? Pode. As mães podem ajudar os seus filhos. Qual é o jovem que não precisa de sua mãe? Que em momentos difíceis não se lembra dos conselhos de sua mãe? “Por que não segui os seus conselhos?” Assim Maria a mãe que gerou o nosso Redentor, que educou o seu filho Jesus pode ajudar os jovens de hoje. Ela nos foi dada como mãe no alto do Calvário, quando ela junto da cruz de seu Filho crucificado escuta as suas palavras: “Mãe, eis aí o teu filho” (João). E a João ele diz: “Eis aí a tua mãe”. Desde aquele momento ele a levou para a sua casa (Jo 19,26). João representava a nós. Jesus no-la deu como nossa mãe também. Jovens, levem essa mãe com vocês para a casa de seu coração.
A 1ª leitura da missa é do livro de Ester (5,1-2, 7,2-3). A rainha Ester, judia, se aproxima do rei Assuero, persa, pedindo que poupe a sua vida e a de seu povo. E o rei se comoveu e suspendeu o decreto de extermínio dos judeus no seu reino. Vejam a força intercessão de uma mulher.
No evangelho das Bodas de Caná veremos a força da intercessão de Maria, Mãe de nosso Redentor (Jo 2,1). Maria notando que o vinho terminou, o diz ao Filho. Intercede pela família pobre, que estava passando vergonha. Conhecendo o seu filho, conhecimento de mais de 30 anos de convivência, diz aos serventes: “Fazei tudo o que ele vos disser”. Eles obedeceram e Jesus transformou a água em vinho. Vinho de alegria, de otimismo, de ânimo. Assim Maria intercede junto de Jesus pelos jovens que não tem mais vinho. Que perderam a fé, a esperança de que um mundo novo é possível, que depois dessa há uma outra vida. Tudo se resume no aqui e agora. Por isso, é preciso retirar o máximo de prazer da vida. Para conhecer Jesus como via, verdade e vida, como o redentor, o amigo precisa-se de uma experiência mística com ele num retiro, num encontro. Precisa-se da oração e da leitura orante da Bíblia, da participação na comunidade, onde o jovem deve mostrar o rosto de Jesus.
Na leitura do livro do Apocalipse, (12,1. 5.13. 15 a 16), no céu aparece um mulher (Maria) vestida do sol, com a lua debaixo dos seus pés e sobre a cabeça uma coroa com 12 estrelas (12 tribos) dá à luz um filho (Jesus), que depois é levado para junto de Deus (Pai). Ascensão. O dragão (o demônio) persegue os seguidores de seu filho. Mas Maria vem em socorro de seu povo e intercede para que não termine o vinho da esperança.
Pais, vamos apoiar os nossos jovens. Vamos mostrar a eles nosso exemplo de fé e diálogo.
Jovens, façam a denúncia profética contra essa sociedade fajuta, contra esse modelo econômico excludente, que extermina os jovens, de maneira especial, os de sexo masculino, negros e adolescentes. Seria uma maneira de controle de natalidade dos pobres? Continuem denunciando o tráfico humano, as drogas, a prostituição forçada, mas não deixem de assumir a sua responsabilidade. Não desprezem os conselhos de seus pais. Não tenham medo de Cristo. Não desanimem. Botem Deus no seu coração. Amém
Conversando com o povo de Deus (508) Avaliando a 16ª Romaria 2010
O que você gostaria de saber? Os jornalistas gostam de perguntar: “Quantos mil foram os participantes? Houve mais gente nesse ano do que no ano passado? Houve muita gente pagando promessas? Quantas pessoas havia de pés descalços ou andando de joelhos? Quanto deu a Romaria?” O que vou fazer com o dinheiro? São coisas que para mim são secundárias. Mas, já que isso interessa a alguns, respondo. Sim houve mais gente que no ano passado e segundo o Capitão Soligo da Brigada houve ao redor de 65 mil romeiros. Sim, houve gente pagando promessas, gente andando de pé no chão, carregando crianças vestidas de anjos. Segundo a equipe econômica a Romaria deu 37.500,00. Só? Sim, porque a primeira finalidade não é fazer dinheiro, mas é espiritual. A grande parte do povo é pobre. Milhares de romeiros trazem a sua merenda. Vem com pouco dinheiro. Por isso a própria coleta na missa deu só 6.550,00. Se o lucro fosse o 1º fim, se faria a procissão e a missa e, depois seria quermesse, festa, com rifas, leilões, coelhos e porquinhos-da–índia, pescaria para crianças, etc. O dinheiro vai servir para pagar a construção do almoxarifado (56 mil) e as reformas do altar e construção de tendas (12 mil). Para a conservação do parque precisamos de cerca 2.500 mensais. Sem as reservas do ano passado não seria possível. A mãe agradece aos seus filhos (as) a sua generosidade.
O 1º fim é espiritual. É um momento de evangelização das multidões. O povo tem necessidades de sentir que a sua Igreja não está morta. Que ainda somos maioria. Que essa história de que “todo mundo está passando para as outras religiões”, que “as igrejas estão vazias”, que “a igreja já era”, não é bem assim. Cachoeira é uma diocese nova, nascida em 17/07/1991, sente necessidade de fortificar a sua consciência de unidade diocesana. Um só Deus, uma só Mãe, um só bispo, uma só diocese. A Romaria é também momento forte de evangelização para toda a diocese. Cada romaria tem o seu tema e o seu lema, que é trabalhado nas 338 (Caminho, 15) comunidades urbanas e rurais em nossas 13 paróquias pelos respectivos párocos nos meses de setembro e outubro. O bispo leva, com raras exceções, pessoalmente a Imagem da Santa a todas as igrejas matrizes das 13 paróquias. É a visita da Mãe aos seus filhos(as), para levar-lhes a sua bênção e convidá-los para a Romaria. Sugere-se que as famílias se reúnam em grupos para refletir o tema, que está no livrinho para grupos de família. Que rezem o terço. E que no dia da Romaria, às 11h, os que não puderam vir a Romaria, reúnam a família ao redor da Imagem e rezem 03 Ave-Marias. Justamente para fomentar a unidade diocesana. Nas reuniões mensais das 04 áreas de nossa diocese a Romaria foi um assunto refletido. Para os jovens também foi editado um livrinho sobre Maria e Juventude para ser usado nos grupos. Os jovens se prepararam para a acolhida dos romeiros diante da Catedral, carregaram a Imagem na procissão, colocaram os seus carros de som ao longo do trajeto para que todos pudessem acompanhar os cantos e a oração. Jovens postados em cima de caminhões ao longo do caminho representaram as cenas do ver julgar e agir. Assumiram os cantos da missa e da bênção da saúde. Fizeram o show cultural da tarde. Coletaram assinaturas contra o aborto. Tudo isso precisa de semanas de preparação. Em Cachoeira visitaram todas as escolas convidando a todos para a Romaria. Ela envolveu a Comissão Central desde junho. A sociedade cachoeirense foi envolvida com pedidos de ajuda para doações de alimentos, para patrocinar a divulgação na TV, rádio, cartazes, outdoor. Foram envolvidas: a prefeitura, o exército, a brigada, o comércio e a indústria. Tudo respirou Ro-ma-ria. No dia houve um batalhão de 300 voluntários trabalhando na churrasqueira, na cozinha, nas tendas, na liturgia. O ponto alto da Romaria são a procissão, a missa e a bênção da saúde. Pelas 16h o povo voltou para casa contente e feliz com o novo ânimo, com novo fervor, com novo elã para a vida. No dia 12, dia N. Sra. Aparecida, fizemos a missa e o almoço da confraternização com os que trabalharam na Romaria, reunindo mais de 160 pessoas. Recordamos algumas das maravilhas que N. Sra. realizou
Maria, a mãe de Jesus, nosso redentor, e mãezinha nossa, ela reuniu a todos os(as)s filhos (as) ao seu redor e os alegrou com o vinho da alegria e da esperança. Esperança na juventude. E nos deixou as seguintes recomendações: 1.- Ler todos os dias um trecho da Bíblia, de preferência dos Evangelhos.2.- Rezar diariamente 3 Pai Nossos e Ave-Marias. Os pais pelos filhos. Os padrinhos pelos afilhados. Os jovens rezem diariamente por seus pais, irmãos e amigos. 3.- Adotar um jovem para rezar por ele e ser seu amigo. 4.- Para os jovens, participar do grupo de jovens, encontros, retiros e jornadas da juventude.
Que nota você daria para a Romaria? Eu dou 10 com cinco estrelinhas. Meu sonho é, no próximo ano, quando a diocese celebrará 20 anos de existência, por ocasião da Romaria, fazer o lançamento da pedra fundamental da nossa futura capela com a presença do Núncio Apostólico, representante do Papa.
Conversando com o povo de Deus(509) Segundo turno: não voto em branco.
Em quem dos dois votar? A igreja Católica não apóia oficialmente nem Dilma nem Serra. A CNBB na 48ª Assembléia Geral, realizada em Brasília, emitiu dia 11/03/10 uma Declaração sobre o Momento Político Nacional: “Incentivamos a que todos participem e expressem, através do voto ético, esclarecido e consciente, a sua cidadania nas próximas eleições, superando possíveis desencantos com a política, procurando eleger pessoas comprometidas com o respeito incondicional à vida, à família, à liberdade religiosa e à dignidade humana. Em particular, encorajamos os leigos e as leigas da nossa Igreja a que assumam ativamente seu papel de cidadãos colaborando na construção de um País melhor para todos”. Essa é a posição oficial dos Bispos, Declaração aprovada por eles, por mim também, nessa 48ª AG. A Presidência da CNBB em nota de 08/10/10 reafirma essa posição. E lamenta que se use indevidamente o nome da CNBB fazendo ela dizer o que não disse. A partir desses critérios o católico deve escolher os seus candidatos.
As Declarações que agora estão sendo publicadas são de um bispo só ou de grupos de bispos que se declaram a favor de Serra ou de Dilma. Os bispos têm o direito de orientar os seus fiéis. São cidadãos como os demais e podem abrir o seu voto. Outra coisa é, se convém, pastoralmente falando, fazê-lo. Eu não o faria. Mas respeito os meus colegas.
Graças a Deus o Brasil tem uma democracia sólida. Quem ganhar vai levar. Mas como é difícil a gente aceitar perder. Lançam-se as mais tremendas acusações um contra o outro. Se tudo isso for verdade, que Presidente da República teremos? Um bandido? Um corrupto? Se os dois candidatos são candidatos devem ter algumas virtudes morais e administrativas ou não? Ou será que os partidos escolheram os piores candidatos? Dificilmente posso acreditar nisso. O número de e-mails que eu recebo não tenho tempo nem de abrir todos. As acusações que se lançam contra os dois candidatos, como posso ter certeza que são verdadeiras ou falsas? Eu resolvi, de agora em diante, deletar os e-mails políticos, sem lê-los. Basta.
Continuando a pensar em voz alta. É verdade de que todo poder político corrompe infalivelmente? Parece que sim. Logo seria bom a alternância do poder? Aliás, a democracia traz em seu bojo a necessidade de alternância para o bem do país. Assim na Alemanha, na Inglaterra, na França os conservadores e socialistas se revezam. Isso faz bem a um país. Mas a alternância deve ser um projeto político diferente. O Brasil infelizmente não teve uma verdadeira oposição ao atual governo. Só o DEM. E o atual candidato da oposição não é oposição. Não tem um projeto novo, diferente. Quer continuar melhorando. Aliás, os dois candidatos querem continuar melhorando o governo Lula! Isso não é bom para o Brasil, não acha? Pena que a Marina não foi para o segundo turno.
A conquista do poder apaixona, assim como o ficar nele. Não se quer largar o “osso”. Para chegar ao poder é necessário fazer novos acordos, assumir novos compromissos, isso tudo enfraquece aquele que vencer. Logo, o futuro Presidente será uma pessoa enfraquecida, amarrada, comprometida. Como será capaz de combater a corrupção? Não seria melhor abolir o segundo turno? Ou melhor ainda, abolir o presidencialismo e introduzir o parlamentarismo? Eu lamento que o Brasil perdeu a grande chance, naquele plebiscito, para votar sim ao parlamentarismo.
Quem vai vencer a eleição? O gaúcho tem uma alma bipolar. Ou é maragato ou é chimango. Ou é colorado ou é gremista. Ou é PT ou anti-PT. Nacionalmente sempre foi anti-governo ou não? Farroupilha contra governo central. Se o governo central é de um partido, o gaúcho elege um governador de outro partido. Ou apóia um candidato à Presidência da República que perde. Assim apoiamos duas vezes Lula e duas vezes Fernando Henrique ganhou. Quando Lula ganhou duas vezes nós apoiamos Serra e Alckmin, que perderam. Agora elegemos Tarso Genro como governador e vamos votar Serra como Presidente pela lógica. Costumamos dizer que o gaúcho é o estado mais politizado do Brasil!
Os nossos irmãos evangélicos colocaram fortemente a questão do aborto. Será que atrás disso também não existe uma jogada política? “Só votamos na candidata, se nos derem tais e tais vantagens. Canais de TV, rádio, etc”. Ou será malícia minha?
Estou com 74 anos mas, vou votar, sim. De manhã terei crismas em Sobradinho, mas de tarde estarei de volta em Cachoeira para votar. E revelo o meu voto, não voto em branco.
Conversando com o povo de Deus (510) Bárbara Maix será beatificada.
Você já recebeu o convite: “Participe da celebração de Beatificação de Bárbara Maix, dia 06 de novembro, no Gigantinho (!), POA. ÀS 13h30min – Momento Cultural. 15h30min – Celebração Eucarística? Vai ser transmitida pela Rede Vida. Mas quem é Bárbara? Ela nasceu na Áustria, em 1918. Fim da primeira guerra mundial. Aos 15 anos ficou órfão de pai e mãe. Mas não se entregou. Procurou o seu próprio sustento como modista e abriu uma pensão para jovens. Bota coragem e criatividade nisso. Cercou-se de companheiras para ajudar aos pobres, às órfãs e desvalidas, organizando-as em comunidades. Salvando jovens da prostituição. Expulsa de sua terra natal, com 21 companheiras embarcoTu para o Brasil. Chegou ao Rio sem dinheiro, sem saber a língua, com muita fome, mas cheia de fé em Deus e Nossa Senhora. E deu certo. Bárbara abriu novos horizontes para jovens e mulheres assumindo asilos, pensionatos e escolas. Não aceitou trabalho de escravos em suas obras. Atendeu as vítimas da cólera, da febre amarela e da guerra do Paraguai. Em 08/05/1849, ela fundou a Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria (ICM). Trabalhou em Pelotas, Rio Grande, e 14 anos em POA. Faleceu em 17/03/1873. A sua congregação herdou o seu espírito. A dedicação da vida em favor das crianças, dos adolescentes e jovens. O amor para com os necessitados. Eu conheci as Irmãs em Taquari quando eu estudava no Seminário dos Padres franciscanos holandeses. Cuidavam do Hospital, Colégio e Lar S. José. Aqui em Cachoeira trabalham na Casa da Criança em favor dos mais necessitados e no Bairro Cristo Rei estão morando no meio popular, procurando viver a vida que os necessitados levam. Também em Segredo/RS marcaram presença até bem pouco tempo atrás.
Beatificação, o que é isso? Para um santo chegar a ser santo canonizado, ele passa por um processo canônico. Quando são examinados: a sua vida de fé e caridade. Era de fato uma pessoa boa, cheio de fé e caridade, de virtudes heróicas, obediente à Igreja?
A primeira etapa então é a declaração de Serva de Deus. Bárbara já foi declarada Serva de Deus. O processo continuou. Para ser declarada beata era necessário que por intercessão dela acontecesse um milagre atestado pela ciência. Isto é, a ciência proclama que não sabe explicar cientificamente a cura. Foi o que aconteceu, em 1944, com o menino Onorino Ecker, que vivia com os seus pais em Vila Santa Lúcia do Piaí, perto de Caxias do Sul. Teve uma queimadura de 3º grau. No 1º curativo até as unhas caíram. O médico disse: “só um milagre o salvará”. Foi feita então uma novena pedindo à Bárbara a cura do menino. Em 15 dias Onorino estava completamente curado. Esse fato foi examinado pelos médicos e declarado como inexplicável cientificamente. Por isso, o Papa aprovou a sua beatificação. Ela será declarada beata pelo representante do Papa, no dia 06/11/2010. Diante do milagre a Igreja a proclama bem-aventurada. Ela está no céu entre os bem-aventurados. Ela pode intercede, junto de Jesus, por aqueles que a ela recorrem. A terceira etapa é a canonização para a qual são exigidos mais milagres.
Por que a Igreja “faz” beatos e santos? Para chamar a nossa atenção que todos somos chamados à santidade. “Sede santos como vosso Pai no céu e santo”, disse Jesus. E S. Paulo chama os cristãos de santos, porque todo o batizado foi santificado por Cristo. Devemos ser na realidade do dia a dia o que já somos ontologicamente. O santo canonizado é uma pessoa que chegou a um grau maior de santidade que o comum dos mortais. Que se tornou um exemplo para nossas vidas. O exemplo de seguidor de Cristo a ser imitado. Uma força para nós. Se ele chegou lá, por que não posso eu também chegar lá. A maioria de nós católicos fica no santo intercessor, mas não se preocupa muito em imitar a sua maneira de viver a mensagem de Cristo. “Ah, esse santo é forte para as causas perdidas. Esse outro é bom para problema de garganta. Mais outros são protetores dos motoristas, dos médicos, dos advogados, dos padres”. Imitemos Bárbara Maix, a beata, a bem-aventurada no seu amor pelas crianças, pelos adolescentes, pelos jovens, pelas mulheres. De maneira especial os mais necessitados. No seu amor pela vida. Lutar para que todos tenham vida e vida em abundância. Toda essa atividade era inspirada em Jesus, o Redentor e sua Mãe. “Em Jesus e Maria temos o modelo vivo de como proceder”, dizia ela. Imitemo-la em nossas dores, aflições e trabalhos, necessidades e perigos fazendo “do Coração de Maria, um cofre, onde as colocamos”. E peçamos com ela que “os Sagrados Corações de Jesus e Maria façam um incêndio em nossos corações e queimem tudo o que não é de Jesus e Maria”.
Parabenizo as 811 Irmãs espalhadas por 09 países do mundo. Sejam continuadoras de sua grande fundadora. “Beata Bárbara, continue a sua obra iniciada aqui na terra através delas e de todos nós. Intercedei junto de Jesus pelo Brasil que vota domingo o seu novo Presidente. Amém.
Conversando com o povo de Deus (511) Finado, Beatificação e Todos os Santos.
A veneração dos mortos não é invenção do cristianismo. É uma expressão do arquétipo religioso. Sempre e em toda a parte os seres humanos veneraram os seus mortos. Sem eles não existiríamos. Sem eles não teríamos herdado a qualidade de vida que temos. Os judeus e romanos sepultavam os seus corpos. Dever sagrado. Por isso, os cristãos continuaram com esse costume. Para nós cristãos católicos, a morte é a separação da alma do corpo. Esta alma, que animava o corpo, é imortal. Logo após a morte ela se encontra com Deus. É o juízo particular. “Ainda hoje estarás comigo no paraíso” diz Jesus ao bom ladrão. Os justos irão para o céu. Os falecidos em pecado mortal, para o inferno. Os que morreram em pecado venial irão para o purgatório, onde serão purificados. Nós cremos na comunhão dos santos. Há uma só família, os que estão na glória, os que estão no purgatório e os que estão na terra. E eles se poderão ajudar. Por isso, os fiéis católicos rezam pelos falecidos e a melhor oração é a própria missa. Pois o próprio Cristo se oferece ao Pai por eles. Ou melhor, nós colocamos os falecidos debaixo da cruz de Cristo para que o sangue redentor os lave de todas as suas penas. Ninguém gostaria de encontrar no céu os seus parentes e amigos com as suas chatices. E mortos nos poderão ajudar junto de Deus. Nós professamos a ressurreição dos mortos e não a reencarnação. “Está escrito que o homem morra uma só vez e depois é o juízo”, escreve Paulo ( Hb 9,27). Os que estão sepultados no cemitério e alhures ou cremados ressuscitarão, quando Jesus vier pela segunda vez para julgar vivos e mortos. No cemitério que visitamos dia de finados estão os restos mortais dos falecidos. A sua alma não está ali. Ela está fora do espaço e tempo. Nós manifestamos o nosso amor, carinho e gratidão a eles, rezando, acendendo velas e colocando flores. As outras denominações religiosas têm visões diferentes, quando chegarmos lá ... veremos quem tinha razão!
Domingo próximo, nós católicos celebramos a festa de Todos os Santos. A festa nos lembra que todos pelo batismo somos chamados à Santidade. “Sede santos como vosso Pai no céu é santo”(Mt 5,45). Todos os que estão no céu são santos. Dentre eles a Igreja canoniza alguns como modelos de vida para nós. Assim também cada nação tem alguns modelos de patriotas a imitar. Tiradentes, Duque de Caxias, etc. A Igreja quer celebrar a todos sem exceção, canonizados, beatificados ou não. Por isso, o dia de todos os santos. Sábado próximo vamos ter em POA a beatificação de Bárbara Maix, fundadora das Irmãs do Imaculado Coração de Maria. É colocada pela Igreja para nós como exemplo de vida e intercessora. Se ela conseguiu porque eu não posso conseguir?
A 1ª leitura da liturgia do próximo domingo é do Apocalipse(revelação) 7,- 4.9-14 . João, o evangelista escreve num gênero literário, que os cristãos entendem mas os romanos não. Quantos serão os marcados na fronte? 144 mil de cada tribo de Israel. Existe uma seita que diz esse é o número dos que se salvam. Basta continuar a leitura. “Depois disso vi uma multidão de todas as nações que ninguém podia contar”. Eles trajavam vestes brancas com palmas na mão. O campeão de uma prova esportiva recebia um manto branco e a palma da vitória. Assim também os cristãos fiéis, que se negaram de adorar o imperador e sofreram a morte. “Estes são os que lavaram e alvejaram as suas roupas no sangue do Cordeiro” (Jesus). Quem são os santos? São aqueles que deram a sua vida por Cristo e os que a deram todos os dias um pouco até o fim de sua vida.
O Evangelho é de Mateus 5,1-12. “Vendo Jesus as multidões subiu o monte e sentou-se”. Por causa da multidão ele sobe o monte. Por causa deles fala. Fala sentado. Fala com autoridade. Moisés subiu o monte Sinai. Recebeu os 10 mandamentos e os leu para o povo. Jesus, o novo Moisés, sobe o monte e fala às multidões, proclamando a nova lei. Conhecido também como o Sermão da Montanha. Jesus indica o caminho da santidade. Da felicidade. “Bem-aventurados (felizes) os pobres em espírito”. Isto é, os que optaram pela pobreza e não pelo dinheiro (ter, poder e prazer). “Felizes os aflitos” pela injustiça que sofrem, porque serão consolados. “... os mansos”. “... os que têm fome e sede de justiça”. Deus os saciará. “Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia”. “... os puros de coração”, isto é, os de reta intenção. “... os promotores da paz”. “... os que são perseguidos por causa da justiça e por causa de mim”. “Alegrai-vos porque grande será a vossa recompensa nos céus”. Quando somos elogiados e queridos por todo mundo, cuidado! Talvez não estejamos vivendo as bem-aventuranças. Jesus é aquele que viveu essas bem-aventuranças. O mundo dirá: “Felizes os ricos”, “... os que não precisam de consolo”, “...os violentos porque eles possuirão a terra”, “...os fortes porque eles têm o poder de comprar a justiça”, “...os super-homens que não perdoam”(O perdão é coisa dos fracos), “... os que sabem enganar o próximo para proveito próprio”, “...os possuidores das armas, porque eles serão os donos do mundo”, “...os que são elogiados por todo mundo, tidos como salvadores da pátria”.
