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BOM DIA ESPERANÇA |
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AS ÚLTIMAS MENSAGENS |
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do Mons. Elcy Arboitte |

01
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A AGULHA |
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Uma peça de fazenda estava
na prateleira, desejosa de ser transformada A equipe foi formada pela fazenda, pela tesoura, pelo carretel de linha, pela agulha e pela costureira e, em mutirão, a roupa foi feita com utilidade e graça. A obra não foi fácil e nem sem dor: primeiro o pano foi cortado aos pedaços, foi perfurado pela agulha e rejuntado pela costura; mudou sua forma até tornar-se o modelo sonhado. Só então se sentiu realizado. No contato com o corpo humano, sentindo-lhe a gratidão, chegou à razão da sua existência. Quando me foi revelado que Deus é um em três pessoas, entendi que nada, no mundo, se faz por mãos de um só humano, mas na parceria e que o exercício da parceria já é uma forma de se viver! Nem mesmo Cristo nos quis isolados, mas nos fez Igreja. Ninguém subsiste só. O isolamento é sinônimo de inutilidade e de morte e Deus nos fez para a vida! |
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CRÔNICA DO RIO |
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O rio sempre me fascina. No local
onde me encontrava, para observá-lo, tinha Da clareira silvestre, onde eu estava, tinha uma visão plena da margem oposta e pouca visão, do meu lado; uma questão de campo visual. Aquelas águas ligeiras escondiam uma história fantástica semelhante a do homem idoso que, de todas as experiências, arquitetou o momento presente. A exuberância da mata ciliar recebia, do rio, sua vitalidade e, em troca, lhe garantia o canal isento de assoreamento. A vitalidade existente na vegetação era das águas do passado, não das águas do presente; assim mesmo havia gratuidade sem extorsão. As águas profundas e ligeiras escondiam um mistério. Era a soma de sangas e riachos desconhecidos. Eles se fundiram e, de infinitas moléculas, de tantas vertentes, de córregos e de enxurradas atualizaram aquele caudal imponente ao qual deu-se o nome de rio. Suas águas eram vivas. Não se portavam como as águas dos açudes. Continham o movimento do ciclo das águas, traziam um pouco das nuvens, do poder do sol, das chuvas, da gravitação da terra, da inércia e da direção ao mar! O outro mistério do rio era a incerteza do sucesso do meu caniço de pesca, da linha mergulhada no seu seio, do anzol escondido pela isca: quem garantiria que o peixe cairia no engodo? O rio abrigava os peixes e eles estavam em qualquer lugar sem me dar certeza alguma que teria sucesso na minha cobiça de pescador. Eu refletia, enquanto margeava o rio, que ele se parecia comigo: todo feito de muitos momentos, de infinitas experiências e era capaz de esconder o peixe no seu seio como eu escondia meus arcanos mais secretos. Só espero, e como espero, que minha vida, como a do rio, seja capaz de fertilizar, por onde passar, oportunizando qualidade de vida.
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O HOMEM MAU E O LOBO |
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Quando chegou a hora da audiência tentaram escolher um juiz capaz de dirimir a questão. O lobo aceitava qualquer animal da floresta, menos os cães domésticos porque estes se diziam os melhores amigos do homem. Podiam mascarar o julgamento. O homem não aceitava animal algum. Julgava-se superior e senhor a todos eles. Depois de muita discussão aceitou a coruja que dormia no alto de uma árvore seca. Como testemunhas de defesa, o lobo apresentou todas as aves da floresta. O homem apresentou as galinhas do seu terreiro, patos e marrecos. Foi dada, pela coruja, a preferência ao homem para apresentar suas testemunhas. Pensava ele, que as galinhas por ele alimentadas com milho e ração defenderiam seu lado; enganou-se, elas sabiam que ele lhes roubava os ovos e se lhes dava milho e ração era para engordá-las, para depois devorá-las com requinte de malvadeza. Elas acusaram o homem de toda forma de crueldade. Nem foi necessária a defesa do lobo: todos os animais acusaram o homem como destruidor da vida deles e da floresta que os alimentava e acolhia. Foi um Deus nos acuda. A gritaria e as vaias para o humano ecoaram até o céu. Neste dia o lobo foi carregado, triunfante, pela assembléia, como um herói e o homem enxotado e declarado pela juíza coruja como réu de crimes contra a natureza e além disso, como pena levaria a alcunha de “Homem Mau!”
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O MENINO E O ARCO-ÍRIS |
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Dia de verão! Uma pancada de chuva amenizou a temperatura. A natureza, de rosto lavado, iluminou-se com a luz vinda do sol. No céu havia nuvens e “ilhas” azuis. No horizonte, a chuva continuava fininha desenhando uma luz refletida através das gotículas, desenhando um arco colorido, da terra ao céu e do céu à terra. Era um Arco-íris. Um menino olhava para o fenômeno sem entender... Apenas contemplava. A luz solar, decomposta pelas gotículas de água, brilhava em todos os matizes de cores, encantando a criança. O arco enorme parecia brotar da terra, de um lugar não distante. O menino correu pelo campo aberto até onde julgava se apoiar o arco. Decepcionado, constatou que ele se distanciava. Era curioso, pois lhe disseram que existia um pote de ouro onde o arco tocava a terra. Com o ouro socorreria a pobreza de seus pais. Cansado e desiludido, sentou-se numa pedra e conclui que fora enganado pela crendice dos adultos. Foi para casa e perguntou para o avô: - Vovô, porque me enganaram? - Os adultos não devem mentir para as crianças, porque as estimulam à mentira! Disse o velho. - Então é mentira feia? - É mentira feia! Você não encontrou a base do arco porque á uma imagem que se forma contra a neblina. Agora, meu neto, o ensinamento do vovô: “Quem corre atrás da riqueza, como solução para todos os problemas, terá a mesma decepção que você teve, correndo atrás do pote de ouro que estaria na base do arco-íris!”
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05
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O ATAQUE DO GAVIÃO |
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O alarme foi disparado pelo galo do terreiro: “Inimigo à vista, pelo setor norte com elevação de 45°; protejam as crianças!” A galinha carijó, com seu grito estridente, causou o efeito de uma sirene de guerra. Os pintinhos acorreram para o abrigo, de baixo das suas asas, enquanto o galo se postava diante dela como um escudo e, ao mesmo tempo, pronto para revidar o assalto inimigo. O gavião que rondava a ninhada de pintos, frustrado, arremeteu vôo para o sul, sem sequer se aproximar do objetivo do seu ataque de rapina. Passado o perigo eminente, a vigilância foi relaxada e a vida voltou, quase, à normalidade. Por diversos dias, fora detectada a presença do inimigo, voando alto e soltando seu pio característico; portanto, os sinais de alerta não podiam ser totalmente desligados; a ave de rapina estava de tocaia... O Apóstolo Pedro escreveu na sua 1ª carta: “Estejam alertas e fiquem vigiando, porque o inimigo de vocês, o Diabo, anda por aí como um leão que ruge, procurando alguém para devorar.” (1Pd 5,8) Na nossa estória o demônio, se parece com o gavião esperando o pintinho sair de perto da choca para capturá-lo. Da mesma forma, se você se afastar da sua Igreja, sua Mãe, corre o risco de ser espetado no tridente do maligno, ou como diz Pedro, nos dentes do leão! Jesus nos preveniu: “Vigiai e orai, porque não sabeis nem o dia nem a hora...”
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06
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O EXTINTOR |
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Que seria do extintor de incêndio se negasse a se esvaziar para apagar o fogo? O fogo se alastraria destruindo, enquanto ele permaneceria “cheio”, no sentido figurado da palavra e, inútil! Que seria do cientista que guardasse somente para si as descobertas realizadas e não se dispusesse para, somadas a outras, concretizar o progresso humano? Seria como o extintor: ficaria “cheio” e seus conhecimentos pouco ou nada adiantariam para a humanidade; até morreriam com ele! Que seria do homem rico que escondesse, para si somente, todo dinheiro conseguido em toda vida? Seria semelhante ao extintor “cheio”, ao cientista “cheio”; seria cheio de dinheiro, que de nada valeria, porque perderia seu valor real com o passar do tempo! Seria tão inútil como eles! Que seria do coração humano se não repartisse o afeto, revelando o amor? Que seria do bem, senão repartido? Que seria da vida não partilhada? Se o pão não fosse repartido, permanecendo nos fornos? O dinheiro trancado nos cofres? O afeto definhado no egoísmo? A humanidade empobreceria, a comunidade não existiria, a família seria uma utopia e a felicidade, uma impossibilidade infinita! O extintor fechado, sem se abrir para o fogo; o cientista sem se abrir para o progresso; o homem rico sem partilhar; o pão sem sair do forno; o egoísta sem converter-se ao amor; a vida sem multiplicar-se...todos declarariam o fim dos tempos, prontos para o juízo final, quando eles mesmos seriam condenados por seus próprios atos! O cristão, como você, reparte o pão e o amor, deixa-se esvaziar para salvar e não se nega somar para que o fim dos tempos seja adiado e, no juízo final, seja agraciado com a vida eterna!
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O PATO E A FORMIGA |
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Semelhante à estória do leão e do rato é a estória do pato e da formiga. A Formiga desejou atravessar o riacho e para chegar à outra margem pediu carona para o pato. - Por favor, senhor pato; deixa-me subir nas suas costas para chegar ao outro lado do córrego? Quando puder lhe recompensarei! - Tu me recompensares? – grasnou o pato - Tão pequena quanto és, tão insignificante para mim, como poderás pagar a travessia? - No momento não sei! – disse a formiga – O senhor lembra a estória do leão que foi libertado pelo rato? Quem sabe, um dia lhe farei ato semelhante! - Não vejo como! – retrucou o pato – Mas já que pediste, dar-te-ei a carona só para ver no que dará! E o pato levou a formiga até seu destino. Não contabilizou a recompensa. Não acreditou nem na formiga nem na recompensa. Fez, por fazer! O tempo passou. O pato, certo dia, distraído,
caminhava se sacudindo nas suas pernas curtas. Na moita, de tocaia, se
emboscava a raposa pronta para saltar-lhe Não se deve menosprezar a força dos pequenos. Eles são como as pequenas peças de uma máquina: podem garantir a qualidade do sucesso. Os pequenos podem salvar sua vida! Proteja-os!
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08
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O RUMOR URBANO |
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Distante da cidade, às margens do rio, entre o arrulhar dos pombos e algazarra das caturritas, eu escutava o rumor urbano: era semelhante ao ronco dos bugios nas tardes crepusculares de verão. Não era um ruído, apenas; era a soma de milhares deles formalizando um ronco único. Se buscasse a identificação de um deles imaginava, com segurança, a existência de um ser humano na sua proximidade. O ar trepidava como um sonofletor gigante. As pessoas, por traz do ruído se julgavam únicas no universo urbano; sentiam-se como a luz que atrai todos para si. Eu pensava diferente: tinha a imagem interna de um burburinho semelhante a uma colméia laboriosa onde a soma interessava mais que a individualidade; entendia a força da comunidade pelo rumor que cidade emitia. Se cada abelha, desprezando a colméia, se cada formiga desprezando o formigueiro se isolasse, seriam únicas e sucumbiriam pela carência de complementaridade. Se for certo que o indivíduo se recente quando isolado, também é certo que a comunidade perde quando alguém se isola! É na soma e não na subtração que a sociedade concretiza o progresso: o milagre acontece porque a soma das qualidades humana tem características de multiplicação e o individualismo, de divisão! Na cidade, como na comunidade, cada cidadão não é, apenas, um a mais, mas a peça necessária para a máquina do progresso funcionar. Juntos seremos mais; seremos a cidade sonhada ou a comunidade capaz de gerar a paz que constrói a felicidade. |
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O SAPATO E O PÉ |
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O sapato, cansado de ser pisado pelo pé, sentindo-se cada vez mais amassado, reclamou: - Que triste sina é a minha sina. Eu protejo o pé, revisto o pé para que não se fira e, em troca, sou pisado por ele. O pé atento às lamúrias do calçado falou-lhe, de dentro para fora, cheio de gratidão: - Meu querido sapato! Sei que estás magoado comigo. Sou-te grato pelo bem que me fazes. Muito obrigado! - Não me basta tua gratidão! Por ti me desgasto, me rasgo, atolo no barro, me molho na água, piso nos vidros e envelheço enquanto tu só me dizes: “Muito obrigado!?” - Meu querido sapato! Que seria de ti se de ti eu não necessitasse? Certamente nem sequer existirias. Tu nasceste para ser sapato! - Mas, já que existo, explica-me – falou o sapato – O que fazes tu por mim, pelo muito que te faço? - Vamos supor – respondeu o pé – que tu não precisasse ser usado...De que te valeria a existência dentro de uma caixa ou jogado num canto qualquer? Mas, quando tu me reveste, eu te levo para passear; te levo pelas ruas e calçadas, pelas festas e encontros; muitos te vendo, louvam tua beleza e tu podes te encontrar com outros sapatos e sapatilhas! O sapato descobriu sua nobre missão de proteger o pé que o levava pelo mundo. Aceitou a razão da sua existência. Quando, apenas, via o lado trabalhoso de seus dias deixou de ver o lado útil e a maravilha de sua vocação. Você, quando se abate pelos limites, quando se cansa pelos sacrifícios, quando apenas lembra o ônus do trabalho, deixa de ver a razão e utilidade de sua vida. A sua felicidade se constrói quando se sente necessário, cumprindo a missão e a finalidade para a qual foi chamado à existência. Pensa nisso quando o desânimo, nascido do cansaço, tomar conta da sua mente! |
10.
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ESPERANDO O SOL NASCER |
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O ruído, o cheiro, a agitação e a loucura da desumanizada cidade dos homens me faz voltar à humanização pelo encontro com a natureza e pela contemplação da sua forma selvagem e pura. Inserido no seio dela esperei o sol nascer. Quando o astro rei pintou de luz, iluminando as copas das árvores e tornando brilhante a superfície das águas do rio, senti uma vida nova acordando e concretizando o novo ciclo da vida. E a vida começou a fervilhar liberta, ali, da mão humana, sem o sacrilégio da exploração exterminadora e inconseqüente. Na beleza virgem das águas, das plantas e dos animais senti a presença forte do Criador me fazendo acenos de amor. Eu estava no meio do grande sacramento que me revelava o carinho paterno de Deus. No enlevo da meditação foi-me revelado que um outro sol fazia a vida acordar e se chamava Jesus. Eu tive a certeza que Deus me acarinhava os olhos, os ouvidos e o olfato pela sinalização sacramental do mundo que me rodeava. Tudo isso me passava pela mente enquanto aguardava o sol nascer. Tinha certeza que outro sol estava me aquecendo: era o sol do amor! Agora sei o que me entristece quando estou dentro do burburinho urbano: é a perda do sentido da vida: não se sabe de onde veio nem para onde vai; desconhece-se a finalidade última da vida e a razão da existência; todos buscam caminhos diversos, quando só existe um, capaz de levar à plenitude da felicidade. É a rota do amor e este amor tem nome próprio: Jesus!
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O URUBU E O BEIJA-FLOR |
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Certo dia, a juíza dos alados, estava diante de um dilema: O urubu apresentou-se ao tribunal dizendo-se injustiçado: devia alimentar-se de cadáveres e carniça ( que estavam raros) enquanto o Beija-flor se alimentava de néctar, um verdadeiro alimento divino. A vida dele era certamente, uma maravilha. O pior ficou para ele, pobre corvo carniceiro! Mal o urubu constituíra o “bem-te-vi” como seu advogado e saíra batendo asas, chegou o Beija-flor com sua reclamação: trabalhava o dia inteiro em busca das flores que estavam rareando; o que conseguia era convertido em energia para movimentar suas asas. Elas consumiam muita energia pela alta velocidade da sua vibração. Disse mais, diante da juíza Águia: Feliz era o urubu que, para voar, simplesmente abria as asas e ficava planando no ar enquanto ele, apesar de tão pequeno tinha que agitá-las tanto! Considerava-se injustiçado pela natureza e pedia providência judicial. O “Quero-quero” ficou advogando sua causa! A Águia, na sua altaneira sabedoria, determinou que o urubu se alimentasse de flores e o Beija-flor, de carniça. Não necessito dizer que o urubu, com seu bico recurvo, não encontrou néctar suficiente, nem flores do seu tamanho e sentiu seu erro. O beija- flor, com seu minúsculo biquinho não conseguiu devorar o cadáver encontrado e sentiu repugnância até pelo ciúme que tivera do urubu! Os dois retornaram ao tribunal da natureza e desfizeram suas queixas, convictos que cada um tem missão própria e que comparar-se ou ter ciúme dos outros pode atormentar a vida!
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12.
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A CABRA E O MENINO |
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Tanto os pais como o adolescente foram chamados de sentimentalistas pelo desperdiço que estavam praticando, cuidando de um animal que não lhes traria, no futuro, lucro algum. Alguém se prontificou comprá-la mas foi-lhe negada a venda. Ela ficaria ali, perto de todos, como membro pertencente à família e o assunto estava encerrado; lhes pertencia e podiam dela dispor ao seu gosto e decisão: o gosto era tê-la junto à casa e a decisão era que ninguém devia tocar na velha cabra! A linguagem do coração e as expressões da gratidão muitas vezes confundem a razão e no balanço de um e outro as decisões do coração se portam mais racionais que as decisões da própria razão! O amor é capaz de avaliar além das aparências e do lucro, tenho certeza: Deus agiu conosco pela linguagem do amor. Tanto quanto a cabra foi considerada membro da família por merecimento, Ele nos elevou à qualidade de filhos sem mesmo merecermos e até mesmo para garantir esta filiação adotiva se expôs à morte para que não morrêssemos eternamente!
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O MUTIRÃO |
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Uma nova praga, pior que gafanhotos, está invadindo os bairros e vilas: é a praga da fome. Individualmente, ninguém é capaz de enxotá-la para vala do esquecimento. È necessária e urgente uma ação conjunta. Como nos tempos da minha infância, é necessário se reunir, planejar e agir, através de uma tática capaz de exterminar a praga. De nada valerá solução individual. É a força da comunidade que será capaz de dar solução radical, extirpando o mal. Entristece-me saber que o acúmulo criou a fome. Não é a falta de alimento que gerou a subnutrição. Se a partilha feita, como a de Jesus no deserto, se atualizasse, todos teriam o suficiente e como lá aconteceu, sobrariam muitos cestos de pão para serem recolhidos. Então, a partilha e a justa distribuição da renda é a solução para os famintos. Para que ela se concretize é necessária uma plêiade de homens valentes e aguerridos, capazes de falar e criticar, planejar e exigir. Como uma casa se faz desde seus alicerces, o mutirão contra a miséria e a fome, também se faz. Estamos abrindo valas na terra de nossos corações para iniciar os fundamentos de uma nova civilização. Como sempre, somos poucos, mas contamos com nossa valentia e com nossa fé. Somos feitos de esperança e animados pela promessa de Jesus: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque deles é feitos o Reino de Deus!”
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O PERU |
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Imaginei a sociedade humana através da ótica do peru. Encontrei padrões semelhantes e até inferiores. Explico: o peru, para aparentar grandeza, estufava suas próprias penas; o homem usava as penas dele para se diferenciar dos outros homens; tentavam, pela roupa que vestiam ou pelo carro que usavam, passar uma imagem irreal da própria realidade. Quando Jesus declarou que somos iguais, não vejo razão para que alguém seja mais semelhante a Deus que os outros. Muitas vezes, quando vejo tais “figuras”, me dá uma vontade maluca de assoviar, só para vê-los gorgolejar, como assoviei para o peru que encontrei em minha caminhada matinal. |
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EXALTAÇÃO DA CRUZ |
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As lendas da mitologia, muitas vezes, se concretizam como profecias e, se não tanto, como algo que ultrapassa os horizontes do entendimento. No que se refere ao Rei Midas, se atualizou como profecia: Ele adquiriu a capacidade de transformar em ouro tudo que tocasse. Não quero ressaltar o resultado fatal do poder transformador, mas o simples fato de, pelo toque, transformar. Convido você a olhar para o pior sinal, o mais negativo, o símbolo da ignomínia, do desprezo, da exclusão e da mais radical condenação de morte no início da era cristã: a cruz: Era o sinal negativo! Jesus, qual divino Midas, tocou a cruz e transformou-a em sinal positivo. A matemática serviu-se dela para simbolizar soma, crescimento; os poetas exaltaram esta forma simples e significativa; os teólogos descobriram nela os acenos de Deus: para o alto onde está sua morada, para baixo onde residem seus filhos, para a direita e para esquerda onde a humanidade se posiciona. Ela revela sua capacidade simbólica no evangelho de João 3,14-17 quando Deus Pai declarou que seu filho foi enviado para salvar; declarou, da parte de Jesus, que quando fosse levantado na cruz atrairia todos para si. O toque de Jesus transformou o pior símbolo de condenação no melhor dos símbolos de salvação: A cruz da Redenção! Assim acontecerá com você quando se deixar tocar por Jesus, por pior e negativo que você seja, será transformado num ser positivo e melhor que possa imaginar!
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O MUNDO PRECISA DE TI |
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Tua Comunidade precisa de ti. Tu és dotado de capacidades tantas, que sem elas a comunidade se desqualifica e fenece. Só será plena, a comunidade, se não te omitires na atualização dos teus dons para sua construção e se evitares as deficiências que passam minimizá-la. Tua família humana precisa de ti. Se omitires a concretização de teus projetos, a atualização de teus talentos, outros talentos, os de tua família, estarão isolados, ineficazes e até inúteis. Eu preciso de ti. Não, como um número que se soma, mas como um fator que multiplica. Contigo serei mais e alegrar-me-ei porque também tu serás mais; juntos seremos ainda mais, nos capacitando na missão para qual fomos moldados pela providência de Deus. Nós precisamos de Cristo. Com sua vida nova, circulando em ti e em mim, seremos somados a todos que já estão inseridos nesta mesma vida. Unidos, como num único corpo, onde interage o mesmo fluxo vital, formamos a Igreja dos que foram salvos pelo sangue do “cordeiro” que perpassa as artérias, irrigando este corpo total!
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DUAS MESAS |
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Tenho saudade, não nego, daquela mesa grande na casa de meus pais. Ao redor dela cercavam, 10 irmãos e meus genitores, a comida de cada dia. Abastecia-se de energia necessária; uns para trabalhar e trazer mais alimentos para mesa e outros para crescer e repetir o ciclo de cada ser humano. Muitos têm falado das mesas de suas infâncias, das reuniões gostosas, da convivência familiar, das comidinhas gostosas das mães e das refeições especiais nos dias de domingo. Na casa de minha infância, aos domingos, não era servido feijão; no seu lugar aparecia uma suculenta galinha assada no forno de fazer pão. Guardo, ainda hoje, no álbum da minha memória as fotografias mentais daquela mesa sagrada. Ao redor dela se repartia a vida que o alimento mantinha e estimulava a convivência pelo o exercício da partilha do pão e da palavra. Nela se planejavam as atividades e compartilhavam as obrigações de cada um para, na soma, qualificar a família. Nela eram partilhados os sonhos de vida: que seriam quando crescidos. Nela se orava a “ação de graças” ou rezava o “terço”. Meu pai situava-se na cabeceira. Minha mãe à sua direita. Cinco irmãos de cada lado coroavam, de jóias humanas, a velha mesa. Lembranças cheirosas, reciclam a memória, ao contempla-la coberta de pães, ainda quentes, tirados do forno de tijolos e escondido sob a toalha branca que mamãe estendia sobre eles. Os anos passaram, os costumes mudaram, as mesas sumiram e as reuniões familiares se corromperam, se desfazendo. Cada uma vai para seu canto, não têm mais tempo para o diálogo, não tem mais “olho no olho”, não há partilha, nem conversa “jogada fora” e nada que faz de um grupo de pessoas uma família. A casa tornou-se um hotel-dormitório. Foi na mesa da casa de meus pais que aprendi a repartir o pão e partilhar a vida. Foi lá, ao redor daquela mesa, que decidi fazer-lhe honra e nela me inspirar para presidir, noutra mesa, a do altar da Eucaristia, a partilha do pão dos anjos e da palavra de Deus.
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CERCA VIVA |
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Estive pensando nas reações e sentimentos contraditórios da sebe, se sentimento pudesse ter. Negar-se-ia à dor da poda mas desejaria ter a beleza da forma; assemelhar-se-ia à mulher estendendo a mão à manicure ou fechando os olhos para se negar a dor da esteticista lhe moldando as sobrancelhas. Nem todos os cortes, nem todas podas assemelham-se ao corte de cabelo, indolor; muitas delas são cruciais e exigem anestesia. Eu sei que tu estás te perguntando onde quero chegar com esta estória de poda e cirurgia! Sei, também, que tens consciência que não é a área física que necessita, como a sebe, de muitos cortes dolorosos para se qualificar. Sei e a experiência me ensina que, mais vezes, a poda espiritual é muito mais dolorosa e só se concretiza quando cortada funda. Imagine que seria da roseira, da parreira sem tal cirurgia! Não teríamos rosas viçosas nem uvas gostosas. O caráter selvagem da natureza é aperfeiçoado pela inteligência humana. Nosso caráter selvagem necessita de correção para se tornar civilizado. Ninguém nasce pronto: é necessário construir-se!
