
Artigos do Bispo
Dom Irineu
Conversando com o povo de Deus (434). Mães, nós vos amamos.
Maio, mês de Maria. Maio, mês da Mamãe. Eu não pedi para nascer. Quando acordei para a vida eu estava no colo de uma senhora, que me dava de mamar. Disseram que era a minha mãe. Ao lado estava um senhor feliz da vida porque tinha nascido um homem. Disseram que era meu pai. Eu não pedi para nascer. Eu não escolhi a mamãe, eu não escolhi o meu pai. Eles queriam um filho ou filha. Só Deus quis a mim, assim como eu sou: de origem alemã, cor branca, teuto-brasileiro, nascido debaixo de um pinheiro em Linha Pinheiral, Santa Cruz do Sul, RS, Brasil. Filho de colonos. Por quê? Não sei. Sim sei, porque Deus me ama e tem um projeto comigo.
Bendito seja Deus pelo dom da vida, pelos pais que me deu. Neste segundo domingo, celebramos o dia da mamãe. Bendito seja pela mãe que me deu. Até os dozes anos vivi com ela, quando fui para o internato dos padres franciscanos holandeses em Taquari. Dizia: “Eu quero ser padre, se não der certo o estudo não se perde”. Mas mamãe não acreditava muito na minha vocação. “Pode ir”, dizia ela. “Dentro de uma semana você estará de volta. Os padres não vão agüentar um menino travesso como você”. Nos primeiros dias chorei de saudades nos cantos. Molhei o travesseiro. Mas agüentei. Em casa tinha só a irmã para brigar, aqui no seminário eu tinha 200 colegas, entre grandes e pequenos. O contato com a família acontecia através de uma carta mensal. Telefone nem pensar. O primeiro grande encontro foi em Pentecostes, quando papai e mamãe me vieram visitar. Foi no dia de Pentecostes, chamado também de Dia dos Pais. Que felicidade. Depois era esperar pelas férias de dois meses: dezembro e janeiro. Assim castiguei mamãe durante sete anos. Coitada. Mas ela agüentou porque era para a felicidade de seu filho, que queria ser padre.
Mas as coisas pioraram. Entrei no noviciado e mudei de nome. Mamãe tinha um filho novo, com nome novo: Frei Rodolfo. Naquele tempo era assim. Fiquei três anos sem poder visitar a mãe. Antes de seguir para Divinópolis, MG, pude tirar uma semana de férias. E então foram quatro anos sem férias. Ordenado sacerdote em 15/07/1962, pude em janeiro vir a Santa Cruz para celebrar a minha primeira missa solene e ficar com a minha família, com a minha mãe, durante um mês! Depois mais um ano em Minas, em Belo Horizonte, por um ano... Fiquei então três anos perto dela, em Lajeado e Passo Fundo, quando os meus superiores me mandaram para Roma para fazer doutorado em Teologia. Quatro anos sem vir para o Brasil. Coitada da mamãe. Mas ela não se podia opor, era para o bem do filho.
Depois então fiquei 15 anos em POA, quando voltei para Roma para mais seis anos! Mas Deus foi bom, foi ótimo, porque neste período consegui visitá-la todos os anos. Quando fui eleito Conselheiro Geral pela América Latina na Ordem dos Franciscanos eu disse à Mãezinha do Céu: “Eu aceito. Eu confio a vida de minha mãe a você. Cuide dela”. E ela cuidou. Mamãe faleceu depois que eu voltei definitivamente para o Brasil, em 1993. Bendito seja Deus pela mãe que me deu. Obrigado mamãe porque você disse sim à concepção. Obrigado porque você respeitou sempre a minha vocação e a apoiou. Em você, eu homenageio todas as mães. A mãe negra, a mãe mulata, a mãe índia, a mãe branca, mães de todas as religiões. Que Maria, a Mãe do Redentor e Mãe nossa, abençoe e proteja a todas as mães. “Dai-me mães santas e eu transformarei o mundo”, dizia o Papa São Pio X. Mães, nós vos amamos!
Conversando com o povo de Deus(435) Acordo Brasil e Santa Sé (1).
O Acordo firmado sob a égide do Papa Bento XVI e do nosso presidente Lula, no dia 13 de novembro de 2008, no Vaticano, através de seus representantes o Ministro do Exterior do Brasil e do Secretário de Estado do Papa, é um acordo de mútua cooperação entre o Estado Brasileiro e a Santa Sé. Estabelece, em termos jurídicos, as relações entre a Igreja Católica e o Brasil. Recolhe num único texto legislativo, o estatuto jurídico da Igreja Católica no Brasil, dando-lhe força de um tratado internacional.
A Igreja Católica e o Estado, até a proclamação da República, estavam unidos pelo Padroado. A religião católica era a religião do oficial estado. Com a proclamação separou-se religião e estado. Mas a situação não podia ficar sem uma regulamentação jurídica. Em 07 de janeiro de 1890, no Decreto 119A de Deodoro da Fonseca reconhecia-se a existência da Igreja Católica no Brasil, contrariamente do que tinha acontecido na França, que a decretou extinta. Mas aos poucos começou-se a sentir necessidade de elaborar mais leis complementares para regularizar as atividades de mútua incidência. O que o Acordo assinado em Roma procura fazer? Reunir todas as leis já existentes num Acordo bilateral, porque dispersas e por isso, muitas vezes, ignoradas.
Este Acordo não impede que outras Igrejas, outras religiões façam o mesmo. Por ele não se volta a unir novamente a Igreja ao Estado. A Igreja Católica não se torna a religião oficial do Estado Brasileiro. Não se está privilegiando uma Igreja. Mas está se regulamentando juridicamente o relacionamento de uma Igreja, do qual participam mais de 70% de brasileiros.
Este é um acordo internacional, regulamentado pelo direito internacional. Não é qualquer acordo. Por isso, ele foi pensado, estudado. Não só pela Santa Sé, através principalmente da Nunciatura Apostólica e da Secretaria de Estado do Vaticano, mas também pelo Governo Brasileiro, através de seus Ministérios, principalmente: Ministério do Exterior, da Justiça, da Educação e outros. Escrito, discutido, corrigido e reescrito. Isso durou anos. Depois de aprovado pelo Brasil e pela Santa Sé, o Acordo foi assinado oficialmente sob a égide do Papa e do Lula. Portanto, é um Acordo bem estudado. Pensou-se em tudo. Nas conseqüências. Nas reações. Na justiça, etc.
Mas todo Acordo internacional precisa ser aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado para que se torne lei. Fui informado de que o Acordo começou a ser estudado na Câmara Federal por duas Comissões: a da Justiça da Câmara e da CREDN.
Chegou o momento de pressionar os nossos deputados federais e senadores pedindo que apóiem a aprovação do mesmo. Até agora só o Deputado Vieira da Cunha me respondeu, garantindo o seu apoio e o Senador Pedro Simon também. É preciso que aqueles que estão convencidos do bem que este Acordo fará para o Brasil e a Igreja se manifestem publicamente. É preciso desfazer alguns preconceitos ou mal entendidos como a faculdade de poder ensinar a religião católica e outras, no ensino fundamental público. (Continua)
Conversando com o povo de Deus (436) Acordo do Brasil com a Santa Sé(2).
Tomo a liberdade de reeditar o Conversando com o povo de Deus (411), publicado no JP de 29 e 30/11/2008, já que o assunto voltou à discussão:
“Gostaria de resumir para os meus amigos leitores este Acordo entre estes dois Estados, conforme as explicações dadas pela Nunciatura Apostólica a todos os Bispos do Brasil. Penso que é um assunto muito importante, não só para católicos como para outras confissões religiosas também. O Acordo recolhe num texto só o estatuto jurídico da Igreja Católica no Brasil. Ele tem a força de um tratado internacional. Estes acordos são assinados pela Santa Sé com muitas nações católicas ou não. Depois do Concílio Vaticano II foram assinados mais de cem. Até com nações não Católicas. Quando digo: Santa Sé, digo Vaticano com Estado.
O Acordo com o Brasil não foi chamado de Concordata, porque esta regula em todos os seus aspetos, a situação jurídica da Igreja Católica. No caso do Acordo com o Brasil não se regulamenta os feriados religiosos. Além disso, a palavra Concordata pode ferir por questões históricas o princípio da justa e positiva laicidade do Estado. A recíproca autonomia.
A Igreja Católica não recebeu privilégios, nem houve discriminação pelo Acordo de outras confissões religiosas. A Igreja Católica não busca privilégios. O Acordo apenas confirma, consolida e sistematiza e explicita o que já existia. A Igreja Católica que representa no Brasil mais de 70% da população defende a liberdade religiosa para todos. Outras confissões poderão fazer o mesmo que fez a Igreja Católica. Só não poderão celebrar o Acordo internacional já que elas não são como a Santa Sé (Estado), membros da Comunidade internacional como tal.
Os pontos mais importantes do Acordo são a reafirmação da personalidade jurídica da Igreja Católica e de suas instituições: a CNBB, Dioceses, Paróquias Institutos Religiosos. Também o reconhecimento da filantropia e de benefícios tributários, no pleno respeito às leis e em condições de paridade com as outras entidades civis da mesma natureza; a colaboração com o Estado no campo cultural; o direito da assistência religiosa aos internados em institutos de saúde e similares ou detidos nos princípios, que, livremente o requeiram; a importância de assegurar paridade às escolas católicas com as demais, segundo o princípio de efetiva igualdade e liberdade religiosa; o ensino católico, como de outras religiões, nas escolas públicas de ensino fundamental; o reconhecimento dos efeitos civis, não só do casamento religioso, mas também das sentenças eclesiásticas em matéria matrimonial; a destinação de espaços para fins religiosos no planejamento urbano; a clara exclusão do vínculo empregatício entre padres e Dioceses, entre religiosos e seus Institutos; o direito dos Bispos de pedir visto para os missionários estrangeiros, etc.
O reconhecimento da personalidade jurídica da Igreja Católica não é uma nova prerrogativa. Este já existe desde 1890 quando aconteceu a extinção do padroado. Havia algumas dúvidas de interpretação que surgiram quanto à personalidade jurídica das paróquias e demais entidades jurídicas eclesiásticas, especialmente, nos cartórios, em ambientes bancários e prefeituras”.
Recordo que o Tratado Internacional precisa de ratificação de nossos Deputados Federais e Senadores. Converse com o Deputado ou Senador de sua cidade ou região. Ou então mande um e-mail, pedindo o seu apoio para a aprovação do mesmo. Um tratado Internacional não admite emendas. Ou se aprova ou se o rejeita integralmente. Não há meio termo. (Continua)
Conversando com o povo de Deus (437) Acordo do Brasil com a Santa Sé (3)
“Continuemos com o resumo iniciado na semana passada. O ensino da religião católica, previsto no Acordo, nas escolas públicas de ensino fundamental se concilia com a laicidade do Estado Brasileiro como também com a Constituição. Esta no art. 210 determina: O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental. É inegável que o ensino religioso não deve ser de uma religião genérica, que não existe. Cada fiel tem o direito de receber, se quiser, a educação religiosa conforme a sua fé. Por isso, no Acordo, foi mencionado expressamente, além do ensino religioso católico, também o de outras confissões religiosas. Isto já acontece no Rio de Janeiro, cuja lei foi confirmada como constitucional pelo Tribunal de Justiça do Estado. Esta lei é democrática e leiga, porque só será ministrada aos que o requeiram. (este artigo é o que causa mais polêmica. Os críticos são na maioria evangélicos, mas há também católicos leigos e padres. Mas me parece sem razão).
O reconhecimento dos efeitos civis do casamento religioso já está no Código Civil. Acrescentou-se a homologação das sentenças eclesiásticas em matéria matrimonial. O processo de homologação de sentenças estrangeiras é pacificamente reconhecido pelo Brasil.
O não reconhecimento do vínculo empregatício trabalhista entre os padres e as Dioceses não fere a legislação trabalhista brasileira? Não, porque já está clara e unanimemente definido pelo magistério da doutrina jurídica e pela jurisprudência trabalhista, solidamente amparada nos preceitos da Constituição. Isso vale também para pastores, rabinos e outros. Exceção a este artigo é o desvirtuamento religioso, isto é quando se trata de instituições, segundo juízo provado, que se dedicam a explorar o sentimento religioso do povo com fins lucrativos. O artigo trata também do voluntariado exercido na Igreja. Este artigo me parece muito importante para a vida prática da Igreja.
O Acordo garante à Igreja a imunidade tributária e atribui os mesmos tratamentos das entidades filantrópicas. Isto não fere o princípio de igualdade de todos perante a lei? Não, porque os termos do Acordo são os mesmos reconhecidos pela Carta Magna do Brasil. O STF, em 18/12/2002, estende na sua interpretação, a imunidade dos prédios destinados ao culto também ao patrimônio, à renda e aos serviços relacionados com as suas finalidades essenciais, que são atividades de caráter caritativo e social. O que vale também para qualquer culto religioso, não só católico.
O art. 14 do acordo prevê na previsão relativa ao planejamento urbanístico o incluir de espaços a fins religiosos. Isto não é contra a Constituição que estabelece a autonomia dos municípios de matéria de planejamento urbanístico, porque o artigo não comporta nenhuma imposição, mas somente um empenho da União. Além disso, o Estatuto das Cidades confirma a competência da União de legislar sobre normas gerais de direito urbanístico.
Os art. 7º e 8º garantem proteção dos lugares de culto e liturgias da Igreja Católica e o direito de dar assistência religiosa nos estabelecimentos de saúde, prisionais e similares. Quais são os fundamentos jurídicos? Estes artigos são contemplados pela Constituição no art. 5. Estas normas são válidas para todas as confissões religiosas.
Este Acordo entrará em vigor depois de aprovado pelo Senado Federal e Câmara dos Deputados. Oxalá que isso aconteça quanto antes para um relacionamento seguro e claro, pacífico e proveitoso entre o Estado brasileiro e a Igreja Católica, para o bem de todo o povo brasileiro, sem prejudicar a ninguém”. Reedição do Conversando (412), publicado no JP no de 06 e 07/12/2008.
Que nossa Senhora Aparecida do Brasil ilumine e abençoe os nossos Deputados Federais e Senadores. Amém.
Conversando com o povo de Deus (438) Peregrinando (1)
O homem é um ser peregrino. Caminhante. Quem de nós vive ainda na mesma casa em que nasceu? No mesmo local? Ainda que assim seja, a gente sente necessidade de peregrinar, de viajar. Assim o Pe. Edson sonhou um dia de fazer uma viagem à Roma e à Terra Santa. Mais começou a sonhar com ele. E no dia 18 de maio esse sonho se tornou realidade. De madrugada saiu da Igreja S. José, Cachoeira um ônibus com 29 peregrinos cachoeirenses, que em POA se tornariam 33. O Pe. pensou em tudo. Poderíamos ser assaltados. E lá se iriam os nossos dólares! Por isso, conseguiu que o nosso ônibus fosse escoltado por agentes da segurança. Ele mesmo comprou os seus dólares só no aeroporto! O seguro morreu de velho!
A nossa guia, tours líder, Rosemeire da UNITUR nos estava esperando em POA para nos levar e trazer de volta. Isso nos deu segurança. De POA a S. Paulo tudo ok, tudo dentro do horário. Algumas pessoas, dentre eles o eclesiástico, nunca tinham viajado de avião. Haviam passado por dias de preocupação. Problemas de estômago, etc. Ainda bem que o avião da Air France caiu só em 31/O5. Mas aos poucos viram que não havia motivos para maiores preocupações.
De S. Paulo a Roma, 11 horas de vôo. Mas saímos com 3 horas de atraso. A tripulação estava um tanto “estressada”. Uma viagem é sempre uma aventura. Quem não tem espírito de aventura que não viaje. O principal é chegar seguro ao fim da viagem e não o tempo que se precisa.
Em Roma nos estava esperando o guia italiano com o ônibus. “Estamos em Roma”. Que impacto. A Roma dos Césares. A Roma do Papa. A Roma eterna. E eu revendo a cidade onde morara 4 anos e depois mais 6. Fomos, por acaso do atraso, diretamente para visitar o imponente Coliseu, de 50 metros de altura, o maior estádio esportivo do império romano, onde lutavam os gladiadores na presença do imperador, onde cristãos foram lançados às feras. Aqui todos os anos na 6ªfª Santa, o Papa participa da Via Sacra. De um lado fica o arco de triunfo de Constantino Magno e um pouco adiante o de Tito e Fórum Romano. Do outro lado, na colina, fica o palácio de Nero, o grande inimigo dos cristãos, que deu a culpa a eles de terem incendiado Roma.
Algumas observações: o cansaço nosso depois de 11 horas da viagem. O grande número de vendedores ambulantes ao redor do Coliseu, de diversas nacionalidades e principalmente de Bangladesch. Quando chega a policia eles desaparecem num abrir e fechar de olhos. Até real eles estavam aceitando. Uns até algumas palavras em português sabem dizer. Depois, queríamos almoçar. Queríamos, digo. Na hora do controle faltava um casal. Tinha se perdido do grupo. E agora? Entre rezas e procuras, com alguma angústia tudo foi resolvido. “No céu há maior alegria por um só pecador convertido do que por 99 que não precisam de conversão”, disse Jesus. Enfim, tiramos a barriga da miséria almoçando a la italiana. E fomos para o Hotel Pinetta perto do Hospital Gemelli, que atendeu o Papa João Paulo II na sua enfermidade. Lá, enfim, conseguimos tirar as nossas malas do ônibus. Receber o número do quarto, tomar um banho e descansar um pouco até o jantar. Ninguém é de ferro!
Este foi o primeiro dia de nosso turismo religioso em Roma. E todos viram quer foi muito bom, não obstante alguns percalços. O lema de nossa peregrinação foi: “Com Maria, discípulos e missionários de Jesus”. (Continua).
Conversando com o povo (439) Peregrinando (2)
“Bispo, você vai continuar a falar sobre a nossa viagem?”, perguntou alguém, no 1º encontro dos peregrinos, anteontem à noite na casa de retiros. “Vai”, respondi eu. A sua pergunta foi para mim um sinal de que eu não deveria interromper a série. De fato, eu estava com vontade de conversar sobre “Mudanças Climáticas e Justiça Social”, tema do simpósio internacional realizado de 08 a 10 desta semana, em Brasília, do qual participei como convidado.
Dia 20 de maio de 2009, data histórica. Às 9h30min, um grupo de cachoeirenses, já estava na Praça S. Pedro, esperando ver o Papa, pelas 11h... Sim, era preciso assegurar um lugar privilegiado para vê-lo, fotografá-lo e filmá-lo. Mas esperar tanto tempo no sol, por que tanto sacrifício? Quando se trata de realizar um grande desejo, tudo se torna um peso leve e um jugo suave. O tempo passou rápido com números folclóricos apresentados por grupos de diversos países. Eram ensaios na realidade para apresentar para o Papa. Gente vestida com as vestimentas típicas de sua terra. A gente pensou, porque não viemos pilchados? Fica para a próxima vez! Quando apareceu o Papa desfilando em carro aberto foi aquela explosão. O povo ovacionando. As pessoas gritando: “Viva o Papa”. Se acotovelando, cada um procurando o melhor lugar. A nervosia fez com que alguns de nós acabassem filmando só os pneus do carro do Papa. Outros ficaram na hora sem bateria para filmar. Uma confusão. Diversos dos nossos diziam: “Mas o importante é que passou perto de mim. Quase o pude tocar. Ele sorriu para mim e abanou”. Para nós ele é o representante máximo de Jesus Cristo aqui na terra. O sucessor de S. Pedro. O chefe da Igreja Católica. A maior Igreja cristã. Eu me imaginava num campo de futebol. No meio da torcida vibrante. Eu como bispo, pude ficar atrás do Papa com outros bispos a poucos metros de distância. Muitas vezes as pessoas perguntam: “Você gosta de ser bispo?” Nestas ocasiões de maneira especial! O Papa desceu do carro aberto e assentou-se e falou, em italiano, para todos. Foi aquele silêncio. Ele nos contou a sua viagem de paz à Jordânia e Israel. E concluiu: “Na Terra Santa é possível sair do espiral da violência”. A viagem papal foi vista de maneira positiva tanto da parte de Israel como dos árabes. Depois o Papa resumiu a sua fala em inglês, francês, alemão, espanhol, polaco e outras línguas. O secretário apresentou ao Papa os peregrinos do Brasil, citando nominalmente só “os peregrinos de Cachoeira do Sul, guiados por seu bispo Dom Irineu”. Depois de terminado tive a possibilidade de apertar a mão do Papa e pedir uma bênção especial para a minha diocese. Uma bela foto marca este instante histórico.
Após fomos recebidos, franciscanamente, por Dom Cláudio Hummes, um gaúcho que foi candidato a Papa, numa ampla sala, onde falou sobre a sua missão de ajudar o Papa através da Congregação do Clero. Fez questão também de ouvir os leigos. Ele estava com o seu Secretário pessoal Pe. Manoel, que foi o orientador da tese de mestrado do Pe. Edson na PUC em POA. Estava conosco também o cachoeirense Ir. Cléo Gofas, seminarista dos Legionários de Cristo, que em Roma está terminando a filosofia. Todos nós achamos o encontro o máximo.
De tarde visitamos Fontana di Trevi (A fonte da sorte), Panteón (O templo de todos os deuses), Piazza Navona (Lá fica a embaixada brasileira), onde nós se demos conta que tínhamos perdido uma ovelha do grupo. De novo! A guia e a Irmã religiosa ficaram para achar a ovelha perdida. Quem procura acha. Acharam. Os outros foram visitar a casa dos Palotinos, onde fica o corpo do fundador, S. Vicente Palotti. Este foi o segundo dia de nossa peregrinação. (Continua)
Conversando com o povo de Deus (440) Peregrinando (3)
Dormi mal. Quem já não dormiu mal? Mas depois veio a recompensa. Recebi dois beijos porque tinha conseguido a visita, fora de programa, no dia anterior, à Igreja de S. Vicente Palotti. Reparti com o Pe. Edson, que se empenhou muito também para que isso acontecesse.
Ah, sim! Me esqueci também de contar que, ontem, dia 20/05, visitamos a Basílica de S. Paulo fora dos Muros. Lá repousam os restos mortais do grande apóstolo, o maior dos missionários, aquele que abriu o mundo grego-romano pra o cristianismo, aquele que escreveu as chamadas epístolas paulinas. Foi tocante poder rezar de mãos dadas diante da sua sepultura. Aqui na Basílica temos também os medalhões dos 265 Papas da história. Papa Bento XVI também já está lá.
Iniciamos o dia 21 com o novo motorista Roberto. A missa foi na catacumba de S. Calisto, na capela de Santa Cecília. Comovente. O passado não fala, clama. Calisto foi um escravo, que se tornou diácono, presbítero e depois Papa. Eu sempre pensava que os cemitérios em todo mundo fossem ao ar livre. Não, em Roma nós temos quilômetros e quilômetros de cemitérios subterrâneos: catacumbas. Roma se presta a isso por causa de sua terra vulcânica. São galerias subterrâneas, que chegam 20 metros de profundidade, em cujas paredes se faziam as tumbas. Às vezes, serviu também de refúgio para os cristãos perseguidos. As catacumbas são o lugar de sepultura dos cristãos. Se tornaram o santuário dos mártires, onde eles eram venerados. Na catacumba de S. Calisto estão sepultados 56 mártires e 18 santos dos quais conhecemos o nome, entres estes 16 Papas e vários bispos. As relíquias dos mesmos, durante a idade média foram levadas pelos Papas para a cidade. “O sangue dos mártires é semente de novos cristãos”. E o cristianismo conquistou o império romano.
De lá fomos a Santa Maria Maggiore (Maior), a primeira igreja do mundo que foi dedicada a N. Sra. Ela apareceu ao Papa, pedindo que lhe fizesse uma Igreja e ela iria indicar o local. O sinal foi: em pleno verão europeu, em agosto, caiu neve no local. E o Papa mandou construir a Igreja aí. Ela é uma das 04 Basílicas Papais de Roma, S. Pedro, S. Paulo, e S. João do Latrão. Lá a tradição mostra o Sagrado Presépio de Jesus. Lindíssima.
Depois visitamos a Basílica de S. João do Latrão. Os Papas moraram aqui de Constantino Magno depois de 313 a 1500 e pouco, quando foram para o Vaticano. Esta Igreja é considerada a Igreja mãe de todas as Igrejas do mundo. Aqui se celebraram diversos concílios ecumênicos. Aqui S. Francisco e os seus companheiros foram ao Papa Inocência eu, pedindo a aprovação de sua regra de vida. Aqui do lado, o Pe. Hélvio fez o seu curso de Direito canônico. A uma quadra daqui morei quatro anos. Aqui do lado fica o local da Escada Santa trazida de Jerusalém. Aqui...
De tarde visitamos a Basílica S. Pedro. A maior basílica do mundo. Fantástica. Maravilhosa. La Pietá. A cúpula. A obra monumental de Miguel Ângelo. O que não foi capaz de produzir o gênio humano! Depois vão dizer que o ser humano é apenas matéria. Que com a morte termina tudo. Aqui jazem os restos de S. Pedro, a quem Cristo disse: “Tu és Pedro e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. A quem foi dito: “Pedro tu me amas mais do que estes? Tu sabes que te amo. Então, apascenta os meus cordeiros”. “Pedro, eis que Satanás te quis moer como trigo... Tu uma vez confirmado, confirma os teus irmãos na fé”. Na cripta visitamos os túmulos dos Papas entre eles o saudoso Papa João Paulo II. “Santo súbito”, pedia o povo no dia de seu sepultamento. Este foi o terceiro e o último dia em Roma. E todos acharam que foi o máximo. No outro dia seguimos para TEl-Aviv.
Conversando com o povo de Deus (441) Peregrinando (4)
Estamos finalmente na Terra Santa. A viagem de Roma a Tel-Aviv durou três horas e dez minutos. As malas todas chegaram. Que bom. Todos passaram bem pela alfândega, só o mais jovem por ser menor... de 50 anos foi detido e interrogado. Como estava de vermelho, a turma pegou o pé dele, dizendo que era por causa da camiseta! Adivinha quem foi o tal do menor!
Por causa do atraso na saída de Roma, por causa dos problemas com o Pe. Edson na alfândega, o programa previsto da tarde ficou para o outro dia. Seguimos de ônibus com o motorista Owade e a nossa guia judia, Siva, até o nosso hotel Astória em Tiberíades, cidade construída em honra do imperador Tibério, junto do lago de Tiberíades, chamado também de mar da Galiléia e de Genesaré. Mar para o povo porque tem 21km de comprimento por 11 de largura com 45 metros de profundidade. Fica a 210m abaixo do nível do mar. Dia 22/05, 6ª.fª, estávamos finalmente na Terra de Jesus de Nazaré. E este foi o 4º dia de nossa viagem.
Dia 23, iniciamos a nossa visita ao Monte Tabor. Primeiro uma parada pra apreciá-lo de longe. Belo. Majestoso. Depois ao chegarmos ao sopé do Monte tivemos que subir de vã. Por quê? Sempre foi assim! Lá Jesus se transfigurou diante de Pedro, João e Tiago, mostrando toda a sua glória. O NT fala de uma alta montanha e do monte santo. Os cristãos durante a história construíram aqui uma Igreja, primeiro no tempo bizantino. Destruído em 614 pelos persas, foi reconstruído pelos cruzados entre 1099 a 1292. Destruído pelos muçulmanos ela foi reconstruída pelos franciscanos em 1924, que são os principais zeladores dos Lugares Santos.
De lá seguimos para Nazaré, lá Jesus viveu a maior parte de sua vida. A missa foi lá na Igreja S. José construída sobre a casa e a carpintaria, onde Jesus viveu, exerceu a profissão de marceneiro com o seu pai adotivo. Que emoção. Pe. Edson pregou e chorou. As lágrimas foram mais eloqüentes que as suas palavras. Depois visitamos a cripta, onde fica um pequeno poço da antiga Igreja, no qual os catecúmenos eram batizados por imersão. Almoçamos na “Fontana di Maria”, perto dali Maria buscava a água para a cozinha! E depois a visita á maravilhosa Basílica da Anunciação. Aqui Maria escutou a saudação do anjo: “Ave Maria cheia de graça. O Senhor é convosco... Sereis mãe do Filho do Altíssimo... Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a vossa palavra”. Aqui Deus Filho se fez homem. Aqui foi início de nossa redenção. Deus quis depender do sim de uma mulher. Assim Deus nos amou.
A última etapa foi Haifa, porto marítimo, a 69 km de Tiberíades,onde visitamos o Monte Carmelo, que nos fala fortemente do profeta Elias, o profeta do Deus único, que venceu a aposta de fogo com os 400 sacerdotes de Baal. Veja 1Reis 18,ss. Aqui surgiu a Ordem dos Carmelitas, que espalharam pelo mundo a devoção do escapulário de N. Sra. do Carmo. Todos nós levamos muitos escapulários para a família e amigos. O carmelita caçapavano D. Antônio Cheuche passa meses aqui em estudo, oração e meditação. Aqui também se encontra o famoso Templo e Mausoléu de Bahai com os seus jardins subindo o monte. Fantástico. Tão paradisíaco que até me esqueci do tombo que eu levei em fevereiro do ano 2.000, ao sair do Hotel na escada para o mar! Voltamos alegres e espiritualizados para o nosso hotel. Este foi o quinto dia.