“ Sede santos como vosso Pai no céu é santo”.
Conversando com o povo de Deus (512) Beatificação, Novo Bispo e 67ª Romaria e Crismas
Tive a graça de participar da beatificação da Madre Bárbara Maix, fundadora das Ir. do Sagrado Coração de Maria, no Gigantinho(!). Foi uma festa. O povo aplaudiu tanto o show cultural apresentado por crianças e jovens das instituições mantidas pelas Irmãs como depois a cerimônia da missa solene com a beatificação, presidida por D. Dadeus, nosso querido arcebispo, com a presença do representante do Papa, o Núncio Apostólico, D. Lorenzo Baldisseri, de dezenas de bispos, de centenas presbíteros, centenas de Irmãs da Congregação, representantes de 08 países. Ginásio lotado. Transmitido pelas TVs, Rede Vida e Canção Nova. Até a rádio Integração de Restinga Seca estava lá transmitindo. Tudo foi muito simples, leve e bonito. Todos saíram satisfeitos com a convicção, que temos uma nova bem-aventurada no céu, que nos inspira e auxilia na doação alegre em favor das crianças e jovens, de maneira especial os mais pobres. Parabéns pela vossa fundadora, Irmãs. Beata Bárbara, rogai por todos nós.
O Rio Grande do Sul recebeu do Papa um novo bispo. Será auxiliar do D. Dadeus, arcebispo de POA. Seu nome é Frei Jaime Spengler, bisneto de alemães. É franciscano como eu. Teremos agora no RS 04 bispos franciscanos. Dois bispos D. Jaime. É catarinense, nascido em Gaspar. Entrou no seminário com 20 anos. Tem atualmente 50 anos. Estudou em Guaratinguetá, Curitiba, Petrópolis, Jerusalém e Roma. Doutor em Filosofia. Professor. Seja bem-vindo, gaúcho por adoção!
Domingo próximo, dia 14/11/10, a diocese de Santa Maria celebra a sua 67ª Romaria com os 100 anos de diocese. No dia 15/08/ 1810, foi criada a arquidiocese de POA com as dioceses sufragâneas de Santa Maria, Pelotas, Uruguaiana. Nós de Cachoeira do Sul, somos uma diocese desmembrada em 17/07/1991 da diocese de Santa Maria pelo Papa João Paulo II. Santa Maria é a nossa mãe. Quem de nós não se lembra dos bispos de saudosa memória: D. Ivo, Dom Érico Ferrari, Dom Victor Sartori e Dom Antônio Reis? Todos os bispos das 18 dioceses do RS estarão presentes na Romaria. Após realizarão a sua reunião anual de 03 dias. D. Hélio, filho de Segredo, atual bispo de Santa Maria escreveu um interessante artigo sobre o “Coração do Pe. Roque Gonzales na Romaria”. Como símbolos marcantes da mesma haverá as relíquias de Pio X, que criou a diocese e o coração do Pe. Roque. Ele foi martirizado em 1628 em Caaró, na atual diocese de Santo Ângelo. Seu coração foi arrancado e atirado no fogo. O fogo o chamuscou, mas não o consumiu. Guardado por um padre jesuíta, foi levado, em 1633, para Roma. De lá veio em 1928 para Buenos Aires e após para Assunção. Foi trazido para a Romaria como exemplo de grande missionário, de grande evangelizador para reavivar o espírito de discípulos missionários de Jesus. S. Roque abençoai-nos.
Nas últimas semanas crismei 90 em Agudo, 250 em Sobradinho, 12 em 03 Vendas, Cachoeira e neste fim de semana serão mais 94 em Arroio do Tigre. São 446 novos soldados de Cristo. São 446 novas testemunhas de Cristo. Acrescento os 28 militares crismados na Igr. Santo Antônio em Cachoeira, 4ªf., preparados por 03 catequistas militares, com a presença dos seus comandantes, colegas e familiares. Uma das funções mais lindas do bispo é administração do sacramento da confirmação ou crisma.
Conversando com o povo de Deus (513) Viva Cristo Rei.
Naqueles tempos em que eu era jovem... a gente dizia: “Viva Cristo” e o outro respondia: “Rei”. A igreja tem o seu ano litúrgico. O ano da Igreja termina com a festa de Cristo Rei e inicia o ano com o 1º domingo do advento. Advento tempo de preparação para o Natal. Esta festa foi introduzida pelo Papa Pio XI (21/03/1925) para incentivar os cristãos leigos a fazer de sua presença no mundo uma força transformadora. Por meio dos cristãos Jesus quer governar o mundo. Por isso, a Igreja no Brasil fez desse domingo o dia nacional do leigo e da leiga. É através dos leigos católicos (aquele que não é papa, bispo, padre, diácono nem religioso) que Cristo se torna presentes no mundo da medicina, da ciência, do direito, do exército, da educação, do trabalho, dos negócios, da política, do jornalismo e da família principalmente construindo o seu reino. É também através dos santos como Roque Gonzales, Afonso Rodriguez e João de Castillo, Pe. Manuel e o coroinha Adílio Daronch e Bárbara Maix e outros que Cristo constrói o seu reino entre nós.
A liturgia da festa coloca como 1ª leitura 2 Samuel 5, 1-3. Davi é escolhido e ungido rei em Hebron pelas 10 tribos do norte, pois ele já era rei de Judá e Benjamim. Essa leitura foi escolhida como tipologia de Jesus. Davi era o mais humilde de 08 irmãos, nascido na aldeia de Belém. Mas foi o escolhido. Deus prefere fazer as suas maravilhas escolhendo os fracos. Seu reinado foi um reinado de união. Jesus nasce numa gruta em Belém. É da família de Davi. Da família real. Davi reinou pela força, pelas armas. Jesus também é rei. Mas seu “reino não é desse mundo”. Prefere morrer que matar. Seu reino é um reino de paz, amor e justiça.
O evangelho é de Lucas 23, 35-43. O rei Jesus que nos é apresentado é um rei pendente da cruz. Na cruz havia uma inscrição onde estava escrito em 3 línguas: hebraico, grego e latim: “Jesus Nazareno Rei dos Judeus”. Os nossos crucifixos costumam ter a abreviação latina. INRI. Iesus Nazarenus Rex iudaeorum. Assim Pilatos justificou a sua sentença de morte. O povo todo estava olhando quieto. Mas os chefes começaram a zombar dele, assim também os soldados e um dos ladrões. O que diziam os chefes? “Salve-se a si mesmo se, de fato, é o Cristo de Deus”. Os soldados romanos: “Se és o rei dos judeus salva-te a ti mesmo”. Viam nele um rei fracassado. Um dos ladrões também o insultava. “Tu não és o Cristo? Salva-te a ti e a nós”. Cristo significa messias. Portanto a inscrição significava para eles que Jesus se proclamou um rei messias. Mas nos soldados encontramos um gesto de compaixão: “davam-lhe vinagre” como bebida refrescante. E o bom ladrão toma a defesa de Jesus. Critica o seu colega. “Nem sequer temes a Deus?” “Para nós é justo a pena”, mas “não para ele que não fez nada de mal”. Ele arrependido confessa o seu pecado. Ele crê de fato que Jesus é o Rei Messias. “Jesus, lembra-te de mim quando entrares no teu reinado”. O que Jesus responde: “Hoje”. Não depois de muitas reencarnações, nem depois da ressurreição. “Hoje ainda estarás comigo no paraíso”. Hoje estarás comendo e bebendo no meu reino. Hoje tomo posse do meu reinado. Este Jesus crucificado é um rei que perdoa. “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem” (23,34). É um rei que se esquece de seu sofrimento e pede que João cuide de sua mãe. “Eis aí a tua mãe”. “Mãe, eis aí o teu filho” (Jo 19,26). E desde aquele momento João a levou para a sua casa.
Quem é Jesus? S. Paulo na carta aos Colossenses 1,12-20 responde. Por Cristo, Deus Pai criou o universo. Cristo é a origem, o centro e o fim de nosso universo. Por Cristo, ele quis reconciliá-lo e salvá-lo. Em Cristo ele nos recebeu no reino de seu Filho amado. Ele é a cabeça a Igreja o seu corpo. O primogênito dentre os mortos. Nele Deus Pai quis habitar com toda a sua plenitude realizando nele o reino de paz e amor.
No reino do dinheiro, a injustiça, o saber aproveitar-se do outro, a lei de Gerson, o uso da força são a principais ferramentas. O que movimenta o mercado é a guerra e a competição. É o mundo dos grandes e poderosos. No reino de Cristo reina o amor, o perdão, a reconciliação, a justiça, reino onde os humildes e pecadores são acolhidos.
Façamos que Cristo reine em nosso coração, em nossa família, em nossa comunidade, em nossa sociedade. Viva Cristo nosso rei.
Conversando com o povo de Deus (514). Retiro, Ação de Graças, Advento.
O bispo e mais 19 padres e 05 diáconos da diocese de Cachoeira do Sul estiveram reunidos, 22 a 26/11, em Vale Vêneto fazendo o seu retiro anual, guiados pelo bispo de Montenegro, Dom Paulo de Conto. O que é viver um retiro? Eis as colocações do pregador. “Retiro é um encontro consigo mesmo, com o outro e com Deus. É tomar distância estratégica, não para fugir, mas para retomar a vida com novo vigor. Um momento para se conhecer melhor. Quais são as disposições para um bom retiro? Sentir-se o primeiro responsável do retiro. Dormir bastante para poder escutar o inaudível. Retirar-se para abastecer-se para melhor servir. Quais são os obstáculos? Acreditar que você não pode fazer mais nada por você mesmo, pela sua vocação e espiritualidade”. Eis outras afirmações interessantes. “Façam silêncio. Deus age no silêncio. Santa Teresa dizia: O silêncio é a grande lei da vida sobrenatural. – O padre é a criatura mais importante para a Igreja e o mundo. Mas ele deve passar do esquema hierarquia-lacato para o esquema povo de Deus. Do esquema autoridade para o esquema presidente e animador da comunidade. - Requer-se do padre mais oração. Quem não reza vira bicho. É preciso rezar com, muito mais que rezar pelos outros. Fazê-los presentes se for possível com o seu nome. - O padre é o homem do sacrifício e da alegria. Alegria é saúde e terapia. – Se não quiser adoecer: Fale de seus sentimentos – Tome decisão – Busque soluções – Não viva de aparências. – Aceite-se – Confie. – Padre deve continuar a beijar o seu pai e a sua mãe, dizer-lhe ao despertar bom dia, mesmo que estejam longe ou falecidos, agradecer e pedir perdão como também perdoar-lhes. Então ele também tratará bem o seu povo. Deus confiou à diocese ao bispo e aos presbíteros a tarefa de ensinar, santificar e pastorear o seu povo. São todos responsáveis um pelo outro. – Deus é um Deus de misericórdia, assim o padre deve dar e pedir perdão”. Valeu. Foi o meu melhor retiro nesses 74 anos.
Quinta-feira foi o dia de Ação de Graças. Toda a diocese de Cachoeira ficou sem a missa de Ação de Graças porque os padres estavam de retiro. Muitos do povo se queixaram. Os padres resolveram que no ano que vem o retiro não será mais durante a semana da Ação de Graças. Para nós católicos todas as missas são uma ação de graças. A própria palavra Eucaristia significa ação de graças. Depois, o dia de Ação de Graças deveria ser no dia 31 de dezembro, dia de agradecer pelo ano que passou. A data atual da festa de Ação de Graças é de importação norte americana, dia que como tal não nos lembra nada de especial. Para eles a festa teve início como festa de agradecimento a Deus pela boa colheita na Nova Inglaterra. Tornou-se festa nacional com o presidente Roosevelt em 1939. Em 1949 o presidente Eurico Gaspar Dutra fez o mesmo no Brasil.
Domingo próximo, iniciamos com o tempo do Advento a preparação para Natal. Advento significa vinda. A vinda de Jesus. Deus Pai manda para o mundo o seu próprio Filho (Deus Filho) que nasce de Maria e se chama Jesus, que significa salvador. Verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Para aqueles que nele crêem ele é o Cristo (o ungido, o Messias). Nós o chamamos por isso comumente Jesus Cristo. Deus criou homem e a mulher livres. Eles usaram esta liberdade para se fazerem deuses, determinando o bem e o mal. Resultado foi um desastre. Mas Deus na sua infinita misericórdia promete um Salvador. Com Abraão começa a formar um povo que será o seu povo e o vai purificando. As 10 tribos do norte desaparecem da história. Ficam só as tribos de Judá e Benjamim que são purificados pelo exílio. E desse pequeno resto que volta que Deus vai escolher Maria para ser a mãe carnal de seu Filho. Assim Deus Pai vai formar o novo povo de Deus, o novo Israel, não mais formado pelo sangue, mas pela fé em seu Filho, que vai continuar a sua missão. Neste Natal recordamos a primeira vinda. Mas este Natal também torna presente espiritualmente a primeira vinda com as suas graças, de paz, fraternidade, e alegria. Ele veio, vem, e virá. Virá nos fins dos tempos para consumar a história, julgando os vivos e os mortos. Dirá aos maus afastai-vos e aos bons vinde benditos de meu Pai pra o reino que vos foi preparado desde o início. Preparemo-nos para o Santo Natal espiritualmente.
Conversando com o povo de Deus (515) Advento e Campanha da Evangelização.
A Igreja Católica faz duas Campanhas por ano. A da Evangelização, menos conhecida, e a da Fraternidade. A primeira tem como tema: “Encarnação e nova Criação”. Lema: “Em Cristo somos criaturas novas”. A segunda: o tema é: “Fraternidade e vida no Planeta”. Lema: “A criação geme em dores de parto” (Rom 8,22). A primeira se realiza no advento em preparação para o Natal e a segunda na quaresma em preparação para a Páscoa. Ambas tem uma coleta. A fé sem as obras é morta. A fé passa pelo bolso. A da Evangelização tem como finalidade sustentar a evangelização. “Ide e evangelizai”, disse Jesus. Ela é pensada justamente para que as paróquias e dioceses tenham os recursos necessários para investir na evangelização. A coleta é distribuída da seguinte maneira: 45% fica na diocese com as suas paróquias, 20% vão para a CNBB Sul 3, e 35% para a CNBB nacional. Você pode na missa do dia 12/12, 3º domingo do advento, deixar o seu presente de Natal para Jesus ou então nas secretarias das paróquias ou também discando o nº 0500-2512-005 para R$ 5,00 e 0500-2512-010 para R$ 10,00 e 0500-2512-015 para R$ 15,00 ou através do boleto bancário emitido via internet. Veja o link: http://www.cnbb.org.br/evangelizar/. Comentando o tema: “Encarnação”. Em carne. Deus Filho se encarnou. Não se reencarnou. Assumiu a nossa carne, a nossa humanidade. Deixou a glória que ele tinha junto do Pai e se humilhou, se tornou um de nós para nos salvar. Foi igual a nós menos no pecado. “Nova criação”: Com Jesus começa uma nova criação. A primeira criação foi marcada pelo pecado. Os que seguem em plenitude a Jesus libertam a criação que geme em dores de parto (Rom 14,17). Lema: “Em Cristo somos novas criaturas”. Alegrem-nos. Pelo batismo morremos ao homem velho do pecado e ressuscitamos com Cristo para a criatura nova, do amor e da fraternidade. Vivamos o que somos.
A liturgia do 1º domingo do advento, dia 28/11, nos chamou a atenção para o fim da história humana com a 2ª vinda de Cristo. Dia que ninguém sabe, nem o Filho do Homem (para nos contar). Jesus deixa a recomendação: “Ficai preparados”, vigilantes construindo a paz, praticando as obras da luz, da honestidade. Nada de bebedeiras e comilanças, de orgias sexuais e imoralidades e brigas.
A liturgia do 2º domingo do advento, 05/12, tem como idéia central a conversão. O profeta Isaías (11,1-10) na sua visão vê sair da dinastia de Davi o novo Rei-Messias, cheio dos dons do Espirito de Deus, que trará a justiça para os pobres e pacíficos. Com ele se inaugurará a utopia do lobo e do cordeiro vivendo juntos, da criança brincando em cima do buraco da serpente. João Batista (Mt 3,1-12) proclama que ele veio preparar os caminhos do Senhor. É preciso converter-se. “Convertei-vos, pois o reino está próximo”. A conversão consiste em confessar os pecados e o sinal externo dessa conversão é deixar-se batizar no Jordão e dar frutos de justiça que provem a conversão. Lucas (3,11ss) especifica os bons frutos. Quem tem duas túnicas dê uma para quem não tem. Quem tem o que comer faça o mesmo. Aos cobradores de impostos diz: “Não deveis exigir nada além do que vos foi prescrito”. Aos soldados diz: “ A ninguém molesteis com extorsões, não denuncieis falsamente, e contentai-vos com o vosso soldo” . Todos os evangelistas, menos João Evangelista, mostram João Batista anunciando, que depois dele virá alguém mais forte, que batizará com a água e o Espírito Santo. “Convertei-vos porque o Rei Messias está próximo” para que possais participar de seu reino, como criaturas novas numa nova criação.
Conversando com o povo de Deus (516) Festa de N. Sra .da Conceição.
Dia 08/12, dia da Imaculada Conceição, foi festa da padroeira da Catedral, festa da paróquia, festa do Município de Cachoeira do Sul. Feriado municipal. Igreja cheia com a presença de padres e diáconos da cidade, com a presença do prefeito e sua equipe de governo, com a presença do presidente da Câmara de vereadores, da coordenadora da 24ª CRE, e do representante do nosso deputado federal e devotos. A missa foi cantada magistralmente pelo coral do Emaús. Foi uma missa de encher os olhos e o coração.
A festa foi instituída por Sisto IV em 1476. Há 534 anos atrás. Em 1618 surgem as grandes obras de arte de Murilo e Velasquez na Espanha. Em 1750, 100 famílias portuguesas militares se fixam aqui. Em 1789, a igreja de S. Nicolau passa a ser a Igr. da Imaculada Conceição. Há 221 anos. Em 1799 é inaugurada a atual matriz. Há 211 anos. Essa devoção foi trazida ao Brasil por nossos irmãos portugueses católicos. N. Sra da Conceição é a padroeira de Portugal. É feriado nacional. Para Cachoeira, hoje é feriado municipal. È o inicio da semana da cidade que completa 151 anos.
Para os católicos Maria foi preservada do pecado original em vista do Filho que iria gerar desde o momento da concepção, por obra do E. Santo. Sem mácula. Assim a sua vida toda foi imaculada. Para nossos irmãos ortodoxos e anglicanos ela só foi preservada do pecado atual. Para as igrejas reformadas e crentes não há básica bíblica para isso. Para os muçulmanos Maria foi purificada, acolhida. Ela é luz. Ela é mãe da Luz.
Para nós há base bíblica. Na 1ª leitura da missa (Gênesis 3,19) lemos Deus Pai falando à serpente: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar”. A serpente é o símbolo do mal e a mulher é para nós Maria. Haverá sempre uma luta entre a descendência da serpente e da mulher. A descendência de Maria é Jesus. Se Maria tivesse o pecado original teria havido um período de amizade entre a serpente e a mulher e não inimizade como prometeu Deus. Logo ela é Imaculada. Duns Scottus afirma na Idade Média que convinha que Deus fizesse sua mãe Imaculada. O que convém, Deus faz.
No evangelho nós encontramos a saudação do anjo Gabriel: “Ave cheia de graça o Senhor está contigo”. Por tanto Maria é cheia de graça. Sem pecado. Deus está com ela. Como Deus pode estar com ela se ela está em pecado? E foi refletindo sobre o conteúdo destas duas afirmações capitais que o povo de Deus começou a venerar Maria como a Imaculada Conceição. O Papa Pio IX declarou esta verdade vivida pelo povo como dogma de fé em 8/12/1854.
Maria aparece no evangelho de Lucas (1, 18) como a mulher do sim a Deus, assim também nós seus devotos devemos ser pessoas do sim a Deus e a seus mandamentos, e não à serpente, que representa o mal: a violência, os males das drogas licitas e ilícitas, a exploração, a injustiça, a corrupção. É preciso que a paróquia e o município de Cachoeira sejam a paróquia e o município do sim. Nossa Senhora quer ajudar e proteger e abençoar seus filhos (as). Poderá o seu Filho Jesus negar algo que a mãe pede por seus filhos?
Conversando com o povo de Deus (544) 20 anos de desafios e conquistas (3).
Venha participar de nossa festa dos 20 anos de diocese no dia 17 de julho, na Fenarroz. Dia de Ação de Graças pelas maravilhas que Deus operou através de nós na diocese. Dia de memória das alegrias e tristezas. Dia de confraternização. De festa da diocesaneidade. Dia que nos dá um impulso para a Nova Evangelização. Unidos faremos maravilhas.
Todo o começo é difícil. Com a nova diocese não foi diferente. Diocese só de 10 municípios e de 11 paróquias. Só para ter uma idéia. Santa Maria ficou com 38 paróquias, Cruz Alta tem 33, Santa Cruz 51, etc. Cada diocese é como município, pequeno ou grande, deve ter a sua estrutura essencial. Temos alguns municípios que estão entre os mais pobres do RS. Por isso, a sustentabilidade da nossa diocese no início foi impossível sem ajuda de fora. Me lembro que algumas semanas depois de tomar posse, em 2002, conversei com um cardeal amigo sobre a situação econômica da diocese e a falta de padres. Ele me disse: “Vai ao Núncio e entrega-lhe as chaves da diocese, pois ela não tem estrutura para isso. E o Núncio vai dar-lhe uma outra”. Graças a Deus, não tive coragem para isso. Hoje, estou convencido que Deus quis essa diocese, pois a sua existência até hoje é um sinal disso. Assim no mundo há países grandes e pequenos. Israel não é pequeno? Cachoeira tem uma contribuição para dar. Tem algo específico. Nesta Terra Santa que é a diocese, mostrar o rosto de Cristo, realizando aqui o que Jesus realizou lá na Palestina.
Voltando aos tempos difíceis, não havia casa própria para o Bispo nem para a Cúria (bispado), como agora tem. Ele não recebia salário. Não tinha carro. Viajava de ônibus ou de carona. Ainda hoje, o carro que eu uso foi dado pelos franciscanos. A diocese me paga a manutenção e a gasolina. A atual casa do Bispo e Cúria é o antigo Colégio das Ir. Missionárias de Jesus Crucificado, comprado em 1993. Foi possível fazer algumas reformas durante esses 20 anos.
Padres? Parece que houve necessidade de mais já no inicio. Assim D. Ângelo trouxe para a diocese 03 padres de outras dioceses. Hoje só permanece ainda o Pe. Atilinho. De 2000 a 2002, eu sepultei 06 padres. No período de 2000 a 2011 ordenei 07 padres novos. Mas 01 já desistiu e outro pediu um ano de discernimento. Aceitei 02 de outras dioceses, mas já voltaram para a sua diocese, terminado o contrato.