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A CONVERSÃO DO LOBO |
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O “lobo mau” fez um retiro espiritual e decidiu se converter. Dentre seus propósitos de vida destacou um, radical: Se afastar das ovelhas para não ser tentado a devorá-las. Para ser mais radical, decidiu ir além: deixaria de ser carnívoro para ser herbívora; pastaria como faziam suas antigas vítimas. Na tentativa de buscar melhores pastos aproximou-se do rebanho. A decisão revelou-lhe dois perigos gravitando ao redor de seus propósitos: o pastor, conhecedor do seu passado sanguinário e a proximidade das antigas vítimas. O cheiro da lã despertando antigo apetite e o bastão do pastor em defesa delas. Um terceiro agravante complicou sua vida: seu equipamento genético não dispunha de dentes capazes de remoer o pasto e seu estômago e intestinos não eram capazes de digerir o bolo. O resultado da incompetência foi desolador: uma fome terrível queimou-lhe as entranhas. Um ser faminto esquece a ética e faz abandonar os propósitos. Voltou a fazer o que sempre fazia: foi perseguir as ovelhas. Mas, como estava fraco, não foi capaz de ataca-las e nem capaz de fugir dos golpes certeiros do cajado do pastor. Foi morto! Tenho pensado na estória deste lobo. Sei que muitas vezes fazemos propósitos inexeqüíveis, promessas irrealizáveis, votos mirabolantes e, ao final, nos tornamos vítimas da fraqueza e da ruína. Se o lobo, ao invés de ter feito voto de excluir as ovelhas de seu cardápio, prepusesse, na sua dieta, se alimentar de ratos, coelhos e lebres, não teria sucumbido sob os golpes do cajado do pastor. Seu maior inimigo foi ele mesmo violentando sua natureza querendo se alimentar de pasto, para o qual, ela não estava preparado. Será que muitas de nossas frustrações não estão radicadas no exagero de nossos votos e promessas?
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A BORBOLETA AZUL |
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Se na sua curta existência visitou muitas flores, se com suas patas transportou pólen de flor em flor, se nos seus vôos núpcias fecundou ou foi fecundada, seu estacionamento vital não era triste. Sua vida foi útil. Podia sentir que cumpriu sua missão de borboleta! Muitas vezes me surpreendo meditando o envelhecimento dos animais como gatos e cães. Muitas vezes visitei asilos e abrigos de idosos para buscar o sentido da vida. Muitas vezes consultei o espelho me perguntando porque estou encanecendo a vida! Como humano tenho certeza da eternidade que me garante a perenidade do meu ser. Pergunto-me: “Será que os animais e a minha borboleta azul verão em si, também, a plenificação da vida?” Se isso acontecer serei mais feliz, porque (isto é um segredo) tenho muita saudade do “Totó”, cãozinho de minha primeira infância. Queira Deus, que sim! Agora vivo da esperança capaz de pintar de luz o meu futuro na ressurreição garantida por Jesus!
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A CARROÇA VAZIA |
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Eu li, não lembro onde, a estória da carroça vazia. Um Pai levou sua filha para um passeio ecológico pela mata, riachos e locais ermos. Ensinou-a ouvir, com atenção, o murmúrio das águas, o som do vento na copa das árvores, a sinfonia dos pássaros e as vozes dos insetos. - Estás ouvindo o canto da cigarra? - Estou, papai! - Tu consegues distinguir o murmúrio das águas do som produzido pela brisa na copada as árvores? - Sim, papai! - Além destes sons, distingues algum outro som, minha filha? - Sim papai! Ouço o barulho de uma carroça, mas não consigo vê-la por causa da densidade da mata! - Ouviste bem! É uma carroça vazia! - Como o Senhor sabe se está vazia ou não. Isto o Senhor não me ensinou, ainda! - As carroças vazias fazem muito barulho. Os caminhões vazios são barulhentos. As pessoas vazias são as que mais fazem barulho! - Estive meditando na última frase (As pessoas vazias são as que mais fazem barulho!). É verdade: os sábios falam pouco. Os ignorantes não fecham a boca, opinam, analisam, criticam e desqualificam as ações dos sábios. Acontece o mesmo na área religiosa: os que mais falam são os que menos fazem e esquecem que Jesus silenciava por longo tempo antes de proclamar as verdades do Reino. Esquecem que Maria, Mãe de Jesus, silenciava guardando no seu coração tudo que ouvia a respeito de seu filho!
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ALI-BA-BÁ |
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Eu já me coloquei no lugar de Alibabá, aquele dos contos do Oriente Médio. Você, certamente, também! Você e eu, já nos imaginamos dizendo as palavras chaves (Abre-te Sézamo) para abrir a porta mágica e ter acesso ao tesouro resultante do roubo dos quarenta ladrões. Nem você, nem eu teríamos o menor escrúpulo de carregar conosco parte do tesouro, se dele fizéssemos uso para sanar a fome e dar vida digna aos que foram saqueados. É impressionante o desejo interno, enraizado em nós, de ter fortuna, sem maior esforço. Por isso, talvez, aprovamos os saques que Alibabá concretizava, com intenção de socorrer os que eram explorados. Mas aquele tesouro estava bem guardado! Conheço centenas de modelos de cofres. Neles são guardados os mais diversos valores; são jóias, dinheiro, documentos, obras de arte etc... Tentamos proteger nossas posses, de modo especial aquelas que custaram o suor de nosso rosto. Quando Jesus falou: “Onde está teu tesouro está, também, o teu coração”, estava lembrando para nós dois que nosso coração tem facilidade de apegar-se aos objetos, propriedades e pessoas que valorizamos. Nos envolvemos e gastamos nosso tempo contabilizando estes valores. Então se torna necessária nossa atenção e empenho para que valorizemos o que realmente tem sentido para qualificar nossa existência, aqui e na eternidade. Jesus continuou dizendo para que não tivéssemos dúvida: “Não acumuleis para vós tesouros na terra onde a traça consome e os ladrões roubam, mas no céu onde está garantido!” Agora entendo porque nenhum cofre tem sentido e é seguro: eles guardam lixo, sob o ponto de vista da eternidade; este lixo não poderá entrar no céu!
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FACILIDADES |
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As filas diante dos balcões das casas lotéricas pedem uma reflexão profunda, sua e minha. Todos sonhamos com fortuna fácil com ação capaz de dispensar esforço, algo que venha de fora de nós, sem trabalho e ocupação que envolva tempo e planejamento. Um toque de sorte que dispensando o suor do rosto antes, afastará qualquer suor, depois: vida mole na fartura e no ócio. Tenho consciência que muitos recorrem ao jogo para sanar dívidas, melhorar o rancho e respirar um pouco mais aliviados, financeiramente. Dentro da lei das probabilidades isto é quase inatingível e quem coloca no jogo sua esperança, se desespera, joga fora o pouco que lhe resta. A melhor solução de nossos problemas está na força que existe dentro de nós e não fora. Mas esta busca interior requer trabalho e deve ser garimpada com esmero e dedicação. Assemelha-se às rochas sedimentares que levaram milênios para solidificarem com consistência capaz de qualificá-las para uso nas calçadas da cidade. A vida não se faz de segundos, mas de dias, meses e anos. Os resultados são construídos e não aparecem por acaso, são semeados, regados e cultivados. Férias, descanso e repouso só têm sentido quando trabalhamos, nos cansamos e gastamos energia necessária na construção de nossos objetivos. Depois de muitas tentativas no jogo da sorte, optei pelo investimento em projeto, execução, avaliação, correção e retomada no trabalho consistente. Não existe possibilidade de fugir à sabedoria bíblica que diz: “Comerás teu pão com o suor do teu rosto...”
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A INVEJA |
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- Antes de qualquer atitude precipitada, posso te fazer algumas poucas perguntas? - Quando quero devorar, não concedo privilégios às minhas vítimas; mas a curiosidade me faz abrir exceção. Na certeza que, desta vez, não escaparás, tanto faz teu pedido; pergunte... - Os vaga-lumes pertencem ao teu cardápio diário? - Não! Respondeu a cobra. - Mais uma pergunta, insistiu o vaga-lume: Te prejudiquei alguma vez para que me tenhas tanto ódio? - Também, não! - Então, porque me queres devorar? - Porque não suporto te ver brilhar....” Quando o sucesso de alguém deveria nos trazer alegria, porque somos membros uns do outros e seu sucesso beneficia a todos, como os membros de um mesmo corpo, mais das vezes nos assemelhamos à serpente: queremos eliminar o bem sucedido por pura inveja. Tenho certeza que as mães, como os pais, sentem prazer na glória de seus filhos. Só os mesquinhos e incompetentes perseguem o bem-sucedido e minimizam suas obras gloriosas. Diante do brilho e do sucesso de alguém, saibamos ser inteligentes e nunca tão estúpidos com a serpente; saibamos elevar e, se possível, imitar. Então, seremos como Deus que se alegra com os acertos de seus filhos.
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A SECA |
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Os campos estavam estorricados. Para complicar, ainda mais, soprava o vento leste, prenunciando uma seca mais longa. Os pássaros permaneciam imóveis, de asas abertas, para refrigerar seus corpos. O gado, no campo (se aquele deserto pudesse ser chamado de campo) procurava a sombra das árvores desfolhadas. O sol brilhava com um brilho de labaredas, tremeluzindo no ar tépido. Os olhos cansados do agricultor e os olhos cansados do criador procuravam, em vão, sinais de chuva no horizonte, com o olhar frustrado a cada dia, depois de muitos dias. As lavouras contabilizavam prejuízos, os rezes emagreciam no campo, apenas as ovelhas se fartavam com o pasto seco. Era a seca. Nas muitas manhãs eu recorri à Internet, no “Site do Tempo” para ver a direção e intensidade das nuvens, a consistência das frentes frias e a pressão atmosférica; depois de longo tempo me reclinei na letargia da espera, raciocinando sobre as causas do desastre ecológico. Levantei minha fronte, para o Criador, e perguntei: - Porque, Senhor? E Deus me falou: - Baixa teus olhos e vê o mundo que te cerca. Procure contar os milhões de árvores decepadas. Olhe para os rios privados de suas florestas ciliares. Sinta o cheiro das inúmeras queimadas que estão matando o solo. Não olhe para mim com olhar de quem me acusa pela seca que perdura. Tive, então, a visão clara da irracionalidade do ser humano. Os esqueletos das árvores decepadas clamavam vingança contra ele; a careca dos rios zombava do rei da natureza e a vegetação queimada queimava de ódio pela burrice humana... Voltei meu olhar, outra vez, para o Criador e pedi, não chuva, mas juízo e conversão para os humanos, para que abandonassem o pecado de suicídio, porque eles mesmos, matando a natureza, estavam se matando! |
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BATER PALMAS |
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Bater palmas é quase um jeito universal de aclamar, de concordar, de louvar... Para quem tu bates palmas? -Para o herói do teu time que te salvou da gozação, no último minuto de jogo quando os holofotes já estavam sendo desativados, naquele minutinho de prorrogação? -Para teu chefe, na empresa, para colher dele as boas graças em vista de uma promoção ou de algum aumento de salário? -Para o político que te devolve alguma esperança depois de dezenas de desilusões ou por algum retorno em forma de emprego, dinheiro ou algo semelhante? Para quem tu bates palmas? -Para tua mãe que te deu a vida, que te alimentou com seu materno leite, que te ensinou os primeiros passos, que velou ao teu lado na noite dos teus sonhos agitados? -Para teu pai que na seara do mundo respigou teu alimento de cada dia, te defendeu dos perigos, te tomou pela mão nos teus caminhos, te carregou no colo quando cansaste? -Para teus irmãos, solidários nas tuas brincadeiras, compreensivos nas tuas burrices, companheiros nas tuas aventuras? Para quem tu bates palmas? -Para teus evangelizadores que te encaminharam para Cristo e te animaram na fé da ressurreição? -Para Cristo que, antes de partir, te deixou Maria como Mãe e te deu a vida por puro amor de amigo e redentor? -Para Maria que gerou Jesus para te redimir de teus pecados e te garantir a salvação na ressurreição? Para quem tu bates palmas? -Para ti, porque te descobriste nos dons que Deus te dotou, na aceitação de tuas limitações, na humildade de te deixares salvar por Ele, na solidariedade de repartires o que és e o que tens, no carinho que és capaz de prodigalizar ao desiludido, na alegria que és capaz de partilhar, enfim, por tudo que és como filho de Deus e irmãos dos homens e do universo?
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A DRAGA |
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Da margem do grande rio observei a draga sugando água e areia do fundo do leito fluvial. O motor roncava e gemia elevando, para dentro do pequeno navio, grande quantidade de material sugado; decantada no ventre do barco a areia estava pronta para iniciar sua viagem. Ela seria misturada à cal e ao cimento para ligar os tijolos de uma construção de alvenaria. A história do grão de areia, que desprendido de alguma rocha, foi arrastado para o fundo do rio e do leito sugado, estava pronto para sua fase construtiva em favor dos humanos. Quando a barcaça passou pelo local onde estava acampado, fiquei meditando sobre o destino nobre daquele grão de areia: sua história, bem longa, estava se plenificando, não por ser um grão excepcional, mas por ter sido encontrado com milhões de outros grãos, pelo mérito da draga. Ele fazia parte de uma carga que quase fazia o barco soçobrar e, porque era parte daquela massa, adquiria valor por sua utilidade. Isolado pouco ou nada valia. Podia até ser ignorado. Sua valia se tornou consistente porque fora encontrado com uma quantidade considerável de outros grãos iguais a ele. Valia ser dragado e comercializado! Algo da minha e da tua história se assemelha à história do grão de areia: Isolados valemos pouco; unidos, somos capazes de construir o edifício da felicidade. Pense nisso quando te julgares único no mundo! |
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RECARREGAR |
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Recarregar, na modernidade, é um verbo nosso de cada dia: recarrega-se a bateria do telefone celular, as baterias das câmaras fotográficas, a bateria do carro; carrega-se de combustível o tanque, de óleo o carter, de alimentos a dispensa, de água a caixa. Porque a carga das baterias se esgota, o combustível se transforma em energia cinética, os alimentos são consumidos e a água da caixa é utilizada para diversas aplicações, é necessário recolocar o que foi usado sob pena de estagnar aparelhos e pessoas. Depois que os cientistas da Idade Média, após tentativas exaustivas, concluíram que o “moto-perpétuo” era impossível, partiram para a pesquisa das diversas formas de conversão de energia... Os diversos combustíveis foram descobertos e catalogados, mas todos eles apresentavam uma característica: eram transformados, se esgotando, e necessitavam ser repostos. Por esta razão o mundo hodierno faz-se de busca, comercialização e gasto das diversas formas de combustíveis existentes. Nossas energias físicas são recarregadas pelo “pão nosso” de cada dia. Chamamos de alimento o que necessitamos para refazer o desgaste. Mas, não é somente nosso corpo físico que requer recarga, é também nosso intelecto e nosso espírito. Sem reabastecimento tanto o corpo, quanto a mente e o espírito fenecem; depois de estagnar, morrem. Assim sendo, nossa atenção não deve fixar-se somente nos marcadores de quantidade de gasolina no carro, mas deve, também, observar os marcadores vitais do nosso ser humano, feito de corpo e espírito e não deixa-lo esvaziar. O que é a gasolina para o carro, a recarga para o “celular”, o alimento para o corpo, o estudo para a mente, é a oração para o espírito!. |
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O NAVIO DESPEDAÇADO |
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Eles, animados pelos ensinamentos do filho do “Senhor dos mares” partiram alegres, cada um realizando a missão determinada por ele. Durante a travessia, porém, esqueceram suas próprias atribuições e questionaram quem deles seria o maior. Uns invejaram a posição do comandante, outros do timoneiro e outros simplesmente fizeram um motim. Toda esta anarquia fez o navio ficar à deriva. Os amotinados dispensaram o timoneiro, aprisionaram o comandante, substituíram o cozinheiro. Quando uma tempestade terrível se fez notar, o medo invadiu-lhe as almas e temeram pela própria salvação. Quem substituíra o comandante não era líder para coordenar uma ação de emergência; quem se adonara do timão não tinha noção como alinhar o navio no meio das ondas enormes e porque haviam substituído o cozinheiro estavam famintos e fracos para agir. O pior aconteceu: o Navio bateu num recife partiu-se em dezenas de pedaços. Os sobreviventes, se agarraram, cada um a um pedaço, e se mantiveram à tona. Mesmo montados nos destroços, gritavam uns para os outros que seu flutuador era o verdadeiro navio que os levaria ao porto da salvação. A triste estória do Navio espedaçado seria a alegre estória do Navio adentrando o porto da felicidade, se os marinheiros tivessem seguido os ensinamentos do filho do “Senhor dos mares”. Ele recomendara a unidade baseada no amor e a posição de cada um, baseada nos dons e carismas. Hoje temos consciência que devemos recolher os destroços e remontar o Navio, somando esforços e restabelecendo os ensinamentos, perdoando e reconhecendo a capacidade especial de cada um. Esta é a ação histórica do movimento ecumênico entre nossas Igrejas. Só esta ação irá trazer alegria ao filho do “Senhor dos mares”, chamado Jesus! |
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O PIRILAMPO |
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O vaga-lume “Luzinho” voou, voou até cansar. Tinha pegado o rumo da cidade. Quando pousou num arbusto observou espantado, pela auto-estrada, um enorme objeto, de quatro rodas, roncando e piscando, ora para direita, ora para esquerda. “Luzinho” tinha só uma lanterninha; aquele mostro de quatro rodas tinha lanternas pisca-pisca na frente, atrás e do lado e tinha dois grandes olhos projetando uma luz muito forte, para frente. O pequeno vaga-lume se sentiu humilhado, pequeno e insignificante. Pensou muito e se decidiu conversar com imenso “vaga-lume” de quatro rodas. - Boa Noite, seu vaga-lume gigante! - Boa noite! Não sou vaga-lume, sou um automóvel! - Desculpe! Não sabia! Posso lhe fazer uma pergunta? - Podes; afinal sou um carro de classe, tenho até computador! - Porque o Senhor tem tantas lanternas piscando, ora para um lado, ora para outro? - Para indicar a direção que vou tomar! Respondeu o automóvel! - Engraçado...Eu tenho apenas uma lanterninha e serve para chamar minha namorada! Tu tens namoradas? Com tantas luzes piscando dever ter muitas amigas! -
Eu não preciso de amigos. Eu sou só e me basto. Não me faças perguntas tolas.
Adeus! O pequeno inseto luminoso ficou observando o carro partir. Viu entrando numa garagem se desligando todo. Ficou como morto. Ali parado, sem amigos. Sem amigos a vida não tinha graça. Sentiu pena dele. Olhando para sua luzinha sentiu que ela, pelo menos, servia para atrair uma companheira para partilhar a vida. O Carro, não podia repartir a vida com alguém. Sem repartir, a vida era inútil, sem graça, concluiu o pequeno vaga-lume. Não importa o tamanho da luz, refletiu o pirilampo... Importa que por ela se consiga encontrar alguém para partilhar a vida!
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A CANÇÃO DOS NASCITUROS |
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Uma tribo primitiva da África cultivava uma celebração significativa: Quando uma mulher tinha certeza de sua gravidez, reunia as outras mulheres da tribo, numa clareira da mata, e juntas compunham uma canção para quem haveria de nascer. Era uma canção personalizada, um hino oficial-pessoal. Após o nascimento a mãe embalava seu filho ao som da sua canção pessoal; mais tarde ensinava-lhe a letra e a música. Na letra estavam contidos todos os sonhos da mãe e da tribo a respeito da criança. Mais tarde, quando adolescente, jovem ou adulto se afastasse das normas do seu povo era-lhe lembrado o texto da canção, a sua canção. Era, enfim, a marca registrada do indivíduo e seria cantada, pela última vez, nos seus funerais. Tenho pensado nesta manifestação cultural. Tenho pensado qual e como seria canção que minha mãe teria composta só para mim. Seriam versos reveladores de seus sonhos; mostraria caminhos para seguir, barreiras para impedir, obstáculos para transpor. Uma coisa eu tenho certeza: jamais estimularia o vício, a corrupção, o ódio e a morte. Na canção, composta por minha mãe, haveria declarações de amor, fartura de pão e de amigos, abraços e beijos, luz e segurança; jamais haveria fome, nudez, desemprego e falsidade. Hoje, me pergunto, porque não faço de meus sonhos um reflexo dos sonhos de minha mãe, numa canção personalizada? Ela poderia ser um farol nas tempestades do mar da vida ou uma âncora para não ser levado pela correnteza do mundo consumista. Se Você me ajudar poderemos compor dois hinos personalizados: um para Você e outro para mim. Até encontrei algo que nos pode inspirar: as oito bem-aventuranças proclamadas por Jesus!
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OS QUATRO ANJOS |
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Conta uma lenda que, antes do início do dia da criação, Deus convocou a assessoria de quatro anjos e apresentou-lhes seu projeto. Eram: o anjo da ciência, o anjo da filosofia, o anjo da economia e o anjo do serviço. Diante da magnitude do projeto, cada um deles teve reação diferente: - Como se fará isso? Perguntou o anjo da ciência! - Porque fazer tamanha obra? Inquiriu o anjo da filosofia! - Quanto custará tudo isso? Insistiu o anjo da economia! - Em que posso ajudar? Perguntou, humildemente, o anjo serviçal! O Criador, certamente não precisava da opinião de nenhum deles. Fez a convocação para exercer parceria e para se acostumar com as críticas que ouviria pelo tempo da existência de sua obra criada. A visão de quem olha o mundo não é idêntica. Quem está na planície vê diferente de quem se localiza na montanha ou está, num avião, dez mil metros de altitude. O campo de visão é relativo à posição do observador, se está na planície ou na montanha. Diante de determinado projeto, o que mais importa é saber a finalidade determinada pelo projetista. Se os quatro anjos soubessem que o Senhor determinara criar o mundo para nele estabelecer o homem para, através do amor, construir a felicidade, o anjo da ciência, da filosofia, da economia e do serviço diriam, simplesmente: “Amém”! Todos somos um pouco de cada anjo questionador, porém nos encantamos com o anjo serviçal; até porque é pelo serviço que mais nos assemelhamos ao Criador e nos aproximamos da felicidade. Quem não vive para servir, não serve para viver. Simplesmente; quem não serve, não serve...
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A PULGA CANINA |
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Se a pulguinha tivesse permanecido no “Rex”, talvez continuasse viva. O desejo exagerado de “status” lhe jogara muito alto causando um tombo irreversível. Conheci pessoas que deixaram o interior e a humildade do campo para se aventurar na cidade, em busca de conforto e riqueza; terminaram envenenadas pelos costumes urbanos e sufocadas pelo consumismo, para os quais não estavam preparadas!
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O CAMINHÃO DA SUCATA |
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Parecia um carro fúnebre carregado de ossos, o caminhão da sucata. Centenas de pedaços de dezenas de marcas; esqueletos cobertos de ferrugem e ferros desfigurados que pouco ou quase nada lembravam o que foram. Muitos, se contassem a suas histórias, teriam a memória de seus donos, de nariz empinado, ar arrogante, desfilando pelas ruas em busca de aplausos. Outros, transformados em armas perigosas, haviam assassinado seus proprietários por terem exigido deles o máximo de suas potências e velocidades resultantes. Todos mostravam um aspecto desolador e cada um escondia uma história que não desejava lembrar. O monte de lata e ferro entulhando o caminhão da sucata era triste, desolador e capaz de lembrar a frase da missa de “Réquiem”: “Lembra-te que és pó e ao pó retornarás”! Pergunto-me: se as coisas passam e a gente passa, se os heróis e os reis passam, se os santos e os pecadores também passam; o que não passa e é perene para nisto me agarrar e permanecer? Ou o que é imortal e não morre, o que vale investir e construir, o que não teme a ferrugem nem a traça? “Juntai tesouros no céu onde nem a ferrugem nem a traça podem destruir!” -Disse o Senhor! Jamais se deve amontoar coisas capazes de se transformarem na sucata que eu vi na carroceria do caminhão sucateiro! Aqui está a resposta às minhas perguntas: -O tesouro incorruptível é o amor que se visualiza nos atos de partilha da vida, dos dons e de si mesmo!