Associo-me a todos aqueles que estão prestando uma merecida homenagem ao JP pelos seus 80 anos de existência. Diz o Salmo 89,10 que os homens mais fortes chegam aos 80. Data de agradecimento e de grandes sonhos. Que Deus abençoe e proteja a todos: Direção, Funcionários e Leitores.
Conversando com o povo de Deus (442) Peregrinando (5)
Dia 24/05, domingo, visitamos o Monte das Bem-aventuranças, que começa à beira do lago de
Tiberíades (de Genesaré ou da Galiléia) e sobe até 200 metros. Lá no alto se construiu o Santuário das Bem-aventuranças, não porque aqui Jesus pronunciou o Sermão da Montanha, foi mais perto do lago, mas porque é o lugar mais bonito. Tem se uma vista fantástica do lago-mar. Lá celebramos a missa debaixo de uma árvore. Outros locais estavam ocupados por outros peregrinos, como o próprio Santuário. “Vendo as multidões, Jesus subiu a montanha e sentou-se. Os discípulos se aproximaram e ele começou a ensinar: “Bem-aventurados (Felizes) os pobres no espírito, os que choram, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os pacíficos” (Mt 5, 1ss). Tocante.
Depois descemos até a Igreja do Primado junto do lago. Aqui Jesus assou peixes para os apóstolos, após a pesca milagrosa. Na Igrejinha há uma pedra que lembra isso. A mensa Christi (A mesa de Cristo). Aqui Pedro recebeu de Jesus o primado, que lhe tinha sido prometido em Cesaréia de Felipe: ”Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. Aqui Jesus diz a Pedro: “Apascenta os meus cordeiros” por 03 vezes (Jo 21,1-17). Aqui estiveram os Papas Paulo VI em 1964 e JP II, em 24/05/2005. Exatamente há 04 anos atrás. Ao lado há um conventinho franciscano, onde em 1992, fiz um retiro individual de 03 dias.
De lá seguimos 2,5km até Cafarnaum(a 16km de Tiberíades). Cidade que ficava no caminho do mar, de lá se vai para Damasco. Cidade onde se cobravam impostos. Cidade estratégica que Jesus escolheu como centro missionário. Aqui S. Pedro tinha a sua casa, na qual Jesus se hospedava. Sobre ela foi construída uma igreja bizantina octogonal e hoje temos sobre as ruínas da mesma o Memorial de S. Pedro. Além disso, temos as ruínas de uma majestosa sinagoga construída sobre a aquela do tempo de Jesus. Aqui em Cafarnaum aconteceram tantas coisas: a cura da sogra de Pedro, do paralítico descido pelo telhado e o perdão de seus pecados, muitas outras curas como a da hemorroíssa e a ressurreição da filha de Jairo, o discurso sobre o pão da vida. ”Eu sou o pão da vida”. Aqui se encontram restos de moinhos para moer os grãos e de fazer azeite, o candelabro de sete braços, etc. Destaco ainda que é a cidade não só de Pedro, mas também de André, e Mateus, o cobrador de impostos. O almoço foi em Tabga, onde experimentamos o peixe de S. Pedro, que me lembrou de tanta coisa. Lindo ver da mesa, comendo, os peixes enormes vindo pedir restos de comida.
De lá fomos para o local da multiplicação dos pães. A Igreja contém mosaicos bizantinos no pavimento, lindíssimos e de um valor histórico incalculável. Aqui Jesus deu de comer com cinco pães e dois peixes a uma multidão de cinco mil pessoas sem contar mulheres e crianças. Milagre que prepara o discurso sobre o pão da vida. Lugar importantíssimo para a nossa fé eucarística.
Depois de 5km de viagem chegamos na saída do rio Jordão do lago de Tiberíades, onde recordamos o batismo de Jesus e o nosso. Todos tiramos os sapatos, arregaçamos as calças e entramos na água. Todos foram batizados com o batismo de recordação. (Pe. Edson), “que esta água derramada sobre a tua cabeça recorde o teu batismo recebido como criança e te lembre do compromisso de testemunhar Jesus Cristo”. Todos levaram uma garrafinha de água como recordação. Observação, Jesus não foi batizado aqui mesmo, mas entre Jericó e o Mar Morto, mas lá é zona militar. Este foi o sexto dia.
Conversando com o povo de Deus (443) Peregrinando (6)
Dia 25/05, 2ª, despedimo-nos do Hotel Aurora, junto do lago de Tiberíades e iniciamos a nossa viagem a Jerusalém. Atravessamos o lago de barco em 40 minutos. Relembrando, 46 vezes os Evangelhos nos falam de mar e só 5 vezes em lago. Ele tem 21 km por 11 km, com a profundidade de 45 metros. Durante a travessia foi celebrada a missa. Uma missa diferente. Já que o bispo tinha consumido o vinho de missa, por engano, a missa foi celebrada como Jesus a celebrou. O vinho tinha sido comprado em Caná da Galiléia, onde Jesus transformou a água em vinho, e pão de mesa. Uma missa comovente. Imagina você em cima do lago, lembrando-se da tempestade no mar(Lc 8,22), das pescas milagrosas, de Pedro andando sobre as águas. Neste lago, junto dele aconteceram tantas coisas importantes para a nossa fé. Muitos choraram de emoção.
Saímos do barco e entramos no shopping judeu. Afinal, a gente também tem que comprar umas recordações para familiares e amigos. Lá nos estava esperando o ônibus. A organização é uma beleza, tudo funciona maravilhosamente bem. A próxima etapa foi Jericó a 104 km. Seguimos ao longo do Rio Jordão, que nasce ao sopé do monte Hermon, lança-se no Lago de Tiberíades e sai pra correr até o Mar Morto. Ele faz a divisa entre Israel e a Jordânia. Do lado esquerdo da estrada asfaltada fica o rio, mas a gente não pode se aproximar porque é zona militar. Jericó pertence aos palestinos, por isso, a nossa guia nos deixou antes de entrarmos na cidade. Lá visitamos a “árvore de Zaqueu”, nela ele subiu para ver Jesus que passava, que se auto-convidou dizendo: “Hoje devo ficar em sua casa”(Lc 19). Quem de nós não gostaria de receber a visita de Jesus? Mas muitos têm medo, porque a sua visita muda a nossa vida, e a gente não quer mudar. Ninguém comprou nada dos palestinos. Hum. Tínhamos sido avisados que haveria muitos meninos e que não se estava seguro, mas nada disso aconteceu. De lá seguimos para o sopé do Monte das Tentações, onde Jesus jejuou durante 40 dias, depois foi tentado pelo demônio(Lc 4-13). Jesus venceu as tentações do prazer, do poder e do ter. Com Jesus, querendo também nós podemos vencer. Aqui, alguns comovidos com os palestinos, os pobres de Javé, compraram algumas lembranças. Jericó é lembrada 6 vezes no NT. Aqui Jesus curou também dois cegos, curou o cego Bartimeu. Jesus indo de Nazaré a Jerusalém e vice-versa passava por Jericó. Aqui ficam as ruínas das velhas muralhas de Jericó. O almoço foi no restaurante Naim, onde encontramos um palestino gremista, que viveu muitos anos em Canoas. Tomamos um vinho de Belém.
De lá fomos para Jerusalém. A primeira parada foi no Monte Korpus, de onde se tem uma vista maravilhosa da Cidade Santa. Santa para 3 religiões. Lá rezamos pela paz entre judeus e palestinos e fizemos um brinde à paz. E seguimos 6 km até Ain Karen, onde ficava a casa de Zacarias e Isabel, onde nasceu João Batista. No muro do pátio encontra-se o cântico do Benedictus de Zacarias, proferido por ele após o nascimento de seu filho (Lc 1,68). Lá encontramos dois freis: Paulo e Vagner, franciscanos do RS, que estudam teologia em Jerusalém. Descemos a pé até a Fonte da Virgem, aonde Maria grávida, durante 3 meses, veio buscar água para Isabel. Por falta de tempo, segundo a guia, e por causa da subida forte, deixamos de visitar a Igreja da Visitação, onde no muro do pátio está escrito em diversas línguas o Magnificat: “O Senhor fez em mim maravilhas (...” Lc 1,46-56). Por que dois lugares de veneração? Para distinguir bem a visitação de Maria, do nascimento de S. João Batista. De noite visitamos algo da cidade de Jerusalém: o Parlamento, o Bairro Judeu, Porta Jafa, o Muro das Lamentações. Assim terminamos o sétimo dia, indo descansar no Caesare Hotel.
Conversando com o povo de Deus (444) Peregrinando (7)
Iniciamos o dia 26/05, 3ª, às 8.30m com a missa na Betânia, na casa de Lázaro, Marta e Maria, cuidado pelos franciscanos. Eles são os grandes benfeitores da Terra Santa. Foram eles que compraram os terrenos, que edificaram as Igrejas e mantém os lugares santos em ótimas condições como também tem escolas e obras de misericórdia. Muitas vezes a guia judia Ziva os elogiava por sua obra benemérita. Bem, aqui Jesus se hospedou com os seus discípulos nas vindas a Jerusalém. Era uma família amiga. Jesus cultivava as amizades. Lázaro e suas irmãs eram seus amigos. Aqui Jesus disse a Marta: “Marta tu te preocupas com muitas coisas, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte”. Jesus fala contra o ativismo exagerado. Aqui em Betânia, na casa de Simão o leproso, no banquete, uma mulher derramou um frasco de alabastro cheio de perfume, de muito valor, sobre cabeça de Jesus (Mt 26,6). Aqui Jesus disse a Lázaro no sepulcro: “Lázaro sai para fora”. Jesus é a ressurreição e a vida. “E muitos creram nele” (Jo 11,11). A missa celebrada foi a da Amizade, presidida pelo Pe. Edson. “Não vos chamo mais servos mas amigos”, disse Jesus. O nosso grupo estava se tornando cada vez amigo!
Massada fica a 396m acima do Mar Morto. Construído por Alexandre Janeio, mas totalmente reconstruído por Herodes o Grande, que fez do pico quase inacessível um refúgio fortificado. Muralhas com torres de vigia. Para a provisão construiu cisternas com 40 mil metros cúbicos de água. Água provinda da chuva e também se necessário fosse, carregada no lombo dos burrinhos ou a mão mesmo. Tinha dois palácios com uma vista fantástica. A fortaleza, como fortaleza somente foi usada depois da destruição de Jerusalém (70 d.C.) pelos zelotas fugidos de Jerusalém. Resistiram durante 3 anos ao exército romano de 100 mil soldados. Por fim, quando os romanos entraram em Massada, encontram 960 cadáveres e só uma mulher viva com cinco crianças, os demais se tinham suicidado. Israel soube fazer de Massada um símbolo do heroísmo para o Israel moderno. Aqui fazem o juramento à bandeira. “Massada nunca mais”. Aqui muitos realizam a cerimônia pela qual o judeu é declarado adulto com 13anos. É a confirmação ou crisma deles. A nossa turma, nem todos tiveram coragem de subir pela Estrada da Serpente, outros nem pelo teleférico, outros tremeram, mas foram. Jesus nunca esteve aqui, mas faz parte da história de seu povo. Valeu.
Qumran é um lugar deserto. Aqui viveram os essênios. Aqui se descobriu os assim ditos Documentos do Mar Morto. Os essênios com a invasão romana tinham escondido os escritos do AT e outros, em vasos de cerâmica, colocados em grutas. Um dia um beduíno cuidando de suas cabras atirou uma pedra para dentro de uma gruta e ele ouviu o estampido de algo que se quebrou. Foi ver e encontrou os rolos, que foi a descoberta do século! Livros do AT escritos antes de Cristo. Que mostram que os textos que temos hoje são fiéis ao original. Aqui também almoçamos
O ultimo programa da tarde foi o banho no mar Morto. Morto porque não tem vida, não tem peixe. Fica a 400m abaixo do nível do mar. É o lugar mais baixo do mundo. Tem 76 km de extensão por 16 km de largura e com 430m de profundidade. Tem 30% de salinidade, por isso, a gente não afunda, e a água levanta tanto a gente que se deve cuidar para não capotar. Com esses cuidados dá para ler jornal, tomar uma cervejinha, comer um chocolate. A água na boca faz a gente cuspí-la, e se entrar na vista arde muito, mas é recomendável para certas doenças, de pele por exemplo. Basta olhar a paisagem com as estátuas de sal para compreender a história da mulher de Lot (19,26). Assim terminou o oitavo dia e foi muito bom.
Conversando com o povo de Deus(445) Peregrinando (8)
Em Jerusalém morei 8 meses. Como é bom reviver!Dia 27/05, às 9h, iniciamos a nossa Via Sacra, que começa na antiga Torre Antônia, onde Jesus foi condenado por Pilatos, a pedido dos judeus, é hoje escola muçulmana e ela vai sinuosamente pela Via Dolorosa até o Santo Sepulcro. Os nossos peregrinos foram desafiados pela falta de ambiente de oração na rua, no meio de negócios, lojas, gente caminhando, até carros passando. Depois encontramos a equipe da TV Globo filmando a novela: “Viver a vida”. Alguns aproveitaram para pousar ao lado do artista! Na escada ao lado, antes de entrar na Basílica, foi tirada uma foto do nosso grupo. Depois continuamos a Via Sacra entrando na Basílica e depois de subir uma escada de 4,5m estávamos no Calvário, onde rememorados as estações: Jesus é despojado de suas vestes, Jesus é crucificado e Jesus morre na cruz. Lá o mais comovente é poder tocar debaixo do altar, através de uma placa de prata a rocha do Calvário, onde estava fixada a cruz. Através de um vidro se pode ver também a rocha fendida pelo terremoto. Depois se desce e se vê o local onde o corpo de Jesus foi preparado para a sepultura por José de Aritmatéia e Nicodemos. Fomos celebrar a missa numa capela vizinha dos franciscanos. Só nós. Portas fechadas. Silêncio total. Foram momentos de emoção muito fortes, que nos fizeram esquecer as distrações da Via Sacra. Depois entramos na fila para visitar o Santo Sepulcro, em grupos de cinco. Aqui Jesus foi sepultado. Aqui ele ressuscitou. Este é o local mais importante de nossa fé cristã. “Se Jesus não ressuscitou vã é a nossa fé. Somos então os mais miseráveis dos homens”, escreve S. Paulo (1Cor15,17). Ele ressuscitou, proclamam os anjos, o testemunham as santas mulheres e os apóstolos. O testemunham S. Paulo, e mais de quinhentos irmãos estando juntos. O testemunharam bilhões de pessoas durante esses dois mil anos. Nisso acreditam ainda hoje mais de um bilhão de cristãos. Cinco comunidades cristãs repartem a propriedade do Santo Sepulcro, porque crêem. Eles são capazes de brigar entre si para manter a sua participação. Por nada não se briga. Almoçamos num restaurante palestino cristão, simples com um tratamento muito bom. Estávamos com gente nossa!
De tarde visitamos a gruta, onde Jesus ensinou aos seus discípulos o Pai-Nosso(Mt 7,9). Este se encontra escrito em muitas línguas na parede do mosteiro, que lá foi construído. O nosso está num português com uma ortografia que hoje não se usa mais. Pena que não o fotografei.
Depois de descer a pé ao longo do cemitério judeu chegamos a Dominus Flevit, onde Jesus vendo a maravilhosa Cidade Santa de Jerusalém chorou sobre ela: “Eis que eu quis reunir-te como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo das asas, mas tu não quiseste”. “Não ficará pedra sobre pedra”(Lc 19,41).
De lá seguimos a pé até a Basílica do Getsêmani (da Agonia ou de Todas as Nações), passando pelo Jardim das Oliveiras milenares. Quem sabe, talvez alguma do tempo de Jesus! Aqui na Basílica vê-se no teto um mosaico com o escudo do Brasil, e na frente do altar vemos uma rocha, sobre a qual Jesus suou sangue: “Pai, afasta de mim este cálice (do sofrimento), mas não se faça a minha vontade, mas sim a tua (Mt 26,39). Aqui também Judas traiu Jesus com um beijo. È uma igreja com pouca iluminação. Mística. Gostosa para rezar. Não visitamos nas cercanias a Basílica da Assunção. Há duas tradições. Uma que Maria morreu em Éfeso e outra que foi aqui em Jerusalém. Este foi o nono dia de nossa peregrinação. E foi muito bom!
Conversando com o povo de Deus (446) Peregrinando (9)
Dia 28/05, 5ª, começamos com a visita ao Muro das Lamentações, assim chamado porque aqui o judeu vem rezar diante dos restos do muro do Templo de Herodes, lamentando a destruição do mesmo, rezando salmos, colocando os seus pedidos nos buracos do muro, certamente pedindo a vinda do Messias. O primeiro Templo foi construído pelo rei Salomão em 970 a.C. e destruído por Nabucodonosor da Babilônia em 587 e reconstruído em 520. Foi saqueado pelo sírio Antíoco IV em 170, que instala em 167 no local o culto de Júpiter. Os Macabeus, em 164, reconquistam Jerusalém e purificam o Templo. Em 20 a.C. Herodes o Grande começa a reconstrução do mesmo, que demorou cerca de 90 anos e empregou no início 20 mil operários. Este é o Templo que Jesus conheceu e que é destruído pelo General Tito em 70 d.C. O imperador Adriano, em 134, termina por arrasá-lo. Jesus tinha profetizado: “Não ficará pedra sobre pedra”. Os cristãos tinham se refugiado na cidade vizinha de Pela conhecedores da profecia de Jesus (Mt 24,1-3). O imperador a reconstruiu como cidade romana e a chamou de Aelia Capitolina. Os judeus foram proibidos de morar na cidade, devendo ficar afastados dela ao menos 8 km. Os cristãos nunca construíram qualquer igreja neste local porque o Templo tinha sido rejeitado por Jesus por causa de sua infidelidade. Em 638 os muçulmanos invadiram Jerusalém e eles construíram duas Mesquitas: de Omar (da Rocha) e a El Aqsa, que no momento não se podem visitar. Os judeus costumam rezar homens separados das mulheres. Os homens com a cabeça coberta, chapéu preto ou com o quipá, além do manto branco com listras azuis (Talit) e as filactérias (Tefelin). Rezam com caixinhas presas no braço esquerdo e na fronte com tiras de couro contendo textos bíblicos. As mulheres cobrem-se com o véu. Aqui esteve o Papa Bento XVI há poucos dias atrás. Aliás, a visita do Papa foi comentada muito positivamente pelas pessoas com as quais a gente conversou.
Seguimos para visitar o Cenáculo, onde Jesus instituiu a Eucaristia (Tomai e comei isto é o meu corpo. Tomai e bebei isto é meu sangue), o sacerdócio (Fazei isto em memória de mim), e proclamou o grande mandamento do amor (amai-vos uns aos outros assim como eu vos amei). Aqui Jesus lavou os pés dos discípulos. Aqui Jesus apareceu aos apóstolos e lhes deu o poder de perdoar os pecados. Aqui aconteceu a descida do Espírito Santo (Pentecostes). Aqui começou a Igreja, presidida sucessivamente por três membros da Família de Jesus, que se chamavam não de cristãos, mas de nazarenos. Na parte inferior os judeus veneram a sepultura do rei Davi, erradamente, porque ele foi enterrado no Ofel, a primitiva Sion, cidade de Davi (1Reis 2,10). Os muçulmanos fizeram do Cenáculo uma pequena mesquita. Hoje, aqui na parte superior o máximo que se pode fazer é ler uns textos bíblicos. Ninguém pode realizar aqui o seu culto! Os franciscanos possuidores do local foram expulsos pelos muçulmanos.
Visitamos nesta manhã ainda a Basílica da Dormição de Maria Santíssima. Aqui, segundo uma das tradições, ela viveu e morreu (dormiu). E na Basílica da Assunção, perto do Getsêmani, ela foi enterrada e depois assunta ao céu. Os católicos alemães adquiriram em 1898 o local da Dormição, hoje cuidada por monges beneditinos.
Depois fomos a Gallicantu (canto do galo), de propriedade francesa, onde Jesus ficou preso e S. Pedro negou por três vezes o seu Mestre. “Não o conheço”. “Antes que o galo cante tu me terás me negado três vezes” (Lc 22,61). S. Pedro saindo chorou amargamente a sua traição. O que comoveu a muitos foi quando a guia Ziva disse: “Sobre estas pedras da escadaria que conduz ao vale do Cedron Jesus e seus apóstolos passaram muitas vezes”. De lá fomos a Belém, onde almoçamos num restaurante de cristãos. Esta foi a manhã do décimo dia. E foi muito bom.
Conversando com o povo de Deus (448) Fim da peregrinação (11)
Saímos dia 12 de maio de Cachoeira do Sul e hoje, dia 30, iniciamos a nossa viagem de retorno. Tomamos o último café em Jerusalém e às 10h partimos do Caesare Hotel em direção ao aeroporto. Adeus Jerusalém. Adeus Cidade Santa. Cidade onde se desenvolveram os acontecimentos mais importantes de nossa fé. No Cenáculo, a Última Ceia com a instituição da Eucaristia, do Sacerdócio e do lava-pés, a descida do Espírito Santo com o perdão dos pecados, no Horto das Oliveiras agonia de Jesus, no Gallicantu, onde Pedro negou a Jesus, depois a Via Dolorosa, na Basílica do Santo Sepulcro o Calvário, a sepultura e onde aconteceu a Ressurreição. Cidade das três religiões: judaísmo, cristianismo e islamismo. Cidade de Davi. Cidade de Maomé, onde ele, segundo os muçulmanos, subiu ao céu. Ó Cidade santa. Adeus.
A nossa guia judaica, por intercessão de Rosmeire, que nos acompanhou desde o Brasil, como Tours Leader, foi nos concedido que na ida para o aeroporto parássemos em Emaús (Lugar das águas deliciosas). Esse pedido foi feito especialmente pelos casais do Emáus. E que sorte conseguimos até celebrar a missa, graças à boa vontade de uma Irmã francesa, pertencente à Comunidade das Beatitudes, que guardam este lugar. O objetivo da Comunidade formada por irmãs, e por leigos também, é contribuir à reconciliação mútua entre cristãos e judeus por meio de estudo e da oração. Foi uma missa muito animada. Animada por cantos do Emáus. Vibrante, com muitos gestos e alegria. Foi a missa mais animada da peregrinação. Para quem não sabe, Emáus é um movimento semelhante ao cursilho, mas para jovens coordenados pelos tios e tias cursilhistas. Deu para entender?
O que aconteceu em Emaús? No domingo, dia da ressurreição de Jesus, de tardezinha, dois discípulos, Cléofas e Simeão, caminhavam de Jerusalém para casa, Emaús. Discutiam sobre os últimos acontecimentos: Jesus condenado à morte e executado. Aí um Senhor se aproximou e perguntou a eles sobre o que estavam falando. E eles se admiravam de que ele não soubesse do assunto. Eles disseram que esperavam que Jesus fosse o Messias, mas que até agora nada acontecera de especial. A única coisa tinha sido que umas mulheres do grupo foram ao sepulcro e uns anjos tinham aparecido para lhes dizer que ele estava vivo. Que os apóstolos foram verificar e de fato o sepulcro estava vazio, mas a ele não viram. Aí aquele Senhor lhes explicou que o Messias tinha que passar pelo sofrimento, o que já tinha sido profetizado. Convidaram aquele Senhor para passar a noite na sua casa. Ele aceitou e no abençoar o pão e parti-lo se lhes abriram os olhos. Era Jesus. E ele desapareceu. Imediatamente voltaram para Jerusalém para contá-lo aos onze. E eles disseram: “Ele pareceu também a Simão Pedro”.
Quanto ao local exato há três tradições. Uma na atual Latrun, de que estamos falando, a outra em Abu Gosh, e a terceira em Qubeibe, de propriedade dos franciscanos. Por que estas diferenças? É porque havia mais de uma localidade com este nome e quando chegaram os Cruzados eles não tiveram mais certeza do local exato.
Embarcamos em Tel-Aviv para Roma, às 16h, num vôo de 3 horas de duração. Em Roma para S. Paulo, às 22h, num vôo de 11horas. Em S. Paulo a Porto Alegre, às 7h50, num vôo de 1 hora e 50 minutos. O calendário marcava o dia 30 de abril, sábado. Ás 10h já estávamos, no ônibus especial, partindo para Cachoeira do Sul, aonde chegamos às 13h, com chuva e o abraço dos familiares e pessoas amigas. Com o Pe. Edson almocei numa família amiga sua e agora também minha. Às 15h atirei-me sobre a cama pra um pequeno descanso e acordei à 1h da madrugada. Que viagem! “Foi bom demais”. Obrigado a todos.
Conversando com o povo de Deus (449) A 3ª Romaria da Família (1)
Mês de agosto, mês vocacional para a Igreja Católica no Brasil. Primeiro domingo, o dia do padre. Primeira semana, semana da vocação sacerdotal. Segundo domingo, o dia do Pai, semana da vocação familiar. Iniciamos no Brasil a semana da família, que terminou no 3ºdomingo, na nossa diocese de Cachoeira, com a 3ª Romaria da Família no parque do Santuário. Iniciou às 9h diante da Catedral e depois de 4 km e pouco se chegou ao Pavilhão do Santuário, onde foi celebrada a Santa Missa. Depois do almoço, houve uma palestra sobre “Proteja e Valorize a Família”, pelo Pe. Vitor Hugo. Três Testemunhos de três famílias: o da família de um seminarista, o da família dizimista, o do ex-drogado, que vai ser pai de família, e por fim a “Bênção do Santíssimo” com a bênção das famílias. Quero colocar sinteticamente a minha reflexão sobre a família, feita por ocasião de minha homilia.
“Caríssimos Irmãos (ãs), A família foi instituída por Deus. “Não é bom que o homem esteja só”. Por isso, Deus criou a mulher e depois disse: “Dominai a terra e sujeitai-a. Crescei e multiplicai-vos”. Deus colocou o primeiro casal no Jardim do Éden e disse: Cultivai-o. O casal tinha que trabalhar já antes do pecado. Podia comer de todas as frutas, menos uma. O da ciência do bem e do mal. Deus colocou limites. O dominai sobre a natureza, portanto, tem os seus limites.
Veio a desobediência instigada pelo demônio. O trabalho se tornou pesado. O prazer de gerar filhos se tornou doloroso. Para a mulher, além dos inconvenientes da gravidez temos a dor do parto. O sustentar os filhos se tornou uma tarefa penosa. “É com o suor do teu rosto que ganharás o pão de cada dia”. A terra produz espinhos, os insetos comem a plantação, a chuva em demasia e a seca a castigam. O educar os filhos é um desafio enorme porque são marcados pelo pecado original. Entrou o desequilíbrio. A concupiscência. Eles querem ser felizes, exigindo liberdade e muitas vezes uma liberdade total. Exigem, muitas vezes, uma participação total nos bens dos pais. Pensam que a sua felicidade está no ter, poder e prazer. Mas doutro lado, os filhos perpetuam os pais, através das semelhanças genéticas, do sobrenome, dos netos e bisnetos! Os filhos são as flores do jardim da família. Nela os filhos aprendem a amar a Deus, a igreja, a Pátria, a amar os irmãos, o próximo, a conviver na família e na sociedade. Por isso, o Conc. Vat. II chama a família de: “A Igreja doméstica”, a Igreja do lar. Ela é a célula mater (mãe) da sociedade. Se as famílias vão mal, a sociedade vai mal. Para que a família possa cumprir com a sua missão Deus a instituiu monogâmica, um só homem com uma só mulher, unidos pelo amor para toda a vida. Eis a família ideal. Mas por causa da dureza do coração dos casais Moisés permitiu o divórcio. Mas Jesus di que no início não foi assim. O plano de Deus é outro, por isso, Jesus disse: “O que Deus uniu não separe o homem”. As famílias de 2ª união devem procurar suprir as suas deficiências com amor, carinho e com muita paciência, com a ajuda de Deus e da comunidade, confiantes na infinita misericórdia de Deus. A Igreja tem um carinho todo especial para com estes casais.
A Santíssima Trindade é uma família: Pai, Filho, Espírito Santo. Deus não vive na solidão, mas em comunhão. Criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança, instituindo a família. A família vem de Deus. Ela é indestrutível. Por mais que as forças do mal a queiram destruir não o conseguirão”. (Continua)
Conversando com o povo de Deus (450) A 3ª Romaria da Família (2)
Quero neste momento, citar algumas frases de pessoas ilustres sobre a família. Para o Papa: “A família é insubstituível e não existe sem o matrimônio entre um homem e uma mulher; não deve ser confundida com outras formas de convivência”. O Documento de Aparecida afirma que a “família é o patrimônio da humanidade, por isso deve ser protegida para o bem da humanidade”. Um leigo, o Presidente do México, Felipe Calderón diz que “a família é a primeira mais decisiva fonte onde se transmite os valores humanos, onde se experimenta e ensina os valores para alcançar a paz na sociedade, onde se podem desenvolver as virtudes humanas pra o exercício da justiça e honestidade”. (Jan/2009).
Os grandes desafios da família nos dias de hoje são a fidelidade conjugal, as separações, as uniões livres, o abandono dos filhos, as guerras, o trabalho dos cônjuges, o desemprego, a incapacidade de cuidar dos filhos e um crescente egoísmo, que prefere não “gastar” com filhos por entendê-los como um peso. Os filhos incomodam, por isso, muitos não querem mais filhos, preferem cachorros, gatos. etc.