Seminários e seminaristas. No início não tínhamos seminário. Nossos seminaristas moravam com os seminaristas da diocese mãe, Santa Maria, no Seminário S. José e São João Maria Vianney. Em 1992 iniciou o nosso Seminário Menor em Cachoeira. Em 2003 com a sugestão de D. Ivo procuramos uma casa própria e a encontramos em Camobi. Primeiro a reformamos e depois a compramos dos franciscanos capuchinhos à vista. Foi um verdadeiro milagre de solidariedade. Desde o Papa, os padres, a diocese mãe até os católicos mais simples colaboraram. Meus colegas bispos me perguntavam como você conseguiu isso? Eu respondia que é “porque a minha diocese é pobre. A pobreza comove. Vocês são mais ricos. Não precisam tanto”. A palavra seminário tem também uma força mística. Tudo foi conseguido sem mexer no caixa da diocese, que estava vazio.
Quando eu cheguei aqui em 2000 no Seminário Menor havia mais de 20 seminaristas. Todos os anos uns 07 terminavam o 2º grau (Ensino Médio), prontos para ingressar na Filosofia em Santa Maria. Claro, havia as desistências. Ingressavam de fato uns 03 ou 04 só. Não obstante, os nossos seminaristas maiores foram aumentando e os de D. Ivo também. Até que chegou o momento da sugestão para a separação. E hoje como está a situação? Em 2009 chegamos em julho a ter zero seminaristas menores. Neste ano entraram 18. Em Camobi, Santa Maria iniciamos ano com 08: 03 no Propedêutico, 02 na Filosofia e 03 na Teologia. Com ajuda da Alemanha conseguimos comprar uma Kombi para a promoção vocacional na diocese, que é realizada pelo Pe. Edson e os seus seminaristas maiores. Em fim de semanas visitam as comunidades nas paróquias. Continuaremos.
Conversando com o Povo de Deus (545) 20 anos de desafios... (4)
Falamos dos tempos difíceis no início da diocese. Falta de infra-estrutura suficiente para o funcionamento da administração, sobre o número dos padres, os seminários e seminaristas. Hoje quero falar também dos diáconos permanentes, isto é dos diáconos casados. Diácono pode fazer tudo o que faz o padre, menos celebrar a missa, confessar e ungir os doentes, ser pároco ou vigário paroquial. Quando cheguei aqui em 09/09/2000, encontrei os diáconos Arbelo (Catedral), que D. Ivo chamava de negrinho metido. Davi e João Luiz (Caçapava). Depois deles ordenei o Diác. Eluí, professor e o Carlinhos, da inteligência da polícia militar (Cachoeira, S. José). Lauro, mecânico (Cachoeira, Santo Antônio). Diácono Ronei, (Lagoa Bonita do Sul) Anildo (Segredo), ambos agricultores. No momento são 07 na ativa. Mas a grande novidade é que a diocese tem 13 candidatos se preparando. Só as paróquias de Caçapava e Santana da Boa Vista, Ibarama e Penha, Cerro Branco e Agudo não tem candidato. Os primeiros fizeram o seu curso na Escola Paulo VI em Santa Maria, os mais recentes em Santa cruz do Sul, e o Carlinhos fez os 04 anos de teologia na PUC. Exige-se atualmente uma carga horária de 1.000 horas aula, distribuído por 03 anos. Os novos candidatos são fonte de muita alegria para a diocese e para mim. Eu fiz a tese de doutorado em Roma justamente sobre o diaconado. Eu me pergunto, se o aumento dos diáconos permanentes e a diminuição dos padres, não seria esse um sinal de Deus pra que nós invistamos mais na promoção diaconal? Os diáconos são uma bênção de Deus para a nossa diocese e a sua família. “Eu sou a esposa do diácono, conhece?” Há paróquias onde todos os batizados, casamentos e encomendações são feitos por diáconos. Oxalá que em todas as principais comunidades das paróquias houvesse um diácono na frente.
Quando cheguei já havia um bom número de Ministros da Eucaristia, mas o número aumentou muito durantes esses 20 anos, graças a Deus. São 384. Poucas são as paróquias que ainda não foram tomadas pelo entusiasmo pelos ministros. Muito deles são também Ministros da Palavra, (realizando o Culto Dominical) da Esperança (encomendações) e do Batismo e da Visitação. Para serem Ministras (os) é necessário freqüentar cursos de formação. Curso que é dado nas próprias paróquias, ou ter freqüentado curso do IERPE.
As pastorais sociais foram implantadas na diocese. Conseguiu-se até um coordenador liberado com condução própria para tocar projetos para frente. Trabalhou-se com a Caritas. Mas no momento a diocese está em falta quanto à parte social. Cada paróquia, bem ou menos bem, procura cuidar de seus pobres. Até uma viu o seu trabalho social reconhecido pelo Estado já 02 vezes. A diocese participou sempre das Romarias da Terra, do Trabalho, dos Encontros de CEB’s. Ela foi sede estadual de um Congresso de CEB’s em 1998 e da Romaria da Terra (2006). Continua apoiando a Pastoral da Criança. Ela iniciou a Fazenda Piquiri para dependentes químicos nas terras do Diógenes Capra. Hoje a Fazenda está fechada, provisoriamente.
A Pastoral da Educação foi fundada em 1998 por D. Ângelo, Pe. Nelson, a Ir. Josefa, do Col. Imaculada e um grupo de professores, entre eles a Suzete e a Bia. PE organiza Congressos (no início eram chamados mini-congressos) nas 04 áreas pastorais para professores dos colégios católicos, municipais e estaduais e outros. É ecumênico. Já está no 25º Congresso. Já extrapolou as fronteiras da diocese e a pedido está acontecendo também na diocese de Santa Maria. A própria ANEC convidou Cachoeira para expor no encontro regional a maneira de nós realizarmos a Pastoral da Educação. Além dos Congressos há o Curso de 40 horas aberto também a não professores realizado na ULBRA sobre RH. e Gestão de Pessoas. A visitação aos colégios. O atual sucesso da PE é o tema (Educação para a plenitude da vida) e a escolha dos palestrantes, como o apoio das prefeituras e do estado através das SMEds, e da 24ª. O Diác. Elui e a sua equipe estão muito felizes com o trabalho. Também! Aqui em Cachoeira participaram 650 professores do Congresso.
A Pastoral da Juventude que tinha coordenador liberado, que realizava encontros de formação eu encontrei em crise, isto é, o modelo, por isso ela foi repensada. Mas ela continua acontecendo através dos movimentos, como Emaús, Carismáticos, CLJ, MJC, MOJUCA, JUSA, PJ, PJR. Ela é uma das prioridades da diocese. No ano passado a Romaria foi a Romaria da Juventude, com o tema: “Maria e a Juventude” e o lema: “Com Maria ao encontro de Jesus”. Tudo que se fizer pelos e com os jovens ainda é pouco! Continuaremos.
Conversando com o Povo de Deus (546) 20 anos de desafios e conquistas (5)
Hoje quero falar mais um pouco sobre a Romaria sobre a qual já falei um pouco no número 02. A diocese mãe de Santa Maria tinha a sua Romaria, a Medianeira, era necessário que Cachoeira para marcar a sua identidade também a tivesse. Era necessário criar a consciência de unidade diocesana. A diocese tinha que ter um coração. Uma espiritualidade mariana. Era necessário fazer afluir multidões vindas de todas as paróquias para Cachoeira. Além disso, é um ótimo meio de evangelização de massas. Jesus falava à pessoa individualmente, aos 12 apóstolos e também às multidões. Assim também a diocese deve fazê-lo. Para isso reuniu D. Ângelo em abril de 1995 04 padres, 01 diácono e 12 casais no terreno adquirido pela paróquia da Conceição. Terreno de 34.121m². Fica na volta da Charqueada a 04 km da Catedral. Terreno que tinha uma parte alagadiça. Por isso a 1ª Romaria pôde ocupar só parte do terreno, onde hoje está a primeira cruz. Para a 2ª, foi necessário fazer a drenagem e o aterro, para isso o exército deu uma mão forte. Foi necessário construir banheiros, churrasqueira, caixa d’água. O número dos romeiros chegou a 20.000.
A padroeira foi escolhida pelo povo numa votação. Deu Maria, Mãe do Redentor. Era um título para não chocar os nossos irmãos evangélicos. Para eles também Maria é a mãe do Salvador. Por isso, talvez hoje em dia muitos evangélicos também participam. O que significa mesmo Redentor? Mons. Elcy explica assim no “O Caminho”: “Redentor é quem paga a dívida de quem não pode pagar. Nosso pecado porque ofende a Deus é de maldade infinita. Como seres limitados somos incapazes de saldar tal dívida, nem com milhares de vidas. Então, Jesus nos oferece a quitação, porque como Deus e homem sua ação redentora é de valor infinito. Resta-nos aceitar ou não. Se aceitamos é zerada nossa dívida; se negamos permanecemos no pecado. Maria é mãe humana do nosso Redentor. Daí o título escolhido”.
Foi intenção trazer a imagem de Roma com a bênção do Papa. Mas lá havia imagens só de Maria, Mãe de Jesus Menino e não de Jesus Redentor. O Mons. Elcy assessorado criou, no 2º ano da Romaria, a imagem no computador que temos hoje. Ele a pintou numa tela, a óleo, para a terceira Romaria. Ele mesmo explica o sentido da pintura. “Maria sustenta seu filho crucificado, no seu maior gesto de amor redentor: dando sua vida para nos salvar. A Cruz tem as características da Cruz das Américas; é branca para simbolizar a purificação que o Redentor confere. Aos pés de Maria e de Jesus está o mapa da Diocese de Cachoeira do Sul. Tem a forma de um rio, cuja fonte parte dos pés de Maria. O gesto delicado e triste de Maria revela sua oferta do Filho para nossa redenção, pedindo aceitação!”
Tive a graça de, em outubro de 2000, participar da 6ª Romaria e em 09/10/2011 terei participado de 12. Eu me entusiasmei vendo aquela imensidão de pessoas vindas de todas as partes da diocese. Com sacrifício, caminhando 4 km da Catedral, rezando e cantando, permanecendo lá todo o dia. Para a missa, para o almoço, para o show religioso, a bênção da saúde e voltando felizes para as suas casas. Entrei no sonho de D. Ângelo, sonhei em fazer em 2005 a cobertura do altar mor e o pavilhão. Para 2006 a cruz e o piso. Para 2007 a capela e a casa das irmãs. Total da obra tinha o orçamento de 454.000,00 reais. Como conseguir reunir esse dinheiro? Com ajuda do povo da diocese, com benfeitores fora da diocese, com a ajuda da Alemanha: Adveniat, Colônia, e Kirche in Not. Sonho é sonho. Mas conseguimos realizar tudo menos a cruz, a capela maior e a casa das irmãs. Mas conseguimos além do sonho ter o altar de mármore, um capelinha bonita, o pórtico de entrada e o almoxarifado. O homem põe e Deus dispõe. Deixaremos o resto para o próximo bispo.
A Romaria envolve toda a diocese. Durante os meses de setembro e outubro todas as paróquias do interior são visitadas pelo Bispo com a imagem da padroeira. E nos últimos 09 dias se visita as quatro paróquias de Cachoeira do Sul. Cada Romaria tem o seu tema e lema. A partir disso é feita a evangelização. Temas também que os padres nas comunidades paroquiais procurarão abordar. Caravanas são organizadas para a Romaria. Reza-se pelo feliz êxito da mesma. E no dia todos os padres estão presentes concelebrando com o seu Bispo a santa missa de 60.000 pessoas. É um momento fortíssimo de evangelização. De fé e emoção. Bendito seja Deus.
Conversando com o povo de Deus (547) Venha celebrar junto o jubileu dos 20 anos.
Dia 17 de julho 2011, a nossa diocese de Cachoeira do Sul celebra 20 anos de criação. Vamos fazer uma bela festa em Cachoeira do Sul, no Parque da Fenarroz. Por que não no parque do Santuário? Porque é inverno e pode chover. Na Fenarroz há lugar para abrigar mais de 4.000 pessoas. Venham meus queridos pais, com a sua família e participem. Estarão aqui todos os 25 padres das 13 paróquias e dos dois seminários, todos os 07 diáconos e 13 em formação, seminaristas, religiosos (as), centenas de lideranças, ministros extraordinários da comunhão eucarística, da esperança, da visitação e os irmãos leigos, que formam a maioria do povo de Deus. Não haverá missa nas paróquias. Uma diocese, uma Eucaristia. Isso para mostrar a nossa unidade. A nossa “diocesaneidade”. Virão também os bispos de Santa Maria e Dom Ângelo. Somos a filha mais nova de Santa Maria e Dom Ângelo que foi o nosso primeiro bispo. Foram convidados também os prefeitos dos 13 municípios. Será um dia de festa. Festa de Ação de Graças pelas maravilhas que Deus realizou. Queremos fazer um resgate da história. Da caminhada dos 20 anos mostrando o rosto de Jesus. Recordar é reviver. Reviver para agradecer e lançar-nos para o futuro com novo ânimo evitando erros do passado. A grande força dos judeus é a sua memória histórica. Se Deus os salvou da escravidão do Egito, ele também pode libertá-los do exílio babilônico. Se Deus fez coisas maravilhosas no passado ele poderá fazer coisas maiores ainda. Povo sem memória do seu passado é um astro vagante pelo espaço que não sabe de onde veio e para onde vai. Não sabe o que conservar e que caminho tomar. É também um momento de fraternidade. De confraternização. O evento tem a coordenação geral do Pe. Edson e do Mons. Elcy, com apoio de todos os padres, e da parte material do casal Edy e Ana Simon, com apoio de sua equipe.
Às 8h, começará a acolhida. O coordenador paroquial virá trazendo o lampião aceso. A chama nos faz pensar na chama crioula. Assim como essa simboliza o gaúcho farroupilha a chama do lampião simboliza Cristo luz do mundo, cujo rosto de luz a nossa diocese procurou mostrar. “Eu sou a luz do mundo”, disse Jesus. Depois virão os párocos com os banners com os seus padroeiros, os prefeitos com a bandeira de seus municípios. Cada paróquia virá com um cesto de alimentos para oferecer. “A fé sem as obras é morta”. Às 9h teremos a espiritualidade, coordenada pelo Pe. Rudinei e animada pelos jovens do CLJ. Sem espiritualidade não se vive, se vegeta. “Se o Senhor não construir a casa, em vão trabalham os que a constroem” (Salmo 126). Às 10h teremos a chamada “Mesa Temática, 20 anos de Diocese. Alegrias e Esperanças”, a cargo do novo Arcebispo Dom Hélio Rubert, sucessor de Dom Ivo, nascido em Segredo, hoje parte de nossa diocese. Ele juntamente com o Pe. Nelson Pappis falará sobre a preparação para a criação da Diocese. Depois Dom Ângelo, que foi o primeiro Bispo da diocese de 1991 a 1999, tratará desse período. O Pe. Nelson falará também um pouco do período em que foi Administrador Diocesano de 17 de agosto de 1999 a 09 de setembro de 2000, quando eu assumi. E eu, Dom Irineu, então abordarei a caminhada diocesana até o dia de hoje. Mas para tornar a coisa mais comunicativa teremos o Sr. Rogério, locutor de rádio, para conduzir o encontro com perguntas e também o público terá oportunidade para interagir. O tempo será breve, sem dúvida.
O almoço está previsto para as 12h. Ninguém é de ferro. Mas não é um almoço para extrapolar no comer e no beber. Ofereceremos um carreteiro gaúcho com pãozinho a 5,00. É para pagar as despesas do evento, aluguel do ginásio e demais gastos. Se sobrar fica para o Parque do Santuário da Mãe do Redentor. Aliás, dia 09 de outubro teremos a 17ª Romaria, quando celebraremos também a instalação da diocese acontecida em 29 de setembro de 1991 com a presença do Núncio Apostólico, representante do Papa. É ele que em nome do Papa realiza as pesquisas para o novo bispo de Cachoeira... Que honra para Cachoeira ter a presença do Núncio.
À 1h30m teremos a Gincana dos Jovens, coordenada pelo Diácono Carlinhos. Gincana que já começou e vai se concluir com provas no Ginásio. Provas para rir. Os prêmios serão: uma data show com note book, um DVD, um prêmio surpresa. Aliás, o Diácono Elui está realizando em parceria com a SMED, 24ª CRE, Colégios particulares e Ulbra um torneio de futebol mirim: o “Torneio dos 20 anos da Diocese de Cachoeira do Sul” com a taça Dom Irineu e outra de Dom Ângelo.
Como coroamento de tudo será a celebração solene da missa dos 20 anos concelebrada pelos Bispos e Sacerdotes, animada pelos jovens do Emaús, agradecendo e pedindo as bênçãos para toda a diocese, como também pedindo graças para mostrar ainda melhor o rosto de Cristo. Venha participar conosco e não se arrependerá.
Agradeço a bela reportagem do Jornal do Povo do dia 04/07/2011, com o título: “Bispo está se despedindo”.
“A Diocese de Cachoeira do Sul não nos foi dada, mas foi por ela mesma construída. Refiro-me diretamente à infra-estrutura material. No aspecto pastoral, a região usufruía da riqueza pastoral e espiritual da Diocese-Mãe, Santa Maria, da qual a Diocese de Cachoeira foi integralmente desmembrada. Em termos pastorais e espirituais, a Diocese foi muito bem preparada. O primeiro ano da nova Diocese foi continuação do que estava em vigor na Diocese de Santa Maria, de quem recebeu todos os Ministros Ordenados (padres). Quanto à infra-estrutura material, porém, tudo estava por fazer. Quando cheguei, recebi um quarto na Casa Paroquial da Paróquia Imaculada Conceição, no qual não havia nada a não ser uma mesa para trabalhar e uma cama para dormir. Além de providenciar papel e envelopes para as primeiras correspondências, escritas à mão, eu solicitei uma máquina elétrica de escrever, que estava ao meu uso em Coxim/MT. A partir disto, com ampla e generosa contribuição da população, foi sendo construída a história da Diocese, verdadeira “construção social da realidade”.
Por que não foram tomadas outras providências? A Diocese de Santa Maria com as lideranças locais, sob a direção de Mons. Breno Simonetti, havia previsto a infra-estrutura da Diocese nas instalações do Colégio N. Sra. das Dores, das Irmãs de Jesus Crucificado, ao lado da Igreja Matriz, futura Catedral. O Colégio deveria ser desativado pela suspensão progressiva de matrículas. Tal medida não foi aceita pela população. O Prefeito recorreu ao Judiciário para impedir o fechamento do Colégio. O processo foi julgado dois anos após a instalação da nova Diocese. Em sua sentença, o juiz declarou que não concordava em fechar uma escola para instalar uma Diocese, mas não podia obrigar ninguém a continuar a fazer algo que desistiu de fazê-lo. Além disso, em troca do Colégio, a Diocese de Cachoeira deveria construir nova Residência para as Irmãs. Isto foi feito, iniciando-se com o “dote” que a filha, a Diocese de Cachoeira, recebeu de sua mãe, a Diocese de Santa Maria, de cerca de 10.000 em dinheiro da época. Em conseqüência, a infra-estrutura da Diocese de Cachoeira do Sul só iniciou cerca de três anos após sua instalação.
Qual era a estrutura básica prevista e necessária para o funcionamento de uma Diocese? A estrutura mínima necessária compreende: 1) A Cúria Diocesana, com os serviços básicos, como secretaria, arquivo; 2) A Residência do Bispo; 3) O Seminário Diocesano, recomendado pela própria Bula de Criação da Diocese; 4) O Centro de Formação de Lideranças Leigas, inclusive como Casa de Retiros, de Cursos, Encontros. Tudo isto feito já nos primeiros oito anos, e cada instituição teve sua própria história. E a Romaria? Em previsão do advento da nova Diocese de Cachoeira, a Mitra de Santa Maria, por intermédio da Paróquia da Conceição, tinha adquirido o terreno que passou a ser o atual Parque da Romaria.
Como é a história das duas Bulas Pontifícias? Quando recebi, a Bula Pontifícia da criação da Diocese, antes de sua instalação, verifiquei que ela designava como Catedral a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção e não a de Nossa Senhora da Conceição. Então, eu devolvi à Nunciatura a Bula recebida e, tempos depois, recebi a Bula definitiva, devidamente corrigida”.
Eu agradeço a Dom Ângelo estes detalhes preciosos. Sobre a história das duas Bulas, por exemplo, eu nunca tinha ouvido falar. Interessante também recordar a história da não aceitação da parte do povo e do Prefeito da época da venda do Colégio para instalar a diocese. Aproveito para convidar a todos para participar da celebração dos 20 anos no Ginásio da Fenarroz. Até lá.
Conversando com o povo de Deus (549) Louvado sejas ó meu Senhor
São Francisco de Assis, quando estava com o coração cheio de alegria e gratidão, não obstante doente, sofrendo, compôs o “Cântico das Criaturas” ou o “Irmão Sol”. O que nos faz pensar nos três jovens cantando na fornalha ardente. Neste Cântico de louvor ao Altíssimo e Bom Senhor ele usa a forma do: “Louvado sejas ó meu Senhor pelo irmão sol, pela irmã lua e as estrelas, pelo irmão vento, pela irmã água, pelo irmão fogo...”. Tomo a liberdade como seguidor de S. Francisco a imitá-lo no seu estilo.
Louvado sejas ó meu Senhor pelo jubileu dos 20 anos de diocese. Nascida como a sementinha de mostarda, a menor em número de paróquias entre as 18 dioceses do Rio Grande do Sul. O que me leva a pensar na Terra Santa de Jesus, a Israel de hoje, pequenina, mas de importância fundamental na história da humanidade. A importância de um país não depende de sua grandeza geográfica. Hoje eu tenho a convicção que Deus quis a nossa diocese. Foi bom. A Igreja tornou-se mais próxima da sociedade. Os movimentos e setores de pastoral se fortificaram. Cresceu a consciência de unidade. Ninguém pensa mais em voltar à Santa Maria.
Louvado sejas ó meu Senhor pela Terra Santa de Cachoeira na qual nos colocastes para fazer o que Jesus fez na sua Terra Santa. Ele passou por lá fazendo o bem. O que nós traduzimos por: “Nossa missão é mostrar o rosto de Jesus”.
Louvado sejas ó meu senhor pela celebração dos 20 anos. Não somos mais adolescentes. Somos de maioridade. As previsões meteorológicas eram de chuva, mas não choveu. Tivemos a presença do Arcebispo de Santa Maria, Dom Hélio e de Dom Ângelo, emérito, dos padres, diáconos, seminaristas, religiosos, ministros, lideranças, representações de todas as paróquias. Havia umas mil pessoas.
Louvado sejas ó meu senhor pela para-liturgia da acolhida. A entrada com os lampiões das 13 paróquias levada pelos coordenadores paroquiais, os banners das paróquias pelos padres, as bandeiras dos 13 municípios pelos prefeitos ou seus representantes, e tudo animado pelo conjunto musical dos jovens do CLJ.
Louvado sejas, ó meu Senhor pela “Mesa Temática” coordenada pelo radialista Rogério, formada pelos 03 Bispos e o Pe. Nelson, que contaram a história de nossa diocese. Um dia havia só a Arquidiocese diocese do Rio de Janeiro. Depois foi criada a diocese de Porto Alegre (POA) sufragânea do Rio. Há 100 anos ela tornou-se arquidiocese com as dioceses sufragâneas de Pelotas, Uruguaiana e Santa Maria. De Santa Maria foram criadas diversas dioceses novas. Em 17/07/1991 foi criada a nossa. A caçula. Dom Ângelo contou a caminhada durante os 08 anos em que foi bispo nosso. Depois Pe. Nelson sobreo ano e o mês em que foi administrador diocesano e eu falei dos últimos 11 anos.
