A QUEM IREMOS?

A QUEM IREMOS?

Mons. Elcy

Os judeus se afastaram de Jesus, dizendo que a proposta dele era dura para seus ouvidos. O Senhor os alimentara no deserto com pães e peixes. Num dia comeram e se fartaram e no outro foram a Ele com mais fome de peixes e de pães. “Viestes a mim porque vos alimentei e já tendes fome outra vez; dar-vos-ei um outro pão que vos saciará definitivamente” dissera-lhes o Mestre. Eles gritaram: “Dá-nos desse pão! ” “O Pão que vos darei é minha carne e também vos darei de beber do meu sangue! ” Foi o suficiente para a debandada geral, aos gritos: “Isso é duro demais para nossos ouvidos”, e deixaram o Mestre com apenas seus apóstolos.

Depois que o povo voltou para suas propriedades, Jesus olhou para os poucos que ainda o rodeavam e perguntou-lhes: “Se vocês, também, estão escandalizados sintam-se dispensados a permanecerem”. Pedro, representando o grupo, garantiu: “A quem iremos nós? Só tu tens palavras de vida eterna! ” E, ficaram rodeando o Mestre, sem mesmo entender, mas depositando fé no que falara!

Estive refletindo neste evangelho de João 6, 41-58, imaginando os fiéis cristãos de hoje, gritando como os fiéis israelitas de ontem: “Isso é duro demais para nossos ouvidos: os mandamentos são duros, os sacramentos são duros, o dízimo, a verdade, a honestidade, a relevância, o perdão e a misericórdia são duros demais! ”

Vi, então, o rosto entristecido do Senhor e os olhos encharcados de lágrimas, voltados para nós, hoje tão poucos como naquele dia e, de seus lábios, a mesma pergunta: “E vocês querem me abandonar, também? ” Agora, sou eu quem grita: “Para onde iremos nós, só Tu tens palavras de Vida Eterna; sem ti nada somos; sem tua redenção somos condenados…conte conosco, Senhor!

Jesus não nos pede facilidades, mas valentia; a valentia dos profetas e dos mártires, porque o Reino de Deus não é feito de covardes ou interesseiros, nem de ladrões ou exploradores!