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OS TRÊS RATOS |
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A proeza dos ratos repercutiu na sociedade e a valentia foi descrita nos jornais e na mídia da ratolândia. Houve parabéns, medalhas e diplomas. Terminadas as celebrações o trio se desentendeu: discutiram entre si sobre a autoria do projeto, de quem fora a idéia inicial. Cada um se orgulhava de ser o inventor da técnica e acabaram se separando e perdendo a oportunidade de novas realizações. Esqueceram o sucesso da parceria que pertencera a todos os parceiros e não a um indivíduo apenas. Para atingir o topo do progresso é necessária a soma de milhares de pessoas das mais diversas áreas humanas. Um, apenas, seria sempre um. Vários em parceria não contabilizariam soma, mas multiplicariam conquistas. O que vale para a ciência vale também para a vida mística e para vida transcendente.
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CHIMARREANDO A FÉ |
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Da chaleira da fé, que é o coração amoroso de Deus, vou enchendo a cuia da minha vida e da vida dos que me cercam, para que eu e eles possamos matar a sede da esperança e agüentar o repucho da tropeada da existência. Diante de Deus, que não é patrão, mas é Pai, diante da sua providência que dá e que não cobra (como não se cobra o chimarrão que se oferece), eu faço minha prece matinal e reflito nas tropeadas do dia que renasce e me fortifico para vencer os trancos de minhas próprias fraquezas. Na prece eu peço que nunca me falte a água quente do amor do Pai, nunca retenha, só para mim, a cuia da esperança, mas a faça ir de mão em mão animando e reforçando os laços da vida e que na partilha não precipite meus atos, mas seja paciente sem deixar ninguém de fora da rodada dos meus afetos. A cada manhã, quando inundo meu corpo com o suco verde da erva-mate (o verde lembra esperança), faço esta reza pedindo que não somente eu tenha sempre o necessário, mas que todos tenham. Peço também que eu possa sempre estender a mão e partilhar a minha fé para que todos sejam, por ela, iluminados. |
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O PESCADOR |
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Os pescadores estavam no projeto de Jesus. Agradava ao Senhor o perfil dos profissionais da pesca. Dentre doze, de elite, por Ele escolhidos, quatro eram experimentados na lida de capturar peixes; era um terço da equipe total! O Senhor, apenas, mudou o objetivo: deveriam pescar pessoas para o Reino de Deus. As redes seriam lançadas e os peixes seriam homens para o Reino. “Vos farei pescadores de homens”, dissera o Messias. Que virtudes Jesus viu nos rudes homens do mar? Por que as valorizou, tanto assim? O Pescador, para que seja competente, deve ser: perseverante, paciente, observador atento e capaz de se adaptar às circunstâncias. Perseverante é quem é teima no bem, não se cansa nos propósitos assumidos, não desanima e põe energia na ação. Paciente é quem dá tempo ao tempo, sabe aguardar a hora e o momento preciso sem agir na superficialidade e aceita o tempo do outro. Observador atento é quem é dotado da visão da profundidade dos acontecimentos, buscando os detalhes mais significativos do comportamento dos seres estudados. Adaptado é quem incultura o ambiente, os sons, as imagens, se encaixa no complexo do universo que o cerca e escolhe o momento certo para privilegiar seus esforços. Estas virtudes, dos pescadores, Jesus mostrou, como virtudes dos Evangelizadores. O Evangelizador deve ser perseverante no anúncio da boa nova, como disse S. Paulo, oportuno e importuno. Ele será paciente, saberá esperar o momento certo e aguardar a hora do evangelizado. Como observador atento descobrirá, no catecúmeno, os traços positivos para soma-los à mensagem de salvação. Você é também convidado a colocar estas virtudes na mochila de pescador de homens para que sua pescaria seja milagrosa. |
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PARÁBOLA DAS CRUZES |
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“Tome, cada um a sua cruz, e me siga, se quiser ser meu discípulo”, disse Jesus. A humanidade foi colocada no início de um caminho, que significava a vida. Nenhuma pessoa sabia em que ponto do caminho podia atravessar para o lado do paraíso, onde a felicidade era total. Deviam caminhar até onde estava sua marca pessoal, então tentar atravessar o abismo da morte que separava o mundo do sofrimento, do mundo da paz. Ninguém conhecia como era feita a atravessia. No início da caminhada, todos eram convidados a escolher uma cruz e leva-la aos ombros. A cruz era tida como a senha da travessia. Assim, cada um escolheu a sua própria senha. Ninguém, porém, sabia como funcionaria, até o momento de usa-la. Uns escolheram a menor dentre as cruzes, outros uma média e alguns carregaram grandes cruzes. Todos pensavam obedecer ao que Jesus pedira: “tomar sua cruz e segui-lo”. Assim a grande procissão da vida era a Romaria dos que iam à busca do seu local certo de passar ao paraíso desejado. Recebiam um sinal, saíam do caminho e atravessavam uma floresta escura e com sua senha procuravam o local personalizado para ingressar na felicidade total. A grande surpresa era essa: A Passagem personalizada era parte de um abismo. A largura deste abismo era diferente para cada ser humano.: Cada pessoa tinha seu local próprio onde colocava sua cruz e caminhando sobre ela passava para o lado definitivo. Os que escolheram cruzes grandes não tiveram dificuldade: sobrava cruz; os que escolheram cruzes pequenas não conseguiam passar. Jesus santificou a cruz e através do sinal dela capacitou a todos que a carregassem tivessem a senha da Redenção. Ela se tornou a ponte do finito mundo no qual vivemos ao infinito mundo que desejamos: o mundo da felicidade sem ocaso. |
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O APELIDO |
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Os apelidos identificam o indivíduo por uma particularidade. A identificação se baseia numa característica física (como a caricatura elaborada pelo cartunista) ou por um defeito ou, ainda, por uma virtude e, algumas vezes, pela profissão ou vocação exercidas. O apelido adere à pessoa, mais das vezes, quando o apelidado se altera e detesta a alcunha; outras vezes porque é mais fácil lembrar, que o nome, pelo traço visual associativo que existe. Algumas pessoas preferem ser identificadas pelo apelido, mais que próprio nome. Muitos apelidos aderem ao nome como um adjetivo qualificativo e permanecem; outras vezes, substituem o nome: os apelidos familiares e carinhosos da infância têm esta característica. Pergunto-me, às vezes, se o cognome de cristão que levamos junto ao nosso nome tem poder qualificativo, se por ele somos identificados, ou simplesmente o temos porque foi determinado por um protocolo batismal? Ou melhor: merecemos tal apelido qualificativo? |
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ORAÇÃO EFICAZ |
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A relação eficaz se realiza na empatia e se desfaz na antipatia. A empatia consiste em fazer o jeito do outro, se baseando na verdade e nesta mesma verdade manifestando seu diálogo sincero, sabendo sua posição diante dele. O outro, na prece, é Deus, que adotando o homem com seu filho não deixa de ser Deus onisciente e todo poderoso. A pessoa humana, limitada nos conhecimentos e completamente ignorante do futuro, deve fazer a oração do publicano, e jamais a do Fariseu, da Parábola de Jesus (Lc 18, 9-14). Só que muitas vezes nos arvoramos de conselheiros de Deus, determinando como as coisas devem ser feitas, como dirigir o universo e outras semelhantes asneiras. Nossa inconseqüência chega ao clímax quando em nossas orações determinamos o que queremos, dando ordens ao Criador para que tome as devidas providências. As condenações de Jesus quanto à postura do Fariseu que diante do altar se exaltava e desprezava os outros, se contrapunha à postura do Publicano que se manifestava humilde esmolando o perdão de suas fraquezas. A conclusão do Senhor pela justificação do humilde e a condenação do orgulhoso nos fornecem pistas para nossa atitude diante de Deus, em nossas orações. Deus sabe do que necessitamos mesmo antes do pedido vocalizado. A sujeição à sua vontade exclui qualquer forma exigência ou sugestão. A entrega total, da forma infantil de se entregar ao pai, porque ela sabe que será providente, é o modo mais nobre de orar.
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CIÊNCIA E MISTICISMO |
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É inegável o avanço da ciência. A velocidade do progresso científico acelerou o comportamento humano, mas não acelerou a sabedoria. Pela deficiência do crescimento da sabedoria paralelamente à ciência, o ser humano se fixou no lado, enganosamente, mais forte. O resultado desta disparidade foi uma busca para fora do ser em detrimento da busca interior. Como todo desequilíbrio tem o seu preço, duas grandes atitudes comportamentais agitaram a vida. Uma, foi a revolução do mundo fora do homem, do mundo extrapsíquico, com o crescimento tecnológico, em detrimento do seu mundo intrapsíquico, com a crise dos pensadores. A outra, foi a frustração do homem do final do século XX, sentindo-se traído, perdido sem âncora intelectual e transcendente para se agarrar. Cientificismo e misticismo. Por ter buscado na tecnologia a solução dos problemas sociais da fome, da doença, das guerras e percebendo as misérias psicossociais ao redor de si, o homem moderno retomou a procura Deus. Ele que não cria em quase nada começou a crer em quase tudo. De cético para crédulo, foi passagem rápida. Tendo cultivado mais a ciência que a sabedoria, faltou-lhe sabedoria e consciência crítica para gerenciar a frustração e caiu no misticismo. A proliferação de seitas e igrejas, de crendices e cultuações de divindades funcionais é capaz de conduzir a humanidade para o obscurantismo da idade média. Além da multiplicação de igrejas autodenominadas evangélicas, proliferam seitas politeístas. Forças míticas dos cristais, dos gnomos, das eras cósmicas, influenciam as decisões diárias de muitos. Com a diminuição do senso crítico, embotado pela crença demasiada na ciência, o homem corre o risco de fazer uma longa experiência negativa, no mundo da ilusão, e se machucar. Urge, pois, fazer caminho para dentro do próprio ser e buscar a sabedoria, garimpando as páginas sagradas da Bíblia.
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A ESCOLA DA VIDA |
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Muitos não tiveram a possibilidade de freqüentar os bancos escolares, mas freqüentaram os bancos da existência. Nesta escola puderam conhecer, profundamente, os pensamentos, as limitações e as crises da existência humana. Na escola da existência são pouco contabilizados os diplomas, os títulos, a condição financeira. Nela valem mais a contemplação do belo, a alegria de viver, a aceitação da realidade pessoal. Nela se aprende a lidar com as diferenças e gerenciar as limitações. Nela se tem certeza que o maior sucesso não está fora, mas dentro de si mesmo; os caminhos mais significativos estão traçados para dentro do próprio ser. Na escola da vida os melhores alunos são aqueles que conhecem e administram seus conflitos e limitações, mais que suas qualidades pessoais e conquistas sociais. A doença da depressão, entre muitas causas, tem uma fundamental: o desconhecimento de si mesmo ou a aceitação das próprias limitações. Diante dos conflitos se deprimem, se acantonam e perdem a capacidade de gerenciar as contrariedades. Hoje se corre para o trabalho, para o mercado, para longe de tudo e de todos e não se é capaz de correr para o interior do seu próprio ser para descobrir suas potencialidades, a finalidade da vida e o modo de qualifica-la. Escolarizando a vida, não só palmilhamos estradas retas e planas de acertos e conquistas, mas também transpomos caminhos sinuosos de derrotas, obstáculos de perdas e caos emocional e social. Tudo isso me faz lembrar a têmpera do aço: do massacre do fogo, da bigorna, da água e do revide se forma a lâmina de qualidade superior. |
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FÓSSEIS |
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Vendo as dezenas de troncos de árvores-pedra, no museu aberto da Praça Crescêncio Pereira, sinto-me pequeno diante daqueles monolíticos de mais de cinqüenta milhões de anos. Lembro que meu velho pai, ao acolher um visitante convidou-o para tomar uma sopa. Para selar o convite, mostrou o osso petrificado que iria para a panela. É claro, que era pura gozação, mas causou espanto! Meu Deus! Como me sinto um grão de areia neste universo de anos, eras e milênios! Minha mente mal concebe o espaço temporal dos fósseis da Praça Crescêncio Pereira! Diante deles minha vida humana é quase imperceptível! Meditando neste sopro de existência, tão débil como uma libélula, tão breve como as flores do campo, concluo, que se não me inserir na Vida Universal que Deus oferta por seu Filho Jesus, sou apenas um hiato sem sentido. A vida breve que cultivo só tem sentido se ligada a toda forma de vida, ligada a quem a acendeu, como se acende uma vela: Deus! Eu faço parte de um projeto de amor que se atualiza na fraternidade universal, se completa na parceria sem exclusão, se formaliza na doação sem reservas. Fora disso, posso até virar fóssil, me cristalizar, mas não serei uma peça útil na história dos seres capazes de cultivar a felicidade.
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PRECONCEITO |
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O verdadeiro líder não cultiva preconceitos diante de si e dos outros porque o preconceito engessa a inteligência e dificulta a relação. Ao ser estimulada, a inteligência ativa diversos pensamentos. O radar da memória varre as experiências vividas, os conceitos emitidos, os valores cultivados e constrói um conceito provisório, não definitivo, sujeito a revisão, sobre a correção do ato, a moralidade da ação, a beleza, a virtude etc... O conceito prévio é inevitável e necessário. Se não reciclamos o processo não nos libertamos da ditadura do preconceito, cristalizamos nossa inteligência e minimizamos a qualidade do pensamento. Existem três tipos de preconceitos: 1. Preconceito histórico. Nasce quando olhamos e analisamos o mundo sob a ótica de determinada cultura. Cada uma vê o mundo diferente pela sua própria ótica; assim os médicos, os cientistas físicos, os sacerdotes, os psiquiatras. 2. Preconceito tendencioso. É aquele que pende para um lado. Aquele que fere o direito do outro e as próprias emoções com preferências subjetivas ou interesses mesquinhos. 3. Preconceito radical. Este nasce do fanatismo, desconhece a complexidade dos fatos. É emitido por quem se julga infalível, um semi-deus, um ser absoluto e definitivo; não admite se revisar. Existem remédios para sanar a doença do preconceito: O exercício da dúvida, a autocrítica sobre os próprios conceitos e valores, a tolerância capaz de aceitar os limites do outro e os seus próprios, a valorização das diferenças independentemente de sua moralidade, erros e história. Lembro que as discriminações e as muitas formas de intolerância (religiosa, política etc...) geram a cultura da morte e as guerras. Quando Jesus ensinou não julgar para não ser julgado, não condenar para não ser condenado, ser magnânimo para receber magnitude estava ensinando a nos libertar dos preconceitos.
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TOLERÂNCIA |
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Quando Jesus traçou o perfil do cristão, por Ele sonhado, arquitetou um homem feito de novas relações sociais. O homem projetado pelo Messias era feito de qualidades e virtudes especiais. Era composto de solidariedade familiar, doação pessoal, cooperação mútua, amor total e, entre muitas outras virtudes, destacou a tolerância. A tolerância é um sentimento nobre. É uma característica sofisticada da personalidade humana. Poderia ser chamada, até, de característica divina. Ela tem um toque de Deus. A pessoa que cultiva, no jardim do seu coração, tão excelsa flor, perfuma o mundo relacional com seu odor de compreensão, aceitação, paciência, carinho. Enquanto o intolerante polui o ar de angústia, rigidez e crítica radical, o tolerante perfuma o mesmo ar de paz, harmonia e convívio prazeroso. Jesus ao ver seus discípulos, uns sobre os outros, querendo o primeiro lugar, pediu que ocupassem o último lugar. No auge da sua evangelização, para que eles não ficassem deslumbrados, lavou-lhes os pés. Ele os queria e assim os formava, na solidariedade, para que mostrassem ao mundo um novo homem, transformado de dentro para fora sem a maquiagem social do fariseus. Ser tolerante é ser compreensivo, capaz de aceitar o outro como é. Sem ser conivente com o erro, sabe esperar, com paciência, o tempo de cada um. Ser tolerante é ser parecido com Jesus quando Judas o entregou, no Horto da Oliveira: chamou-o de “Amigo”; quando Pedro negou conhece-lo, não cobrou sua culpa; não mandou para o inferno o “Mau Ladrão” que zombava dele; nem deixou João pedir fogo do céus sobre a Aldeia samaritana que não quis recebe-los. A personalidade cristã rica deve ser ornada com a virtude da tolerância, não só na ordem social mas também na religiosa: será personalidade ecumênica e de “diálogo religioso”!
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VER ALÉM |
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Avaliando meu comportamento relacional com meu Deus, senti-me um ingrato. Avaliando os dons, com os quais me dotou, senti-me um devedor. Avaliando os anos de vida, que me sustenta, senti-me mesquinho. Voltei, então, pelas mesmas ruas, pelas mesmas calçadas, para rever as mesmas pessoas e orar enquanto andava. Diante de cada uma, no silêncio da minha interioridade, fazia uma prece de ação de graças pelos dons recebidos e intercedia, por elas, para que seus fardos fossem aliviados. Porque deixei de olhar ao meu redor, porque pensei demasiadamente em mim, porque não ampliei meu campo de visão, fiz o aumento descontrolado de minhas pequenas mazelas e azedei o meu mundo e o mundo dos que me cercam. Entendi, então, que devo abrir as janelas da alma, deixar entrar a luz da verdade e descobrir o Infinito morando dentro de mim. Quando isso acontecer, verei que a casca física do meu ser não é o maior valor e as imperfeições são contingências da materialidade. Como a materialidade não é definitiva, mas um transporte que uso enquanto estou no planeta terra, não vale me desesperar ao descobrir minha fragilidade. Mais que me fixar no transitório, devo me apoiar no definitivo!
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O CABIDE |
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O cabide serve para guardar a roupa. Conserva a forma tornando-a pronta para o uso imediato. Não é um “arquivo morto” onde são armazenados conteúdos rejeitados ou obsoletos. É arquivo vivo, transitórios e capaz de facilitar um acesso rápido, preservando a qualidade. No “guarda-roupa” da vida, muita coisa pode estar dependurada. Algumas descartáveis, outras esquecidas, ainda outras passíveis de uso. As descartáveis só entulham; as esquecidas devem ser lembradas porque podem qualificar a vida e as passíveis de uso, porque lembradas são a roupa de cada dia. Pode acontecer que andemos mal vestidos porque esquecemos de revisar os cabides da existência. Os cabides que guardam nossas virtudes devem ser visitados todos os dias; esquecidos podem nos tornar nus ou mal vestidos. A felicidade que brota da auto-estima vem delas, as virtudes. Os cabides de nossos sonhos também devem ser revisados. O sonho é o motor de arranque da máquina do progresso, da realização pessoal e da santidade. Toda realização humana tem sua origem nos sonhos. Esquece-los é estagnar na mediocridade. Os cabides de nossos afetos devem ser atualizados a cada momento, porque a vida se concretiza nos infinitos laços de amizade produzidos pela nossa inteligência afetiva; ignora-los é o mesmo que mata-los. Os cabides dos propósitos guardam nossos projetos, iniciativas; devem ser reciclados para soma-los aos afetos, aos sonhos e as virtudes. Esta soma garantirá uma vida rica e feliz. Enfim, revistamo-nos do que melhor está guardado no guarda-roupa da existência; tornemo-nos elegantes, com melhor visual espiritual, auto-estima elevada, felicidade sorrindo nos lábios e olhos brilhando na fronte. A felicidade que perseguimos está dentro de nós. Ela é a razão de nossa atividade vital. Dentro de nós está a razão do nosso esforço de busca: Deus. Ele e só Ele tem capacidade infinita de acender, em nós, a fogueira do amor, causa primeira da felicidade!
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CANTO DA SEREIA |
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As vozes das sereias da “Era eletrônica” são as vozes dos marqueteiros da mídia. Suas melodias e canções são perfeitas: atraem milhares de incautos para os penedos dos mercados, onde naufragam no mar dos gastos desnecessários; compram coisas e mais coisas, se tornam pesados e se afogam no agitado mar da vida. Os marqueteiros se mostram travestidos de beleza, encantamento e sensualidade. Zonzos, os que ouvem suas vozes, como hipnotizados, vão ao encontro das fauces do consumo e são por ele devorados. Hoje o demônio - que existe e é competente - não mostra sua cara feia; vem travestido de sereia, de mulher bela e sensual, atraindo os incautos para ruína. Se traveste da encantadora imagem do poder e os joga na lama da miséria moral: do roubo, dos engodos, das traições, da morte. Outras vezes vem com a roupagem da riqueza e os que ouvem sua voz, fazem pacto com o príncipe da morte e exterminam até irmãos para tomar suas posses. Ainda outras vezes o tentador se mostra capaz de concretizar toda forma de prazer e no mar da luxúria afoga os que, ouvindo seus convites, correm ao seu encontro. Resta você fazer como Ulisses para não ser aniquilado. Deixe-se amarrar, na nave da vida, pelas cordas da oração, da reflexão e da vida sacramental.
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DESCER OU SUBIR? |
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Subir sugeria alcançar as alturas do sucesso, das realizações pessoais, da auto-estima concretizada, enfim, da transfiguração. Descer significava a volta à realidade diária com suas riquezas e misérias, quedas e soerguimentos, pecados e perdão, enfim, o jeito nosso de cada dia. Se subir é difícil, estar no topo é gratificante: os horizontes se ampliam, a visão da realidade se maximiza e a grandeza se manifesta. Se descer é fácil, estar em baixo é constrangedor: os horizontes se encolhem, a visão da realidade se minimiza e a pequenez se manifesta. Em cima ou em baixo, o importante é estar acompanhado, como os Apóstolos estiveram acompanhados de Jesus! Nossa existência é feita de altos e baixos, de transfigurações e de retorno ao comum do dia a dia. O que importa é que quando estivermos na montanha, não esqueçamos os irmãos que ficaram no vale, nem quando no vale desacreditemos que possamos chegar às alturas. Você lembra que Pedro, no Monte Tabor, ao ver a glória de Jesus e com Ele Elias e Moisés quis fazer três tendas para confina-los na glória, esquecendo-se de si? Da mesma forma, quando estivermos no auge da glória, do sucesso e da realização pessoal, devemos construir as tendas desta mesma glória para os outros, esquecendo, até, de nós mesmos! Mas tenhamos a certeza, quando nas planícies da vida, olharmos para cima devemos nos animar na Esperança da possibilidade de chegar lá! Hoje você pode ter certeza que Deus jamais abandonará você. Independente do seu estado positivo ou negativo, Ele sempre estará ao seu lado. Foi ele que garantiu: “Eu estarei convosco, todos dias, até o fim dos tempos”. Resta aceita-lo como companheiro, quando sua vida estiver na montanha ou no vale da existência.
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O HOMEM NOVO |
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O “Homem Novo” sonhado por Jesus, não era um homem recauchutado ou reciclado. Cristo sonhava produzir um homem totalmente novo. Seu sonho era ousado, estranho até, para sua época e para nossa. Era uma nova estirpe humana, gente vacinada contra o vírus da competição predatória, capaz de se doar sem esperar retorno e de ocupar o último lugar; ele deveria ser isento da ditadura do preconceito, aberto e inclusivo; alguém que soubesse se esvaziar de si, se colocar como aprendiz diante da vida e se precaver da auto-suficiência; uma pessoa que assumisse suas limitações, enfrentasse seus medos, encarasse de frente os problemas; gente capaz de cultivar a fidelidade à sua própria consciência, se relacionar sem preconceitos e praticar a solidariedade fundada no amor. O homem idealizado por Cristo seria um engenheiro da vida, coerente com sua fé, administrador dos seus invernos existenciais, gerente de suas limitações e capaz de trabalhador em equipe. O Redentor tinha uma paixão ilimitada pela espécie humana. Ele se dignificava chamando a si mesmo de “Filho do homem”. Se portou como homem, com as limitações e vantagens da raça humana: não se negou às lágrimas, ao medo, às amizades, às festas, à família, às longas caminhadas, à religiosidade, à oração, ao descanso! Tudo que fazia mostrava a face humana, experimentando em si o que sonhara para todos. Passou, como todo ser humano passa, pelas sinuosidades e turbulências, frio e calor, vida e até pela morte e da morte fez um salto de qualidade para ressurreição reacendendo a nossa Esperança de uma vida plena. Nos nossos exames de consciência, de cada dia, deveríamos projetar nossa imagem real sobre a imagem virtual deste “Homem novo” para ver o que nos falta na identificação com ele! |
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CARRETA VELHA |
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A minha infância estava povoada destas carretas. Vinham em caravanas, puchadas por juntas de bois, pelos menos duas, a do coice e a da ponta; vinham buscar telhas na olaria de meu pai. Pois uma destas carretas, de rodas altas, de toldo de zinco quebrou o eixo e foi deixada nos fundos a olaria; os carreteiros a deixaram para leva-la na seguinte carreteada; nunca mais voltaram e ela foi ficando, ficando... O tempo foi passando, passando, vieram os caminhões e a “dita” foi olvidada. O tempo esmerilhou a cobertura, os cupins roeram o madeirame: a canga, cabeçalho, os canzis, os fueros e o assoalho e teria virado lixo se alguém não acorresse em seu socorro. O capataz do CTG “Tropeiro Velho” se assanhou por ela. Para encurtar a história: foi recuperada e estacionada na frete do dito CTG. Cheia de glória, depois da restauração, conservando o eixo quebrado, para a história, virou museu. Lhes garanto: está lá, lindaça, barbaridade! A carreta velha prestara, a seu tempo, seu serviço para o progresso; trabalhou até a exaustão, mas, agora, era venerada pelo respeito de toda a gauchada. Nossos idosos (que mal compare) merecem bem mais pelos seus serviços prestados para gerar o progresso, pelo trabalho exercido até a exaustão. Merecem terminar suas carreiras com reconhecimento e veneração e, acima de tudo, com o respeito. Ou será que valem bem menos que uma velha carreta toldada?