Retomando, a família vem de Deus, mas foi ferida pelo pecado, por isso, Jesus Cristo a remiu. Ele quis nascer numa família. Viveu durante cerca 30 anos com a família. O seu primeiro milagre foi nas bodas de Caná, onde transformou a água em vinho. Ensina que aqueles que crêem nele e na sua palavra se tornam mãe, e irmão e irmã dele. Declara: “Vós todos sois irmãos”. A Igreja deve formar a grande família de Deus.
Vamos ver como as leituras da festa da Assunção de N. Sra ao céu, podem ajudar as nossas famílias. Maria é mãe de família. Maria é esposa. Ela nos mostra o caminho do céu, o caminho da glória. Ela é a mãe de Deus Filho que se encarnou nela. Por isso, Deus Pai a tornou Imaculada e porque viveu a sua maternidade plenamente ela foi elevada ao céu com o corpo e alma. Por isso, ela é hoje, nesta primeira leitura, do Apc.11,19s, chamada: a mulher vestida de sol, com a lua aos pés, na cabeça uma coroa de 12 estrelas. Ela é N. Sra. da Glória. Assim como aconteceu com ela, assim acontecerá conosco.
Na segunda leitura 1Cor15,20, S. Paulo nos fala da ressurreição. Cristo ressuscitou dos mortos. Se Cristo ressuscitou também nós cristãos ressuscitaremos. Maria é a primeira a participar desta ressurreição. Ela dormiu e foi elevada ao céu com corpo e alma. Em Jerusalém temos a Basílica da Dormição e a Basílica da Assunção.
No evangelho segundo Lc. 1,39s, ela vai contar a novidade da maternidade divina à sua prima Santa Isabel. Ela vai também para ajudar. Maria leva Jesus no seu ventre e por isso o encontro faz com que o pequeno João Batista no seio de sua mãe pule de alegria e Isabel fique cheio do E. Santo e proclama Maria: “Bendita és tu entre as mulheres”. “Bendita és tu que porque acreditaste”. É o que rezamos na Ave Maria. Então Maria prorrompe no cântico conhecido como o Magnificat. “O Senhor fez em maravilhas”. A maravilha da maternidade. “Todas as gerações me chamarão bem-aventurada”. Até hoje se realiza isso. Deus quer que as famílias se visitem e se entre ajudem como Maria o fez.
“Proteja e valorize a família”. Como? Pais e Filhos amai a vossa família. Esta é o dom mais precioso que vós tendes. Pais, amai os vossos filhos, doando-se por eles. Educai vossos filhos para o amor a Deus e ao próximo. Educai-os para o limite. Não se pode fazer tudo o que se quer. Não terceirizeis a educação deixando-a pra a TV. Não terceirizeis o ensino e a formação, deixando-a exclusivamente pra a escola. Não terceirizeis a religião deixando-a para que os padres, religiosos e catequistas a ensinem. Filhos,amai vossos pais e sede lhes obedientes. Amai-os, de modo especial, quando são idosos e doentes. Não os deixeis na solidão e no desamparo. O que vós fazeis aos pais, os vossos filhos farão também a vós. Famílias não deixem de fazer o ECC, o EC, o Cursilho. Vocês são a grande esperança de um mundo melhor. Sem a minha família eu não seria sido nem franciscano, nem sacerdote, nem bispo. A Igreja vos ama, por isso ela procura proteger e valorizar a família, promovendo a semana da família e a romaria.
Conversando com o povo de Deus (451) O mes da Biblia (1)
Setembro para os católicos é o mês da Bíblia. Ele tem como objetivo conscientizar-nos da necessidade de lermos a Bíblia. Você é católico? Você tem a Bíblia em casa? Se você é evangélico, já sei que você tem a Bíblia e le diariamente. Agora, se você for católico é muito possivel que não a tenha. Ou se você a tiver não a le. Outros a tem, mas muitos a tem como enfeite de sua biblioteca. Nada mais. Por isso, podemos afirmar que a Bíblia é o livro mais vendido no mundo, mas não o mais lido. Poucos católicos a tem e a leem, fazendo dela de fato luz, orientaçao, força, fonte de benção e vida. Nem sempre na catequese de 1ª comunhão ou crisma se consegue que todos a tenham, nem os movimentos e setores de pastoral.
A gente se pergunta: por que isso? No inicio, todas as Bíblias eram copiadas a mão. Foi só com Gutemberg, pouco antes de Lutero, 1517, que foi descoberta a imprensa. Com isso, a tradução de Lutero para o alemão, poude ser colocada facilmente nas mãos do povo. Lutero fez dela o dogma da fé: “ sola Scriptura”. Só o que vem da Escritura vem de Deus. Os católicos, já que a Escritura era interpretada contra os mesmos, se fecharam e deram toda força para o Catecismo Católico, cuja doutrina vem da Bíblia, interpretada pela Tradição e o Magistério. Resumindo mais ainda: a doutrina dos evangélicos vem a nós da Bíblia interpretada por Lutero, Calvino e outros e através da sua tradição secular.A doutrina católica vem da Bíblia interpretada pela Tradição (Santos Padres, Concilios, Liturgia) e pelo Magistério (Papas e bispos). Entendeu?
Porque há tantas Igrejas de Cristo se ele fundou uma só? Por causa da interpretação subjetiva dos seus fundadores, mas todos eles estão convencidos que foi o Espirito Santo que lhes deu a interpretação certa. Assim existem dezenas de igrejas cristas e vao aumentando cada dia.
Há diferença entre a Bíblia católica e evangélica? Não e sim. Não, enquanto todas as duas procuram fazer a sua tradução do original hebraico e grego. Por isso, um católico pode usar a Bíblia dos protestantes. O que não pode é aceitar a sua interpretação. Sim há diferença, enquanto os católicos admitem uns livros do AT a mais. A Bíblia evangélica não tem notas no roda-pé. Os católicos sim, para ajudar a interpretação do texto, situa-lo no seus contextos, ajudam sem duvida uma melhor compreensão. Outra diferença é que eles tem uma só tradução, o que favorece pastoralmente o uso da Bíblia e os católicos tem muitas traduções, cada pouco surge uma nova, procurando uma tradução cada vez mais fiel e compreensivel. Mas isso confunde o povo e dificulta o uso comum. A Bíblia mais cientifica é a Bíblia de Jerusalém e a mais popular e a da Paulus, mas no futuro a oficial será a da CNBB. Por isso, há padres que adotaram no momento a Bíblia da edição popular, para acostumar o povo a ler a Bíblia pedem que ele a traga para a missa e se leem juntos as leituras da missa. É uma maneira. É importantíssimo que o povo aprenda com os padres a fazer a leitura orante da Bíblia, que o Papa tanto pede. (continua)
Conversando com o povo de Deus (452) O mês da Bíblia(2).
Jesus disse: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, estarei no meio deles”. Grande e forte é a presença de Cristo, no Espírito Santo, na sua comunidade. Por isso, é importante fazê-la em comunidade. E fazê-la iniciando com a oração ao Divino Espírito Santo. A Bíblia foi inspirada por ele. Cristo no-lo mandou para que nos ensinasse e recordasse todas as coisas que ele tinha ensinado. Rezemos portanto que ele nos inspire. Depois vamos ler pausadamente, bem devagar, pronunciando bem as palavras, prestando muita atenção. Por exemplo, no próximo domingo, dia 13/set, o Evangelho é de Marcos 8,27-35. Tentemos fazer a leitura orante que o Papa e o Documento de Aparecida tanto pedem. Este evangelho foi este escrito por quem? S. Marcos. Jesus partiu com quem e para onde? Com os seus discípulos para Cesaréia de Felipe. Onde fica? No norte de Israel, perto do Líbano. Era uma cidade romana. Foi lá que Jesus perguntou aos discípulos? Não, foi no caminho: “Quem dizem os homens que eu sou?”. Qual foi a resposta? Que ele era João Batista ou Elias ou um dos profetas. Poderia se interpretar a resposta como se seus discípulos acreditassem na reencarnação? Não. Como João Batista por exemplo poderia se ter reencarnado em Jesus? Ele tinha batizado Jesus. Fazia pouco que ele tinha sido morto. Elias, segundo a tradição judaica, não tinha morrido. Subira ao céu vivo em carro de fogo. Reencarnar é morrer e depois nascer de novo num outro ser humano. Estes profetas não nasceram de Maria.
Depois Jesus perguntou diretamente para os apóstolos. Teriam eles a mesma opinião? Não. Pedro, sempre Pedro que toma a iniciativa, em nome dos demais disse: “Tu és o Messias” e não um dos profetas. Chama a atenção que Jesus proibiu que eles proclamassem que ela era o Messias? Por que será? De repente Jesus muda, aparentemente, de assunto, ensinando que ele, o Filho do homem, devia sofrer, ser rejeitado, morto e que no terceiro dia ressuscitaria. Pedro ficou tão escandalizado com Jesus, que o chamou à parte e lhe disse que o Messias, que ele tinha proclamado, não podia passar pelo sofrimento. Mas Jesus chamando os outros discípulos repreendeu Pedro diante dos seus colegas e chamou-o de Satanás “Tu não pensas como Deus e sim como os homens”. E Jesus acrescenta, agora falando para a multidão também: “Se alguém me quer seguir tome a sua cruz... Se alguém quer salvar a sua vida vai perdê-la... Mas quem a perde vai salvá-la”.
O que Jesus quer ensinar a Pedro, aos discípulos, a multidão e a nós hoje? Cada um procure dar a sua resposta. Quem é Jesus de Nazaré para mim? Tu és Messias. Tu és o meu Redentor. O caminho, a verdade e a vida. O meu amigo. Mas não basta conhecê-lo intelectuamente. É preciso comprometer-se com ele e o seu evangelho. Isso implica em cruz, sofrimento, em doar a sua vida gratuitamente, em morrer todos os dias a si mesmo, ao seu egoismo e orgulho, vaidade e individualismo, inveja e prepotência. Terminemos orando: “Jesus tu és o meu Messias, que passou pelo sofrimento para chegar à glória da ressurreição, ajudai-me a ser como você, assumindo a minha cruz de cada dia e perdendo a minha vida em favor da minha família e da minha comunidade, e da sociedade em que vivo”.
Eis uma maneira, não a única, de fazer a leitura orante da Bílbia.
Conversando com o povo de Deus (453) O Congresso da Paz em Krakóvia
Estando já em Roma fui convidado para participar do Congresso pela Paz em Krakóvia, Polônia, realizado nos dia 6-7 e 8 de setembro. Krakóvia é a cidade onde João Paulo II foi arcebispo antes de ser eleito Papa. Este Congresso foi promovido pela Comunidade Santo Egídio de Roma e pela Arquidiocese. Ele é realizado todos os anos em lugares diferentes. No ano passado foi em Cipre. Ele tem o objetivo de continuar o chamado “Espírito de Assis” inaugurado pelo falecido Papa João Paulo II, quando o mesmo em 26 de outubro de 1967 convidou os líderes das principais religiões e igrejas do mundo para em Assis, terra de S. Francisco, rezar pela paz. A comunidade continua promovendo estes encontros com pleno sucesso. Chegando dois dias antes do início pude aproveitar para visitar o coração religioso da Polônia, Chestokova, o santuário de N. Sra, onde senti a força admirável da fé deste povo, força que venceu o comunismo. Vi igrejas cheias também em segunda-feira.
O nosso Congresso começou domingo de manhã no Santuário da Divina Misericórdia com uma missa solene presidida pelo Cardeal de Krakóvia, Dom Estanislau, que foi secretário particular do Papa falecido, concelebrada por cardeais, bispos, sacerdotes com a presença de líderes religiosos das igrejas cristãs: luteranos, ortodoxos, anglicanos e líderes religiosos judeus, muçulmanos, budistas e outros. No fim da missa vimos por um telão e ouvimos o Papa atual, diretamente de Viterbo, Itália, saudando os Congressistas e nos abençoando.
De tarde, foi a abertura oficial no grande teatro da cidade com os discursos das entidades religiosas convidadas como também de embaixadores. O presidente da Comunidade Européia, o português Barroso também falou num inglês fluente. Tive oportunidade de apertar-lhe a mão. Esteve em POA com o Felipão, me disse ele.
Dia 7, 2ª fª, foi o dia dos painéis. Onze de manhã e onze de tarde. Cada um podia escolher o seu.
Eu participei do painel 5 sobre a “América Latina no mundo globalizado”, onde tive oportunidade de falar em italiano 15 minutos sobre assunto. Eis alguns dos 22 temas: Não esqueça Auschwitz; Memória e Profecia: legado de JP II; Vivendo juntos num mundo pluralista; África, terra de oportunidades; O poder da prece na história; O martírio e a resistência ao mal. Para isso, havia tradução simultânea, menos para o português. Cada um recebia um aparelho e regulava o canal desejado. Podia se ir ao banheiro sem perder nada!
A hospedagem era nos diversos hotéis da cidade. Os ônibus e as vãs transportavam os participantes para os diversos locais dos encontros. Eles falam em pullman e pulmino. As línguas que mais se escutavam eram polaco, italiano, inglês, francês, espanhol, alemão. Dava para entortar a língua tentando falar diversas línguas. Os jovens polacos dos hotéis sabiam só polaco e inglês. Muitos dos velhos falam alemão e francês. A Polônia entrou na União Européia (EU), mas não usa ainda o euro como moeda. Trocar só no centro. Acabei não trocando, já que as refeições e a bebida eram gratuitas.
O dia mais importante foi o último dia, terça, quando visitamos Auschwitz, o campo de extermínio, e de tarde-noite a oração pela paz em grupos religiosos em lugares diferentes. E o soleníssimo encerramento na Praça Pública com mais de 5 mil pessoas presentes. Disso falaremos na próxima vez. (Continua)
Conversando com o povo de Deus (454) Auschwitz terra de horror e terra de santidade.
Na semana passada falamos da abertura do Congresso da Paz, dos painéis e prometi falar mais um pouco sobre Auschwitz. Dia 7 de setembro, terça, visitamos o campo de extermínio. Antes da guerra havia sido um quartel do exército polonês. No início os nazistas o usaram como campo de prisioneiros, mas depois começaram a usá-lo também como campo de extermínio de judeus, ciganos e adversários políticos. Dividido em diversos grupos lingüísticos, eu escolhi o italiano, percorremos com uma guia alguns setores do campo. Na entrada do mesmo estava escrito em alemão: O trabalho liberta (Die Arbeit macht frei). Os prisioneiros iam de manhã para o trabalho nos campos ao som de uma banda de música formada por prisioneiros. Mostraram-nos o paredão de fuzilamento, onde foi colocado uma coroa de flores em memória dos caídos. Depois visitamos o local onde Frei Maximiliano Kolbe foi morto. Ele ofereceu a sua vida em lugar de um pai de família inocente, que tinha sido escolhido, para morrer em lugar de um polonês fugitivo. Em 1980, na praça S. Pedro, ele foi canonizado pelo Papa JP II, e quem estava na canonização foi o pai de família que ele havia salvado a vida!
Em seguida visitamos uma câmara de gás. Os prisioneiros, homens, mulheres e crianças eram iludidos dizendo que iriam tomar um banho. Estando todos desnudados fechavam-se as portas e ligava-se o gás. Para abafar a gritaria dos moribundos colocavam-se uns caminhões perto com os motores ligados. Depois de 20 minutos, reinava o silêncio. Todos estavam mortos. Então se abriam as portas para arejar a câmara e seguida vinha um grupo de choque, formado por judeus prisioneiros, para arrancar os dentes de ouro das bocas, cortar os cabelos das mulheres, tirar anéis, recolher objetos preciosos. Passamos por salas onde havia montanhas de malas de mão com o nome das vítimas, sapatos, sapatinhos de crianças, material de toilette das mulheres, montes de cabelos, que eles lavavam e vendiam. Impressionante. Ninguém de nós falava. Boca fechada, mordendo os dentes, e os olhos lacrimejando. Logo foi nos mostrado um crematório. Uma prensa para imprensar os corpos para que coubessem mais gente de uma vez só. As cinzas eram usadas para os campos e outras finalidades. O comandante do campo morava a 300 metros com a sua mulher e seus 5 filhos. Como pode?
Em seguida fomos a Brickenau, porque Hitler não contente, mandou construir um outro campo de extermínio para apressar a eliminação de judeus e ciganos principalmente. Chegando de ônibus tem-se uma vista terrificante de arame farpado que se estende por quilômetros, com muitas casernas ainda de pé, com as câmaras explodidas. Quando chegaram os aliados em 1945 era necessário apagar todos os vestígios que pudessem incriminar.
Éramos umas cinco mil pessoas caminhando em silêncio, ao som de uma música impactuante, que provinha das caixas de som ao longo de um caminho de um quilômetro. Ninguém falava. Aqui morreram milhões de pessoas. E quanto sofrimento antes de morrer. Chegados ao local do monumento aos mortos. Seguiu a homenagem aos mesmos. Diante de uma 20 lajes, separadas uma da outra uns dois metros, sobre elas foi colocada uma coroa de flores pelos diversos representantes das religiões, igrejas e continentes. Eu, com uma cubana, que levava a coroa de flores, e um padre de El Salvador e outro de Argentina representamos a América Latina. Que emoção na hora do ajoelhar e colocar as flores! “Dai-lhes, Senhor o descanso eterno e a luz perpétua os ilumine. Descansem em paz”. Depois falou um rabino que nos contou que o Papa JPII lhe perguntou sobre quantos eram eles antes de Auschwitz e quanto depois. Ele respondeu antes 45, depois 05. Quantos filhos o Senhor tem? Três. Agora o que importa são vocês. A vida continua. O rabino continuou, é preciso recordar o passado para que todos possam dizer: “Auschwitz nunca mais”. Você sabe que a segunda guerra mundial de 1939 a 1945 matou 70 milhões de pessoas? Guerra entre cristãos. Por que? Para que? Seis milhões de judeus, quinhentos mil ciganos mortos por que, para que?
Conversando com o povo de Deus (455) 15ª Romaria, vinde participar
A nossa diocese foi criada pelo Papa JP II, em 17/07/1991 e instalada em 29/09, tendo como o seu primeiro bispo D. Ângelo. Ela está completando 18 anos. Passamos para a maioridade! E a nossa Romaria diocesana foi iniciada em 1995. Estamos, portanto, celebrando 15 anos. Pertencíamos à diocese de Santa Maria e a padroeira era N. Sra. Medianeira. D. Ângelo sentiu a necessidade de uma Romaria própria para a nova diocese de Cachoeira. Era necessário ter uma padroeira. Era necessário fazer uma Romaria diocesana para unir a diocese, dar-lhe uma alma, uma espiritualidade. Era o seu sonho e contou o sonho para um grupo de padres e cursilhistas. Eles começaram a sonhar com ele. E sonho foi se tornando realidade. Os grandes nomes que ajudaram na realização do mesmo foram Mons. Breno Simonetti, Pe. Atílio Rosa, Pe. Elcy Arboitte, Diácono Arbelo e os leigos: Joaquim Casarin e Teolide, Luiz Martins e Gládis, Celso Ariosto e Ana, Breno Rizzatti e Nilza, Djalmo Furlan e Luciméri, João Carlos Loreto e Ilda, Marcelo Loreto, Rocco Mainieri, Getúlio Pereira dos Santos e Lucilena, Geraldo Ribeiro e Assunção, Diógenes Capra e Marilaine, Partinobre Quintana de Freitas e Mara. Depois centenas de pessoas se prontificaram a colaborar todos os anos com a relização da Romaria. Neste sonho entrei também eu.
Como se escolheu o nome da padroeira? Por votação. Democraticamente. O bispo consultou toda a diocese e foi vitorioso o nome de Maria, Mãe do Redentor. Escolheu-se este nome por ser mais ecumênico do que outros como Mãe de Deus, N. Sra. Aparecida, N. Sra da Assunção, etc. Também os evangélicos aceitam o título de Maria, Mãe de Jesus o Redentor. Para nós católicos existe uma só N. Sra, mãe de Jesus e mãe nossa.
A 1ª Romaria foi no atual parque. O altar ficou lá onde hoje tem uma cruz de cedro com madeira vinda de Mato Grosso, doada por Antônio Simões e lapidada pelo artesão Roje Gomes. Daí para frente havia um banhado, que foi aterrado e drenado. Obra do Batalhão Ferroviário de Lajes. Desde o início o exército colaborou sempre generosamente com a Romaria e assim continua até hoje.
Quando eu cheguei a Cachoeira, em 09/09/2000 encontrei a estrutura da cobertura do atual altar. Nos anos seguintes foram feitos: o reboco da estrutura, o altar de mármore com o pavimento, o pavilhão, o portão de entrada, a capelinha e outros melhoramentos. Houve novidades todos os anos. O povo unido a benfeitores de fora realizaram essa maravilha que é hoje em dia o Parque do Santuário Maria, Mãe do Redentor. Ele é hoje em dia um postal da cidade de Cachoeira.
Dia 11 de outubro, venham participar da 15ª Romaria diocesana. Iniciaremos a procissão às 9h diante da Catedral e caminharemos 4 km e 250m até o Parque do Santuário, rezando e louvando a Mãe que nos deu este admirável Redentor. Agradeceremos as graças e bênçãos que ela conseguiu de Jesus por sua intercessão. Pediremos para as nossas famílias: crianças, adolescentes, jovens, pais de família, avós. Pediremos pelas nossas comunidades e nossa sociedade. Pediremos para que nós possamos ser como Maria, discípulos e missionários de seu filho Jesus neste mundo mau, violento, corrupto, e desrespeitador da vida. Você que não pode participar da Romaria, participe em casa, acendendo uma vela às 11h diante da imagem de N. Sra. e rezando Ave Maria... Assim você estará unido a nós que estamos no Santuário celebrando a missa, às 11h. Imagina os 170 mil católicos da nossa diocese homenageando à N. Sra e pedindo a ela as suas bênçãos, ela como Mãe poderá não atender? Maria, Mãe do Redentor rogai por nós. Abençoai-nos. Protegei-nos. E defendei-nos. Amém. Para mais noticias sobre a Romaria acesse o site: www.diocesenet.com.br
Conversando com o povo de Deus (456) Maria, a Mãe do Redentor.
Os nossos irmãos evangélicos nos questionam sobre a nossa veneração a Maria. Alguns nos dizem: “Deixe N. Sra. de lado. Há um só mediador entre Deus Pai e nós, que é Jesus Cristo. Vocês adoram Maria fazendo dela uma deusa. Dia 12 de outubro, dia de N. Sra. Aparecida, não deve ser feriado nacional, porque milhões de brasileiros, nós evangélicos, não a aceitamos como padroeira do Brasil”. E até dizem alguns: “Você que foi tão devota de N. Sra, tanto trabalhou, orou, agora você descobriu que está com câncer. Será que Deus não está dizendo que você deve mudar de religião?”
S. Paulo escreve: “Há um só mediador entre Deus (Pai) e os homens: Jesus Cristo” (1Tim 2,5). Este Jesus admite a intercessão de sua mãe. “Meu Filho eles não tem mais vinho”. Jesus atende ao pedido da mãe, mandando encher as talhas de água e as transforma em vinho. Por isso, rezamos: “Maria, Mãe do Redentor, rogai por nós”. Nas bodas (casamento) de Caná, Maria não só intercede junto de Jesus, mas leva os serventes a Jesus: “Fazei tudo o que ele vos disser”. Por isso, nós usamos a expressão: Por Maria, a Jesus.
Nós não adoramos N. Sra. Ela não é deusa, mas é a mãe de Jesus, nosso Redentor. Por isso, a veneramos e homenageamos. Nós a saudamos com anjo Gabriel: “Ave Maria cheia de graça. O Senhor é convosco”. Com a prima Isabel a proclamamos: “Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre Jesus”. A chamamos de “Santa Maria”, porque Deus a preservou de todo pecado. Ela é “cheia de graça”. Foi a primeira santificada pelos méritos de seu Filho. “Mãe de Deus” (Jesus é Deus Filho que tomou um corpo em Maria. Segundo o Anjo Gabriel, o seu filho será chamado Filho do Altíssimo). Pedimos: “Rogai por nós pecadores” (junto de vosso Filho), “agora e na hora de nossa morte” (que é o momento mais decisivo. Lembremo-nos do Bom ladrão). Nós amamos Maria assim como Jesus a amou. Respeitá-la como Jesus a respeitou. Não queremos falar mal dela. Desfazê-la. Aliás, é ela que mostra o rosto feminino de Deus. O rosto materno de Deus. Gosto demais do canto do Pe. Zezinho: “Como é bonita uma religião que se lembra da mãe de Jesus, mais bonito é saber quem tu és, não és deusa, não és mais que Deus, mas depois de Jesus, o Senhor, neste mundo ninguém foi maior”. Maria é chamada de N. Sra. porque é a mãe de N. Sr. É chamada de Rainha porque é a mãe de Jesus Rei do céu.
Quanto ao sofrimento dos seus devotos, os Evangelhos nos mostram Maria, que sofre devendo fugir pra o Egito para salvá-lo de Herodes. Mostram-nos Maria, sofrendo debaixo da cruz. Simeão, por ocasião da apresentação de Jesus no tempo, tinha profetizado que uma espada transpassaria o seu coração. Jesus não sofreu a crucificação, ele que era sem pecado? Ele não disse? “Quem quiser ser o meu discípulo, tome a sua cruz e me siga”. “Felizes sereis se vos perseguirem por causa de mim”.
O tema da nossa 15ª Romaria é: Maria modelo para o discipulado e a missão. Maria foi discípula de Jesus durante 30 anos. Ela o escutou. Ela o seguiu. Assim nós também devemos escutar e seguir Jesus. Escutá-lo na Bíblia, na missa, na oração, na vida, na prática do amor. Maria foi missionária. Ela evangelizou, aceitando a vontade de Deus em sua vida. Marcou uma presença forte no início do cristianismo. As missões vão acontecer em toda a diocese, pregadas pelos franciscanos. Maria vai nos ajudar nesta preparação, para que sejamos cada vez mais discípulos e missionários de seu Filho, pois Ele é o único caminho que nos conduz para a autêntica felicidade.
Que Maria, a Mãe do Redentor, abençoe e proteja de maneira especial as nossas famílias. Ajude-as na educação dos filhos para a oração, para os limites, para o respeito. É preciso colocar Cristo no coração dos filhos. Maria Mãe do Redentor abençoai-nos.
Conversando com o povo de Deus (457) 15ª Romaria com chuva.
“Que pena que choveu!” E daí? O que N. Sra. nos quis ensinar com isso? Que ninguém de nós determina o tempo, a chuva. Ninguém é manda chuva. É preciso adaptar-se à chuva. Usar a sua inteligência e criatividade. Prevenir-se melhor para o futuro. Mas a chuva mostrou também a utilidade do pavilhão. Mostrou a solidariedade entre as pessoas. As futuras coisas que devemos melhorar. “A chuva é melhor que a seca”, dizia-me um devoto. Outro: “De 2000 para cá nunca choveu, um dia tinha que chover”. Uma coisa que me comoveu foi que o pessoal que trabalhou na Romaria, todos estavam contentes, não obstante a chuva, porque sentiam a presença e a bênção de Maria.
“Romaria assim rendeu pouco”. Claro, poderia ter rendido mais. Mas a finalidade da Romaria não é em primeiro lugar arrecadar dinheiro. É para a manutenção do Santuário e para ajudar numa eventual construção. Neste ano não construímos nada de novo. Preocupamos-nos de maneira especial com o conforto dos romeiros. Para o bem da verdade, devo dizer que praticamente se vendeu tudo, não obstante a chuva que veio pelas 11h20min no momento em que D. Hélio, bispo de Santa Maria, estava fazendo a sua bela homilia. A procissão foi um sucesso. Muito mais gente que no ano passado. O Capitão Soligo me disse, pessoalmente, mais de 60 mil pessoas (Havia também evangélicos, espíritas e outros). Chegando ao pórtico de entrada muitos voltaram para casa. Mas assim mesmo no Parque do Santuário havia mais gente que no ano passado. Com a chuva muitos outros da cidade voltaram, mas o pessoal que veio de ônibus e de carro a grande maioria ficou para a bênção da Saúde, presidida pelo amado D. Ângelo realizada às 14h20min antecipadamente.
É necessário dizer também que a Romaria não é só no dia. Ela começou há cinco meses atrás. Começou com a escolha do tema: “Maria, modelo para o discipulado e missão”. A Comissão da Romaria foi reorganizada. Semanalmente ela realizou as suas reuniões. Foi necessário preparar o material de propaganda: autdoors, cartazes, santinhos. Foi necessário fazer a lista dos doadores de 07 novilhos, 1.100kg de galeto, 400 kg de arroz. Organizar as tendas das 04 paróquias com pastel, salada de fruta, doces e etc. A tenda das lembranças. O serviço do transporte, da segurança, da saúde, da procissão, do som, dos banheiros, etc. Um batalhão de voluntários trabalhou se doou, se sacrificou. Cerca de 500 pessoas. A Comissão de Liturgia convidou o Pe. Enio Rigo de Santa Maria, por duas vezes, para falar sobre a liturgia do dia da Romaria. Toda a cerimônia, leitura, cantos, música, tudo foi muito bem pensado, ensaiado e executado. Todos os padres, diáconos estavam presentes. Três bispos. Uma multidão de pessoas que ninguém conseguiu contar!