Louvado sejas meu Senhor pelo almoço carreteiro. Pelos 240 kg de arroz doados pela família Jurandy Moraes, pelos 400kg de carne conseguidos pela família Dejalmo Furlan, pela panela com capacidade para 2.000 almoços e pelos dois cozinheiros especialistas conseguidos pelo Dr. Barros como colaboração do IRGA. Pelo trabalho da equipe voluntariosa coordenada pelo casal Edy e Ana Simon. Pela equipe de seminaristas coordenados pelos padres do seminário menor Pe. Hélvio e Atilinho.
Louvado sejas ó meu Senhor pela Gincana dos jovens, organizada pelo Diácono Carlinhos.
Louvado sejas ó meu Senhor pela liturgia da missa, que foi o ponto alto da celebração dos 20 anos com a animação do coral do Emaús. Pela linda ornamentação do altar. Pelo Pe. Rudinei e a sua equipe das 04 paróquias da cidade responsáveis pela liturgia e para-liturgia.
Louvado sejas meu Senhor pelo Pe. Edson coordenador geral dos festejos, coadjuvado pelo Vigário Geral Mons. Elcy.
Louvada sejas ó meu Senhor pelo torneio dos 20 anos de diocese promovido pelo Diác. Elui.
Louvado sejas ó meu Senhor pela preparação realizada nas 13 paróquias em preparação ao Jubileu.
Louvado sejas ó meu Senhor pela mídia falada e escrita que divulgou o evento, antes, durante e depois, de maneira especial o Jornal do Povo e a Rádio Vida.
Conversando com povo de Deus (550) São Joaquim e Santa Ana, os pais de Maria e avós de Jesus
Os textos canônicos nada dizem a respeito de Ana e Joaquim, pais de Maria e avós de Jesus. O que sabemos deles sabêmo-lo pelos escritos apócrifos. Ana era filha de Isacar e esposa de Joaquim, homem jovem, rico e piedoso. Seja Ana seja Joaquim pertenciam à mesma tribo, Judá, sendo, portanto, de estirpe davídica. Depois de vinte anos de matrimônio, porém, ainda não tinham descendência. Naquele ano, por ocasião da festa das colheitas, Joaquim subiu ao Templo para fazer suas ofertas sempre generosas, quando foi repreendido pelo sacerdote Isacar, por misturar-se aos homens que tinham tido filhos. Intrigado pelas palavras de Isacar, ele pôs-se a estudar os antigos documentos e concluiu que os grandes personagens de Israel tinham sido abençoados com uma descendência. Resolveu, então, retirar-se para uma região semidesértica, onde armou sua tenda e jejuou 40 dias e 40 noites: “ Não tomarei nenhum alimento enquanto Deus não vier visitar-me. Que a minha oração me sirva de alimento e de bebida” (Protoevangelho de Tiago 1,4). Por cinco meses, viveu afastado de Ana, que se desfazia em lágrimas. Aconselhada por Judite, sua serva, Ana resolveu reagir, tirou o luto e, enquanto passeava no jardim de sua casa, um anjo de Deus se manifestou a ela: “Não temas, Ana... O Altíssimo decidiu que tenhas um rebento, objeto de admiração por todos os séculos, até o fim dos tempos”. No mesmo momento, um anjo – o mesmo que se mostrara a Ana – aparecia a Joaquim, nas montanhas, sugerindo-lhe que voltasse para casa e que sua mulher engravidaria. Naquela noite, Joaquim repousou junto com sua mulher em casa. Transcorreu o tempo e, quando, sem dor nem dificuldade, Ana deu à luz, no quarto mais reservado da casa, à pergunta de Ana – “O quê dei à luz”?”– a parteira respondeu:” Deste à luz uma filha belíssima, radiante e esplêndida, sem mancha alguma”. Um anjo informou aos pais o nome da menina – Maria – que, em hebraico, significa “a língua da criação” e “exaltada por Deus”.
Esta estória ou lenda é contada pelo Dr. Pe. Antônio José de Almeida em Subsídio Litúrgico-catequético, julho 2011, pág. 81. Estou com 74 anos e não tinha tido oportunidade de ler ou ouvir esta lenda tirada dos livros apócrifos. Os 04 evangelhos canônicos, aceitos pela Igreja, como normativos e como inspirados não falam destes detalhes. Interessante que a Igreja aceita que o nome dos pais de N. Sra. eram Joaquim e Ana, nomes que encontramos só nos apócrifos. Eu gostei tanto de estória que resolvi transmiti-la. E você também? Espero.
Na nossa diocese existe uma cidade chamada Santana da Boa Vista. Ela tem uma história muito bonita. Jacinto Inácio da Silva por volta de 1819 foi caçar. Deparou com uma onça com 02 filhotes e atirou. Ela machucada no maxilar lançou-se sobre ele. Foi aí que ele se lembrou de invocar a ajuda de Santa Ana. Veio a cadelinha que mordeu a fera na perna traseira e Jacinto teve tempo para apunhalá-la com uma faca. Ele agradecido pegou o cavalo e num dia desses foi a S. Paulo comprar a estátua de Santa Ana com sua filha Maria. Depois doou um quadra e meia de sesmaria para ser construída uma capela e um povoado em honra de Sant’Ana. A inauguração aconteceu em 1824. A paróquia foi criada em 1848 desmembrada de Caçapava do Sul. Há 163 anos. Até agora houve 30 párocos. Destes estão vivos: Pe. Elcy (24 anos pároco), Pe. Osvaldo, Pe Atylinho, Pe. Miguel e Pe. Cláudio. Hoje, o local da toca da onça, no sopé do monte, é chamado a “Toca da Tigra”. No alto do monte foi construído o Santuário, onde, com uma belíssima vista (Boa Vista) se celebra a Santa Missa após a procissão de quase 1,5km, partindo da bela Igreja paroquial. A cidade toda foi construída sobre a terra doada por Jacinto Inácio. Até hoje muitos ainda não tem a escritura de seu terreno. O município foi criado em 1965, sendo governador Ildo Meneghetti. Dia 26/07, é feriado municipal e religioso. Sant’Ana é também padroeira do município. Por isso, o apoio da autoridade municipal. Dou os parabéns pela linda festa e de maneira especial pela linda Missa organizada pelo Pe. Cláudio com a sua equipe de liturgia liderada pelo Neri e a equipe festiva pelos casais do ECC e outros. Que Santa Ana e Joaquim Deus abençoem a todos as avós e avôs. Amém.
Conversando com o povo Deus (551) Quem é o padre?
No dia 01 de agosto, o bispo esteve reunido em Sobradinho com os padres da diocese para celebrar o dia do padre. O mesmo é, de fato, dia 04 de agosto, S. João Maria Vianney, o padroeiro, mas para o povo no Brasil é domingo próximo. O Pe. João e o Pe. Sílvio foram os anfitriões. Passamos a manhã meditando sobre o dom do sacerdócio, fazendo a nossa espiritualidade, que terminou com a Santa Missa com a leitura orante. O almoço foi no restaurante Marion. Almoço brinde da casa! Como é bom ser padre! De tarde, falamos de coisas práticas da diocese e comunicações. Voltamos felizes e contentes.
Quem é o padre? Todas as religiões tem o seu padre ou pastor, rabino ou pai de santo. Jesus para continuar a sua missão escolheu 12 apóstolos. Colocou Pedro como chefe. E os instruiu durante 03 anos e depois os enviou: “Ide e fazei discípulos meus todas as nações”. E foram pregar por toda parte. Eles associaram à sua obra outros apóstolos instituindo-os bispos, presbíteros e diáconos. A palavra padre significa pai. Ele é o pai da comunidade. Presbítero significa o mais velho. Sacerdote significa dado ao sagrado. Você conhece algum padre famoso na história do Brasil, do RS, de sua cidade? Eu conheço.
Quem é o padre? É a pessoa mais importante. A Igreja e o mundo precisam dele como de nenhum outro ser. Ele é o homem da oração, dos sacramentos, da Palavra de Deus, do serviço caritativo e da ética. O mundo mudou. O Padre-autoridade está passando para o padre-presidente, animador de comunidade e de ministérios, padre irmão maior e amigo, padre servidor de Deus e do seu povo. Hoje se exige dele mais especialização, mais oração, mais contemplação, mais reflexão, mais reunião. Inúmeras. Ecumenismo. Diálogo. Escutar mais e falar menos. Ele ensina e aprende do povo. Evangeliza e se deixa evangelizar. É homem de Deus, de paz e alegria. Deve mostrar o rosto de Jesus. Ser a sua boca, seu sorriso e seu coração. É o homem da palavra de consolo, da justiça e da caridade, do Bom Samaritano e do lava-pés. Tudo isso? Tudo isso e muito mais. Ele perde a sua vida para ganhá-la. Morre a si para ressuscitar. Assume a cruz de cada dia para tornar os outros felizes. Nisso está sua felicidade. Por isso, as vocações no nosso mundo idolátrico do ter (bens), poder (dominar) e prazer, confundidos com felicidade rareiam. Por isso, o padre sente a sua pequenez, as suas limitações, as marcas de seu passado genético, as feridas de sua história pessoal, os seus pecados. Daí, muitas vezes, o povo e a mídia não tem piedade, nem misericórdia diante dos escândalos eróticos de alguns. O nosso povo católico facilmente fala mal de seus padres. Nunca vi um crente falar mal de seu pastor. Vocês ouviram? Em vez de falar mal deles tenham uma atitude de acolhida e apoio, de fraternidade e amizade, de perdão e reconciliação. Neste domingo, dia do padre, dê-lhe os parabéns e um abraço de gratidão. Reze por ele diariamente. Pode ser assim:
“Ó Deus Pai, olhai o rosto de vosso Filho espelhado em vossos sacerdotes e tende misericórdia de todos eles. Recordai-vos de que eles são frágeis seres humanos. Renovai neles o dom da vocação que se consolidou pela imposição das mãos dos vossos bispos. Mantende-os sempre perto de vós. Não permitais que o seu inimigo os vença. Ó Deus Pai, peço por vossos sacerdotes fiéis e fervorosos assim como pelos sacerdotes que não o são e pelos sacerdotes que trabalham em sua própria terra e os que servem em terras longínquas. Peço pelos vossos sacerdotes tentados pela solidão, o tédio e o cansaço e pelos sacerdotes jovens e idosos, pelos moribundos e falecidos. Peço, sobretudo, pelos que mais aprecio, os sacerdotes que me administraram e administram os sacramentos e pelos sacerdotes que me aconselharam, consolaram e animaram. Peço por aqueles que estão mais perto de mim.
Ó Deus Pai, mantende-os sempre no Sagrado Coração de vosso Filho, Sumo e Eterno Sacerdote. Maria, Mãe dos Sacerdotes e São João Maria Vianney, Patrono Universal de todos os sacerdotes, intercedei por eles junto de Jesus Cristo Nosso Senhor, a Deus Pai no Espírito Santo. Amém”.
Conversando com o povo de Deus (552) Dia do Papai
Depois do dia do Padre, o pai da paróquia, nós celebramos o dia do Pai de Família. Mês de agosto, mês do desgosto? Mês em que não se deve casar porque dá azar? Tudo isso é superstição. Mês de agosto é para nós cristãos um mês como os outros. Aliás, eu fui ordenado bispo na Catedral de Porto Alegre no dia 12 de agosto do ano 2000 pelo falecido Cardeal D. Aloísio. Eu sou feliz até hoje como bispo. O mês de agosto no Brasil é o mês vocacional. A Igreja quer nos ensinar que todos têm uma vocação. Do latim vocare, chamar. Fomos chamados por Deus pra exercer uma determinada missão nessa vida em favor de nossos irmãos(ãs). Para isso, Deus nos deu talentos diferentes para cada um de nós, para um cinco, outro dois, outro um. Fisiologicamente somos todos heterossexuais. Deus chama a maioria absoluta pra o casamento. Para continuar a espécie humana. “Crescei e multiplicai-vos”. Mas há também aqueles que renunciam ao casamento por amor do Reino de Deus. O próprio Jesus, São Paulo não foram casados. No NT encontramos grupos de mulheres que não casavam. Consagravam-se a Cristo. Surgiram os monges, as monjas. As ordens e congregações religiosas. Em muitas religiões encontramos pessoas que renunciam ao casamento. Em Roma havia as vestais. No budismo, existem ainda hoje os monges.
Bem, voltemos ao Pai de Família. A nossa conversa é sobre a família normal. Assim chamada pelo Concílio Vaticano II, a Igreja doméstica. O pai normal, que gerou, que cria, que alimenta, que educa o filho(a) gerados com amor e carinho. Existe também o pai adotivo, pai de coração. Jesus como Filho de Deus é Filho de Deus Pai, como Deus Filho encarnado em Maria, por obra do Espírito Santo, é filho de Maria e filho adotivo de José. Aliás, nós seres humanos somos filhos de Deus pela criação e no sentido espiritual filhos adotivos pelo batismo.
Quem é o pai para você? Quem foi ele? Para mim: “O pai é aquele que com minha mãe foi instrumento de Deus para a minha existência. Pelo teu sim, pai eu existo. Tiveste sempre orgulho do teu único filho homem. Quiseste-o como continuador de teus sonhos. Mas, quando o teu filho falou do sonho. Tiveste aquele impacto. Mas, depois pensaste: A maioria que vai para o seminário volta e aí ele tem ao menos o estudo. Mas os anos passavam e ele não falava em desistir. Foi aí que destes a volta por cima: Não quero ir contra a vontade de meu filho. O que eu quero é que ele seja feliz. Não quero nunca ouvir de seus lábios: Pai, tu és culpado porque hoje não sou feliz. Pai, quando fui para o Seminário dos Padres Franciscanos em Taquari me escreveste a primeira e a última carta. Depois foi a mãe a minha interlocutora. Mas foi uma carta marcante, escrita com tinta vermelha, que começava com: Querido filho... Nunca me havias chamado de querido filho. As lágrimas me impediram de continuar a leitura. Pai, obrigado por tudo”.
Pedi para os funcionários do bispado para que partilhassem comigo o significado do pai em suas vidas. Eis alguns tópicos, pois não há espaço para transcrever tudo. Para o Diácono Elui: “Reconheço no meu pai, um amigo, um companheiro, uma presença constante na vida dos filhos, um pai responsável, capaz de criar 06 filhos, sem reclamar das dificuldades, um pai que sonhava com a felicidade de seus filhos. Um pai que me inspira hoje para amar as minhas duas filhas como ele amou amar e deixar-se amar. Um pai não morre, apenas muda de lugar”.
Cleiton: “O meu pai é aquele que me ensinou o que sei hoje sobre família, caráter e amizade, sobre o que é certo e que é errado. Dizia: Não faz isso. Isso está errado. Obrigado pelo primeiro empurrãozinho, por ser a pessoa com a qual eu posso contar sempre. Obrigado papai. Feliz dia dos Pais”.
Deise: “Meu pai, um pequeno agricultor, mesmo, às vezes, perdendo quase tudo pelas secas ou chuvas demasiadas nunca nos deixou passar fome. Sempre de cabeça erguida, sem se lamentar de nada. Caminhava conosco 02 km para nos deixar no colégio quando pequenos. Quantas vezes sentou a nosso lado para conversar. A maior riqueza que nos deixou foi a honestidade, a sinceridade, o ter caráter, qual é o caminho certo, e sempre lutar por nossos sonhos. Meu pai tu és meu amigo, o insubstituível”.
Marieli: “O meu pai foi meu alicerce, a minha segurança. Ensinou-me os primeiros passos na vida. Tudo o que sou agradeço a ele, a quem amo e me faz muita falta”.
Caríssimos pais, parabéns. Vocês são insubstituíveis para os seus filhos (as). Um dia desses o meu sobrinho Sílvio, veio cansadíssimo para casa e no outro dia tinha que levantar cedo, disse para a pequena Vitória de 04 anos que não poderia brincar com ela. No dia seguinte ela disse para o pai: “Se você de novo não quiser brincar comigo, eu vou arrumar outro pai”. Vocês são a imagem de Deus Pai para seus filhos(as). Amem como ele e fazendo filhos (as) felizes, serão felizes. Pais, que o Bom Deus Pai os abençoe e proteja.
Conversando com o Povo de Deus (553) A Semana Nacional da Família
A Semana iniciou com o Dia do Pai, 14 de agosto. Foram propostas 03 reflexões, Família, Pessoa e Sociedade. As paróquias fizeram 03 encontros em grupos de famílias. A Semana terminou dia 20 sábado. As 04 paróquias de nossa cidade realizam a Romaria da Família desde 2007, no domingo.
Começa-se a procissão na Catedral até o Parque da Romaria diocesana onde acontece a Missa da Família. Segue o almoço bem simples, um carreteiro. Depois uma palestra sobre a família, neste ano será sobre a Sagrada Família, como modelo da Família Cristã, a cargo do Bispo. Termina-se com a Benção do Santíssimo e a Benção das Famílias.
Domingo próximo é também o dia em que liturgicamente a Igreja no Brasil celebra a Assunção de N. Sra. Maria elevada ao céu, com corpo e alma. Ressuscita como Jesus seu Filho. Por isso, também chamada Nossa Senhora da Glória, Rainha do universo. Como Maria chegou a isso? Quero comentar, para responder, o evangelho de domingo próximo, Lucas 1,39-56. Maria depois de ter dado o seu sim ao anjo, ficou grávida, por obra do Espírito Santo. Lucas escreveu que Maria “apressadamente” partiu de Nazaré para visitar sua prima Isabel, que morava a 6 km para lá de Jerusalém. Por quê? Para contar a novidade de sua gravidez e para ajudar a sua prima que já estava no sexto mês. Isabel concebe apesar de sua esterilidade e velhice. Maria concebe sem concurso de homem algum. “A Deus nada e impossível”.
Quando Maria (a amada) entra na casa de Zacarias (Deus se lembrou) e saúda Isabel (Deus é plenitude) ela fica cheia do Espírito Santo e com um grande grito exclamou: “Bendita és tu entre as mulheres... donde me vem a honra de receber a mãe do meu Senhor? “A criança, Jesus que está no seu ventre, é o Senhor, é o Messias. A criança, João Batista, “pulou de alegria no meu ventre”. Bem-aventura es tu que acreditaste”. Maria é feliz porque acreditou na Palavra e deu o seu sim. Um dia Jesus perguntará: “Quem é a minha mãe?”. Aqueles que crêem na Palavra de Deus e a colocam em prática. Maria é duplamente mãe. Mãe física e mãe pela fé e pela prática. Assim como Abraão acreditou na palavra e se tornou pai de um povo numeroso. Então Maria cheia do Espírito Santo canta o Magnificat: “A minha alma engrandece o Senhor e meu espírito se alegra em Deus meu salvador. Serei chamada feliz por todas as gerações porque o senhor fez em minhas maravilhas”. Por quê? Porque olhou a humildade se sua serva e porque ele é misericordioso. Ele é forte e não gosta dos soberbos, dos auto-suficientes, dos que não precisam de Deus. Como também não gosta dos poderosos. Ele os derrubará de seus tronos. Os maus ricos ele despede de mãos vazias e os famintos ele sacia. Maria ficou 03 meses com Isabel ajudando-a.
Encontramos diversas características no agir de Maria, adesão à Palavra e o serviço, a fé o seu sim à maternidade, a presença do Espírito Santo, a sua missionariedade. Leva Jesus (Deus salva) para Isabel. É a Arca da Aliança. Deus mora nela. Assim podemos compreender porque Deus a elevou ao céu com corpo e alma. O seu corpo não poderia corromper-se. Por isso, se fala de sua morte como “Dormição”. Ela dormiu. Depois de seu Filho ela ressuscitou. Ela é assim a nossa esperança. Nós também ressuscitaremos. A Ressurreição de Cristo não é completa enquanto ela não acontecer também em nós.
Caríssimas famílias que nossa Senhora Assunta possa ser para vocês um modelo de vida cristã. Que a Palavra de Deus seja para todos vocês a palavra mais importante de vossas vidas. Que ela seja luz, consolo, conforto e fonte de vida. Leiam em família a palavra de Deus. Escutem-na e digam sim como Maria. Quem escuta a Palavra Deus e a coloca em prática este é minha mãe”, disse Jesus. Sejam famílias de fé como Maria. Não se envergonhem e Jesus não se envergonhará de vocês diante do Pai. Sejam Arcas da Aliança, portadores de Cristo, levando a todos a alegria como discípulas missionárias. Sejam famílias de caridade, de serviço como Maria e então poderão cantar com ela “A minha alma engrandece o Senhor... porque ele fez em nos maravilhas” em nossa família. Que N. Sra. Assunta ao céu abençoe as nossas famílias.
Conversando com o povo de Deus (554) 21º Seminário Estadual de Alternativas do Fumo
Você já plantou fumo? Eu já. Você fuma? Eu não. Você já fumou? Eu já. Por que deixou? Eu deixei porque me convenci que prejudicava. Cada vez mais pessoas se convencem dos seus malefícios. Assim nasceram os Seminários de alternativas à cultura do fumo. Quem foi o que deu o chute inicial? Foi o falecido dom Ivo Lorscheider, bispo de Santa Maria, apoiado pelas dioceses de Santa Cruz, Cachoeira, Cruz Alta e Santo Ângelo. O 1º Seminário aconteceu em 1991. Adivinha, onde? Em Cachoeira do Sul. Aliás, na nossa diocese já aconteceram 06. O último foi dia 25 de agosto em Cortado, Novo Cabrais. Foi 21º Seminário Estadual e o 3º Interestadual com a presença da representação de Santa Catarina. Mas já houve alguns frutos? Sem dúvida. Principalmente a conscientização dos males que causa a plantação e o consumo. Quanta gente já deixou de fumar. Quanta gente já deixou de plantar fumo e partiram para outras culturas. Para a agricultura ecológica, criação de peixes, aves, abelhas, frutas, leite, etc. Mas muitos ainda continuam plantando fumo e muitos continuam fumando. Os Seminários deram o seu apoio, ainda que, pequeno, à assinatura da Convenção-Quadro para o controle do tabaco, que o Brasil também assinou e hoje 192 países já assinaram. Uma explicação sobre esta Convenção. Ela não preconiza a erradicação da produção, mas a redução do consumo e das causas de morte. A ratificação não tem caráter compulsório. Não termina com a geração de riquezas: emprego, impostos, ganha-pão para os pequenos agricultores. Pois, de cada 01 real de imposto que entra, o governo gasta 04 reais para a saúde dos plantadores e fumantes. E o mesmo os não fumantes sofrem as conseqüências da fumaça dos fumantes. Nenhum plantador de fumo ficou rico, pelo contrário, os pobres aumentam.
Em Cortado os painelistas Terezinha Ruzzarin e Dr. Dinarte Ballato nos falaram da globalização mundial da agricultura. Cada um deve plantar uma coisa só. Um eucalipto, outro acácia, outro arroz, outro feijão, outro fumo, etc. Monocultura. O Doutor nos falou sobre a agricultura familiar o seu imenso valor. Essa agricultura está reduzida em 1% na Alemanha e Inglaterra, 0, 65% a Bélgica, 3% na França. Na Alemanha, já estão importando teuto-brasileiros para cuidar de sua agricultura... No Brasil, a população rural há 50 anos era a maioria, hoje a maioria do brasileiro mora na cidade, ou seja, mais de 84%. As famílias rurais também tiveram uma queda violenta de natalidade. Dois filhos. Tudo isso está a indicar que a agricultura familiar está em perigo. Solução. Políticas públicas que ajudem os jovens a ficarem no campo. Por que é importante isso? Por que é essa agricultura familiar que está alimentando o Brasil. O agronegócio é de exportação. Políticos falaram da necessidade da união dos agricultores para lutar junto dos órgãos governamentais por seus direitos. Financiamentos para pequenos projetos. Comercialização direta. Cooperativismo. Sementes crioulas para fugir da escravidão de sementes transgênicas. A importância da Emater para os agricultores.
