A MUDEZ E A INCONTINÊNCIA VERBAL

A MUDEZ E A INCONTINÊNCIA VERBAL

Mons. Elcy

Falar demais ou calar demais são dois extremos gritantes que desqualificam as relações interpessoais. Tanto a incontinência verbal quanto a omissão da fala necessária causam estragos semelhantes.

Naquele tempo, Jesus expulsou um demónio que era mudo. Logo que o demónio saiu, o mudo falou e a multidão ficou admirada.
Mas alguns dos fariseus presentes disseram: «É por Belzebu, príncipe dos demónios, que Ele expulsa os demónios».
(Lc 11, 14-15)

Jesus curou a mudez e os fariseus bateram com a língua nos dentes por sua “incontinência verbal”!

Diversas são as formas de mudez. A que eu me refiro aqui é a mudez que impede de evangelizar; de anunciar Jesus.

São três as espécies de mudez. A primeira: Não fala porque não consegue falar, por alguma deficiência física. A segunda: Porque, simplesmente, não quer falar. A terceira: Porque só fala o que quer. Para estas espécies de mudez é necessária uma intervenção de cura da parte de Jesus. A mudez na evangelização é, também, uma forma de omissão!

Vale aqui perguntar: “Para qual mudez eu devo pedir a cura? ”

Eu tenho um amigo que fala “pelos cotovelos”. É difícil conversar com ele. Não dá espaço e pela sua incontida sanha, atropela as palavras, se confunde nas ideias e acaba dizendo o que não devia ou não queria ter dito. A incontinência verbal não evangeliza. Muitas vezes semeia dúvidas, produz afirmações inverídicas, confunde quem ouve e até se capacita na heresia dos fariseus que acusaram Jesus de parceiro do diabo Belzebu.

Para um relacionamento bom se faz necessária uma qualificação relacional. Expor os conteúdos com simplicidade, sem exagero, sem excessos verbais ou sofisticações, faz da relação uma boa comunicação.

Quem não é capaz de se comunicar na simplicidade, é incapaz de evangelizar!