A preparação espiritual da Romaria começou em 03 de setembro com a visita da Imagem da Mãe do Redentor às 09 paróquias do “interior”. Nas 04 paróquias da cidade de Cachoeira se realizou a novena a partir do dia 02 de outubro. Todas as 13 paróquias receberam uma Imagem menor da Mãe do Redentor para que a levassem para as comunidades-capelas. Pediu-se que o povo recebesse a Mãe de Jesus solenemente com foguetes, com procissão. Que o sermão do padre fosse sobre o tema da Romaria. Que desse oportunidade de confissão. Fizesse a coleta de víveres para os pobres e de dinheiro para a Romaria.
Por tudo, isso eu bispo da diocese de Cachoeira do Sul afirmo, que não obstante a chuva a 15ª Romaria foi um sucesso e a chuva que caiu tornou-se um sinal de bênçãos. Maria, a Mãe do Redentor, e Mãe nossa, caminha conosco para sermos cada vez mais discípulos e missionários de seu Filho. “Fazei tudo o que ele vos disser”. O meu sincero agradecimento a todos. Só Deus sabe o nome de todos os voluntários.
Conversando com o povo de Deus (458) – Assuntos da atualidade: Anglicanos, e Saramago
De certo você foi surpreendido pelo anúncio da passagem de anglicanos para a Igreja Católica. Há mais de um ano um grupo de anglicanos pediu ao Papa para serem aceitos plenamente na Igreja Católica, mas com a condição de poder conservar elementos do específico patrimônio espiritual e litúrgico anglicano. O Papa mandou estudar a questão com muito cuidado e agora através de uma Constituição Apostólica determinou como seria essa aceitação. A Igreja Católica é uma Igreja séria que não trabalha com precipitações, só para conseguir adeptos, por isso demorou um pouco. A Constituição cria para estes anglicanos um “ordinariato pessoal”, dependente diretamente do Papa, como é a Prelazia da Opus Dei. Eles terão os seus sacerdotes, os seus seminários e os seus seminaristas.
O motivo do pedido de adesão foi realizado por um grande número de anglicanos, entre 20 e 30 bispos, por se sentirem insatisfeitos com algumas modificações feitas na Igreja Anglicana como a ordenação de mulheres para o sacerdócio e episcopado, a ordenação de clérigos que levam uma vida de convivência homossexual e a bênção de casais do mesmo sexo.
Os sacerdotes anglicanos casados continuarão casados, convivendo com as suas esposas e a sua família. Serão ordenados por um bispo católico. Os bispos casados serão recebidos como presbíteros. Isso por razões históricas, pois tradicionalmente o episcopado está ligado ao celibato.
O Arcebispo de Cantuária (Canteburry) mostrou o seu acordo com a solução dada pelo Papa. “Graças ao diálogo entre as duas Igrejas, a Constituição do Papa reconhece a substancial convergência na fé, doutrina e espiritualidade entre a Igreja Católica e a tradição anglicana”, afirma Rowan Williams da Igreja Anglicana. Isso acontece quando o Pe. Marcos Maciel de Caçapava com mais três jovens passou para a Igreja Anglicana Tradicional, uma dissidência no Brasil. Engraçado, não é?
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O escritor português Saramago, prêmio nobel da literatura ao lançar o seu novo romance CAIM disse algumas coisas chocantes, como: “A Bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldades e do pior da natureza humana. Sem a Bíblia, um livro que teve muita influência em nossa cultura e até em nossa maneira de ser, os seres humanos seriam provavelmente melhores”. “Os católicos não lêem a Bíblia, por isso não se metam com o meu livro”. “Que os judeus se possam irritar com o livro admito, mas pouco me importa”. “Será muito difícil para eles explicar e justificar os atos de barbárie de que a Bíblia está repleta”. “Deus não existe fora da cabeça das pessoas que nele crêem”. “Durante a história as religiões, todas elas, sem exceção, fizeram à humanidade mais mal que bem. Por isso, devemos acabar com elas. Não vamos conseguir, mas ao menos tentemo-lo pela a análise e a crítica implacável. A liberdade do ser humano assim o exige”. “O cérebro humano é um grande criador de absurdos. Deus é o maior deles”. Assim pensa Saramago, e você também? Bilhões de pessoas durante a história, entre elas muito cientistas, artistas, gênios, escritores maiores que Saramago, acreditaram na Bíblia como palavra de Deus e continuam acreditando, e eu também. Creram e crêem num ser supremo, eu também. A existência de Deus não depende de Saramago. Ou ele existe ou não existe, independentemente de minha fé, do meu ateísmo, ou dos meus argumentos. A sua fé foi abalada? A minha não. Continuarei a proclamar na missa a palavra de Deus, dizendo: “Palavra do Senhor” ou “Palavra da Salvação”. Continuarei a proclamar que Creio em Deus Pai, criador do céu e da terra. Creio em Jesus Cristo, nosso Salvador, que nos fins dos tempos voltará para julgar os vivos e os mortos. Também a Saramago! Creio no Espírito Santo, Santificador. Creio na Igreja Católica. Creio na ressurreição e na vida eterna. Amém.
Conversando com o povo deus (459) Finados
Finados o que significa? Vem de fim. Dia dos que findaram a caminhada da vida terrestre. Dia dos falecidos. Como Jesus fala da morte? Lázaro, meu amigo não está morto, mas dorme. Jesus compara a morte com um dormir. Aliás, cemitério significa dormitório, onde os mortos dormem. Jesus ressuscitou Lázaro e o filho da viúva de Naim. Esta ressurreição é um voltar à vida de antes. E ambos morreram de novo. Creio em Jesus que ressuscitou ao 3º dia. Creio na ressurreição da carne. O que significa? Jesus não voltou à fase anterior, mas inaugura uma nova fase. Ele não pode mais morrer. Ele é o vivente. Seu corpo é um corpo glorioso, transformado, não está mais sujeito à dor, não precisa mais comer, o faz somente para mostrar que não é um fantasma. Ele aparece e desaparece. Aparece atravessando paredes sem dificuldade. Depois de 40 dias ele volta definitivamente ao Pai, terminando assim a sua presença visível entre nós. Pede que nós continuemos a sua missão: Ide por todo o mundo e fazei meus discípulos todos os povos, ensinando-os o que ele tinha ensinado: instaurar o reino de Deus, de amor e fraternidade, amizade e solidariedade, justiça e verdade, paz e vida, partilha e alegria. Mas um dia chegaremos ao fim de nossa caminhada no corpo. Mas nós não queremos morrer. Lutamos. Resistimos. Por quê? Há um desejo em cada um de nós, que nós não colocamos, o desejo da eternidade. Por que então a morte? Isso mostra que a morte não fazia parte do plano inicial de Deus. O homem e mulher tinham recebido de Deus o dom da imortalidade. Adão e Eva revoltaram-se contra Deus. Comeram do fruto da árvore da ciência do bem e do mal. Até hoje os homens continuam se revoltando. E a morte entrou no mundo. O que é a morte?O fim de tudo? Um salto mortal no abismo (Miguel Unamuno)? Não. A vida não é tirada, mas transformada. Deixamos aqui o invólucro, o corpo. Saímos do espaço e tempo e entramos na eternidade, na vida eterna. Esta será uma vida sem dor, sem guerra, sem violência, sem vícios, sem casamento (Sereis como anjos, diz Jesus), sem morte.
Mas antes disso será o julgamento particular. Num abrir e fechar de olhos a criatura humana estará diante de seu Deus, que é a suma luz, crentes e “saramagos”, nesse momento verá com clareza toda a sua vida vivida. O bem e o mal que fez. Quem sabe, talvez lhe será dada a última chance de escolha entre o bem e o mal. Por Deus ou contra Deus. Os maus (os que morrem em pecado mortal e nele persistem) irão para a condenação (inferno) e os bons pra o reino de Deus, que lhes foi preparado desde o inicio (céu) e para os que morreram em pecados veniais irão passar pela purificação (o purgatório). Nada de impuro, nada imperfeito, trevas podem entrar no céu.
O que é o céu? É a vida no paraíso eterno (Ainda hoje estarás comigo no paraíso). Na Jerusalém celeste. Na moradia celestial (Na casa de meu Pai há muitas moradas). Na participação do banquete eterno ou então nas núpcias eternas do Cordeiro. Na felicidade de Deus. Na vida eterna. Céu é participar do repouso e da paz de Deus. “Dai-lhes Senhor o descanso eterno... Descanse em paz”. È participar do reino de Deus. É ver Deus face a face. Todas as imagens são apenas aproximativas. O céu é a plenitude. “Nenhum olho viu, nenhum ouvido ouviu o que Deus preparou para os que o amam”.
No fim da história da humanidade, ninguém sabe quando será, acontecerá a 2ª vinda de Cristo para julgar vivos e mortos. Então os nossos corpos ressuscitarão. O corpo também participará da glória eterna.
O que estamos fazendo hoje nesse cemitério depositando flores, acendendo velas, rezando missa? Isso não é só uma homenagem aos mortos, um gesto de amor e gratidão, mas a expressão de uma fé. Nós cremos com Judas Macabeu que os mortos sobrevivem e que a nossa oração pode ajudá-los. Colocamos os falecidos debaixo da cruz de Cristo para que o seu sangue redentor os lave de seus pecados. Podemos mesmo receber a indulgência plenária para eles. No dia da ressurreição as sepulturas de nossos cemitérios ficarão vazias. Será a vitória definitiva e total sobre a morte.
Conversando com o povo de Deus ( 460 ) Eu creio em Deus, em que Deus?
Havia um ferreiro que, após uma vida de excessos, resolveu consagrar sua vida a Deus. Durante muitos anos trabalhou com afinco, praticou a caridade, mas apesar de toda sua dedicação nada parecia dar certo na sua vida. Muito pelo contrário, seus problemas e dívidas acumulavam-se cada vez mais.
Uma bela tarde, um amigo que o visitara, e que se compadecia de sua situação difícil, comentou:
“É realmente estranho que, justamente depois que você resolveu se tornar um homem temente a Deus, sua vida começou a piorar. Eu não desejo tirar a sua fé, mas apesar de toda sua crença em Deus, de toda a sua prática religiosa nada tem melhorado”.
O ferreiro não respondeu imediatamente. Ele já havia pensado nisso muitas vezes, sem entender o que acontecia em sua vida. Entretanto, como não queria deixar o amigo sem resposta, encontrou uma explicação. Eis que o ferreiro disse:
“Eu recebo nesta oficina o aço ainda não trabalhado e preciso transformá-lo em espadas. Você sabe como isso é feito? Primeiro eu aqueço a chapa de aço num calor absurdo, até que fique vermelha. Em seguida, sem qualquer piedade, eu pego o martelo mais pesado e aplico golpes até que a peça adquira a forma desejada. Logo, ela é mergulhada num balde de água fria e a oficina inteira se enche com o barulho do vapor. Tenho que repetir esse processo até conseguir a espada perfeita. Uma fez apenas não é suficiente”.
O ferreiro deu uma longa pausa, pensou e continuou: “Às vezes, o aço que chega até minhas mãos não consegue agüentar esse tratamento. O calor, as marteladas e a água fria terminam por enchê-lo de rachaduras. E eu sei que jamais se transformará numa boa lâmina. Então, eu simplesmente o coloco num monte de ferro velho que você viu na entrada de minha ferraria”.
Mais uma pausa e o ferreiro concluiu: “Sei que Deus está me colocando no fogo das aflições. Tenho aceito as marteladas que a vida me dá, e às vezes sinto-me tão frio e insensível como a água que faz sofrer o aço. Mas a única coisa que peço é: ‘Meu Deus, não desista, até que eu consiga tomar a forma que o Senhor espera de mim.Tente da maneira que achar melhor, pelo tempo que quiser, mas jamais, me coloque no monte de ferro velho das almas’.
Deus quer fazer de nós, meu amigo, uma pessoa melhor... Não nos preocupemos com as marteladas da vida, ou as provas de fogo a que somos submetidos. Ele está trabalhando o nosso caráter. Ainda bem, que ele nunca vai desistir de nós! Uma boa semana, meu amigo”.
Jesus disse isso em outras palavras: “Todo ramo que dá fruto, ele poda para que dê mais fruto ainda”. Meu irmão (ã), quem de nós não se perguntou como o ferreiro? Como o seu amigo? Por que depois que nos aproximamos da religião, nos acontecem essas desgraças todas? “Era uma pessoa tão boa não merecia sofrer como ele sofreu”. Jó não se perguntou, Eu que não tenho pecado, por que Deus me está castigando? Os seus amigos também não entendem. Por que o justo Jesus de Nazaré teve que passar pelo castigo do açoite, da coroação de espinhos e da crucificação? Por que Maria , a mãe de Deus, a Imaculada, teve a sua vida traspassada por uma espada de dor? (Lc 2, 35). Por que o sofrimento de tantos mártires?
Conversando com o povo de Deus(461) Os jovens e a violência
A juventude católica está refletindo sobre a violência contra os jovens. Eu gostaria de estender a reflexão. Quais são as causas da violência em geral? O homem quer a paz e acaba praticando a violência. A primeira causa nós encontramos já com os primeiros filhos de Adão e Eva. Caim mata Abel. Por quê? A inveja. Quando Caim viu que Abel, o justo, era mais amado por Deus do que ele, por inveja o matou. A ganância inventou o furto. A ganância inventou a guerra. A ganância inventou o tráfico de drogas. O crack. A destruição da Amazônia. Da natureza.
Outra causa que podemos apontar é o orgulho e a prepotência de homens e nações. Querer mostrar ao outro a sua superioridade. É não querer levar desaforo para casa.
A adoração do Deus Prazer, procurando gozar o máximo e a qualquer custo levou ao vício da bebida e do sexo, das drogas lícitas e ilícitas, ao furto, à violência. Penso nos prazeres ilícitos de fim de semana, que levam tantos à morte. Quantos acidentes mortais de jovens.
A urbanização é outro fator de geração de violência. Vive-se apertado, comprimido nos ônibus, nas ruas, por toda a parte. Vive-se recalcado na família, na escola. Perigo de trânsito. Daí a necessidade de libertar-se das tensões e recalques. Daí a violência.
A pobreza e a fome também levam à violência. Aliás, a pobreza já é uma violência e que produz mais violência.
Outra causa é a nossa sociedade de consumo. A sociedade do supérfluo. E a prova é que precisamos de horas de propaganda de artigos pra que os compremos. Por quê? Porque a natureza não sente a necessidade. Logo é preciso impingir estes bens de consumo pela propaganda, suscitando o desejo de possuir. “Por que os ricos podem ter tudo isso e eu não? Só porque nasceram em berço esplêndido? A única maneira de possuí-los é através da violência”.
A falta de fé é outro fator de violência. A falta de prática religiosa. Deus não é mais o centro da vida das pessoas. Hoje se adora o Deus Prazer, o Deus Ter, o Deus Poder. Ou numa palavra é o Deus Dragão voraz e escravizador ao qual se sacrificam as melhores energias, toda a vida. Escutando os jovens, para eles a violência é gerada pelas famílias desestruturadas, pelas escolas alienadas, pela sociedade opressora. Pelo sistema. Por isso, a maioria das mortes violentas são de jovens e por isso também eles são violentos. Pena, que eu não ouvi nenhuma reflexão de que os jovens também têm a sua culpa, a sua parte, nesta violência que está aí.
Consultemos a Bíblia. Jesus nos diz: Eu vos dou a minha paz, não como o mundo a dá. Mas o que mundo sem Deus dá, é a paz imposta ao vencido na guerra. Obriga-o a pagar pesados impostos. Temos a paz do mais fraco, que a aceita enquanto não pode vencer o opressor. Há também a paz dos cemitérios, dos mortos. A paz de Cristo é interior, é espiritual. A verdadeira paz existe onde a pessoa está reconciliada com Deus, consigo e o próximo. Paz é alegria. É felicidade. É amizade com Deus.
O que fazer? É preciso botar Cristo no nosso coração, na nossa mente e de nossos irmãos. Dizer que Deus, as religiões fizeram mais mal do que bem é ser cego para a história como Saramago. É preciso rezar com S. Francisco: “Senhor fazei de mim instrumento de vossa paz”.
Mas isto não basta. A paz também é construção nossa. A oração nos ajudará, dando-nos força, luz, perseverança. É preciso dar-nos as mãos, jovens e adultos, vivendo o perdão, a justiça, o respeito pelo próprio corpo e pelo próximo e pela natureza, ... a honestidade, por favor.
Conversando com o povo de Deus(461) Os jovens e a violência
A juventude católica está refletindo sobre a violência contra os jovens. Eu gostaria de estender a reflexão. Quais são as causas da violência em geral? O homem quer a paz e acaba praticando a violência. A primeira causa nós encontramos já com os primeiros filhos de Adão e Eva. Caim mata Abel. Por quê? A inveja. Quando Caim viu que Abel, o justo, era mais amado por Deus do que ele, por inveja o matou. A ganância inventou o furto. A ganância inventou a guerra. A ganância inventou o tráfico de drogas. O crack. A destruição da Amazônia. Da natureza.
Outra causa que podemos apontar é o orgulho e a prepotência de homens e nações. Querer mostrar ao outro a sua superioridade. É não querer levar desaforo para casa.
A adoração do Deus Prazer, procurando gozar o máximo e a qualquer custo levou ao vício da bebida e do sexo, das drogas lícitas e ilícitas, ao furto, à violência. Penso nos prazeres ilícitos de fim de semana, que levam tantos à morte. Quantos acidentes mortais de jovens.
A urbanização é outro fator de geração de violência. Vive-se apertado, comprimido nos ônibus, nas ruas, por toda a parte. Vive-se recalcado na família, na escola. Perigo de trânsito. Daí a necessidade de libertar-se das tensões e recalques. Daí a violência.
A pobreza e a fome também levam à violência. Aliás, a pobreza já é uma violência e que produz mais violência.
Outra causa é a nossa sociedade de consumo. A sociedade do supérfluo. E a prova é que precisamos de horas de propaganda de artigos pra que os compremos. Por quê? Porque a natureza não sente a necessidade. Logo é preciso impingir estes bens de consumo pela propaganda, suscitando o desejo de possuir. “Por que os ricos podem ter tudo isso e eu não? Só porque nasceram em berço esplêndido? A única maneira de possuí-los é através da violência”.
A falta de fé é outro fator de violência. A falta de prática religiosa. Deus não é mais o centro da vida das pessoas. Hoje se adora o Deus Prazer, o Deus Ter, o Deus Poder. Ou numa palavra é o Deus Dragão voraz e escravizador ao qual se sacrificam as melhores energias, toda a vida. Escutando os jovens, para eles a violência é gerada pelas famílias desestruturadas, pelas escolas alienadas, pela sociedade opressora. Pelo sistema. Por isso, a maioria das mortes violentas são de jovens e por isso também eles são violentos. Pena, que eu não ouvi nenhuma reflexão de que os jovens também têm a sua culpa, a sua parte, nesta violência que está aí.
Consultemos a Bíblia. Jesus nos diz: Eu vos dou a minha paz, não como o mundo a dá. Mas o que mundo sem Deus dá, é a paz imposta ao vencido na guerra. Obriga-o a pagar pesados impostos. Temos a paz do mais fraco, que a aceita enquanto não pode vencer o opressor. Há também a paz dos cemitérios, dos mortos. A paz de Cristo é interior, é espiritual. A verdadeira paz existe onde a pessoa está reconciliada com Deus, consigo e o próximo. Paz é alegria. É felicidade. É amizade com Deus.
O que fazer? É preciso botar Cristo no nosso coração, na nossa mente e de nossos irmãos. Dizer que Deus, as religiões fizeram mais mal do que bem é ser cego para a história como Saramago. É preciso rezar com S. Francisco: “Senhor fazei de mim instrumento de vossa paz”.
Mas isto não basta. A paz também é construção nossa. A oração nos ajudará, dando-nos força, luz, perseverança. É preciso dar-nos as mãos, jovens e adultos, vivendo o perdão, a justiça, o respeito pelo próprio corpo e pelo próximo e pela natureza, ... a honestidade, por favor.
Conversando com o povo de Deus(461) Os jovens e a violência
A juventude católica está refletindo sobre a violência contra os jovens. Eu gostaria de estender a reflexão. Quais são as causas da violência em geral? O homem quer a paz e acaba praticando a violência. A primeira causa nós encontramos já com os primeiros filhos de Adão e Eva. Caim mata Abel. Por quê? A inveja. Quando Caim viu que Abel, o justo, era mais amado por Deus do que ele, por inveja o matou. A ganância inventou o furto. A ganância inventou a guerra. A ganância inventou o tráfico de drogas. O crack. A destruição da Amazônia. Da natureza.
Outra causa que podemos apontar é o orgulho e a prepotência de homens e nações. Querer mostrar ao outro a sua superioridade. É não querer levar desaforo para casa.
A adoração do Deus Prazer, procurando gozar o máximo e a qualquer custo levou ao vício da bebida e do sexo, das drogas lícitas e ilícitas, ao furto, à violência. Penso nos prazeres ilícitos de fim de semana, que levam tantos à morte. Quantos acidentes mortais de jovens.
A urbanização é outro fator de geração de violência. Vive-se apertado, comprimido nos ônibus, nas ruas, por toda a parte. Vive-se recalcado na família, na escola. Perigo de trânsito. Daí a necessidade de libertar-se das tensões e recalques. Daí a violência.
A pobreza e a fome também levam à violência. Aliás, a pobreza já é uma violência e que produz mais violência.
Outra causa é a nossa sociedade de consumo. A sociedade do supérfluo. E a prova é que precisamos de horas de propaganda de artigos pra que os compremos. Por quê? Porque a natureza não sente a necessidade. Logo é preciso impingir estes bens de consumo pela propaganda, suscitando o desejo de possuir. “Por que os ricos podem ter tudo isso e eu não? Só porque nasceram em berço esplêndido? A única maneira de possuí-los é através da violência”.
A falta de fé é outro fator de violência. A falta de prática religiosa. Deus não é mais o centro da vida das pessoas. Hoje se adora o Deus Prazer, o Deus Ter, o Deus Poder. Ou numa palavra é o Deus Dragão voraz e escravizador ao qual se sacrificam as melhores energias, toda a vida. Escutando os jovens, para eles a violência é gerada pelas famílias desestruturadas, pelas escolas alienadas, pela sociedade opressora. Pelo sistema. Por isso, a maioria das mortes violentas são de jovens e por isso também eles são violentos. Pena, que eu não ouvi nenhuma reflexão de que os jovens também têm a sua culpa, a sua parte, nesta violência que está aí.
Consultemos a Bíblia. Jesus nos diz: Eu vos dou a minha paz, não como o mundo a dá. Mas o que mundo sem Deus dá, é a paz imposta ao vencido na guerra. Obriga-o a pagar pesados impostos. Temos a paz do mais fraco, que a aceita enquanto não pode vencer o opressor. Há também a paz dos cemitérios, dos mortos. A paz de Cristo é interior, é espiritual. A verdadeira paz existe onde a pessoa está reconciliada com Deus, consigo e o próximo. Paz é alegria. É felicidade. É amizade com Deus.
O que fazer? É preciso botar Cristo no nosso coração, na nossa mente e de nossos irmãos. Dizer que Deus, as religiões fizeram mais mal do que bem é ser cego para a história como Saramago. É preciso rezar com S. Francisco: “Senhor fazei de mim instrumento de vossa paz”.
Mas isto não basta. A paz também é construção nossa. A oração nos ajudará, dando-nos força, luz, perseverança. É preciso dar-nos as mãos, jovens e adultos, vivendo o perdão, a justiça, o respeito pelo próprio corpo e pelo próximo e pela natureza, ... a honestidade, por favor.
Conversando com o povo de Deus (462) Retiro em Vale Vêneto
Do dia 16, à noite até o meio-dia do dia 20/11, o bispo com os seus padres e diáconos fez o retiro anual pregado por Dom Gílio Felício, bispo de Bagé, em Vale Vêneto. Retiro, o que é isso? Vem de retirar-se. “E Jesus se retirou para a montanha para rezar”. Retirado, a gente reza melhor. O bispo com os padres e os diáconos se retirou. Eles deixaram as paróquias, o bispado. Desligaram-se das preocupações, compromissos, de tudo e vieram para longe para não serem perturbados por ninguém. Nem pelo telefone, nem pelos jornais e TV. Convidaram um pregador para conduzir o retiro. O horário é bastante light. Para fazer um bom retiro é preciso estar bem descansado. Por isso, o primeiro compromisso foi o café às 7.30, em silencio. Almoço e jantar também com fundo musical. Para a gente se encontrar consigo e com Deus o silêncio é fundamental. É um silêncio fecundo. Claro existe também o silêncio “vagabundo”, que é prejudicial. A casa de retiro das Irmãs do Imaculado Coração de Maria fica num ambiente paradisíaco. Como é bom escutar o canto dos sabiás, o chilrear das andorinhas, o martelar dos sapos, o chuá-chuá da corrente de água que passa no meio da casa.
Bem, o êxito do retiro depende 80% do quem o faz e 20% do pregador. Este é aquele que conduz o retiro com as meditações ou palestras. Ele indica os livros a ler, ou trechos da Bíblia para depois partilhar em grupo. Fizemos juntos o programa do retiro com os horários. Às 8.15 laudes (oração da manhã) com meditação. Tempo para leitura. Às 10h cafezinho. As 11.30 meditação e depois almoço e sesta. Às 14.30, hora média com mais uma meditação. Tempo para leitura. As 16.00 lanche e as 16.30 outra meditação. Missa concelebrada às 18h e depois o jantar. Às 20h Adoração do Santíssimo, no 1º dia, confissão dos padres, via sacra, e terço no 2º e 3º dia. Estou escrevendo estes pormenores porque a maioria das pessoas nunca fez um retiro ou também para os que já fizeram mas gostariam de saber como é o retiro de padres e diáconos.
D. Gílio começou dizendo que vai abordar o relacionamento do padre com Deus, com os irmãos e com a natureza. Estamos no ano sacerdotal, ano dedicado aos sacerdotes, que iniciou em 19 de junho e termina oficialmente em 19 de junho de 2010. O padroeiro dos padres é S. João Maria Vianney. Pediu que lêssemos a Encíclica do Papa João XXIII sobre ele e o livro “Pároco de Ars” de Walter Nigg. Falou-nos da falta de auto-estima que muitos padres têm de si por incrível que pareça. É preciso reavivar a consciência de que o sacerdote é o vigário de Cristo, é outro Cristo, é propriedade de Deus, consagrado. O mundo de hoje vive uma crise de identidade, de valores, de ralacionamento com a natureza, com a vida. Os presbíteros só formando uma família presbiteral unida ao bispo poderão enfrentar a situação. Esta família cultiva a amizade e promove a pastoral da amizade. Vive a alegria. Os sacerdotes mostram a identidade de sua igreja, quando constroem uma comunidade que escuta e acolhe, que celebra, e que vive a caridade, optando pelos pobres. A cruz faz parte da vida do sacerdote como de todo cristão. Fez parte da vida de Cristo. Cristo continua sendo crucificado nos dias de hoje nos inocentes, nos famintos, nos índios, nos afro-brasileiros, na mulher oprimida. Na cruz a salvação. Na cruz a glória. Eis alguns breves pensamentos extraídos das colocações de Dom Gílio. O espaço é limitado.
Agradeço a Deus por estes dias abençoados. Tempo de avaliação da caminhada. Tempo de projeção. Tempo de reflexão. Levo as seguintes perguntas: O que Deus quer de mim hoje? Qual o meu compromisso como bispo? Qual é a minha prioridade?
Conversando com o povo de Deus (....) Castigo de Deus?
Algumas considerações. “Chove chuva, chuva chove chovendo, sua Guaíba (Jacui, digo eu) vai enchendo”, escreveu um dia o poeta gaúcho Mário Quintana. No dia 26/11 viajei a POA, passando por cima da ponte Fandango. Nunca vi tanta água dos dois lados da BR153. A estrada estava transformada em uma taipa. Amedrontadora a passagem sobre a ponte. As águas invadindo casas, cobrindo plantações de arroz, matando animais. Que dilúvio. “Desde 1941 não houve mais enchente assim. Desde o mês de novembro 1986, não havia chovido tanto num mês de novembro”. Parece cíclico ou não?
Dizem alguns que os cachoeirenses atiram o lixo por toda parte menos na lixeira. Vêm as chuvas, o lixo entope os bueiros, as bocas de lobo, leva o lixo para os arroios e as águas sobem inundando ruas e casas. O culpado é Deus por ocaso?
O ano de 2009 não somente é pródigo em enchentes, mas também em tormentas, tornados, granizo, em chuvas demasiadas e violentas que estragaram as plantações. Quanto vai ser possível plantar arroz, colher fumo? Castigo de Deus? Deus fez chover 40 dias e 40 noites, mas antes pediu que o justo Noé com a sua família construísse uma arca (Arca de Noé) e nela entrasse levando um casal de todos os animais e o resto da humanidade pecadora pereceu. A Bíblia também nos narra que os filhos de Jacó foram ao Egito comprar trigo porque estava fazendo seca em Israel, porque no Egito depois de 07 anos de vacas gordas, vieram os 07 anos de vacas magras, mas José do Egito tinha mandado construir silos para guardar as sobras. Assim o trigo não faltou para os egípcios, nem para os estrangeiros. O que Deus nos quer ensinar com isso? Que devemos ser inteligentes como José do Egito? Quero acrescentar ainda que Jesus, quando lhe vieram informar que a torre de Siloé tinha caído e matado diversas pessoas, disse: “Vocês acham que aqueles que morreram eram mais culpados do que vocês? Se não fizerem penitência e se converterem perecerão todos”.