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O NOME DOS ESTULTOS... |
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Visitei alguns monumentos, memoriais de pessoas dedicadas ao progresso que usufruímos; revoltei-me, com santa indignação, contra as pichações simbólicas e as dezenas de nomes escritos com errorex ou com spray. O monumento se tornou uma sena triste com cara de lixo e revelou a capacidade mesquinha de personalidades frívolas. A fraze latina me dizia a grande verdade: por ali passaram a escória humana sujando e mostrando burrice tamanha. Visitei um parque paleontológico de São Pedro do Sul, a “Pedra Grande”. É um paredão de arenito repleto de inscrições indígenas e pasmem: encontrei nomes com até endereços enfeando aquele painel histórico. Nem a tela de proteção foi capaz de deter os vândalos. Me entristece imaginar a frustração do artista que modelou o monumento ou dos indígenas que esculpiram seus sinais ou os paleontólogos que protegeram o sítio. Imagino os agressores se babando para poluir a obra que não fizeram ou descaracterizando os escritos que não entenderam. Maculam seus nomes manifestando burrice ou ofendem seus pais desonrando os nomes que lhes deram. O vandalismo deturpa a dignidade da pessoa humana e nos deixa todos humilhados por ter na raça tantos seres inferiores. Se a dignidade da personalidade sadia é capaz de valorizar a obra alheia, também é capaz de não pixar a moral de seus semelhantes. A beleza pura das estátuas, dos monumentos e sítios revelam um povo de moral ilibada; mas, o contrário ofende o povo, agride,enquadra este mesmo povo na anti-cultura e má educação.
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INSPIRAÇÃO |
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Tenho certeza que você teve experiência semelhante a minha: um dia há inspiração abundante, outro dia é um deserto total; um dia escrevo textos novos com facilidade incrível, noutro fico patinando sem compor uma frase sequer; às vezes a criatividade inspira, agita, avança, constrói, gera idéias novas, novas composições; noutras, congela, cristaliza, se contrai. Por mais que a vontade se esforce para superar as “vacas magras”, jamais se chega às “vacas gordas”! Quando se está no tempo das “vacas gordas” tudo se torna fácil e com mínimo esforço se criam obras maravilhosas... Quando a inspiração é abundante deve-se fazer como José do Egito: encher os celeiros... Quando os ventos da criatividade sopram forte, deve-se soltar as velas da jangada para entrar mar a dentro. Perder estes momentos é como jogar dinheiro fora, porque uma bela idéia, um projeto útil vale mais que punhado de dinheiro. Mas, apesar desta sina, sabemos que a persistência pode ter seus frutos. Sabemos que, mesmo sem inspiração, se continuarmos pondo tijolo sobre a argamassa e a argamassa sobre o tijolo, conseguiremos levantar uma parede. Sabemos que, lentamente, pelo entusiasmo que a obra desperta, acordamos da letargia que a falta de inspiração provoca. O que ocorre na vida de um pintor, escultor ou escritor, pode ocorrer na vida de oração, nas obras de evangelização ou na dedicação às obras de misericórdia. É mister, pois, o esforço, às vezes heróico para se superar. Os santos chamavam este tempo de secura, de tempo de deserto de Deus; as orações eram sem graça, a espiritualidade frívola, a fé amortecida. Mas, apesar do fracasso aparente, continuavam orando, vivendo sua espitualidade peculiar e reforçando a fé, pelas obras executadas. Hoje estou convencido que somos capazes de vertebrar a vida: aproveitando o tempo inspirado e, pela vontade, remotivando o tempo de secura. Podemos, então, nos parecer como as árvores: no inverno não temos folhas e flores mas aprofundamos raízes nos energizando para quando a primavera chegar! |
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O MARCENEIRO |
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Se a madeira ficasse na sua forma primitiva, assim como a natureza moldou, pouco serviria. Após a laboriosa arte do marceneiro, cortando os excessos com a serra, tirando as nodosidades com a enchó, desempenando os relevos com a plaina, aquele pedaço de madeira se tornou um pé de mesa digno de uma sala nobre. Na formatação espiritual do ser humano e na materialidade do seu ser, esta técnica de aperfeiçoamento se chama ascese. Tirar arestas para não magoar, empenos para facilitar, cortar acessos para não machucar os que amamos, adaptando nossa forma à vocação a que fomos chamados, faz-nos encontrar razões para uma convivência saudável e prática. Portanto, é necessário cortar, desnozar, polir, enfim, trabalhar a personalidade com ascese capaz de facilitar e qualificar as relações. Jesus falou que o galho de parreira, unida ao tronco que é Ele, para produzir frutos será limpo, podado para que dê mais frutos ainda (Jo15,1ss). Você já pensou nisso ou imaginou que só os outros precisam de ascese? Pensa, agora, onde pode melhorar e mais agraciado será: será eficaz na missão que lhe foi conferida pelo Criador: A missão é amar!
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As moedas têm as mais diversas formas. Geralmente são redondas, mas diferem em tamanho e peso. Muitas delas têm capacidade de revelar a história de um povo. Estive pensando naquela moeda que Jesus mandou Pedro tirar da boca de um peixe, que Pedro deveria pescar, para pagar o imposto devido. Certamente trazia a efígie de César, a mesma efígie de outra moeda que Jesus pediu para ver quando lhe perguntaram se era lícito pagar o imposto a César. Existe a moeda de ficção do Tio Patinhas, a moedinha da sorte. Quando menino eu tinha um cofrinho em forma de porquinho onde guardava as moedas que ganhava; sonhava com aquele tesouro e com o que compraria com ele quando o cofrinho estivesse cheio. Conheci moedas diversas: de ouro, de prata, de cobre e de diversas ligas como as atuais. A que mais apreciava eram as libras esterlinas que eram de ouro. Diziam que em alguns lugares existiam enterros de dinheiro, muitos quilos de libras esterlinas escondidas em panelas de barro, daquelas feitas pelos índios. Eram os Jesuítas, em fuga diante dos bandeirantes paulistas, que faziam estes esconderijos para mais tarde retomarem. Com o tempo eles se foram e não mais voltaram. Para completar as lendas se dizia que os tais esconderijos eram guardados por assombrações. Muitos até tinham sonhos indicando os lugares. Cavavam os sítios e dificilmente encontravam alguma coisa. O dinheiro sempre gerou sonhos. Mais das vezes dinheiro fácil, não só de enterros, mas de loterias, de jogos, de carreiras e até de logros. Muitas vidas foram destruídas. Muitas famílias esfaceladas. Muitos crimes se concretizaram para possuí-lo. Desde o dia que humanidade inventou o dinheiro perdeu a paz. Se, facilitou, por um lado, as trocas de mantimentos por outros, despertou a ganância para acumulá-lo. A idolatria da riqueza, do acúmulo de dinheiro, não mais de moedas ou papel moeda, mas de gordos depósitos bancários consomem vidas. Tornam-se inúteis. Não atualizam o motivo para o qual foram criados: facilitar o comércio de víveres, roupas e outros itens necessários para bem viver. Quando o deus da riqueza invade o coração humano, o verdadeiro e único Deus não tem vez e a o idólatra se corrompe e perde a vida para qual nasceu: a eterna vida. |
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SINAL DA CRUZ |
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A cruz aponta para o alto, mas está fixada na terra. Estende seus braços para direita e para esquerda. É vertical e horizontal. Nem tanto ao céu, nem tanto à terra. A cruz é uma fórmula de vida cristã não só por ter sido instrumento onde se concretizou a redenção, mas por apontar os rumos da espiritualidade. A glória do céu deve ser procurada e vivenciada, sem esquecer a realidade da terra e sem excluir os irmãos. Jesus no Monte Tabor mostrou sua glória e depois convidou Pedro, Tiago e João para descerem ao vale ao encontro dos irmãos. Pedro sugeriu fazer três tendas para permanecer no alto, mas teve que renunciar sua utopia na glória e voltar à realidade do dia a dia na evangelização do povo. Não existe uma espiritualidade somente vertical. Ela poderia alienar o devoto dos problemas sociais incorrendo no juízo de Deus que estabeleceu a ação social no julgamento: dar de comer a quem tem fome, dar de beber a quem tem sede, vestir os nus, visitar os enfermos e presos... Também não existe uma espiritualidade puramente social excluindo a mística que deve envolvê-la. Seria uma cruz sem apontar para o céu, deixaria de ser cruz embora aponte para os irmãos. Seria um socialismo sem alma. Nem somente no céu nem somente na terra. A terra pede seu espaço no nosso estilo de vida, nas nossas ações cristãs. Ela é nossa mãe; dela tiramos nosso sustento e merece ser cuidada com carinho filial. Nossa omissão está emagrecendo o planeta, empobrecendo sua fertilidade e nossa ganância está ferindo de morte a qualidade regenerativa da biosfera. O planeta está doente com febre cada vez mais alta. Todos nós experimentamos o calor que minimizou nossas vidas neste verão. É necessário voltarmos à racionalidade. Esta é uma questão religiosa, social e educacional. |
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VIAGEN FANTÁSTICA |
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O que seria uma viagem fantástica? -Seria, talvez, uma viagem à França ou Portugal, à Paris ou Lisboa? Mas que haveria de tão fantástico nestes lugares para tornar esta viagem singular? -Seria, talvez, uma viagem a Roma, aos pórticos do Vaticano, suas bibliotecas e seus museus; uma entrevista com o Papa ou um passeio pelas margens do Tibre? Mas que vantagem traria para seu crescimento que valesse o dinheiro gasto e o tempo consumido? -Seria, talvez, uma viagem a Miami no país mais rico do planeta, para ver como aplicam do dinheiro que sugam dos países pobres ou para sentir o domínio do poder que o dinheiro gera? Mas que tudo isto cooperaria para felicidade sua e sua realização como pessoa humana? -Seria, talvez, uma viagem à sua terra natal, aos lugares de sua infância, aos sonhos que as lembranças acordariam na visão que os lugares despertam? Mas que resultados a visão do passado constrói de fantástico para que sua felicidade se concretize? Todas estas viagens seriam interessantes mas, a viagem mais fantástica que qualquer outra viagem é a aquela que leva ao interior do seu próprio ser, às entranhas da sua alma, aos arquivos secretos das suas ações, aos projetos realizados, aos projetos frustrados, às alegrias sentidas e às tristezas superadas. Uma viagem para fora de si pode ser mais fácil que a para dentro de si. Pode até alienar à realidade interna e embotar a busca de seus arcanos no baú dos seus acontecimentos. Os resultados, porém, de quem vai ao seu íntimo é bem maior que qualquer outra viagem: é capaz de salvar seu projeto de felicidade. Tente e verá! Você verá que tudo na vida tem sentido quando se caminha em busca de um único caminho que leva à viagem definitiva capaz de formalizar a construção de sua eternidade. |
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SENOIDE DA VIDA |
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Antes que o sol despontasse no horizonte, sua luz se fez presente. Na espera, o sol se fez anunciar pelo arrebol. A aurora matinal fez-se o sinuelo do dia. Ao meio-dia, o sol a pino, mostrou todo seu potencial de luz e depois começou a decrescer visando à tarde. Depois que o astro rei mergulhou no horizonte, sua luz ainda brilhou por muito tempo. Desvaneceu-se aos poucos num degradê suave até sumir de todo. Quando a noite chegou, veio lentamente, sem movimentos bruscos, sem sustos ou rupturas. Fez o trabalho inverso do dia: com suavidade estabeleceu-se por tempo previsto no ciclo que determina o dia e a noite. A meia-noite é a maior defasagem da senoidal chamada dia. Porque estou lhe dizendo tudo isso? Porque estou lhe mostrando uma evidência experimental que se repete tantas vezes desde o início e irá até os fins dos tempos? É para que você entenda que sua vida é assim também; feita de altos e baixos, de horizonte iluminado anunciando a plena luz e horizonte esvaecendo anunciando as trevas; para que saiba que o dia não é feito só de plena luz, nem de plenas trevas, mas oscila entre uma e outra grandeza sem jamais parar; para que não se apegue quando tudo brilhar nem se frustre quando tudo escurecer. A vida no planeta terra repete o ciclo do planeta terra. A luz definitiva, o dia sem ocaso se concretizará quando se partir à outra dimensão, chamada eternidade. O desejo que o dia nunca se acabe é prenúncio da eternidade revelada pela palavra de Jesus. Esta é a esperança cristã que anima quem peregrina por aqui entre dias e noites que se repetem! |
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O AGUACEIRO |
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A chuva veio Somos seres sensíveis às mudanças. Todo excesso acima e abaixo da temperatura normal nos deixa diferentes. Sem mesmo conhecer os axiomas da física sonhamos com uma chuvarada quando o calor se torna excessivo; sonhamos com dia ensolarado quando o frio nos açoita com ventos hibernais. Agora, olhando pela janela envidraçada, contemplo as nuvens se desfazendo em chuva e o calor amenizando o ar. Sinto nas pessoas, a satisfação incontida pela certeza que o calor escaldante passou. Para não perder a lição da natureza contemplo o momento tirando lições de vida. A chuvarada é como a amizade que desaquece a tristeza e até ameniza dor de uma perda irreparável. Assemelha-se a graça do perdão que lava a culpa e dissipa o remorso que queima a alma. Revela que as mudanças podem ser feitas e que nada neste mundo é definitivo e pode ser melhorado. Diz-se que teimar numa posição definitiva é burrice e gera conseqüências desastrosas. Se antene, pois! |
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CÃES E GATOS |
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Talvez você pense que falarei da interminável rixa entre cães e gatos. Este antagonismo existe e fazem histórias e lendas, contos e anedotas. Quero falar da diversidade. Diversidade de cães e diversidade de gatos. Não há necessidade de muito esforço e pesquisa para se concluir que o substantivo cão pode levar consigo dezenas de adjetivos e lembrar centenas de raças. Nem vou numerar aqui as raças que conheço para não despertar seu conhecimento de outras tantas raças, além do pelo, da cor, da funcionalidade de cada elemento diferencial. O que acontece com os cães acontece com os gatos em termos de variedade, mas todos são gatos como todos são cães. A natureza é pródiga na competência de moldar variedades. O que observamos nos animais e plantas, observamos nos seres humanos. Nestes, mesmos os originários de um único óvulo trazem diferenças capazes de caracterizá-los e identificá-los. Basicamente todos são pessoas humanas, mas todos têm feições próprias, individuais em escala interminável. Se for assim, e é assim, por que teimamos em compará-los à nossa individualidade, como padrão? Sim; quando julgamos as ações de outros estamos comparando às nossas, como se as nossas fossem absolutas. Isto nos leva a duas conseqüências. A primeira se caracteriza como uma injustiça. A segunda nos traz a certeza de uma perda irreparável: de nos aperfeiçoar. Como nos julgamos padrão, perfeitos, não vemos motivos de aperfeiçoamento. Isto é grave, além de ser uma atitude inconsciente que nos trava e exclui Deus como único absoluto. Idolatramos-nos e fossilizamos! Pensa nisso quando ver um cão ou um gato! |
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O LIDER A maioria das pessoas gostaria de ser o líder em qualquer empreendimento. Certamente você também! Para que você possa se ver como líder e ser admitido como tal, deve ter e cultivar em você uma virtude fundamental entre outras tantas: a capacidade de descobrir no outro as qualidades, valorizando-as e investindo em cada uma delas. Esta característica é, acima de todo, um processo educativo e forjador de empatia. A empatia aproxima, abre espaço e faz aceitar a liderança, porque a pessoa se sente reconhecida e valorizada. É sinal de inteligência garimpar as capacidades da pessoa com a qual desejamos compartilhar um projeto ou concretizar uma ação. Quando um determinado trabalho exige alguém além de você é necessário fazer parceria. A parceria é colocar-se junto sem supremacia dominante, somando qualidades e fazendo o parceiro ver sua importância, sem a qual o projeto é inexeqüível. Para tanto é necessário uma grande abertura intelectual e acurado espírito de observação somada a uma humildade solidificada na verdade. Portanto, não basta mostrar sua potencialidade, exaltar sua competência, mas se certificar das potencialidades e competência do parceiro, mostrando a ele que sua participação é fundamental para o sucesso do empreendimento. Disse que esta busca é um processo educativo. A educação é muito isso: descobrir e incentivar a pessoa a atualizar suas capacidades em vista do progresso pessoal e comunitário, dentro de uma ética social, em todos os níveis da ação humana. Jesus fez isso com seus apóstolos: os escolheu, dos diversos gênios e temperamentos, e os incentivou ao trabalho usando estas características como motoras capazes de conduzir a evangelização. E deu certo! Hoje, na vida profissional, social, religiosa se torna necessário o olhar descortinador, revelador até, das reais qualidades de cada membro na profissão, na sociedade e na Igreja. Nos cruzamentos das estradas de ferro com as de rodagem lê-se: “Para, Olhar, Escutar!” No seu cruzamento com o irmão desejoso de trabalhar consigo, também é necessário parar, olhar e escutar para descobrir e valorizar suas capacidades reais. |
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O FANÁTICO Todo fanatismo é prejudicial. Revela incapacidade da visão global. Vê parte da verdade. Exclui valores que não fecham com sua escolha. A nenhum fanatismo quer seja religioso, desportivo ou político dá-se a nota: bom. O fanatismo religioso gerou guerras e extermínios; o fanatismo desportivo causou brigas e mortes; o fanatismo político elegeu incompetentes, trapaceiros e aproveitadores. O fanático se assemelha a alguém que usa óculos com lentes vermelhas e é capaz de jurar que tudo no mundo é vermelho ou tem muito desta cor. Todas as cores são secundárias ao “seu” vermelho. O fanático religioso é fundamentalista pelo fato de só ver parte da verdade. O fundamentalista é intolerante porque se julga dono da verdade. Não tem visão global do conteúdo religioso e se apega às particularidades; torna-se míope diante da verdade revelada. Só vê o que quer ver. Assemelha-se ao naufrago que continua agarrado à sua tábua quando pode subir ao convés do navio que veio em sua salvação. O fanático desportivo é aquele que mais “seca” o adversário do que torce pelo seu time. O fanático político é aquele capaz de votar no demônio se este for candidato do seu partido, sem se importar com o inferno que o diabo abrirá para todos. Além destes três fanatismos existem outros. Meu objetivo não envolve a descrição das muitas formas de fanatismos, mas lembra os seus perigos. Você deve ter sua religião, seu time, seu partido político. É direito seu e escolha sua. Deve, porém, admitir que outros tenham escolha diferente sem excluí-los dos seus afetos como se fossem inimigos inadmissíveis. Ser tolerante com quem é diferente; ser tolerante como Deus é tolerante quando faz chover sobre maus e bons e dá a cada o tempo necessário para construir sua própria felicidade. |
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63. A SIRENE
Pela modulação distinguimos diversos tipos de sirenes e as identificamos como sendo do Corpo de Bombeiros, da Polícia, da Ambulância. O diferencial da melodia é para identificação do serviço e o toque é para alertar, pedir passagem, garantir atendimento rápido e eficaz. Existem, no nosso mundo interior, diversas “sirenes”: a do medo, da fome, da sede, mas a maior é a sirene da consciência. Certamente essa é que mais permanece ativa. É alarme eficiente que aponta para o que se deve ou não concretizar. Para quem recebeu uma formação qualificada, a consciência dificilmente erra. Há quem diga que a voz da consciência é a voz de Deus. Ela tem capacidade de fazer a leitura das leis naturais implantadas, pelo Criador, na alma e compará-las com os atos propostos pela vontade, se sadios ou nocivos. Dirige a escolha certa. Uma consciência bem formada garante ao ser humano uma vida ilibada, feliz e pacífica. Esta voz interior pode ser enriquecida pela busca da verdade, nas leis divinas reveladas, fazendo acontecer uma perfeita ética relacional. Mas, esta voz interior, também, pode se deteriorar pela negação continuada de suas orientações. Cria uma espécie de calosidade que lhe destrói a sensibilidade tornando-a embotada. A consciência adoece quando é sistematicamente agredida pela negação e vitalizada pela prática continuada do bem. Enferma, deixa a pessoa sem referencial comportamental e saudável, confere segurança capaz de alicerçar a existência humana. Sua sirene interior se desgastou ou está plenamente ativa?
64. A CULPA DA SERPENTE
A análise do comportamento humano, diante da sedução ao erro, nos alerta para evitar atitudes de irresponsabilidade transferindo a própria culpabilidade para outrem. Lembro, aqui, a clássica cena bíblica da sedução da serpente envolvendo Eva no descumprimento de um mandamento divino. Tudo bem; ela não resistiu aos argumentos da serpente e comeu o fruto proibido; como se não bastasse convenceu a Adão para fazer o mesmo; mas, poderia ter assumido sua culpa pessoal e se penitenciado diante de Deus. Não assumiu. Transferiu o erro culpando e responsabilizando a serpente pela desobediência. Adão que fora incitado por Eva, também a culpou do seu pecado. Foi um verdadeiro jogo de empurra, fruto do orgulho que excluiu a humildade de reconhecer a própria fraqueza, reconhecimento esse que, tenho certeza, teria tocado o coração de Deus movendo-o ao perdão. Quem não assume a realidade da sua fraqueza, dificilmente é capaz de se aceitar; não se aceitando, fica incapacitado de se perdoar e muito menos de buscar em Deus o perdão. O pior se concretiza na omissão do perdão ao próximo. A experiência do próprio perdão se vértebra na experiência da misericórdia de Deus que perdoa sempre quando nos penitenciamos. Esta experiência tem conseqüência. Jesus nos exorta a perdoarmos as pessoas que nos ofenderam. É um ato ativo que nos liberta da energia negativa que atua em nós, quando erramos. Nos liberta na certeza da palavra de Jesus quando, na oração do Pai nosso, nos ditou: “perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Aceitar-se, perdoar-se e perdoar o outro é um caminho de libertação que traz consigo a sanidade espiritual e física.
65. A VOLTA POR CIMA
Você lembra a Canção de Paulo Vanzolini? “Chorei, não procurei esconder / Todos viram, fingiram / Pena de mim, não precisava / Ali onde eu chorei / Qualquer um chorava / Dar a volta por cima que eu dei / Quero ver quem dava / Um homem de moral não fica no chão / Nem quer que mulher / Venha lhe dar a mão / Reconhece a queda e não desanima / Levanta, sacode a poeira / E dá a volta por cima.” Quem não sofreu fracasso na vida? O fracasso não tem sentido em si. Mas podemos dar-lhe sentido. Muito do que fazemos não dá certo logo de saída. As tentativas novas nos ajudam a chegar ao êxito. Em todos os setores da vida afetiva, profissional, educacional e religiosa podem ocorrer falhas e fracassos. Somos humanos e falíveis. Como a canção sugere, levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima. Lembro da formiga carregando uma enorme folha, enorme em relação ao seu tamanho, que por diversas tentativas procurou subir numa parede: depois de diversas quedas e diversas tentativas aprendeu uma forma de escalar a muralha. Penso na construção da vida. Muitas vezes precisa até ruir para que seja mais bem construída. Na Bíblia consta que Deus reconstruiu Jerusalém dos seus escombros e que Deus é capaz de fazer brotar um rebento novo do cepo cortado. O primeiro passo da reconstrução é aceitar as limitações de nossas capacidades, que podemos falhar que podemos cair, mas também temos capacidade de reiniciar, como a formiga com sua grande folha. A certeza das limitações e das qualificações gera em nós a humildade capaz de rir das próprias quedas e ser uma mão estendida para nos levantar. “Levanta, sacode a poeira / E dá a volta por cima.”