O que dizem os plantadores de fumo? “Não podemos deixar de plantar fumo porque a terra é pouca. Outras culturas precisam mais terra!”. Daí nasce a necessidade de uma reforma agrária, que ainda não se fez. Outra afirmação: “Não existe outra produção que nos dá segurança que o fumo dá. O preço fixo. Compra garantida. Acompanhamento no cultivo. O frete gratuito”. De fato, não existe ainda uma saída para uma alternativa segura e viável para todos os que queiram deixar de plantar fumo. Houve uma pergunta que recebeu aplausos que foi a seguinte: “ Até agora se falou de muita coisa, mas ninguém dos palestrantes políticos falou do preço do fumo, por que não nos ajudam?” Foi respondido que o governo não tem poder para determinar os preços. Eis um pequeno apanhado do que consegui captar e me lembro nesse momento. Um fato novo foi a presença dos alunos da escola de Cortado, Muitos deles filhos de plantadores de fumo. É preciso começar de pequeno. Pela educação. O próximo Seminário será na Diocese de Santa Cruz do Sul em 2013. Dom Canísio recebeu com alegria em nome de sua diocese a tarefa de reparar e sediar o 22º Seminário.
Antes de terminar quero fazer uma síntese dos males do fumo para o plantador: intoxicação na fase do manejo, colheita, separação e secagem das folhas. O risco maior é quando as folhas estão molhadas ou quando as mãos ou o corpo está suado. Produção de dor de cabeça, tontura, enjôo, vômito, fraqueza, dores de barriga, aumento de pressão e de batimentos do coração. Os agrotóxicos, ingeridos pela boca, no contato com a pele e pela respiração podem produzir: depressão, insônia, irritabilidade, perda de memória, lesões na pele, alergias, problemas respiratórios, lesões no fígado, alterações genéticas, redução da fertilidade e câncer. Os fumantes comparados aos não fumantes apresentam um risco 10 vezes maior de câncer de pulmão; 05 vezes maior de sofrer infarto, de sofrer de bronquite crônica e enfisema pulmonar (meu pai falecido pai); 02 vezes maior de sofrer derrame cerebral (um familiar meu). Pode causar ainda: impotência sexual no homem; úlcera no aparelho digestivo; complicações na gravidez; trombose vascular; aneurismas arteriais; infecções respiratórias.
Então eu me pergunto: Vamos continuar a fumar? Vamos continuar a plantar fumo? Até quando... Não vale apena entrar nessa luta contra a droga permitida, legal pela lei, mas letal na realidade? Jesus veio para que tenhamos vida e não morte.
Conversando com o povo de Deus (555) Quem é o Núncio Apostólico?
Estamos entrando em clima de Romaria, que acontecerá no dia 09 de outubro, no segundo domingo do mês. Agora sábado, dia 04 de setembro, já começaremos a visitar com a imagem de S. Sra, Maria, Mãe do Redentor a Igreja Matriz de Segredo, uma das 13 paróquias da diocese a ser visitada. Os padres nas suas visitas às comunidades urbanas e rurais levam uma cópia da imagem. Falam sobre o tema: “Com Maria há vinte anos mostrando o rosto de Jesus”. Convidam as pessoas para participar da Romaria. Mas como a maioria não pode, que se faça um tríduo ou novena de preparação e no dia 09 que cada família se reúna às 11h e reze diante da imagem de N. Sra. ao menos 03 Ave Maria. Que os grupos de família se reúnam e usem o livrinho da diocese para a meditação. Que os padres se coloquem à disposição também para a confissão. Assim a Romaria vai acontecendo de setembro a 09 de outubro. Este é apenas o dia da conclusão, do ápice. Se chover, claro não vai chover, mas se... a Romaria foi válida. Deixou a sua marca. A sua semente.
Neste dia 09 celebraremos também os vinte anos da instalação da Diocese, acontecida em 29 de setembro de 1991. Por isso, a Diocese convidou o Núncio Apostólico que mora em Brasília para se fazer presente e ele aceitou. Vai presidir a missa festiva da Romaria.
Quem é o Núncio? É o representante do Papa Bento XVI junto ao Governo Brasileiro. É o seu embaixador. A Nunciatura Apostólica fica por isso, no setor das embaixadas. As legações papais no início eram transitórias, os permanentes surgiram somente no Congresso de Viena, em 1815, quando aconteceu o reconhecimento pleno na ordem internacional. O mesmo Congresso decidiu que os Núncios ostentariam sempre o decanato do corpo diplomático. Aliás, a Santa Sé (Vaticano) é reconhecida como um estado independente. Mais de 100 países tem relações diplomáticas com a Santa Sé, mesmo alguns países muçulmanos e em países na sua maioria anglicana ou luterana. Os Núncios costumam ser Bispos ou Arcebispos, formados na Accademia Pontifícia de Roma, equivale à Escola Diplomática. Como se chama o Núncio atual? Dom Lorenzo Baldisseri. Está entre nós desde 12 de novembro de 2002. Nomeado pelo saudoso Papa João Paulo II, hoje beato. Mas antes disso foi Secretário das Nunciaturas Apostólicas da Guatemala, Japão, Brasil, Paraguai, França e Zimbábue; Encarregado de Negócios, interinamente, na Nunciatura do Haiti; Depois Núncio Apostólico no Haiti, Paraguai, Índia e Nepal. De lá veio para o Brasil. Belo currículo, não é? Além disso, ele levou adiante a idéia de chegar a um Acordo com Estado Brasileiro. Depois da aprovação do Acordo escreveu o livro: “Diplomacia Pontifícia. Acordo Brasil - Santa Sé. Intervenções”. Na apresentação do livro, Ives Gandra da Silva Martins, escreve: “Creio, pois, que o livro será de excepcional utilidade... para aumentar o conhecimento jurídico do Direito Internacional, Canônico e Constitucional brasileiro”. Por isso, o convidei para o dia 07 de outubro, 6ª fª, às 19h30min, fazer uma palestra sobre o mesmo, no Sindilojas, aberto para todos, mas de maneira especial para mundo empresarial, jurídico, militar e político. Ele também escreveu outros livros. É um exímio pianista. Tem CDs gravados.
O Núncio é também o representante estável do Papa junto à Igreja Católica no Brasil. O seu serviço principal é tornar mais firmes e eficazes os vínculos de unidade entre a Santa Sé e a Igreja do Brasil. Uma de suas funções é também a nomeação de novos bispos. “Comunicar à Santa Sé Apostólica os nomes de candidatos, bem como instruir o processo informativo sobre estes” (Cân. 364,4). Para nomeação do novo bispo para Cachoeira ele precisa de candidatos como vai conhecê-los. Nós bispos do RS de ano em ano, mandamos nomes de possíveis candidatos. Cada bispo em particular pode sugerir candidatos. Eu mesmo, em novembro do ano passado, no fim do retiro, pedi aos meus padres que me dessem sugestões sobre candidatos. Mandei depois a lista para o Núncio. Uma vez me aconteceu, anos atrás, numa Assembléia, que o Núncio me pediu nomes como candidatos! Quando se torna necessário a nomeação de um novo bispo para uma diocese, então ele começa o processo investigativo sobre diversos candidatos. Recebe-se uma carta da Nunciatura dizendo que foi apresentado como candidato ao episcopado o padre tal. Depois, o resto são questões a responder e termina perguntando: Somado prós e contras, em sua opinião, ele é apto para ser bispo? Bispo titular ou auxiliar? Bispo para uma diocese urbana ou rural? Você pode indicar outras pessoas que conhecem o candidato? Tudo isso é feito sob sigilo pontifício. Eu não posso contar que eu fui consultado sobre fulano. Sigilo. Depois do dossiê feito, o Núncio manda o processo para a Congregação dos Bispos em Roma. Os Bispos mais uma vez o examinam, o discutem e depois fazem uma votação secreta sobre os candidatos e os 03 mais votados são levados pelo Prefeito da Congregação ao Papa. E ele bate o martelo. Depois o Núncio faz o contato com o eleito para ver se aceita. Se aceitar combina-se o dia da publicação do nome. Os bispos nomeados do Brasil são publicados sempre numa 4ªfª às 12h, hora italiana. No momento corresponde às 7h no Brasil. Meu caro leitor vê como o Núncio é importante.
Conversando com o povo de Deus (556) A maravilha do perdão.
Será que o perdão faz bem à saúde? Jesus veio para ensinar o perdão de todo o coração. Por quê? Motivo teológico. Por que Deus o nosso Pai perdoa. Os seus filhos (as) devem fazer o mesmo. Mas nem sempre foi assim.
No AT, foi dito: Olho por olho e dente por dente. Se alguém me furava um olho eu tinha o direito de furar o olho dele. Se ele me tinha quebrado um dente eu tinha direito de quebrar outro dele. Já foi um progresso. Já foi colocado um limite à vingança.
O islamismo ainda ensina que o sangue se paga com sangue. No tempo eu que morei em Jerusalém, depois no Cairo compreendi o que significa, o cristianismo é a religião do amor e do perdão. Isso se espelha no olhar bondoso e alegre do cristão.
Estamos chegando à Semana Farroupilha, o que diz o gaúcho? “O gaúcho não leva desaforo para casa”. Vocês se lembram do passado? Quanta briga saía nos bailes e festas de igreja. O gaúcho tomava umas canas e virava valente. O outro não queria levar desaforo para casa. E dava até mortes. Graças a Deus, hoje essas coisas já acontecem mais dificilmente.
Mas atitudes de não perdão acontecem também em ambiente familiar. “Eu não vou dar o braço a torcer. Ele tem que me pedir perdão de joelhos”, diz a mulher. “Eu perdoei uma vez e agora chega. Quem faz uma vez, fará de novo”, diz o homem. “Sempre eu que devo perdoar”. Quantas pequenas ofensas os esposos se fazem e não se perdoam! O não perdão vai se acumulando até que um dia estoura. Há muitas separações porque não se quer perdoar, porque não se consegue perdoar. O perdão é muito difícil. Quanta pessoa religiosa tem dificuldades! Bispos, padres, diáconos, irmãos e irmãs religiosos (as), casais, irmãos (ãs) de sangue, parentes, vizinhos, etnias, grupos.
Errar é humano, mas perdoar é divino. Precisamos da graça (força) de Deus. “Li, no tempo de estudante, um escritor francês que dizia que as mulheres perdoam, mas não esquecem e os homens esquecem para não perdoam. O que ele queria dizer com isso? O perdão, o não querer vingar-se, o não excomungar o outro de seu amor, é um ato da vontade. Mas quando a mulher se lembra do que a outra pessoa fez, ou a vê, o seu sentimento é de excomunhão. Sinal que ela não perdoou de todo o coração. Por isso, é preciso perdoar tantas vezes a mesma ofensa recebida até que se possa olhar para a pessoa, sem se perturbar. Perdoar também não significa aprovar o pecado, o mal feito, Amar o pecador mas odiar o seu pecado. Também não significa gostar da pessoa, mas amá-la. Quantas pessoas chatas! Mas devo amá-las. Jesus não gostou certamente de estar crucificado, torturado, mas amou os seus inimigos, por isso, disse: “Pai perdoai-lhes porque não sabem o que fazem”. Ofereceu o seu sofrimento, o seu sangue para a salvação deles. Jesus não quer a condenação do pecador, mas a sua conversão. Voltando ao homem que esquece para não perdoar, significa, que ele não quer fazer o ato da vontade, por isso, esquece... Para ele aquela pessoa não existe mais. “Para mim fulano não existe”. Quando o vê o ignora. Não o cumprimenta.
Quero chamar ainda a atenção sobre o não perdão aos padres. Pessoas se sentem ofendidas pelo bispo ou pelo padre, com razão ou não, e com isso se afastam da igreja. Talvez numa futura missão popular o missionário os consegue trazer de volta. Essas pessoas ou famílias estão se prejudicando grandemente Deus não tem nada a haver com isso. Eu participo da vida comunitária não por causa do padre, mas por causa de Deus. Isso significa que a minha fé está muito fraca. Ela depende do padre tal.
Quais são os males do não perdão, da não reconciliação? Muitíssimos e alguns catastróficos. Quem não sabe perdoar não é feliz como Deus quer que ele seja. Já vimos a separação dos casais, o ódio entre irmãos, a necessidade de tratamento psicológico. E às vezes nem esse adianta. Em Porto Alegre uma psicóloga me mandava pessoas para que eu as ajudasse a perdoar e receber o perdão de Deus pela confissão. Vê como Jesus sábio foi quando instituiu o sacramento da confissão. Experimente a leveza de alma após perdoar e ser perdoado. De fato, muitas doenças psicossomáticas surgem pela falta de perdão. Quanto tempo e energias se gastam para arquitetar a vingança. A falta de perdão produz o estresse emocional que pode produzir a arritmia e a morte súbita, como a depressão e esta pode afetar a coagulação, como também pode produzir a ansiedade, que por sua vez pode produzir tremores, falta de ar, tonturas, etc. Numa palavra a falta de perdão produz males físicos, psicológicos, e espirituais. A nossa diocese está “com Maria, há 20 anos procurando mostrar o rosto de Jesus”, este Jesus que nos ensina pelo exemplo e pela palavra a perdoarmos como nosso Pai perdoa. Experimente você também e terá saúde espiritual, psíquica e física.
Conversando com o povo de Deus (557) A maravilha do perdão. Continuação
Como é bom perdoar e ser perdoado. Deus é misericordioso e seus filhos devem ser como o seu Pai, misericordiosos. Misericordiosos para com o irmão (ã). Somente? Não. É preciso que eu seja também misericordioso para com Deus. Preciso também perdoar a Deus. Esta afirmação o (a) escandaliza? Explico. Nós não murmuramos contra Deus como os judeus no deserto? Nós não achamos que Deus é injusto, às vezes conosco? Não nos revoltamos, às vezes, contra Deus? “Por que eu fui nascer baixinha? Por que nasci numa família pobre? Que azar, fui casar com o homem errado. A amiga casou com um homem que ficou rico. Só está viajando pelo mundo e eu...” Ou então: “ O que eu fiz para Deus me castigar assim? Por que isso foi acontecer comigo e não com os outros?” E assim por diante. Claro que Deus não peca, não é injusto, mas nós pensamos, às vezes, que sim. Nesse sentido devemos perdoar também a Deus. Entendeu? O que nos ajuda a aceitar a vontade de Deus é saber que “Deus nos ama e amou tanto o mundo que mandou o seu próprio Filho e não o poupou da morte da cruz”, escreve S. Paulo. Sabemos que Deus quer o bem de seus filhos (as). Disse Jesus que se um filho pedir um pão ao pai ele não vai lhe dar um pedra. Se vós sois assim, quanto mais vosso Pai fará o bem aos seus filhos (as)”. Deus sempre quer o melhor para nós. “Os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, os meus caminhos não são os vossos caminhos”, lemos no Eclesiástico. A justiça de Deus vai além da justiça dos homens. Os operários da madrugada, das nove, do meio dia, das quinze horas e das cinco todos ganham uma moeda de prata. Atitude do patrão é considerada injusta pelos operários da primeira hora. O filho pródigo é recebido com festa pelo pai, atitude que recebe a crítica do filho mais velho. A justiça de Deus não é mera paridade. Errou pagou; deu recebeu. A lei do karma. Vai além. É a justiça excessiva, é a justiça do amor. Deus não é um matemático, que fica contando nossos pecados; não é um empresário. O amor vai muito além. Enquanto não entendermos isso continuaremos a criticar a Deus e a murmurar contra ele. Esse é o Deus que Jesus nos apresenta. Que deixa as noventa e nove ovelhas e vai procurar a perdida; que varre toda a casa para encontrar a moeda perdida e depois faz festa e gasta mais do que aquela moeda que encontrou. Para a cabeça capitalista Deus está errado, é injusto.
Somos também convidados a perdoar a nós mesmos. Quanta gente não se perdoa plenamente. “Se eu soubesse não teria educado meu filho dessa maneira. Eu devia ter escutado os meus pais e agora estou pagando. Eu não posso me perdoar pelo que eu fiz”. E coisas semelhantes. É preciso em primeiro lugar aceitar o fato. Se errei, errei.. Mas antes disso se pergunte, se você esteve consciente plenamente que estava sendo omisso, que estava errando e assim mesmo você o quis. Não há pecado subjetivo sem conhecimento e consentimento. Se faltou um dos dois, então não houve subjetivamente um pecado. Isso não quer dizer que os seus atos mesmo assim vão ter conseqüências. Se houve pecado peça perdão a Deus, também através da confissão e vamos levantar a cabeça e vamos para frente. Mas não fique se martirizando, não se perdoando.
Somos também convidados a pedir perdão à mãe natureza, que por nós geme em dores de parto, esperando a libertação, como escreve S. Paulo. Geme porque nós a massacramos poluindo o ar, as águas, a terra; porque a destruímos pelo desmatamento e pelo uso dos agrotóxicos de maneira irresponsável; porque a destruímos pelo consumismo exagerado, estimulado pela voracidade do capitalismo selvagem. Estou pensando também na mortandade de animais por causa de nosso consumo excessivo de carne. No esporte da caça. Tudo isso me faz lembrar do que diz o teólogo moderno, Renold Blank. “Antes de podermos entrar no céu devemos passar diante de todos os animais que matamos ou fomos causa de sua morte pelo consumo de carne e pedirmos perdão”. Exagerado? Não, ecológico. Isso me ajuda a não exagerar no consumo de carne. Deus criou os animais a serviço do homem, também para o seu alimento necessário. Por isso, gosto do índio americano que antes de flechar pede perdão a ave, dizendo que o faz por necessidade para sustentar a sua família e também pede perdão à mãe terra por ter que rasgar o seu ventre para o plantio. Por isso, eu gosto, no ato penitencial, convidar o povo a pedir perdão a Deus, ao irmão, e à mãe natureza.
A motivação para a Romaria continua forte através da colocação de cartazes, outdoor na entrada da cidade, da rádio diariamente, dos jornais e nos últimos dias ela vai se intensificar ainda mais. Já visitamos com a Imagem de N. Sra., Mãe do Redentor as paróquias de Segredo, Sobradinho e Ibarama. Em toda parte ela foi recebida na entrada da cidade com carreata ou pelos cavaleiros dos CTGs, foguetes. Com procissão. Sempre com muito entusiasmo e devoção. Neste final de semana estaremos em Caçapava e Santana da Boa Vista. E assim serão percorridas todas as 13 paróquias. N. Sra. está abençoando a nossa Romaria. A empresa Screw e outras nos estão presenteando com uma cruz de metal, de 16x10m. A firma Varisco de Porto Alegre com a guarita. Pessoas estão fazendo as suas doações em vacas... arroz e também em dinheiro. O parque da Romaria virou um canteiro de obras. Mais a presença do Núncio. Não tenho dúvida que N. Sra. está abençoando esta Romaria com a celebração dos 20 anos de diocese.
Conversando com o povo de Deus (559) Bíblia e Romaria. Setembro e outubro.
O mês de setembro foi o mês da Bíblia. Domingo passado foi o domingo da Bíblia por que é o domingo mais próximo da festa de S. Jerônimo, dia 30, que foi o seu maior conhecedor. Ele escreve: “Quem não conhece a Bíblia, não conhece Jesus Cristo, porque ela é Cristo”. O AT dos judeus é a preparação para ele e no NT temos a palavra dele ou sobre ele e a sua mensagem. Para que a Bíblia se torne verdadeiramente palavra de Deus é preciso que cheguemos à leitura orante (na oração nós falamos a Deus, através de sua palavra Deus fala a nós). Antes de iniciar a leitura, invoquemos o Espírito Santo, que a inspirou. Depois para o primeiro passo da Lectio Divina a leiamos atentamente. Em seguida a releiamos novamente nos perguntando o que texto disse literalmente. Depois nos perguntemos o que texto disse para mim. E o terceiro passo, o que o texto me faz dizer a Deus. O quarto passo é a contemplação para saber o que Deus sugere para fazer e como fazer. Quando a gente consegue fazer esses passos chegamos ao ideal da leitura orante. Não é necessário fazer todos esses passos. Nas reuniões em que eu participo geralmente se chega só até o terceiro passo por falta de tempo, mas com excelentes resultados. No segundo passo a gente começa já sentir uma emoção. Uma experiência de Cristo. O nosso coração arde como o dos discípulos de Emaús, aos quais Jesus explicava as Escrituras (AT), mostrando que elas falavam dele. A palavra lida se torna naquele momento palavra de Deus, palavra de Cristo. Fonte de vida, luz, conforto e consolo. Enquanto isso não acontecer a palavra de Deus é uma palavra humana. Importante que a leiamos em família, em grupo. “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome eu estarei no meio deles”, disse Jesus. A leitura orante está tomando conta dos bispos, padres, diáconos, religiosos e leigos. Está sendo introduzida na catequese. É a nova maneira de fazê-la. Sem manual. Sem provas. A própria pregação dos padres e diáconos se torna bíblica e do bispo também. O povo começa a pedir a Bíblia. A comprá-la. A presenteá-la. “Meu marido presenteou-me com uma Bíblia”. “Estive lá em S. Luiz do Maranhão e lá os católicos vem à missa com a Bíblia”. Os padres da Catedral e outros já fizeram como na paróquia de Segredo a campanha da aquisição de Bíblias. Outros durante a missa do mês de setembro fazem a bênção das Bíblias. Entre parêntesis. Uma piedosa, mas ingênua senhora trouxe “O evangelho segundo o espiritismo” para benzer. Voltando ao assunto. Mas não basta ter a Bíblia. É preciso ensinar ao povo como lê-la. Com que espírito. E não uma leitura fundamentalista. Uma leitura ideológica. Isto é, fazer o texto dizer o que ele não diz. Toda a pastoral na Igreja tem que ser impregnada pela animação bíblica. É isso que o Papa e a CNBB querem.