Há os que dizem que Deus está castigando o mundo de hoje porque o excluiu totalmente. O mundo adora os deuses do ter, poder e prazer. Escolheu o caminho da morte, veja o aborto, o sexualismo, as drogas, as guerras, a violência numa palavra. Quem ainda se pergunta pela lei de Deus? Tudo é permitido. Você decide.
Há os que dizem que aquilo que está acontecendo é conseqüência da agressão que o homem pratica em relação à natureza através do desmatamento irresponsável, da eliminação da mata ciliar, do uso indiscriminado dos agrotóxicos, da emissão de gases, a destruição da camada de ozônio. A poluição da terra, das águas e do ar. Castigo da natureza? A natureza se vinga sim. Mas quem criou as leis da natureza com causa e efeito? Deus. Deus na sua infinita sabedoria deu ao homem a liberdade de escolher entre o caminho da vida e o caminho da morte. Seguir as leis naturezas ou agredi-las.
O que dizer? Todas as respostas têm um que de verdade, mas nenhuma explica tudo. O mais importante de tudo isso é perguntar-se para que Deus permite tudo isso? Para que usando a nossa inteligência aprendamos uma nova maneira de viver, passando de uma economia construída sobre a ganância e o consumo para uma economia solidária e de sobriedade. Para que mostremos nesse momento a nossa solidariedade para com os atingidos. Somos ou não somos irmãos? Não podemos ficar nos lamentando e acusando os outros. Perguntemos-nos seriamente: Em que posso ajudar? Que o Bom Deus abençoe a todos.
Visita Ad Limina de 27/11 a 10/12/2009
Visita ad limina significa visita aos túmulos dos apóstolos, isto é, de S. Pedro e Paulo, fundamentos da Igreja Católica. De cinco em cinco anos, os bispos de mundo inteiro são convidados pelo Papa, segundo o Direito canônico, para esta visita, que hoje consta da visita também às Basílicas de Santa Maria Maior e S. João Latrão, onde os bispos concelebram a missa, rezando pela Igreja universal e suas dioceses locais. Além disso, são previstos dois encontros com o Papa, um em particular e outro com todos. São previstos encontros com as diversas Congregações e Conselhos ou Dicastérios, para nós seriam Ministérios, que ajudam o Papa no governo da Igreja. Já no início de 2009 foi mandado um relatório qüinqüenal (2003-2007) sobre a situação religiosa, econômica, social e política de nossa diocese de Cachoeira do Sul. Relatório que foi lido pelos diversos Dicastérios (22), e que foi depois discutidos nos diversos encontros).
A visita dos bispos do Brasil está sendo feita por regionais, que no Brasil são 17. Nós do RS, CNBB Sul 3, 18 dioceses, e SC, Sul 4, com 10, fomos convidados para fazermos a visita em conjunto. Somos 20 bispos pelo RS e 10 por SC.
Quem paga? A viagem até Roma, ida e volta, fica por conta das dioceses, já que o bispo está participando em nome da sua diocese. A estadia aqui na casa Santa Marta, dentro do Vaticano, a diária é de 100 euros, paga pelo Vaticano. Os deslocamentos de “pullminos” é oferta do pessoal da “Obra da Igreja”. As fotos, livros, lembranças, bênçãos, cafezinhos (cappuccino), metrô, bus, taxi, roupas, jantar fora é do bolso dos bispos. Mas posso afirmar que os bispos não são gastadores, não. Também com os preços daqui.
Iniciamos a nossa viagem com a TAM juntos, menos alguns, que já tinham viajado anteriormente, em POA, dia 26/11, às 13.00. Depois de um vôo de 1.35 estávamos em Guarulhos, SP. Lá fizemos o check-in na Alitalia para Roma. Saímos às 17.25 e chegamos a Roma, dia 27, às 7.45, depois de cerca 11h de vôo ininterrupto. A pessoa humana tem uma resistência fantástica e um poder de adaptação inimaginável. No aeroporto ficamos sabendo que o bispo de Bagé tinha fica retido no aeroporto de S.P. por falta de passaporte. Este tinha sido enviado em POA distraidamente numa mala direta para Roma. Assim o passaporte veio com as suas malas, mas ele ficou retido em S.P., conseguindo chegar a Roma só no dia 30/11, 2ªfª. Imaginem como ficou o bispo azarado. Como ficamos nós os seus colegas...
Ao sairmos do aeroporto nos esperava uma guia brasileira com o ônibus, gentileza da Unitur, que nos levou até a Casa Santa Marta, dentro do Vaticano. Tiramos as malas mas não conseguimos ocupar os quartos, que estavam sendo desocupados. Eu que não dormira no avião, pingando de sono, não pude tirar uma soneca antes do almoço das 13.00. Aproveitamos para caminhar e comprar cartões para telefonar. Acabamos batendo no apartamento do Cardeal D. Cláudio Hummes, fora do Vaticano, onde fomos calorosamente acolhidos e tomamos um cafezinho.
Voltando à casa Santa Marta, como é bom passar pela guarda suíça, eles batem continência como se a gente fosse um general. Ocupamos então os nossos quartos que, durante o conclave para eleição do novo Papa, são ocupados pelos cardeais eleitores. Depois do almoço deu enfim para dormir um pouco. O resto da tarde foi dedicado para acertar o planejamento e celebrar a missa. Bispo sem missa diária não se sente bem. Assim terminou o primeiro dia de nossa visita ad limina. Voltaremos em 2010, pois o Natal e o Ano Novo estão chegando.
Conversando com o povo de Deus (465). É Natal mais uma vez.
Natal é o aniversário do nascimento de Jesus, Filho de Deus, que se encarnou. Fez-se um de nós para nos salvar. O sentimento da necessidade de salvação é universal. O homem se sente incapaz de se libertar a si mesmo, de suas alienações, de suas fraquezas, de seus vícios e pecados. Este sentimento era muito difuso em Israel, assim os profetas mantiveram este desejo com as suas profecias. “Ele virá”. “Eis que uma virgem conceberá, profetizara Isaías, e dará à luz a um filho que será chamado Deus conosco”. E o anjo na noite santa de Natal anuncia aos pastores: “Vos anuncio uma grande alegria, eis que vos nasceu o Salvador”. E o coro dos anjos prorrompe cantando: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens que Deus quer bem”. A humanidade se preparou para a vinda do Messias Salvador durante milênios. Nós nos preparamos com a celebração dos 04 domingos do advento. Coroa do advento com 04 velas, cada domingo se acende mais uma. Tempo do advento, tempo de alegria e de oração vigilante na expectativa da vinda. Tempo em que no Brasil se realiza a Campanha da Evangelização, cuja coleta no domingo de Ramos teve o objetivo de recolher fundos necessários para a evangelização. Você já deu a sua colaboração? Nunca é tarde. O mundo dos negócios se prepara com a oferta de presentes do Papai Noel.
Papai Noel, alegria das crianças e adultos, teve a sua origem em São Nicolau, que no Natal, vestido de bispo com mitra, distribuía presentes para as crianças. O menino Jesus através de S. Nicolau distribuiu os presentes. Para os que crêem, Jesus continua hoje distribuindo presentes através do Papai Noel. Você pensa em Jesus, que o ama, vendo o Papai Noel?
Jesus nasceu em Belém, mas não sabemos exatamente o dia, pois a Bíblia não no-lo diz. A data foi colocada pelos cristãos, no dia 25 de dezembro, dia do deus Sol, adorado pelos romanos, querendo dizer que o verdadeiro sol é Jesus Cristo. Ele é a luz do mundo. Quem o segue não anda nas trevas. Ele é a sua luz? O Natal, hoje, não é mais só dia 25, já está sendo celebrado muito antes nas escolas, nas empresas, nos grupos religiosos ou não. Acontece o churrasco da confraternização, da revelação do amigo secreto com os presentes, com os votos de um Feliz Natal. Que bonito. Feliz Natal, o que de fato as pessoas pensam desejar? Feliz jantar com peru? Boa sorte? Bons negócios? Gozo de prazeres materiais? Bom feriadão?
Para S. Francisco de Assis o Natal era a festa das festas, porque Deus Pai nos amou tanto, que mandou-nos o seu próprio Filho, que assumiu a nossa natureza humana com o cosmos (ecologia). Que humilhação da parte de Deus, que só o amor explica. Cristo com a sua encarnação mostrou o valor da pessoa humana e da natureza. Ele nos divinizou. Por isso, Francisco queria não só a fraternidade entre nós, mas de maneira especial neste dia com os pobres, porque Jesus se fez pobre. Eles deveriam receber nesse dia de Natal uma refeição melhor. Mas não só, mas também os animais deviam receber uma porção maior de comida no Natal, e de maneira especial, o boi e o burro que tinham esquentado Jesus no presépio. Irmãos (ãs) celebremos o Natal com alegria e generosidade em família, mas sem excluir os pobres e os animais de um presente.
Feliz Natal de muita paz, união e fraternidade. Somos todos irmãos (ãs). Deus criou a nós e o mundo.
Conversando com o Povo de Deus (470) Visita Ad Limina de 27/11 a 10/12/2009 (1)
Começarei somente hoje a publicar a Visita dos Bispos a Roma. Por quê? Porque houve muitos assuntos antes mais prementes, como o Natal, o Ano Novo e a Mensagem do Papa sobre a Paz e a Criação.
Visita ad limina significa visita aos túmulos dos apóstolos, isto é, de S. Pedro e Paulo, fundamentos da Igreja Católica. De cinco em cinco anos, os bispos de mundo inteiro são convidados pelo Papa, segundo o Direito canônico, para esta visita, que hoje consta da visita também às Basílicas de Santa Maria Maior e S. João Latrão, onde os bispos concelebram a missa, rezando pela Igreja universal e suas dioceses locais. Além disso, são previstos dois encontros com o Papa, um em particular e outro com todos. São previstos encontros com as diversas Congregações e Conselhos ou Dicastérios, para nós seriam Ministérios, que ajudam o Papa no governo da Igreja. Já no início de 2009 foi mandado um relatório qüinqüenal (2003-2007) sobre a situação religiosa, econômica, social e política de nossa diocese de Cachoeira do Sul. Relatório que foi lido pelos diversos Dicastérios (22), e algo disso foi depois discutido nos diversos encontros.
A visita dos bispos do Brasil está sendo feita por regionais, que no Brasil são 17. Nós do RS, CNBB Sul 3, 18 dioceses, e SC, Sul 4, com 10, fomos convidados para fazermos a visita em conjunto. Éramos 20 bispos pelo RS e 10 por SC.
Quem paga? A viagem até Roma, ida e volta, fica por conta das dioceses(1.200,00 USA), já que o bispo está participando em nome da sua diocese. A estadia aqui na casa Santa Marta, dentro do Vaticano, junto da Basílica São Pedro, a diária é de quase 100 euros, paga pelo Vaticano. Os deslocamentos de “pullminos” é oferta do pessoal da “Obra da Igreja”. As fotos, livros, lembranças, bênçãos, cafezinhos (cappuccino), metrô, bus, taxi, roupas, jantar fora é do bolso dos bispos. Mas posso afirmar que os bispos não são gastadores, não. Também com os preços altos daqui.
Iniciamos a nossa viagem com a TAM juntos, menos alguns, que já tinham viajado anteriormente, em POA, dia 26/11, às 13.00. Depois de um vôo de 1.35 estávamos em Guarulhos, SP. Lá fizemos o check-in na Alitalia para Roma. Saímos às 17.25 e chegamos a Roma, dia 27, às 7.45, depois de cerca 11h de vôo ininterrupto. A pessoa humana tem uma resistência fantástica e um poder de adaptação inimaginável. No aeroporto ficamos sabendo que o nosso colega de Bagé tinha fica retido no aeroporto de S.P. por falta de passaporte. Este tinha sido enviado em POA distraidamente numa mala direta para Roma. Assim o passaporte veio com as suas malas, mas ele ficou retido em S.Paulo. Imaginem como ficou o bispo azarado. Como ficamos nós os seus colegas... Graças a Deus conseguimos através de um sacerdote que viajou para o Brasil mandar-lhe o passaporte.
Ao sairmos do aeroporto nos esperava uma guia brasileira com o ônibus, gentileza da Unitur, que nos levou até a Casa Santa Marta, dentro do Vaticano. Tiramos as malas, mas não conseguimos ocupar os quartos, que estavam sendo desocupados. Eu que não dormira no avião, pingando de sono, não pude tirar uma soneca antes do almoço das 13.00. Aproveitamos para caminhar e comprar cartões para telefonar. Acabamos batendo no apartamento do Cardeal D. Cláudio Hummes, fora do Vaticano, onde fomos calorosamente acolhidos e tomamos um cafezinho.
Voltando à casa Santa Marta, como é bom passar pela guarda suíça, eles batem continência como se a gente fosse um oficial do exército. Ocupamos então os nossos quartos que, durante o conclave para eleição do novo Papa, são ocupados pelos cardeais eleitores. Depois do almoço deu enfim para dormir um pouco. O resto da tarde foi dedicado para acertar o planejamento e celebrar a missa. Bispo sem missa diária não se sente bem. Assim terminou o primeiro dia de nossa visita ad limina. (Continua)
Louvado sejas, meu Senhor (inspirando em S. Francisco de Assis no Cântico das Criaturas) pela Visita ad limina e à Alemanha. Louvado sejas pelos cartões de Natal e Ano Novo e presentes recebidos, incluo o do JP. Louvado sejas pelas alegrias e tristezas, sucessos e fracassos de 2009. Louvado sejas,meu Senhor, pela férias de 05 dias passadas no HCB de Cachoeira do Sul. Louvado sejas pela acolhida da Provedoria do Hospital, destaco o Dr. Florence, pelos médicos cirurgiões: Dr. Lauderi e dr. Eduardo, Dr. Fernando anestesista e Dr. Rudinei, pelo grupo atencioso das enfermeiras(os) e da pastoral hospitalar(Guardo o nome de todas(os)). Louvado sejas pelas visitas e telefonemas dos padres, diáconos, seminaristas, religiosas(os), diocesanos. A doença também é fonte de bênção, de solidariedade, união, comunhão e amizade. De reflexão: “Quem sou eu?”
Conversando com o povo de Deus (468) Visita ad limina (2)
Continuamos a série da visita dos Bispos do RS e SC a Roma. Dia 28/11/2009, sábado, às 9h iniciamos a nossa visita ao Conselho pela Pastoral da Saúde (1). Depois de uma breve oração recebemos as boas vindas. Depois aconteceu a apresentação dos membros do Conselho, entre eles há uma médica carioca, a Ir. Juliana. D. Liro fez a nossa apresentação e um resumo do que estamos fazendo nas nossas dioceses. Eles nos colocaram o trabalho que realizam editando uma revista, publicando livros sobre a drogadição, realizando viagens para realizar palestras e encontros para estimular a Pastoral da Saúde. Acentuaram a importância da Pastoral da Saúde nos hospitais. “Há mais doentes nos hospitais, que fiéis em nossas igrejas”. A Igreja tem que estar presente de maneira especial junto de seus fiéis que sofrem. Lembraram-nos da necessidade de constituir associações de médicos católicos e enfermeiros, da necessidade da educação sexual e do estudo da bioética. E elogiaram o grande trabalho que a Igreja católica realiza no Brasil.
Depois, às 11h, fomos visitar a Congregação pela Doutrina da Fé (2), que tem como presidente um cardeal, que é o sucessor do Card. Ratzinger. O esquema inicial é o mesmo do anterior. Pedimos diversas explicações entre eles sobre o grupo de anglicanos que quer voltar à união, sobre os pontos de nossa fé que devemos acentuar, sobre o diálogo com outras religiões e filosofias, etc. Colocamos também a necessidade de um estudo sério sobre a canonização do Padre Cícero. Foi uma conversa franca, alegre e fraterna. Ao chegar em casa recebi a notícia, que 2ª fª, seria recebido pelo Papa às 11.45. Assim terminou o 2º dia.
Domingo, dia 29/11, programa livre. Eu fui matar as saudades de minha capelania, do tempo em que eu trabalhei em Roma, de 1985 a 1991, em Bosco Marengo, Roma. Lá encontrei as Irmãs Franciscanas, um pouco envelhecidas, como eu também, e diversas famílias que participavam da missa aos domingos e cujas casas eu benzi no tempo da quaresma. Concelebrei com os 03 freis, + Aloísio e + Irineu Gassen e Fr. Nestor. Recordar é reviver. Depois almoçamos juntos na Cúria Geral dos Franciscanos com o Card. + Cláudio Hummes e o Fr. Romano Dellazari, professor de exegese na PUC, que faz a sua pós-graduação. De noite, fui comer uma pizza com o Pe. Manuel, ex-professor da PUC e ex-pároco da paróquia N. Sra. Aparecida, em Ipanema, POA e que trabalha como secretário particular do Card. Dom Cláudio. Assim terminou o 3º dia.
Segunda, dia 30/11, às 7.30, nós 30 bispos, celebramos a missa no altar do Túmulo de S. Pedro, que fica na cripta da Basílica. É a 2ª vez que tenho esta graça, a 1ª foi em novembro de 2002. S. Pedro, aquele que Jesus constituiu o chefe da Igreja, foi de Jerusalém para Antioquia e de lá para Roma, onde foi crucificado de cabeça para baixo e depois sepultado, lá onde estávamos celebrando a missa. Tudo isso parece um sonho. Emocionante.
Depois visitamos, às 9.30, o Conselho “Cor Unum” (3), que realiza projetos de caridade com doações recebidas de entidades e de fiéis. Não tem nada a haver com o Óbolo de S. Pedro. O Conselho recebe pedidos para pequenos projetos para indígenas, agricultores e outros. Foi fundado por Paulo VI. A fé deve produzir frutos de caridade. “A fé sem as obras é morta”. Existe a caridade particular e a caridade social.
Por causa da minha visita ao Papa, ás 11.45, não pude comparecer aos encontros, às 11.00, com o Tribunal da Signatura Apostólica (4) e depois com a Penitenziaria Apostólica (5). De noite, os bispos do RS tiveram um encontro com a Comunidade Santo Egídio, que tem um pequeno grupo também em Cachoeira, pela qual fomos convidados para a oração das Vésperas e um encontro com jantar. Estivemos na sala, onde, em 04 de outubro de 1992, por intermediação da Comunidade Santo Egídio, foi assinada a paz em Moçambique, entre a Renamo (comunista) e a Fremlino. Eles promovem também todos os anos o Congresso Internacional pela Paz. Eu tive a graça de participar do mesmo no ano passado em Cracóvia, Polônia. Sobre o encontro com o Papa falarei num outro Conversando. Assim terminou o 4º dia.
Conversando com o povo de Deus (477) Visita ad limina (8)
Continuemos... Dia 08/12, dia da Imaculada Conceição. Em Cachoeira é feriado municipal porque é a data da padroeira do município, mas aqui é feriado religioso em toda a Itália. O Papa foi a Piazza di Spagna colocar uma coroa de flores diante da imagem de N. Sra. da Conceição e depois fez o mesmo dentro do Vaticano, na gruta de N. Sra. de Lourdes. Os meus colegas bispos aproveitaram para uma excursão, gentileza dos Legionários de Cristo, para o Monte Subiaco, onde S. Bento viveu e fundou a ordem dos beneditinos. Lembre-se que o Papa atual é um grande admirador deste santo, por isso, escolheu o nome de Bento XVI. Lá celebraram a missa e depois na volta passaram nos Legionários onde jantaram. Eu tive que ficar em casa porque o meu joelho começou a doer muito. Vocês sabem jogador de futebol que sente uma lesão pede para sair do jogo para não piorar a lesão! O que houve? Não sei. Só sei que aconteceu de repente: dor e dificuldade em caminhar. Menisco? (Hoje, dia 10/03/2010, eu sei: foi ruptura do menisco). Este foi o 12° dia.
Graças ao comprimido paracetamol, dormi bem e hoje de manhã, dia 09, já pude, não obstante, a dificuldade de caminhar acompanhar a visita à Congregação da Causa dos Santos (18) e à Comissão para a América Latina (19). Na Congregação fomos informados como estavam as causas de canonização, último estágio, dos beatos: Pe Manuel e de Adílio Daronch de Frederico Westphalen. Falta um milagre para a canonização, assim também para a beata Albertina de Tubarão. A boa notícia foi que a Serva de Deus Bárbara Feix tem todas as condições para ser canonizada no próximo ano em maio talvez (2010). Seria um ponto alto também na celebração dos 100 anos da arquidiocese de POA.
Quanto ao Servo de Deus João Aloísio Pozzobon de Santa Maria ainda não chegou à Congregação o milagre necessário. O processo do Servo de Deus, Pe. João Batista Reus está mais atrasado por ter sido mal encaminhado. Em Caxias, há a causa do servo de Deus Pe. João Schiavo. No momento corre o processo sobre autenticidade do milagre apresentado. Em termos de Brasil o processo mais adiantado para a canonização é o da Ir. Dulce, a nossa Teresa de Calcutá.
O milagre é fundamental porque é o sinal que Deus dá, que de fato a pessoa praticou em sua vida heroicamente as virtudes cristãs e confirma que a Igreja é santa. O milagre de cura deve ser atestado pela ciência. Em Roma há também um médico brasileiro que participa desta equipe. Os médicos só atestam que o fato não se explica pela medicina. O santo mostra a experiência global de que viver o evangelho numa cultura é possível. Também nos recorda a nossa vocação à santidade.
Na Comissão para a América Latina (CAL) (20) fomos lembrados de que nós bispos devemos ter uma grande preocupação em escolher os melhores padres como a formadores, selecionar bem os candidatos ao seminário, não aceitar candidatos rejeitados por bispos ou superiores religiosos. AL recebeu grande ajuda de padres da Europa e agora é hora também de nós pensarmos nas missões. A CAL está também ajudando seminários pobres, estudantes, e sacerdotes pobres.
Encerramos assim as visitas às 22 Congregações e Conselhos, faltando duas: Conselho das Comunicações Sociais (21) e Conselho para a Unidade dos Cristãos (22). Não pude ir porque estava com a viagem marcada para a Alemanha. Valeu. Foi um banho de fraternidade, de ensinamentos, de comunhão, de partilha, de diálogo. Nós bispos voltamos com um novo vigor, nova energia, com novos sonhos. Esta foi a minha segunda e última Visita ad limina, que se realiza de cinco em cinco anos. Digo última por motivo de idade. Aos 75 anos o bispo se torna emérito. Vai para a reserva! Esse foi 13º dia e último. Obrigado por ter me seguido até o fim. +++++++++++++++++++ Recebi do Senador Pedro Simon o seu discurso pronunciado na Sessão Especial do Senado Federal, em comemoração aos 46 anos da Campanha da Fraternidade, em 26/02/2010. “Se juntássemos todos os documentos das CF, teríamos o melhor de todos os programas de governo” A economia e a política têm uma só constituição internacional a globalização. Uma só religião verdadeira o consumismo. “E o Sen. Cristovam Buarque, em seu aparte, disse: Eu também tinha pensado em falar sobre a CF de 2010, talvez a mais profunda de todas”. A CFE não interessa só às Igrejas Cristãs do CONIC, mas à toda sociedade brasileira.
Conversando com o povo de Deus (478) Pedofilia é só coisa de padres?
Escrevi de Itaici, em 27/04/2002, durante o encontro da CNBB, o assunto dos jornais era a pedofilia do clero, assim como está acontecendo em março de 2010, o seguinte:
“Hoje quero falar sobre isso. A pedofilia não tem a sua raiz na formação dos seminaristas ou no celibato. O problema pode se encontrar também entre pediatras, psicólogos, médicos, professores, militares, outras religiões, etc. O problema sempre existiu desde que existe o homem. As pessoas têm tendências heterossexuais, homossexuais, ou de pedofilia. Às vezes, também misturadas. O padre é gente, como tal ele tem umas dessas tendências. Mas o padre se compromete livremente ao celibato, que exclui não só o casamento, mas também a genitalidade. A pedofilia é pecado grave, não só no caso dos padres. É um crime. Jesus disse: “Ai daquele que escandalizar um só desses pequeninos. “Seria melhor que lhe atassem uma pedra ao pescoço e o atirassem ao mar”. A criança é sagrada. É intocável. O pecador deverá pagar por seu pecado. Deverá ser entregue à justiça. A Igreja o suspenderá de suas funções sacras. Deverá ser encaminhado para um tratamento psicológico ou psiquiátrico. Mas não se pode esquecer que ele é um ser humano, não podemos condená-lo ao inferno. Ele continua filho de Deus. Amado por Deus. É nosso irmão. Odiamos o seu pecado, mas devemos amar o pecador. Rezar por ele, para que se converta e tenha depois as forças para não recair. “Não julgueis para não serdes julgados”, disse Jesus. O acusado tem direito à defesa. E ele deverá ser considerado inocente até que provem o contrário. Por isso, o Card. Castrillón (Hoje falecido) exige que se faça em cada caso um autêntico processo para confirmar as provas de culpabilidade diante de um tribunal, e para garantir os direitos das vítimas e dos culpados.
O padre vive no contexto de um materialismo avassalador, de uma abertura sexual sem limites, permissivista e de um pansexualismo escancarado nas mídias. Nessa sociedade os padres são chamados a serem anjos de carne e osso. Não obstante isso, os casos de pedofilia denunciados no Brasil não chegam, no momento, a seis e isso entre quase 17 mil padres. Qual é o grupo humano que tem tão poucos pecadores como o clero? Uma pesquisa da Universidade de Pensilvânia afirma que 0,3% do clero dos Estados Unidos é pederasta. (As autoridades austríacas, 2010, falam de 17 casos em meio católico contra 510 em outros ambientes). Chama a atenção, segundo o Cardeal de Nova York, que são adultos, acompanhados de seus advogados, que fazem as acusações e que jamais lhe foi dado fazer um contato direto com os acusadores. Por quê? Por que os juizes condenam a diocese a pagar somas vultosas pelo pecado do padre?
Por que a mídia divulga até a exaustão esses episódios? Para D. Sinésio, as denúncias fazem parte de uma articulação mundial, liderada pelos americanos, para desmoralizar a Igreja, já que ela se opõe aos seus projetos de dominação econômica e militar (Invasão do Iraque). Eu acrescentaria que a mídia brasileira procurou desviar a atenção para coisas secundárias porque temas como: “Exigências éticas e evangélicas para a superação da miséria e da fome”, “Análise da conjuntura nacional”,(Hoje temos CFE sobre Economia e Vida) o questionamento sobre a ALCA, a aplicação da lei eleitoral 9840, não lhes interessavam. Concluo com D. Dadeus: “Faz mais barulho uma árvore que tomba do que uma floresta inteira que cresce no silêncio”. Eis o que escrevi em 2002 e que continua válido ainda hoje. ****************** Dia 10/03/10, tive a oportunidade de presidir, na Matriz de Sobradinho, a missa de exéquias do Sr. Olímpio Pedro Franceschet, casado com Dª Lidia, pais de 9 filhos, dos quais um se chama Pe. Osvaldo. Faleceu com 82 anos, quase 55 anos de catequista (Morreu na reunião dos catequistas, colhido por um enfarte fulminante), 60 anos de casado, homem dedicado à comunidade (Fez da Igreja a sua segunda casa), participante ativo na Cooperativa, na diretoria do Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Um guerreiro. Estavam presentes na missa 16 padres, um diácono e o bispo. E a Igreja lotada. Uma apoteose. Assim recompensa Deus a aqueles que o amam.
Conversando com o Povo de Deus (479) Você vai participar ou vai viajar na Semana Santa?
Dia 28, com o Domingo de Ramos, iniciamos a Semana Santa. Cor litúrgica vermelha. Benção de Ramos para recordar a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém e para aplaudi-lo também como nosso rei. Levamos para casa os ramos como símbolos da presença de Jesus protetor em nosso lar. Leitura da Paixão (torturas) e morte de Cristo na cruz. Ele é, de fato, o servo de Javé sofredor, profetizado, pelo sofrimento salva a todos. Também o nosso sofrimento, unido ao de Cristo, é salvífico. Vamos aclamar neste Domingo Jesus nosso líder e salvador? Dia também da coleta da Campanha da Fraternidade. “O que fizerdes ao menor dos meus é a mim que o fizestes”, disse Jesus.
Quarta Feita Santa, as 18h30 na Catedral, com a presença de 25 padres e 07 diáconos, o bispo presidirá a Missa do Crisma, quando serão bentos os santos óleos do batismo e da unção dos enfermos e consagrado o óleo santo do Crisma. O cristão é um ungido.
Quinta Feira Santa, inaugura-se o Tríduo Sacro. Cor branca. Dia da Ceia do Senhor Jesus com seus Apóstolos. Leonardo Da Vincci imortalizou num quadro este fato. Não há mulheres! É uma razão teológica invocada para aceitar só homens para o episcopado e sacerdócio. Nesta Ceia Jesus instituiu a Missa. “Isto é meu Corpo”. “Isto é meu Sangue”. E institui também o sacerdócio. “Fazei isso em memória de mim”. Segundo a teologia católica, a Eucaristia só é valida, só realiza a presença real de Cristo, se for celebrada por um homem sacerdote, validamente ordenado pelo Bispo sucessor dos Apóstolos. Na Última Ceia também foi instituído, por Cristo o grande mandamento do amor pelo lava pés. Devemos lavar os pés uns dos outros. Servir. Quem não vive para servir não serve para viver. Você já participou da Missa da Ceia do Senhor? No fim da Missa se translada solenemente o Santíssimo e o altar é desnudado.