66. AS LIÇÕES DOS PASTORES
Os Pastores, quando Jesus nasceu, habitavam nos campos das pastagens, cuidando e convivendo com seus rebanhos. Gente simples, pobre, voltada para a Esperança do Salvador libertador prometido. Algumas lições nos deixaram os pastores, para mover nossas vontades no seguimento de Jesus de Nazaré: 1- Cultivavam a virtude da Esperança porque conheciam as profecias a respeito do Salvador. Deus viu neles esta esperança e enviou-lhes o Anjo para dar-lhes a notícia alvissareira. 2- Logo que foram convidados ao encontro do menino Salvador se puseram a caminho: “Vamos até Belém ver este acontecimento que o Senhor nos revelou.” Foram às pressas e encontraram Maria, José e o menino deitado na manjedoura. 3- Não foram de mãos vazias. Quando se está diante de um mistério, como o nascimento é mistério, sente-se vontade de presentear; eles levaram do que tinham de sua pobreza para socorrer as necessidades básicas do casal de peregrinos. 4- Voltaram glorificando e louvando a Deus. Estes são atos de reconhecimento de quem foi privilegiado e eles eram os primeiros a reverenciar o menino Deus. Também pelo louvor público se evangeliza. E todos ficaram encantados com que os pastores contavam. 5- Anunciar é consequencia da graça que o encontro prodigalizou: Receberam a notícia, foram, viram, confirmaram a mensagem do anjo, entenderam e anunciaram a Boa Nova: Evangelho.
Então as lições dos Pastores nos encaminham para a Busca, na Bíblia Sagrada, encontro (experiência de Deus) e consequente proclamação (Evangelização). Como seguidores somos seus discípulos, como anunciadores da Boa Nova, somos missionários.
67. BOI DE PIRANHA
Quando a tropa de gado deve atravessar nadando as águas infestadas de piranhas, para que os animais não sejam molestados, os vaqueiros escolhem e sacrificam um animal, jogando-o às vorazes carnívoras. Todo cardume mordaz acorre à vítima, atraído pelo sangue e pela carne deixando o rio livre para travessia do gado. O sacrifício de um é a liberdade do todo. Este boi sacrificado, para que os outros não sejam molestados é chamado: “Boi de Piranha”. Estive pensando neste boi que teve que morrer para salvar os demais dos dentes afiados destes peixes predadores. E, que “mal compare” como diz aqui pelo sul o povo gaúcho, tenho pensado em Cristo que se deixou sacrificar para que não fôssemos sacrificados, fôssemos poupados da morte eterna que nos rondava, na travessia da vida terrena para a vida eterna. A história da humanidade está cheia de exemplos capazes de nos comover; de mães que morrem para salvar o filho, de soldados que perdem a vida para defender a pátria, dos próprios animais que são sacrificados diariamente para que os humanos não morram de fome... O inverso desta história acontece com aquele que, porque acumula, faz que outros sejam miseráveis; com aquele que explora os trabalhadores, se enriquece e faz que outros sejam escravos; com aquele que se julga superior e despreza os outros como párias sociais... Se de um lado temos a nobreza salvadora, do outro lado temos a malvadeza demoníaca. Se de um lado temos a amizade verdadeira, porque o verdadeiro amigo é aquele que dá a vida pelos seus amigos, do outro lado temos a desqualificação humana porque quem não primazia a vida não é digno de viver. Lembro aqui o ditador que, para se garantir na ditadura, extermina quem se lhe opõe; quem tenta eliminar os adversários, os concorrentes, os que lhes fazem qualquer tipo de sombra política, religiosa, social. Tudo isso me faz pensar o “Boi de Piranha”!
68. CADEIRA DE RODAS
Dever-se-ia dar o Prêmio Nobel a quem inventou a “Cadeira de Rodas” e outro a quem foi capaz de motorizá-la. Sem elas a vida dos paraplégicos seria uma tortura maior que a decepção de não poder se locomover por suas próprias mãos, já que suas pernas se negaram a conduzi-los. As cadeiras manuais, manuais no sentido exato da palavra, são mais leves e oportunizam a locomoção pelo esforço braçal do cadeirante e ainda dão chance para outras pessoas auxiliar na locomoção, por um ato de carinho, aliviando, assim, os músculos de seus braços. As cadeiras motorizadas conferem maior liberdade ao usuário, abrindo-lhe maior área de ação, independizando-o mais. São caras e poucos podem adquiri-las. Eu tenho um irmão que aos cinqüenta anos perdeu o comando das pernas e se serviu de uma Cadeira de Rodas para se locomover. Houve um tempo de aprendizado e outro tempo maior para, de alguma forma, aceitar a limitação. Hoje ele é piloto de uma cadeira motorizada que lhe dá chance de sair pelas ruas e praças de nossa cidade natal. É o nosso irmão que recebe maior atenção dos outros nove. Nas minhas férias lhe dedico algumas semanas para estar junto dele e o levo para visitar parentes, ir às pescarias e aos lugares que deseja ver ou rever. Sinto-me bem, fazendo isso, e ele também. Nas taipas dos açudes ajudo a sair do carro para a Cadeira de Rodas independizando-o para dar seus lances de linha ou manobrar o caniço de pesca. Muitas vezes me surpreendo me interrogando: Porque ele e não eu? Qual o privilégio por andar com minhas próprias pernas? Como seria a vida dele sem a Cadeira de Rodas? Porque não amenizar as limitações de quem as tem? O mesmo pergunto a você, e qual seria sua resposta?
69. CALOR
Andava eu pelos caminhos ressequidos onde a poeira levantava ao toque do solado dos pés. O sol dardejava raios, tão quentes, que faziam a pele arder. Ao longe, olhando a terra, parecida dela subir uma onda incolor tremeluzente tornando visual a diferença de potencial entre a terra e o ar circundante. As pessoas lastimavam a seca e o calor e os fazia sonhar com um inverno chuvoso quando o verde das campinas retornaria para alegrar seus olhos. O planeta parecia estar com febre alta causada por uma doença infecciosa, originada da destruição das matas, da poluição da atmosfera e da destruição da cobertura protetora do ozônio. Eu vi os pássaros, de bicos abertos, resfolegando, empoleirados nas hastes secas dos arbustos. Eu vi as galinhas, no terreiro, de asas caídas, procurando abrigo à sombra que lhes amenizasse o calor; elas abriam as penas para aumentar a circulação de qualquer aragem que lhes auxiliasse a refrigeração dos corpos. Eu vi o gado se pondo dentro das águas rasas do açude em busca das gramíneas aquáticas para se alimentar e ao mesmo tempo, nas águas, para se refrescar. Esta não é uma descrição apocalíptica, mas a visão real que se concretiza em todos os verões com um aquecimento crescente a cada ano. É o tal “Aquecimento Global” predito pelos cientistas. Na busca dos culpados encontramos dezenas de classes humanas como industriais, extrativistas, cidadãos urbanos com seus carros, lenhadores com suas motosserras, poluidores com suas inconsciências... Pergunto para o Senhor do universo, que ao fazê-lo disse que “Era tudo muito bom”, o que Ele acha de tudo isso. Certamente dirá que confiou ao homem a administração do planeta e pedirá contas da administração. Num dos mandamentos dado a Moisés escreveu: Não matarás. Não matar é respeitar e qualificar a vida. Matar é desfigurar o planeta, semear a destruição das árvores, poluírem as águas, minimizar a qualidade de vida dos humanos. Este é um pecado moderno contra o quinto mandamento do decálogo; é pecado gravíssimo. É bom se antenar!
70. CURA INTERIOR
A nossa sanidade interior requer algumas vezes, porque enferma, de cura: cura interior. Esta terapia espiritual pode obedecer a um processo chamado de: “Olhar sobre si mesmo, sobre o outro, sobre o mundo e sobre Deus” em busca de uma libertação. Um olhar sobre si se aceitando na complexidade, no gênio, nas influências marcadas na formação, nos atos frustrados do passado; se perdoando pelos atos falhos transformando a acidez dos erros, pela base do amor, em sal de paladar gostoso; se valorizando pela descoberta autêntica dos carismas e dons recebidos de Deus, sem negar suas próprias competências. A sua libertação interior requer, também, um olhar sobre o outro, porque também ele é complexo, merece o perdão, deve ser valorizado nas suas capacidades. Sendo desconhecido de mim mesmo, muito menos consigo avaliar com justiça qualquer pessoa humana, com a exatidão necessária para não depreciar sua personalidade. Mas a sanidade interior requer que diante do mundo meu olhar se concretize em ação de fazer minha parte para sua libertação eficaz no respeito à qualidade da terra, da água, do ar. Devo cada dia, perguntar-me em que posso ajudar para ter um planeta ecologicamente equilibrado e sadio. Devo, pois olhar para meu Deus. Ele é amor puro. O amor transforma qualquer limão em limonada, qualquer tristeza em alegria, transforma tempo de guerra em tempo de paz, atos de morte em atos de vida. Colocando Jesus no meu coração, ele me garante um processo final de cura, porque onde está Deus não coexiste o mal da enfermidade interior: ele me liberta do mal e do pecado.
71. ENTRE ERROS E ACERTOS
Entre acertos, erros e ajustes fazem-se o progresso e o aperfeiçoamento da vida. Os erros são olvidados na medida em que servem para o ajuste do processo. Os acertos, então, são contabilizados e o processo se reinicia. Não se condena uma criança pelas tentativas frustradas no aprendizado do caminhar, pela quedas ocorridas, mas se parabeniza pelo percurso realizado. Tão logo se chega a um objetivo proposto, as agruras e empecilhos do caminho são esquecidos. Então me pergunto: Porque se angustiar e se fixar nos atos falhos quando eles nada mais são que elementos de um processo construtivo? Então, na avaliação da sua vida e na avaliação da vida dos outros, se deve passar à margem dos atos falhos, porque eles mostram por onde não é oportuno transitar. Se não for desta forma perdemos um longo tempo lastimando, tempo de poderia atualizar os objetivos propostos. Já que na ordem natural as coisas assim ocorrem, nas espirituais se assemelham. As quedas não devem ser somadas e sim as vezes que se levanta e, ao levantar se olvida os tombos processuais. Uma das muitas causas da depressão é se fixar nas ocorrências negativas que geram o estado de culpa. A causa da fixação é o vício de apontar mais para os erros que para os acertos do processo. Ser agente da educação é muito isso: assessorar a construção da personalidade, mostrando ao educando, o bem que pode concretizar através de suas qualidades e a aceitação, sem angústia, dos seus limites.
72. GRITO DE SOCORRO
Era meu dia de campo, ou melhor, meu dia de estar descansando à beira do Rio Jacuí no meio da mata ciliar. Meu relax consistia em estar sentado numa cadeira de praia com um livro de leitura sendo devorado avidamente. Os livros me levam para mundos distantes e me distanciam das lidas diárias, dos problemas rotineiros e me fazem viajar por lugares nunca antes imaginados. Na ocasião eu lia de Douglas Preston, o romance investigatório “O Vale do Tiranossauro”. Estava discorrendo os olhos sobre o epílogo daquela obra de ficção, meio policial, meio científica quando fui arrancado do imaginário para a vida real. Um autêntico grito de socorro me sacudiu. Um pássaro da família dos pica-paus, de crista vermelha, penas rajadas de amarelo e preto, começou e emitir um grito estridente semelhante ao miado de um gato, assim como fazem a corruíras quando uma cobra se aproxima de seu ninho. Fechei meu livro e fui adentrando a mata em busca do local onde se achava quem pedia socorro. E era uma cobra enorme se aproximando do ninho, no oco de uma árvore, onde estavam os filhotes do pica-pau. Eu sabia que a serpente seguia o curso da sua natureza em busca de alimento. Sabia que o pássaro defendia sua prole. Entre a fome da cobra e o instinto de conservação do indivíduo e o instinto de conservação da espécie, do pica-pau, me dispus defender os filhotes atingindo a víbora que despencou do alto se estatelando, em agonia, no solo coberto de folhas secas. É incrível a capacidade dos animais na defesa dos seus filhotes. Naquele dia meditei no amor das mães, dos pais, dos irmãos e me convenci que o próprio Deus, de jeito semelhante, cuida de nós como seus filhinhos indefesos contra a serpente do mal. |
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73. HISTÓRIA DE UM PINTO FUJÃO
Aconteceu no meu galinheiro. Primeiro, o encanto da contemplação da natureza capaz de transformar uma simples galinha, numa galinha choca. Ela muda sua vocalização e os seus hormônios a impelem para um ninho sobre os ovos para incubá-los. Depois e quatros luas, como diziam os índios, os pintinhos rompem as cascas e se inserem no mundo, defendidos e alimentados pela choca que adquire uma nova linguagem vocal capaz de chamá-los. Esgravata o solo, a grama e quando encontra um inseto, uma minhoca, uma sementinha emite um novo tipo de chamada. Para quem mora no interior isto é tão comum que pode passar despercebido e para quem mora na cidade nem imagina como são maravilhosas estas cenas. Não sei por que, muitos poderiam ser os motivos: Da ninhada de ovos, apenas quatros vingaram. Desconfiei da competência do galo, mas outros fatores poderiam ter ocorrido como o frio exagerado do inverno, a falta de forração no ninho e outros. Enfim, lá estava ela, feliz da vida com quatro pintinhos: três amarelinhos e um carijó. Quando novinhos não saiam de perto da mãe. Na medida em que cresciam se arriscavam numa pequena aventura, sempre dentro do cercado de tela. As asinhas foram adquirindo penas e já davam alguns saltinhos ensaiando vôo. A encerra de tela estava construída sobre uma pequena amurada de tábua para que não pudessem sair. No pátio, dois cachorros mantinham a segurança externa; cachorros novos e brincalhões. Como quase a maioria dos adolescentes, os pintinhos também eram teimosos. Esta teimosia gerava insegurança e perigo. Tudo aconteceu muito rápido: Um dos pintinhos amarelos treinou um salto até um buraco da tela e foi aventurar-se no mundo exterior. O cãozinho menor saltou em cima dele para se divertir brincando. A fragilidade física do pintinho e o peso e a falta de jeito do cão liquidaram a criaturinha. O galo fez uma gritaria, assim como a galinha choca. Tudo em vão. Acorri, mas quando cheguei até a vítima, mal abria e fechava o bico, agonizando. Agora da ninhada só restaram três. Estive pensando nesta morte pela fuga do ambiente seguro do galinheiro. E, como diz o gaúcho, “que mal compare”, se assemelha o crente quando sai da segurança da sua Igreja: pode se der mal e até perder-se.
74. MALA DE GARUPA
Conta uma lenda que Deus, ao criar o homem, colocou sobre ele uma mala de garupa, destas malas feitas de duas sacolas e é colocada sobre os arreios. No homem, uma bolsa ficou na frente e outra atrás. Na bolsa da frente Deus colocou as qualidades e as virtudes e atrás, as limitações e os defeitos. As qualidades ficavam à frente para que fossem visualizadas quando se relacionassem e os defeitos ficariam atrás e escondidos. Este era o plano de Deus. Os homens inverteram o plano: ao invés de se relacionarem frente a frente, se postaram um atrás do outro, andando em fila indiana. O resultado não podia ser outro: só enxergaram a sacola dos defeitos alheios e a sacola das suas próprias virtudes... Eu gosto de quem me olha nos olhos quando dialoga comigo e detesto quem me olha por trás. Eu gosto do “olho no olho” e detesto quem fala pelas costas! A tentação é andar um atrás do outro. Talvez com isso, apontando para a sacola negativa do outro desviamos, o olhar de todos, de nossa própria e recheada sacola negativa. A mala de garupa é equilibrada para que não nos derrube para trás, nem para frente. Então, porque teimamos em só apontar para a das limitações? Devemos estar antenados: Nós assimilamos o que lidamos. Quem lida com flores se perfuma quem lida com lixo se suja. Quem lida com virtudes se torna virtuoso e quem lida com defeitos fica defeituoso. Você quer ser virtuoso? Lida com virtudes e esqueça ou passe à margem dos defeitos dos outros e dos seus!
75. O BODE EXPIATÓRIO
O “Bode Expiatório” era um animal apartado do rebanho e enxotado para o deserto como parte das cerimônias hebraicas do Dia da Expiação, com ritual descrito na Bíblia em Levítico, capítulo 16, 7-10. Em sentido figurado, um "bode expiatório" é alguém que é escolhido arbitrariamente para levar a culpa de uma calamidade ou qualquer evento negativo. A busca do bode expiatório é um ato irracional de indicar uma pessoa ou grupo de pessoas, ou mesmo algo, como responsável de um ou mais problemas. A história mostra que a busca do bode expiatório foi um instrumento de propaganda. Um clássico exemplo foram os judeus durante o período nazista, apontados como culpados pelo colapso político e econômico da Alemanha. Os grupos usados como bode expiatórios foram (e são) muitos ao longo da História, variando de acordo com o local e com o tempo: Os negros, os imigrantes, os comunistas, os capitalistas, os "nordestinos no Brasil", as "bruxas", as mulheres, os pobres, os judeus, os leprosos, os homossexuais, os deficientes, os ciganos etc. Na teologia cristã, a história do bode expiatório no Levítico é interpretada como uma prefiguração simbólica do auto-sacrifício de Jesus, que chama a si os pecados da Humanidade, tendo sido expulso da cidade sob ordem dos sacerdotes. É o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. No nosso dia a dia estamos à cata de bodes expiatórios, tentando tirar de nossos ombras os fardos dos fracassos, dos atos falhos e até dos nossos pecados. Muitas vezes nos eximimos de nossas responsabilidades culpando outros por nossa incompetência. Nada disso é justo. Justo é assumirmos nossas fraquezas, nos responsabilizarmos por nossos erros e aceitarmos nossas falhas, nos perdoando e retificando nossos erros.
76. O CARRETEIRO
O bom carreteiro conhece seus bois e a carreta. Sabe o nome deles e identifica cada parte dela. Cada boi tem seu gênio próprio e capacidades próprias. Uns são aptos na “ponta” e outros são eficientes no “coice”. Além do mais, as juntas de boi estão cangadas e, portanto, devem puxar pareias; por isso o carreteiro deve conhecer também suas forças. O bom carreteiro é amigo dos seus animais e zeloso pela carreta. Aos bois, que os chama pelo nome, pede esforço e oportuniza descanso recondicionador das forças, escolhe pastagem boa e boas aguadas. Na carreta, revisa os eixos mantendo-os lubrificados e jamais negligencia o cuidado de qualquer parte que a compõe: a canga bem polida onde toca o pescoço do animal, os ajojos bem ensebados, as broxas amaciadas e todo conjunto harmonizado. Para ser carreteiro, na plena acepção da palavra, as qualidades deverão ser maiores que as de um motorista de caminhão porque lidam com seres vivos que têm “sentimentos”! Dever-se-ia exigir carteira especial de condutor carreteiro para que fosse competente a lida com a carreta e com os animais. O que digo do carreteiro, digo do carroceiro até porque os cavalos são mais sensíveis que os bois e merecem maior atenção e carinho. Ser carreteiro ou carroceiro não é ser feitor de escravos, mas parceiro de uma mesma atividade. Me revolta ver os animais trabalhando no limite de suas forças, suando e apanhando chicotadas, acompanhadas de berros que magoam a sensibilidade dos que vêm e ouvem e dos animais que sofrem os maus tratos... Penso que o Senhor da vida que fez uns e outros também se revolta pela depreciação da sua obra e ainda mais quando os maus tratos atingem também seus filhos humanos. Ele exigirá contas severas, tenho certeza!
77. O IMPÉRIO DA DESGRAÇA
É preciso ser cego, mudo ou surdo para não ver e ouvir que a violência aumenta. As notícias sobre violência terrorista, violência criminosa é um prato cheio para as mídias de divulgação. Podemos constatar que o crime organizado abrange sempre maiores círculos sociais influenciando a vida pública. O mal está instalado no planeta. Os grupos de violência estão ditando as regras da convivência, não só nas favelas, mas na cidade toda. Este é o lado negro da visão hodierna da população humana. Mas há também o outro. É o império do amor, da solidariedade, da partilha. A força do bem e a força do amor vicejam na sociedade com atos heróicos. Quando os cristãos mostrarem publicamente seu amor, sem fechar ingenuamente os olhos para a realidade circundante, haverá sempre a vitória do amor. Por que este lado bom da humanidade não tem divulgação? Por que se mostra a solidariedade como nas catástrofes, mostrando primeiro os mortos, as casas desabadas, os funerais, a dor e o desespero? Será que o realce e a primazia do mal dão maior ibope, em detrimento da amostragem da caridade fraterna de multidões de voluntários dando de seu tempo, suas posses para aliviar a dor alheia, quando bem podiam se enclausurar nos seus casulos protegidos? O fascínio do mal tem várias razões. O mal dá poder. O mal fascina através do prazer de prejudicar. O mal está enraizado no desejo de vingança. Eu culpo a mídia: Atos terroristas são mostrados na Televisão. Descrevem assassinatos, tiranias e injustiças. Acabam banalizando o mal de forma que ficam embotados os sentidos e sentimentos. De repente se acha tudo muito natural. Os filmes são feitos de explosões onde corpos humanos são despedaçados voando aos cacos pelos ares. Perderam-se o romantismo, a mística, as convivências harmoniosas; isto não causa mais emoção; querem ver sangue! É o império da desgraça. Mas Você é convocado para mostrar o lado do amor, que Jesus veio ensinar.
78. O PAPAGAIO
Nesta minha vida de andanças, por muitos anos, muitas querências, muitas culturas, tenho ouvido centenas de papagaios domesticados e analiso o comportamento destas aves magníficas de capacidades extraordinárias. O Papagaio domesticado, porque convive com os homens, aprende dizer palavrões, recitar textos escusos e ser malcriado. Poucos aprendem algo útil. Já ouvi cantor do hino nacional, de outros cantos e até de orações, mas a maioria só diz bobagem. Ele é um espelho que revela a imagem oculta dos seus domesticadores. Aprendem deles o que talvez, eles mesmos receiam dizer, mas não tem a vergonha de ensinar ao animalzinho. O Papagaio é um gravador biológico com capacidade limitada de conteúdos a serem retidos. É, pois, limitado nos seus pequenos arquivos, muitas vezes esbanjados em programação inútil. Como não dispõe de senso crítico, simplesmente repede o que ouve. Muitas anedotas foram redigidas comprometendo a “dignidade moral” dos emplumados; o que os humanos têm vergonha de dizer publicamente, colocam no bico do psitacídeo, para que digam por eles. O Papagaio, porque assimila os ensinamentos humanos, difere dos canários, pintassilgos e cardeais; estes não aceitam insinuações dos domesticadores e só fazem o que Deus lhes ensinou: Cantam e encantam. Hoje eu saio em defesa da “integridade moral” dos papagaios, caturritas e periquitos, como também saio em defesa das crianças cujo discernimento não amadureceu para ver a maldade dos adultos irresponsáveis, nas coisas que lhes ensinam. Elas também revelam a verdadeira face dos adultos com os quais convivem.
79. OS FAMOSOS
Por pura curiosidade folhei a revista “Caras”! Nela desfilavam os artistas, por ela chamados de famosos: Cristiane Oliveira, Glória Maria, Stênio Garcia, Lázaro Ramos, Mara Maravilha, Ana Maria Braga, Luana Piavani, Toni Ramos... Todos eram televisivos. A maioria mostrava os dentes para revelar sorriso de felicidade. Na maioria a felicidade terminava na amostragem dos dentes. Os famosos... Quem é famoso, qual o perfil da pessoa famosa, qual é sua tipologia? Existem famosos alicerçados no poder, outros na riqueza, ainda outros por serviços prestados à humanidade na saúde, na economia, na evangelização ou simplesmente porque aparecem na mídia. Uns têm cerne, outros são cascas. Os que servem à humanidade são perenes e os freqüentadores dos balcões da mídia são como a relva quando escasseia a chuva: murcham, secam, morrem. Existem famosos diante dos homens e famosos diante de Deus. Uns para este mundo finito e outros para o infinito da eternidade. Buscar a notoriedade para ser incensado pelos homens é utopia, mas buscar o seguimento de Jesus, pode não trazer notoriedade, mas traz salvação. Jesus falou: “Quem não carrega sua cruz e segue atrás de mim, não é digno de mim!” Pois carregar cruz não dá ibope, mas dá certeza de estar no caminho certo que é Jesus, no rumo que só Ele sabe pela verdade que é e pela vida que é capaz de comunicar. Neste mundo cultuador de vaidades passageiras é mistér descobrir as realidades perenes expressas na oito bem-aventuranças ditadas por Jesus no Evangelho de Mateus, Capítulo 5.