Mês de outubro mês das missões, mês do rosário. Padroeira das missões pelo lado da oração é Santa Terezinha do Menino Jesus, pelo lado da ação é S. Francisco Xavier. O rosário nos faz rezar e meditar os mistérios de nossa redenção. Mês de outubro é para nós da diocese de Cachoeira do Sul também o mês da Romaria. Estamos na 17ª Romaria, Maria, Mãe do Redentor e nesta também vamos celebrar os 20 anos da instalação de nossa diocese, com a posse do seu primeiro bispo. No mês de setembro os padres nas suas paróquias levaram uma imagem menor de N. Sra para as comunidades e pregaram sobre o tema: “Com Maria, há 20 mostrando de Cristo”, convidando o povo para a Romaria. Depois disso, o bispo visitou a Matriz das 09 paróquias do “interior” com a Imagem. Em toda parte a Mãe de Jesus foi recebida com amor, carinho e emoção. Já na entrada da cidade ela era recebida com uma carreata e em alguns lugares, precedida pelos cavaleiros gaúchos, foguetes e depois a missa. O bispo procurou mostrar que a Mãe de Jesus os estava visitando para escutá-los. Que se queixassem não ao bispo, mas a ela. Falassem de seus problemas de família, salários baixos, desemprego, preços, más colheitas e saúde. Que a Mãe os escutaria. Disse que ela vinha pra convidá-los para a Romaria. A mãe quer seus filhos ao seu redor. Mas ela sabia que isso não seria possível, por isso, os convidava a todos em comunidade ou em família, às 11h da manhã do dia 09 de outubro para rezarem diante de uma imagem de N. Sra., ao menos 03 Ave Marias, enquanto nós no Parque da Romaria estaríamos começando a missa presidida pelo Núncio Apostólico, formando uma só família ao redor da Mãe de Jesus. Disse também que ela vinha para orientá-los, dar conselhos. O conselho é que: “Façam tudo o que ele vos disser”. O que Jesus quer de nós o sabemos através da Bíblia. Por isso, é preciso ter e ler a Bíblia. E tomava então a leitura do dia e a explicava. Concluía dizendo isso Jesus quer de nós. Jesus nos fala também através de sua Igreja, do papa (sucessor de S. Pedro), dos bispos (sucessores dos apóstolos), da CNBB (as Diretrizes Gerais), da Campanha da Fraternidade (A natureza geme em dores de parto), do padre, dos pais, dos filhos, dos sinais dos tempos. Mas tudo deve ser iluminado pela Palavra de Deus e alimentado pela Eucaristia. Assim mostraremos o rosto de Jesus através do discipulado e missão. Começamos ontem dia 30 a novena nas quatro paróquias da cidade de Cachoeira. É uma Romaria acontecendo na base. Ela não se resume ao dia. Este é apenas o ponto mais alto. Meu irmão (ã), termino com um apelo. Não viaje, participe de nossa Romaria e você não se arrependerá. Maria, Mãe do Redentor te abençoará por isso.
Conversando com o Povo de Deus (560) Viver Saudável Escutando a Mãe e Filho
Milhares de pessoas acorrerão para participar da 17ª Romaria, cuja missa será presidida pelo Núncio Apostólico, Dom Lorenzo Baldisseri, representante do Papa. Qual é o motivo que leva tantas pessoas a participar das Romarias? “Eu participo porque recebi uma graça de Nossa Senhora e vim para agradecer”. “Eu vim para pedir saúde”. “Eu vim para pedir, sabe, eu tenho um filho com problemas de drogas. A maioria vem para pedir e alguns poucos, para agradecer. Maria como Mãe quer também dar conselhos. O conselho principal seu é que escutemos o seu Filho Jesus, nosso Redentor. “Fazei tudo o que ele vos disser”. Onde escutamos a sua palavra? Na Bíblia... Para isso é preciso ter e ler a Bíblia. E ser capaz de a ouvir no silêncio para captar o seu sentido profundo. Para entender melhor quero lhes contar a seguinte historia.
“Há muitos séculos atrás um rei mandou seu filho, o príncipe, estudar medicina no templo com o grande mestre Pan. O objetivo era prepará-lo para ser um grande médico. Após muitos anos de estudo e já chegando à época de voltar para casa, o mestre Pan chamou-o para a última lição: o príncipe deveria ir sozinho a uma floresta e voltar um ano depois, com a tarefa de descrever os sons que iria escutar. Passado o prazo, o príncipe retornou e Pan lhe pediu para descrever os sons de tudo aquilo que tinha conseguido ouvir.
“Mestre”, disse o príncipe, “pude ouvir o canto dos pássaros, o roçar das folhas, o alvoroço dos beija-flores, a brisa batendo suavemente na grama, o zumbido das abelhas e o barulho do vento cortando os céus”. Quando o príncipe terminou, o mestre mandou-o de volta a floresta para ouvir tudo o que mais fosse possível. O príncipe ficou intrigado com a ordem do mestre. Mesmo assim, obedeceu. Por longos dias e noites o príncipe se sentou sozinho na floresta, ouvindo, ouvindo, ouvindo. Mas não conseguiu distinguir nada de novo, além daqueles sons já mencionados ao mestre.
Então, certa manhã, sentado entre as árvores da floresta, começou a discernir sons vagos, diferentes de tudo o que ouvira antes. Quanto mais atenção prestava, mais claros os sons se tornavam. Uma sensação de encantamento tomou conta do jovem médico. “Esses devem ser os sons que o mestre queria que eu ouvisse”, pensou. Sem pressa, o príncipe passou horas ali, ouvindo e ouvindo impacientemente. Queria ter a certeza de que estava no caminho certo.
Quando o príncipe retornou ao templo, o mestre lhe perguntou o que mais tinha conseguido ouvir. “Mestre”, respondeu o príncipe, “quando prestei mais atenção, pude ouvir o inaudível - som das flores abrindo, do sol aquecendo a terra e da grama bebendo o orvalho da manhã”. O mestre acenou com a cabeça em sinal de aprovação. “Ouvir o inaudível é ter a disciplina necessária para se tornar um grande médico” - observou Pan. “Apenas quando se aprende a ouvir o coração das pessoas e não apenas os seus frios batimentos cardíacos, seus sentimentos mudos, os medos não confessados e as queixas silenciosas, um médico pode inspirar confiança a seu paciente; pode entender o que é doença e atender as reais necessidades daqueles que precisam de sua ajuda. O fracasso na arte de curar começa quando o médico ouve apenas as palavras pronunciadas pela boca, sem mergulhar a fundo na alma dos doentes para ouvir seus sentimentos, desejos e opiniões reais; sem ouvir aquilo que não é dito”.
Caríssimos romeiros, devotos de N. Sra. participemos cada vez melhor da Romaria, não somente pedindo e agradecendo, mas também escutando os conselhos dessa Mãe e de seu Filho nosso Redentor, mostrando assim o rosto de Jesus como discípulos e missionários seus. Assim viveremos mais saudavelmente.
Conversando com o povo de Deus (561) A nossa 17ª Romaria, a mais bela.
A boca fala daquilo que o coração está cheio. Por isso, hoje só posso falar da nossa Romaria, na qual celebramos os 20 anos de nossa diocese, instalada dia 29 de setembro de 1991. Para solenizá-la o mais que possível convidei o Núncio Apostólico, Dom Lorenzo Baldisseri, representante do Papa aqui no Brasil, que aceitou. Aleluia! Não somente aceitou, mas ainda antecipou a sua viagem para sexta-feira para falar sobre o Acordo Brasil e Santa Sé (Vaticano). O Hamburgo Hotel ofereceu a hospedagem, o Sindilojas o aluguel do auditório, o El Fogon e o “Querência” os dois jantares, a Casa da Criança o almoço, o Marcelo pegou o Núncio no aeroporto de carro e o levou tudo foi cortesia. Aconteceu o que o Núncio me dissera: “O preço da minha visita será zero”. O Prefeito o declarou hóspede oficial do município. Para o evento foram mandados muitos convites para líderes de nossa cidade, do empresariado, poder judiciário, político, militar, cultural e outros. Tivemos o apoio da CASCISC, SINDILOJAS, OAB e outras entidades. A presença não foi numerosa, mas a representatividade da sociedade cachoeirense foi completa. A sociedade ficou sabendo da presença do Núncio e da Romaria.
Como foi a Romaria? Ela foi preparada desde o início de setembro com as visitas da Imagem de Maria Mãe do Redentor em todas as paróquias da diocese. Nós últimos dias se realizou a novena na cidade com a visita a todas as paróquias com conclusão na Catedral, na véspera. Os padres durante todo o mês visitaram as comunidades de suas paróquias preparando o povo para a Romaria. A comissão central se reuniu todas as semanas desde agosto para o planejamento tanto a parte material como espiritual. N. Sra é fantástica. Um mês antes veio oferta da doação da nova cruz de aço de firmas da cidade. Uma construtora de POA doou a guarita. O asfalto já o tinha recebido anteriormente. Muitas outras doações menores aconteceram em dinheiro e alimentos. O dia 09 de outubro foi a coroação. O tempo tinha que colaborar. Mas as previsões meteorológicas eram todas, até as 22h, de chuva, mas o povo dizia: ”N. Sra não vai deixar chover”. Assim aconteceu. Foi um dia sem um pingo de chuva. O povo acorreu em massa. As avaliações vão de 50 a 80 mil. Imagina uma pequena diocese de 170 mil católicos com um número de peregrinos, tão grande. Aliás, também havia pessoas de outras igrejas. Maria é a Mãe de Jesus Redentor para todos os cristãos. Bonita a religião que tem uma mãe.
A missa solene concelebrada foi presidida pelo Núncio com muita dignidade. A sua pregação foi muita apreciada pelo povo. A sua presença foi sinal de unidade com a Igreja do Brasil e de maneira especial com o Papa Bento XVI que ele representou. Eu pedi que dissesse ao Papa: “Cachoeira ama o Papa” e o povo aplaudiu. A sua presença foi também de novo ânimo e fervor. O povo esperava também que o Núncio anunciasse o nome do novo bispo. Ele explicou que tendo encaminhado a renúncia do bispo ao Papa esse agora proverá quanto antes possível a substituição. Durante a missa aconteceu também a bênção da nova cruz. Jesus nos salvou passando pela cruz. O caminho da salvação passa pela cruz. No fim da missa os padres da diocese fizeram uma homenagem carinhosa ao seu bispo, que estava celebrando a sua última Romaria. Ofereceram-lhe um lindo banner com a sua foto tendo como fundo o Parque do Santuário e uma flor em sinal de carinho. O Núncio foi presenteado com a Imagem de Maria, Mãe do Redentor e este por sua vez presenteou o bispo com a medalha do VI ano do Pontificado do Papa Bento XVI.
O Núncio, tendo almoçado rapidamente, seguiu para POA, pois tinha que viajar para Brasília. Nós continuamos no Parque. O povo devoto em fila para chegar até a Imagem da Santa, tocá-la, fazer a sua prece e seguir adiante para receber a bênção pela imposição das mãos do bispo ou dos padres. A reza do terço com os cantos foi da responsabilidade dos jovens do CLJ como dos cantos na missa foi do Emaús. Quase um centena de jovens evangelizando jovens, mostrando o rosto jovem de Cristo. É assim que queria o beato João Paulo II, de saudosa memória. Seguiu a bênção da saúde, preparada pela Área Norte, que foi o ponto alto da tarde. O mais comovente. Que terminou com a minha despedida. Foi a última Romaria como bispo de Cachoeira. E o povo cantou: “A bênção João de Deus...” com a letra: “A bênção Dom Irineu...”. Foi demais. Não deu para conter as lágrimas. Obrigado povo de Cachoeira.
Conversando com o povo de Deus (562) Naqueles dias o Corcovado estremeceu (1)
“Naqueles
dias, ao se completarem 80 anos de existência, o Cristo do Corcovado estremeceu
e se reanimou. O que era cimento e pedra se fez carne e sangue. Estendendo os
braços, como quem quer abraçar o mundo, abriu a boca, falou; e disse:
Bem-aventurados sois todos vós, pobres, famintos, doentes e caídos em tantos
caminhos sem um bom samaritano para vos socorrer. O Pai que é também Mãe de
bondade vos tem em seu coração e vos promete que sereis os primeiros herdeiros
do Reino de justiça e de paz.
Ai de vós,
donos do poder, que há quinhentos anos sugais o sangue dos trabalhadores,
reduzindo-os a combustível barato para vossas máquinas de produzir riqueza
iníqua. Não serei eu a vos julgar, mas as vitimas que fizestes atrás das quais
eu mesmo me escondia e sofria.
Bem-aventurados sois vós, indígenas de tantas etnias, habitantes primeiros
destas terras ridentes, vivendo na inocência da vida em comunhão com a natureza.
Fostes quase exterminados. Mas agora estais ressuscitando com vossas religiões e
culturas dando testemunho da presença do Espírito Criador que nunca vos
abandonou.
Ai daqueles
que vos subjugaram, vos mataram pela espada e pela cruz, negaram-vos a
humanidade, satanizaram vossos cultos, roubaram-vos as terras e ridicularizaram
a sabedoria de vossos pagés.
Bem-aventurados e mais uma vez bem-aventurados sois vós, meus irmãos e irmãs
negros, injustamente trazidos de África para serem vendidos com peças no
mercado, feitos carvão para ser consumido nos engenhos, sempre acossados e
morrendo antes do tempo.
Ai daqueles
que vos desumanizaram. A justiça clama aos céus até o dia do juízo final.
Maldita a senzala, maldito o pelourinho, maldita a chibata, maldito o grilhão,
maldito o navio-negreiro. Bendito o quilombo, advento de um mundo de libertos e
de uma fraternidade sem distinções.
Bem-aventurados os que lutam por terra no campo e na cidade, terra para morar e
para trabalhar e tirar do chão o alimento para si, para os outros e para as
fomes do mundo inteiro.
Maldito o latifúndio improdutivo que expulsa posseiros e
que assassina quem ocupa para ter onde morar, trabalhar e ganhar o pão para seus
filhos e filhas. Em verdade vos digo: chegará o dia em que sereis espoliados. E
a pouca terra da campa será pesada sobre vossas sepulturas”.
Estava eu procurando um tema para o Conversando (562) quando encontrei esse texto que me chocou. Que me questionou profundamente porque me fez ver o outro lado da realidade. O Cristo que sofreu nos seus irmãos e que continua a sofrer hoje ainda. Em quem? No próximo Conversando vou revelar quem é o autor dessas bem-aventuranças e ais. Continua.
Conversando com o povo de Deus(563) Naqueles dias o Corcovado estremeceu (2)
Vamos a segunda parte das bem-Aventuranças e dos ais do Cristo do Corcovado. Ele abriu a boca e disse:
Bem-aventuradas sois vós, mulheres do povo, que resististes contra a opresso milenar, que conquistastes espaços de participação e de liberdade e que estais lutando por uma sociedade que nao se define pelo gênero, sociedade na qual homens e mulheres, juntos, diferentes, recíprocos e iguais inaugurareis uma aliança perene de partilha, de amor e de co-responsabilidade.
Benditos sois vós, milhares de menores carentes e largados nas ruas, vítimas de uma sociedade de exclusão e que perdeu a ternura pela vida inocente. Meu Pai, como uma grande Mãe, enxugar vossas lágrimas, vos apertar contra o seu peito porque sois seus filhos e filhas mais queridos.
Felizes os pastores que servem, humildemente, o povo no meio do povo, com o povo e para o povo. Ai daqueles que trajem vestes vistosas, se envaidecem nas televises, usam símbolos sagrados de poder, exaltam o Pai Nosso e esquecem o Pão Nosso. Quantos não usam o cajado (bispos, a interpretação minha) contra as ovelhas ao invés de contra os lobos. Não os reconhecerei e não testemunharei em favor deles quando aparecerem diante do meu Pai.
Bem-aventuradas as comunidades eclesiais de base, os movimentos sociais por terra, por teto, por educação, por saúde e por segurança. Felizes deles que, sem precisar falar de mim, assumem a mesma causa pela qual vivi, fui perseguido e executado na cruz. Mas ressurgi para continuar a insurreição contra um mundo que de mais valor aos bens materiais que vida, que não privilegia a acumulação privada, mas participação solidária e que prefere dar os alimentos aos que são famintos.
Bem-aventurados os que sonham com um mundo novo possível e necessário no qual todos possam caber, na natureza, incluídos. Felizes são aqueles que amam a Mãe Terra como sua própria mãe, respeitam seus ritmos, dondo-lhe paz para que possa refazer seus nutrientes e continuar a produzir tudo o que precisamos para viver. Bem-aventurados os que não desistem, mas resistem e insistem que o mundo pode ser diferente e ser, mundo onde a poesia anda junto com o trabalho, a musica se junta às máquinas e todos se reconhecerão como irmos e irmãs, habitando a única Casa Comum que temos, este belo e irradiante pequeno planeta Terra. Em verdade, em verdade vos digo felizes sois vós porque -sois -todos filhos e filhas da alegria pois estais na palma da mão de Deus. Amém.
Agora vem a revelação. São palavras de Leonardo Boff, teólogo e filósofo, sob o título "Do quinto evangelho proclamado do Cristo do Corcovado". Frei Leonardo estudou em Munique e eu em Roma. A gente se visitava. Ele na volta ao Brasil foi lecionar em Petrópolis e eu na PUC/RS. A gente se encontrava nas semanas teológicas. Era da teologia da libertação. Teve problemas com o então Card. Ratzinger e teve também outros e acabou optando por viver o cristianismo franciscano de uma maneira diferente. A gente respeita a sua opção. Pergunto, será que Deus não pode nos falar também através dele para nós, bispos e lembrar o lado social de nossa fé?
Conversando com o povo de Deus (564) Um assunto muito importante.
Estava eu em retiro com o meu clero em Vale Vêneto, perto de Santa Maria, um lugar paradisíaco. Ecológico. Quando fui chamado às pressas para atender um telefonema urgente. Era a jornalista Elisandra. Eu tinha dado instruções para não dar o telefone da casa de retiros para ninguém a não ser que fosse caso de morte ou coisa parecida. Qual não foi o meu espanto de que se tratava de opinar sobre um casamento gay autorizado pelo STJ para Kátia e Letícia. Verdadeiramente o sangue me ferveu. Incomodar a gente para um assunto tão sem importância. Para mim. Perda de tempo para quem estava mergulhado em silêncio na meditação transcendental. “Mas por que preciso eu opinar? Todo mundo conhece a posição do Papa, da CNBB. Para que repetir?” Mas pensei eu, é melhor responder algo. Ocorreu-me o seguinte. Nós lemos no livro do Gênesis da religião judaica e aceita pelos cristãos que Deus criou o homem e a mulher e disse: “crescei e multiplicai-vos”. Não fez duas mulheres e disse: “crescei e multiplicai-vos”. Nem criou dois homens e disse: “crescei multiplicai-vos”. Logo aceitamos com os judeus que casamento é coisa entre homem e mulher. Acrescentei que Jesus esteve no casamento de um homem e uma mulher, nas bodas de Caná. Não de dois homens ou de duas mulheres. Atendeu ao pedido de sua mãe e transformou a água em vinho. Santificou esse casamento. Poderia ter dito também que nós todos somos filhos (as), também os gays de um homem e uma mulher. São Paulo, isso não disse pelo telefone, mas me veio agora, São Paulo diz que o casamento entre homem e a mulher simboliza o amor de Cristo e a Igreja. Assim Cristo amou e continua amando eternamente a sua Igreja (os que nele crêem), assim a Igreja deve amar a Cristo. Por isso, para a Igreja católica casamento é entre homem e mulher. Casamento civil entre homem e homem, ou mulher e mulher é outra coisa. Uma coisa é uma coisa, a outra é outra coisa. Não se deve confundir funda com bunda ou alhos com bugalhos assim se dizia no meu tempo de estudante. Se o STJ autoriza o casamento civil de homossexuais (homo=homem) ou lésbicas (mulher com mulher) não é casamento religioso. Não me diz respeito. A igreja respeita o poder civil e por sua vez quer ser respeitada na sua visão religiosa baseada na natureza humana. Estamos num país democrático, onde todos têm direito de se manifestar, também a Igreja católica e todas as outras. Os homosexuais como as lésbicas são filhos e filhas de Deus, amados por Deus. São nossos irmãos e irmãs e merecem o nosso respeito e amizade. Até aqui do que me lembro de ter dito pelo telefone. A Elisandra pediu desculpas e lhe desejei uma boa reportagem. E no jornal saiu o que saiu com uma bela fotografia minha (JP 27/10,pág.09).
Algumas considerações. Na minha diocese não me consta que alguém tenha sido excluído do trabalho por ser homo ou hetero ou hetero não casado no religioso. Eu devo amar o pecador, mas não o seu pecado. Um casal de homens ou lésbicas devem ter os seus direitos determinados por lei assim como um casal hétero não casado no civil tem por lei. Esses têm não porque estão casados, mas uma união estável ao menos por um período. Não bastaria estender o mesmo aos casais gays estáveis? Aliás, o mundo atual é engraçado. Derrama lágrimas por um cachorrinho ou tartaruga (Nada em contrário, antes pelo contrário. É só questão de proporções), e quer matar crianças ainda não nascidas e as nascidas deixar morrer a muitas de fome. Hoje em dia quem quer casar são os gays e alguns padres. Os héteros não querem mais casar. Eu vejo também que tudo isso faz parte de uma política. Pressionar cada vez mais as igrejas a aceitar o casamento religioso dos gays. Para isso é preciso conseguir a aprovação da lei da homofobia (PLC 122/2006). Necessita-se uma base jurídica para condenar legalmente a Igreja a pagar somas altíssimas! Tudo isso faz parte de um plano mundial do qual somos uma pequena parte. De uma cultura machista estamos passando à cultura gay. A quem está interessando isso e por quê? Ou será que o bispo está delirando? Oxalá.
Só gostaria de acrescentar para a jornalista que me entrevistou que a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) reunida na 49ª Assembléia Geral em Aparecida, emitiu uma nota de uma página para a imprensa sobre o casamento gay. Também o bispo de Cachoeira estava lá. “Tais uniões não podem ser equiparadas à família... Equiparar... descaracteriza a sua identidade e ameaça a estabilidade da mesma”. “As pessoas que sentem atração sexual exclusiva ou predominante pelo mesmo sexo são merecedoras de respeito e consideração. Repudiamos todo tipo de discriminação e violência que fere sua dignidade de pessoa humana”. Na próxima oportunidade estou com vontade de comentar as declarações do meu amigo, o ex-Arcebispo de Porto Alegre, D. Dadeus Grings.
Conversando com o povo de Deus (565) Dadeus ataca o Judiciário(1)
Disse no último Conversando que estava pensando em conversar sobre esse caso que a imprensa regional e nacional noticiou no dia 01/11/2011. Pensei em começar com a carta de Dom Dadeus Grings, Arcebispo de Porto Alegre, lida para os representantes da sociedade, no dia 31/10, na sala da Catedral onde o Papa João Paulo II em 1980 despachou e que demorou 18 minutos e depois seguiu a entrevista que demorou ao redor de uma hora. Vamos ao conteúdo da carta.
“Chegou ao fim mais um capítulo da agressão do Judiciário contra a Igreja Católica. Após 16 anos de tramitação, o Tribunal de Justiça de São Paulo condenou-me, juntamente com a Diocese de S. João da Boa Vista, onde fui Bispo de 1991 a 2000, a pagar uma indenização, por danos morais, no montante de R$ 940.000,00, reforçando o que se chama de “indústria das indenizações”, com bases totalmente arbitrárias e impraticáveis. Volta à mente a questão dos precatórios! Que cidadãos recorram ao Judiciário para dirimir suas questões é de direito, mas que o Judiciário não distinga o certo e do errado, a verdade da falsidade, não tenha critérios objetivos para julgar e, principalmente, não reconheça os limites de sua jurisdição nem siga os Acordos internacionais, põe toda a sociedade em risco. O problema da corrupção no Brasil tem sua base exatamente ali, no Judiciário. Todos sabem disso, nas poucos têm coragem de denunciá-lo! Nossa Presidente começou a faxina no Executivo. Quando será a vez do Judiciário, onde o problema é muito mais grave?