Sexta Feita Santa. Cor vermelha. Dia da Paixão (sofrimento e tortura) e da morte de Jesus, a cujo sofrimento e morte unimos os nossos sofrimentos e os do mundo inteiro. Dia de jejum e abstinência de carne por amor. A leitura da Paixão é do evangelista São João. O clima da celebração é despojamento, silêncio e luto. A liturgia consta de 03 partes: 1- liturgia da palavra, 2- adoração da cruz (significa que adoramos Jesus o salvador do mundo que pendeu da cruz). 3- e o rito da comunhão. Hoje é o único dia do ano que não há missa para lembrar que ela é a atualização do sacrifício de Cristo na Cruz. Quem matou Jesus? Também eu. Cada fez que eu ajo contra ele, sua palavra, seus irmãos e a criação de Deus eu o crucifico de novo. “Era eu aquele irmão (ã) que tu maltrataste”. Cristo continua sendo crucificado na sua Igreja por muitos órgãos da mídia. Acusações de pedofilia, por exemplo. Você já pensou nisso? Em muitos lugares celebra-se a Via Sacra, às 15h, hora em que Jesus morreu na cruz e em outros lugares faz-se a procissão do Senhor Morto. Hoje também se faz a coleta em favor da manutenção dos Lugares Santos.
Sábado Santo. Vigília Pascal. Cor branca. Noite em que eram batizados os catecúmenos, depois de dois anos de catequese. As cerimônias e as leituras relembram a catequese recebida. 1- A celebração da luz. Cristo ressuscitou. Ele é a luz do mundo e nós somos convocados como batizados a ser luz com ele. 2- A liturgia da palavra, através dela nos são contadas as maravilhas que Deus realizou em favor de Israel, e que hoje, Ele realiza em favor de nós. Morremos com ele no batismo e ressuscitamos com ele. 3- Liturgia batismal. Benze-se a água batismal, se houver batizado ou então somente a água para aspersão. Todos renovam as promessas do batismo. Segue a Liturgia Eucarística. Você já participou da Missa de sábado de aleluia?
Domingo. Cor branca. Sim Cristo ressuscitou. Atestam-no o sepulcro vazio e as aparições. Ele ressuscitado continua vivo presente na sua palavra, nos sete sacramentos, de modo especial, na Eucaristia, no sacrário, na sua igreja. Está presente onde se vive o amor, a partilha, a honestidade, o respeito pela vida, o bem.
Meu irmão (ã) não viaje, participe todos os dias e você não se arrependerá. Assim você ressuscitará para uma vida nova com mais alegria e a paz.
Conversando com o Povo de Deus (481) A História da Igreja no RS
Neste ano de 2010 a Igreja no RS celebra os 100 anos da fundação da arquidiocese de POA e os 100 anos das dioceses sufragâneas de Pelotas, Uruguaiana e Santa Maria. Por isso, pretendo conversar com você sobre a história religiosa da Igreja no RS, mas para isso é preciso também abordar a história civil. O nosso estado pelo Tratado de Tordesilhas (7/6/1494) pertencia à Espanha. Aqui se falava espanhol e guarani. Os jesuítas que vieram para cá, em 1626, para evangelizar os índios guaranis, tapes e guenoas, vinham do Paraguai.
Mas o Papa Inocêncio XI, em 1676, fundou a diocese do Rio e na Bula da criação escreveu que os limites “seguirão ao sul, até a margem esquerda do Rio da Prata”. Isso motivou os portugueses a fundar a Colônia dos Sacramentos, à esquerda do Rio da Prata, e Laguna, em SC, como ponto de apoio para tomar posse de SC e RS, por terra. Assim surgiram no Rio Grande de S. Pedro, cidades como Vacaria, S. Francisco de Paula, Viamão e outras. O rei de Portugal havia dado ordem de doar uma sesmaria, ou seja, 3.600 hectares pra cada homem com posses suficientes para se estabelecer aqui no sul. Assim o nosso estado nasceu latifundiário. E continua sendo, principalmente na fronteira. A posse efetiva do Rio Grande se deu só em 1737 com a fundação do forte do porto de Rio Grande e outros que se espalharam pelo estado. O RS nasceu militar. (Durante a história, o RS deu 04 Presidentes militares ao Brasil). Num forte havia também sempre um padre, ao redor deles surgiram povoados, que depois passaram à cidade (freguesia) e paróquia. As primeiras duas paróquias foram de Rio Grande e Viamão.
Dois terços do RS pertenciam às Missões, dirigidas pelos padres jesuítas, a divisa passava lá onde se situam hoje as cidades de Vacaria, Rio Pardo e Bagé. Os paulistas vinham caçar os índios dos padres para levá-los como escravos para S.Paulo. Era necessário ocupar o outro terço do território. Para isso Portugal procurou os açorianos. Vieram para cá, a partir de 1752, cerca de mil casais, que se estabeleceram à beira da Lagoa dos Patos e dos rios. Fundaram cidades como Pelotas, Rio Pardo, Taquari e outras. O presidente da República Costa e Silva é filho de açorianos de Taquari. Eles trouxeram juntos os seus padres. Para cada 60 famílias um padre. Eles trouxeram para cá, o minifúndio. Recebiam 24 hectares para o cultivo familiar. Eis uma novidade. Assim também foi em Cachoeira do Sul. Primeiro vieram as 110 famílias militares portuguesas de S. Paulo, em 1750, que receberam uma sesmaria e depois os açorianos. Por isso, Cachoeira tem para a direção sul latifúndios e na direção norte o minifúndio. Outra novidade dos açorianos são as irmandades com as suas festas e procissões, com a devoção ao Divino Espírito Santo. As famílias açorianas produziram muitos padres e religiosos. Os açorianos vieram da ilha de Açores, mas também com o Tratado de Madrid, em 1750, da Colônia dos Sacramentos (Uruguai).
Com este Tratado Portugal trocava com a Espanha a Colônia dos Sacramentos com as Missões, mas com a cláusula que deveriam estar desocupados. Portugal despovoou, mas a Espanha não despovoou as Missões. Assim aconteceu a guerra. Os portugueses com a ajuda dos açorianos contra os jesuítas e os índios, liderados por Sepé Tiaraju, que foi morto. (“Alto lá esta terra tem dono”). O resultado da luta foi a destruição total dos Sete Povos e o despovoamento total da região. Em 1777, foi anulado o Tratado de Madri, mas em 1801, pelo Tratado de Santo Ildefonso foi ratificada definitivamente a troca da Colônia dos Sacramentos pelas Missões. Desde este ano o RS tem os atuais limites, mas a custa de muito sangue humano.
A civilização dos Sete Povos das Missões encantou o mundo e continua a encantar. Foi algo de maravilhoso o que os índios construíram sob a liderança dos jesuítas. Uma visita às ruínas das Missões, de maneira especial a de S. Miguel, é obrigatória para quem quer conhecer um pouco dessa história. E o espetáculo comovente de luz e som? Imperdível. Uma visita também a Caaró, onde foi martirizado o Pe. Roque Gonzales. Missões terra dos 03 mártires, Pe. Roque, João e Afonso, canonizados pelo Papa João Paulo II em Assunção, Paraguai, em 16/05/1988.
Conversando com o Povo de Deus (483) A história da Igreja no RS (3)
Depois dos índios, portugueses (lusitanos e açorianos), e negros, vieram para o RS, em 1824, os alemães pobres sem terra ou com poça terra. A primeira leva veio para S. Leopoldo. A maioria era protestantes. Estes, na sua maioria, se localizaram no lado direito do Rio dos Sinos desde Taquara até Estância Velha e os católicos na margem esquerda. Os protestantes vieram com os seus pastores, mas os católicos vieram sem padres. Os católicos, apesar de o Brasil ser católico oficialmente, se sentiram muito isolados. O bispo lá no Rio, as grandes distâncias, os padres daqui não falavam alemão. A 1ª capela surgiu em S. Leopoldo só em 1830. Durante 25 anos os alemães só conheceram celebrações de batismos e casamento feitas por padres. O culto eles mesmo faziam. O professor dava aula em alemão, ensinava catecismo, e a história sagrada, realizava os enterros, e aos domingos o culto, usando o livro trazido da Alemanha, o “Goffinebuch”.
A pedido do governo imperial o Papa Pio IX criou em 1848, a diocese de POA, separando-a do Rio, mas a posse do novo bispo, Dom Feliciano, só aconteceu em 1853.
Em 1849 vieram 03 padres jesuítas, que falavam o alemão, que iniciaram o seu trabalho com as missões populares. Eles encontraram muita ignorância religiosa, brigas nas comunidades, dificuldades de convívio entre católicos e protestantes, casamentos mistos, os vícios do jogo e da bebida, do trabalho aos domingos, os homens tinham verdadeiro pavor da confissão e não gostavam de rezar. Por onde os missionários passavam deixavam erguida uma cruz com os dizeres: “Salva a tua alma”. Desse trabalho surgiram, na “mata virgem”, duas paróquias a de Dois Irmãos (1857) e a outra de S. José do Hortênsio (1854), paróquia de Dom Ivo Lorscheider. A primeira paróquia criada foi a de S. Leopoldo (1846). As paróquias “brasileiras” ligadas ao padroado do império e as paróquias “germânicas” sustentadas pelas próprias comunidades, como também as escolas. O governo não oferecia escola, nem professores. Como eles poderiam aprender o português? Os jesuítas favoreceram a criação de novas colônias totalmente católicas como Cerro Largo e Itapiranga, Bom Princípio e outras. As paróquias “alemães” deram à Igreja do RS numerosas vocações. Em 1944, 75% dos padres no RS eram alemães ou de origem, sem falar das vocações religiosas masculinas e femininas. Atualmente a maioria dos bispos do RS tem sobrenome germânico. Resumindo os alemães trouxeram o espírito de fé e o espírito comunitário, construindo eles mesmos, a sua igreja (capela), escola e cemitério. Tendo ao lado do padre a figura do professor, que era um diácono não ordenado na realidade. Os alemães, na sua grande maioria, protestantes, vieram para o município de Cachoeira em 1857 e fundaram a Colônia de Santo Ângelo, hoje Agudo. De lá vieram para a cidade, onde marcaram uma presença forte no ensino e no agronegócio e na indústria.
Em 1875 vieram ao Brasil os primeiros italianos, de Piemonte e Lomabardia e principalmente do Vêneto e foram instalados na Serra Gaúcha, de 600 a 900 m de altitude, já que a parte baixa tinha sido ocupada pelos alemães. Os índios que habitavam a região alta foram expulsos. Os italianos fundaram as cidades de Garibáldi e Bento Gonçalves, e dali muitas famílias se espalharam por todo o estado. Estima-se que até o ano 1914 saíram da Itália para o Brasil um milhão e destes de 80 a 100 mil foram introduzidos no RS, surgindo assim um Riogrande altamente “italianizado”. Hoje, 30% da população gaúcha é de origem italiana. Em 1877 foi criada a 4ª Colônia, perto de Sana Maria. De lá muitos italianos vieram para Cortado e também para a cidade de Cachoeira do Sul, 1880. Eles contribuíram muito para o progresso da cidade. Os italianos, todos católicos, vieram para o RS com uma fé profunda que se exprimia na oração: nas 03 refeições do dia, na reza diária do terço, aos domingos na comunidade; na construção de capelas e igrejas, no campanário à parte, nos capitéis para agradecer graças, na devoção à N. Sra, Caravaggio, por exemplo. Antes de pedir escola ou professor pediam um padre. Assim como, entre os católicos alemães, do meio italiano surgiram muitos padres, bispos, religiosos (as). De Cortado, diocese de Cachoeira do Sul, saiu Dom Luiz Scortegagna, bispo auxiliar e depois bispo titular de Vitória E. Santo, e de Segredo Dom Hélio Rubert, bispo de Santa Maria. Em Dona Francisca, que pertenceu ao município de Cachoeira, nasceu o beato Adílio Daron beatificado com o Pe. Manuel, em Frederico Westphalen, em 2007. Os italianos eram pessoas de família, de grandes famílias, na qual a mãe tinha um papel proeminente. La mamma. Gente dinâmica e trabalhadora. Tiveram mais facilidade em aprender o português e adaptar-se à nova realidade que os alemães.
Conversando com o Povo de Deus (484) A história da Igreja no RS (4)
Poloneses. De 1869 a 1920 entram cerca de 60 mil poloneses no Brasil, 95% foi para o Paraná. Muitos eram católicos. Curitiba é a 2ª cidade fora da Polônia com o maior número de habitantes poloneses, superada só por Chicago. Os primeiros imigrantes poloneses chegaram ao RS de 1891 a 1894. Vinham como imigrantes russos, austríacos e prussianos, em decorrência do domínio exercido sobre a Polônia naquele tempo. “Polacos sem bandeira”. Eles muito contribuíram para a realidade étnica, cultural, e econômica. Os principais núcleos no RS são: Dom Feliciano, Mariana Pimentel, Guarani das Missões, Ijuí, S. Marcos e Erechim e POA, 4º distrito. Criou-se um preconceito contra o polonês, que se reflete na literatura, nos casamentos, nos processos crime. Há historiadores que dizem que os primeiros teriam chegado em 1875, fixando-se em Linha Azevedo, atual município de Carlos Barbosa. Em 1923 o número deles eram ao redor de 61.200 indivíduos, a segunda do Brasil. Nunca se esqueceram de suas tradições católicas, construindo suas capelas e escolas. A partir de 1900 chegaram padres que falavam polaco, principalmente padres da Congregação dos Vicentinos. A fé em Deus os fez superar todos os obstáculos. Os poloneses foram o 3º maior grupo migratório do RS. Lembremo-nos que Papa João Paulo II era polonês. Teve um encontro com os seus compatriotas em Curitiba.
Franceses. A única colônia francesa é a colônia Santo Antônio no município de Pelotas. Dedicaram-se ao cultivo de videiras e alfafa. Introduziram também o pêssego. Os franceses vieram para Pelotas, Rio Grande, e Canguçu via Montevidéu, atraídos pelos bons negócios. A maioria deles eram agricultores. Os freis franceses capuchinhos chegaram ao RS em 1896, indo para Garibáldi, onde se estabeleceram para atender os imigrantes italianos, a pedido do 3º bispo do RS Dom Cláudio Ponce de Leão. Seu apostolado baseou-se em missões populares, paróquias, escola vocacional, jornal e educação. Hoje quase todos são de origem italiana e seguem a orientação de seus fundadores. Hoje assumiram a Pastoral da AIDS e outras pastorais sociais. Os irmãos maristas trouxeram da Europa a espiritualidade do francês, São Marcelino Champagnat, assim também os Lassalistas fundados por S. João Batista de La Salle e as Irmãs de S. José de Chambéry. Vieram para o Brasil também franceses engenheiros. Temos também suíços de língua francesa. Temos um lugar chamado Linha Francesa Alta e a outra Linha Francesa Baixa, em Bom Princípio, hoje Barão. Não encontrei estatísticas sobre o número de franceses vindos ao Brasil. A cultura civil e religiosa francesa tiveram uma grande influência sobre a Igreja no RS.
Libaneses e Sírios. Atualmente as estatísticas, sobre o número de pessoas de ascendência árabe no Brasil são muito divergentes. O imperador Dom Pedro II, encantado com a cultura do Oriente Médio, convidou os cristãos perseguidos pelos muçulmanos turcos a emigrarem para o Brasil. Muitos vieram para o Brasil. Vinham, com o passaporte turco. A emigração começou por 1880. Em 1930 viviam no Brasil cerca de 100 mil árabes. Comerciantes, mascastes. Famílias numerosas. De 1975 a 1991 chegaram também muitos muçulmanos por causa das guerras no Oriente Médio. Atualmente são cerca de 1,5 milhão. São reconhecidos pela maneira de vestir e pelas mesquitas. Para Cachoeira do Sul vieram da Síria 20 famílias católicas: os Germanos, Mafhouz, Amim, Thomaz e outros. Das famílias saíram padres e religiosos e o bispo Dom Antônio Cheuiche, de família libanesa, de Caçapava do Sul. Os católicos na sua maioria são do rito maronita. Tem em POA a Igreja N. Sra. do Líbano.
Japoneses. Eles vieram para Brasil a partir de 1904. Vinham no início para fazer o pé de meia e voltar. Eles formam hoje no Brasil a maior comunidade japonesa do mundo fora do Japão. Ao RS chegaram só no dia 20/08/1956 e vieram para ficar. Eram apenas 23 jovens. E hoje, depois de quase 50 anos temos cerca de 1,5 mil japoneses e 3 mil descendentes em todas as regiões do Estado. A principal vocação dos japoneses entre nós foi e continua sendo a agricultura. Eles nos ensinaram o hábito do consumo diário de produtos hortigranjeiros. Mas à medida que o tempo foi passando, eles começaram a contribuir para o desenvolvimento do Estado também em outras áreas. Os japoneses eram budistas (zen-budistas) e xintoístas. Hoje através da catequese dos padres e casamentos, 60% dos seus descendentes são católicos.
Conversando com o povo de Deus (485) A História da Igreja no RS (5)
Até agora vimos a formação étnica do RS: índios, portugueses(lusitanos e açorianos), alemães, italianos, poloneses, franceses, árabes (libaneses e sírios) e japoneses. Claro há outros pequenos grupos, mas não tiveram tanta influência pra a história da Igreja. Hoje vamos dar um passo para frente.
Em 1840 Dom Pedro II assumia o trono. Pelo padroado ele nomeava os bispos, autorizava as ordenações e o ingresso dos noviços nas congregações, nomeava párocos e até organizava missões, construía seminários e os mantinha. Era uma Igreja dependente do Estado. O imperador tinha pouco recurso. Por isso, também que a formação de novas dioceses necessárias eram retardadas. Era preciso reagir. Os bispos mesmos reformam seminários e abriram novos. Em POA o seminário foi instalado na própria residência do 1º Bispo. Os bispos se ligaram cada vez mais ao Papa e procuravam aplicar assim as exigências do Concílio de Trento: formação do clero e catequese para o povo. O que alguns chamam de “romanização da Igreja”. Ela foi necessária para uma Igreja livre, que aconteceu com o fim do padroado em 1890. Observação: a catequese até hoje é um problema. Quanta ignorância religiosa entre adultos.
A separação da diocese do Rio aconteceu oficialmente em 07/05/1848 pelo Papa Pio IX, criando a diocese de POA, mas o novo bispo Dom Feliciano José Rodrigues Prates, nascido em Gravataí, ordenado no Rio, tomou posse só 03/07/1853. Para ele o padre é tirado do meio povo e colocado acima do povo. Para ele todos olham como exemplo de virtude e santidade. O povo deve conhecer o Catecismo e a História Sagrada. Os outros bispos foram: Dom Sebastião Dias Laranjeiras, baiano. Dom Cláudio José Ponce de Leão, dois como arcebispo, também baiano. Dom João Becker, nasceu em San Wendel, diocese de Trier, Alemanha, foi antes bispo de Florianópolis, que pertenceu à Arquidiocese de POA até 1927. Dom Vicente Scherer, nasceu em Bom Princípio, foi o nosso primeiro cardeal gaúcho. Dom Cláudio Colling, nascido em Harmonia, tinha sido anteriormente bispo auxiliar de Santa Maria, depois bispo titular de Passo Fundo. Dom Altamiro Rossato, filho de Tuparandi, redentorista, tinha sido antes arcebispo bispo de Marabá, PA. Dom Dadeus Grings, filho de Nova Petrópolis, primeiro foi bispo de S. João da Boa Vista, SP. POA teve só 8 bispos em 167 anos.
Todo o RS pertencia à diocese de POA. Em 10/08/1910 Pio X criou a arquidiocese de POA com as dioceses sufragâneas de Pelotas, Uruguaiana e Santa Maria.
Pelotas. Era um grande centro industrial e comercial, com contatos com o exterior, com muitas paróquias e centros religiosos. Naquele tempo a Região Sul era a mais rica. Como os tempos mudam! A prática religiosa não era das mais fervorosas. Igrejas vazias, poucas comunhões por semana. A fé parecia extinguir-se. Os bispos foram os seguintes: Dom Francisco de Campos Barreto, campinense, e que 1920 se tornou arcebispo de Campinas, onde fundou o Instituto das Irmãs de Jesus Crucificado, que fundaram depois a Escola N. Sra. das Dores em Cachoeira do Sul, que hoje foi transformada na moradia do bispo e cúria! Dom Joaquim Ferreira de Mello, cearense, que fundou o seminário. Dom Antônio Zattera, filho de Banto Gonçalves, que fundou a Universidade Católica. Dom Jaime Chemello, natural de S. Marcos, que foi Vice e Presidente da CNBB. Dom Jacinto Bergmann, de Alto Feliz, bispo de Tubarão, SC, desde 2004 e nomeado para Pelotas em 2009. São cinco bispos em 100 anos.
Uruguaiana. Ela compreendia toda a região da Campanha e a região Missioneira. Região da agro-pecuária e latifúndios. Os bispos foram os seguintes, depois arcebispo de Diamantina, Brasília e por fim Arcebispo do Ordinário Militar do Brasil Dom Hermeto José Pinheiro, alagoense. Dom José Newton de Almeida Batista, de Niterói, RJ. Dom Luís Felipe de Nadal, filho de Guaporé, falecido num acidente aéreo, piloto de avião e tradicionalista gaúcho. “O bispo folclórico”. Hoje diríamos: Bispo Pop. Dom Augusto Petró, de Santo Antônio da Patrulha, antes bispo de Vacaria e Passo Fundo. Dom Pedro Ercílio Simon, filho de Ibiaçá. Veio de Cruz Alta, depois de 2 anos foi transferido para Passo Fundo. Dom Ângelo Domingos Salvador, franciscano capuchinho, filho de Vacaria, foi antes bispo auxiliar de Salvador da Bahia, bispo de Coxim, bispo de Cachoeira do Sul. Atualmente emérito. Dom Aloísio Alberto Dilli, franciscano OFM, filho de Poço das Antas. São sete bispos em 100 anos.
Santa Maria. Os bispos foram: Dom Miguel de Lima Valverde, baiano, depois nomeado arcebispo de Olinda e Recife. Dom Ático Eusébio da Rocha, também baiano. Foi depois para Cafelândia (SP) e finalmente arcebispo de Curitiba. Dom Antônio Reis, filho de Santa Cruz do Sul, tio de nosso Mons. Beno Reis, pároco em Arroio do Tigre. Dom Vitor Sartori, de Caxias do Sul, bispo de Montes Claros, bispo de Santa Maria. Entre parêntesis: Foi pároco da paróquia S. Francisco, em POA, onde mais tarde eu também fui pároco. Dom Érico Ferrari, de Nova Palma, morreu em acidente de jeep. Dom Ivo Lorscheider, de Caí, de bispo auxiliar de POA pra bispo titular de Santa Maria, foi Vice e Presidente da CNBB. Dom Hélio Adelar Rubert, filho de Segredo/Sobradinho. De bispo auxiliar de Vitória, ES para bispo titular de Santa Maria. Durante o episcopado de Dom Ático o Pe. Manuel Gomez Gonzales, espanhol e o coroinha Adílio Daronch, cachoeirense, foram martirizados em Feijão Miúdo, Três Passos. Os restos mortais estão enterrados em Nonoai. Eles foram betificados em 2007 em Frederico Westpahlen. São sete bispos em 100 anos. Destas quatro dioceses nasceram mais 14.
Conversando com o Povo de Deus (486) A Hist. da Igreja no RS (6)
As dioceses de POA, Pelotas e Uruguaiana e Santa Maria deram à luz às demais diocese do RS. A arquidiocese de POA gerou as dioceses de Caxias, Vacaria, Novo Hamburgo, Santa Cruz do Sul, Osório e Montenegro. Seis. Santa Maria gerou: Passo Fundo (que por sua vez gerou Erexim), Frederico Westphalen, Cruz Alta, e Cachoeira do Sul. Cinco diretamente. Uruguaiana gerou Bagé e Santo Ângelo. Duas. Pelotas gerou Rio Grande. Uma. São no total 18 dioceses. Bispos titulares, 18. Bispos auxiliares, 03. Bispos eméritos (aposentados/na reserva), 07.
Caxias do Sul desmembrou-se de POA. O principal motivo da criação desta nova diocese era a de melhorar a situação dos seminaristas italianos, que se sentiam discriminados em S. Leopoldo. A diocese foi criada pelo Papa Pio XI em 08/09/1934. Os bispos de Caxias: são Dom José Baréa, Nova Treviso. Dom Benedito Zorzi, de Nova Pádua, e Dom Nei Paulo Moretto, de Caxias do Sul, foi o 1º bispo de Cruz Alta, de lá foi transferido para Caxias do Sul, primeiro como coadjutor e depois como titular. Nestes 76 anos teve apenas três bispos.
Vacaria desmembrou-se de POA. Não tinha clero diocesano, só religiosos, nem tinha seminário. Por isso, Dom João Becker pediu ao Papa a criação de uma Prelazia. No mesmo momento em que Caxias era criada diocese, Vacaria era criada Prelazia, em 1934, com 08 paróquias. Passou a diocese em 1957. Bispos: Dom Frei Cândido Bampi, franciscanos capuchinho, de Caxias do Sul. Dom Augusto Petró, depois transferido para Uruguaiana, nascido em Santo Antônio da Patrulha. Dom Henrique Gelain, de Flores da Cunha. Dom Orlando Dotti, franciscano capuchinho de Antônio Prado. Foi antes bispo de Caçador e Barra. Dom Pedro Sbalchiero Neto, primeiro bispo coadjutor, depois titular, filho de Sananduva, saletiano. Dom Irineu Gassen, franciscano OFM, Formosa/Santa Cruz do Sul. Nestes 76 anos Vacaria teve cinco bispos.
Bagé, em 25/07/1960, desmembrou-se de Uruguaiana. Têm as características da Campanha, grandes extensões vazias e cidades com a população concentrada nas cidades. Esperava-se da criação da nova diocese um maior despertar de vocações. Bispos: Dom José Gomes, depois transferido para Chapecó, SC, natural de Erexim. Dom Ângelo Félix Mugnol, de Farroupilha. Dom Laurindo Guizzardi Carrlista, nascido em Nova Bassano, depois transferido para Foz do Iguaçu. Dom Gílio Felício, nascido em V. Sério/Lageado, criado em Santa Cruz do Sul. Primeiro foi bispo auxiliar em Salvador da Bahia. É o primeiro bispo negro do RS. Bispos cinco.
Frederico Westphalen, em 1962 desmembrou-se de Santa Maria. Não obstante o nome da cidade sede da diocese, a população na sua maioria é descendente de italianos vindos da 4ª Colônia, perto de Santa Maria. A população é formada por índios (é a diocese que tem mais índios), lusos, italianos, poloneses e alemães. Os grupos dominantes não simpatizavam com o catolicismo. Bispos: Dom João Hoffmann, nascido em Joaneta/S. Leopoldo, foi transferido depois para Erechim. Dom Bruno Maldaner, nascido em Pinhal Alto, Nova Petrópolis, foi antes bispo auxiliar de S. Paulo. Dom Zeno Hastenteufel, Linha Rodrigues da Rosa, Montenegro, depois foi transferido para Novo Hamburgo. Dom Antônio Carlos Rossi Keller, nascido em S. Paulo, tomou posse em 2008. Em 2007, na cidade de Frederico Westphalen, foram beatificados Pe. Manuel Gomez Gonzales e o coroinha Adílio Daronch. Os restos mortais estão no Santuário dos Mártires em Nonoai. Foram mortos em Feijão Miúdo, Três Passos. Todos estes lugares ficam hoje na diocese de Frederico, naquele tempo era de Santa Maria... Bispos quatro.
Santo Ângelo, criada em 22/05/1961, desmembrada de Uruguaiana. Terra missioneira. Terra dos Sete Povos. Terra de muita história. Povoada agora pelos imigrantes alemães e italianos, principalmente. É uma realidade totalmente diferente da Campanha. Outra cultura. Por isso, a necessidade da separação. Bispos: Dom Aloísio Lorscheider, franciscano ofm, nascido em Picada S. Geraldo/Estrela, depois foi nomeado Arcebispo de Fortaleza, onde o papa o nomeou cardeal, e por fim transferido para N. Sra. Aparecida do Norte. Foi também Vice e Presidente do CELAM, Secretário Geral e Presidente da CNBB. Primo de Dom Ivo José Lorscheider. Dom Estanislau Amadeu Kreutz, nascido em Santo Cristo. Dom José Clemente Weber, de Venâncio-Aires. Foi antes bispo auxiliar de POA. Bispos três.