80. OS PRESENTES DOS REIS MAGOS
Conta a Bíblia que os Reis Magos foram até Belém, guiados pela estrela, e encontraram o menino e sua mãe; prostrados o adoraram, abriram seus cofres e ofereceram seus tesouros: Ouro, Incenso e Mirra. O ouro, conhecido desde a Antiguidade, é utilizado de forma generalizada em joalharia, indústria e eletrônica, bem como reserva de valor e simboliza a riqueza. O incenso é uma substância resinosa aromática, empregada desde a antiguidade, queimado como perfume para aromatizar ambientes, afastar insetos e em rituais religiosos. Incensar é um ato liturgico de adoração. A Mirra é um árvore espinhosa, de folhas caducas, que pode atingir 5 metros de altura, com flores vermelho-amareladas, e frutos pontiagudos. É também o nome dado à resina colhida de fissuras abertas na casca da árvore. Era empregada na conservação dos corpos, na técnica de mumificação. Nos tempos antigos existia uma equivalência de valores entre os três tesouros. O culto prestado pelos Reis Magos transcendia pelo significado das oferendas. Pelo ouro, reconheciam que o Deus Menino era Senhor de toda riqueza, que toda riqueza emanava dele, portanto dele por direito, e todos que detém riqueza a ele devem prestar contas como administradores. Pelo incenso, o reconheciam como Senhor de todo poder, porque o poder dele emana e a ele todos que detém o poder lhe devem prestar contas. Pela oferenda da mirra reconheciam o Menino como Senhor da vida a quem todo vivente, como administrador deve prestar contas. Então, os Reis Magos nos deixaram mais estas lições para direcionar nosso comportamento diante de Jesus e nos resta acolhê-las e vivê-las.
81. PIRATARIA
Pirataria existe há séculos, e foi evoluindo através dos tempos. Antes se caracterizava pelos saques a navios e comercialização de produtos roubados e depois foi com a propriedade intelectual. Independente do sentido que se dê à palavra pirata, ela sempre se traduzirá em posse e comercialização de mercadorias ilegais. A pirataria moderna se refere à cópia, venda ou distribuição de material sem o pagamento dos direitos autorais, de marca e ainda de propriedade intelectual e industrial - portanto, ela se concretiza pela falsificação, pelo uso indevido de marca ou imagem, com infração deliberada à legislação que protege a propriedade artística, intelectual, comercial e industrial. Além de frustrar o consumidor nos quesitos qualidade, durabilidade e eficiência, a pirataria de certos produtos, como remédios, óculos de sol e bebidas podem representar sérios danos à saúde. Além do mais, centenas de milhares de empregos deixam de ser criados. É também pirataria a apropriação indébita de títulos. Para que eu recebesse o título de professor fiz curso superior de filosofia e pedagogia com pós-graduação e vejo pessoas sem formação ao magistério dando passes, adivinhando futuro, fazendo benzeduras e se chamando professora tal e tal... Vejo, a cada dia, outros se autonomeando Pastores, assim por conta própria, sem a seriedade de uma formação específica e vigiada por mestres competentes, especialistas em Bíblia, conhecedores do hebraico, aramaico, grego e latim, como fazem nossos pastores luteranos, por sete anos de faculdade e especializações. Se na medicina, alguém se apropriar indebitamente do título de médico, temos certeza que a saúde e a vida correm riscos gravíssimos e há necessidade de denúncia. Por que na saúde espiritual se permite pirataria? Fica aí uma pergunta para Você refletir.
82. QUERO-QUERO
Eu tinha seis anos, na idade que se descobre que tem medo e se assusta com qualquer perigo. De manhã, após minha mãe ordenhar a vaca, premiou para mim tange-la até o potreiro distante um km da residência da família. Lá chegado tirei um tempo para catar araçá do campo, uma das muitas guloseimas agrestes existentes naquelas paragens. Existiam, me lembro até hoje, vários casais de quero-quero residentes naquela pastagem. Eles estavam de choco ou com filhotes e quando estão protegendo sua espécie são capazes de agredir quem se aproximar de seu território. O quero-quero tem dois ferrões um em cada asa, cor vermelha, capazes de assustar até um adulto e muito mais um menino de seis anos. Vale dizer que não consegui colher araçá porque disparei para casa com aqueles “Aviões caças” mergulhando em cima de mim fazendo um vozeirão infernal. Hoje admiro a valentia daquele pássaro capaz de enfrentar o homem para defender seus filhotes. Lembro, também, da corruíra, pássaro minúsculo, enfrentando uma cobra verde disposta a devorar seus ovinhos. Lembro as galinhas enfrentando até os cachorros para defender seus pintinhos. Lembro dezenas de exemplos de seres, tidos como irracionais, que defendiam sua prole com mais vigor que muitos racionais. Será necessário e oportuno ao ser humano voltar à contemplação da natureza para melhor se humanizar. Então, talvez, se dedique melhor à proteção de seus filhos contra os gaviões do vício, da droga e da violência. A valentia dos animais me comove e a displicência dos |
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83. FENÔMENO ECOLÓGICO |
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Eu confio nas crianças. Na esperança que elas sugerem e no modo como estão assumindo uma postura que nós adultos não aprendemos a cultivar. Refiro-me à ecologia no sentido mais pleno que ela revela. Estive observando os pássaros. As pombas juritis e rolinhas, na frente da casa, caminham gingando na minha frente; desvio-me para não atropelá-las. Elas não temem a presença humana. Isto é, não temem mais, porque na minha infância, qualquer guri que aparecesse no pedaço provocaria uma revoada, em fuga, de toda forma alada de animais. Estamos respeitando a vida, dando sumiço aos bodoques, fundas, flechas, armas e estendendo a mão com alimento. O que observamos positivamente com relação aos animais, não é apenas fruto das leis rigorosas e inteligentes que os protegem, mas da evolução da própria raça humana: estamos saindo da fase venatória. Nossas crianças estão sendo educadas para proteção da vida no planeta, quer das plantas, dos animais como da própria vida. No meu quintal, se alimentam com as galinhas, centenas de pombas, pardais e outras aves. Não fogem nem da gente nem dos cães, apenas fogem dos gatos porque estes ainda mantêm seu instinto venatório. Quando este aprendizado comportamental que protege a vida vegetal e animal for radical, quando as leis derem primazia maior à vida humana, quando o crime que desqualifica a vida humana estiver mais evidente que as outras formas de vida, então e esperança de um mundo melhor será concretizada. No farisaísmo atual se corre maior risco de reclusão por atentado às formas de vida não humanas. Então se aprova o aborto, a eutanásia e outras formas de morte pelo acúmulo de riqueza e pela ausência de partilha. Hoje são protegidas as florestas, os animais, mas se forjam guerras para exterminar os humanos. Dói ter que dizer isso. Convido você para uma ecologia total e não parcial, apenas. O mandamento de Deus de “não matar” não foi abolido. Quem primazia a vida se assemelha a Deus e com Ele haverá de viver pela eternidade. |
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84. A LAGARTA E A BORBOLETA
A sabedoria humana mais que do estudo é resultante da experiência e da observação da natureza. Estive observando a vida de uma lagarta, sua metamorfose e sua vida de borboleta. A lagarta só tem olhos para as folhas enquanto a borboleta só tem olhos para as flores. A vegetação é o alimento primitivo e o definitivo é a floração. Rasteja para se fartar de folhas, voa para se suprir de néctar. Nem poderia, quando primitiva, sugar o líquido adocicado porque desprovida de trompa, nem devorar, depois, a celulose porque desprovida de fauces. Imagino você perguntando onde quero chegar com esta estória de lagarta e de borboleta. Toda a parábola mostra realidade paralela. Extrapola do conhecido para revelar algo mais. Eu parto de um conhecimento para entender outro mais sublime. Entendo que a vida humana também, de algum modo, se metamorfoseia. Alimenta-se diferente, cultural e espiritualmente, em cada fase da transformação. Até o homem materializado difere do homem espiritualizado nos seus valores, suas metas e seus sonhos. Uns se abastecem de ouro e outros de idéias e ainda outros de Deus. Eu creio na ressurreição. Creio que esta vida é um estado transitório, uma estrada para chegar ao destino na vida definitiva. Também nesta transição o exemplo da lagarta se faz útil. Ela procura se alimentar bem para que a transformação seja perfeita. Lagarta bem alimentada, borboleta vibrante em cores e vitalidade. Assim o ser humano que bem se alimenta de virtudes e se abastece valores perenes tem maior chance de se transformar do jeito de Jesus ressuscitado. Para que você possa no momento preciso, do casulo de sua mortalha, desdobrar suas asas para alçar o vôo da imortalidade, é necessário construir seu corpo espiritual com alimento capaz. Este alimento, dentre muitos o principal, se chama: amor! |
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85. SENTIDO DA VIDA
A sede do sucesso da personalidade humana está dentro do homem. A carreira da sua vida, que é uma trajetória a ser cumprida, tem o princípio de busca também dentro dele. Jesus falou que o “Reino de Deus está dentro de vós”. A motivação é um processo interno enquanto que o incentivo é algo externo. A motivação obedece a uma escala na realização da pessoa humana: A fundamental ou básica como a alimentação, habitação, vestimenta; a social ou relacional como a interação com a família, a igreja, a escola; a auto-estima como a aparência, a imagem; a auto-realização como cidadã, profissional, cristã. Então tem o ser humano que garimpar os arcanos da inteligência e dos afetos para encontrar o verdadeiro sentido da sua existência e, certamente, encontrará, nos arquivos da personalidade. Estes arquivos são de fácil acesso no seu ego, semi submerso no superego e profundos no seu inconsciente. O incentivo para a construção da personalidade age da periferia do ser para seu interior. O louvor, a recompensa, a meta alcançada, o conforto merecido certamente empurram o alpinista para o alto de sua criatividade, missão, eficácia, comunicação, paixão e congruência. O incentivo se assemelha a um catalisador para que a motivação cresça e se estabeleça. A motivação maior do ser humano é sua sede interior de uma vida plena, sem fim. Esta se estabelece através do exercício de valores perenes ou revelados em vista do seu fim último que é Deus. O incentivo chega pela certeza conferida pela fé e animada pela esperança que a recompensa será uma eternidade feliz, sem ocaso, na intimidade do amor total. Quem, pois deseja uma realização total da sua personalidade não precisa ir longe para encontrá-la. Está dentro de si implantada no âmago do seu ser em forma de fome de vida, de conhecimento e de relações de qualidade. Quando estabelece o foco existencial na saciedade destes anseios a existência toma sentido e o navio da vida singra em direção do porto seguro da existência. Este porto salvador se chama: Deus!
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86. SINAL DAS MÃOS
Jesus estava numa sinagoga judaica e entre os presentes se encontrava um paralítico das mãos ou como expressa o evangelho: um homem com “mão seca”. O Senhor o curou e devolveu às suas mãos a função sublime de ser a extensão da alma, capaz de sinalizar a beleza e as capacidades reais, mas ocultas, no âmago do seu ser. A cultura popular torna visível a interioridade da alma na expressão das mãos: ser “mão fechada” ou ser “mão aberta” para dizer que é egoísta, acumulador, avarento ou para mostrar que é altruísta capaz de partilhar, ajudar. Estender a mão significa socorrer. Negar a mão determina omissão. São as mãos do artista que configura a arte, a mão do músico que expressa a emoção. É a mão do cirurgião que extirpa o câncer, a mão do motorista que conduz o carro. É a mão da mãe que acarinha o filho, a mão do sacerdote que abençoa o povo. É a mão do amigo que revela amor, a mão solidária que partilha os dons. É a mão que se eleva louvando a Deus, a mão que aponta mostrando o rumo. É a mão capaz de lavar o rosto, a mesma mão que alimenta o corpo. É a mão afetuosa que consola a dor, a mão firme que sustenta o fraco. É a “Mão de Deus” para significar seu poder, a mão do padre para sacramentar perdão. A mesma mão que se estende para dar, se capacita para, estendida, receber, mas quando fechada para negar partilha se incapacita para recolher recursos. Quando menino beijava a mão da mãe para expressar respeito e a mão do padre para pedir a bênção de Deus por ela prodigalizava. Agora entendo porque era tão importante para Jesus restabelecer as mãos do paralítico; agora entendo porque Jesus se irritou com os fariseus e herodiamos que não queriam que a cura se realizasse em dia de sábado. Eleve, pois tuas mãos em ação de graças a Deus por elas poderem revelar todo teu amor em gestos.
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87. BATEU-LEVOU!
Quando Jesus falou que os antigos praticavam a lei da vingança de “olho por olho” e “dente por dente”, como se um ato mau neutralizasse outro, sabendo que a vingança jamais compensaria, disse: “Convosco não deve ser assim!” E ensinou a neutralização do mal pelo perdão. As expressões “bateu-levou”, “não levo desaforo para o rancho”, “não deixo me pisar no pala”, desfraldam a bandeira da fragilidade e jamais da força. Quando se é carinhoso com os neurastênicos, calado com os loquazes, dócil com os arrogantes, então, sim, somos fortes. Se alguém está convencido que não leva desaforo para casa, se engana porque leva para dentro de si mesmo, abrigando o desaforo e quem o causou, produzindo um peso imensurável; este peso desmorona a paz, infecciona a alma e impede o fluxo dos hormônios do prazer. Quando Jesus falou do perdão, falou de uma novidade para o seu tempo e de uma solução para o nosso. Se formos mais esclarecidos sobre a gênese de nossos pensamentos e da capacidade deles na direção da nossa vida, se protegermos melhor nossa psique pelo conhecimento da mente e, sobretudo pela natureza dos pensamentos, é necessário ouvir e vivenciar o que Jesus ensinou. O rancor, o ódio e mesmo uma mágoa fazem apodrecer o ambiente dos afetos e produzir um mal nada condizente com a felicidade que se sonha. Tudo que produzimos na nossa mente sobre nós mesmos e sobre os outros não condiz com a realidade absoluta. Não é verdade pura, mas impregnada de subjetividades. É sempre uma interpretação à luz das experiências e informações subjetivas ou distorcidas, armazenadas nos arquivos psíquicos. Pensar é interpretar, e interpretar gera distorções. Nem mesmo as cores são vistas da mesma forma por diversos indivíduos. Então entendemos a expressão popular: “São teus olhos que vêm assim”. Ou, como falou a raposa ao Pequeno Príncipe: “Só se vê bem com o coração!” Mas também um coração atolado no betume do ódio não verá a luz. Nada mais sábio que os ensinamentos de Jesus: Perdoar setenta vezes sete. Perdoar sempre, porque nosso sistema de avaliação é impreciso. A misericórdia, a relevância, o perdão são capazes de abrir em nós as portas que dão passagem à luz da alegria chamada felicidade.
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88. A FÓRMULA PARA OBTER A PAZ
A paz, quem não a quer? Excluindo a paz configurada nas lápides dos túmulos, todos a desejamos. Como existe uma fórmula, tenho obrigação de oferecê-la a você. Como a paz é de difícil acesso, para quem a quer, deve se revestir de coragem e valentia, uma valentia semelhante ao Príncipe da paz, nosso mestre Jesus. Ele próprio falou que podia dar este tesouro gerador de felicidade e até chorou diante da cidade de Jerusalém quando disse: “Se tu ao menos, neste dia, soubesses quem te pode dar a paz...” Então vamos à fórmula oferecida nos ensinamentos de São Paulo, na carta aos romanos 12,14-16: “Abençoai os que vos perseguem, abençoai e não amaldiçoeis. Alegrai-vos com os que se alegram, chorai com os que choram. Mantende um bom entendimento uns com os outros; não vos deixeis levar pelo gosto da grandeza, mas contentai-vos com as coisas humildes”. Este projeto comportamental é tão evidente na Bíblia Sagrada, no Novo Testamento, que condiciona nossas relações de gratidão para com o Criador. Querendo Jesus que, com simplicidade oferecêssemos nossos dons ao Pai, deu-nos este preceito: “Se estás para fazer a tua oferta diante do altar e te lembrares que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; só então, vem fazer a tua oferenda a Deus”. Eu disse que você precisa se vestir da couraça da coragem e da valentia dos heróis para chegar à paz. A fonte de onde ela brota é de acesso restrito aos intrépidos e se chama perdão. O perdão verte do rochedo do amor. Só quem ama com os olhos voltados para além das limitações, das fraquezas, das aparências, vendo a filiação divina estampada no rosto do irmão é capacitado à virtude do perdão. O que abre os olhos da alma condicionando-os à luz desta virtude é a relevância, a misericórdia, a aceitação do outro por aquilo que ele é e não por aquilo que ele faz. Por fim, vamos ser inteligentes: A palavra de Jesus nos garante que com a mesma medida que medirmos seremos medidos. Na oração do Pai Nosso insistimos que Deus nos perdoe do jeito que nós perdoamos. Pensa nisso quando você reflete no seu julgamento diante do Juiz da sua história.
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89. TRABALHO E PREGUIÇA
Eu olho para os campos, para o pastoreio do gado; volto-me para a roça, para o cultivo da terra e vejo gente suando seu rosto pela conquista do sustento ou como fala a Bíblia, o pão de cada dia. Estas pessoas levam a sério os ensinamentos do Pai Nosso, embora muitas vezes nem o saibam rezar, mas o fazem pelas ações dizendo: “O pão nosso de cada dia nos dai hoje!” Eu olho para a cidade, para os bancos das praças, para as ruas escurecidas e vejo tanta gente ociosa, vivendo do trabalho do irmão, sem o suor do seu próprio rosto, agredindo a sentença de Deus expressa no livro do Gênesis: “Comerás o teu pão com o suor do teu rosto!”. Para me orientar, para não falsear meus passos no caminho da sabedoria, abro as páginas sagradas e na segunda carta aos tessalonicenses leio assim: “Quem não quer trabalhar, também não deve comer. Ora, ouvimos dizer que entre vós há alguns que vivem à toa, muito ocupados em não fazer nada. Em nome do Senhor, Jesus Cristo, nós ordenamos e exortamos a estas pessoas que, trabalhando, comam com tranquilidade o seu próprio pão. E vós mesmos, irmãos, não vos canseis de fazer o bem”. (2Ts 3,10b-13) A mão do Senhor agarrou minha mão e ajudou-me a folhear um dos Livros da sua revelação, o Êxodo, e seu dedo apontou para o capítulo 9 onde li: “Trabalharás durante seis dias e farás todos teus trabalhos, mas no sétimo dia que é consagrado ao Senhor, descansarás...” (Ex 20,9) Como descansar sem estar cansado? Nosso Deus nos quer obreiros que se cansem seis dias da semana. Isto é uma ordem; não apenas o descanso do sétimo dia se caracteriza mandamento, mas o trabalho nos seis! A desobediência a esta ordem produz o ócio, mãe de todos os vícios, causa da fome e da miséria infra-humanas. Trabalhando ajudamos o Criador a melhorar a criação, sinalizamos seu poder onipotente que tirou do nada o que existe. Promovemos e qualificamos toda forma de vida. Não é digno do ser humano porta-se como um vampiro sugando sangue dos seus semelhantes. O trabalhador revela o bem. O bem por excelência é Deus. O preguiçoso atualiza o mal. O mau por excelência é o demônio. Com quem Você mais se parece?
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90. PARÁBOLA DO CORPO
No corpo os membros não competem entre si. Cada um tem sua missão específica em vista do bem geral. Cada um tem competência própria, procura realizar sua missão sem cultivar a inveja ou ciúme. Se todos agem corretamente o corpo é sadio. Quando um sofre, todo corpo sofre. Quando um se nega a realizar seu trabalho o prejuízo é de todos. Não fui eu, o primeiro a dizer isso; São Paulo na carta aos coríntios escreveu desta mesma maneira. Mas como isso é tão lógico e evidente tanto faz quem expressou esta verdade, veraz por si mesma, apenas lembrada por nós. O que vale para o corpo, composto de diversos membros, cada um com missão própria, vale para a comunidade e mesmo para a sociedade. Também a comunidade humana é composta de diversos membros e cada um deve concretizar uma ação própria; quando a realiza, o fluxo de prazer se irradia pela unidade toda enquanto a negação produz um vácuo prejudicial a toda unidade. Resta saber qual é a missão de cada indivíduo-membro no corpo da comunidade. Nem todos serão mãos, nem todos serão olhos e outro membro qualquer. É necessário expandir a busca nos arcanos do próprio ser. É necessário descobrir qualidades e dons, carismas e missões. Sem esta descoberta a omissão se estabelece e o corpo se torna deficiente. Se um membro conhece sua função, sabe das suas qualidades, dons e carismas, este não competirá com os demais, nem invejará os dons alheios ou terá ciúme do outro. Será um promotor da harmonia total e construtor da saúde da comunidade. Não há lugar para individualismo no corpo social. O braço não persiste separado do corpo. Ele é útil enquanto unido. Fora dele é cadáver fadado a podridão. Não pode haver acomodação ou omissão nos elementos que formalizam a sociedade. Ou é atuante, abastecendo o tecido social ou parasita sugando a vitalidade do organismo total. Meu convite é para que você se descubra, porque esta descoberta fará de você um membro eficaz e na realização de sua missão experimentará o prazer de quem deu certo na vida.
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91. CREIO NA VIDA PLENA
Eu vi a árvore tombar. O vento torceu-lhe os galhos e a base não resistiu. O tronco, pela idade avançada, estava oco e frágil. Para mim ela sempre estivera ali plantada, como se tivesse visto o primeiro dia da criação. Centena de vezes, dezenas de anos, subira por ela para colher seus frutos adocicados. Quando a tempestade chegou, soprando um vento quente, acelerado, desgovernado, quase sem direção, lhe trouxe a morte e o desmoronamento de meus sonhos futuros. Até havia pensado fazer, entre seus galhos, uma casa de Tarzan. As árvores tombam, quando enfraquecidas no seu tronco e suas raízes. Os edifícios tombam quando enfraquecidos na sua estrutura e conservação. Os homens tombam quando enfraquecidos na suas imunidades e saúde. Então eu penso que este é um caminho sem volta, um carro sem marcha a ré, uma condição dos seres finitos compostos de elementos materiais, tirados do universo e que a ele deve ser devolvido. Para os edifícios, construções, árvores e máquinas existe um término irreversível, mas para o homem, não! O edifício do corpo humano, o tronco da sua estrutura física detém um cerne espiritual indestrutível e quando parece tombar como a árvore tombou nada mais acontece senão a queda da casca, mas não do cerne. O cerne imortal que estava enclausurado na materialidade física até se liberta como a borboleta do casulo, alçando vôo na sua forma definitiva. Eu creio no que digo e tenho certeza que a fé me confere que para aqueles que crêem, a vida não é tirada, mas transformada e desfeito nosso corpo mortal teremos livre nosso corpo espiritual. Eu creio na ressurreição! Creio que isso acontecerá não pelos meus poucos e pequenos méritos, mas pelos infinitos merecimentos de Jesus. Não me iludo, porém, me acomodando inerte, mas vou tecendo esta veste de glória pelas ações praticadas em vista de outros humanos para que, também, atinjam a plenitude do ser. Esta plenitude se chama felicidade e inserção no âmago do coração de Deus.
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92. HINO À CARIDADE
Quando Gandhi afirmava que o cristianismo tinha a melhor fórmula para a convivência pacífica, não estava brincando; também não estava mentindo quando afirmou que grande parte dos cristãos não condizia com esta fórmula. A coluna de sustentação do edifício da convivência humana é o amor. Amor que se concretiza na promoção do outro, numa relação de qualidade focando a empatia. Uma síntese deste amor caridade foi proclamada por São Paulo na primeira carta aos coríntios: “A caridade é paciente, é benigna; não é invejosa, não é vaidosa, não se ensoberbece; não faz nada de inconveniente, não é interesseira, não se encoleriza, não guarda rancor, não se alegra com a iniquidade, mas se regozija com a verdade. Suporta tudo, tudo crê, tudo espera, desculpa tudo.” (1Cor 13,4-7) O cristão que procura viver o amor é assim: É capaz de ser paciente esperando momento certo de cada pessoa. É benigno porque só promove o bem. Não se baseia na competição selvagem nem se exalta para oprimir ou espezinhar a mais humilde das criaturas. A soberba inexiste nas suas relações interpessoais porque se coloca no lugar de servo como fez Jesus e, na busca de promover o outro, afasta de si toda a inconveniência, interesse pessoal, cólera assassina ou rancor doentio. Porque cultiva a virtude do perdão se entristece com a mentira e se alegra com a verdade; sabe relevar os erros do irmão e procura entender os motivos das ações alheias, não para julgá-las, mas para compreendê-las e se necessário, dar-lhe o perdão e a indulgência plenária de toda e qualquer culpa. O amor é plenificado na misericórdia e a misericórdia deveria ser a marca registrada do cristão. Não é fácil ser cristão autêntico e de facilidades não se constrói o edifício do amor; mas enquanto este edifício não for concluído a humanidade viverá ao relento sem experimentar o aconchego da paz.
