AS FOLHAS DO OUTONO

AS FOLHAS DO OUTONO

Mons. Elcy

No outono, de cada ano, as folhas caducas caem, as árvores se desnudam, até se enfeiam mostrando-se esqueléticas. Por isso não gosto do outono. O outono me deprime, porque prenuncia o inverno e o inverno sacrifica os pobres, esconde a luz, desabriga os animais e apaga calor que revela o amor.

Existe, por analogia, o outono da vida. Como folhas que esvoaçam pelo vento da morte, muitos amigos meus despencaram das árvores de suas famílias deixando seus ramos vazios e nos entristecendo. É certo que outros rebentos chegarão, acalentados pela primavera da vida, mas os que o vento levou não tornarão aos galhos familiares que os sustentaram.

Sentado sobre a rocha da vida e, observando sua evolução, poderei dizer, você poderá confirmar, que este é o ciclo natural das diversas formas vitais no planeta terra. Me respondo e lhe respondo que tenho consciência desta forma dos acontecimentos sazonais da existência, mas que dói, dói!

Dói perder um amigo desgastado pela doença ou pela idade. Dói ver um pai partir ou uma mãe se despedir do clã familiar para uma viagem na dimensão imaterial. A saudade dói e quanto maior tiver sido a união aqui, maior será a lembrança flechando a saudade.

Resta, então, a fé animando a esperança, na sua forma de certeza, testemunhada pela palavra de quem nos fez assim: de Deus que acolhe nossos antepassados na dimensão celestial. Lá a vida é plena, a dor inexiste e a felicidade mora. Transformados, não mortos, mas vivos, um dia seremos verdejantes sem medo de outro outono qualquer, capaz de nos tirar a convivência total do amor.

Espero te rever, amigo Getúlio!