Erexim, esta diocese com sede na cidade de Erechim, foi criada em 1971, é desmembrada de Passo Fundo. A diocese é formada basicamente a partir da imigração européia. Gente de fé profunda. Gente dinâmica. A região progrediu muito. Erechim era o pólo regional. Por isso, veio a proposta para sediar a sede em Erechim. Dom João Hoffmann, veio transferido de Frederico Westphalen para Erechim. Foi o primeiro bispo das duas dioceses. Nasceu em Joaneta São Leopoldo, como já vimos. Dom Girônimo Zanadrea, nascido em São Valentim, primeiro bispo coadjutor, depois titular
Conversando com o Povo de Deus (487) A História da Igreja no RS (7)
A diocese de Cruz Alta foi criada em 27/05/1971, desmembrada de Santa Maria. O primeiro bispo nomeado foi Dom Walmor Battù Wichrowski, filho de Ijui, que tinha sido bispo auxiliar de Santos, depois bispo de Nova Iguaçu, e bispo auxiliar de Santa Maria. Mas por motivos de desentendimentos surgidos com membros da nova diocese renunciou antes de tomar posse. Essas coisas também acontecem na Igreja. Durante o ano de 1971 a diocese, sem bispo, ficou sob a jurisdição de Dom Érico Ferrari, bispo de Santa Maria. No final de 1972, O Papa nomeava o Pe Nei Paulo Moretto, filho de Caxias do Sul, como novo bispo de Cruz Alta. Tomou posse em 28/01/1973. Foi transferido 03 anos depois para Caxias do Sul. Sucedeu Dom Jacó Hilgert, nascido em Harmonia, de 1976 a 2002. Dom Pedro Ercílio Simon, Ibiaçá, foi o seu bispo coadjutor de 1991-95. Dom Frederico Heimler, salesiano, nascido em Unterlammerthal, Alemanha, veio de Umuarama, PR, onde fora bispo coadjutor. São cinco Bispos em 39 anos.
A diocese de Rio Grande, criada em 02/06/1971, desmembrada de Pelotas. Rio Grande foi a primeira capital do Rio Grande do Sul, tinha o maior porto da região, por aí entraram os nossos imigrantes, desejava também ser sede diocese como Pelotas! A Catedral escolhida foi o templo mais antigo do RS, a igreja matriz de S. Pedro. O primeiro bispo foi Dom Frederico Didonet, nascido em Ivorá. O segundo é Dom José Mário Stroeher, desde 1986, vindo de POA, onde tinha sido bispo auxiliar. Nasceu em Feliz. São dois Bispos em 39 anos.
A diocese de Novo Hamburgo, foi criada em 02/02/1980. Muitas são as razões favoráveis para a criação da nova diocese. Em primeiro lugar a Arquidiocese tinha quase 3 milhões habitantes. Mentalidade diferente. Realidade diferente do RS. É preciso descentralizar a pastoral. Bispos: Dom Aloísio Sinésio Bohn, filho de Montenegro, de bispo auxiliar de Brasília para Novo Hamburgo, transferido depois para Santa Cruz do Sul. Dom Boaventura Kloppenburg, franciscano ofm, filho de Molbergen, Alemanha, de bispo auxiliar de Salvador da Bahia para Novo Hamburgo. Dom Osvino José Both, natural de Três Arroios, Erechim. Foi bispo auxiliar de POA e foi transferido depois para Brasília como Arcebispo do Ordinariado Militar do Brasil. Atualmente é bispo Dom Zeno Hastenteufel, transferido de Frederico Westphalen. São quatro Bispos em 30 anos.
A diocese de Cachoeira do Sul, criada em 17/07/1991 pelo Papa João Paulo II, com apenas 11 paróquias, foi desmembrada de Santa Maria, já que Candelária preferiu continuar pertencendo a Santa Cruz do Sul. O bispo Dom Ângelo Domingos Salvador, franciscano capuchinho, tomou posse sem casa própria: foi morar junto dos padres da Catedral. Vivia de sua aposentadoria. São coisas que acontecem! Dom Ângelo, filho de Segrêdo/Vacaria. Tinha sido bispo auxiliar de Salvador da Bahia, bispo de Coxim, e depois de Cachoeira do Sul ele foi transferido em 1999 para Uruguaiana. Em 09/09/2000 sucedeu Dom Frei Irineu Sílvio Wilges, franciscano ofm, filho de Pinheiral/Santa Cruz do Sul. São dois Bispos em dezenove anos.
A diocese de Osório foi criada em 1999 com 14 paróquias de POA e 06 de Caxias do Sul. É uma diocese litorânea. Dom Thadeu Gomes Canellas, nascido em Gravataí, foi o seu primeiro bispo. Antes foi bispo auxiliar de POA. Sucedeu-lhe Dom Jaime Pedro Kohl dos Pobres Servos da Divina Providência, filho de Linha Carolina/Poço das Antas. São dois Bispos em 11 anos.
A diocese de Montenegro foi a primeira diocese do RS criada pelo Papa Bento XVI em 06/09/2008, com 32 paróquias, 30 municípios, com 335 mil habitantes. É a filha mais nova da Arquidiocese de POA. Região rica em vocações e considerada também a de maior qualidade de vida do RS e da AL. O Papa nomeou Dom Paulo de Conto, filho de Relvado, para ser o primeiro bispo da diocese. Ele já foi bispo de Cáceres, MT e de Criciúma, SC. Muita se espera dessa nova diocese. Bispo, um.
Conversando com o povo de Deus (488). Por que ir à missa?
Hoje eu vou interromper os artigos sobre a “História da Igreja no RS”. Pretendo voltar na próxima semana. Obrigado. Hoje vamos falar sobre o ir à missa.
Um dia destes um leitor escreveu para o editor do Jornal do Dia, jornal católico de Porto Alegre e que hoje não existe mais, reclamando que não faz sentido ir à missa todos os domingos. O editor publicou a sua reclamação na Coluna do leitor. Escrevia ele:
“Eu tenho ido à Igreja por 30 anos e durante este tempo eu ouvi uns 3000 sermões. Mas, eu não consigo lembrar-me de nenhum deles para a minha vida... Assim eu penso que eu estou perdendo meu tempo e os padres e pastores estão desperdiçando também o seu, preparando e fazendo homilias”.
Esta carta iniciou uma grande controvérsia para a alegria do Editor-Chefe do Jornal. Controvérsia que se estendeu por várias semanas, uns a favor e outros contra, até que alguém escreveu o seguinte:
“Eu estou casado já há 30 anos. Durante este tempo minha esposa deve ter cozinhado umas 32.000 refeições. Mas, por minha vida, eu não consigo lembrar-me do cardápio de nenhuma destas 32000 refeições. Mas uma coisa eu sei. Todas elas me alimentaram e me deram aquela força de que eu precisava para fazer o meu trabalho.
Se minha esposa não tivesse me dado estas refeições, eu estaria hoje, fisicamente morto. Da mesma maneira, se eu não tivesse ido à Igreja para alimentar minha fome espiritual, eu estaria hoje morto, espiritualmente.
A fé vê o invisível, acredita no inacreditável e recebe o impossível. Graças a Deus pelo alimento físico diário e pelo alimento espiritual dominical. Quando o mal está batendo na sua porta, simplesmente diga: Deus, por favor, atenda por mim”.
Já participei de muitas missas. Quantas? Não sei. Já celebrei muitas missas. Quantas? Não sei. Já fiz muitos retiros na minha vida. Quantos? Não sei. Mas o primeiro foi lá no Seminário de Taquari em 1949. Até hoje gosto da missa diária. Para mim é um verdadeiro alimento. Como me faz bem! Agora, uma coisa é assistir um missa e outra é participar. Entrar na missa e deixar a missa entrar dentro de si. Encontrar-se com a pessoa de Jesus Cristo. Tornar-se um com ele. “Não sou eu mais que me movo, mas é ele que se move em mim. Não sou mais eu mais que vivo, mas é ele que vive em mim”. Com Jesus Cristo dou ação de graças a Deus Pai. Com ele digo: Isto é também o meu corpo entregue e Isto é o também meu sangue derramado por vós. Com ele intercedo junto do Pai pelo meu povo.
Mas eu queria contar que de 25 a 27 de maio, participei de um retiro pregado pelo Frei Raniero Cantalamessa, padre capuchinho, que foi pregador do falecido Papa João Paulo II e agora também do Papa Bento XVI. O retiro foi na PUC. Havia entre 500 a 600 pessoas participando das 8.30 às 18h, durante 03 dias. Apesar de ter feito já tantos retiros na minha vida em tantos lugares diferentes, inclusive na Terra Santa, este foi para mim o melhor. Não é por nada que o Frei Cantalamessa é o pregador da Casa Pontifícia. Conseguiu abrir-nos novos horizontes. Deu-nos novo alimento, nova força, nova alegria, novo entusiasmo. Louvado sejas meu Senhor por mais este retiro. As crianças que fazem o seu retiro de preparação para a primeira Eucaristia e os jovens para a crisma, a gente vê como este os transforma.
Conversando com o povo de Deus (489) A História da Igreja no RS (8)
Hoje quero conversar com vocês sobre a Vida Religiosa no RS. Quando chegaram os imigrantes ao RS a partir de 1824 encontraram uma Igreja com falta enorme de padres. Encontraram uma religião luso-brasileira decadente, com poucos padres, mal formados, pouco dedicados à evangelização. Uma religião festiva, exterior, mas sem a prática dos sacramentos. “Comungar, confessar, ah, isso não”. Alunos que não sabiam fazer o sinal da cruz, nem rezar o Pai-Nosso. A elite era positivista, comtiana, maçônica, que tomava a Igreja como uma peça de museu, um capítulo concluído da história. Dom Cláudio José Ponce de Leão, terceiro bispo do RS, e SC, 1890 a 1912, inconformado com esta situação bateu às portas da Europa, solicitando padres e religiosas e religiosos. Os seus sucessores continuaram esta política. A Europa tinha muitos padres e religiosos, mas a situação não era favorável. Na Itália caíram os Estados Pontifícios, Na Alemanha havia o Kulturkampf, na França um clima hostil. Diante disso, se começou a pensar nas missões. De salvar a Congregação no Brasil. Também os imigrantes alemães e italianos, e poloneses pediam assistência religiosa. O RS era também um estado necessitado de escolas. Mas como é que o governo gaúcho positivista foi permitir a vinda de religiosos para fundar colégios? A Constituição positivista de 1891 deixava o ensino universitário e secundário para a iniciativa privada. A Igreja soube aproveitar esta chance.
Os jesuítas chegaram em 1848, em 1900 eram 100. As Ir. Franciscanas da Caridade PCC vieram em 1872. As Ir. do Imaculado Coração de Maria em 1856, hoje elas tem em Cachoeira a Casa da Criança e a casa Cristo Rei. Em 1886 chegaram os Palotinos, eles atualmente são responsáveis pela paróquia Santo Antônio entre nós. Os Capuchinhos franceses e os Carlistas italianos vieram em 1896. Dom Angelo Domingos Salvador, nosso primeiro bispo era capuchinho. As Ir. de Santa Catarina chegaram em 1895. Elas têm em Cachoeira o Col. Imaculada. Em 1898 vieram as Ir. de S. José de Moutiers. Em, 1900, os Maristas franceses, que na nossa cidade tem o Colégio Roque. Em 1991, os Salesianos italianos. O bispo de Cruz Alta, Dom Frederico Heimler é salesiano. Em 1907, foi a vez dos Lassalistas franceses e Claretianos espanhóis. Em 1908 as Filhas de N. Sra. Do Horto, italianas. Em 1910 As Ir. da Companhia de Santa Teresa de Jesus. Em 1911, os Carmelitas. Dom Antônio Cheuiche, filho de Caçapava do Sul, era carmelita. Os Franciscanos OFM chegaram em 1918 de S. Paulo. Em 1926 vieram os franciscanos holandeses. Deram à Igreja 5 bispos( entre os quais o bispo que lhes escreve), dos quais dois cardeais: D. Aloísio Lorscheider e D. Cláudio Hummes. Em 1923, Ir. de Notre Dame, alemãs. Trabalham na nossa diocese em Caçapava do Sul. Em 1928 vieram da Alemanha para Arroio do Tigre as Ir. Franciscanas de Bonlanden. Em POA foram fundadas as Ir. Franciscanas de N. Sra. Aparecida (As aparecidinhas) em 1928. Trabalham entre nós em Agudo. Em 1935 chegaram de São Paulo as Ir. Missionárias de Jesus Crucificado. A casa do bispo era o colégio das irmãs. As Ir. Franciscanas Catequistas, fundadas em 1915, em Rodeio, SC, chegaram em 1949. Atualmente estão presentes entre nós em Sobradinho. Os Pobres Servos da Divina Providência, italianos vieram em 1959. Dom Jaime Kohl é desta Congregação.
De 1875 a 1930, só do clero secular vieram 132 padres da Itália. Ao dobrar o século havia mais de 520 padres, religiosos e religiosas europeus no RS.
Vieram também Congregações de vida contemplativa como as Carmelitas, Cartuxas, Cistercienses. As Clarissas Coletinas vieram em 1953, as Clarissas Capuchinhas (1979). Existem no RS atualmente mais de 65 famílias religiosas.
Os religiosos encheram o RS de orfanatos, patronatos, colégios, geralmente com internato, universidades. Encheram o RS de hospitais, asilos, e leprosários. Abriram Seminários e casas de formação para conseguir novas vocações. E estas surgiram abundantemente na zona colonial entre os oriundos alemães, italianos e poloneses e outros emigrantes. As vocações lusas eram em grau ínfimo. Assim o Rio Grande do Sul de Estado menos religioso do Brasil se tornou o mais religioso. Tornou-se o celeiro de vocações, capaz de exportar para outros estados e ultimamente para o exterior.
No início os colégios eram mais para os filhos de colonos, mas aos poucos por causa de excelência do ensino também a elite lusa, nem sempre católica, começou a estudar nos colégios religiosos. Assim o catolicismo influenciou os futuros políticos tanto lusos como os filhos de imigrantes. O crescimento da região colonial começou a dominar no Estado, os seus filhos entram nos postos-chaves dos partidos, mas os grandes políticos continuam sendo de em geral de origem lusa.
Conversando com o povo de Deus (490). A história da Igreja no RS. A vinda das Congregações(9).
Esqueci-me de acrescentar na conversa da semana passada, que os redentoristas (CSSR) chegaram em 1920 a Pelotas, e em 1928 a Cachoeira do Sul. O convento dos mesmos foi comprado, em 1994, pela Diocese e transformado em Centro de Formação. O ex-arcebispo de POA, Dom Altamiro Rossato viveu diversos anos no convento como missionário.
Quero concluir a “História da Vida Religiosa no RS”, dizendo que além das Congregações católicas vieram também não-católicos como os Metodistas em 1886, que fundaram o Colégio Americano em POA e outros no interior do Estado. Os Luteranos (IELB) fundavam o Instituto Concórdia em 1902. Os Episcopalianos em 1912 o Colégio Cruzeiro, IPA. Os colégios deles, influenciados pela ética religiosa e pela cultura anglo-saxônica, enfatizavam mais os aspetos pragmáticos e operacionais. Por isso, os alunos saídos de suas fileiras se achavam mais habilitados para a nova realidade emergente. Aqui em Cachoeira do Sul muitas famílias mandavam os seus filhos estudar no Colégio Luterano, Rio Branco. Mas ambos os colégios católicos e não-católicos tinham o mesmo objetivo: preparar as elites para o novo tipo de vida diferente do RS agrário tradicional. As virtudes que deviam brilhar eram a pontualidade, a moderação, o controle, o apreço pelo trabalho, o cálculo exato, a persistência, o método, que deram a sua contribuição para o capitalismo iniciante.
A industrialização e a urbanização, que a Igreja ajudara a construir, voltam-se contra a Igreja rural. Elas levam à secularização, que é a libertação do homem do controle religioso, do controle do metafísico sobre a razão e a linguagem. A religião que dominava tudo, que impregnava tudo, torna-se cada vez mais algo privado. Os colégios católicos não conseguiram mais formar líderes cristãos. E foram-se tornando colégios para todos os que queriam estudar, nem exigem mais que os professores sejam católicos. O Estado começou ele mesmo construir colégios de ensino gratuito, competindo com os colégios confessionais. Começou a intervir cada vez mais nos colégios privados através de leis que dificultam o funcionamento dos mesmos. Assim os colégios católicos começam a se restringir aos filhos de “papai”. Eles se tornam classistas. Para que ainda colégio católico? Também os hospitais estaduais aumentam cada vez mais. As vocações religiosas, principalmente femininas, diminuem violentamente por causa da queda violenta da natalidade. Os casais não querem ter mais de dois filhos. A sociedade de consumo não permite, dizem eles.
Num primeiro momento, pensou-se em reconstruir o mundo da cristandade, através das rádios católicas, da TV católica, do jornal católico. Mas aos poucos se viu que o caminho não era por aí. Não era possível competir com o capitalismo. Além disso, a mídia católica tinha que se sustentar regendo-se por princípios capitalistas. Viu-se que é melhor aceitar o mundo que está aí procurando como fermento dar testemunho de vida cristã. A Igreja também cria a consciência da existência da pobreza de nosso povo. Está convencida de que os projetos capitalistas e neoliberais não são capazes de libertar as grandes massas de oprimidos. As Ordens e Congregações religiosas começam a pensar em re-fundação. Com a Igreja da América Latina fazem a opção preferencial pelos pobres. O resultado foi que hoje nós encontramos as religiosas(os) inseridos em meios populares, trabalhando pela promoção da mulher, da mulher negra, da mulher prostituta, da mulher indígena, na pastorais sociais, como a pastoral da criança, do menor, da juventude, do idoso, da saúde, da sobriedade, da carcerária, da AID’S e da terra, engajados nas CEB’s, nos assentamentos, na luta pela paz, justiça e ecologia, na educação política. Hoje nós encontramos religiosas na pastoral paroquial até cuidando de paróquias como “Vigárias”, por falta de sacerdotes. Há irmãs que são teólogas, dentistas, psicólogas, enfermeiras, assistentes sociais. Sem dúvida o número dos religiosos diminuiu muito e vai continuar a diminuir. Está se perdendo em número, mas há um aumento de qualidade. Há um novo fervor. O RS está exportando missionários para outros estados e países.
O grupo político que teve mais sensibilidade para o momento social novo foi o partido dos trabalhadores. É esta a realidade no ano em que celebramos os 100 anos da criação da Arquidiocese de POA, com as dioceses sufragâneas de Pelotas, Uruguaiana e Santa Maria.
Conversando com o povo de Deus (491) A História da Igreja no RS (10) Fim.
Espero concluir hoje está série conversando sobre a celebração dos 100 anos da arquidiocese de POA e das dioceses sufragâneas Pelotas, Uruguaiana e Santa Maria. Quero recordar que desde 1676 o RS dependia do bispado do Rio. Em 07/05/1848 foi criada a diocese de POA. Em 15/08/1910 foi criada a Arquidiocese com as 03 dioceses sufragâneas, acima citadas. Todas elas têm o seu programa de festejos. Destas dioceses nasceram as demais 14.
Iniciemos por POA. Dia 02/06/2010, as atividades comemorativas começaram com a “Caminhada da Solidariedade” pelas ruas do centro da cidade com centenas e centenas de religiosos, padres, diáconos, ministros, crianças e adolescentes envolvidos em projetos sociais com o Arcebispo D. Dadeus Grings na frente, até o Gasômetro. Lá aconteceu a abertura da Expofeira: “Cem anos de Solidariedade”. Havia 480 entidades que trabalham com a caridade. 182 tendas. Os visitantes eram 3.500 por hora. Houve também a presença de autoridades estaduais e municipais. É preciso que os católicos e demais pessoas conheçam o trabalho maravilhoso de caridade que a Igreja realizou durante estes cem anos em favor da promoção dos necessitados. Isso deve ser uma alegria vendo as maravilhas que Deus fez através de nossa Igreja e um impulso para fazer mais e melhor. Houve palestras, oficinas, shows musicais no local. Na festa de Corpus Christi houve a presença do Arc. de Brasília Dom João Braz de Aviz. A procissão começou no teatro Por do Sol e terminou com a Bênção do Santíssimo no Gasômetro. Os padres receberam todos a estola do centenário em maio. Todas as Paróquias têm suas atividades específicas. Eis algumas das muitas programações.
A diocese de Uruguaiana já iniciou a sua celebração de preparação há 10 anos atrás com D. Ângelo com um plano diocesano bem elaborado. D. Aloísio, o novo bispo, continuou esta caminhada. A diocese iniciou este ano centenário como Ano Pastoral, Ano Santo, com o lema: “Agradecidos e reconciliados para um novo tempo”. Dentro desse ano há alguns destaques. A vinda da imagem de S. Francisco de Borja, doada pela família João Goulart, imagem que tinha sido roubada na guerra do Paraguai e depois doada à família Goulart em exílio no Uruguai, pelo Presidente Stroessner, foi por sua vez doada pela viúva Maria Teresa à Igreja da matriz de S. Borja. No dia 15/08 haverá, data dos 100 anos, a celebração solene com inauguração da placa comemorativa em todas as igrejas paroquiais. Haverá o lançamento da Revista comemorativa, do Jornal Diocesano com novo formato e um CD. O ápice das celebrações acontecerá no 18/10 co a 19ª Romaria de N. Sra. Conquistadora que terminará no novo Santuário em construção com a missa solene com a bênção Papal com direito à Indulgência Plenária.
A diocese de Pelotas. Dom Jacinto Bergmann afirma: Queremos celebrar os 100 anos de história de fé, esperança e caridade com mais compromisso com a catequese, a liturgia e caridade, alicerçados na Eucaristia celebrada e vivida no domingo santificado ao Senhor e enviados para a missão evangelizadora de todos os povos”. Neste centenário já houve show “O amor torna tudo novo”, com o cantor religioso Antônio Carlos. O lançamento do selo comemorativo dos Correios. No dia 1º de abril as paróquias receberam a logomarca do centenário, nela se encontra a idéia força: “100 anos: Mais compromisso, Eucaristia e Missão”. Na ocasião foi declarado também o início do Ano Eucarístico.
A diocese de Santa Maria, a nossa mãe (POA, a nossa avó. Rio a nossa bisavó) tem a sua programação. A abertura do Centenário aconteceu dia 15/08/2009 no Santuário de N. Sra. Aparecida em S. Paulo com uma peregrinação com representantes de todas as paróquias. O povo canta o Hino e reza oração do centenário. As santas Missões da diocese estão chegando ao fim. Visa-se organizar 100 novas comunidades. Dez mil Bíblias estão sendo colocadas nas mãos do povo. O jornal “O Santuário” tem o objetivo de chegar a 10 mil assinaturas. Em preparação ao dia 15/08, dia da criação das dioceses em todas as paróquias haverá tríduo de preparação, com colocação de uma placa comemorativa em todas as igrejas matrizes das paróquias. As paróquias estão realizando a sua peregrinação ao Santuário Basílica da Medianeira. A diocese foi homenageada na Assembléia Legislativa em 10 de junho e o será na Câmara de vereadores no dia 10/08. Eis algumas celebrações, que tiveram como tema: “Casa e Escola de Comunhão dos discípulos missionários de Jesus”.
A celebração conjunta da arquidiocese de POA, que compreende todo o RS, começará em POA dia 15 de agosto, quando os bispos do RS estarão celebrando na Catedral a missa, a grande ação de graças, presidida pelo Arcebispo D. Dadeus Grings. A conclusão das celebrações do Centenário será na 67ª Romaria da Medianeira 14/11/10 com a presença de todos os bispos do RS e as relíquias do Pe. São Roque González e de São Pio X.
“Os fatos passados são também a base para que a história possa ser escrita nos tempos atuais e futuros, enquanto Jesus Cristo, Senhor da história, na unidade com o Pai e o Espírito Santo assim quiserem”. A Igreja católica continua viva e atuante na história do RS para a maior glória de Deus e o bem do povo.
Conversando com o povo (492) Você já viu bispo falar de futebol?
O futebol tem tal força de fascínio e de atração, que nem bispo resiste. O meu colega D. Hélio Rubert, bispo de Santa Maria, escreveu na “Palavra do Pastor”, dia 19/06 sobre a Copa do Mundo 2010. Eu resisti até hoje, mas me dobrei. O que faz com que o mundo todo se fanatize ou quase? Por que cada um torce por seu país? Até o Bill Clinton apareceu lá torcendo por seu país. “A bola emociona os EUA”. A Itália e a França estão envergonhadas com a sua eliminação. Pergunto: deve ser porque a mídia nos está aplicando uma overdose de futebol? Quantos jornalistas, quantos repórteres, quantos assessores a Globo e a Bande mandaram? Quantos jornalistas e repórteres e comentaristas a Zero Hora enviou? Até Luiz Fernando Veríssimo está lá na África do Sul. Só se fala mais da copa, de manhã, de tarde e de noite. Tivemos no início, futebol, ao vivo, três vezes ao dia. Ontem e hoje (24 e 25/06) duas vezes. O importante para a mídia é repetir, repetir, repetir.
Hoje joga o Brasil contra Portugal. Os meus funcionários pediram para deixar o serviço antes das 11h. O Brasil vai parar. Empresários, advogados, médicos, bancários, professores, trabalhadores, operários, pobres e ricos, drogados, apenados, intelectuais e analfabetos todos vidrados na TV, torcendo para o Brasil. Eu estou escutando e vendo o jogo pela TV e escrevendo o “Conversando”. Os onze jogadores representam a todos nós. Se eles perderam é se como eu e você, sem ter jogado, pernas de pau, tivéssemos jogado. A alegria da vitória deles é a nossa vitória, é a vitória do Brasil e a derrota deles é nossa derrota e a do Brasil. (Estou voltando a escrever. O jogo terminou empatado. Ficamos em primeiro lugar e Portugal em segundo, mas não convencemos).
A conquista do campeonato mundial dará ao país vencedor, ao seu povo, um sentimento de orgulho pessoal e nacional. Consciência de sua capacidade, de sua força, de sua inteligência. Mostra a importância do trabalho em conjunto, de um trabalho sério. Sem trabalho duro nada se consegue, como também a necessidade de um líder que escolha os jogadores certos e orienta o seu trabalho. O que pode ser uma indicação para escolhermos bem o presidente e governador. Um presidente, um governador Dunga!
O futebol está produzindo novos deuses: Messi, (Argentina), Santa Cruz, (Paraguai) Robben, (Holanda), Cacá, (Brasil). As nações campeãs do passado já caíram: Itália, França. Os deuses caíram. Novas nações estão se classificando: Paraguai, México, Coréia do Sul, Japão, Eslováquia, EUA.
Mas tudo o que é demais cansa. Parece que há gente já insatisfeita com a mídia. Colorados e gremistas, que tinham esquecido as suas rivalidades (O que foi muito bom. O Brasil está acima das rivalidades regionais) estão começando a reclamar. Depois o Dunga, o Lúcio, o Nilmar passaram pelo Inter. Vitor do Grêmio não foi convocado. Mas não é só isso, o grande drama do povo Nordestino está merecendo um destaque maior. Nelson Jobim diz: “Algo parecido só no Haiti”. “Lula se impressionou com destruição deixada pela chuva”. No Congresso Federal a Câmara aprovou o fim do 13º salário. A nação esqueceu os seus problemas verdadeiros. A mídia está fazendo do futebol nesse tempo o ópio do povo ou não? Se o Brasil for eliminado na próxima partida voltaremos aos nossos problemas. “O baile terminou, músicos a pé e agora José?”. Mas se ganhar o circo continua.
Que o campeonato das vuvuzelas se esteja realizando na África do Sul é muito bom para os africanos. Por alguns dias ficam o centro do mundo. E nós, muitas informações culturais nos são dadas pela mídia. Para eles, sem dúvida, ter condições para situar uma copa, mostra a capacidade organizativa dos africanos. A própria religião se fez presente. Os bispos da África compuseram uma bela oração, que não reproduzo por falta de espaço. A religião é a favor do esporte. “Mens sana in corpore sano”. Mente sadia em corpo sadio. É também um momento de confraternização dos povos. “Vós todos sois irmãos”.
Nesta Copa das vuvuzelas correm muitos interesses econômicos da FIFA, do mercado de jogadores, da mídia, de empresários e outros. Por que essa briga entre a Globo com o Dunga? Estou recebendo e-mails para boicotar a Globo! Já o Filipão teve problemas com ela por causa do Romário. Os interesses do Brasil devem estar acima de dos interesses particulares.
Que outras lições você tira desta Copa para a vida?
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Sábado dia 26 teremos o fim das missões populares pregada pelos padres Franciscanos em Cortado. As missões estão cada vez mais perto de Cachoeira. Neste ano ainda será a vez da Paróquia da Penha. E as outras ficarão para o próximo ano.
Conversando com o povo de Deus (493) Não matarás.
Aprendemos no catecismo que Deus deu, no monte Sinai, os 10 mandamentos para Moisés e os conhecíamos de cor e salteado. Primeiro mandamento amar a Deus sobre todas as coisas. 2º, não tomar o seu santo em vão. 3º, guardar domingos e festas. 4º, honrar pai e mãe e o 5º, não matar e assim por diante. O que é matar? Eu pensava que era proibido matar pessoas com uma facada, paulada ou com um tiro de revólver. E a autoridade poderia condenar alguém à morte? E o carrasco poderia matar o condenado? Podia se fosse por justiça. E na guerra pode-se matar? Nem me colocava a pergunta. Nas aulas de história, contavam-se as muitas guerras havidas. Os grandes heróis eram os generais, que mataram muita gente, que sujaram as suas mãos com o sangue. Os nossos países, com os seus limites, são o resultado de muitas mortes. Muito sangue inocente derramado.
Hoje, os teólogos moralistas nos ensinaram a distinguir entre guerra justa e injusta. A justa é permitida. O que é uma guerra justa? Quem vai determinar? A ONU? Os EUA? Existe o legítimo direito de auto defesa. Portanto, o país atacado pode defender-se. Uma guerra preventiva é justa? Por exemplo, a invasão dos EUA no Iraque e no Afeganistão? A provável futura invasão do Irã e da Coréia do Norte por causa da suspeita de que queiram fabricar uma bomba atômica?