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93. EU CREIO NA REDENÇÃO
Certa vez, num aconselhamento espiritual, uma pessoa me dizia que para alguns de seus pecados, não podia ter perdão. Julgava-se condenada. A consciência errônea estava lhe causando uma depressão horrível conduzindo-a as margens do suicídio. Um abismo estava á sua frente, escancarado, atraindo-a. Esta pessoa não tinha noção sobre a redenção. Redentor é aquele que paga nossa dívida no nosso lugar. É evidente que nosso pecado contra Deus tem malícia infinita e que pelas nossas capacidades finitas somos incapazes de saldar esta dívida; mas Jesus pela sua ação divina, já pagou com seu sangue de valor infinito, a nossa culpa. Mas da nossa parte temos que aceitar sua ação redentora. Ter a humildade e a sabedoria de aceitá-la. Não reconhecer seu poder é recusar ser perdoado e neste caso, só neste caso, o pecado não é perdoado porque não queremos. No nosso orgulho avaliamos nosso pecado superior a misericórdia de Deus e Ele não pode fazer nada, além de esperar que nosso juízo volte à razão. S. Bernardo, abade, escreveu assim, no seu sermão sobre o Cântico dos Cânticos: “Pequei e pequei muito; a consciência se abala, mas não se perturba, pois me lembro das chagas do Senhor. Ele foi ferido por causa das nossas iniquidades. Que pecado tão mortal que a morte de Cristo não apague? Se vier à mente tão poderoso e eficaz remédio, não haverá mal que possa aterrorizar. Por isso, muito erra quem disse: Tão grande é o meu pecado que não merece perdão. Mostra com isso não ser membro de Cristo nem lhe interessar o mérito de Cristo, por apoiar-se no próprio merecimento, declara coisa sua o que pertence a outro, como acontece com um membro com relação á cabeça.” Este perdão que vem pelos méritos de Cristo e não pelos nossos parcos méritos deve animar nossa esperança e despertar fé na salvação que nos vem do amor misericordioso de Deus, sacramentado na morte de Jesus na cruz. Como rejeitar tão grande amor para conosco e como não se esforçar para retribuir tão grande amor?
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94. O COLECIONADOR
Foi numa exposição de carros velhos que vi o envolvimento apaixonado do colecionador. A vida dele estava ali, como razão para existir; sem aquelas máquinas, já inertes, nem saberia o que fazer do seu dinheiro, do seu tempo, dos seus dias. Era tanto seu apego que preferia que lhe riscassem a cara, mas não um dos seus carrinhos amados. Ele amava os carros. Ora, não se amam coisas, mas pessoas; o resto é desvio afetivo. Existe uma fase de maturação da personalidade, a adolescência, onde se faz coleção de qualquer coisa. Mas esta é uma fase transitória. Continuar pela vida adulta colecionando Gibi, miniaturas de automóveis, bolinhas de gude, boneca Barbie, figurinhas de super-heróis não faz sentido. Até as revistas infantis manifestam um alerta aos desvios afetivos, levando ao ridículo certas atitudes como a do Tio Patinhas da Disney, o colecionador de moedas; seu apego doentio fazia com que as recontasse, de vez por vez, para constatar que todas estavam ali; principalmente a “moedinha da sorte”. Depois desta análise, lembrei meu tempo da infância e adolescência. Colecionava bolinhas de gude de diversas cores, somadas às esferas de aço retiradas de rolamentos e outras coisinhas como essas. Refleti, então, no sentido desse desejo colecionador e acumulador. Cheguei à conclusão que ele leva para caminhos diversos: Um que pode determinar a necessidade de exercer economia não descartando, outro que leva à avareza, acumulando. Como a perfeição da vida se alcança pela partilha, qualquer acúmulo desajusta a sanidade humana. Certas coleções podem ser úteis para o desenvolvimento da ciência e construção do conhecimento. Poderíamos chamá-las, preferivelmente, de arquivos, museus e quem as mantém de “guardiões da humanidade”; da humanidade, jamais de particulares. Algumas coleções podem ajudar na maturação do nosso ser: Colecionar amigos, colecionar virtudes, colecionar atos de doação, partilha, solidariedade, porque estas coleções não nos escravizam da forma que as coisas são capazes de
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95. A IMAGEM DE DEUS.
Você se relaciona com alguém conforme a imagem interna que tem deste alguém. Até com os animais se porta conforme o conhecimento que tem deste animal, isto é, a imagem que faz dele. Mesmo diante do perigo sua maneira de agir é fundamentada na forma experimental que tem dele, até se acostumando e em consequência relaxando sua necessária atenção. O que formaliza com relação às coisas, animais, pessoas, pode acontecer que, da mesma forma, aconteça com relação a Deus. Alguns conceitualizam um Deus criador com a criatura abaixo de seus pés; um Deus juiz que pune e condena; um Deus onipotente que é capaz de extermínio; um Deus espião que espreita uma falha para acusar. Mas a oração do “Pai nosso” enfatiza uma relação que difere da criatura para o criador, do todo poderoso para o incapaz, do juiz para o réu; enfatiza um excelente relacionamento entre um filho e um pai generoso; um pai cheio de amor e compreensão e um filho convidado a não se esquivar do pai, mas reconhecer diante dele que é fraco, faltoso, ferido e mesmo nu diante dele, não sente vergonha dele. A oração do Pai além de mostrar a imagem de um Deus família mostrou que não exige de nós a perfeição radical, mas pede compreensão para com os outros; pede para não nos fixar nas preocupações, mas relaxar e enxergar o encanto escondido no pão de cada dia, um pão além do alimento: o pão da amizade, do perdão, da relevância, do entendimento, da misericórdia. Não nos deu regras para punição, mas a medida do nosso perdão: “assim como perdoamos”. As religiões que descrevem um Deus terrível querem dominar seus fiéis através de fórmulas que só elas têm e as vendem enquanto seguram nas mãos as rédeas e o freio dominadores. Mas o Deus da liberdade quer filhos e não escravos e quando o filho erra é capaz de recebê-lo de braços abertos e cobri-lo de beijos como Jesus descreveu na Parábola do Filho Pródigo. (Lc15,13ss)
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96. O PROFETA
O profetismo não acabou. Cada momento histórico tem seu modo próprio onde o profeta vê e analisa a realidade como Deus a vê. Não fala em seu nome, e sim em nome de Deus. No mundo mercantilizado de hoje, onde endeusam o mercado e este dita as regras comportamentais, não admitindo nenhuma outra verdade que não a sua verdade, o profeta se torna um sinal visível de contradição. No sacramento da crisma recebemos dois sinais que revelam duas realidades invisíveis: a imposição das mãos significando confirmação de um passado vivido como cristão e a sagração com o óleo santo significando preparação para o futuro. Esta consagração capacita o cristão para ser Apóstolo e Profeta. Apóstolo é quem leva as pessoas a Deus e leva Deus às pessoas. Profeta é quem anuncia o que Jesus anunciou, denuncia o que se opõe ao projeto da redenção e interpreta, à luz dos evangelhos, os acontecimentos humanos. O profeta deve anunciar com sua vida e deve denunciar com seu jeito de viver. Ghandi dizia que os cristãos têm a melhor fórmula para a convivência humana, mas a quase maioria deles não a vivencia no seu modo de ser. Todo cristão deve exercer o profetismo e o faz gerenciando seus dons próprios e carismas especiais. Como os dons e carismas diferem de um para outro, o profetismo também. Então conhecer sua vocação como profeta depende do conhecimento que tem de si. Quando eu descobri que tinha capacidades para comunicação social investi no profetismo escrito e falado através do rádio, jornal e livros. O profeta deve buscar saber o que Deus quer que ele diga. Como o que deve dizer toca na vida cômoda e nos interesses pessoais, de grupo e de mercado, não é bem aceito. Quando Jesus se anunciou como profeta na sua terra, seus conterrâneos tentaram jogá-lo num precipício. Os profetas sempre correm risco de serem empurrados para a morte. Moisés disse a Josué: “Se forte e corajoso, não te intimides nem tenhas medo deles, pois o Senhor teu Deus é ele mesmo teu guia, e não te deixará nem abandonará” (Dt 31, 5-6); eu te digo: Se, também, forte e corajoso, porque Cristo prometeu estar conosco até o fim dos tempos.
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97. O APÓSTOLO PESCADOR
Pescador solitário é raro. Dificilmente se faz uma pescaria, sozinho. Até por segurança é prudente não andar só; como se diz na sabedoria popular, “a água não tem galho”, para dizer que o perigo ronda os rios, lagos e açudes... Como cristãos, pelo batismo fomos inseridos num corpo como um membro deste corpo. O membro não é o corpo, mas com outros membros forma o corpo. Assim a Igreja é uma unidade composta na diversidade de membros. Pela crisma fomos ungidos para sermos apóstolos. Também o apóstolo é um membro do colégio apostólico em vista da salvação de muitos. Apóstolo isolado é uma utopia irrealizável. Ninguém evangeliza sozinho, mas com outros. Falei de pescadores e de apóstolos, no plural. Pois assim me ensinou o Mestre. Ele, para formar sua comunidade de evangelizadores começou chamando dois irmãos, Simão e André e depois outros dois irmãos, Tiago e João. Estes quatro convidados, os primeiros, eram pescadores, um terço do colégio de evangelizadores instituídos por Jesus. Saber encontrar o sentido das ações de Cristo nos ajuda a entender a missão destes homens tornados pescadores de homens. O primeiro entendimento é a pluralidade dos chamados e a negação do individualismo e o segundo entendimento é a capacidade virtual dos pescadores. Formando a comunidade dos apóstolos, Jesus desejava que estes trabalhadores do mar da Galiléia demonstrassem suas qualidades profissionais na pesca das pessoas. O pescador é persistente, se lança numa aventura insegura do resultado, dá tempo ao tempo se adaptando às condições do pescado nos seus próprios comportamentos. E mais! Jesus da barca mandou-os ir para águas mais profundas (Lc5, 1-11), para lugares mais perigosos, para longe dos povos das margens, como dizendo que fossem ao mundo desconhecido em busca dos pagãos. Foi uma missão universal. Do mar da Galiléia para os mares do mundo. Consagrados que fomos pela unção sagrada da Crisma tenhamos, como enviados pela imposição das mãos, as virtudes do pescador e a unidade e a parceria dos enviados.
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98. CRIATIVIDADE E DIVERSIDADE
É inegável a capacidade criativa do homem. A inteligência artificial está se concretizando cada vez mais para atingir um nível nunca antes imaginado. Os seres humanos terão possibilidade de interagir com ela. O que vai nos diferenciar da inteligência artificial é a criatividade. Só nós, seres humanos, temos esta capacidade e diante do crescimento dela temos que desenvolver a nossa para não sermos suplantados. Esta bandeira é nossa. Nesta ninguém toca, mas não podemos esperar sentados. Esta capacidade genuína humana da criatividade deve nos levar a lidar com a diversidade. Para tanto, através do exercício contínuo da aceitação, da relevância e do perdão, construímos a maior barreira para que a inteligência artificial não nos domine. Nenhuma inteligência criada pela informática terá capacidade do entendimento, da relevância, do perdão e da misericórdia. Para nos prevenir da escravidão da máquina Jesus ensinou a virtude da misericórdia. Esta é a grande novidade do cristianismo. Uma máquina não perdoa, ela executa uma ordem dos seus criadores. Uma máquina não pode dizer: “Eu te entendo, tenho compaixão, sinto muito”; isto é privilégio nosso e uma característica puramente nossa humana e divina. A criatividade procura caminhos novos, novas formas para concretizar projetos antigos simplificando, barateando, tornando-os mais eficazes. Também na evangelização, na transmissão da Palavra de Deus, na partilha do que se é e se tem é necessário inovar para não cristalizar e ser atropelado pela ciência e pelo progresso. É evidente que a inteligência artificial está se aperfeiçoando e nos alertando para nossa eficácia naquilo que é mais nosso, a criatividade. Não se entende criatividade estática porque é da sua natureza ser ativa, ser trabalhada. Meu chamamento é para que estejamos ligados exercendo e turbinando nossa inteligência humana em vista do que podemos melhorar nas nossas relações com Deus (também nesta relação com Deus a inteligência artificial não competirá conosco) e no modo renovado de levar a boa notícia do evangelho a toda a criatura aceitando sua diversidade.
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99. O SEU LUGAR
Nosso sonho de perfeição se concretiza no dia a dia. Nossa construção se realiza pelas melhorias contínuas na nossa personalidade aos níveis pessoais, familiares, sociais, políticos e religiosos. Acontecem então as mudanças de vida, de interesses, de objetivos. Estas mudanças levarão consigo a experiência do passado inscrita no inconsciente. Quando Jesus chamou seus apóstolos, para a missão evangelizadora, não pediu para deletar suas experiências passadas, mas as incorporou e inculturou. O exercício de pescadores, dos quatro primeiros convidados, direcionou o convite e a missão. Eram pescadores de peixes nas águas do território da Galiléia, seriam pescadores de homens nos campos e cidades dos territórios do mundo. O método do Mestre deve ser incorporado no nosso jeito de nós de convidar. Jesus chama os pescadores para serem pescadores. Se fossem pedreiros, cozinheiros, padeiros, lavradores, pecuaristas, como tais Jesus os chamaria. Cada qual deve ser convocado onde está, onde vive, naquilo que faz. Só assim você entende porque cada pessoa tem dons especiais e diferentes. É para concretizar o projeto salvador de Cristo. Agirá com suas capacidades próprias e no seu meio ambiente próprio. Quem não é peixe pode até nadar, mas não pode viver mergulhado na água. Não dispõe de equipamento biológico para retirar oxigênio da água tanto quanto o peixe não o tem para retirar do ar. Quando você descobrir suas qualidades, capazes de ajudar na melhoria do mundo você estará descobrindo sua vocação, isto é, sua razão existencial, seu chamado especial da parte de Deus. Da mesma forma estará descobrindo que não pode ser como o outro, nem competir com ele porque cada um é especial e único. É bom lembrar que seus dons e carismas lhes são conferidos pelo Criador para serem somados aos dons e carismas de todos os humanos e, na parceria, concretizar o sonho de Deus: um só rebanho e um só pastor.
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100. FALAR OU OUVIR
Quando o Apóstolo recomendou que “todo homem deve ser pronto para ouvir, mas moroso para falar”, (Tg1,19b) nos deixou um gabarito para medir se somos ou não pessoas de bem e se bem usamos nossa inteligência. Está evidente que você entendeu o que eu disse; traduzindo: quem fala demais demonstra ignorância e quem ouve mais que fala revela sabedoria. Além deste gabarito existe outro também revelador da capacidade intelectiva: O Ignorante fala das pessoas; a pessoa comum fala de coisas; o sábio fala de idéias. Ao dialogar sobre idéias o sábio oferece e recebe conhecimentos capazes de se ajudar e ajudar o interlocutor se construírem na perfeição. Não é apenas transmissor, mas receptor, capaz de interagir. A pessoa comum ao falar de coisas demonstra seu envolvimento mais físico que espiritual, suas experiências sensíveis, suas capacidades perceptíveis. O Ignorante falando do outro o faz para que seu interlocutor não veja suas limitações, não avalie sua ignorância; coloca o foco distante e tenta levar o outro para este desvio. Jesus em seus ensinamentos nos alerta que não somos juízes de nossos irmãos, que seremos avaliados com as mesmas medidas usadas em nossos julgamentos e até recomenda que não julguemos para não sermos julgados. Por isso, ficar de boca fechada, de pensamento livre de julgamento é sinal de sabedoria e autoproteção, mas isso é para os sábios. Tenho recebido, em minha sala de atendimento, muitas pessoas angustiadas. Aprendi a quase só ouvi-las, falando o mínimo e só depois de longo espaço de tempo. Mais das vezes, estas pessoas, precisam colocar para fora do inconsciente algo que as martiriza. Não precisam de interpretações, portanto, só dou opinião se pedem. Na maioria das entrevistas, apenas ouço e procuro entendê-las. Às vezes simplesmente digo: “Te entendo... volte sempre que quiseres!” Na despedida, normalmente dizem: “Obrigado por me ouvir. Lá em casa, ninguém quer me ouvir!” E você, como gerencia nas suas relações com o outro. Uma relação de qualidade qualifica a pessoa. Quem sabe mais ouvir que falar, realiza uma relação de qualidade e revela sabedoria!
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101. CONCURSOS
Em tempos de fim de ano multiplicam-se os concursos. Desde a área federal à área municipal, os cargos públicos vacantes solicitam novos ocupantes, mas devem entrar pela porta da frente, do concurso. A agitação do fim de ano e início de Ano Novo não para por aí na busca de ajustes, tem também os vestibulares que não deixam de ser concursos para competir e encontrar a chave que abre as portas da universidade. Eu sei que o mundo é competitivo, sempre terá alguém querendo suplantar alguém. Isto, porém, pode se tornar uma psicose se não for bem direcionado o processo. O mundo mercadológico está infestado do vírus que causa esta epidemia capaz de reduzir o ser humano ao extremo da riqueza ou da pobreza, anulando toda forma de igualdade. Se existe a parceria, esta será mais um instrumento para suplantar o concorrente. Sabemos que há necessidade de escolha dos capacitados para cargos específicos para que o progresso não encalhe. Sabemos, também, que o exercício desta busca pode alterar o comportamento fraterno da humanidade. O certo é o equilíbrio, que nem sempre é fácil de encontrar. Até se sabe, mas anda fora de moda: usando a linguagem do amor. Perguntamo-nos, nesta altura de nossa reflexão, se os competidores têm consciência de sua finalidade, a razão das suas vidas, o que deve ser perene e o que é passageiro ou como disse Jesus: tesouros onde a traça não come nem a ferrugem consome, tesouros do céu? A selvageria da competição pode esclerosar a sensibilidade, a flexibilidade, endurecer e entupir as artérias por onde deve passar o sangue restaurador do amor, da misericórdia, da partilha, dos afetos mais puros, da fé e da própria vida. A oxigenação da alma se torna deficiente, o espírito fica asfixiado, a vida se torna uma droga e a depressão se instala reduzindo o ser humano a um trapo. Então é necessário, na releitura do comportamento humano, remoldá-lo ao jeito de Jesus, atualizando a mensagem do amor que reensinará a virtude da partilha.
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102. OS GIGANTES
Eu vi o cãozinho com seus olhinhos brilhantes olhando para a menina. Ela tinha quatorze anos e ele três. Em termos de altura eram desproporcionais se fossem irmãos. Ela tinha 1m50cm e ele 15 cm, com uma proporção de 15X1. Às vezes eu fico imaginando como os seres pequeninos nos vêm gigantes. Certamente foi desta visão que nasceram as estórias infantis semeadas de gigantes. Estes, nos contos, se apresentam amorosos e simpáticos. As criancinhas e os cãezinhos são pequeninos e os pais delas e os donos deles os tratam com carinho. Então, eu entendo este relacionamento e ele faz sentido! Eu entendo, também, porque o cãzinho parecia sorrir para a menina quinze vezes mais alta que ele e porque as crianças adoram estórias de gigantes amorosos e simpáticos; ambos gravaram na psique um registro bom, capaz de causar um final feliz como na literatura infantil, escrita também, por autores simpáticos. Quando as primeiras rejeições, frustrações, humilhações se confrontarem com os registros positivos da psique e os sofrimentos aflorarem pelo antagonismo das experiências, será necessário reescrever rapidamente os bons momentos e editar a experiência negativa, deletando-a. Esta faxina do psiquismo se torna necessária, caso contrário gerará agressão, frustração, depressão e infelicidade. Nós adoramos estes seres pequeninos, criancinhas e animaizinhos, enquanto eles não competem conosco. Vivendo num mundo extremamente competitivo, assimilado este comportamento, podemos esquecer o amor e partir para o confronto. Nestes momentos temos, também, que reescrever os arquivos do inconsciente para neutralizar a selvageria competitiva e trocá-la por ações amorosas. Foi isso que Jesus inspirou quando disse: “Tem maior amor aquele que mais serve”; porque quem mais serve, mais ama. O cristão, atualizando os ensinamentos de Jesus, deveria ser a expressão, sacramento, sinal sensível do extremo amor de Deus para com ele, apesar da desproporção do infinito do Criador para o finito da criatura!
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103. PURIFICANDO AS CULTURAS
As expressões culturais são manifestações valiosas, merecedoras de nossa admiração, estudo e valorização. Algumas já singraram mares encapelados, Outras transpuseram séculos controvertidos e ainda outras foram se modificando e se catalisando com regionalismos que alteraram a forma inicial. Várias vertentes aderiram ao manancial primeiro causando alterações significativas e em alguns casos, escusas. No limite dos municípios de Encruzilhada do Sul e Santana da Boa Vista ouvi um tesouro de cunho religioso que ultrapassou séculos: O terço ou o rosário cantado. Cantado no sentido pleno da palavra. Tinha a duração de mais de duas horas de execução. Beleza pura da religiosidade popular. Agora a nódoa ou, se quiser, o lado cômico da execução e do executor cantor. No encontro de oração que pesquisei observei que o puxador da reza durante o tempo se abastecia de goles de cachaça. Perguntado por que assim fazia me respondeu: “É para afinar a voz, seu padre, afinar a voz”. Nunca imaginara que uma garrafa de cachaça afinasse a voz. No fim do terço era ele que estava não afinado, mas definhado. São importantes, sim, as tradições culturais porque estão inseridas na alma do povo; mas também é importante cuidar da pureza do corpo artístico e religioso, extirpando os parasitas que aderiram sugando-lhe a beleza original. Resta então o dinamismo do pesquisador capaz de garimpar o que for precioso, descartando o cascalho agregado às pepitas culturais; no caso a revalorização da oração e devoção popular sem o que lhes pode empanar o brilho! |
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104.
104. Juventude, Canções e Fé
Desejo alterar o sentido do verbo “adulterar”; transpondo-o da raiz que lembra adultério para raiz que lembra adulto. Para entender: às vezes as ações têm uma conotação adulta demais chegando a empanar o brilho juvenil. Algumas amarras devem ser soltas, coreografias devem ser inseridas, enfim, manifestações ao jeito da juventude de hoje. As liturgias têm o brilho da mística que as motiva, como das ações resultantes. A mística se polariza e se ancora na fé e a fé anima o envolvimento e a participação. A ação humana vem dosada de corpo e espírito; portanto de fluxo místico e sensorial próprios de cada idade. As expressões da fé diferem nos degraus da vida humana. São feitos de infância, adolescência, juventude, madureza e idade avançada. Cada um destes degraus tem sua manifestação própria que lhe faz sentido e deve ser levando em conta e respeitado. Este respeito se traduzirá em brilho na participação litúrgica das comunidades de fé. Jovem sem canção inexiste. A juventude, em si, é uma canção à vida. Silenciando uma, calamos a outra. Foi no Encontro Nacional dos cantores de Emaús que refleti este tema. Eram 142 participantes, durante três dias. Estavam municiados de mais de 100 violões. Para minha idade avançada foi um mergulho na fonte da juventude. Senti-me que era jovem há muito mais tempo. Decidi respeitar e incentivar as formas e manifestações próprias da juventude. Ela, por sua vez, não queimaria etapas e eu me recondicionaria rejuvenescendo. |
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105.
