NA SOMA DOS ANOS

NA SOMA DOS ANOS

Mons. Elcy

Já contabilizei dezenas de anos: Mais de oito, caminhando, tropeçando, caindo, levantando e acumulando experiências, conhecimentos e decepções. Quando passei dos oitenta me senti agraciado pelo privilégio da existência longa. Nas orações, ao recitar os salmos, ouço com gratidão que alguns idosos chegam aos setenta e os mais fortes talvez cheguem aos oitenta. Eu já ultrapassei a marca dos fortes e me sinto andando…

Meu corpo acumula fadigas, meus olhos experimentam fraquezas, minhas pernas se negam às distâncias, meus braços refugam pesados, mas no geral vou andando caminhos, preferindo os planos sem as pedras. Os arroubos infantis, de subir coqueiros e árvores, inexistem, mas vivo a saudade das traquináveis da minha infância. Não me sinto culpado por andar mais lento, nem por estar mais sentado que agindo andando! Gosto de um banco ou de uma cadeira velha, numa roda de antigos para contar estórias, revivendo os tempos que já se foram; mas, também, gosto de ouvir os jovens descrevendo planos para endireitar o mundo.

Na simbiose que do passado eu lembro, como sonho bom que o presente mostra, levo meus dias acumulando histórias que outros, algum dia, lembrarão saudosos.

Jamais maldiga seus limites e falhas que os muitos anos lhes formalizaram. Melhor assim que a sepultura escura, sem ver o mundo lhe rodeia a vida. Não vejo a velhice como melhor idade, mas que tem vantagem, juro que tem! É só deixar de lado tantas lamúrias, catando dores, ciscando falhas. No cofre da sua existência colecione valores e as moedas falsas as jogue para fora, pois só fazem peso, sem render vantagem!