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Cachoeira do Sul ,Segunda-Feira 24 de Julho de 2017

AOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS DO BRASIL

AOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS DO BRASIL
MENSAGEM DA CNBB
“Meu Pai trabalha sempre, portanto também eu trabalho”
(Jo 5,17)
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, reunida, no Santuário Nacional de
Nossa Senhora Aparecida – SP, em sua 55ª Assembleia Geral Ordinária, se une aos trabalhadores e
às trabalhadoras, da cidade e do campo, por ocasião do dia 1º de maio. Brota do nosso coração de
pastores um grito de solidariedade em defesa de seus direitos, particularmente dos 13 milhões de
desempregados.
O trabalho é fundamental para a dignidade da pessoa, constitui uma dimensão da existência
humana  sobre  a  terra.  Pelo  trabalho,  a  pessoa  participa  da  obra  da  criação,  contribui  para  a
construção de uma sociedade justa, tornando-se, assim, semelhante a Deus que trabalha sempre. O
trabalhador não é mercadoria, por isso, não pode ser coisificado. Ele é sujeito e tem direito à justa
remuneração, que não se mede apenas pelo custo da força de trabalho, mas também pelo direito à
qualidade de vida digna.
Ao  longo  da  nossa  história,  as  lutas  dos  trabalhadores e  trabalhadoras pela  conquista  de
direitos contribuíram para a construção de uma nação com ideais republicanos e democráticos. O
dia  do  trabalhador  e  da  trabalhadora  é  celebrado,  neste  ano  de  2017,  em  meio  a  um  ataque
sistemático e ostensivo aos direitos conquistados, precarizando as condições de vida, enfraquecendo
“conceito  economicista  da
o  Estado  e  absolutizando  o  Mercado.  Diante  disso,  dizemos  não  ao
sociedade,  que  procura  o  lucro  egoísta,  fora  dos  parâmetros  da  justiça  social”
(Papa  Francisco,
.
Audiência Geral, 1º. de maio de 2013)
Nessa lógica perversa do mercado, os Poderes Executivo e Legislativo reduzem o dever do
Estado de mediar a relação entre capital e trabalho, e de garantir a proteção social. Exemplos disso
são  os  Projetos  de  Lei  4302/98  (Lei  das  Terceirizações)  e  6787/16  (Reforma  Trabalhista),  bem
como  a Proposta de Emenda  à Constituição 287/16 (Reforma da Previdência). É inaceitável que
decisões de tamanha  incidência na vida das pessoas e  que retiram direitos já conquistados, sejam
aprovadas no Congresso Nacional, sem um amplo diálogo com a sociedade.
Irmãos e irmãs, trabalhadores e trabalhadoras, diante da precarização, flexibilização das leis
do trabalho e demais perdas oriundas das “reformas”, nossa palavra é de esperança e de fé: nenhum
trabalhador sem direitos! Juntamente com a Terra e o  Teto, o Trabalho é um direito sagrado, pelo
qual vale a pena lutar
.
(Cf. Papa Francisco, Discurso aos Movimentos Populares, 9 de julho de 2015)
Encorajamos a organização democrática e mobilizações pacíficas, em defesa da dignidade e
dos direitos de todos os trabalhadores e trabalhadoras, com especial atenção aos mais pobres.
Por intercessão de São José Operário, invocamos a benção de Deus para cada trabalhador e
trabalhadora e suas famílias.
Aparecida, 27 de abril de 2017.
Dom Sergio da Rocha
Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, SCJ
Arcebispo de Brasília
Arcebispo São Salvador da Bahia
Presidente da CNBB
Vice-Presidente da CNBB
Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB

 

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