Ampliando horizontes
Muitas vezes nosso mundo relacional é do tamanho dos nossos horizontes diários. Chegam onde nossas vistas descortinam e nossas relações rotineiras se estabelecem. Esta visão reduzida pode fazer o cotidiano, mas não pode ser única e definitiva. Se optarmos pelos limites reduzidos nós deprimimos o conhecimento, cristalizamos e bitolando nossa personalidade, por baixo. É necessário expandir. Todos deveriam ter o privilégio de voar a 10.000 metros de altitude, olhar pela janelinha da aeronave e observar as cidades sobre as quais está voando. Ela é feita de quadriculados que são ruas, de pontos que são casas e em cada casa algumas pessoas estão. Elas têm sonhos próprios, busca própria, conhecimentos diversificados e interpretações diferentes dos acontecimentos; às vezes opostos aos nossos! Não há um único indivíduo, mas são milhares deles. Vale do alto, refletir e contemplar, para que o coração abra seus braços, para num amplexo cordial, envolver o universo humano plantado no solo rasteiro sobre o qual estamos voando a 10.00 metros de altitude! Na medida em que a aeronave avança mostrando montanhas e florestas é bom se fixar nalguma casinha perdida na vastidão e saber que nela alguém estará pensando, sonhando, analisando o mundo que a envolve. Diante de tantas cabeças e cérebros pensantes como me sinto? Diante da diversidade como posso ajudar a concretizar os sonhos de tantas pessoas? Como ajudá-las a encontrar o sentido da vida? Enfim, o que você diria a cada uma delas? São perguntas cruciais para uma alma de semeador de esperança que tem nas mãos para ser lançada a semente da felicidade. Esta semente capaz de germinar em forma de felicidade se chama Jesus de Nazaré. |
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106 FÉ E CRENDICE
A felicidade tem seu alicerce principal fundamentado na fé. Mesmo as relações mais simples do cotidiano nela se ancoram. Precisamos crer no médico, na cozinheira, no condutor do ônibus, no comandante da aeronave; sem esta entrega confiante, a vida se torna um caos, pela busca de certezas nem sempre concretizáveis. Não dominamos todas as ciências. Nalgumas delas aceitamos o testemunho de quem as domina ou nelas se especializou. Para além do conhecimento científico experimental existe o conhecimento transcendental. Neste, as certezas estão vertebradas no conteúdo revelado da fé e no testemunho veraz de quem as revela. A revelação originária de Deus, expressa nas páginas sagradas da Bíblia, sacia nossa fome ou sede de saber. Quando buscamos respostas pessoais, fora dela, para os mistérios que nos envolvem, corremos o risco de nos apoiar nas bengalas da crendice. Temos uma capacidade para ser plenificada, como uma vasilha para ser preenchida; se enchemos até as bordas com verdades reveladas pela ciência e pela palavra de Deus, não sobra espaço para crendices como: sexta-feira 13, mês de agosto, ferradura, pé de coelho, gato preto, figa e outras tantas incontáveis. Mas se a ciência e a fé não completarem até 100% da capacidade desta vasilha, ela será completada pelas babaquices das crendices. A crendice diminui na razão inversa do aumento da ciência e da fé. Então, resta-nos o caminho direto da fé e da ciência para enriquecer nossa personalidade, fazendo-a sadia e não oportunizando espaço para crendices; elas fazem adoecer a personalidade humana pela insegurança e o medo que geram. A pessoa com medo não é feliz porque se apóia na incerteza |
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107 A PORTA ESTREITA O convite, agora é para todos. Foi preparado um grande banquete e porque os primeiros convidados, as pessoas importantes da sociedade rejeitaram o convite, a porta foi aberta para entrada franca. Existia, porém, uma limitação: a porta da recepção era muito estreita e como tal impediria a entrada de quem fosse gordo ou levasse mochila que avolumasse. Meu Mestre disse que assim é a porta do paraíso para o banquete da felicidade eterna. Ela é estreita e de difícil acesso. Poucos entrarão por ela. É necessário estar adelgaçado. Tudo isso no sentido místico e como tal relativo ao espírito humano. Então perguntei ao Mestre o que engordava impedindo a entrada e o que emagrecia capacitando o acesso. Ele me respondeu: - A injustiça impede a passagem, porque acumula bens que deveriam beneficiar a muitos; seu conteúdo é como uma mochila volumosa; enquanto o exercício da justiça, que privilegia a vida, torna o corpo espiritual adelgaçado e apto para transpor a porta estreita e ter acesso ao banquete da vida eterna. - O orgulho estufa, porque despreza o outro se julgando melhor, mais santo e merecedor de convite especial, assim como os fariseus que desprezavam os publicanos; enquanto a humildade, porque, quem a pratica se esvazia, emagrece e possibilita o ingresso definitivo. - A ganância engrossa, porque é capaz de colar no corpo espiritual miríades de coisas, como um reboco grosso; enquanto a partilha, porque reparte tudo, é capaz de se descascar tornando o espírito totalmente livre para passar, com folga, pela porta estreita do céu. - Enfim, para garantir a liberdade total é necessário dar de comer a quem tem fome, de beber a quem tem sede, de vestir os nus, de visitar os enfermos e coisas deste gênero. Aliás, este é o conteúdo da prova final, porque quem faz isso tem que se esvaziar e assim se molda para transitar pela estreiteza da porta da vida! Não será fácil! Deus não pede facilidade, mas valentia. É preciso ascese. Vamos nessa? |
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108 Os últimos e os primeiros
Parábola contada por Jesus, uma das mais convincentes, é do posicionamento dos convidados num banquete de casamento. Os que se julgam mais importantes procuram os primeiros lugares à mesa. Mas como suas avaliações podem diferir da avaliação do pai do noivo, eles podem ser convidados a ceder os lugares ocupados para os preferenciais do dono da casa. Humilhados, os que se colocaram no alto, irão se acomodar na parte inferior da mesa. Mas se prudentemente escolherem os últimos lugares poderão ser convidados a assumir lugares mais próximos aos noivos e sentir-se-ão lisonjeados diante dos comensais. Vivemos num mundo competitivo. Dificilmente alguém não quer ser o maior, o mais importante, o mais rico, o mais poderoso, o mais belo, o mais célebre. Para se afirmar no alto da pirâmide social não hesitará de galgar as alturas usando o próximo como degrau da escada que o leva ao cume. O modelo do Mestre é outro. Como seus discípulos, fazemos nosso este modelo. Somos seus seguidores. Repisar seus passos no caminho que leva à plenitude do ser humano é necessário. Como Deus, criador do universo e de todos os seres viventes, não hesitou de encobrir sua divindade na humildade de uma criança necessitada de carinho para sobreviver. Não nasceu num palácio com recursos, mas numa estrebaria carente, numa família de pobres de Nazaré da Galiléia. Exerceu trabalho braçal, numa carpintaria, para sustentar a si e sua mãe. Lavou os pés dos discípulos na Quinta-feira Santa. Entregou-se para ser sacrificado, não pelos seus pecados, que não os tinha, mas pelos pecados alheios para que quem os cometera não sofresse a condenação e a morte eterna. Enfim, deixou uma sentença capaz de mostrar o rumo que leva ao porto seguro da santidade: “Não vim para ser servido, mas para servir!” A ocupação do último lugar, lugar dos que servem a mesa, recebe do Senhor o convite: “Vem mais para cima”. Quem mais servir a humanidade, no chamado final, receberá o mesmo convite: “Vem mais para cima, mais perto do teu Deus”. |
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109 ELEIÇÕES
Eleição é a escolha do melhor. Escolher qualquer um ou o pior pode ser escolha, mas não é eleição. Estive pensando no significado primordial de eleger. Dependendo para que se eleja avalia-se a competência de quem escolhe e do escolhido. Eleger, também, diz relação ao direito de escolha, o poder a ser concentrado no escolhido, poder que emana do eleitor; poder democrático. Se o objetivo da eleição é escolher o melhor, a finalidade é a realização com supremacia do exercício do poder em vista do bem comum. Sendo o bem comum de uma empresa, instituição ou mesmo nação, exclue-se o bem meramente particular ou de cartel. Após eleita a pessoa escolhida deixa de lado vantagens pessoais para concretizar vantagens comuns que beneficiem a todos. Todo fanático é desequilibrado emocional, beirando o abismo da irracionalidade. É doente mental, seja ele fanático religioso, desportivo, político. Muitas empresas declararam falência, muitas nações afundaram em revoluções pela incompetência de quem escolheu um incompetente. A culpa não pode ser creditada, somente ao escolhido, mas de modo mais contundente ao eleitor! Para o cristão, eleger é delegar ao eleito o poder que vem de Deus, presente no povo, em vista do bem comum dos filhos de Deus. Não pode escapar impune quem levianamente deposita na urna seu voto capaz de prejudicar a sociedade. Também não ficará impune e, portanto corresponsável, quem pela omissão do exercício do voto, se omitir na busca do melhor, deixando que incompetentes elejam seus pares. Deus colocou na alma de cada ser humano uma juíza chamada consciência. Quem a tem ilibada não se deixa comprar por motivo algum. É bom pensar nisto tudo antes de teclar o “ENTER” da urna eletrônica. |
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110 A FESTA ACABOU 2
Eu sei: a segunda-feira devia ser abolida para quem fez do domingo um dia de excessos, comendo ou bebendo demais, comendo ou bebendo errado, sem falar nos desvarios que atropelam a dignidade ou exageros que esvaziam os bolsos. Estas coisas deprimem o espírito e envenenam o corpo. Mas há, também, a segunda-feira gostosa depois de um domingo feito de relacionamentos qualificados, quando o espírito foi alimentado pelo amor, a alma inundada de Deus. Este difere do outro como a luz das trevas! Domingo é o Dia do Senhor. Dia que Deus gosta de ver seus filhos unidos ao redor da mesa, ao redor dos familiares, ao redor dos altares. Quem assim faz, tenho certeza, não terá a segunda-feira azeda. Não haverá ressaca nem dor de cabeça ou dor de consciência, mas alegria faceira. Não será, apenas, uma alegria interna, mas, também, um prazer físico. Nas minhas caminhadas matinais, exercitando meu velho coração, visualizo poucos encontros e os que eu vejo nas segundas-feiras, são pouco animadores; são autômatos perambulando, caras amarradas, olhos avermelhados e, para minha alegria, alguns sorrisos, também! Somos seres compostos de corpo e espírito. O equilíbrio entre ambos é necessário. Privilegiar o hoje enriquecendo-o de amor, fará do amanhã uma experiência de céu. Um domingo qualificado pode cansar, exaurindo forças, mas formalizará uma segunda-feira melhor, embora permaneça um cansaço gostoso. Pensar no depois, diante da gula, da luxúria, dos sete pecados capitais é uma questão de sobrevivência da sanidade e da santidade. A festa acabou e o que restou? Construção ou demolição? Paz ou angústia? Você tem pelo livre arbítrio a oportunidade para determinar seu estado humano depois que a festa acabou! |
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111 DEPOIS DA FESTA 3
Sentei numa cadeira, no alto do Altar Monumento do Parque de Maria, Mãe do Redentor. A Romaria fora há dois dias; uma multidão de cinquenta mil pessoas ou mais. Contemplei as marcas deixadas pela multidão: um rastro de papéis, embalagens plásticas, copos e garrafas pet. Os tonéis, para recolher lixo, estavam com pouco uso; a preferência fora jogar lixo no chão, tão logo os conteúdos fossem liberados. Uma lástima reveladora do quanto se necessita da educação. O Parque é uma terra sagrada para ser encoberta de carinho em forma de gramados, árvores e flores, não pelo descarte do lixo produzido pelos humanos. Eu penso nas crianças ensinando aos adultos a educação ecológica. Nelas está a esperança de um futuro com maior respeito. Elas cobram já, dos adultos, o respeito à vida implantada na natureza; já têm cabeça ecológica e demonstram maior capacidade para formar um povo mais civilizado. O que eu vi no Parque, você vê também nas ruas: tocos de cigarros, carteiras que fumantes jogam nas calçadas, copos plásticos as centenas e embalagens voando ao vento ou entupindo bueiros dos esgotos pluviais. Se na agricultura as ervas daninhas minimizam o volume e a qualidade das colheitas, na cidade o lixo daninho minimiza a saúde pública e desqualifica o povo que usa do seu direito de ir e vir sem obstáculos. Se me entristeceu o Parque coberto de lixo, me entristecem as ruas sujas, calçadas e bueiros entupidos pela ignorância doentia de um povo que está longe de ser civilizado. Calar-me? Por quê? O profetismo sempre ressurge vigoroso quando as calamidades são eminentes; quando as destruições se aproximam. É bom se ligar, porque existe uma sentença apavorante: “Deus perdoa sempre. O homem perdoa às vezes. A natureza, nunca perdoa!” |
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112 Vocação, Profissão e Hobby
Minha vocação é o Sacerdócio. Minha profissão é o Magistério. Meu “Hobby” é a escrita e, ocasionalmente, a pintura. Minha vocação me dá o sentido da vida. Minha profissão, os recursos para minha subsistência. Meu “Hobby” garante meu prazer estético, meu passatempo, minha atividade recreio e a revelação do que me vai na alma. A vocação deve ser cultivada. Ela é o solo do qual brotará a árvore da vida, tanto mais frondosa a árvore quanto mais cuidado, o solo. A profissão, ao qualificar-se, garante os meios econômicos de subsistência para que a vocação não esmoreça e o hobby não definhe. Até penso que estes três pés do tripé devam crescer e se atualizar juntos, em equivalência, se tornando iguais ou, ao menos, semelhantes. A vocação estabelece um vínculo de relação com o Criador. Dele vem o chamado e Dele vêm os dons e talentos. Frutificados, garantem tanto a realização vertical com Ele, quanto à relação horizontal com o outro e o mundo envolvente. As qualidades administradas se tornam a bússola que aponta a direção certa do porto da realização pessoal, comunitária, universal. A profissão é, também, abalizada nos dons e carismas pessoais. A profissão concretizada é a garantia do merecimento do “Pão de cada dia”. Promove o homem à parceria com o Criador na melhoria da criação. O hobby é uma forma criadora, reveladora, passatempo, relax recondicionador. Se ele tem a mesma direção da profissão e da vocação, faz desta trindade uma unidade. Na unidade se atualiza a perfeição do ser humano. Na perfeição a felicidade se vértebra. |
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MEDALHAS E TROFÉUS
Já visitei centenas de Clubes e Centro Comunitários. Neles, às dezenas, vi expostos troféus e medalhas, originários de competições de bolão, bocha, futebol, gincanas. Nas Olimpíadas o foco é a medalha de ouro, a de prata ou de bronze. Quem conquista volta para seu país com o peito estufado. Os que não conseguem classificação choram. As maiores conquistas humanas não estão nas olimpíadas, nos desafios de bolão, de bochas, de bandas; estão nas ultras olimpíadas da busca do pão de cada dia, pelos pais e mães de famílias empobrecidas. A gente pode viver sem medalhas, mas não vive sem alimento, vestimenta, casa. Os verdadeiros heróis nacionais são aqueles que levantam de madrugada, não para ir à academia, mas para pegar vários coletivos e regatear o salário mínimo, ou catar, no lixo, papel e plástico para convertê-los em arroz, feijão ou pão! O poder público devia condecorar com medalhas os recicladores de lixo porque devemos a eles este favor. São protetores da natureza que nos sustenta. O poder público devia condecorar com medalhas os pedreiros, carpinteiros, construtores de casas nas quais outros morarão, palácios onde eles não poderão entrar. O poder público devia condecorar com medalhas os agricultores que realizam o milagre da multiplicação dos grãos, dos fruticultores que possibilitam os frutos, dos hortigranjeiros que colocam no nosso prato o necessário para nossa alimentação. O poder público devia condecorar com medalhas professores que assessoram os pais na formação das crianças, jovens e adultos. O poder público devia condecorar com medalhas os catequistas leigos ou religiosos que encaminham o povo para o verdadeiro Caminho, Verdade e Vida: O Redentor da humanidade: Jesus! |
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O MILAGRE
A terra fora revolvida e sobre ela espalhada uma camada de composto orgânico e, outra vez, revolvida. A semente no seio do solo repousada mergulhou no sono da ressurreição. Assim fez-se a seara: primeiro tênue e débil, depois figorosa florindo, frutificando e amadurecendo. Aconteceu o milagre da multiplicação. De um punhado de sementes fez-se um alqueire. Do pouco trigo que teria se transformado num pão apenas, transformou-se às centenas para centenas de pães. O milagre da multiplicação dos pães, mais uma vez, agora pela mão do agricultor, revelou o poder de Deus, como em Jesus na Palestina. Lá, com cinco pães ele alimentou cinco mil homens; aqui outro tanto poderá alimentar. Pedir milagre? Jesus recriminou os fariseus que pediam sinais para crerem nele. Fora-lhes chamada à atenção. Não porque o Senhor não desejasse concretizar prodígios, mas porque seria exagero, portanto desnecessário, quando os milagres ocorriam às vistas de todos: Eram as searas de trigo loureando, os parreirais carregados de uvas, animais rodeados de filhotes. Só era necessário abrir os olhos, visualizar os campos, contemplar as flores e meditar no poder de Deus. O despertar da vida no planeta tinha endereço certo: acarinhar o homem cobrindo-o de atenção e impulsionando-o para a experiência da felicidade. Os fariseus de ontem ou de hoje cobrem os olhos diante da realidade. Dizem que nada vêm e precisam de sinais. Não se capacitam para olhar as crianças brincando, para ouvir os pássaros cantando, para contemplar as roseiras florindo. São cegos por opção: só vêm o que querem ver e nada mais vêm porque não querem. Não é necessário muito esforço para concluir que a presença de Deus nos envolve. Quando não concluímos é porque estamos com a síndrome da avestruz: enterramos a cabeça na terra para não ver! Para aumentar a fé, umedecer a secura do espírito, curar a depressão, basta plantar uma árvore, cuidar um jardim, criar um canário, sentar à beira de um trigal. Mais que isso, você mesmo é um milagre perene!
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LIÇÕES DOS ANIMAIS
Primeira cena: Observei, no meu galinheiro, duas galinhas chocas, uma ao lado da outra. Quando uma saia do ninho para se alimentar, a outra, com o bico, arrastava os ovos da companheira para debaixo de si. Segunda cena: Noutros tempos esta mesma dupla vingou apenas três pintinhos. As duas competiram para defendê-los e alimentá-los. Os pintos se acostumaram com tanto carinho e dedicação que à noitinha se abrigavam sob as asas de uma ou de outra indistintamente. Terceira cena: Foi colocado debaixo destas chocas, eternas chocas, ovos de perua, numa e noutra, ovos de gansa. Os primeiros que chegaram foram os perus, depois os descendentes de gansos. No começo tudo foi fácil. Eram pequenos, embora estranhos para mães, foram adotados com facilidade. Mas com o tempo, como filhotes de chupim em ninho de tico-tico, se tornaram tão grandes que não puderam se abrigar sob as asas das protetoras. Depois das reclamações e várias tentativas se dispersaram. Quarta cena: Tenho um casal de canários. Vendo o machinho alimentando a fêmea enquanto incuba os ovinhos, vendo a postura da canarinha, sua delicadeza sobre os filhotes até que o dia se aqueça, vendo a forma como o casal alimenta os filhotes, concluo que temos muito para aprender com os animais. Observando estes irracionais nos tornamos mais humanos e racionais. Aprendemos com defender, alimentar, independizar os filhos. Eles, os animais, sabem a hora de parar de alimentá-los, à hora de fazê-los voar, de abandonar os ninhos e “se virar”! Se Deus Criador nos deixou, através dos animais, preciosas lições observadas ali no meu quintal, eu concluo que Ele me acena e aponta caminhos para minha construção humana. Creio, também, que é necessário abrir bem os olhos para não perder estas lições de proteção à vida que o Criador nos sugere.
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NEGOCIANDO A SALVAÇÃO
Nosso Deus não barganha conosco. Nem poderíamos negociar com Ele porque tudo que temos ou somos lhe pertence. Não temos, sequer, com que negociar nossa salvação. Ela nos é oferecida gratuitamente. É uma graça. Nós a recebemos de graça. Não temos como equilibrar o que recebemos com o que podemos dar. Existe uma distância infinita. Da mesma forma que a oração não tem poder de convencer a Deus de nos dar o que pedimos, porque ele sabe o que necessitamos; a oração nos prepara para receber o que nos convém, assim nossas boas obras preparam nosso ser para acolher a salvação. A oração torna hábil o terreno da alma para receber as graças necessárias. O exercício do amor, a observância dos mandamentos, a vivência das virtudes preparam para nos deixar salvar. De nossa parte é oportunizar condições para que a graça da salvação se concretize. É como nos revela o livro do apocalipse de João 3, 20: “Estou à porta e bato, se você abrir entrarei e cearei consigo”. É abrir nossos espaços para que Deus possa entrar na nossas vidas. Então as boas obras, o seguimento das leis do amor, a oração, os sacrifícios tem o mérito de nos preparar para que Deus nos salve. Lembro o fato bíblico do Zaqueu. Ele era um publicano, pecador público, que desejava se encontrar com Cristo. Como era baixinho tinha dificuldade. Sua criatividade o fez subir numa figueira por debaixo da qual Jesus devia passar. Porque ele fez a parte dele, Jesus viu e decidiu fazer a sua: entrar e ficar na casa dele. O Senhor concluiu: “Hoje a salvação entrou nesta casa”. O que Jesus espera é que nos deixemos salvar dando a Ele condições para que nos salve gratuitamente. Não nos cobra nada. É só abrir a porta! Experimentemos abrir nossos corações e o Senhor entrará e repartirá sua vida conosco, vida divina e imortal: Isto é Salvação! Importa saber que os maiores dons são sempre gratuitos. São presentes, mas de nossa parte é preciso estender a mão para recebê-los.
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O TEMA DE CASA
Quando menino, na minha Escola, ao final de cada aula a professora nos dava um “Tema de Casa”! Eram exercícios de matemática para serem resolvidos, escritos da “Seleta” para serem interpretados, mapas para serem desenhados e até sonetos para serem decorados. Os “Temas de Casa” eram sagrados na família de minha infância. Só depois de serem atualizados nós recebíamos de nossos pais a permissão para brincar; até os trabalho compartilhado das diversas lidas da casa ficavam em segundo lugar. A pergunta era, sempre, uma destas: “Já fizeste os teus deveres escolares? Já fizeste teus “Temas de casa”?” Até hoje estas frases ecoam na minha memória. Não que existam temas escolares reclamando execução, mas o que levo para vida, o que farei com os resultados da Assembléia, com os conselhos dos amigos? Tudo isso me remonta à pergunta que o poeta fez: “E, agora, José?” É impossível, ao término de uma conferência, de uma celebração da Palavra de Deus, de um encontro de formação, que não leve para vida algo para qualificá-la. Se for verdade que destas situações nunca saímos os mesmos, devemos gerenciar o que guardamos para nossa construção pessoal e comunitária. Desperdiçar, jogar fora, seria o mesmo que chegar a Escola e não ter feito o “Tema de Casa”, tendo como resultado um solene zero da professora da vida, a Sabedoria Divina que oportunizara o momento. É útil, ao findar qualquer evento se perguntar: “De tudo isso o que levarei para qualificar minha vida?” Se for algo negativo devo descartar; se positivo uni-lo ao tesouro da minha personalidade!
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A INGRATIDÃO
As cavernas existentes entre a Samaria e a Galiléia eram abrigos dos leprosos. Doença incurável, a lepra, no início da era cristã continha em si um agravante terrível: a exclusão social e familiar do enfermo. Os leprosos se agrupavam nas tocas das grutas para morrerem juntos. A desesperança era o pão de cada dia. O alimento para matar a fome era deixado à distância. Qualquer aproximação era vetada pela lei. Jogados fora da sociedade e do lar faziam um experiência de inferno. Quando a última chama da esperança se apagava, dez condenados descobriram que Jesus, o traumaturgo, passaria pelas cercanias de seu abrigo. Ele se dirigia à Jerusalém para celebrar a páscoa judaica. Como a lei determinara, eles gritaram, à distância, por misericórdia e cura. O Mestre parou e determinou que eles fossem à Jerusalém se apresentar aos sacerdotes para comprovar a cura. Era uma esperança que se concretizou enquanto se punham a caminho. O milagre aconteceu. Foram curados. Nove, dentre eles, aceleraram o passo para se apresentar no templo e receber o salvo conduto social e religioso. Um deles, samaritano, voltou atrás para agradecer a quem o curara; só depois foi se amparar nas prescrições legais determinadas por Moisés. Jesus reclamou da ingratidão e perguntou onde estavam os outros nove. A ingratidão tem uma carga pesada e negativa nas relações interpessoais. É de uma feiúra extrema, capaz de machucar a sensibilidade e danificar qualquer amizade. A gratidão, porém, abre as portas e janelas da alma para que a luz da solidariedade invada todos seus recantos, gera a harmonia relacional e disponibiliza novas oportunidades complementares de auxílio.
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A AGENDA
Ao amanhecer de cada dia, finda a noite que restaurou as minhas forças, após as preces matinais, reviso a minha agenda do novo dia. Muitas vezes faço dela a motivação das minhas preces, fortalecendo propósitos de, através das ações diárias, concretizar meu amor a Deus e ao próximo. Quando o dia termina, avalio o que fora executado e encaminho para o novo dia, novas ações complementares do que precisa ser melhorado. A agenda é a cara da minha vida. A releitura do que proponho fazer e do que faço é a fotografia da minha personalidade se concretizando nas ações diárias. Muitas vezes o projeto diário está permeado de preces de intercessão, como pré-aquecimento para a gincana do novo dia. Muitas vezes a avaliação da execução dele, ao findar do dia, é também impregnado de oração penitencial pelas infidelidades e de ação de graças pelos acertos. Então suplico ao Deus da luz novas luzes para reconstruir o que fora demolido e aprimorar o que fora deficiente. Com planejamento que a agenda revela, seja a longo ou curto prazo, nem sempre suas ações são concretizadas. Sem planejamento, menos ainda! Por isso eu disse: a agenda é a cara da gente e quem a ignora não tem como avaliar o dia e visualizar seu rosto social, educacional e religioso. A agenda escrita no papel ou na alma não pode ser esquecida. Sua inexistência traz consequências nefastas e dificulta a revisão de vida. Findar o dia rezando e projetando o novo dia, iniciar a nova jornada diária orando e revendo o que fora agendado, faz da gente uma pessoa marcada para o sucesso!
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