No momento atual, no Brasil, vivemos num clima de insegurança por causa da violência. Assaltos muitos com mortes. A juventude clama contra extermínios dos jovens. A juventude também assalta e mata, mata e é morta. Mas existe também o suicídio. O matar-se aos poucos através da bebida alcoólica permitida e do fumo, através da droga e do crack principalmente. Suicidam-se ao saírem das boates embebedados e drogados indo para os rachas.
O carro hoje em dia se tornou uma arma. Arma com a qual eu mato, “sem querer” os outros e me mato. Eu não quero matar ninguém, nem me matar, mas eu sei que a bebida e a droga, como a alta velocidade podem levar a um acidente fatal. Não quero, mas quero. Assim milhares de pessoas morrem em acidentes automobilísticos pelo mundo afora. Há estatísticas falando de mais de 40 mil acidentes por ano no Brasil, fora os feridos e os que ficam deficientes. E há também aqueles que morrem atropelados nas vias públicas das cidades pela desatenção dos motoristas e pedestres. Para diminuir esse flagelo é que se inventaram as faixas, o asfalto zebrado. Isso funciona na Europa muito bem. Em Roma, eu fico sempre impressionado, com a gentileza dos motoristas, que fazem questão de parar, que fazem sinal para passar. Não precisa pedir não.
Aqui em Cachoeira do Sul, também foram pintadas as faixas, mas que motoristas as observavam? Questão de falta de costume, de distração. Por isso, está de parabéns o JP, com a campanha: “Sinal pela Vida”, por ocasião dos seus 81 anos de existência. Não deixe de ler o JP do dia 28 de junho, pg. 01 e 06. Sempre estranhei que uma cidade do porte de Cachoeira pudesse ter tantos acidentes automobilísticos e alguns até fatais. Como nossos motoristas e pedestres não estão acostumados à faixa, pede-se aos pedestres que, quando quiserem atravessar parem na calçada, façam o sinal positivo e certifiquem-se que os motoristas pararam e então atravessem com o passo rápido. Os motoristas devem saber que na faixa a precedência é sempre dos pedestres. Me dá vontade de rir lendo essas instruções, parece coisa de criança. Mas é totalmente necessário, porque em criança não o aprendemos. Motoristas sigam as instruções, pois não te é lícito matar. Pedestres, sigam as instruções porque não te é lícito suicidar-se. Vida sim, morte não. A Igreja Católica também é parceira nesta campanha.
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“O baile terminou, músicos a pé e agora José?” O Brasil foi eliminado pela Holanda, músicos a pé e agora José? Voltaremos aos nossos problemas, também no transito. Foi bom enquanto durou (Galvão).
Conversando com o povo de Deus (494) Que devo fazer para herdar a vida eterna?
Conversemos sobre a liturgia do domingo próximo (11/07/10). A 1ª leitura é do Deuteronômio 30,10-14. Deus elegeu, entre todos os povos, o povo de Israel, povo insignificante no contexto mundial, como o seu povo. Coisas do amor, coisas inexplicáveis para a razão. Mas a escolha tem conseqüências. Amar a Deus com todas as forças. Se for infiel deve voltar atrás. Por isso Moisés pede ao povo: “observa todos os mandamentos do Senhor. Converte-te para Ele com todo o teu coração”. Mas o povo acha os mandamentos muito difíceis. Deus responde que não. Nem estão longe do homem. Lá no céu ou no outro lado do mar. Não. “Estão na tua boca, no teu coração para que os possas cumprir”. Hoje ainda vemos judeus no muro das lamentações com uma caixinha na testa ou no braço com textos da Lei. Ele deve ter sempre a Lei de Deus diante de seus olhos (Dt 6.8). Quando nós praticamos a Lei de Deus com amor, ela se torna um peso leve e um jugo suave, fonte de vida, paz e alegria. Pe. Atilinho, Vigário paroquial da catedral, você que celebra domingo, os seus 25 anos de sacerdócio, certamente experimentou isso na sua vida.
O Evangelho é de Lucas 10, 25-37. Mas no tempo de Jesus, além dos 10 mandamentos, havia um mundo de 613 preceitos. Assim um mestre da Lei, pergunta a Jesus para prová-lo: “que devo fazer pra herdar a vida eterna?” Jesus responde perguntando: “O que está escrito na Lei?”. E ele responde: “Amarás o Senhor teu Deus de todo coração... e ao próximo como a ti mesmo”. Jesus o elogiou dizendo: “Faça isso e viverás”. Mais tarde Jesus dirá completando o amor ao próximo: “Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei”. Até a morte.
Agora vem a parte que dos quatro evangelistas só Lucas narra. O mestre da lei não se entrega. Quer ver se pode por Jesus à prova de outra maneira. “Quem é o meu próximo?”. Próximo para o judeu era o outro judeu. A palavra hebraica para próximo tinha como sinônimos a palavra vizinho e amigo. Jesus não dá uma definição, mas conta uma parábola. A parábola do bom samaritano. Certo homem, judeu negociante, descia de Jerusalém, 750m acima do nível do mar, para Jericó, 370m abaixo do nível. Caiu nas mãos de assaltantes. Já naquele tempo os havia. Arrancaram-lhe toda a mercadoria que levava par vender, o bateram, deixando-o meio morto. Um sacerdote e depois um levita, ambos judeus, desceram pelo mesmo caminho quando viram o homem meio morto passaram pelo outro lado, o mais longe possível. Certamente disseram para si: “Onde está a polícia? A gente paga imposto para que?” Todos os três eram judeus. Vem agora o samaritano, habitante da Samaria, gente odiada pelos judeus, tida como só meio judeu, meio paganizada, negociante como o judeu assaltado, portanto o seu competidor, este samaritano se aproxima. Não passa longe. Se aproxima. Viu. Se compadeceu. E começou a fazer curativos, derramar sobre as feridas azeite, que serve para suavizar e vinho, que serve para desinfetar. Depois o botou sobre a garupa do cavalo e o levou para uma pousada. Lá cuidou dele. E no outro dia, pagou o dono da pousada, pediu que cuidasse bem dele e que na volta iria pagar o que teria gastado a mais. O amor não tem limites. E aí Jesus pergunta ao Mestre da Lei: “Quem dos três foi o próximo do assaltado?” E ele respondeu: “O que usou de misericórdia com ele”. E Jesus responde: “Vai e faze o mesmo”.
Gostei da pedagogia de Jesus. Ele faz o outro mesmo descobrir a resposta. E Jesus não responde à pergunta, quem é o meu próximo, mas como fazer-se próximo do necessitado. É este que me pede proximidade, vizinhança, amizade. Aliás, Jesus é o bom samaritano, que se fez próximo, vizinho e amigo nosso. Que deu a sua vida para que nós tivéssemos vida e vida em abundância. Que nos diz: “Vai faze o mesmo”. Quais são os assaltados de hoje? Os aidéticos, os dependentes químicos, os famintos, os sem terra, os sem teto, os sem assistência de saúde, os desempregados, os doentes, as crianças, os jovens, os flagelados do Nordeste? Pe. Atilinho, parabéns pelos seus 25 anos de sacerdócio. Parabéns pelos seus 25 anos de bom samaritano. Ensina-nos a ser bons samaritanos.
Conversando com o povo de Deus (495) Você gosta de ser bem acolhido?
A liturgia do próximo domingo nos ensina sobre o único necessário: acolher a Deus em nossa casa. Acolhê-lo em nosso coração. Em Gênesis 18, 1-10, Abraão acolhe a Deus, que o visita através de três homens. Sentado debaixo de um carvalho de Mambré (venerado até hoje) descansando do calor do dia, ele vê chegar três homens. Ele corre ao encontro e prostrado pede que fiquem com ele. Oferece água para lavar os pés – Imagina como faz bem uma água para se refrescar! - pão para comer, coalhada, leite e um assado de um terneiro tenro. Como faz bem uma boa comida quando a gente está com fome. Como faz bem a gente ser bem tratado! Ele mesmo não comeu, ficou de pé. Abraão não pediu a identidade dos três. Fico admirado com a hospitalidade de Abraão. Que gentileza! É assim que nós acolhemos os nossos hóspedes? Alguns oferecem a própria cama e vão dormir no chão. Que gesto divino! O gaúcho tinha fama de ser muito hospitaleiro. Será que ainda o é? Como acolhemos os nossos empregados, nossas cozinheiras? Vocês acham que Abraão cobrou algo pela hospitalidade? Ele exerce a gratuidade. Você é capaz de fazer um trabalho gratuito? Graças a Deus há muita gente exercendo o voluntariado. Abraão foi generoso, mas Deus foi ainda mais generoso. Prometeu-lhe um filho. “Voltarei, disse um dos três, no ano que vem, e Sara a tua mulher terá um filho”. Era o que ele mais desejava. Na tradição houve pensadores cristãos que quiseram ver nestes homens a santíssima trindade. Deus passa na nossa vida, é preciso acolhê-lo, pois, senão nossa vida fica vazia.
O evangelho é de Lucas 10,38-42. Jesus é acolhido num certo povoado por Marta. O evangelista João chama este povoado de Betânia. Ela tinha uma irmã chamada Maria. João acrescenta que elas tinham um irmão chamado Lázaro, que Jesus ressuscitou dos mortos. Narra Lucas que Maria sentou-se aos pés de Jesus e toda absorvida o escutava, enquanto Marta estava toda ocupada com muitos afazeres. Marta não agüentou mais e foi a Jesus e disse: “Manda que a minha irmã venha me ajudar”. Ela espera de Jesus apoio. Qual não deve ter sido o seu espanto, quando Jesus lhe diz: “Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. (Já naquele tempo existia o ativismo). Porém, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte”. Hospedar e cuidar do hóspede é bom, mas realmente necessário é acolher a pessoa de Jesus, escutá-lo. Jesus estava falando e Marta não o escutava. Quem fala quer ser escutado. Uma mesa bem provida é bom, mas mais importante é acolher a pessoa de Jesus e suas palavras no coração. Então saberemos pôr a mesa do modo certo. Saberemos cozinhar de um modo novo. Quando domingo escutamos a Palavra de Jesus, a mastigamos e ruminamos, ela torna o domingo e a semana nova, diferente. Nós a vivemos sob uma nova luz, com um novo impulso, com uma nova vibração e calor. Enxergaremos Deus vindo nos três viajantes, como Abraão. Enxergaremos em Jesus aquele que tem palavras de vida eterna. Enxergaremos no próximo Deus presente apelando à minha paciência e caridade. “Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Jesus”. A tradição cristã viu em Marta a vida ativa da Igreja e em Maria a vida contemplativa. Uma precisa da outra. Uma vida sem contemplação, uma evangelização sem ela é vazia e infecunda.
Conversando com o povo de Deus (496) Você acredita na oração?
A liturgia do domingo, dia 25 de julho, dia do motorista e do colono, nos fala sobre a oração. Motorista e colonos também rezam? A fé e a oração foram muito importantes para os imigrantes, que vieram para o Brasil. Eu como filho de colono posso testemunhar como a oração era parte integrante da minha família e da comunidade. Testemunho também a fé e oração dos motoristas. Os dizeres que encontramos nos caminhões são a prova disso. Aliás, não há povo sem religião, não há religião sem oração.
Mas vamos à 1ª leitura da missa do domingo. É do livro do Gênesis (livro das origens do mundo e do homem e da mulher), 18,20-32. O Senhor Deus disse a Abraão que Ele iria destruir as cidades de Sodoma e Gomorra por causa de seu pecado (de perversão sexual e lesa-hospitalidade). Abraão começa a interceder pelos 50 justos que talvez vivam nas duas cidades. Argumenta diante de Deus. Não é justo que o justo morra com o ímpio. E Deus respondeu que Ele pouparia as cidades por causa dos 50. Mas Abraão acha que talvez haja só 45 justos. Por isso, pede de novo. “Se houver só 45, o Senhor as destruirá? Não as destruirei”, respondeu Deus. “E se houver só 40? Não as destruirei”. E Abraão continua pechinchando como autêntico judeu de hoje. “E se houver só 30 – 20 -10 justos?” E Deus responde sempre a mesma coisa. “Por causa destes justos eu não as destruirei”. A leitura de hoje termina aqui sem saber se havia 10 justos. Mas continuando a leitura na Bíblia ficamos sabendo que as cidades foram destruídas. Deus salvou só a família de Lot. Havia só uma família justa! Assim Deus fez justiça não castigando o justo com o mau. No NT ficamos sabendo que Deus Pai aceita a morte de um só justo, Jesus Cristo, pela salvação de todos. Pela intercessão de Abraão ficamos cientes de que podemos interceder em favor de nossos irmãos (ãs). Ficamos cientes da importância dos poucos justos para o bem do mundo. Por isso, não desprezemos as avós que vão à missa e rezam por todos, principalmente para os netos, nem os (as) monges, e contemplativos (as) que rezam por toda a humanidade. Verdadeiros pára-raios da humanidade pecadora.
O Evangelho é de Lucas 11,1-13. Jesus reza e provoca num discípulo a vontade de rezar como Ele, por isso pede: “Senhor, ensina-nos a rezar como João Batista também o fez”. E Jesus ensina o Pai Nosso. “Pai, santificado seja o teu nome”. Jesus não ensina chamar a Deus de Deus, de Javé, de Jeová, de Senhor, mas de Pai. Em hebraico: Abá – Papai. Ele é o nosso Papai e nós somos os seus filhos (as). Devemos rezar numa atitude filial. Como crianças, cheios de confiança e humildade. Se ele é Pai somos todos irmãos (ãs). O nome significa a pessoa de Deus. Ofender o nome é ofender a pessoa. O nome de Deus deve ser respeitado, reconhecido, amado. “Venha o teu reino”. O reino do Pai é um reino onde Ele reina. É um reino de amor e de bem, de justiça e de partilha, de paz e de solidariedade, de verdade e de honestidade, de perdão e reconciliação. “Dá-nos a cada dia o pão de que precisamos”. O pão material, o pão da casa, da saúde e do emprego, também o pão da palavra e da Eucaristia. Jesus não nos ensina a pedir riquezas, ganhar na mega-sena, que o Brasil fique campeão, mas o necessário para o dia a dia. “... e perdoa-nos os nossos pecados, pois nós também perdoamos a todos os nossos devedores”. Não há felicidade sem perdão. Sem perdoar-nos mutuamente. O Pai só nos perdoa na medida em que nos perdoamos. “e não nos deixes cair em tentação”, na provação, apostando da fé, da religião, da fidelidade ao Pai. Em Mateus (6,9-13) o Pai Nosso é mais desenvolvido, tem sete pedidos, em Lucas só cinco. Jesus neste evangelho de Lucas nos ensina também que quem bate será aberto, quem procura acha, quem pede recebe. Nem sempre logo. Por isso, é preciso rezar com insistência e perseverança. Por quê? Ele nos atenderá sempre por que é bom dando-nos o Espírito Santo com os seus dons. O dom do consolo, da fortaleza, da coragem, do discernimento. Assim o Pai atendeu a oração de seu filho Jesus, mandando-lhe um anjo que o confortasse na paixão e morte (Lc 22,43).
Parabéns colonos e seus descendentes, pelo vosso dia, vós produzis o alimento. Parabéns motoristas porque vós o distribuis. Jesus rezou e nos ensinou a rezar e S. Paulo escreve: “Orai sem cessar”. Que Deus Altíssimo e Bom Senhor Pai, Filho e Espírito Santo abençoe a todos.
Conversando com o povo de Deus (500) É verdade que o número dos que se salvam é pequeno?
Mês de agosto é o mês vocacional. Neste quarto domingo a Igreja reflete no Brasil sobre a vocação do leigo. Leigo na Igreja é todo o batizado que não seja da hierarquia (bispo, sacerdote, diácono) ou religioso (a). Leigos são os médicos, enfermeiros, empresários, advogados, professores, políticos, militares, trabalhadores, operários, etc. São a grande maioria da Igreja. A sua vocação é fazer presente no mundo do trabalho a mensagem de Jesus Cristo por sua vida e palavra. Lembramos também hoje o leigo que exerce na Igreja o ministério da Eucaristia, da Palavra e da Esperança. O último domingo é dedicado à vocação do (a) catequista.
Nesse domingo, dia 22, a nossa mãe Igreja, no mundo inteiro, nos propõe como 1ª leitura o profeta Isaías, 66,18-21. O que o texto diz para o povo de Israel? O povo acaba de voltar do exílio. Depois da alegria, vem o desânimo. Recomeçar tudo de novo não é fácil. Deus manda o profeta para animá-los. Ele prediz, que de Jerusalém nascerá um povo novo formado de todas nações e línguas, vindos de todos os recantos da terra. Virão a cavalo, a camelo, a mula, em liteiras e carroças trazendo oferendas para a casa do Senhor. Virão para adorar o Deus único, vivo e verdadeiro e verão a glória de Deus. Para nós o texto diz que Deus é Deus de todos. Ele quer formar com a união de todos um povo novo. Isso acontece com Jesus Cristo.
O evangelho é de Lucas 13,22-30. Jesus, não se diz quem o acompanhava, atravessava cidades e povoados. Todos têm direito a ouvir a sua mensagem. Também os povoados, isto é, os simples. Ia ensinando-lhes. Ia para Jerusalém. Nenhum profeta pode morrer fora da Cidade Santa. Quando alguém lhe perguntou. Não se diz o seu nome. “São poucos os que se salvam?” Pergunta de curiosidade. Pergunta dirigida, que já espera uma resposta de que sejam poucos. Mas Jesus não responde. Não interessa o número. Interessa sim o “esforço para entrar pela porta estreita”, que conduz à vida. Esforço de conversão. A porta é estreita porque ela significa praticar a justiça, deixar o caminho da iniqüidade, fazer a vontade de Deus. Fazei isso porque chegará a hora em que o dono da casa fechará a porta e vós, meus irmãos judeus, ficareis do lado de fora. Aí vós ireis bater e gritar: “Senhor, abri-nos a porta”. “Não sei de onde sois”, responderá ele. Como não nos conheceis? Nós comemos e bebemos convosco, Jesus. Nós ouvimos a sua pregação feita em nossas praças. E Jesus dirá: De fato, vós comestes e bebestes comigo, ouvistes a minha pregação, mas não vos convertestes, por isso: “Afastai-vos de mim vós que praticais a injustiça”. Jesus descreve a exclusão do reino como algo sofrido. “Haverá choro e ranger de dentes”. E porque vós, judeus, se não convertestes, virão homens do Oriente e do Ocidente, do sul e do norte e tomarão lugar à mesa do reino de Deus juntos com os patriarcas Abraão, Isaac e Jacó e os profetas do AT. E assim os últimos ( os pagãos, nós hoje), “serão os primeiros” e vós judeus,(que deveríeis te sido os primeiros) sereis os últimos. O que o texto diz para nós hoje? Para mim. Que não basta ser católico para ter a salvação garantida. Nem ser bispo, padre, diácono, ministro ou catequista. Nem basta ser participante de muitas missas, romarias e rezas ou de movimentos como cursilho, ECC, EC, Emáus, RCC etc. para entrar no Reino, mas é preciso acrescentar a isso a prática da justiça. A fé sem as obras é morta. Mateus (7,14. 21-23) acrescenta: Não basta ter expulsado demônios, feito milagres, profetizado em nome de Jesus. Nem todo aquele que diz ‘Senhor, Senhor’ entrará no reino... mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai”. No juízo final Jesus nos dirá (Mt 25,31-46): Vinde benditos de meu Pai porque tive fome e me destes de comer. Sede e me destes de comer. Estive nu e me vestistes. Doente e prisioneiro e me visitastes.
A 2ª leitura é de Hebreus 12, 5-7. 11-13. Deus permite o nosso sofrimento para nos corrigir. Deus é como o pai que corrige o filho a quem ama. No momento a correção produz dor, porém depois porém produz paz e justiça. Não digamos, portanto, que todo sofrimento é castigo ou que não tem sentido. Tudo concorre para o bem dos que amam a Deus, escreve São Paulo (Rm 8,28).
Quem levará a mensagem deste domingo para o mundo do trabalho, para a sociedade na qual vive? Eis a vocação específica do leigo.
Conversando com o povo de Deus (501) Só os verdadeiramente grandes são humildes.
No último domingo, dia 29, a Igreja no Brasil celebra a vocação da(o) catequista. Jesus é o sumo catequista que passou por este mundo ensinando as riquezas do Reino de Deus. Jesus preparou os apóstolos para continuar a sua obra. “Ide e ensinai a todos os povos os que vos ensinei”. O Papa e os bispos, auxiliados pelos sacerdotes e os diáconos continuam essa missão. São os primeiros responsáveis pela catequese. Mas na ordem prática, os pais, a família, são os primeiros catequistas. Muitas mães, já antes do nascimento do bebê, falam com ele sobre Deus. O consagram a N. Sra. Pedem a bênção para ele. Depois de nascido o levam para o batismo, para a Igreja. O ensinam a rezar, o catequizam pela sua vida religiosa. Mas para que as crianças façam a sua primeira comunhão e os jovens recebam o sacramento da crisma a Igreja exige que passem por uma catequese dada por um(a) catequista, completando e aperfeiçoando a catequese familiar. É destes catequistas, que realizam um trabalho gratuito que hoje falamos. A eles a nossa perene gratidão. Que Deus lhes dê o cêntuplo já nesta vida e depois a vida eterna. O que seria da Igreja sem elas(es)? Quem de nós não se lembra de sua catequista?
Nesse domingo, Jesus nos ensina que todos devemos realizar na Igreja a nossa vocação com modéstia e humildade. Na 1ª leitura do Eclesiástico 3,19-21.30-31, o pai diz ao filho, trabalhe com mansidão e serás amado. Se fores grande, pratique a humildade e encontrarás a graça diante de Deus, Ele te revelará os seus mistérios, Ele é glorificado pelos humildes. Aos altaneiros, orgulhosos e auto-suficientes Ele não revela os seus mistérios, Ele não se sente glorificado neles.
No Evangelho de Lucas 14,1.7-14, o evangelista coloca Jesus, num dia de sábado, convidado à um banquete por um dos chefes dos fariseus. A liturgia de hoje deixa fora a discussão sobre o sábado e se centra sobre a humildade. Lucas escreve que Jesus notou que os convidados o observavam. Uma pessoa importante atrai o olhar do público. Mas Jesus também os observava e viu que os convidados escolhiam os primeiro lugares. Quem de nós quer ficar longe da mesa de honra? Só mesmo na Igreja nós gostamos de ficar nos últimos lugares. Jesus então lhes contou uma parábola. Quando você for convidado para um casamento, não era o caso neste momento, Jesus diz que não se deve ocupar o primeiro lugar, porque poderia vir um mais importante e o dono dizer: “Dá lugar a ele”. E você vai ficar como? Envergonhado e acabarás de ir ocupar o último lugar. Seja esperto. Vai sentar-te no último lugar. Assim quando vem o dono te dirá: “Amigo, vem mais para cima”. Que honra para você. Mas se ele não disser isso? Assim mesmo é válido. Porque Jesus não quer dizer que a melhor maneira de alimentarmos o nosso orgulho, vaidade e a ambição disfarçada é o caminho da humildade. Não, devemos ser humildes mesmos. Por isso ele arremata: Quem se eleva será humilhado. Quem se humilha será elevado. Jesus é o exemplo máximo de humildade. Jesus sendo de condição divina, ele se apresentou entre os judeus como simples homem. Abriu mão de todos privilégios tornando-se apenas o homem que obedece a Deus e aos homens. Jesus serviu até o fim, perdendo a honra passando por um criminoso (Filip. 2,6-8). Por isso, o Pai o ressuscitou e o elevou como Senhor do universo e da história. Assim nós somos convidados a abrir mão de todo e qualquer privilégio, até mesmo da boa fama, para pôr-se a serviço dos outros. Você conhece pessoas além de Jesus que foram humildes? Os santos todos. Teresa de Calcutá, S. Francisco de Assis, eis alguns. E tantos cientistas. Só quem é verdadeiramente humilde é grande. Jesus continua humilde no pão e vinho consagrados, no irmão que sofre, na sua palavra e presente em nossa(os) catequistas.
E Jesus conclui, dizendo a quem o tinha convidado. Quando deres um banquete, convida os pobres. Mas por quê? Porque eles não te poderão convidar. Pois se convidares os ricos eles vão te convidar também e aí tu já terás recebido a tua recompensa. Mas no caso dos pobres não. Assim tu serás feliz e receberás na ressurreição dos justos a recompensa.
Conversando com o povo de Deus (502). Palavra de Deus ou palavra humana? (1)
Não tendo tido tempo para adiantar os próximos dois “Conversandos”, por motivo de viagem, resolvi partilhar algumas reflexões que me foram pedidas por um amigo sobre a : “Mensagem dos Bispos do Brasil sobre a Palavra de Deus e a Animação Bíblica de toda a Pastoral” (`12/05/2010).
Estava previsto um documento sobre – Discípulos e Servidores da Palavra de Deus e a Missão da Igreja no Mundo – mas já que a esperada Exortação Apostólica pós-sinodal do Papa Bento XVI sobre a Palavra de Deus não saiu, a 48ª Assembléia Geral dos Bispos do Brasil, reunida em Brasília, optou por uma Mensagem.
A mensagem inicia citando o profeta Amós 8,11: “Dias virão em que o povo sentirá fome da Palavra”. De fato, não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus (Mt 44). O povo de Deus espera antes de tudo que nós lhe partilhemos o pão da Palavra de Deus. Isso é comprovado pelo povo de nossas paróquias, pela sua participação nos cursos e grupos bíblicos, principalmente pela prática da leitura orante da Bíblia com os seus diversos métodos, pela fome de sermões verdadeiramente bíblicos.
O objetivo da Mensagem é preparar a comunidade para acolher com entusiasmo a Palavra viva de Deus e ser assim discípula missionária de Jesus Cristo.
O que se entende por palavra de Deus? Deus sempre falou. A sua primeira palavra foi a criação. Livro que os homens, mesmo analfabetos, leram e continuam a ler. Deus falou diretamente aos primeiros pais, a Abraão. Indiretamente através de anjos. Deus fala também através da consciência. Faça o bem e evite o mal. Falou através dos acontecimentos, da história, dos acontecimentos, da vida. Libertação do Egito. O exílio babilônico. Fala através dos Profetas. Deus fala através dos 10 mandamentos, as 10 palavras, através da Lei de Moisés. “Deus falou outrora de muitos modos a nossas pais através dos profetas. Ultimamente nos falou através de seu Filho”(Hb 1,1).
A Bíblia é a Palavra de Deus? A palavra de Deus é Jesus Cristo. No princípio a Palavra estava junto de Deus, a palavra era Deus e se fez carne, em Maria e recebeu o nome de Jesus, que para nós é o Cristo. A palavra é uma pessoa, que se revela em primeiro lugar pela sua vida. O ápice desta revelação é a sua morte na cruz por amor. “Não há maior amor do que dar a sua vida por alguém”.
Jesus fez e também falou palavras humanas. Falou em aramaico. Mas Jesus não escreveu nada a não ser na areia (Jo 8,6). Foi a Igreja, guiada pelo Espírito Santo, que começa a colocar por escrito em aramaico(1º evangelho de Mateus) e em grego o que Jesus fez e disse. É possível colocar tudo isso por escrito? Não. João 21,25 escreve que Jesus fez ainda muitas outras coisas que escritas não caberiam no mundo inteiro. Mas tudo foi transmitido (Tradição) por via oral, pela celebração dos sacramentos, pela nova maneira de viver (Atos 4,32). Os romanos diziam dos cristãos: “Vede como eles se amam”.
Como surgiram os livros do NT? Aos poucos as comunidades e os apóstolos começaram a sentir a necessidade de fixar por escrito o que Jesus fez e disse. Surgiram muitos escritos. Mas foram aceitos só os atuais livros que temos no NT. Os outros foram rejeitados como apócrifos, porque não correspondiam à sua fé. Assim temos os livros canônicos, normativos, e os apócrifos.
Quando foram escritos? O primeiro escrito do NT são as duas cartas aos Tessalonicenses de S. Paulo, pelo ano 50/51 d. C. Se Jesus morreu no ano 33, temos 17 anos sem nenhum escrito, só tradição oral. As cartas de S. Paulo são de 50 a 64, provável ano de seu martírio. Os evangelhos o de Marcos é do ano 64, Lucas e Mateus grego entre 70 e 80, João entre 95 a 100. S. Paulo não leu nenhum dos 04 evangelhos. Por isso, para nós católicos é fundamental ler a Bíblia dentro da tradição para entendê-la. Já S. Pedro escrevia (2Pedro 1,20) que nenhuma profecia é de interpretação particular. Por isso, para nós é totalmente incompreensível que hoje venha alguém dizer que vocês católicos interpretaram erradamente a Bíblia. A Bíblia é nossa. Ela nasceu dentro de nossa Igreja e por isso, só ela sabe interpretá-la. Jesus disse aos apóstolos que ele enviaria o Espírito Santo para recordar tudo o que ele mandou e ensinar outras (Jo 14,26). “Quem vos ouve a mim ouve” (Lc 10,24 ), disse Jesus aos apóstolos. A Pedro Jesus disse: “Confirme os teus irmãos na fé”. Por isso, A Mensagem dos Bispos afirma que a Palavra deve ser interpretada pelo Magistério do sucessor de Pedro e dos bispos em comunhão com ele. (Continua).