Eis o fato: Na década de 90, no Município de Mogi Guaçu, SP, concluiu-se um clamoroso processo judiciário que, por razões que chamei de falta de lisura, demorou mais de 10 anos. Sob ameaça de intervenção, foi decretada uma indenização milionária, dez vezes acima do real.. Diante da calamidade pública, alguns cidadãos recorreram a mim, como Bispo da região. – Lembre-se o provérbio que, diante de problemas insolúveis, se manda queixar-se ao Bispo - Trouxeram-me o volumoso processo, que li estarrecido. Escrevi, em conseqüência, diversos artigos, fazendo ponderações em defesa do Município. Não agi em causa própria. Em reconhecimento o Município outorgou-me, solenemente, o título de Cidadão. A sociedade aplaudiu minha intervenção. A família envolvida, porém, me entregou pessoalmente, na Igreja da Imaculada, uma carta, declarando-se atingida, mesmo que não a tivesse nomeado. Respondi, em carta particular, reconhecendo ser justo reivindicar o que de direito, mas não dez vezes mais. Tinha em mãos o relatório das dificuldades das negociações. Adverti que seus advogados, com suas invectivas, “não me deixavam a impressão de lisura”. Por esta expressão, nesta carta não publicada, sou condenado a pagar R$ 940.000,00, a título de danos morais. É justo?
Era obrigação minha, de pastor, orientar a referida família e chamar a atenção aos desvios. Ela, pelos vistos, passou a carta aos seus advogados que, a partir de então, começaram a me atacar, tanto por jornais como pelo rádio e televisão, culminando num duplo processo.Chegaram a afirmar que eu poderia ser condenado de dois a três anos de prisão, provocando celeuma entre a população, que, em conseqüência, promoveu um ato público de desagravo em meu favor.. Tive, por isso, que esclarecer a opinião pública.
O judiciário, em nenhum momento, examinou a lisura dos advogados, para ver se a impressão que eu tivera era correta.. O judiciário nunca procurou investigar acerca dos ataques que os advogados dirigiram contra mim e as calúnias que proferiram. Se sofreram “danos morais”, foi pelas agressões e pelo processo que eles promoveram contra ao Bispo e a Diocese. Desde o início, o Judiciário se mostrou parcial, em defesa de “sua gente”.
O montante da indenização ultrapassa qualquer bom senso. Vê-se que os Juizes estão desligados da realidade. Os ministros da Igreja católica não recebem salários polpudos, como eles, nem amealham fortunas”.
Continua. Guarde esse Conversando para poder entender a continuação. Também seria bom que desse uma olhada nos jornais da capital do dia 01/11/2011 para ver o que eles publicaram sobre o assunto.
Conversando com o povo de Deus (566) Dadeus ataca o Judiciário (2)
Continuação da carta de Dom Dadeus. “O que, porém, leva a dizer um redondo e sonoro não à sentença condenatória e dar um basta aos desmandos do Judiciário é sua invasão no campo da jurisdição da Igreja. O Judiciário não reconhece seus limites. Em primeiro lugar, os juízes bem sabiam que os querelantes buscavam lucro fácil. Alexandre Jobim classifica a indústria da indenização como “artimanha de algumas pessoas para ganhar dinheiro” E por incrível que pareça, obtêm, com facilidade, o aval do Judiciário. Arrolaram a Diocese para garantir o dinheiro, com o objetivo de arrancá-lo do povo católico. Com isto reconheceram, publicamente, que estavam invadindo a missão específica da Igreja e não de um cidadão particular. O Judiciário se joga, pois, diretamente contra a Igreja. Contraria frontalmente sua missão profética de se pronunciar sobre questões de ordem social e moral.. Na verdade o Judiciário quer silenciar a Voz da Igreja frente ao bem comum, como tenta com a imprensa, para acobertar a corrupção no país.
Em segundo lugar, os juízes acintosamente não respeitaram o Acordo entre a Santa Sé e o Brasil, assinado solenemente em Roma, no dia 13 de novembro de 2008, já ratificado pelo Congresso nacional. Trata-se de um acordo internacional, de respeito mútuo das competências. Não pode ser desrespeitado impunemente.
Não posso, por coerência e dever de consciência, acatar esta sentença inválida e desrespeitosa porque contrária aos requisitos do direito nacional e internacional, como intromissão – e não é a primeira – nos assuntos internos e na competência da Igreja. Estou disposto a dar a vida por esta causa.. Se me quiserem prender – conforme o Advogado querelante há 14 anos preconizava, - estou às ordens. Só assim o mundo saberá quanto nosso Judiciário é corrupto e arbitrário.
Diante da gravidade do assunto escreverei nova cartilha para apontar as mazelas do Judiciário e assim colaborar na sua urgente reforma. Ou o Brasil muda o Judiciário ou o Judiciário acaba corrompendo o Brasil. Parafraseando S. Gregório VII, posso dizer: “porque amei a justiça e odiei a corrupção, fui condenado pelo Judiciário brasileiro”. Deus nos proteja e guarde! Apelo para o Supremo Tribunal de Jesus Cristo, o Justo Juiz!”.
Até aqui a carta de D. Dadeus. Agora transcrevo a nota oficial da Ajuris (01/11/2011) para você leitor melhor julgar o fato.
“A Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul – Ajuris vem a público manifestar toda a indignação da Magistratura gaúcha em face das declarações do Arcebispo de Porto Alegre, Dom Dadeus Grings, que atribui ao Poder Judiciário a condição de ente corrompido, impulsionado por ter sido condenado em ação de indenização por fato que lhe foi imputado, ocorrido na cidade de Mogi Guaçu(SP).
Esta prática adotada pelo Arcebispo está cada vez mais disseminada no Brasil, notadamente quando o Judiciário decide em desfavor de segmentos que desfrutam de poder diferenciado na sociedade.
É necessário que a cidadania perceba que um país, para ser substancialmente democrático, deve contar com um Poder Judiciário laico, imparcial e independente. Lamentavelmente, alguns quadros da vida pública ainda não se deram conta do quanto é importante tal condição para uma nação.
Reiteramos que a postura inquisitorial do Arcebispo é inaceitável. Da mesma forma, reiteramos o grande respeito que temos pela Igreja Católica, e todas as outras religiões.
Entretanto não podemos admitir que qualquer religioso, em nome de sua crença, insulte pessoas e instituições de forma arbitrária, numa quase retrospectiva da inquisição medieval.
A Ajuris sempre exigirá pronta apuração de qualquer irregularidade no Poder Judiciário, mas não admitirá a ofensa generalizada e irresponsável, de qualquer autoridade, simplesmente pelo fato de ter seus interesses contrariados por decisão judicial. Repudiamos tal comportamento pelos evidentes danos que causa à democracia. João Ricardo dos Santos Tavares Costa, Presidente da Ajuris”.
Depois do editorial da Zero Hora (ZH) de 03/11/2011 p. 16, sob o título “Generalização e corporativismo” penso também eu no próximo Conversando fazer algumas observações pessoais sobre o caso. Agora passo então a transcrição de uns trechos do editorial. “Ficou evidente que o arcebispo de Porto Alegre cometeu generalização indevida ao classificar o Judiciário de corrupto e autoritário, depois de ter sido condenado a pagar uma indenização por danos morais pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, que soam desproporcionais as reações da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul e do Tribunal de Justiça do Estado... (A nota) foi um pouco além ao comparar a atitude do arcebispo à inquisição medieval... Dom Dadeus ameaça escrever um cartilha denunciando as mazelas do Judiciário, mas em nenhum momento fala em lançar os magistrados à fogueira. Já o Tribunal de Justiça (do Estado)... aproveita para classificá-lo de “intolerante, agressivo, preconceituoso, vingativo e rancoroso”, adjetivos que ... se tornam excessivos na boca de um juiz, ainda mais pronunciado em nome de todos os seus pares... Mais: a nota do tribunal (do Estado) diz que dom Dadeus é “antítese do cristão de que nos fala a Bíblia”. Não parece, também, um julgamento apressado?” E o editorial termina: “Cautela em excesso não faz mal a ninguém”. Continua.
Conversando com o povo de Deus (567) Dadeus ataca o Judiciário (3)
Continuo os meus "Conversandos" sobre o assunto. Depois de ler e reler a carta do arcebispo e a nota do presidente da Ajuris, o editorial da Zero Hora e outras fontes, atrevo-me a fazer algumas observações. Em primeiro lugar, a sociedade democrática necessita que as suas autoridades civis e religiosas sejam justas, éticas, gerando assim plena confiança.
Como surgiu o problema entre ambos os poderes? Quando D. Dadeus era bispo de S. João da Boa Vista em S. Paulo, o prefeito de Mogi Guaçu realizou uma desapropriação para fazer uma rua. A indenização foi segundo a lei de mercado. A família que se sentiu prejudicada recorreu e depois de um processo que durou 10 anos foi indenizada por uma quantia dez vezes maior. O prefeito atual foi queixar-se ao bispo, que leu o processo e achou injusto o veredicto. Esse tomou sobre si as dores do prefeito e do povo e escreveu diversos artigos defendendo o município, um deles com o título: “O Judiciário arrasa Mogi Guaçu”. O Prefeito deu-lhe o título de cidadão e a sociedade o aplaudiu. A família envolvida (que nunca foi citada pelo bispo) entregou-lhe uma carta declarando-se atingida. O bispo respondeu por carta que não era justo reivindicar 10 vezes mais e advertiu que os seus advogados (3) com as suas invectivas não lhe “deixavam a impressão de lisura”. Por esta expressão na carta não publicada ele foi condenado a pagar 940 mil por danos morais. Na 1ª instância foi condenado a pagar 15 mil. Mas a família recorreu e pediu 150 mil. Um desembargador aumentou para 300 mil. O Tribunal de Justiça o condenou (18/10/2011), depois de 16 anos, a pagar 450 mil. Com juros e correção monetária e honorários deu 940 mil. Dos quais o bispo deve pagar 500 e a diocese o resto. É o que entendi.
Claro que houve generalizações da parte do arcebispo logo no início da carta quando fala do Judiciário como de “indústria das indenizações, recorda a questão dos precatórios e quando fala da faxina no Executivo feita pela presidente se pergunta, quando será a vez do Judiciário. E no fim da carta quando escreve: “Ou o Brasil muda o Judiciário ou o Judiciário acaba corrompendo o Brasil”, etc. Entende-se assim também a nota da Ajuris. Ambos estavam com a cabeça quente. Assim a postura do arcebispo é chamada de inquisitorial e o seu insulto numa quase retrospectiva da inquisição medieval. Argumentação geralmente usada contra a Igreja quando não se tem mais argumentos sérios. A corrupção sempre existiu desde que existe a humanidade. Basta ver a Bíblia. O povo judaico desejava que Deus fizesse justiça. A democracia exige um Judiciário laico, imparcial e independente. É exatamente isso que o arcebispo pede e todo povo brasileiro. Exige a democracia uma pronta apuração de qualquer irregularidade no poder Judiciário, que no momento é feita pelo próprio. Qual é a impressão que fica diante dos poucos casos de condenação? Não é de corporativismo? Eis o nó da questão. Como conseguir que esse controle interno funcione? Por esta causa o arcebispo quer escrever não só uma cartilha mas também está pronto para dar a vida.
Sabe qual foi a minha primeira reação diante do noticiário: Dom Dadeus ataca o Judiciário? Eis um profeta. Ter a coragem de dizer o que a mídia disse que ele disse só mesmo um profeta. Pois um profeta tem coragem de denunciar a injustiça, o que está errado, segundo ele. Sim, ele também é capaz de generalizar. De não ser prudente. Não medir as conseqüências. É capaz de morrer pela causa. Assim foram os profetas da Bíblia, quase todos foram mortos. Assim João Batista foi decapitado. Jesus que expulsou os vendilhões do templo terminou na cruz. Uma coisa é certa, para mim, Dom Dadeus Grings, entrará na história do Brasil e da Igreja como um dos grandes bispos do Brasil, não só por este fato, mas principalmente.
Dom Dadeus depois de suas declarações recebeu manifestações de fiéis católicos e não católicos, de autoridades políticas, até oficiais de justiça apoiando as razões apresentadas e advogados, colocando a disposição material para a sua cartilha.
E agora José? Tenho em Cachoeira um bom relacionamento com o Judiciário-Juízes; Ministério Público-Promotores; OAB-Advogados. Prova disso foi o apoio dado á vinda do Núncio Apostólico e à sua palestra sobre o Acordo Brasil e Santa Sé e sobre o direito internacional. Esperamos como disse um promotor que o Supremo Federal reverta a sentença. Acrescento, rezemos para que esse faça justiça.
D. Dadeus pretende manter vivo o debate com a sociedade em questão. Claro, sem querer atingir pessoas, mas sim questionar a estrutura que tem conseqüências anti-éticas. E termino essa série citando S. Paulo: “Tudo concorre para o bem dos que amam a Deus”. Também essa condenação.
Conversando com o povo de Deus (568) A cruz sinal de contradição (1).
Para os judeus a cruz era sinal de escândalo. Para o pagãos loucura. São Paulo na sua carta à comunidade de Corinto(1Cor 1,23) escreve: “Anunciamos Cristo crucificado escândalo para os judeus e loucura para os pagãos”. Por isso, também os judeus pediram a Pilatos que o deixasse crucificar. Para apedrejar a Estevão não precisaram de recorrer a ele. Era necessário mostrar que Jesus não podia ser o Messias, o bendito, pois existe uma frase no Deuteronômio (Dt 21,23) que diz: “Maldito o que pende do madeiro”.
Nos primeiros tempos, quando os cristãos começaram a ser perseguidos pelo império o romano usavam símbolos secretos para se encontrar como o símbolo do peixe. Mas já em 204, Tertuliano diz que o sinal da cruz é o sinal dos cristãos. Que costumavam fazer o sinal da cruz na testa. Clemente de Alexandria diz que o sinal da cruz é o sinal dos cristãos.
Para mim a cruz é sinal de amor. “Não há maior sinal de amor do que dar a sua vida por alguém”. É sinal também do fracasso supremo da justiça humana.
Para o governo brasileiro desde Lula e o Judiciário a cruz se tornou símbolo de contradição e divisão. Por isso os símbolos religiosos devem ser banidos das repartições públicas desde o gabinete da Presidenta da República até fóruns, ministérios, colégios, universidades, etc. Motivo é que o Estado deve ser laico. Ou todos têm direito a colocar os seus símbolos ou nenhum. O princípio é fácil de entender, mas a pergunta é: Será que com isso não se está impondo o ateísmo? Antes se impunham os símbolos da Igreja Católica Romana porque o Brasil era católico e a maioria continua católica, mas agora se está impondo o não sinal. O vazio ou não? O Estado é laico, mas o povo católico. O povo é crente. Uns poucos ateus. Uns poucos inimigos da fé, que nela vêem um atraso, uma alienação, o ópio do povo. Por que eles têm direito a se impor? Aqui em Cachoeira do Sul a laicidade está entrando a passos largos. Daqui há pouco nas cerimônias públicas não poderá haver mais a presença de um bispo, padre, pastor para a bênção. Não se poderá mais usar água benta. Exageros outros acontecerão.
Diante dessa nova realidade, debates foram promovidos na televisão e rádios principalmente sobre a retirada da cruz de lugares públicos, como também através da internet. O Ministério Público Federal de São Paulo( de novo S. Paulo) ajuizou ação pedindo a retirada dos símbolos religiosas das repartições publicas. Hoje vou transcrever o que diz o Frade Demetrius dos Santos Silva(São Paulo/SP):
“Sou Padre católico e
concordo plenamente com o Ministério Público de São Paulo, por querer retirar os
símbolos religiosos das repartições públicas…
Nosso Estado é laico e não deve favorecer esta ou aquela religião.
A Cruz deve ser retirada!
Aliás, nunca gostei de ver a Cruz em Tribunais, onde os pobres
têm menos direitos que os ricos e onde sentenças são barganhadas, vendidas e
compradas.
Não quero mais ver a Cruz nas Câmaras legislativas, onde a
corrupção é a moeda mais forte.
Não quero ver, também, a Cruz em delegacias, cadeias e quartéis,
onde os pequenos são constrangidos e torturados.
Não quero ver, muito menos, a Cruz em prontos-socorros e
hospitais, onde pessoas pobres morrem sem atendimento.
É preciso retirar a Cruz das repartições
públicas, porque Cristo não abençoa a sórdida política brasileira, causa das
desgraças, das misérias e sofrimentos dos pequenos, dos pobres e dos menos
favorecidos.”
Conversando com o povo de Deus (569) A cruz sinal de contradição (2)
Continuo a conversa sobre retirada da cruz e dos símbolos religiosos de ambientes públicos com o argumento de que o Estado é laico. De fato, o Estado é laico, mas o povo é católico. É evangélico. É crente. Recebi diversos e-mails. Vou transcrever trechos de dois. Começo com Percival Puggina, católico, arquiteto, empresário, e escritor:
“Reafirmo meu pessimismo: mais cedo ou mais tarde, os crucifixos serão arrancados das paredes. E o resíduo cultural cristão ainda persistente continuará cedendo lugar a um humanismo desumano, destituído de alma e avesso a Deus. Avesso ao Deus cuja proteção é invocada na Constituição. Não guardo ilusões. Quando se encontra com a omissão de muitos e a ingênua tolice de outros tantos, a malícia passa por cima e impõe o que pretende com quase nenhuma resistência.
Remova-se o crucifixo, então. Mas tenha-se a coragem de assumir perante a história o registro do que foi feito: preserve-se o prego! Preserve-se o prego para que todos reconheçam o extraordinário serviço prestado. Para que todos saibam que ali havia um crucifixo, e que ele foi removido abusivamente em nome da Justiça.
Observe de onde procedem os ataques aos crucifixos. Procede de certa esquerda e certa direita. Ajudam-se mutuamente no processo de destruição dos valores. A cara da utopia da igualdade é o focinho da utopia da liberdade sem limites. Quando discorrem sobre seus motivos em relação aos crucifixos, transmitem a idéia de estarem jungidas a um imperativo constitucional - o Estado, mesmo não sendo ateu, é laico. Não tem religião própria. E os ingênuos abanam a cabeça em concordância: afinal, se há lugar para um crucifixo, por que não revestir as paredes com os símbolos de todas as outras religiões e crenças existentes? Ou tem para todos, ou não tem para ninguém. Com tanta coisa contra que lutar, escalam como adversário Jesus de Nazaré...
O crucifixo na parede da repartição não é peça publicitária. Não é elemento de proselitismo religioso. Não transforma o espaço em local de culto. É referência a um patrimônio de valores universais sem similar na iconografia humana: amor a Deus e ao próximo mesmo se inimigo, solidariedade, justiça, misericórdia, paz. Se tirar o crucifixo, fica o prego.
A investida contra os crucifixos é apenas um ato de uma longo empreitada do relativismo, do hedonismo e do materialismo visando a destruição da civilização cristã ocidental. Os argumentos religiosos cristãos nas propostas legislativas e decisões judiciais não valem. Mas admite-se os argumentos dos ateus, dos movimentos sociais, homosexuais, a opinião do Além psicografadas. “Mas não se admitem opiniões fundadas na moral cristã católica”.
O vereador católico João Carlos Nedel de Porto Alegre se pergunta: “A quem os símbolos religiosos incomodam? Ativistas de um movimento homossexual pediram a retirada de todos os crucifixos dos prédios públicos de Porto da Capital. Por quê? Interessante é que o antagonismo é apenas contra os símbolos católicos. Pois não me lembro de qualquer movimento havido no sentido de retirar dos tribunais e das faculdades de direito oficiais a figura da deusa pagã Têmis, guardiã dos juramentos dos homens e da lei, invocada nos julgamentos perante os magistrados gregos. Ora, a imagem de Têmis há muito ultrapassou o sentido de sua gênese religiosa. Do mesmo modo, o crucifixo, identificado pelos cristãos como representando o sacrifício de Cristo, há muito ultrapassou seu simbolismo restrito aos cristãos para assumir a condição de símbolo universal do Amor ao Próximo, válido para todos os tempos e lugares, respeitado e admirado pelas lideranças das demais religiões. Portanto, deixem os crucifixos onde estão. Ou, se querem fazer uma cruzada anti-cristã católica, revelem-se em suas verdadeiras finalidades”.
O presidente da Turquia dizia: “O nosso país é um país muçulmano. (Em outras palavras com cultura e com símbolos islâmicos, por isso, se não aceitarem se retirem ou não venham morar aqui). Mas somos um país democrático laico, por isso respeitamos as outras religiões”. Penso que isso deveria valer também para o Brasil. Somos um país católico, com cultura católica, com símbolos católicos. Mas somos um país democrático laico, e por isso respeitamos as outras religiões, igrejas, filosofias, etc. Penso que nós católicos devemos lutar para preservar os símbolos religiosos nos lugares públicos. Por mais que se queira em nome da democracia eliminar a cultura católica com os seus símbolos religiosos não se conseguirá. Pois deveriam ser mudados os nomes de estados e municípios, e localidades que tem o nome de santos. Deveria ser arrancados o Cristo do Corcovado, as imagens de santos e santas em via públicas, como N. Sra do Caravágio. Feriados religiosos nacionais (N. Sra. Aparecida) e estaduais e municipais suprimidos. Festas como o Natal e Ano Novo abolidos. A era antes e depois de Cristo substituída por... Mas sei que a onda da retirada vai continuar incomodando. É moda. Em muitos lugares vão sobrar talvez os pregos!A cruz sempre será sinal de contradição.
Conversando com o povo de Deus (570) Tempos de Natal.
Por influência do comércio o tempo de Natal já começa no fim de outubro. A igreja católica começa a preparação com o início do advento, que nesse ano caiu em 27 de novembro. Advento que cria todo um clima de expectativa e esperança. O nascimento fica só para o dia 25 de dezembro, quando se coloca também o Menino Jesus na manjedoura. A festa do Natal é a festa das festas no sentido que consegue dar o maior estímulo econômico. Não há festa que motive mais as pessoas para comprar. As lojas e as ruas se enfeitam. A figura do Papai Noel se encontra por toda parte. Também alguns presépios são montados em estabelecimentos e até em praças. As vendas aumentam todos os anos, 20, 30% ou mais. Com inflação ou sem inflação. Com crise ou sem crise. É tempo de presentes, de cartões, de pinheiros cortados (?), ou artificiais. Tempo de confraternização e amigo secreto nos grupos, empresas e colégios. A ecologia está tendo a sua influência. O pinheiro ou o pinheirinho está sendo substituído pelo artificial. Os bilhões de cartões de Natal pela internet. Mais barato e mais prático. Eu adoro essa solução, mas muitas pessoas me mandam o cartão, mas não o e-mail. Geralmente fico devendo a resposta.
Natal é alegria e paz. Mas algumas coisas podem atrapalhar. Que presente dar? “Para o chefe não posso dar qualquer coisa”. Para os outros, que presente ele (a) vai adorar? Como vou conseguir pagar tudo isso? Depois, que presente vou ganhar? Às vezes ganha-se um presente do que não se gosta e fica-se insatisfeito. O Natal é alegria, sim, mas pode ser também misturado com um pouco de amargura. O Natal é o dia em que menos se trabalha no mundo ocidental. O mundo para. É festa da família.
“Crianças, Natal é a festa de quem? Do Papai Noel”, respondem elas. Como surgiu essa figura? Interessante que na história Jesus não dá presentes. Ele é o presente de Deus Pai para nós cristãos. Quem dá presentes a ele são os Magos. O Papai Noel de hoje é inspirado em S. Nicolau, bispo na Turquia, nascido em 280 depois de Cristo. Ele distribuía saquinhos de moedas para as crianças. A associação ao Natal aconteceu na Alemanha. Como crianças nós o chamávamos de Pelznikel (Nicolau de peliça). Espalhou-se para os Estados Unidos, onde ganhou o nome de Santa Claus, no Brasil de Papai Noel, em Portugal de Pai Natal. A roupa que usava até o fim do século XIX era roupa de inverno, cor marrom ou verde escura. Em 1886, o cartunista Thomas Nast, alemão, criou o bom velhinho que nós conhecemos hoje com roupa vermelha e branca com cinto preto. Em 1931 a Coca-Cola (também eram as cores do seu refrigerante) espalhou a sua figura pelo mundo. Onde mora ele? Mora no Pólo Norte e vem com o seu trenó puxado por renas. É ele que dá os presentes para as crianças, trazendo alegria. “Natal sem o Papai Noel não é a mesma coisa”, dizem os pais. Observo que o belo costume que temos hoje, a sua origem se perde no tempo. Há muito de lendário. É difícil discernir o que é lenda e o que é histórico. O que acontece é que quando o ser humano está muito alegre ele se torna generoso. Quer dar presentes e ainda mais para crianças. O mais difícil é ele se lembrar também dos pobres e dos animais que o servem. Nós bispos e padres, muitas vezes, falamos mal do Papai Noel dizendo que o povo se esquece do aniversariante que é Jesus. Que só se pensa em festa, comer e beber exageradamente. O que não deixa de ser verdade também. Mas penso que devemos também ver o positivo no Papai Noel. Associá-lo a Jesus. Por isso, quando eu encontrei no Google o Papai Noel de joelhos rezando diante do Menino Jesus na manjedoura com os animais ao redor, pensei, é este que vai ser o Cartão de Natal. Um Papai Noel cristão. Para nós cristãos Natal é antes de tudo o aniversário de nascimento de Jesus. Deus Filho que no ventre de Maria se torna Filho do Homem. Faz-se gente. Irmão. Pequeno. Só os verdadeiramente grandes são capazes de se tornar pequenos. Isso é divino. Deus se fez pequeno para nos fazer grandes, divinizados. Diante desse fato, os próprios anjos prorrompem no canto: “Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens que ele quer bem”. E nós cristãos cheios de alegria, e gratidão não podemos deixar de festejar. Por isso, também damos presentes, comemos e bebemos, mas é a partir de uma motivação espiritual. E queremos dar presentes também aos mais pobres e os animais, que como S. Francisco de Assis dizia: “Todos devem sentir que é Natal”.
Conversando com o povo de Deus (571) Mais uma vez é Natal. Natal. Natal
O que é Natal? Natal teologicamente falando é o nascimento de Jesus. O seu aniversário. Nasceu há 2011. Quem é Jesus? Deus Pai mandou o seu Filho para que no ventre de Maria se tornasse Filho do Homem. É assim que ele se chama. Ele é a visibilização de Deus Pai. “Felipe, eu e o Pai somos um. Quem me vê, vê o Pai”. É em hebraico o Emanuel. Deus conosco. Como Deus ama? Como Jesus nos amou. Olhemos para ele. Ele passou por este mundo fazendo o bem e por fim deu a sua vida por nós. S. Francisco de Assis via no Menino o Deus imenso que se fez uma criança. A sua humildade e o amor. Comove-se e chora porque o amor não é amado. Jesus para nós é o Cristo. O messias. O redentor. O próprio nome Jesus já significa Deus salva. Jesus nos ensinou que somos todos filhos e filhas do mesmo Pai. Irmãos e irmãs. Formamos uma só família. Por isso Natal é a festa da família. O italiano diz: “Natal com os teus e Páscoa com quem quiseres”. Este espírito de família se estende aos pobres. Eles devem fazer parte de nossa família. Nenhum pobre passando fome no Natal, de maneira especial as crianças. A própria natureza que Deus criou deve fazer parte também de nossa família. Este espírito de Natal, de paz, alegria, fraternidade e bem querer deve perpassar todo o Ano Novo. Digo melhor, deve perpassar toda a vida da humanidade.
Recebi muitos desejos de Feliz Natal via internet e muitos cartões postais. Quero sintetizar adaptando algumas mensagens. “Natal nos lembra que Deus está conosco. Que Deus tem um rosto, o rosto de Jesus” (Bento XVI).
“Onde há uma criança, o céu deseja toda a beleza e a bondade do mundo” (Zenit). Quem não se comove diante de uma criança? Diante de seu olhar, o seu sorriso, a sua total confiança nos pais? A criança une os pais, os avós e os familiares. Um dito popular diz: “Uma família sem criança é um jardim sem flor”.
“Existe sempre um sentido quando Cristo é colocado no centro”, (D. Jacinto B.). Natal sem Cristo é Natal sem sentido. Ele é o maior presente que Deus Pai nos deu. O seu próprio Filho. Eis a maior riqueza que os cristãos têm a oferecer ao mundo de hoje, segundo o Documento de Aparecida. “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Sem mim nada podeis fazer. Vinde, vós todos que estais aflitos e sobrecarregados e eu vos aliviarei”. No entanto muitos Cartões de Natal não falam do dono da festa.
“Natal é o nascimento de Jesus. Ano Novo é o nascimento de uma nova esperança” (ADCE-SP). É o Natal que alimenta essa esperança de dias melhores no Ano Novo. Sem esperança não se vive.
“Natal somos nós quando decidimos nascer de novo com Jesus sendo luz para os que andam nas trevas. Natal somos nós quando ricos enriquecemos os pobres. Somos os anjos de Natal quando convidamos os outros a cantar a glória de Deus. Somos o presépio de Belém e os pastores. Os reis magos e a estrela. Somos os sinos e o pinheirinho. Somos o enfeite, as luzes de Natal e as velas. Somos o Papai Noel. Os presentes e os cartões. A ceia e a festa. Somos Noite Feliz. Sejamos Natal para nossos irmãos no Ano Novo” (Elo e Ivan, adaptado).
Natal é e o Ano Novo são as festas dos desejos: Desejo Feliz Natal e Ano Novo! “Desejo que em eu seu coração se acenda a fé, esperança, amor e paz”. “.... muita saúde e paz”. “... um Natal de alegria e paz”. “... um Santo e Feliz Natal”. “... as alegrias e as bênçãos de Natal”. “... fraternidade, justiça e paz”. “... que o Natal renove em nós o entusiasmo no seguimento e no anúncio de Cristo Senhor”. “... que o nosso coração seja o presépio mais bonito”.
“Natal é tempo de reconhecer no amor e solidariedade, os sinais de Deus entre nós”(ICF). E eu acrescento também na ecologia.
Aproveito para agradecer os cartões, as mensagens, os presentes recebidos. Não terei tempo para fazê-lo pessoalmente. Por isso, aproveito a coluna generosa do Jornal do Povo a quem agradeço também o presentão de Natal. Meus irmãos e irmãs em Cristo, neles sinto que vocês estão sorrindo para mim, me dando um aperto de mão, me dizendo que me querem bem, que me amam, que eu sou importante para vocês. Quando digo o meu muito obrigado porque não é possível fazê-lo pessoalmente quero dizer a mesma coisa.
Feliz Natal e Feliz Ano Novo em Cristo Jesus, nosso libertador. Amém.
Conversando com o povo de Deus (572). Presente de Jesus ou do Papai Noel?
Meu desejo era conversar sobre Jesus e/ou Papai Noel e queria contar a minha experiência realizada na noite santa de Natal, mas veio a nomeação do novo bispo Dom Remídio José Bohn. Ele veio nos visitar no mesmo dia 28/12, dia do anúncio de sua eleição para bispo de Cachoeira do Sul. Participou na Fazenda Geribá da reunião dos padres e almoçou com eles e os seminaristas maiores. Deu entrevistas às rádios e aos jornais da cidade de Cachoeira e diocese. Atendeu a todos com simplicidade e inteligência. Deixou as melhores impressões. Já marcou com os padres a sua posse para o dia 26 de fevereiro, domingo, às 9h, na Catedral. A posse será dada pelo Arcebispo de Santa Maria, Dom Hélio. Pergunto-me, o novo bispo foi um presente de Jesus ou de Papai Noel? Para entender a minha pergunta eis as minhas considerações
“Olhando à nossa volta parece que o centro da festa do Natal não é este Menino nascido em Belém, mas o bom velhinho, barbas brancas, barrigudo, vestido para o frio. Mas não falemos mal do Papai Noel. Se o Papai Noel tem barba branca, lembremos que todas as imagens de Deus Pai são representadas por um bom velhinho de barba longa, branca. A barba faz parte da cultura do Oriente Médio, berço das religiões monoteístas. Barba branca significa uma idade venerável, sabedoria, impõe respeito. Mostra que é uma pessoa confiável, uma figura paterna, protetora e dadivosa (que dá presentes). Portanto, logo nos lembramos de Deus, Pai do Menino Jesus.
O simbolismo da barriga não é absurdo. Hoje as pessoas querem, através da dieta, do exercício e até de cirurgias, diminuir a famosa “barriguinha”. Na época em que surgiu a figura do Papai Noel, a fome e a magreza eram comuns, um mal temido. Ser uma pessoa “gorda” significava ter comida suficiente, condições para comprar alimentos e até para distribuir aos mais necessitados. (Dar presentes) Que tal, se neste Natal, nos preocupássemos com todos os pobres, especialmente aqueles que dormem nas portas de nossas igrejas, prédios e debaixo de viadutos e recantos do centro de nossa cidade de nossa cidade? Será que não ressoa em nossa cidade a mesma afirmação do Evangelho de Lucas: “não havia lugar para eles?” Não existe Natal sem solidariedade.
Em terceiro lugar, ele é Papai: não é vô, nem tio, nem padrinho. É um Papai que mexe com todos: adultos e crianças. Quantas pessoas, neste Natal, já não podem se encontrar com o seu pai e sua mãe? Quantos não conhecem o seu pai e sua mãe? Neste Natal, não poderíamos ser bons filhos e dar um abraço especial em nosso pai e nossa mãe? Não poderíamos ser bons pais e mães e irmos ao encontro de nossos filhos? Nossa sociedade e nossas igrejas, não poderiam ser mais “papai e mamãe” para os mais pobres e abandonados?”Até aqui as reflexões, por mim adaptadas, de meu amigo Pe. Gustavo Haas, pároco da Catedral de Porto Alegre publicadas no Informativo paroquial.
Na missa de Natal, na periferia da paróquia da Catedral de Cachoeira do Sul (Jesus nasceu não na capital, mas na periferia), procurei fazer a ponte entre o Menino Jesus e o Papai Noel. Foi assim. Este entrou em procissão na igreja comigo, as ministras e crianças. Quando o povo viu o Papai Noel começaram os cochichos. Não estavam entendendo. Pedi que o povo se sentasse e eu expliquei o por que lendo as considerações do Pe. Gustavo. Com isso o povo se acalmou. O Papai Noel cantou junto. Depois de lido o evangelho entrou em procissão com José e Maria e o Menino Jesus. O avô, que nunca tinha ido à uma missa de Natal, representou o pai e a babá representou a mãe. Ambos não podiam estar presentes porque tinham que trabalhar! O Papai Noel se ajoelhou e pegou a criança e elevou para todos verem e disse: “Este é o meu filho muito querido no qual eu coloquei todo o meu amor”. E o povo emocionado bateu palmas.
Na hora da comunhão benzi os pãezinhos para as crianças. Pedi que as crianças viessem para frente e primeiro fizessem um carinho no Menino Jesus e depois se dirigissem ao Papai Noel para receber o pãozinho. Jesus é o pão da vida, que partilhou o pão e disse: “dai vós mesmos de comer”. Ele mesmo se tornou pão para nossa vida. Para os comungantes eu disse: “No Menino do presépio estava oculta a sua divindade e os pastores creram. Na hóstia consagrada também está oculta a sua divindade e nós cremos como os pastores e os magos? No fim da missa, antes da bênção do Natal pedi que o povo se sentasse e perguntei: “Valeu a experiência de fazer o Papai Noel participar da missa? Simmm! Vamos fazer de novo no ano que vem? Simmmm! E espontaneamente bateram palmas. Foi o melhor Natal de minha vida. Jesus é o maior presente que Deus Pai nos fez. Ele nos continua presenteando, crianças, adultos e idosos, com o seu Filho, através do Papai Noel. Ele nos presenteou nesta oitava de Natal com o Menino Jesus através do Papai Noel dando-nos um novo bispo. Alegremo-nos e exultemos. Que estourem as champagnes e os foguetes, que chovam os abraços calorosos e que nos desejemos feliz Ano Novo de saúde, de sucesso, de muito dinheiro no bolso. Que isso queira significar: vamos todos juntos com os nossos bispos e com a bênção de Deus, construir um Ano Novo de 2012. Próspero Ano Novo, Jornal do Povo.
Conversando com o povo de Deus (573) Conversando sobre assuntos diversos.
Você sabia que no dia primeiro de janeiro a Igreja Católica celebra a festa da mãe de Deus e o dia mundial da paz e o povo celebra o Ano Novo do calendário gregoriano, que não fecha com o calendário judaico, islamita e outros? Para nós, também para o mundo laico, estamos no ano 2012 depois de Cristo. Cristo divide a história do mundo em antes e depois. Mas voltemos à festa da mãe de Deus. Como podemos chamar uma criatura de mãe de Deus? Este título nós não encontramos no NT. Maria é criatura. Deus Pai lhe manda o anjo Gabriel para anunciar-lhe a sua escolha para ser a mãe do salvador. Maria livremente sem entender muito bem o como dá o seu sim. Fiat. Naquele momento ela concebe por obra do Espírito Santo. Deus Filho, coeterno com o Pai se encarna. Maria vai gerar na gruta de Belém Deus Filho feito gente. Nesse sentido ela é Mãe de Deus. Essa verdade foi proclamada solenemente no Concílio de Ecumênico de Éfeso (431). Em grego ela é a Teotókos. A Mãe de Deus.
Você disse que é também o dia Mundial da Paz para a Igreja? Sim, há 45 anos que Igreja Católica o instituiu. E cada ano os papas costumam enviar uma mensagem de paz. Para esse 45º aniversário o Papa Bento XVI mandou a mensagem que tem como título: “Educar os jovens para a justiça e a paz”. Ele deseja a todos que o Novo Ano fique marcado concretamente pela justiça e a paz. Embora o mundo de hoje seja marcado pela frustração diante da crise mundial o coração do homem de fé não cessa de aguardar pela aurora. A paz é um dom de Deus e o resultado da colaboração do homem. Por isso a necessidade de educar os jovens para a justiça e a paz. Por quê? Porque eles podem com o seu entusiasmo e idealismo oferecer ao mundo uma nova esperança. Os adultos devem comunicar aos jovens o valor positivo da vida e o serviço ao Bem. A educação é aventura mais fascinante e difícil da vida. Quais aos lugares onde acontece a educação? O papa coloca em primeiro lugar a família. A primeira escola. Os pais não devem desanimar diante dos problemas. Em segundo lugar, se dirige às instituições com tarefas educativas que devem acentuar que a dignidade humana deve ser respeitada em todas as circunstâncias. Em terceiro lugar, dirige-se aos políticos que ajudem as famílias para que possam exercer a sua responsabilidade educativa. Em quarto lugar, apela para mídia para que prestem a sua contribuição educativa. Ela apode influir positiva ou negativamente. Em quinto e último se dirige diretamente aos jovens. Também os jovens devem ter coragem de começar a viver aquilo que pedem. Eles são responsáveis pela sua própria educação e formação para a justiça e a paz.
A educação dos jovens deve ser uma educação para a verdade e a liberdade. “Que deseja o homem mais intensamente que a verdade?”, Santo Agostinho. A liberdade é um dom precioso. Só na relação com Deus é que o homem compreende o sentido da mesma. Dentro do mundo relativista não é possível uma verdadeira educação.
Depois explica a educação para a justiça e a paz. No mundo atual a justiça é generalizadamente pautada pelos critérios da utilidade, do lucro e do ter. A verdadeira justiça antecede a lei positiva como o ser humano antecede a sociedade. A paz não é só ausência de guerra. A paz é fruto da justiça e efeito da caridade. E o papa conclui dizendo é preciso levantar os olhos para Deus. Nós cristãos cremos que a paz em primeiro lugar é dom de Deus e que nossa verdadeira paz é Cristo, pois foi ele que nos reuniu numa única família reconciliada no amor. O papa termina com um apelo: Jovens, não são as ideologias que salvam o mundo. Voltai-vos para Deus. Jovens, sois um dom precioso para a sociedade. Vós servis de exemplo para nós adultos. Não tenhais medo da fadiga. A Igreja confia em vós. Ela vos oferece o que tem de mais precioso: levantar os olhos para Deus, e de encontrar Jesus Cristo – Ele é a justiça e a paz. Eis uma síntese de uma mensagem de seis páginas.
Queria falar ainda sobre a seca. Aqui vão algumas reflexões. Em Cachoeira agora todos se lembram de rezar. Os jornalistas pedem ao novo bispo uma bênção de chuva. “As preces dos fiéis não foram suficientes para satisfazer a necessidade de chuva dos agricultores”. É um momento quando todos os meios materiais falham que se recorre a Deus. Enquanto, muitos dos que agora se lembram de Deus vivem como se Deus não existisse. Deus não é um Deus mágico, nem um Deus tapa-buracos. Criou o mundo com as suas leis e segundo essas leis a seca faz parte. Claro, que hoje sabemos que o homem pela falta de respeito pela natureza desequilibra essas leis. Mas nem tudo se explica ecologicamente. Deus deu ao homem inteligência. Ele sabe que a seca pode vir. Sabe como se prevenir, mas não o faz. Ele sabe também que a irrigação é fundamental, as cisternas, os poços, os açudes, as represas. Claro, que Deus sendo todo poderoso pode sempre intervir, mas não o faz a torto e a direita. Não faz milagres a toda hora. Com tempo e lugar marcados. Com essas observações, convido a todos a rezar. Agradecendo as chuvas passadas, pedindo chuvas para agora e que nos ilumine sobre qual deve ser a nossa atitude presente e futura. É nesse momento que a solidariedade deve crescer. A poupança da água aumentar. Amém.
Conversando com o povo de Deus (574) Uma mensagem para todos.
Mensagem para todos os presbíteros, diáconos, religiosos, seminaristas, ministros, lideranças, membros dos Conselhos de Pastoral e do Conselho Administrativo, setores de pastoral e membros dos movimentos, voluntários, autoridades civis, judiciárias, militares e demais irmãos do povo de Deus da diocese de Cachoeira do Sul.
A vida é dinâmica. Não volta. Somos concebidos. Nascemos , crescemos: infância, adolescência, juventude, adulto, idoso. Sonhos. Estudos, franciscano, sacerdote, bispo. Ou resumidamente, nascemos, crescemos e morremos. É a vida. A vida biológica. Enquanto ela decai a vida do espírito cresce e amadurece. Foi muito bom ter sido bispo de Cachoeira. Nunca ganhei tantas graças na minha vida como aqui em Cachoeira. Foi um privilégio. Louvado seja Deus. Chegou a hora de passar o meu ministério episcopal para outro mais jovem. Continuarei como bispo. Uma vez bispo sempre bispo. Mas agora como bispo emérito. Dom Remídio com 61 anos, cheio de vigor, me substituirá. Virá com novos sonhos, novos planos. Continuará as coisas boas que foram semeadas pelos seus antecessores. Completá-las-á se necessário. Corrigirá outras. Iniciará novas. É a vida que se renova. Pessoas que não sintonizaram comigo terão chances de se sintonizar com ele. Eu continuarei rezando pelo novo bispo, pela diocese, por vocês todos. Enquanto eu era jovem a gente estava no campo jogando. Agora chegou a hora de torcer, de apoiar as jogadas dos mais jovens no campo da vida. De apoiar e vaiar. Não. Vaiar não convém.
Pretendo no momento me retirar. Primeiro descansar. Desintoxicar-me. Ter uma vida mais calma sem tantos compromissos. Horários. Correrias. Gostaria de visitar os lugares onde trabalhei, ao menos alguns. Visitar com calma as cidades da fronteira que eu não visitei. Visitei 38 países no mundo e pouco conheço do RS. Gostaria de rezar mais. Meditar mais. De ler mais. De escrever. Dar palestras. Ajudar nas missões populares. Mas não ter mais tanta responsabilidade e tanta cobrança. Deus trabalhou seis dias e no sétimo descansou. Posso dizer com S. Paulo combati o bom combati, guardei a fé, só me resta no fim esperar a coroa da glória que é reservada para aqueles que perseveram até o fim.
Meus caríssimos irmãos e irmãs de nossa pequena, mas querida diocese. Obrigado por ter-me acolhido com amor e carinho. Com tantas manifestações de afeto. Não pelos meus méritos, mas por aquilo que eu representava. Jesus Cristo o bom pastor. Procurei sê-lo. Procurei transmitir a sua paz e alegria. Cristo é o príncipe da paz. “Eu vos dou a minha paz”. Procurei levar a reconciliação. Ser ponte. Muito me entristeciam as divisões. As competições. De outro lado eu vibrava com a generosidade, com o sacrifício de padres, diáconos, ministros e lideranças, leigos em favor da Igreja de Jesus Cristo. Fazendo de nossa diocese a nossa Terra Santa. Fazendo aqui o que Cristo fez lá na Palestina. Mostrando assim o rosto de Cristo como discípulos e missionários seus.
Sempre procurei caminhar com as lideranças e o povo da diocese. Entusiasmei-me com as Romarias. Coloquei todo o meu esforço nos melhoramentos do Parque do Santuário Maria Mãe do Redentor. Juntos nós completamos a cobertura do altar. Fizemos o altar de mármore e o piso. A bela imagem de N. Sra. Maria Mãe do Redentor no alto. Construímos o pavilhão de festas e encontros, o pórtico, o almoxarifado, a capelinha, o asfalto, a guarita e a nova cruz. Digo nós juntos: com o suor e generosidade de muitos colaboradores e benfeitores pequenos e grandes, brasileiros e estrangeiros e com a bênção de Maria Mãe do Redentor. Feliz a religião que tem uma mãe.
Juntos pagamos as dívidas do Centro de Formação e depois melhoramos e reformamos o Seminário Menor, em seguida compramos, reformamos e mobiliamos o Seminário Maior de Camobi em Santa Maria, nos empenhamos no sustento dos nossos dois seminários e na promoção vocacional.
Juntos nós organizamos o dízimo, o sustento da diocese, novas fontes de renda, a unificação de nossa administração diocesana e paroquial.
Juntos nós fizemos as duas Missões Populares, uma já em andamento quando fiquei bispo de vocês e a outra com os franciscanos.
Não nos temos esquecido da juventude, das pastorais sociais, da formação, da comunicação A catequese deu um grande passo para frente. A grande novidade foi a leitura orante da Bíblia. A redescoberta da Bíblia. O curso de diáconos. Tantas coisas maravilhosas que Deus fez através de nós nesses 11 anos e alguns meses. Não é possível se lembrar de todas, nem citar. Deus sabe. Nós preparamos o terreno, plantamos, semeamos e regamos, mas Deus deu o crescimento no tempo oportuno. Houve coisas que decresceram ou desapareceram. Por tudo louvado seja Deus. Vamos acolher o novo bispo D. Remídio com alegria e entusiasmo como o fizeram com Dom Ângelo e comigo. Ele é agora o nosso novo bispo. “Dom Ângelo colocou os fundamentos, Dom Irineu construiu, Dom Remídio vai fazer as melhorias” como disse uma leiga. Que o Bom Deus por intercessão de nossa querida padroeira Maria, Mãe do Redentor, abençoe a todos hoje, amanhã e sempre. Amém